sexta-feira, 11 de julho de 2014


Que venham logo as explicações

Cesar Vanucci*

“O debate na Câmera Municipal sobre quem seriam  os responsáveis
 pelo acidente foi impedido.” (Vereador Arnaldo Godoy)

(...)

Caso é que o viaduto veio estrepitosamente abaixo. Matou e feriu gente. Além da imensa coluna de pó erguida e do alarmante estrondo dos blocos de concreto abatendo-se sobre o chão, o episódio lançou também no ar inquietantes interrogações e outros ruídos preocupantes. Trouxe sobressalto ao espírito popular. Deixou em compreensível desassossego enorme contingente de pessoas que, rotineiramente, circulam pelos locais onde as obras do Move já foram entregues ou se acham prestes a sê-lo.

É bom não perder de vista que a opinião publica acompanha, com o desconfiômetro ligado, não é de hoje, os desdobramentos do empreendimento, de reconhecida importância para a mobilidade urbana na capital mineira. São muitos os fatores determinantes dessa sensação de desconforto, fácil de ser detectada nas ruas. Vamos a alguns deles. Os atrasos sobre atrasos na realização dos serviços, com pesados ônus para moradores e pequenos negócios instalados nas regiões afetadas pela movimentação das máquinas. O planejamento ineficiente, que em determinada ocasião levou à demolição de trechos já concluídos, sob a alegação (impossível de ser absorvida até mesmo por algum guri do pré-escolar) de que a derrubada representaria um mero “teste”, ou coisa parecida. A interdição, pouco tempo atrás, de outro viaduto pertencente ao mesmo complexo de obras, em consequência de um deslocamento lateral de quase meio metro nas pilastras de sustentação. Os questionamentos constantes trazidos a debate por especialistas e vereadores com referência ao rigor técnico que não estaria sendo observado e ao planejamento e fiscalização insatisfatórios. Tudo isso deu origem a que se cristalizasse uma desconfiança muito grande à volta da empreitada em tela. Esse clima de intranquilidade chega a envolver até mesmo um terminal rodoviário já em franco uso, parte das edificações sob a mira de denuncias.

As possíveis causas da tragédia, enfatizadas por especialistas, carecem ser devidamente apuradas, com definições claras das responsabilidades pelos atos falhos cometidos, doa a quem doer. A fiscalização teria ignorado defeitos de construção aparentemente visíveis na ligação entre a estrutura e as vigas do viaduto? O material empregado na construção dos pilares teria sido mesmo de baixa qualidade? Os sistemas de controle do Poder Publico e dos empreiteiros teriam se revelado negligentes em diferentes etapas da consecução do projeto? E o que há para ser contado a respeito da denuncia, insistentemente veiculada, sobre supostos superfaturamentos na operação?

A opinião publica exige seja tudo passado a limpo e que a verdade possa emergir por inteiro dos escombros do viaduto da Pampulha, nesse deplorável acidente, por muitos considerado uma tragédia anunciada. Na apuração do ocorrido, como resposta adequada às expectativas da sociedade, não poderá deixar de ser executada, com toda urgência, uma vistoria técnica abrangente no complexo de obras em foco, de maneira a ser desfeita a desconfiança gerada pelo traumático acontecimento e pelos demais elementos circunstanciais vindos à tona nesta hora.

E, juntamente com isso, seria altamente salutar se esforçassem as autoridades competentes e demais pessoas com responsabilidades claramente configuradas na condução do processo por retornar a publico para indispensáveis explicações ainda não fornecidas. E – querem saber de mais uma coisa? - não apenasmente para dizer, com desconcertante e burocrática algidez, que acidentes como esse, infelizmente, acontecem, nem para fazer gratuito elogio ao empreiteiro da obra, este ai que, por sua vez, conserva-se até aqui mudo e quedo que nem penedo.  Não seria também pedir demais que surgisse logo, diante de câmeras e microfones, um pedido formal de desculpas polidas á população pelo ocorrido, tô certo ou tô errado?




 Tristeza e perplexidade sem fim


Cesar Vanucci*


“Essa derrota será difícil para o Brasil digerir. Apesar de tudo isso, o Brasil jogou uma excelente Copa até o jogo conosco. Além disso, soube organizar uma Copa fantástica.”  (Joachim Low, técnico da excelente seleção alemã, a dos 7 a1)



O jogo em que a seleção brasileira deu uma de Taiti na Copa entra na historia futebolística como instante de vexame e perplexidade sem igual. A perspectiva de uma derrota para a bem preparada seleção da Alemanha - em que pese toda aquela contagiante euforia reinante à volta do escrete canarinho, todo aquele “oba oba” eficiente orquestrado na mídia, de forte ressonância nas ruas – não poderia, na verdade, em sã consciência, deixar de figurar nas preocupações dos entendedores de futebol.

O adversário dos brasileiros vinha pontificando nos gramados com atuações bastante convincentes. Deu mostras à saciedade, desde o comecinho do torneio, de ser “candidatíssimo” ao titulo. Em assim sendo, a empreitada que se antepunha à caminhada brasileira rumo ao sonho do hexa seria, como se diz no papo das ruas, “parada torta”. Esperava-se, então, que ancorado em muita garra e determinação, favorecido pela empolgação da torcida (fator de pressão psicológica considerável numa partida), o time da casa conseguiria, na hora do “vamos ver”, neutralizar a perceptível vantagem inicial dos craques germânicos em termos técnicos e táticos. Nada disso aconteceu. As cenas que acabaram sendo vistas foram totalmente diferentes. Com inspiradas evoluções coreográficas na cancha, os alemães, em performance impecável, puseram os brasileiros na roda pra dançar o miudinho... Comandaram as ações a bel prazer. Enfiaram nas redes gol atrás de gol, fazendo nascer, de repente, no espírito da galera, o amargo desejo de uma derrota por pouco, já que isso configurava ser o melhor prognóstico desenhado em função das ações em campo do time canarinho. Nas arquibancadas e nos lares, os torcedores imploravam, do fundo do coração, que o juiz trilasse logo o apito final, acabando com aquele interminável suplicio.

Contra uma equipe harmoniosa, regida com invejável competência, consciente de seus atos, os comandados de Felipão apareciam como um bando desnorteado, insuflado por emotividade descomedida, traduzida em chororô infantil, fora de hora, preocupados mais, ao que davam a perceber, com a ausência de Neymar, do que sustentar nas quatro linhas uma postura capaz de impedir o desastre fatal.

A sova aplicada foi de sete, mas poderia ter sido ainda mais dilatada. O tsunami de gols estremeceu o Mineirão e espalhou naturalmente uma perplexidade sem fim, deixando torcedores sem folego e sem fala. Ninguém, nem mesmo nas hostes vitoriosas, teria conseguido antes do confronto adivinhar que algo ligeiramente parecido estava para ocorrer.

Não sei dizer, honestamente, neste preciso momento, qual das duas foi mais humilhante: a tunda de 2 a1 para o Uruguai, em 50, no Maracanã, ou essa goleada indigesta de 7 a 1, em 2014, no Mineirão. Este resultado de agora talvez tenha sido mais dolorido. Afinal, a frustração, desta feita, atingiu muito mais gente. Duzentos milhões! Seja registrado, como lance positivo no comportamento do publico presente ao estádio, a forma civilizada com que boa parte da torcida saudou, ao final da contenda, o belíssimo espetáculo exibido pela magnifica seleção visitante, que lembrou momentos promissores vividos noutras épocas por jogadores brasileiros verdadeiramente providos de garra e talento.

Resumindo tudo.  A acachapante derrota desfez como bolhas de sabão sopradas no ar sonho ardente compartilhado pelas multidões. Deixou entalado na alma popular, por assim dizer, lembrando falas antigas, um gosto ocre de cabo de guarda-chuva. E de quebra, uma ressaca sem data pra acabar. 





A frustração expressa em frases

Cesar Vanucci*


“Nem a Volks faz 5 gols em 30mi .”
(Comentário espalhado profusamente nas redes sociais)


Algumas das muitas sugestivas frases lidas e ouvidas retratando aquilo que está sendo considerado a mais vexaminatória participação da seleção brasileira na historia futebolística mundial.

“Já estamos com a mão na taça!”
 (Vaticínio de Carlos Alberto Parreira, coordenador técnico da seleção, no dia 26 de maio passado).

“Um espaço em branco. Sem palavras. E eu acordava assustada (...). Nada nos preparou para esse placar. (...) Derrotas ensinam só se quisermos aprender.” 
     ( Miriam Leitão, jornalista).

“Ah, ainda tem a disputa do terceiro lugar. Pra que?” (Thiago Nogueira, cronista esportivo).

“O resultado catastrófico pode ser dividido pelo grupo, porque eles querem falar isso. Mas da escolha do time, da parte tática, sou o responsável.”                      
 (Luiz Felipe Scolari, técnico).

“Foi horrível. Se eu for pensar na minha carreira desde que me tornei professor de Educação Física foi o pior dia da minha vida”. 
(Luiz Felipe Scolari).

“O que é isso? Difícil de acreditar!”
 (Franz Beckenbauer, craque alemão famoso).

“Um pesadelo. Estou triste pelo povo brasileiro, que merecia uma seleção melhor.”
(Youri Djorkaeff, atleta da seleção francesa de 1998).

“Uma tragédia. Triste, muito triste, a maior derrota de toda a historia da seleção brasileira. De consolo, quem sabe, sirva para que haja grandes mudanças, pra valer, dentro e fora do campo. É preciso haver uma mudança de conceitos e diminuir a promíscua troca de favores, uma praga nacional, que assola o futebol e o país”. 
  (Tostão, ídolo da seleção de 70, em crônica no jornal “O Tempo”).

“A vitória foi impressionante. Desde o primeiro minuto de jogo vimos que era possível vencer o Brasil em casa. A seleção brasileira estava perdida                   em campo e nós aproveitamos”.
(Tony Kroos, jogador alemão, apontado pela FIFA como o melhor em campo).

             “ Desculpa a todos os brasileiros”.                  (David Luiz, zagueiro do escrete canarinho).


“Como todos os brasileiros, estou muito triste com a derrota. Sinto imensamente por todos nós torcedores e pelos nossos jogadores. Mas não vamos nos deixar alquebrar. Brasil, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.
 (Presidenta Dilma Rousseff).


“Uma derrota sofrida, difícil de entender”.
(Senador Aécio Neves, registrando que compartilha, “como torcedor e como brasileiro”, a frustração pelo revés na Copa).


“Não sei o que foi pior: o placar, o futebol não exibido pela seleção brasileira ou a entrevista do técnico Scolari depois do jogo. O arrogante treinador conseguiu enxergar que o time dele foi melhor que o alemão até o levar o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto gols. Só ele deve ter visto isso”
 (Cronista Chico Maia).


Nem a fábrica da Volkswagen faz 5 gols em 30 minutos”.
 (Frase  intensamente propagada nas redes sociais , originaria de Curitiba)






Um comentário:

Guilherme Roscoe disse...

Caro Cesar, após a interessante leitura de seus artigos, principalmente ao que se refere a nossa derrota na Copa, tomo a liberdade de expor minha visão sobre fatídico jogo. Abraços Guilherme Roscoe

Terça feira, 8 de julho 2014, semifinal da Copa do Mundo de Futebol.
Sem favoritos, esperava-se uma partida difícil. Mas, o que eu vi, você viu e todo mundo viu pela televisão, foi um massacre.

Inédito na amplitude do marcador, nesta fase, de todas as Copas.
Passado o susto, a perplexidade e a forte emoção, vamos rever o que vimos.
Zaga brasileira improvisada, imposição da suspensão do Capitão, por falta boba no jogo anterior. Até os 11 minutos, o jogo parecia equilibrado, até com alguns momentos de domínio brasileiro.

Um passe impreciso no ataque, retomada e veloz contra-ataque dos alemães: o recurso foi desviar a bola para escanteio; daí o primeiro gol, bola a meia altura chutada de voleio por um adversário livre na área.
Se o time já parecia excessivamente nervoso, aí se descontrolou de vez, os alemães fizeram mais quatro em pouco tempo, aproveitando os espaços no meio campo e na defesa brasileira.

No segundo tempo, em função de substituições na equipe, houve um relativo equilíbrio e os alemães venceram esse tempo por 2 x 1.
Diferenças: brasileiros abusam de sua qualidade no drible e prendem demais a bola, por isso fica lento o jogo coletivo; vimos a seleção deles jogar com muita objetividade, passes precisos, deslocamentos constantes para receber os passes - assim o jogo fica rápido - o movimento da bola é que é rápido!

As chances para finalizar foram aproveitadas com eficácia pelo time europeu: chutes firmes, com bom controle da direção e diretos, sem efeito.
Em, pelo menos, três dos sete gols, me lembrei do Ochoa, goleiro do México - fiquei imaginando como seriam evitados.

Após um desastre tendemos a buscar culpados; bobagem, somos todos culpados, inclusive a imprensa e parte da torcida: o fato do Brasil ter vencido cinco vezes em décadas não lhe garante superioridade, aí está o resultado da prepotência.

Mas, se há culpados, dois não podem ser esquecidos: o 18 da Colômbia que tirou Neymar da equipe e o Capitão que displicentemente se excluiu.

Disse.

A SAGA LANDELL MOURA

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