quinta-feira, 11 de novembro de 2021

 

Umas e outras

 Cesar Vanucci


Somente Deus o nosso mundo pode salvar.”

(Paulo Verdão, poeta)

 

Teto orçamentário. Atraindo cáusticos comentários nas esferas financeiras, acerbas críticas dos políticos, empresários e líderes classistas, provocando numerosos pedidos de demissão nos quadros diretivos no Ministério da Economia, o Presidente Jair Messias Bolsonaro, ladeado por Paulo Guedes fiel escudeiro em matéria econômica, anunciou aos quatro ventos irá transpor o teto dos gastos públicos alvejando em cheio, via de consequência, as normas constitucionais. Deu-se ao trabalho de explicar, em tom cerimonioso que a transgressão se dará de forma respeitosa, com muita seriedade. Ora, veja, pois! Se a memória não estiver a fim de me trair, um dos argumentos de maior peso no processo de deposição de Dilma Rousseff da Presidência da República foi justamente essa questão da extrapolação do teto orçamentário. 

Poema. Numa magistral declamação de Maria Armanda Capelão, festejada poetisa e escritora, ouvimos pela primeira vez, em sessão literária na Amulmig, o magnífico poema “SOS para o mundo” de Paulo Verdão, professor universitário e advogado. Estes os versos.

“Eu sinto a angústia do mundo / nos extremos das intempéries, / nas noites enfumaçadas / nos céus urbanos sem estrelas...// Eu sinto a angústia do mundo / nas geleiras desprendendo-se dos polos, / nos vulcões vomitando cinzas quentes / na mortandade dos peixes / em águas poluídas...// Eu sinto a angústia do mundo / nas vozes dos povos oprimidos, / no apito lúgubre das fábricas / nos vídeos das tvs / nas telas dos cinemas...// Eu sinto a angústia do mundo / nas manchetes dos jornais, / na literatura de protesto / no teatro de arena nas canções dos festivais...// Eu sinto a angústia do mundo / nas promessas dos políticos, / nos partidos que sobem / nos governos que caem / nos horrores do terrorismo...// Eu sinto a angústia do mundo / nos ministros religiosos que apostatam, / nas prédicas dos pastores / na homilia dos párocos / nas lições dos professores...// Eu sinto a angústia do mundo / no sussurro das favelas, / no cochicho das lavadeiras / no acalanto das mães / no desentendimento dos pais / na rebeldia dos filhos / nos esposos que se traem / nos assassinios de mulheres.// Então eu sinto, / uma dor imensa que me invade / e me prostro de joelhos / com vontade de rezar / porque Deus, / somente Deus / o nosso mundo pode salvar. 

Vacinação e Aids. Reproduzo trecho de notícia publicada na “Folha de São Paulo” a respeito de uma inacreditável fala do presidente Jair Messias Bolsonaro nas redes sociais associando a vacinação contra Covid-19 ao risco de se contrair Aids: “Em sua live semanal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) leu uma suposta notícia que alertava que “vacinados (contra a Covid-19) estão desenvolvendo a síndrome de imunodeficiência adquirida (Aids). Na noite de domingo, Facebook e Instagram derrubaram o vídeo.”

Turfa. As termelétricas utilizadas emergencialmente na complementação do abastecimento utilizam fontes energéticas variadas. Pergunto: Faz sentido imaginar o emprego da      turfa? Relembro: No Triângulo Mineiro, tendo como polo o município de Uberaba, existe, segundo constatação da Metamig há quase meio século, a maior concentração de jazidas de turfa do Brasil, nunca, jamais, em tempo algum, explorada.

Pátria Amada. “Pátria amada não quer dizer pátria armada. Não quer dizer, pátria da corrupção. Não quer dizer pátria das fake news.”

Por ter falado o que falou na homilia da celebração eucarística realizada na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no dia da Padroeira do Brasil, o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, foi colocado na alça de mira dos milicianos fundamentalistas da praça. O tiroteio verbal alveja o ilustre prelado e também o Papa Francisco gloriosamente reinante. O pessoal da “terra plana” sonha com um mundo permissivo que garanta aos belicosos de carteirinha saírem nas ruas com um revólver e cinturão de balas, igualzinho é mostrado nos filmes de faroeste.

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