domingo, 22 de outubro de 2023

O horror da guerra visto daqui (II)

 

 

                                                                                                                  *Cesar Vanucci

 

A paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos.” (Albert Einstein)

 

Como o Papa Francisco enfatiza, com a costumeira sensatez, nesta apavorante guerra do Oriente Médio, a escolha deve ser apenas para um lado: o lado da Paz!

Em conclamação, endereçada a cidadãos de todas as nacionalidades e crenças, o Pontífice, embargado pela emoção afirma: “meus pensamentos estão voltados para a Palestina e Israel. As vítimas estão aumentando e a situação em Gaza é desesperadora”.  Sua Santidade pede à comunidade internacional que promova tudo quanto seja necessário para impedir  catástrofe humanitária ainda maior. Pontua ainda: “É preocupante a possível ampliação do conflito enquanto tantas frentes de guerra já estão abertas no mundo. Silenciem as armas, ouçam o grito de paz dos pobres, das pessoas, das crianças”.

 Revela-se perfeita a sintonia da sábia exortação de Francisco com o autentico  sentimento universal. Suas lúcidas ponderações estão conectadas com os anseios dos homens e mulheres de boa vontade, com criaturas providas de mentes e corações fervorosos, com essa gente toda, entregue a orações em diferentes idiomas, que se acha convencida de serem a guerra e o terrorismo causadores de dor e desespero, morte e destruição, desfazendo sonhos e apagando o futuro.

Os setores majoritários da opinião pública mundial, alinhados com essas percepções pacifistas, abominam os atos terroristas que dizimam inocentes, que sequestram civis, tornando-os reféns. Aceitam como legítima a reação contra agressões virulentas do terror. Rejeitam, de outra parte, ações punitivas violentas que atinjam indiscriminadamente civis indefesos, profissionais da saúde, enfermos, jornalistas, funcionários de agências humanitárias em áreas densamente povoadas e desguarnecidas de meio de subsistência. Clamam pela cessação imediata das hostilidades, pela libertação dos reféns, pela abertura das fronteiras para que corredores humanitários sejam implantados. E, também, em tom imperioso que sejam reabertas com urgência, patrocinadas pela ONU, as conversações no sentido de que seja implantada, vez por todas, com limites demarcados na forma justa e precisa o Estado da Palestina ao lado do Estado de Israel.

  Fica evidenciado, pelo silvo dos foguetes, pelo barulho amedrontador das sirenes, pelos corpos estirados nas ruas e escombros, que existem porções minoritárias, entre os contingentes engalfinhados na sangrenta contenda às quais não interessa jeito maneira, o desfecho almejado pelos defensores da paz. Os “Senhores da Guerra”, os vorazes armamentistas, os fanáticos adeptos das facções radicais que pregam as “regras” do “crê ou morre” e do “olho por olho, dente por dente”, abjuram sua condição humana em nome de falsos valores, ira vingativa e ressentida, do preconceito ignominioso, afrontando os ditames humanísticos e espirituais abraçados pela paz.

 Dentro desta ordem de considerações é merecido classificar de impecável a atuação do Brasil nos palpitantes acontecimentos. Primeiro a criar um esquema de repatriamento de seus compatriotas da zona conflagrada, nosso país realizou a missão a pleno contento, graças ao Itamaraty e à FAB. Na ONU, seguindo orientação do Planalto, nossa competente diplomacia costurou uma resolução de paz aplaudida pela quase totalidade dos membros do Conselho de Segurança, mas injustificavelmente vetado pelos Estados Unidos. Isso não esmoreceu o esforço diplomático na busca da pacificação almejada por todos.

 

 

 

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

O horror da guerra visto daqui (I)


 

                                                                                                               *Cesar Vanucci.

 

Eu não quero morrer.” (Harret adolescente brasileira, entre soluços, em vídeo transmitido de Gaza durante um bombardeio.)

 

Milhões de pessoas ao redor do mundo, angustiadas e atônitas, acompanham ao vivo e a cores os horrores de mais uma guerra. Prodigiosos instrumentos de comunicação, criados com o objetivo de promover a união, a solidariedade e o bem-estar, a televisão e internet transportam até nós, diretamente do teatro das operações bélicas, as cenas apavorantes de um momento histórico perverso em grau supremo. Revela-se aí, nas cenas de ódio e beligerância captadas pelas câmeras e microfones de profissionais compenetrados de sua importante missão de informar a opinião pública, outro clamoroso contrassenso do uso distorcido de invenções surgidas com intuitos transformadores. Os “senhores da guerra”, em seu irremediável desvario, fazem questão solene, uma vez mais de abdicarem da condição humana, de se desvencilharem dos laços espirituais que recobrem de sublimidade a aventura da vida.

 Os horrores de agora tiveram seu começo no insano ataque terrorista (Hamas) que entre outras crueldades fuzilou a sangue frio centenas de criaturas inocentes entregues a afazeres cotidianos. Não houve quem não se comovesse com o arrepiante episódio. Um capítulo tenebroso a mais da guerra sem sinal de solução à vista que se trava há décadas, em territórios considerados sagrados por pelo menos três grandes correntes do pensamento religioso, o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. Às macabras estatísticas dos mortos e feridos deste primeiro momento juntou-se o arrepiante lance do nefando sequestro de 200 cidadãos em sua maioria civis desramados entre eles numero significativos de crianças e mulheres   levados para locais incertos e não sabidos.

A reação do país atacado, Israel, está sendo avassaladora. Utilizando todo seu poderio bélico bombardeou indiscriminadamente o território de Gaza, onde o inimigo possui base de operações e de onde são disparados foguetes tendo por alvo áreas israelenses. O chamado Domo de Ferro, avançado aparato eletrônico pertencente às Forças Armadas do Israel, consegue destruir em pleno voo grande parte desses obuses. Gaza é considerada verdadeira prisão a céu aberto. Numa faixa que mede 40 km de extensão e 10 km de largura vivem em condições imensamente precárias 2 milhões e 200 mil pessoas,  com predominância de mulheres e menores. A Administração parcial é do Hamas que desalojou da região, pela força, a Autoridade Palestina. Os Palestinos que ali moram dependem para subsistência de recursos sob controle israelense. Água, energia elétrica, gás, combustível, fornecimento de víveres e medicamentos e o transporte além dos domínios em que se acham aglomerados, tudo isso vem de fora, passando por severo monitoramento das forças de seguranças de Tel Aviv.

 O fulminante contra-ataque, compreendendo uma chuva incessante de mísseis sobre Gaza, vem causando destruição, mortes e feridos em descomunal escala. Residências, hospitais, escolas tem sido atingidos. Entre as milhares de vítimas civis existem jornalistas, funcionários da ONU, da Cruz Vermelha, médicos e enfermos. Os “Médicos sem Fronteira” emitiram um alerta quanto à impossibilidade de deslocarem pacientes hospitalizados de um ponto para o outro do território, como as autoridades israelenses exigiram diante da possibilidade de uma ofensiva terrestre. O território bombardeado esta há dias sem água, luz, gás, medicamentos e alimentos.

 A tragédia humanitária em curso clama por ações resolutas da comunidade internacional no sentido de cessação das hostilidades, criação de um corredor humanitário para saída de civis e para a entrada de recursos que garantam a sobrevivência dos que ficarem.

  

Retomaremos o assunto na sequencia

Canto ecológico de Tom Jobim

 


                                                                                                 *Cesar Vanucci

Deixe o mato crescer, deixe o índio viver” (Refrão de uma melodia de Tom Jobim)

 

Ainda bem que o livre território da internet não é percorrido tão somente por indivíduos e grupos inescrupulosos, especializados em disseminar o ódio e espalhar sandices de toda ordem.

 Em trechos e clareiras dominados por lições de vida edificantes e por criatividade artística rica em conteúdo humanístico, os internautas podem se defrontar, em muitos momentos com criações que enlevam o espírito. Tal qual aconteceu, dia desses, quando o neto predileto de vovó Carlota - que outra pessoa não é se não o desajeitado escriba dessas mal traçadas  – acionou no computador um aplicativo dedicado a espetáculos musicais. O que veio projetado na telinha foi uma soberba audição em praça pública dos anos 90, comemorativa do aniversário da cidade de São Paulo, levada ao ar pela TV Cultura, tendo como protagonista ninguém mais, ninguém menos do que o genial  e saudoso Antônio Carlos Jobim. Acompanhado de musicistas e interpretes vocais da melhor categoria, o compositor da antológica “Águas de março”, valendo-se de seu magistral repertório, produziu uma ode de suma beleza à Natureza, debaixo de aplausos prolongados e ensurdecedores da multidão presente ao evento.

As peças lindamente executadas por exímios instrumentistas e cantadas por um coral harmonioso, integrado em boa parte por jovens com sobrenome Caymi e Jobim, eletrizaram o ambiente. As vocalizações de Tom e convidados, Chico Buarque de Holanda e Milton Nascimento criaram atmosfera, pode se dizer, de puro êxtase.

Depois de assistir ao espetáculo por duas vezes consecutivas, recomendo singelamente ao pessoal responsável pelas políticas publicas de conscientização ambiental que procurem se inspirar em sugestivas passagens desse show de Tom Jobim e companheiros, na elaboração de suas campanhas educativas.

As musicas apresentadas clamam por respeito permanente à floresta, à biodiversidade. Apelam para que se deixe o “mato crescer” e o “índio sobreviver...”

Achei oportuno reproduzir abaixo a letra de uma das canções (“Borzeguim”) pelo conteúdo ecológico .

Borzeguim, deixa as fraldas ao vento / E vem dançar / E vem dançar / Hoje é sexta-feira de manhã / Hoje é sexta-feira / Deixa o mato crescer em paz /
Deixa o mato crescer /Deixa o mato / Não quero fogo, quero água /(deixa o mato crescer em paz) / Não quero fogo, quero água / (deixa o mato crescer)
Hoje é sexta-feira da paixão sexta-feira santa / Todo dia é dia de perdão
Todo dia é dia santo /Todo santo dia /Ah, e vem João e vem Maria
Todo dia é dia de folia / Ah, e vem João e vem Maria / Todo dia é dia
O chão no chão / O pé na pedra /O pé no céu / Deixa o tatu-bola no lugar
Deixa a capivara atravessar /Deixa a anta cruzar o ribeirão / Deixa o índio vivo no sertão / Deixa o índio vivo nu / Deixa o índio vivo / Deixa o índio / Deixa, deixa / Escuta o mato crescendo em paz / Escuta o mato crescendo
Escuta o mato/ Escuta /Escuta o vento cantando no arvoredo /Passarim passarão no passaredo /Deixa a índia criar seu curumim
Vá embora daqui coisa ruim / Some logo/Vá embora
Em nome de Deus é fruta do mato/ Borzeguim deixa as fraldas ao vento
E vem dançar/ E vem dançar /O jacú já tá velho na fruteira /O lagarto teiú tá na soleira /Uirassu foi rever a cordilheira /Gavião grande é bicho sem fronteira/Cutucurim / Gavião-zão /Gavião-ão /Caapora do mato é capitão /Ele é dono da mata e do sertão/ Caapora do mato é guardião / É vigia da mata e do sertão /(Yauaretê, Jaguaretê) / Deixa a onça viva na floresta /Deixa o peixe n'água que é uma festa /Deixa o índio vivo / Deixa o índio /Deixa /Deixa /Dizem que o sertão vai virar mar /Diz que o mar vai virar sertão / Deixa o índio /Dizem que o mar vai virar sertão /Diz que o sertão vai virar mar /Deixa o índio/ Deixa/Deixa

 

 Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

 

Estamos no mesmo barco


 

*Cesar Vanucci

 

“Um país não é feito de nós e eles” (Ministro Luís Roberto Barroso, Presidente do STF)

 

Com magnífico pronunciamento, em que exaltou o papel decisivo da Justiça na consolidação da Democracia e em que exortou a sociedade a promover a conciliação nacional, o Ministro Luís Roberto Barroso assumiu a Presidência do STF. Substituiu a Ministra Rosa Weber, terceira mulher a ocupar o posto, que se consagrou por brilhante desempenho.

A cerimônia de posse reuniu figuras de maior projeção da vida pública brasileira, numa demonstração inconteste de apoio e solidariedade ao bom trabalho executado pelo Poder Judiciário.

“Nós não somos um Tribunal de consensos plenos. Nenhum tribunal é. A vida comporta diferentes pontos de observação e eles se refletem aqui.”  Foi o que afirmou Barroso, sublinhando em seguida que a instituição manteve-se solidamente unida, na proteção da sociedade brasileira nos momentos angustiantes da pandemia. Lembrou ainda que essa junção de propósitos foi observada igualmente na defesa da democracia quando das tentativas golpistas ocorridas no processo eleitoral recém-findo.

Disse o Presidente do STF: “A democracia constitucional é a composição de valores diversos, duas faces da mesma moeda. De um lado, soberania popular (amplo direito de participação popular), eleições livres e governo da maioria. De outro, poder limitado, Estado de direito e respeito aos direitos fundamentais. Um equilíbrio delicado e fundamental.”

Aqui está passagem muito aplaudida na alocução de Luis Roberto Barroso: “A democracia venceu e precisamos trabalhar pela pacificação do país. Acabar com os antagonismos artificialmente criados para nos dividir. Um país não é feito de nós e eles. Somos um só povo, no pluralismo das ideias, como é próprio de uma sociedade livre e aberta.”

O orador chamou a atenção de todos para situações que, nas atividades do dia a dia, por conta da desinformação e de equívocos de interpretação têm dado margem a conclusões destituídas de base. Explicou didaticamente: “O sucesso do agronegócio não é incompatível com proteção ambiental. Pelo contrário. O combate eficiente à criminalidade não é incompatível com o respeito aos direitos humanos. O enfrentamento à corrupção não é incompatível com o devido processo legal.”

Enfatizou: “Estamos todos no mesmo barco e precisamos trabalhar para evitar tempestades e conduzi-lo a porto seguro. Se ele naufragar, o naufrágio é de todos, independentemente de preferências políticas.”

Comentou a importância de uma agenda para o Brasil nascida de uma conjugação de vontades agrupando pessoas de todos segmentos sem distinção de vinculações ideológicas. Afirmou: “Sem que ninguém precise abrir mão de qualquer convicção, é preciso que o país se aglutine em torno de denominadores comuns, de uma agenda para o Brasil.” Traçou um roteiro positivo de iniciativas a serem desencadeadas dentro do propósito de promover o desenvolvimento econômico e social. Disse: “Com base na Constituição, é possível construir esses consensos. Aqui vão alguns deles: (i) combate à pobreza; (ii) desenvolvimento econômico e social sustentável; (iii) prioridade máxima para a educação básica; (iv) valorização da livreiniciativa, bem como do trabalho formal; (v) investimento em ciência e tecnologia; (vi) saneamento básico; (vii) habitação popular; e (viii) liderança global em matéria ambiental.”

Outro ponto do discurso intensamente aplaudido disse respeito ao que denominou de causas humanitárias: “ Há quem pense que a defesa dos direitos humanos, da igualdade da mulher, da proteção ambiental, do respeito à comunidade LGBTQIA+, da inclusão das pessoas com deficiência, da preservação das comunidades indígenas são causas progressistas. Não são. Essas são as causas da humanidade, da dignidade humana, do respeito e consideração por todas as pessoas.”

Sem sombra de dúvida um discurso empolgante repleto de lições.

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

Resgate das tradições humanistas

 

 

“A emergência climática torna urgente uma correção de rumos” (Presidente Lula)

O esplêndido discurso do Presidente Lula na ONU atraiu atenções de importantes órgãos da imprensa internacional. Assim se expressou a respeito o The New York Times: “O pronunciamento de Luiz Inácio Lula da Silva marcou sua posição como figura global influente e trouxe relevantes questões internacionais para o centro do debate político mundial.” O mesmo jornal revela que o discurso teve enorme repercussão nas redes sociais, sendo o sétimo assunto mais comentado globalmente no Witter. Já o Diário de Notícias, de Portugal, classificou a fala de histórica, pela abordagem de temas como a fome e desigualdades sociais, a emergência climática e a necessidade de reformas no relacionamento das grandes potências com o resto do mundo.

Estas foram, a propósito as palavras de Lula ao focalizar a questão das mudanças climáticas: “Agir contra a mudança do clima implica pensar no amanhã e enfrentar desigualdades históricas”. (...) A emergência climática torna urgente uma correção de rumos e a implementação do que já foi acordado.

Não é por outra razão que falamos em responsabilidades comuns, mas diferenciadas”.

 

Noutro ponto da manifestação, Lula refere-se ao que o Brasil vem fazendo no enfrentamento do problema: “Vamos provar de novo que um modelo socialmente justo e ambientalmente sustentável é possível”. Estamos na vanguarda da transição energética, e nossa matriz já é uma das mais limpas do mundo.

87% da nossa energia elétrica provem de fontes limpas e renováveis.

A geração de energia solar, eólica, biomassa, etanol e biodiesel cresce a cada ano.

É enorme o potencial de produção de hidrogênio verde.

Com o Plano de Transformação Ecológica, apostaremos na industrialização e infraestrutura sustentáveis.”

A Amazônia mereceu registro enfático no pronunciamento: “Ao longo dos últimos oito meses, o desmatamento na Amazônia brasileira já foi reduzido em 48%.

O mundo inteiro sempre falou da Amazônia. Agora, a Amazônia está falando por si.”

Lembrou ainda que: “Sem a mobilização de recursos financeiros e tecnológicos não há como implementar o que decidimos no Acordo de Paris e no Marco Global da Biodiversidade”. Aludiu também à promessa dos países desenvolvidos de destinarem 100 bilhões de dólares – anuais – para os países em desenvolvimento, até hoje não materializada.

Lula criticou os critérios que norteiam a distribuição de recursos feita por organismos internacionais. Deu como exemplo o fato de o FMI haver carreado, ano passado, para a Europa, investimentos de 160 bilhões de dólares e de apenas 34 bilhões para a África.

Lamentando que as bases de uma nova e necessária governança econômica ainda não tenham sido lançadas, o chefe do governo brasileiro explicou que o BRICS surgiu na esteira desse imobilismo, e constitui uma plataforma estratégica para promover a cooperação entre países emergentes. Defendeu modelo de um comércio global mais justo num contexto de grave crise do multilateralismo.

Salientou que, o desemprego e a precarização do trabalho minaram a confiança das pessoas em tempos melhores, em especial os jovens.

 

Considerou significativo que haja por parte dos governos ruptura com a dissonância cada vez maior entre a “voz dos mercados” e a “voz das ruas”.

“O neoliberalismo – aduziu Lula - agravou a desigualdade econômica e política que hoje assola as democracias”. Disse mais: “Seu legado é uma massa de deserdados e excluídos. Em meio aos seus escombros surgem aventureiros (...) que negam a política e vendem soluções tão fáceis quanto equivocadas.”

O Presidente louvou entusiasticamente a excelência da democracia e repudiou todas as formas de autoritarismo, anotou também, como clamorosa evidência das desigualdades, que os 10 maiores bilionários possuem mais riqueza que os 40% mais pobres da humanidade.

Conclamou as lideranças mundiais a promoverem ações que permitam à ONU “resgatar as melhores tradições humanistas” que inspiraram sua criação.

Fala do Presidente na ONU.

 

“A Agenda 30 pode resultar em fracasso” (Presidente Lula na ONU)

 

Fala de Estadista.

“Foi um discurso brilhante” reconheceu o adversário Ciro Gomes, de forma republicana, embora oferecendo críticas à conduta política e administrativa de Lula.

O pronunciamento do presidente da república, na abertura da Assembleia Geral da ONU, alcançou simpática ressonância na comunidade das Nações e mídia internacional. A plateia do solene evento, constituída de Chefes de Estado de mais de uma centena de países, aplaudiu com incomum vibração as palavras proferidas. Para alguns observadores a manifestação teria sido magistral, não houvesse a relutância de Lula, outra vez mais, em admitir que a estúpida guerra da Ucrânia foi desencadeada por culpa da invasão imperialista russa.

As clamorosas desigualdades sociais, as agressões ambientais, as ameaças à Democracia, o flagelo da fome, foram entre outras candentes questões, focalizadas com propriedade na alocução. Disse Lula: “ A comunidade internacional está mergulhada em um turbilhão de crises múltiplas e simultâneas: a pandemia da Covid-19; a crise climática; e a insegurança alimentar e energética ampliadas por crescentes tensões geopolíticas.”

Afirma, mais adiante, o mandatário brasileiro: “O racismo, a intolerância e a xenofobia se alastraram, incentivadas por novas tecnologias criadas supostamente para nos aproximar. Se tivéssemos que resumir em uma única palavra esses desafios, ela seria desigualdade.”

Há, no importante discurso, um comentário incisivo sobre a alardeada “Agenda 30”, instituída pelas Nações Unidas.

Argumenta o Presidente:  “A mais ampla e mais ambiciosa ação coletiva da ONU voltada para o desenvolvimento – a Agenda 30 – pode se transformar no seu maior fracasso. Estamos na metade do período de implementação e ainda distantes das metas definidas. A maior parte dos objetivos de desenvolvimento sustentável caminha em ritmo lento.”

Prosseguindo, em tom veemente, conclama as nações a uma retomada de consciência das graves responsabilidades afetas a todas elas. Enfatiza:

“O imperativo moral e político de erradicar a pobreza e acabar com a fome parece estar anestesiado. Nesses sete anos que nos restam, a redução das desigualdades dentro dos países e entre eles deveria se tornar o objetivo-síntese da Agenda 30.

Reduzir as desigualdades dentro dos países requer incluir os pobres nos orçamentos nacionais e fazer os ricos pagarem impostos proporcionais ao seu patrimônio.”

Lula expõem os propósitos do governo brasileiro: No Brasil, estamos comprometidos a implementar todos os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, de maneira integrada e indivisível. Queremos alcançar a igualdade racial na sociedade brasileira por meio de um décimo oitavo objetivo que adotaremos voluntariamente. Lançamos o plano Brasil sem Fome, que vai reunir uma série de iniciativas para reduzir a pobreza e a insegurança alimentar. Entre elas, está o Bolsa Família, que se tornou referência mundial em programas de transferência de renda para famílias que mantêm suas crianças vacinadas e na escola.”

Noutro trecho do discurso, o Presidente reitera a disposição de trabalhar com denodo em favor de causas humanitárias alvejadas pelos preconceitos e discriminações. Alinha itens significativos das políticas públicas que espera poder implantar por inteiro em sua gestão. Registra: “Inspirados na brasileira Bertha Lutz, pioneira na defesa da igualdade de gênero na Carta da ONU, aprovamos a lei que torna obrigatória a igualdade salarial entre mulheres e homens no exercício da mesma função. Combateremos o feminicídio e todas as formas de violência contra as mulheres. Seremos rigorosos na defesa dos direitos de grupos LGBTQI+ e pessoas com deficiência. Resgatamos a participação social como ferramenta estratégica para a execução de políticas públicas.”

O pronunciamento de Lula faz jus a outras considerações.



                                                                        Cesar Vanucci

A SAGA LANDELL MOURA

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