quinta-feira, 31 de julho de 2014


A estatura moral do Brasil

Cesar Vanucci*

“A tão sonhada paz na região depende de Israel, a parte mais forte e equipada do conflito”. (Celso Amorim, Ministro da Defesa do Brasil)

Os radicais que comandam na atualidade o Estado de Israel cometeram mais um estrondoso desatino. Este, apenas verbal. Sem perdas de vidas inocentes. Mas altamente revelador, outra vez, do animo belicoso e postura prepotente que entendem por bem (melhor dizendo, por mal) assumir nas inesgotáveis demandas de seu país com a tolerante comunidade das nações.

O Brasil não é um país irrelevante. Não é “anão diplomático”, conforme anotado na histérica descrição do porta-voz do grupo extremista. E, a seu turno, Israel não possui estatura moral para impor a quem quer que seja, muito menos ao Brasil, regras desabridas, ao inteiro arrepio das leis internacionais, como aprecia costumeiramente fazer. Exemplo frisante dessa conduta abominável se configura nos deslocamentos de suas ferozes divisões blindadas em territórios da Palestina. Na hora presente, provocando perplexidade e comoção planetária, essas divisões promovem uma luta desigual e iníqua, que recorda sob muitos aspectos os horrores praticados, no passado, pelo nazismo contra o heroico e indefeso povo hebreu.

Quando o Papa Francisco, do alto de sua cátedra, brada ao mundo “parem com isso!”, ele na verdade interpreta um anseio humano global. Fala de um sentimento que povoa as mentes e os corações de homens e mulheres de boa vontade em todos os quadrantes do mundo, independentemente de crenças e etnias diversificadas. Um tipo de gente, esmagadora maioria, que sonha com a implantação da paz e de fraternal convivência em todos os lugares, sobretudo num ponto do globo cheio de simbolismo sagrado, berço das mais poderosas e influentes correntes ideológicas da civilização. Como aceitar que justamente num lugar assim possa ocorrer uma explosão ensandecida como essa, produzida por radicalismos os mais desapiedados. A culpa no cartório pelos brutais acontecimentos deve ser atribuída, em cota proporcionalmente maior, a radicais israelitas, no confronto mantido com seus adversários, parte deles também radicais fanáticos. Mas o que está prioritariamente em jogo é a aspiração ardente das multidões palestinas de ter sua pátria. Tal como almejado e conquistado com inteira justiça e merecimento pelos judeus num passado não tão distante. Tal como já definido, há décadas, pela assembleia geral da ONU.  

O que a diplomacia brasileira expressou na critica à exacerbação imprimida ao conflito pelo contendor bélica, politica, tecnológica, economicamente mais poderoso, no caso  Israel, situa-se na mesma linha do pensamento pontifício. Parem já com isso! Interrompam o massacre! Tomem logo seus assentos na mesa de negociações.  Tracem em definitivo, com concessões se necessário, os limites dos territórios israelense e palestino. Aprendam a conviver. Mirem-se no exemplo aqui do Brasil. Um país de indiscutível grandeza cultural e politica, que não cultiva desafeições com nenhum de seus dez vizinhos territoriais. Um país onde as comunidades árabe e judia convivem em perfeita harmonia. Onde a pluralidade de ideias e as diferenças de costumes são satisfatoriamente respeitadas e onde, também, os fundamentalistas de todos os matizes são contidos em suas idiossincrasias e intolerâncias.

Veja bem o porta–voz dos radiais de Telavive se o Brasil dispõe ou não de condições para opinar a respeito do horror de Gaza, essa sucessão de incidentes atordoantes tão próximos da funesta lembrança do genocídio ocorrido no gueto de Varsóvia?

Já ia me esquecendo. Como o porta-voz também fez menção a um mero e inofensivo placar de simples contenda esportiva, em seu patético esforço de desqualificar o Brasil como Nação, que tal lembrar ainda do tétrico e dilacerante placar em vidas preciosas construído com o “eficiente” concurso das tropas de ocupação que, por terra, mar e ar, vêm se esmerando a reduzir a escombros – com gente dentro - asilos, escolas, hospitais, lares, na estreita faixa rodeada por muros e patrulhas militares reservada ao confinamento do povo palestino?  




Filme já visto

Cesar Vanucci*


“A instituição ganha mais dinheiro no Brasil do que ganha em qualquer 
outro país, inclusive na matriz, na Espanha.”
                  (ex–Presidente Lula, aludindo ao banco Santander).

O Santander extrapolou os limites. Dilma Rousseff classificou o ato de “inadmissível”. Foi demasiadamente branda na reação. A impertinência do grupo espanhol, que tem neste nosso país tropical, abençoado por Deus, um de seus núcleos operacionais mais dinâmicos e rendosos, se não o mais importante deles, roça as raias da imbecilidade sob o estrito ponto de vista empresarial. Representa ainda inocultável violência à ordem institucional política. Onde já se viu absurdidade desse tamanho? Uma organização estrangeira, extravasando arrogância, resolve de repente dirigir-se à clientela para exprimir tendenciosa orientação política! Resolve manifestar preferencia partidária com relação a uma campanha eleitoral de suma importância para o futuro de um país que lhe franqueou as portas para ocupação de espaço privilegiado no mundo de promissores negócios!

Ponho-me a matutar com os botões do pijama qual não seria o fragor, inclusive midiático (além de diplomático), da reação do governo da Espanha diante da inimaginável hipótese de que o Banco do Brasil, por exemplo, atuando no mercado daquele país, resolvesse sem mais essa nem aquela emitir juízo de valores sobre candidaturas numa campanha eleitoral em curso. O rebu que uma intromissão descabida como essa seria capaz de produzir, vou te contar!...

O Santander aprestou-se a protagonista da vez nas periódicas sortidas maquiavélicas deflagradas por forças estranhas à vida e ao sentimento nacional. Essas forças, às vezes mancomunadas com grupos nativos, mantêm-se sempre entocaiadas á espera de ensanchas oportunosas. Ávidas por botar pra fora estaparfúrdios “ensinamentos” sobre como nós, brasileiros, deveremos nos comportar na condução de nossos próprios destinos políticos.

Acode irresistivelmente à lembrança, nesta hora, aquela ridícula manifestação de 2002, feita por um gringo mundialmente reconhecido como mago da especulação financeira, George Soros. Ele falava, na ocasião, em nome do “mercado”. Ou seja, em nome desse ente ectoplásmico, evocado costumeiramente em momentos imprevistos, por conveniências clandestinas, ativas nos bastidores mundanos, para “opinar” a respeito de questões momentosas. Questões, naturalmente, que possam render algum ganho espúrio aos manipuladores de sempre das riquezas circulantes. E o que foi mesmo que o supracitado cara andou dizendo com repercussão encomendada na mídia e com a indisfarçável cumplicidade de manjados oportunistas na esfera política? Seguinte: “A vitória, nas eleições, de Luís Ignácio Lula da Silva e de seu companheiro José Alencar, outro Silva com marca legendária na historia, representaria o caos...” O papo do mega especulador não colou. A catastrófica profecia foi vista por todos como terrorismo econômico. O malogrado prognóstico soou como eco de pronunciamento impregnado de babaquice formulado anteriormente pelo então presidente da FIESP, Mario Amato. O mencionado prócer classista vociferava que um possível triunfo de Lula na disputa com Fernando Collor, seria capaz de desencadear–ora, veja, pois! - um fluxo incontrolável de brasileiros para Miami na busca de exílio. O grotesco episódio faz aflorar na lembrança deste desajeitado escriba uma outra intervenção descabida com sotaque estrangeiro. A exemplo da primeira, salpicada de preconceito. Outro empresário influente, de Minas Gerais, no exercício da presidência da Belgo Mineira, Hans Schaller, compareceu gratuitamente a publico para sublinhar que o então presidente da FIEMG, José Alencar, não traduziu o pensamento do empresariado brasileiro quando anunciou a disposição de votar no líder sindicalista na disputa com o “caçador de marajás”. O autor desse outro palpite infeliz ficou mudo e quedo que nem penedo depois de ter-lhe sido lembrado que, em razão da nacionalidade, ele não poderia votar no candidato de sua preferencia, a não ser que Collor pusesse concorrer a presidente em seu país natal.  



O filme projetado pelo Santander é o de sempre. Parece um bocado com aqueles lançamentos cinematográficos “inéditos” da televisão. Surge infalivelmente na tela do cinema político toda vez que o Brasil se prepara para votar. O elenco pode até mudar. O enredo, não! 





Grupos de ódio

Cesar Vanucci*


“Enquanto a cor da pele for mais importante que o
 brilho dos olhos, haverá guerra”. (Bob Marley)


Quem tem olhos pra enxergar e ouvidos para escutar que se esforce por captar o alarido sombrio do movimento racista escancaradamente empenhado em marcar presença em tudo quanto é frente. A virulência extremista parece haver encontrado em bolsões conturbados da vida contemporânea estímulos renovados para suas vociferações de ódio fraticida. Na Europa, principalmente na França, partidos ultraconservadores, que pregam abertamente a discriminação, ganharam em recentes prélios eleitorais espaço mais dilargado para atuação. O fundador da “Frente Nacional”, Jean-Marie Le Pen, eufórico com a meteórica ascensão da filha e atual líder da agremiação, Marine Le Pen, ao palco central da política, declarou, entre gargalhadas histéricas, aludindo numa entrevista ao ator e cantor judeu Patrik Bruel, essa atordoante imbecilidade: “Da próxima vez faremos uma fornada com eles!”
Nos Estados Unidos, o numero dos chamados “grupos de ódio”, que defendem a supremacia branca e “cristã”, alvejando não só negros e judeus, mas a tudo quanto “fuja” ao seu “padrão de nação” – imigrantes, latino-americanos, muçulmanos, gays e minorias étnicas – cresceu cerca de 56% desde 2000. Esses núcleos antissemitas hidrófobos chegam a 940 em todo país. Segundo a polícia federal estadunidense, 5.800 crimes motivados por ódio racial foram cometidos em 2012. Atrás dos delitos atuam a Ku Klux Klan, “skindeads”, neonazistas, o Partido dos Cavaleiros (The Knigths Party) e outros grupamentos especializados na disseminação do ódio. Os sinistros símbolos nazistas e da KKK são vistos em muitas das ocorrências criminosas.   

Cotas na pós-graduação. Uma valiosa informação acerca da (auspiciosa) expansão do projeto de democratização do ensino superior implantado pelo Ministério da Educação. Depois de bem sucedido esforço no capitulo das cotas raciais, a Universidade Federal de Brasília está partindo para adotar o mesmo regime de partilha nas matriculas em seus cursos de pós-graduação. A pioneira iniciativa, não divulgada com destaque, incompreensivelmente, pela grande mídia, acabará sendo introduzida, em breve, com certeza, nas demais instituições escolares.

Taxa de Juros. Analistas políticos mencionam com insistência, em especulações pré-eleitorais, o nome de Armínio Fraga, renomado técnico das fileiras da oposição para ocupar, numa eventual vitória eleitoral em outubro, posição de destaque na área econômica do governo. Isso acende a lembrança de que por volta de 1999, época em que o economista esteve à frente da politica econômica, a taxa de juros andou alcançando as altitudes himalaianas dos dois dígitos.  


Chico Buarque. Pelos seus 70 anos, Chico Buarque de Holanda está sendo festejado em prosa, verso e música. Muitíssimo justa a celebração. Não são tão numerosos assim os brasileiros providos de currículo tão cintilante. O autor de tantas melodias e letras inesquecíveis, definitivamente incorporadas ao rico reportório da criação artística brasileira, é alguém com lugar assegurado no time titular de nossos maiores compositores. É, por sinal, parceiro de vários deles. Esbanja talento em tudo que bota mão. Enveredando pelo teatro musical, construiu uma produção dramatúrgica admirável. Marcou presença na literatura com excelentes romances, que arrebataram prêmios e inspiraram filmes. Sua obra, impregnada de lirismo, de rico conteúdo social, estampa também discurso corajoso em favor dos direitos essenciais. E não nos esqueçamos de que Chico combateu na linha de frente nas lutas pela redemocratização. Alçou-se por tudo quanto realizou e continua realizando à invejável condição de personagem exponencial no cenário cultural brasileiro e latino-americano, com projeção internacional.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Copa, outra vez
Cesar Vanucci*

“Os responsáveis estão bem longe das quatro linhas.”
 (Luiz Gonzaga Belluzo).

A Copa continua dando o que falar.

* O fiasco retumbante da seleção nas quatro linhas colocou a CBF com as “barbas de molho”. A cartolagem viu-se acionada pelo clamor das ruas a dar logo o pontapé inicial na partida decisiva correspondente à necessária e urgente reformulação do futebol brasileiro. Só que as primeiras jogadas anunciadas não têm sido nada de molde a desfazer o sobressalto instalado, desde os 7 a 1 fatídicos, no espírito dos torcedores. Os primeiros lances deixam entrevistos sérios riscos de gol contra. As indicações de nomes produzem a amarga sensação de estar pintando no pedaço mera troca de seis por meia dúzia. Paira no ar a desconfortável impressão de que se esteja fazendo alguma reforma para não se fazer reforma alguma.   


*O Ministério do Turismo liberou os resultados da pesquisa feita junto a correspondentes dos órgãos da mídia internacional a respeito da Copa realizada no Brasil. As avaliações recolhidas reduzem a subnitrato de pó de mico os prognósticos cataclísmicos intensamente propagados, antes do torneio, com certa repercussão no exterior, nos meios de comunicação nativos. A quase totalidade dos jornalistas consultados (98,6 por cento) reconheceu que tudo foi “muito bom” ou “bom”. Os itens concernentes aos serviços de infraestrutura do Brasil foram considerados de bom nível. Vejam só os índices de aprovação alinhados na sequencia: aeroportos, 88 por cento de aprovação; taxis, 87,7 por cento de aprovação; segurança publica, 81,8 por cento; limpeza urbana, 80,4 por cento; atrativos turísticos, 98,4 por cento de avaliações positivas; diversões noturnas, 96,2 por cento; facilidade para “vistos”, 93,2 por cento. Os entrevistados assinalaram ainda que a imagem do Brasil, com a Copa, melhorou 59,4 por cento e permaneceu a mesma 38,1 por cento. A “enquete” perguntou ainda aos profissionais de imprensa se recomendariam viagens ao Brasil. Noventa e sete por cento responderam positivamente. Os índices apurados nas questões da mobilidade urbana e da telefonia e acesso à internet foram menos expressivos. Respectivamente, 66,9 por cento e 52,1por cento. Os custos das atrações turísticas e transportes foram considerados adequados pela maioria. No tocante às tarifas e serviços de hospedagem, sete em cada dez entrevistados adotaram postura critica acentuada.


*A condição de jogador excepcional desfrutada pelo argentino Messi dispensaria perfeitamente a gratuidade da deferência que se lhe foi atribuída pela FIFA, ao considerá-lo “craque da Copa”. E que papo mais estapafúrdio é esse de o “craque da Copa” não entrar na “ seleção da Copa”? No duro da batatolina, o titulo de “craque da Copa” ficaria melhor nas mãos (ou seja, nos pés) do holandês Argen Roben.



*Sem essa de “crucificar” o atacante Fred, apontando-o como “bode expiatório” do fracasso acontecido no gramado, a exemplo do que foi feito, em 1950, de forma igualmente injusta, com Barbosa e Bigode. Os verdadeiros culpados são outros. Fico com o Luiz Gonzaga Belluzo quando registra em depoimento à “CartaCapital” esta frase: “Não adianta procurar os culpados entre os vinte três selecionados. Os responsáveis estão bem longe das quatro linhas.”


*Alguém do ramo publicitário bem que poderia medir o tempo despendido pelas estrelas do time canarinho, os membros da comissão técnica obviamente incluídos, nos preparativos e filmagens dos reclames publicitários em que, antes e durante a Copa, apareceram como charmosos “garotos propaganda”. Ha quem aposte na hipótese de que as horas consagradas a tão valioso mister aproximem-se do volume de horas dedicadas aos extenuantes treinamentos na Granja Comary.


*Entreouvido na fila do “busão” que faz o trajeto Centro-Calafate: - “Sinto um baita calafrio na espinha só de pensar, conforme alguns cronistas andam dizendo, que a maioria dos jogadores brasileiros desta Copa possa estar em nosso time nas Olimpíadas e Copa da Rússia”.

  
Vez do Leitor. A proposito do artigo “Tristeza e perplexidade” escreve-nos o leitor Wenceslau Teixeira Madeira: “Meu caro cronista, meu protesto segue abaixo. Protesto de um villanovense /brasileiro/eleitor/contribuinte/torcedor.
Pessoal, juro! Eu não acredito!/ Não achei nada bonito!/  Placar imenso de sete a um / Jamais vi em lugar algum. /  Tanta humilhação, tanto desgosto.
Protesto: Não voto mais e nem pago imposto!/ Wenceslau, seu 25.000.000º leitor.”





Quarta- feira, dia 23 de julho. João Ubaldo e Rubem Alves recebem Ariano Suassuna e o céu fica ainda mais estrelado. 



 





Dia da Indústria, 2014

                                                                   Cesar Vanucci*

“O passado é importante quando nos ensina a compreender o
 presente e a moldar o futuro” (Olavo Machado Junior, Presidente FIEMG)


Festa de arromba, por qualquer prisma seja o evento avaliado. A celebração do Dia da Indústria, tradicional no calendário da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), revestiu-se em 2014 da mesma pompa e brilho que a respeitada instituição costumeiramente empresta à promoção. Publico vibrante, altamente representativo, lotou o salão principal da Expominas, aplaudindo com entusiasmo os ilustres personagens agraciados com os honrosos títulos de “Industrial do Ano” e “Mérito Industrial”.
A posse da diretoria que regerá os destinos do Sistema Operacional da Indústria no  período administrativo vindouro, liderada pelo empresário Olavo Machado Junior, que deu provas pessoais exuberantes de seu poder empreendedor no primeiro mandato, foi ponto de destaque na programação. Um primoroso coquetel emoldurou o encontro destinado à confraternização dos dirigentes empossados, homenageados e convidados.
A assembleia solene foi também sublinhada por sugestiva sequência de pronunciamentos, com lúcidas abordagens de temas caros ao interesse nacional. A realidade politica e econômica mereceu analises por enfoques diferenciados, sobretudo nos pronunciamentos do industrial Olavo Machado Junior e do representante do Governo Federal, Ministro Mauro Borges, titular da pasta do Desenvolvimento. Isso proporcionou à atenta plateia a chance de se ver contemplada com um, pode-se dizer, respeitoso diálogo, contendo dados valiosos. Conquanto em vários pontos divergentes no tocante ao modo de se encarar o processo de desenvolvimento, as informações transmitidas, dentro de impecável figurino democrático, retrataram saudavelmente a preocupação dos setores privado e publico na cata de resultados adequados e eficazes para os problemas confrontados pela sociedade dos tempos de hoje. “O nosso partido é Minas. Queremos lideranças politicas comprometidas com Minas porque delas depende o resgate de uma politica econômica que efetivamente privilegie o crescimento e o fortalecimento da indústria”, foi o que acentuou Olavo Machado.  
A repousante atmosfera democrática dominante transportou-me, num amplo voo de imaginação, a momentos passados que deixaram marcante registro na historia dessas refulgentes comemorações.  Fixei-me, nas lembranças afloradas, de modo especial, nas festividades comemorativas do “Dia da Indústria” de 1971 e do “Dia da Indústria” de 1976.
Os acontecimentos vividos naquelas duas ocasiões, com toda certeza desconhecidos da grande maioria das pessoas, foram simplesmente eletrizantes, deixando imorredouras lições. Merecem ser recontados como singela contribuição histórica deste desajeitado escriba aos arquivos da grandiosa celebração.
Colocados, como será visto, frente ao que rolou na bela comemoração de agora e nas celebrações de outros anos do passado recente, posteriores ao período de obscurantismo ditatorial, são fatos que oferecem, como mensagem didática definitiva, amostra pujante do real significado da democracia no processo civilizatório. Deixam, pela mesma forma, projetada a agressão que os regimes de força costumam perpetrar, a torto e a direito, contra a cidadania e os direitos essenciais inerentes à dignidade humana.
Proponho-me recontar, na sequência, em dois artigos, os relatos dos sucessos transcorridos naquelas celebrações do “Dia da Indústria” de 1976 e do “Dia da Indústria” de 1971.


                     Mais de Suassuna:                  
Filme:  "O auto da compadecida" um dos seus grandes sucessos. 





sábado, 19 de julho de 2014

O futebol pede mudanças urgentes

Cesar Vanucci*

“O Brasil de Didi, Garrincha e Romário recebeu a Copa em casa,
 com um técnico ultrapassado e uma seleção sem força de ataque”.
 (Afonsinho, craque do passado)


O acachapante desempenho da seleção na Copa clama, naturalmente, por mudança de rumos. A destituição da comissão técnica, que se conduziu de forma tão desastrada, representa apenas o começo do começo das transmutações desejadas. Algo mais profundo e consistente carece ser adotado sem delongas.
Os especialistas em assuntos relacionados com o esporte das multidões precisam lançar logo na mesa das discussões as sugestões, postulações e conceitos que assegurem ao futebol brasileiro a chance de reencontrar suas origens e itinerário históricos.
Animo-me, como torcedor, arriscar alguns singelos palpites. Imagino que não deixarão de ser cogitados pelos entendidos no grande debate acerca da construção do novo modelo de atuação a ser adotado pelo futebol brasileiro daqui pra frente. Primeiro palpite. Nada, ao contrário do que tem sido aventado, de trazer técnico estrangeiro. Identifico em inúmeros craques do passado elementos com cabedal à altura para assumir o posto. Querem um bom nome? Zico, tá bem? Outro palpite: convocação para compor o escrete deverá contemplar apenas craques engajados em campeonatos nacionais. Assim é que se procedia noutros tempos. Com resultados positivos, tá? Se preciso, criem-se mecanismos de incentivo de maneira a reter por aqui os jogadores selecionados. Mas sem essa de recorrer-se a atletas que joguem no exterior. Alguns deles emitem, não raras vezes, sinais claros de desvinculação com o sentimento nacional. Muita gente questiona os critérios que norteiam o trabalho das ditas comissões técnicas diante da circunstância de que jogadores consagrados em nossas competições, como é o caso, para ficar num só exemplo, do Everton Ribeiro, do elenco do Cruzeiro, campeão nacional, considerado o “craque do ano”, serem solenemente ignorados nas convocações.
Modificação do calendário dos torneios, cuidados especiais com o futebol de base, incremento às competições escolares, eliminação radical da influência de patrocinadores e agenciadores de craques nas convocações e escalações, são outros itens relevantes a serem levados na devida conta pelos que futuramente venham a assumir a tarefa de colocar o futebol, alegria do povo brasileiro, nos devidos eixos.
Abrir logo o debate. A Copa América e as Olimpíadas estão à vista.

Vez do leitor. A respeito do artigo “Tristeza e perplexidade sem fim”, o engenheiro Guilherme Roscoe fez o comentário abaixo reproduzido. 
 Caro Cesar, após a interessante leitura de seus artigos, principalmente ao que se refere a nossa derrota na Copa, tomo a liberdade de expor minha visão sobre o fatídico jogo. 
Terça feira, 8 de julho 2014, semifinal da Copa do Mundo de Futebol.
Sem favoritos, esperava-se uma partida difícil. Mas, o que eu vi, você viu e todo mundo viu pela televisão, foi um massacre.
Inédito na amplitude do marcador, nesta fase, de todas as Copas. Passado o susto, a perplexidade e a forte emoção, vamos rever o que vimos.
Zaga brasileira improvisada, imposição da suspensão do capitão, por falta boba no jogo anterior. Até os 11 minutos, o jogo parecia equilibrado, até com alguns momentos de domínio brasileiro. Um passe impreciso no ataque, retomada e veloz contra-ataque dos alemães: o recurso foi desviar a bola para escanteio; daí o primeiro gol, bola a meia altura chutada de voleio por um adversário livre na área. Se o time já parecia excessivamente nervoso, aí se descontrolou de vez, os alemães fizeram mais quatro em pouco tempo, aproveitando os espaços no meio campo e na defesa brasileira. 
No segundo tempo, em função de substituições na equipe, houve um relativo equilíbrio e os alemães venceram esse tempo por 2 x 1.
Diferenças: brasileiros abusam de sua qualidade no drible e prendem demais a bola, por isso fica lento o jogo coletivo; vimos a seleção deles jogar com muita objetividade, passes precisos, deslocamentos constantes para receber os passes - assim o jogo fica rápido - o movimento da bola é que é rápido! 
As chances para finalizar foram aproveitadas com eficácia pelo time europeu: chutes firmes, com bom controle da direção e diretos, sem efeito. 
Em, pelo menos, três dos sete gols, me lembrei do Ochoa, goleiro do México - fiquei imaginando como seriam evitados. 
Após um desastre tendemos a buscar culpados; bobagem, somos todos culpados, inclusive a imprensa e parte da torcida: o fato do Brasil ter vencido cinco vezes em décadas não lhe garante superioridade, aí está o resultado da prepotência. Mas, se há culpados, dois não podem ser esquecidos: o 18 da Colômbia que tirou Neymar da equipe e o capitão que displicentemente se excluiu. Disse.”


 Da Copa às Olimpíadas
Cesar Vanucci*

“O mundo assistiu a uma boa organização
em um recanto civilizado.” (Mino Carta, jornalista)


Com medíocre atuação, exibindo futebol de várzea, a seleção canarinho perdeu a Copa que o Brasil soube ganhar com suprema maturidade e indiscutível competência. O vexame nas quatro linhas impediu que a euforia popular pela grande conquista alcançasse níveis ainda mais elevados. Mas o que resultou, como lição definitiva do torneio esportivo recém-findo, foi a certeza inquestionável de que o nosso país, ao contrário do que foi propagado, com enervante insistência, por uma minoria ruidosa de “ cartomantes do derrotismo”, provou outra vez suficiente capacitação para promover eventos de magnitude, de qualquer gênero e a qualquer momento, de forma impecável.
As coisas decepcionantemente, não funcionaram a contento no gramado, fazendo jus, obviamente, a criticas aprofundadas e reações de compreensível inconformismo. Já no tocante ao formidável complexo logístico montado para fazer desta a Copa das Copas, os resultados atingidos revelaram-se, sem qualquer exagero de fala, impecáveis.
Os dados que têm sido mostrados, somados às manifestações de observadores isentos e das multidões de turistas que circularam intensamente pelo território continental brasileiro, com destaque para os palcos dos jogos, são deveras reveladores. Retratam eficiência operacional nas ações desencadeadas pelos setores de serviços engajados na gigantesca empreitada. Transporte aéreo e rodoviário, hotelaria, sistema de mobilidade urbana, segurança pública, atendimento de urgência, tudo se encaixou harmoniosamente no enredo da Copa.
Colhi de pessoas de outros países referências altamente elogiosas ao tratamento dispensado nos aeroportos, incluídos aqueles (caso de Confins, por exemplo) com obras ainda não inteiramente concluídas. Outro frisante exemplo do bom trabalho executado por organizações brasileiras alvejadas impiedosamente por setores da mídia na antevéspera da Copa está configurado no desmantelamento, pela polícia, da quadrilha que, há décadas, sem ser importunada pela lei, promovia na clandestinidade, com bem provável conivência nos altos escalões da FIFA, ações fraudulentas no esquema de ingressos.
E o que não dizer da acolhida extremamente cordial, calorosa, incomparável quando confrontada com a de acontecimentos de relevo vividos noutros lugares do mundo, assegurada pela gente do povo às levas de visitantes estrangeiros?

A Nação provou exuberantemente seu poder criativo e capacidade empreendedora para envolver-se em iniciativas de repercussão planetária. Desmentiu categoricamente, uma vez mais, os plantonistas do pessimismo. Um pessoal de baixo astral que, aqui dentro e lá fora, arriscou agourentos prognósticos sobre o que “estaria” prestes a acontecer por ocasião das competições. Por não entenderem bulhufas de Brasil, fracassaram rotundamente nas sombrias profecias. Uma vez mais.
 É chegado o momento de se concentrar atenções nos preparativos das Olimpíadas de 2016. A experiência de agora foi de incalculável valia. Elevou a autoestima das ruas. Vamos tentar conservar acesa a esperança de que esse outro magno empreendimento, conjugando novamente energias positivas e esforços de todos os segmentos da nação, venha a se transformar também, como aconteceu na Copa, na Olimpíada das Olimpíadas.


Vez do leitor. A leitora Climêni Maria Serra confessa ser “torcedora do e pelo Brasil em qualquer circunstância” e sobre o artigo “Tristeza e perplexidade sem fim” registra: (...) “Esta Copa está emocionante. Ontem, derrota brasileira. Houve muito choro, decepção, frustração, com o sonho que se evaporou...O nosso querido Felipão assumiu a responsabilidade. O Neymar Jr., contundido no último jogo, e era nossa esperança, nem jogou. Minha reação diante disso tudo foi dar gargalhadas!
Isso é saudável: Rir das próprias desgraças. Chorar pode consolar, mas... enfim rir é o melhor remédio...”


SAUDADES DE RUBEM ALVES




"Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por 

fora e nem passeia por eles." 

Rubem Alves


O último pedido de Rubem Alves: 

suas cinzas colocadas hoje 

(19/07/2014)  num 

ipê amarelo, enquanto amigos 

leem Fernando Pessoa e Cecília 

Meirelles.




“Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos.
Só veem as belezas do mundo, aqueles que têm belezas 

dentro de si.” 


Rubem Alves





*

sexta-feira, 11 de julho de 2014


Que venham logo as explicações

Cesar Vanucci*

“O debate na Câmera Municipal sobre quem seriam  os responsáveis
 pelo acidente foi impedido.” (Vereador Arnaldo Godoy)

(...)

Caso é que o viaduto veio estrepitosamente abaixo. Matou e feriu gente. Além da imensa coluna de pó erguida e do alarmante estrondo dos blocos de concreto abatendo-se sobre o chão, o episódio lançou também no ar inquietantes interrogações e outros ruídos preocupantes. Trouxe sobressalto ao espírito popular. Deixou em compreensível desassossego enorme contingente de pessoas que, rotineiramente, circulam pelos locais onde as obras do Move já foram entregues ou se acham prestes a sê-lo.

É bom não perder de vista que a opinião publica acompanha, com o desconfiômetro ligado, não é de hoje, os desdobramentos do empreendimento, de reconhecida importância para a mobilidade urbana na capital mineira. São muitos os fatores determinantes dessa sensação de desconforto, fácil de ser detectada nas ruas. Vamos a alguns deles. Os atrasos sobre atrasos na realização dos serviços, com pesados ônus para moradores e pequenos negócios instalados nas regiões afetadas pela movimentação das máquinas. O planejamento ineficiente, que em determinada ocasião levou à demolição de trechos já concluídos, sob a alegação (impossível de ser absorvida até mesmo por algum guri do pré-escolar) de que a derrubada representaria um mero “teste”, ou coisa parecida. A interdição, pouco tempo atrás, de outro viaduto pertencente ao mesmo complexo de obras, em consequência de um deslocamento lateral de quase meio metro nas pilastras de sustentação. Os questionamentos constantes trazidos a debate por especialistas e vereadores com referência ao rigor técnico que não estaria sendo observado e ao planejamento e fiscalização insatisfatórios. Tudo isso deu origem a que se cristalizasse uma desconfiança muito grande à volta da empreitada em tela. Esse clima de intranquilidade chega a envolver até mesmo um terminal rodoviário já em franco uso, parte das edificações sob a mira de denuncias.

As possíveis causas da tragédia, enfatizadas por especialistas, carecem ser devidamente apuradas, com definições claras das responsabilidades pelos atos falhos cometidos, doa a quem doer. A fiscalização teria ignorado defeitos de construção aparentemente visíveis na ligação entre a estrutura e as vigas do viaduto? O material empregado na construção dos pilares teria sido mesmo de baixa qualidade? Os sistemas de controle do Poder Publico e dos empreiteiros teriam se revelado negligentes em diferentes etapas da consecução do projeto? E o que há para ser contado a respeito da denuncia, insistentemente veiculada, sobre supostos superfaturamentos na operação?

A opinião publica exige seja tudo passado a limpo e que a verdade possa emergir por inteiro dos escombros do viaduto da Pampulha, nesse deplorável acidente, por muitos considerado uma tragédia anunciada. Na apuração do ocorrido, como resposta adequada às expectativas da sociedade, não poderá deixar de ser executada, com toda urgência, uma vistoria técnica abrangente no complexo de obras em foco, de maneira a ser desfeita a desconfiança gerada pelo traumático acontecimento e pelos demais elementos circunstanciais vindos à tona nesta hora.

E, juntamente com isso, seria altamente salutar se esforçassem as autoridades competentes e demais pessoas com responsabilidades claramente configuradas na condução do processo por retornar a publico para indispensáveis explicações ainda não fornecidas. E – querem saber de mais uma coisa? - não apenasmente para dizer, com desconcertante e burocrática algidez, que acidentes como esse, infelizmente, acontecem, nem para fazer gratuito elogio ao empreiteiro da obra, este ai que, por sua vez, conserva-se até aqui mudo e quedo que nem penedo.  Não seria também pedir demais que surgisse logo, diante de câmeras e microfones, um pedido formal de desculpas polidas á população pelo ocorrido, tô certo ou tô errado?




 Tristeza e perplexidade sem fim


Cesar Vanucci*


“Essa derrota será difícil para o Brasil digerir. Apesar de tudo isso, o Brasil jogou uma excelente Copa até o jogo conosco. Além disso, soube organizar uma Copa fantástica.”  (Joachim Low, técnico da excelente seleção alemã, a dos 7 a1)



O jogo em que a seleção brasileira deu uma de Taiti na Copa entra na historia futebolística como instante de vexame e perplexidade sem igual. A perspectiva de uma derrota para a bem preparada seleção da Alemanha - em que pese toda aquela contagiante euforia reinante à volta do escrete canarinho, todo aquele “oba oba” eficiente orquestrado na mídia, de forte ressonância nas ruas – não poderia, na verdade, em sã consciência, deixar de figurar nas preocupações dos entendedores de futebol.

O adversário dos brasileiros vinha pontificando nos gramados com atuações bastante convincentes. Deu mostras à saciedade, desde o comecinho do torneio, de ser “candidatíssimo” ao titulo. Em assim sendo, a empreitada que se antepunha à caminhada brasileira rumo ao sonho do hexa seria, como se diz no papo das ruas, “parada torta”. Esperava-se, então, que ancorado em muita garra e determinação, favorecido pela empolgação da torcida (fator de pressão psicológica considerável numa partida), o time da casa conseguiria, na hora do “vamos ver”, neutralizar a perceptível vantagem inicial dos craques germânicos em termos técnicos e táticos. Nada disso aconteceu. As cenas que acabaram sendo vistas foram totalmente diferentes. Com inspiradas evoluções coreográficas na cancha, os alemães, em performance impecável, puseram os brasileiros na roda pra dançar o miudinho... Comandaram as ações a bel prazer. Enfiaram nas redes gol atrás de gol, fazendo nascer, de repente, no espírito da galera, o amargo desejo de uma derrota por pouco, já que isso configurava ser o melhor prognóstico desenhado em função das ações em campo do time canarinho. Nas arquibancadas e nos lares, os torcedores imploravam, do fundo do coração, que o juiz trilasse logo o apito final, acabando com aquele interminável suplicio.

Contra uma equipe harmoniosa, regida com invejável competência, consciente de seus atos, os comandados de Felipão apareciam como um bando desnorteado, insuflado por emotividade descomedida, traduzida em chororô infantil, fora de hora, preocupados mais, ao que davam a perceber, com a ausência de Neymar, do que sustentar nas quatro linhas uma postura capaz de impedir o desastre fatal.

A sova aplicada foi de sete, mas poderia ter sido ainda mais dilatada. O tsunami de gols estremeceu o Mineirão e espalhou naturalmente uma perplexidade sem fim, deixando torcedores sem folego e sem fala. Ninguém, nem mesmo nas hostes vitoriosas, teria conseguido antes do confronto adivinhar que algo ligeiramente parecido estava para ocorrer.

Não sei dizer, honestamente, neste preciso momento, qual das duas foi mais humilhante: a tunda de 2 a1 para o Uruguai, em 50, no Maracanã, ou essa goleada indigesta de 7 a 1, em 2014, no Mineirão. Este resultado de agora talvez tenha sido mais dolorido. Afinal, a frustração, desta feita, atingiu muito mais gente. Duzentos milhões! Seja registrado, como lance positivo no comportamento do publico presente ao estádio, a forma civilizada com que boa parte da torcida saudou, ao final da contenda, o belíssimo espetáculo exibido pela magnifica seleção visitante, que lembrou momentos promissores vividos noutras épocas por jogadores brasileiros verdadeiramente providos de garra e talento.

Resumindo tudo.  A acachapante derrota desfez como bolhas de sabão sopradas no ar sonho ardente compartilhado pelas multidões. Deixou entalado na alma popular, por assim dizer, lembrando falas antigas, um gosto ocre de cabo de guarda-chuva. E de quebra, uma ressaca sem data pra acabar. 





A frustração expressa em frases

Cesar Vanucci*


“Nem a Volks faz 5 gols em 30mi .”
(Comentário espalhado profusamente nas redes sociais)


Algumas das muitas sugestivas frases lidas e ouvidas retratando aquilo que está sendo considerado a mais vexaminatória participação da seleção brasileira na historia futebolística mundial.

“Já estamos com a mão na taça!”
 (Vaticínio de Carlos Alberto Parreira, coordenador técnico da seleção, no dia 26 de maio passado).

“Um espaço em branco. Sem palavras. E eu acordava assustada (...). Nada nos preparou para esse placar. (...) Derrotas ensinam só se quisermos aprender.” 
     ( Miriam Leitão, jornalista).

“Ah, ainda tem a disputa do terceiro lugar. Pra que?” (Thiago Nogueira, cronista esportivo).

“O resultado catastrófico pode ser dividido pelo grupo, porque eles querem falar isso. Mas da escolha do time, da parte tática, sou o responsável.”                      
 (Luiz Felipe Scolari, técnico).

“Foi horrível. Se eu for pensar na minha carreira desde que me tornei professor de Educação Física foi o pior dia da minha vida”. 
(Luiz Felipe Scolari).

“O que é isso? Difícil de acreditar!”
 (Franz Beckenbauer, craque alemão famoso).

“Um pesadelo. Estou triste pelo povo brasileiro, que merecia uma seleção melhor.”
(Youri Djorkaeff, atleta da seleção francesa de 1998).

“Uma tragédia. Triste, muito triste, a maior derrota de toda a historia da seleção brasileira. De consolo, quem sabe, sirva para que haja grandes mudanças, pra valer, dentro e fora do campo. É preciso haver uma mudança de conceitos e diminuir a promíscua troca de favores, uma praga nacional, que assola o futebol e o país”. 
  (Tostão, ídolo da seleção de 70, em crônica no jornal “O Tempo”).

“A vitória foi impressionante. Desde o primeiro minuto de jogo vimos que era possível vencer o Brasil em casa. A seleção brasileira estava perdida                   em campo e nós aproveitamos”.
(Tony Kroos, jogador alemão, apontado pela FIFA como o melhor em campo).

             “ Desculpa a todos os brasileiros”.                  (David Luiz, zagueiro do escrete canarinho).


“Como todos os brasileiros, estou muito triste com a derrota. Sinto imensamente por todos nós torcedores e pelos nossos jogadores. Mas não vamos nos deixar alquebrar. Brasil, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.
 (Presidenta Dilma Rousseff).


“Uma derrota sofrida, difícil de entender”.
(Senador Aécio Neves, registrando que compartilha, “como torcedor e como brasileiro”, a frustração pelo revés na Copa).


“Não sei o que foi pior: o placar, o futebol não exibido pela seleção brasileira ou a entrevista do técnico Scolari depois do jogo. O arrogante treinador conseguiu enxergar que o time dele foi melhor que o alemão até o levar o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto gols. Só ele deve ter visto isso”
 (Cronista Chico Maia).


Nem a fábrica da Volkswagen faz 5 gols em 30 minutos”.
 (Frase  intensamente propagada nas redes sociais , originaria de Curitiba)






A SAGA LANDELL MOURA

Falando de gripe comum                                                                 Cesar Vanucci “ (...) Daí ser a venda d...