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sexta-feira, 30 de outubro de 2020

 

Antes da vacina chegar

 

Cesar Vanucci

 

“O ideal seria contar com um antivírus especifico,

com alta eficácia, como as drogas para Aids.”

(Dráuzio Varela, em entrevista a Mino Carta)

 

Dráuzio Varela, aclamado cientista brasileiro, de renome internacional, inspira-se nos bons resultados alcançados no combate à Aids para apostar na pesquisa com o retrovírus no enfrentamento da Covid-19. Ele acredita que um coquetel de drogas pode surtir efeitos positivos, enquanto a vacina não chega. Explica seu ponto de vista em momentosa entrevista concedida a Mino Carta, um dos mais influentes jornalistas do país, diretor da apreciada revista “CartaCapital”. Da entrevista, estampada na edição de 23 de setembro último, tomo a liberdade de reproduzir, na sequência, alguns trechos significativos.

 O entrevistador indaga: “A esperança do mundo concentra-se na vacina. É esta a solução?” Dráuzio responde: “Não é uma solução milagrosa, primeiro a vacina vai proteger 98 por cento dos infectados? Nenhum cientista diz isso. Quem tomar a vacina vai ter uma resposta duradoura? A gente também não sabe. Sabemos, isto sim, que a vacina ítalo-inglesa, que está sendo produzida em Oxford e comercializada pela AstraZeneca, vai precisar de duas doses. A vacina da Cynovac, que está sendo testada pelo grupo do Butantã, também vai precisar de duas doses. Será que a imunidade vai ser suficiente para proteger a gente por anos? Nós não sabemos. A vacina da gripe, por exemplo, tem de ser tomada todos os anos. Eu acredito haver uma alternativa para desenvolvimento de uma substância antiviral. Está claro que não é a cloroquina. Ao contrair uma gripe comum, você começa o dia com o corpo meio quebrado, meio cansado, no outro dia você está com febre, que pode ser alta, coriza, dores no corpo. Em 24, 48 horas, desenvolvemos a gripe. Mas com essa doença não. Com essa doença a pessoa pega o vírus. Qual é o sintoma? Você vai tomar café e não sente o perfume, fica um pouco enjoado, mas a primeira semana decorre mais ou menos normalmente, nos primeiros dias, a pessoa tem sintomas gripais muito leves até. Depois do quinto, sexto, sétimo dia, ela piora, abre-se então uma janela de tratamento. O ideal seria contar com um antivírus especifico, com alta eficácia, como temos as drogas para Aids. Diziam que para Aids era impossível conseguir e hoje você pega uma pessoa HIV positivo, toma a medicação e o paciente vive 20 anos sem manifestar a doença. Nós temos drogas altamente eficazes de alta potência contra o HIV, então por que não podem desenvolver outras contra o coronavírus?”

 Adiante, Dráuzio Varela responde assim à pergunta “E que dizer da segunda onda que ocorre em muitos países?”: “Olha, eu tenho muita dificuldade em aceitar essa chamada segunda onda como uma entidade separada da primeira. Acho que, na verdade, os países estão vivendo a mesma onda que começou lá atrás e tem períodos de calmaria. A partir do momento que as pessoas começam a se movimentar e a se aglomerar, a doença volta a atacar mais gente. Também acho que há uma onda única que responde às aglomerações, aumentando o número de casos e infecções. Se fazem isolamentos, caem os níveis de infecções e de casos confirmados. O exemplo de Israel é bem típico, lá eles voltaram ao lockdown completo porque os casos estão aumentando, como estão aumentando também na Espanha e na França. Aquela ideia de que teríamos um pico e do pico os casos cairiam rapidamente, e pronto, estaríamos livres. Com a gripe espanhola foi assim, ela chegou dizimando populações. Em dois meses, no surto de 18, a doença foi embora. Isso porque a gripe infectou uma massa muito grande e aí passa a ter essa imunidade coletiva mais depressa. Mas com o coronavírus não vai ser assim, as infecções podem seguir persistindo.”

 A entrevista é longa e rica em considerações sobre questões de saúde pública. Dráuzio Varela afiança existirem motivos de sobra para os brasileiros se sentirem “orgulhosos de nosso Sistema Único de Saúde (SUS)”. Lembra que, no mundo inteiro, “nenhum país, com mais de 100 milhões de habitantes, ousou oferecer saúde pública para todos”.

 

sexta-feira, 21 de agosto de 2020


100 mil

Cesar Vanucci

O Brasil é um caso singular de fracasso no combate a pandemia”.
(Esther Dweck, Professora universitária)

Cem mil. A esta altura, já bem mais que isso. Cifra atordoante. Machuca bastante imaginar que muita coisa poderia ter sido feita, em termos de ação política e administrativa, de modo a evitar que a questão assumisse feitio catastrófico.
O negacionismo persistente, a ponto de causar forte irritação, por parte de personagens institucionalmente investidos da indeclinável responsabilidade de conduzir o processo de combate tenaz à pandemia, fez com que ela ganhasse proporções calamitosas. É o que demonstra, irrefutavelmente, avaliações comparativas entre o que está acontecendo por aqui e o que vem sucedendo noutras paragens do mundo. Todas elas, igualmente, molestadas pelo vírus impiedoso de origem misteriosa. Em matéria de vidas preciosas, aniquiladas em curtíssimo espaço de tempo, o corona provocou “impacto Hiroshima” na história do País.

Sem que se possa enxergar ainda luz redentora no final do túnel, nessa avassaladora progressão da enfermidade, as estatísticas continuam produzindo calafrios a cada boletim noticioso. O contingente de vitimas fatais no território nacional supera a população inteira de 95% dos municípios da Federação. Estamos colocados em incômodo segundo lugar, com a “possibilidade” até de superar os Estados Unidos, no macabro “ranking” de casos de contaminação e mortes. Naquele país irmão são 4 milhões e 90 mil infectados e 162 mil óbitos. Aqui, 3 milhões, 15 mil pessoas contaminadas e, no momento em que estas linhas são digitadas, quase 110 mil vítimas fatais. Índia (mais de um bilhão e  duzentos milhões de habitantes), China (1,5 bi de habitantes), Rússia (população superior a do Brasil), México, Chile, Peru, Inglaterra, Itália, França, Espanha, Irã, Japão, África do Sul, Canadá, Argentina estão, citando exemplos, posicionados abaixo do Brasil na tétrica marcha dos perturbadores algarismos.

Os dados oficiais vindos a lume têm, volta e meia, suscitado de certo modo alguns questionamentos. Analisando o quadro universal, há quem admita que Rússia e China, por exemplo, camuflem a realidade, por conta usual de transparência política. Estariam sonegando informações. O mesmo poderia estar ocorrendo também com a China, com seu modelo fechado de governança.

Relativamente ao próprio Brasil, aqui e ali espocam desconfianças quanto aos números divulgados. Eles não expressariam a realidade nua e crua. Os jornalistas Fábio Dakabashi e Flávia Faria, comentando os desnorteantes 100 mil, asseveram que o “marco alcançado é relevante”. “Porém – acrescentam –, este marco é calcado em dados imprecisos.” “Ele (marco) desperta a oportunidade de fazer um balanço da extensão da doença, das ações de gestores e da população. Mas foi agora mesmo que se chegou aos 100.000 mortos no Brasil? Categoricamente, não!”

Seja como for, são fartas as evidências acumuladas, em observações aguçadas do problema, das devastadoras consequências da pandemia no cenário nacional. As circunstâncias de o número de habitantes em nosso país representar pouco mais de 2,5% da população universal e de o número de mortos pela Covid-19 somar quase 15% dos casos fatídicos apontados nas estatísticas globais são revelações eloquentes de que muita coisa vem funcionando de mal a pior no enfrentamento, nestes nossos pagos, do flagelo que se abateu sobre a humanidade. As causas dessa colossal encrenca político - administrativo têm “explicação”: inabilidade gerencial, autossuficiência embriagante, negligência, despreparo gritante para exercício de liderança, insensibilidade social. E por aí vai...

100.000 mortos. Já mais até do que isso. Não precisava ter sido assim! Teria bastado um pouco de bom-senso, disposição para servir e sintonia verdadeira com o sentimento nacional.


Anestésicos, desembargador, Trump e estátuas

Cesar Vanucci

“Cê sabe com quem está falando?”
(Indagou insolentemente o magistrado ao ser alertado 
pelo guarda sobre o uso da máscara)

· A balbúrdia é tamanha que, talvez, a gente esteja até interpretando equivocadamente o que leu ou ouviu. A inverossímil resenha dos fatos mostra que, nos hospitais e demais unidades de atendimento aos cidadãos atacados pela “gripezinha”, andam faltando, de forma mais que preocupante – diríamos, calamitosa -, medicamentos essenciais para salvar vidas preciosas. Tipo, por exemplo, sedativos, anestésicos, oxigênio, produtos indispensáveis para amenizar padecimentos de enfermos em estado crítico. A aquisição de tais insumos, conforme denúncias de médicos e enfermeiros que atuam na linha de frente no tratamento aos pacientes, vem sendo colocada em segundo plano. Enquanto isso, a compra de cloroquina, remédio de eficácia questionada pela OMS e entidades médicas, acusa quantitativos exagerados, gerando desnecessários estoques nos almoxarifados da saúde pública. Como dito no preâmbulo: difícil pacas compreender as razões desse tão inusitado procedimento das autoridades competentes.


· S.Exa., o desembargador, foi pego em flagrante, numa praia do litoral paulista, a arrotar prepotência. Despejou “em riba” de um guarda municipal, ao ser alertado sobre o uso obrigatório de máscara protetora em via pública, o célebre “Cê sabe com quem está falando?” Como se diz no popular, “soltou os cachorros” numa tentativa de intimidar alguém que, em ação profissional e pedagógica, apontou-lhe obrigação de cidadania. A ocorrência, mostrada na televisão, chamou a atenção da corregedoria do Judiciário. Consulta aos arquivos do Tribunal de Justiça de São Paulo revelou que a folha corrida do dito cujo acusa 41 infrações disciplinares. Dá pra imaginar as “aprontações” desse cara nas decisões proferidas ao longo de extensa carreira como magistrado?


· O livro de uma sobrinha rebelde está colocando a família de Donald Trump em polvorosa. “Trump é incapaz de crescer, aprender ou evoluir, incapaz de moderar suas emoções e suas reações”, anota, ferina, Mary Trump. A autora, 55 anos, traz a público revelações chocantes, apresentando-as como memorias de sua convivência com o tio, sobretudo ligadas aos tempos da infância e adolescência passados na residência em que Donald cresceu, no bairro Queen, Nova Iorque. O título da obra resume o conceito que a sobrinha tem de seu famoso parente: “Demais e nunca o bastante – como minha família criou o homem mais perigoso do mundo”. Segundo noticiário, a família tentou bloquear a publicação, com base na alegação de que havia um acordo de confidencialidade. Mas o argumento não colou. Em curto espaço de tempo, o dirigente do mais poderoso país do mundo conseguiu a “façanha” de se ver retratado pejorativamente por duas testemunhas oculares bem próximas de sua trajetória pública e privada. Antes da sobrinha quem andou lançando livro, relatando as entranhas da controvertida política externa conduzida por Trump, foi seu ex-assessor de segurança nacional, John Polton.


· No auge das recentes manifestações de rua, de repúdio ao racismo, ocorreu, em vários lugares, a derrubada de estátuas erguidas, no passado, com o intuito de enaltecer personagens históricos. No alvo dos ativistas foram colocadas esculturas representativas dos tempos da escravidão e das descobertas marítimas colonizadoras. Além daquele episódio, que absorveu vistosas manchetes, do busto de um mercador de escravos inglês retirado do pedestal, posto a rolar rua abaixo e lançado no fundo do rio, numa cidade próxima a Londres, foram registrados, nessa onda de reações populares, mais esses incidentes, dignos de nota, abaixo sublinhados.
Em Washington, Estados Unidos, a estátua do general confederado Albert Pike ficou inteiramente destruída. Em Watesbury, Connecticut, também nos Estados Unidos, a estátua de Cristóvão Colombo foi decepada. Aconteceu a mesma coisa em Boston. Na Inglaterra, outra vez, a escultura de Robert Mulligan, figura ligada a atividades escravagistas, foi retirada de um parque público. Noutros lugares – Bélgica, Groelândia, França, para nos limitarmos a poucos exemplos -, em cidades americanas de forma mais pronunciada, marcos de registros variados, afixados para celebrar pessoas e acontecimentos de outras épocas, foram pichados ou danificados. Pelo visto, as manifestações antirracistas fizeram com que algumas estátuas, projetadas com fitos comemorativos, perdessem sua majestade...


quinta-feira, 13 de agosto de 2020


Vacina(s) à vista

Cesar Vanucci

“Por que o pessoal não se junta pra apressar a solução do angustiante problema?”
(Pergunta ouvida num bate-papo domingueiro em que o médico infectologista explicava para familiares o estágio atual das pesquisas referentes à vacina contra o coronavirus)

· As buscas pela vacina. Na tradicional reunião domingueira, o avô, médico infectologista renomado, explica a familiares o que anda pintando no pedaço científico, no que concerne ao “resfriadozinho”. O relato passado vem resumido na sequência. A OMS assevera   que a solução do baita problema do coronavírus vai custar a chegar.  A Rússia anuncia para outubro a aplicação em massa de providencial vacina. No Reino Unido, proclama-se que a Universidade de Oxford está próxima do antídoto capaz de debelar o flagelo. As pesquisas a respeito, bem avançadas, envolvem inclusive participação de brasileiros. Ainda em nosso país, está sendo desenvolvida, igualmente em estágio de testes com voluntários, uma outra pesquisa coordenada por órgão científico chinês. O governo de São Paulo admite mesmo que um remédio preventivo possa ficar pronto a partir de outubro. Nos Estados Unidos, onde várias organizações se empenham em promissoras investigações que levem a próximo lançamento de medicamento eficaz, o Presidente Donald Trump, com sua costumeira arrogância imperial, berra a plenos pulmões estar apto a oferecer, como já quis fazer(ou fez) no tocante     às encomendas emergenciais de respiradouros, imbatível lance para eventuais aquisições de toda a produção disponível de vacina que surja em qualquer lugar do mundo. Levantamento recente anota serem em número de 161, mundo afora, os grupos febrilmente engajados em alentadoras buscas da fórmula farmacêutica em condições de libertar a humanidade da pandemia.
Neste exato momento da dissertação do avô médico, o neto Expedito, 21 anos, estudante de Ciências Sociais, agilidade de raciocínio fazendo jus ao nome, toma da palavra e deixa cair: - “Cumé? Isso mesmo, 161 grupos de pesquisa? Escuta aqui: não seria mais prático, mais objetivo e eficiente, mais condizente com o bem-estar social, reunir num único lugar os melhores cérebros de todas essas equipes pra uma ampla, geral e irrestrita troca de informações sobre o que sabem e, assim, conjuntamente, chegarem mais rapidamente à solução que todos procuram separadamente?”
O avô, com o queixo apoiado na mão em gesto pensativo, responde: – “Falar verdade, não sei o que dizer”.
Expedito retorna: - “Quer saber duma coisa, minha gente? Do que o mundo anda mais precisado - é só botar tento nas mazelas soltas na praça – é de uma vacina potente pra acabar com o egoísmo, a soberba e a insensatez...” Nada mais disse, nem lhe foi perguntado.

·  Ajuda emergencial. O auxílio emergencial concedido pelo governo, apesar dos pesares, derivados da inadaptação burocrática para prestação de um atendimento menos tumultuado aos beneficiários, tem contribuído, sem sombra de dúvida, para reduzir o sufoco financeiro da parte socialmente mais vulnerável da população. Já, agora, o esquema de socorro montado com o objetivo de suprir carências imediatas das pequenas e médias empresas, não conseguiu, jeito maneira, engrenar. Bastante razoável na teoria, consideradas as circunstâncias confrontadas pelos empreendedores neste aflitivo instante econômico e social, a ajuda em questão está demorando a chegar aos interessados. As dificuldades provêm, em grande dose, dos arbitrários “prolegômenos” concebidos pelo sistema bancário para liberação dos recursos. A rede creditícia, só pra variar, procura distanciar-se, o mais que pode, de compromisso formal e permanente com a promoção social. Reserva prioridade absoluta para os números, sempre ascendentes, dos balanços trimestrais. Tal conduta em nada contribui para “aliviar a barra” de setores produtivos que respondem por volume altamente expressivo na ocupação laboral. Cabe lembrar, focados ainda na política de créditos e financiamentos, que não tem repercutido, nos termos desejáveis, nos guichês das agências bancárias, o correto esforço oficial em favor da redução da taxa Selic. Este instrumento regulador do mercado financeiro acha-se situado, na atualidade, no mais baixo nível do ciclo histórico. Nada obstante, os tomadores de empréstimos continuam sendo onerados, nas operações, por escorchantes juros. Não é a toa que os negócios, nestas bandas ao sul do Equador, proporcionam ao sistema bancário os mais estrondosos resultados. Coisa de dar “santa inveja” nos dirigentes das organizações congêneres doutras paragens.


sexta-feira, 10 de abril de 2020


Vacina não é pra já

Cesar Vanucci

“A aids encontrou remédio a partir de medicação que já existia. E agora?”
(Drauzio Varella, médico)

O médico Drauzio Varella, nome que dispensa apresentação, divulgou na revista “Carta Capital”, em 9 tópicos, um resumo que fez de trabalho elaborado pela “Medscape”, a propósito da pandemia do Covid-19. Tomo a liberdade de reproduzir o texto, neste acolhedor espaço, à vista da candente atualidade de que se reveste.

1)    O vírus é transmitido pelas gotículas expelidas ao falar, tossir e espirrar. Pode sobreviver em superfícies como as de plástico ou de metal por alguns dias (as estimativas são variáveis). No ar, sobrevive poucas horas, mas as partículas de secreção que formam aerossol são infectantes. A presença do vírus nas fezes está documentada.

2)    Modelos matemáticos sugerem que pacientes assintomáticos ou com poucos sintomas sejam responsáveis por até 85% das transmissões, nas fases iniciais de um surto epidêmico. Individualmente, essas pessoas transmitem menos, mas como não ficam isoladas acabam por infectar mais gente.

3)    Trabalhos chineses mostraram que a carga viral não difere significativamente entre os pacientes infectados, todos podem transmitir a doença, tenham muitos ou poucos sintomas. As últimas evidências da OMS mostram que cada paciente (Ro) infecta na média entre 2,0 e 2,5 contatuantes (no sarampo Ro é 12 a 18: na gripe pouco mais de 1)

4)    A OMS calcula que a mortalidade global por Covid-19 esteja na media de 3,4%. Nos primeiros 4,2 mil casos examinados pelo CDC americano, houve 508 internações hospitalares, 121 em UTI e 44 óbitos.

5)    Na China, dois terços dos doentes apresentaram tosse, cerca de 40% tiveram febre, sintoma que chegou a 89% entre os hospitalizados. Diarreia e vômito são raros: menos de 5%. Perda de olfato (anosmia) é queixa que aparece com certa frequencia. Dispneia é sinal de agravamento do quadro e da necessidade de internação hospitalar.

6)    O teste aplicado até aqui pela técnica de RT-PCR é realizado colhendo-se por “swab” material das fossas nasais e da garganta, para detectar a presença do RNA viral. Como a sensibilidade é relativamente baixa (ao redor de 63%) - ou seja, de cada três infectados um tem resultado negativo (falso negativo) - há necessidade de repetição, nos casos suspeitos. No teste feito com amostra de sangue, o objetivo é detectar a presença de anticorpos contra o vírus.

7)    Quase todos os pacientes que necessitam de internação, apresentam dispneia, como consequência de um processo inflamatório pulmonar, traduzido por opacidades características na tomografia computadorizada, identificável em cerca de 60% dos casos. Geralmente há necessidade de suplementação com oxigênio por cateter ou máscara. Os doentes mais graves precisam ser entubados e colocados nos aparelhos de ventilação mecânica, muitas vezes por duas ou três semanas.

8)    A perspectiva do desenvolvimento de uma vacina a curto prazo é irreal. Os pesquisadores mais otimistas esperam que ela esteja disponível em pouco mais de um ano.

9)    Várias medicações estão em fase de teste. A esperança é de que os estudos encontrem atividade antiviral em medicamentos já existentes. Conseguimos drogas assim para a Aids, por que não agora?

Segundo “pesquisa” do ipso (instituto particular de sondagens de opinião),        “encomendada” para uso único e exclusivo deste desajeitado escriba, incorrigível propagador de quimeras, a cotação na simpatia popular do ministro Luiz Henrique Mandetta está em alta vertiginosa. Os índices apurados são bastante expressivos, sem margem de erro para menos, ao contrário do que comumente ocorre nas pesquisas tradicionais. O titular da pasta da Saúde é, sem a mais pálida sombra de dúvida, dentre os porta-vozes da cúpula governamental, aquele que melhor pontuação alcançou na empatia popular. Passa firmeza e relativa segurança nos comunicados e entrevistas, neste momento aflitivo vivido nas ruas e lares. A imagem do Governo ficaria, por certo, muitíssimo desgastada, caso houvesse se concretizado sua exoneração, dias atrás dada como favas contadas. A intensificação dos rumores de que isso estava para acontecer e que produziu, até mesmo, o esvaziamento às pressas das gavetas das mesas de trabalho do Ministro e de integrantes de sua ativa assessoria científica e administrativa, fez com que os círculos políticos em Brasília promovessem desusada movimentação de bastidores. Contingente respeitável de personagens graduados da cena pública, entre eles colegas de Mandetta no Ministério promovessem gestões que impedissem a consumação do ato. Ao cabo e alfim, Luiz Henrique Mandetta permaneceu na função, e isso foi considerado uma decisão acertada por parte da opinião pública.


Dois recados


Cesar Vanucci

“Alguns recados soam como advertências
para que as pessoas retomem o bom-senso”.
(Domingos Justino Pinto, educador)

· O alerta científico, de magna relevância, emitido em janeiro último, passou um tanto quanto desapercebido. Acabou ofuscado pela avalancha do coranavírus. É sumamente lógico presumir que, a esta altura, em centros de estudos avançados, a revelação já esteja sendo objeto de meticulosas avaliações.  Não há como ignorar as graves implicações socioambientais suscitadas pela candente questão. É hora de explicar aos distintos leitores que o anúncio trazido a público por integrantes da base científica brasileira que opera na Antártida é sumamente perturbador. A temperatura na região polar elevou-se, em dado momento, a, mais de 20 graus centígrados. Na ocasião em que isso se deu, os termômetros no Brasil, país tropical, acusavam, na média, índice assemelhado. Uma anotação elucidativa: as pessoas circulavam por aqui, como costuma acontecer na maior parte do calendário, em trajes característicos de verão. Perfeitamente correto extrair do dado a desconfortável impressão de que, também na Antártida, a Natureza está mandando recado ao ser humano. Criticando seu desvairado comportamento na lida ininterruptamente agressiva com o meio ambiente. Isso remete à imperiosa necessidade de se reconhecer a extrema seriedade de que se revestem as reiteradas advertências, dos círculos mais categorizados da ciência, a respeito das ameaças que rondam a sociedade humana em decorrência do aquecimento global. A possibilidade de que a elevação da temperatura provoque catastrófico degelo nas calotas polares não pode continuar sendo, irresponsavelmente, subestimada pelas lideranças mundiais. Se o degelo ocorrer haverá a elevação, em termos diluvianos, das águas dos mares, que ocupam ¾ da superfície do planeta. O clima sofrerá brusca alteração. Setores da ciência admitem a probabilidade de que o fenômeno geológico possa liberar na atmosfera partículas microorganicas de toxidade letal, na hora presente ainda em estado hibernal. A “globalização da indiferença”, consoante magistral definição do Papa Francisco, quando se refere aos problemas globais clamorosamente deixados à deriva nas preocupações prioritárias dos que traçam os planos de desenvolvimento político, econômico e social, pode direcionar, irremediavelmente, a sociedade humana a um beco sem saída. O “efeito estufa” não é assunto controverso. É uma tremenda realidade. Não se trata de ficção alarmista brotada do bestunto de um “bando perigoso” de cientistas e ambientalistas mancomunados no “nefando propósito” de subverter a ordem constituída. Quem propaga isso, de maneira irresponsável, pode-se dizer virótica, são os teóricos da “doutrina terraplanista”.  Esses aí, sim, acham-se obsessivamente empenhados em construir demenciais narrativas revisionistas do ponto de vista político e sociológico.
O recado da Natureza encerra uma convocação às pessoas de boa-vontade para que apressem estudos e ações capazes de promoverem a reconexão do mundo com sua humanidade.


· Ato de pirataria. Esta a classificação dada, por vozes influentes no cenário internacional, à decisão do “xerife” Donald Trump, ao confiscar na marra, ao arrepio das leis, instrumentos terapêuticos essenciais adquiridos por outros países. O ato é lesivo aos interesses da comunidade humana, tendo em vista a circunstância de que o material apropriado estava destinado a centros de atendimento médico emergenciais engajados no árduo combate travado contra a pandemia do Covid-19. A prepotência demonstrada coloca em xeque a autoridade moral do mandatário estadunidense. Escancara sua manifesta inaptidão para o exercício da função mais importante da atividade política contemporânea. Robustece o anseio generalizado no sentido de que o eleitorado da mais poderosa nação, abastecido de bom-senso, opte, providencialmente, nas eleições vindouras, pelo defenestramento do incômodo personagem. No consenso geral, o cara vem fazendo de tudo, com seus destrambelhados posicionamentos, para arranhar a reputação dos Estados Unidos no concerto das nações. O recado de Trump, grosseiro e arrogante, na contramão das propostas de solidariedade que correm o mundo, merece ampla e geral repulsa.


sexta-feira, 3 de abril de 2020


O ser humano em primeiro lugar

Cesar Vanucci

“A economia é um meio pra se atingir um fim social.”
(José Alencar Gomes da Silva, saudoso homem público e líder empresarial)

Proteger vidas, proteger a economia! Palavras que ressoam longe, ouvidas, com insistência mântrica, nesta hora de perplexidade e preocupação generalizadas. Importa anotar, no contexto atual, sutil observação. A observação deriva de inarredável princípio contido na cartilha humanística. O primeiríssimo lugar, nas ações cogitadas com o objetivo de apontar soluções para os problemas que se enfileiram na trajetória da pandemia do coronavírus, terá que contemplar, sem tergiversações, o ser humano. Ele, ser humano, há que ser sempre visto como medida suprema e correta de tudo. Alvo prioritário em todo e qualquer projeto elaborado com o propósito de construção e valorização da vida.

Instrumento imprescindível, extremamente valioso no ordenamento institucional do processo civilizatório, a economia faz jus, a seu turno, a especial atenção. Cabe aqui, entretanto, enfatizar: tanto quanto a ciência, a educação, a política, a tecnologia e outros relevantes mecanismos criados pelo labor e engenhosidade humanos, a economia não é fim em si mesma. Um bocado de gente, por esse mundo de Deus afora, pensa que é. Labora em tremendo equívoco. O equívoco dá margem a indesejáveis efeitos sociais. A economia é, sim, meio eficaz para se atingir um fim. O fim é sempre social. No centro de tudo, como beneficiário das atividades econômicas, situa-se o homem. Assim reza a lei da vida, superior a todas as demais leis e normas instituídas.

O conceito alinhado, como já dito na cláusula humanística, recolhe inspiração nas lições espirituais transmitidas, desde o começo dos tempos. Homens e mulheres de boa-vontade sinceramente empenhados na construção de um mundo melhor conhecem disso, à saciedade. Embora saibamos que, em numerosas e cruciais ocasiões, na marcha da história, tal conceito seja desprezado, descartado, relegado a plano inferior, por força de egoísticas conveniências, de ambições hegemônicas, por carência de solidariedade, é essencial mantê-lo bem aceso nas mentes e corações generosos de forma a assegurar  condições a que possa prevalecer, acima de outros interesses, em situações e circunstâncias complexas e difíceis como as que agora atravessamos.

Proteger a vida representa, portanto, magna prioridade. Reconhecer isso implica, naturalmente, em decisões que reservem o maior quinhão dos recursos a serem carreados ao enfrentamento vigoroso da crise para os menos favorecidos. Para quem esteja, sob o ponto de vista financeiro, inteiramente desguarnecido. Para os desempregados e para quem se veja ameaçado de perder renda e não disponha das reservas necessárias a própria sobrevivência e de familiares. Os melhores e mais graduados especialistas em políticas sociais, dentro ou fora das organizações executivas governamentais, devem ser convocados a participar da ampla coalizão de forças vivas da Nação encarregada de promover ações emergenciais que propiciem assistência a esses contingentes populacionais da sociedade, de maneira a minorar seus padecimentos. Esta frente de ação social se junta à frente da ação médica desencadeada desde o aparecimento do primeiro caso de contaminação detectado.

Outra frente de trabalho fundamental que também requer urgência, diz respeito a proteção da economia. O óbvio ululante: as iniciativas humanitárias emergenciais recomendadas, oriundas de irrevogável imposição social, não excluem, jeito maneira, a imperiosa necessidade de providencias que resguardem as atividades produtivas quanto aos riscos de colapso. De grupos técnicos e administrativos qualificados, recrutados no serviço público e na iniciativa privada, a sociedade brasileira espera também uma série de providências, urgentes, que impulsionem os pequenos negócios, as minis, pequenas e médias empresas. Enfim, mantenha a sobrevivência, com condições de superar as adversidades deste instante, o complexo produtivo, nele injetando estímulos de ordem tributária e financiamentos de longo prazo a  custos módicos. Será de ajuda inestimável, a entes privados, jurídicos e mesmo governamentais – caso dos Estados que compõem a Federação – a prorrogação das quitações das dívidas tributárias ou de outra natureza contraídas com a União.

Por último, ainda a propósito dos problemas suscitados pelo surto do Covid-19 mais este registro. Os posicionamentos ambíguos e extravagantes pronunciamentos recentes do presidente Jair Bolsonaro estão provocando, dentro e fora do país, compreensíveis reações. As críticas vão desde a estupefação até a indignação, partindo do mundo científico de organizações internacionais, círculos políticos, culturais, classistas e religiosos, meios de comunicação social, enfim, de todos os segmentos representativos da opinião pública. Até mesmo entre integrantes da esfera governamental dá pra perceber, em manifestações vindas a público sinais de desaponto e constrangimento, nos semblantes, nos gestos e nas falas. Tudo isso é lamentável.


Reflexões‌ ‌motivadas‌ ‌pelo‌ ‌flagelo‌ ‌
Cesar‌ ‌Vanucci‌‌ ‌
 
“O‌ ‌planeta‌ ‌ficou‌ ‌doente‌ ‌porque‌ ‌está‌ ‌com‌ ‌a‌ ‌“huma...nidade”‌ ‌baixa.”‌ ‌
(Texto‌ ‌colhido‌ ‌no‌ ‌youtube)‌ ‌
 
O‌ ‌flagelo‌ ‌do‌ ‌coronavírus‌ ‌está‌ ‌dizendo‌ ‌a‌ ‌que‌ ‌veio.‌ ‌Sacudiu,‌ ‌em‌ ‌escala‌ ‌planetária,‌ ‌as‌ ‌estruturas.‌ ‌Trouxe‌ ‌apreensão,‌ ‌temores,‌ ‌infortúnios.‌ ‌Chamou‌ ‌as‌ ‌pessoas‌ ‌à‌ ‌reflexão.‌ ‌ ‌
 
Com‌ ‌impactantes‌ ‌implicações‌ ‌de‌ ‌toda‌ ‌ordem,‌ ‌projetou‌ ‌no‌ ‌sentimento‌ ‌do‌ ‌mundo,‌ ‌com‌ ‌absoluta‌ ‌nitidez,‌ ‌a‌ ‌inarredável‌ ‌certeza‌ ‌de‌ ‌que‌ ‌a‌ ‌sociedade‌ ‌humana,‌ ‌em‌ ‌sua‌ ‌peregrinação‌ ‌pela‌ ‌pátria‌ ‌terrena,‌ ‌está‌ ‌a‌ ‌trilhar‌ ‌rumos‌ ‌frontalmente‌ ‌opostos‌ ‌aos‌ ‌direcionados‌ ‌no‌ ‌sentido‌ ‌do‌ ‌bem-estar‌ ‌social‌ ‌almejado‌ ‌pelas‌ ‌multidões.‌ ‌Refazer‌ ‌conceitos‌ ‌equivocados‌ ‌de‌ ‌vida‌ ‌é‌ ‌relevante.‌ ‌Reconectar‌ ‌o‌ ‌mundo‌ ‌com‌ ‌sua‌ ‌humanidade‌ ‌é‌ ‌imprescindível.‌ ‌É‌ ‌preciso‌ ‌assegurar‌ ‌primazia,‌ ‌em‌ ‌tudo‌ ‌que‌ ‌se‌ ‌promova‌ ‌com‌ ‌vistas‌ ‌à‌ ‌exaltação‌ ‌da‌ ‌vida,‌ ‌aos‌ ‌valores‌ ‌humanísticos‌ ‌e‌ ‌espirituais‌ ‌que‌ ‌conferem‌ ‌dignidade‌ ‌à‌ ‌aventura‌ ‌humana.‌ ‌Garantir‌ ‌que‌ ‌tais‌ ‌valores‌ ‌essenciais‌ ‌sobrepujem,‌ ‌nas‌ ‌horas‌ ‌das‌ ‌tomadas‌ ‌de‌ ‌cruciais‌ ‌decisões‌ ‌pelas‌ ‌lideranças‌ ‌em‌ ‌diferentes‌ ‌níveis,‌ ‌as‌ ‌egoísticas‌ ‌e‌ ‌arrogantes‌ ‌percepções‌ ‌das‌ ‌coisas‌ ‌que‌ ‌costumam‌ ‌influenciar‌ ‌negativamente‌ ‌a‌ ‌marcha‌ ‌da‌ ‌história.‌ ‌
 
A‌ ‌“globalização‌ ‌da‌ ‌indiferença”,‌ ‌na‌ ‌sábia‌ ‌definição‌ ‌do‌ ‌Papa‌ ‌Francisco‌ ‌–‌ ‌
“gloriosamente‌ ‌reinante”‌ ‌no‌ ‌reverente‌ ‌reconhecimento‌ ‌dos‌ ‌católicos,‌ ‌bem‌ ‌como‌ ‌no‌ ‌de‌ ‌muitos‌ ‌fiéis‌ ‌das‌ ‌diversificadas‌ ‌correntes‌ ‌religiosas‌ ‌–‌ ‌é‌ ‌também‌ ‌rotulada‌ ‌por‌ ‌homens‌ ‌e‌ ‌mulheres‌ ‌de‌ ‌boa‌ ‌vontade‌ ‌de‌ ‌“globalização‌ ‌da‌ ‌injustiça”.‌ ‌E‌ ‌isso‌ ‌devido‌ ‌às‌ ‌circunstâncias‌ ‌de‌ ‌traduzir‌ ‌estado‌ ‌de‌ ‌espírito‌ ‌que‌ ‌faz‌ ‌ouvidos‌ ‌moucos‌ ‌e‌ ‌desvia‌ ‌acintosamente‌ ‌o‌ ‌olhar‌ ‌aos‌ ‌clamores‌ ‌e‌ ‌cenas‌ ‌aflitivas‌ ‌desses‌ ‌conturbados‌ ‌tempos‌ contemporâneos.‌ ‌A‌ ‌indiferença‌ ‌mais‌ ‌ou‌ ‌menos‌ ‌generalizada‌ ‌deixa‌ ‌flagrante‌ ‌a‌ ‌existência‌ ‌de‌ ‌mundão‌ ‌de‌ ‌gente‌ ‌que‌ ‌pouco,‌ ‌ou‌ ‌nada,‌ ‌se‌ ‌apoquenta‌ ‌com‌ ‌as‌ ‌tragédias‌ ‌coletivas‌ ‌que‌ ‌se‌ ‌vão‌ ‌acumulando‌  ‌a‌ ‌cada‌ ‌giro‌ ‌da‌ ‌Terra‌ ‌na‌ ‌imensidão‌ ‌sideral.‌ ‌
 
Nos‌ ‌campos‌ ‌da‌ ‌visão‌ ‌e‌ ‌da‌ ‌escuta‌ ‌de‌ ‌quem‌ ‌tem‌ ‌olhos‌ ‌para‌ ‌enxergar‌ ‌e‌ ‌aparelho‌ ‌auditivo‌ ‌para‌ ‌ouvir‌ ‌lá‌ ‌estão‌ ‌as‌ ‌constantes‌ ‌guerras‌ ‌fratricidas,‌ ‌a‌ ‌brutalidade‌ ‌terrorista,‌ ‌o‌ ‌desapiedado‌ ‌drama‌ ‌dos‌ ‌refugiados,‌ ‌as‌ ‌avassaladoras‌ ‌endemias‌ ‌que‌ ‌cobrem‌ ‌o‌ ‌maltratado‌ ‌território‌ ‌africano,‌ ‌a‌ ‌miséria‌ ‌das‌ ‌populações‌ ‌de‌ ‌ruas,‌ ‌cortiços‌ ‌e‌ ‌alagados,‌ ‌a‌ ‌contundência‌ ‌das‌ ‌desigualdades‌ ‌sociais,‌ ‌o‌ ‌opróbrio‌ ‌dos‌ ‌preconceitos‌ ‌e‌ ‌das‌ ‌discriminações‌ ‌regidas‌ ‌pelo‌ ‌ódio,‌ ‌insensatez‌ ‌e‌ ‌ignorância‌ ‌e‌ ‌numerosas‌ ‌outras‌ ‌modalidades‌ ‌–‌ ‌admita-se‌ ‌também‌ ‌epidêmicas‌ ‌-‌ ‌de‌ ‌extermínio‌ ‌da‌ ‌vida.‌ ‌A‌ ‌ausência,‌ ‌pelo‌ ‌menos‌ ‌nas‌ ‌proporções‌ ‌desejadas,‌ ‌de‌ ‌solidariedade‌ ‌social,‌ ‌o‌ ‌despreparo‌ ‌gritante‌ ‌de‌ ‌lideranças‌ ‌com‌ ‌papel‌ ‌de‌ ‌destaque‌ ‌na‌ ‌execução‌ ‌de‌ ‌tarefas‌ ‌voltadas‌ ‌para‌ ‌a‌ descoberta‌ ‌de‌ ‌caminhos‌ ‌que‌ ‌conduzam‌ ‌a‌ ‌uma‌ ‌jornada‌ ‌evolutiva‌ ‌da‌ ‌civilização‌ ‌pontuada‌ ‌de‌ ‌paz,‌ ‌harmonia‌ ‌e‌ ‌justiça‌ ‌são‌ ‌fatores‌ ‌que‌ ‌concorrem‌ ‌para‌ ‌que‌ ‌haja‌ ‌contínuas‌ ‌distorções‌ ‌dos‌ ‌acontecimentos.‌ ‌É‌ ‌assim‌ ‌que‌ ‌jorram‌ ‌tantas‌ ‌interpretações‌ ‌errôneas‌ ‌e‌ ‌nocivas‌ ‌desapartadas‌ ‌do‌ ‌verdadeiro‌ ‌sentido‌ ‌da‌ ‌vida.‌ ‌Perturbadas‌ ‌diante‌ ‌do‌ ‌bombardeio‌ ‌de‌ ‌informações‌ ‌desencontradas‌ ‌–‌ ‌um‌ ‌volume‌ ‌apreciável‌ ‌delas‌ ‌falsas,‌ ‌com‌ ‌aparência‌ ‌de‌ ‌verdade‌ ‌–,‌ ‌comunidades‌ ‌inteiras‌ ‌encaram‌ ‌com‌ ‌mecânica‌ ‌naturalidade‌ ‌-‌ ‌e‌ ‌até‌ ‌mesmo‌ ‌com‌ ‌desconcertante‌ ‌banalidade‌ ‌-‌ ‌situações‌ ‌sumamente‌ ‌graves.‌ ‌De‌ ‌certo‌ ‌modo,‌ ‌apavorantes.‌ ‌Em‌ ‌sendo‌ ‌assim,‌ ‌cometem‌ ‌o‌ ‌absurdo‌ ‌de‌ ‌descartar,‌ ‌por‌ ‌exemplo,‌ ‌os‌ ‌riscos‌ ‌(mais‌ ‌do‌ ‌que‌ ‌comprovados)‌ ‌do‌ ‌chamado‌ ‌aquecimento‌ ‌global.‌ ‌Uma‌ ‌“invencionice‌ ‌de‌ ‌cientistas‌ ‌amalucados”,‌ ‌em‌ ‌conluio‌ ‌com‌ ‌ideólogos‌ ‌extremistas‌ ‌empenhados‌ ‌em‌ ‌espalhar‌ ‌confusões,‌ ‌conforme‌ ‌insistentemente‌ ‌proclamam‌ ‌porta-vozes‌ ‌do‌ ‌obscurantismo‌ ‌intelectual‌ ‌talibanista.‌ ‌Uma‌ ‌corrente‌ ‌de‌ ‌pensamento‌ ‌retrógrado‌ ‌que‌ ‌se‌ ‌espalha‌ ‌por‌ ‌aí,‌ ‌em‌ ‌tudo‌ ‌quanto‌ ‌é‌ ‌latitude‌ ‌do‌ ‌planeta,‌ ‌com‌ ‌impetuosidade,‌ ‌vale‌ ‌admitir,‌ ‌virótica...‌ ‌
 
Muitas‌ ‌as‌ ‌constatações‌ ‌a‌ ‌registrar‌ ‌dessa‌ ‌carência‌ ‌de‌ ‌senso‌ ‌crítico‌ ‌face‌ ‌à‌ ‌acumulação‌ ‌de‌ ‌lances‌ ‌em‌ ‌condições‌ ‌de‌ ‌provocar‌ ‌desassossego‌ ‌social.‌ ‌Bastante‌ ‌emblemáticos‌ ‌na‌ ‌lista‌ ‌desses‌ ‌episódios‌ ‌indesejáveis,‌ ‌os‌ ‌gastos‌ ‌bélicos‌ ‌colossais‌ ‌das‌ ‌grandes‌ ‌potências‌ ‌escandalizam‌ ‌e‌ ‌indignam‌ ‌as‌ ‌mentes‌ ‌mais‌ ‌conscientes.‌ ‌Esse‌ ‌impactante‌ ‌desperdício‌ ‌de‌ ‌recursos‌ ‌dá‌ ‌vaza‌ ‌a‌ ‌que‌ ‌muitos‌ ‌países‌ ‌possam‌ ‌armazenar‌ ‌instrumentos‌ ‌de‌ ‌destruição‌ ‌em‌ ‌escala‌ ‌potencial‌ ‌capaz‌ ‌de‌ ‌reduzir‌ ‌a‌ ‌fragmentos,‌ ‌por‌ ‌dezenas‌ ‌de‌ ‌vezes,‌ ‌tudo‌ ‌aquilo‌ ‌que‌ ‌as‌ ‌diferentes‌ ‌gerações‌ ‌plantaram‌ ‌na‌ ‌superfície‌ ‌do‌ ‌planeta‌ ‌desde‌ ‌os‌ ‌começos‌ ‌dos‌ ‌tempos.‌ ‌ ‌
 
Mesmo‌ ‌entre‌ ‌cidadãos‌ ‌tidos‌ ‌na‌ ‌conta‌ ‌de‌ ‌bem-informados,‌ ‌revela-se‌ ‌reduzido‌ ‌o‌ ‌contingente‌ ‌daqueles‌ ‌que‌ ‌se‌ ‌mostram‌ ‌estarrecidos‌ ‌e‌ ‌que‌ ‌se‌ ‌animam‌ ‌a‌ ‌criticar‌ ‌as‌ ‌alarmantes‌ ‌opções,‌ ‌dos‌ ‌donos‌ ‌do‌ ‌mundo‌ ‌quando‌ ‌desviam‌ ‌recursos‌ ‌amealhados‌ ‌pelo‌ ‌labor‌ ‌humano‌ ‌para‌ ‌horrendos‌ ‌conflitos.‌ ‌ ‌
 
Cuidemos‌ ‌de‌ ‌anotar:‌ ‌um‌ ‌porta-aviões,‌ ‌devidamente‌ ‌equipado,‌ ‌da‌ ‌imensa‌ ‌frota‌ ‌que,‌ ‌permanentemente,‌ ‌singra‌ ‌os‌ ‌oceanos,‌ ‌em‌ ‌ameaçadoras‌ ‌vigílias,‌ ‌a‌ ‌serviço‌ ‌das‌ ‌maiores‌ ‌potências,‌ ‌cobra‌ ‌dos‌ ‌contribuintes‌ ‌valor‌ ‌superior‌ ‌–‌ ‌ora,‌ ‌veja,‌ ‌pois!‌ ‌-‌ ‌ao‌ ‌PIB‌ ‌de‌ ‌numerosos‌ ‌países.‌ ‌Como‌ ‌é‌ ‌que‌ ‌pode?‌ ‌Se‌ ‌a‌ ‌dinheirama‌ ‌gasta‌ ‌dessa‌ ‌maneira‌ ‌fosse‌ ‌destinada,‌ ‌como‌ ‌recomenda‌ ‌o‌ ‌bom-senso,‌ ‌à‌ ‌solução‌ ‌de‌ ‌problemas‌ ‌relacionados‌ ‌com‌ ‌as‌ ‌necessidades‌ ‌humanas‌ ‌vitais,‌ ‌incontáveis‌ ‌tragédias‌ ‌coletivas,‌ ‌inclusive‌ ‌as‌ ‌produzidas‌ ‌por‌ ‌vírus‌ ‌de‌ ‌origem‌ ‌desconhecida,‌ ‌poderiam‌ ‌estar‌ ‌sendo,‌ ‌com‌ ‌certeira‌ ‌convicção,‌ ‌evitadas‌ ‌ou‌ ‌combatidas‌ ‌com‌ ‌total‌ ‌sucesso.‌ ‌
 
O‌ ‌tema, ‌ ‌visto‌ ‌está, ‌ ‌comporta‌ ‌infindáveis‌ ‌considerações. ‌ ‌

A SAGA LANDELL MOURA

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