domingo, 22 de outubro de 2023

Estamos no mesmo barco


 

*Cesar Vanucci

 

“Um país não é feito de nós e eles” (Ministro Luís Roberto Barroso, Presidente do STF)

 

Com magnífico pronunciamento, em que exaltou o papel decisivo da Justiça na consolidação da Democracia e em que exortou a sociedade a promover a conciliação nacional, o Ministro Luís Roberto Barroso assumiu a Presidência do STF. Substituiu a Ministra Rosa Weber, terceira mulher a ocupar o posto, que se consagrou por brilhante desempenho.

A cerimônia de posse reuniu figuras de maior projeção da vida pública brasileira, numa demonstração inconteste de apoio e solidariedade ao bom trabalho executado pelo Poder Judiciário.

“Nós não somos um Tribunal de consensos plenos. Nenhum tribunal é. A vida comporta diferentes pontos de observação e eles se refletem aqui.”  Foi o que afirmou Barroso, sublinhando em seguida que a instituição manteve-se solidamente unida, na proteção da sociedade brasileira nos momentos angustiantes da pandemia. Lembrou ainda que essa junção de propósitos foi observada igualmente na defesa da democracia quando das tentativas golpistas ocorridas no processo eleitoral recém-findo.

Disse o Presidente do STF: “A democracia constitucional é a composição de valores diversos, duas faces da mesma moeda. De um lado, soberania popular (amplo direito de participação popular), eleições livres e governo da maioria. De outro, poder limitado, Estado de direito e respeito aos direitos fundamentais. Um equilíbrio delicado e fundamental.”

Aqui está passagem muito aplaudida na alocução de Luis Roberto Barroso: “A democracia venceu e precisamos trabalhar pela pacificação do país. Acabar com os antagonismos artificialmente criados para nos dividir. Um país não é feito de nós e eles. Somos um só povo, no pluralismo das ideias, como é próprio de uma sociedade livre e aberta.”

O orador chamou a atenção de todos para situações que, nas atividades do dia a dia, por conta da desinformação e de equívocos de interpretação têm dado margem a conclusões destituídas de base. Explicou didaticamente: “O sucesso do agronegócio não é incompatível com proteção ambiental. Pelo contrário. O combate eficiente à criminalidade não é incompatível com o respeito aos direitos humanos. O enfrentamento à corrupção não é incompatível com o devido processo legal.”

Enfatizou: “Estamos todos no mesmo barco e precisamos trabalhar para evitar tempestades e conduzi-lo a porto seguro. Se ele naufragar, o naufrágio é de todos, independentemente de preferências políticas.”

Comentou a importância de uma agenda para o Brasil nascida de uma conjugação de vontades agrupando pessoas de todos segmentos sem distinção de vinculações ideológicas. Afirmou: “Sem que ninguém precise abrir mão de qualquer convicção, é preciso que o país se aglutine em torno de denominadores comuns, de uma agenda para o Brasil.” Traçou um roteiro positivo de iniciativas a serem desencadeadas dentro do propósito de promover o desenvolvimento econômico e social. Disse: “Com base na Constituição, é possível construir esses consensos. Aqui vão alguns deles: (i) combate à pobreza; (ii) desenvolvimento econômico e social sustentável; (iii) prioridade máxima para a educação básica; (iv) valorização da livreiniciativa, bem como do trabalho formal; (v) investimento em ciência e tecnologia; (vi) saneamento básico; (vii) habitação popular; e (viii) liderança global em matéria ambiental.”

Outro ponto do discurso intensamente aplaudido disse respeito ao que denominou de causas humanitárias: “ Há quem pense que a defesa dos direitos humanos, da igualdade da mulher, da proteção ambiental, do respeito à comunidade LGBTQIA+, da inclusão das pessoas com deficiência, da preservação das comunidades indígenas são causas progressistas. Não são. Essas são as causas da humanidade, da dignidade humana, do respeito e consideração por todas as pessoas.”

Sem sombra de dúvida um discurso empolgante repleto de lições.

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

Um comentário:

Anônimo disse...

Nós e eles, não.
Talvez nós e os Manés...

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