sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Deu mesmo a louca...

Cesar Vanucci

“Como sabes que a Terra não é o inferno de um outro planeta?”
(Aldous Huxley)

Adeptos das teorias conspiratórias sustentam que tudo aquilo que vai ser lido na sequência faz parte de um gênero de ocorrências singulares derivadas de uma circunstância sinistra: absorção pelo organismo de partículas de estrôncio lançadas na atmosfera. Mas eles não sabem dizer quem faz isso e nem quais são os intuitos da inverossímil ação. Tá na cara que a tese não encontra aceitação no entendimento das ruas.

Mas um mundo de gente admite que, realmente, coisas assustadoramente estranhas andam pintando ultimamente no pedaço, numa escala de incomum intensidade. São incidentes insanos, de feição danada de inusitada. Episódios pontuais que explodem de repente, alvejando na base da tocaia a rotina tranquila das pessoas comuns. Produzem espanto e sobressaltos duradouros.

Não, do que se está falando aqui, não são daquelas tragédias, descomunais nas proporções, que enchem de inquietação bilhões de criaturas, criadas pela proverbial insensatez humana. Tragédias que parecem, às vezes, convalidar conceito desconcertante de Aldous Huxley, quando lembra que a Terra poderia ser, talvez, o inferno, citado nas narrativas bíblicas, de outro planeta povoado.  O objeto de atenção são aquelas tragédias da esquina; da casa, da rua, do bairro em que a gente mora; ou daquele lugar que costumamos frequentar com amigos. Acontece que esses “BO.s”, de características pode se dizer inéditas e macabras, vão se tornando, nestes tempos amalucados, alarmantemente constantes.

Alinhamos abaixo fatos extraídos do recente noticiário nosso de cada dia.

A inocente jovem, de origem humilde, estava prestes a dar à luz. Um bando criminoso sequestrou-a e assassinou-a com perversos requintes. Arrancou de seu ventre a criança para entregá-la à autora intelectual da bárbara trama. A dita cuja vinha simulando para o companheiro e familiares estar grávida, arquitetando tudo com o objetivo maquiavélico de poder exibir a criança como sua filha recém-nascida.

O vídeo na internet capta imagens arrepiantes em matéria de virulência racista. Numa praia, pedaço de chão que a Natureza dadivosamente reservou para amplas confraternizações ecumênicas e democráticas, a mulher branca, abonada financeiramente, apronta o maior escarcéu. Soltando fogo pelas ventas, espumando ódio pela boca, bota pra fora, numa saraivada de impropérios, seu inconformismo. Tudo por causa da “presença acintosa, incômoda”, próxima ao “espaço” escolhido para o lazer de seus dignos familiares, de algumas pessoas de cor negra, “gente que não aprende nunca a conhecer seu lugar”...

Nessa outra ocorrência aqui, um homem sobre quem pesava ligeira suspeita de pedofilia foi encontrado perto de sua casa com a cabeça separada do corpo.

Revoltante caso de pedofilia, bem documentado, envolveu um coronel da Polícia Militar carioca, presidente da Caixa Beneficente da corporação. O cara foi flagrado por subordinados – pasmo dos pasmos! – na prática de atos libidinosos com criança de dois anos de idade. Comparsa sua incumbia-se, há tempos, de “selecionar” meninas dessa faixa etária para que ele pudesse satisfazer seus bestiais instintos.

Uma câmera indiscreta, instalada pelo caseiro de um sítio, pilhou ex-senador da República pelo Estado de Tocantins em práticas assemelhadas. As vítimas eram menores de cinco e seis anos. Enquanto isso, noutra região do norte do país, a filha de individuo detentor de elevado cargo na segurança pública viu-se compelida, tal a suprema gravidade do ato cometido pelo genitor, a denunciá-lo. Ele havia estuprado neta de menor idade.

O tema estupro rendeu, por sinal, recentemente, uma desnorteante pesquisa. Resultados estarrecedores. Trinta e três por cento das pessoas consultadas, homens e mulheres, deixaram claramente explicitado que as sórdidas agressões são geralmente provocadas pelas próprias vítimas, por causa de “gestos e trajes indecentes, em desafio escancarado à moral e bons costumes”, minha Nossa Senhora da Abadia da Água Suja!

Dia desses, na hora do lanche na repartição, um grupo de funcionários trocava ideias sobre o desconforto trazido ao cotidiano de todos nós por essa incidência de fatos ultra chocantes que vêm pontilhando a vida moderna. Alguém no grupo bradou: - Parece até que o mundo tá acabando! Foi quando a faxineira do lugar, até então arredia às discussões, resolveu também emitir seu parecer: - Gente boa, o mundo já acabou, nós é que não fomos ainda informados...


Gumercindo e Noé

Cesar Vanucci

“Os mais sagazes em matéria política conseguem ver num ponto muito mais que uma simples letra!”
(Antônio Luiz da Costa, educador)

Gumercindo chegou ao céu trazendo no rosto os sinais de medo de suas derradeiras experiências terrenas. Ao atravessar o túnel de luz dourada que, a se crer nos místicos e em pessoas que alegam haver retornado do estado de coma, separa este nosso mundo de infinitas provações do mundo das eternas bem-aventuranças, transportou na mala todas as emoções absorvidas na tragédia da inundação que o levou a “encantar-se”, como diria o sábio Guimarães Rosa.

Homem temente a Deus, consagrado à família, ao trabalho e à religião, Gumercindo vira ruir, de hora para outra, com a apavorante enchente do rio provocada por tromba d’água não anunciada nas previsões da Maju, todas as referências importantes de sua vida pacata e singela. Sentiu, ao desencarnar, um bocado de dificuldades em desvencilhar-se das sofridas recordações: a caudal avassaladora engolindo gente, casas, criações, plantações. Ribeirinho afeito às lidas da terra e da água, jamais pusera os pés em cidade grande. Acompanhara, com o espanto dos simples e ordeiros, a marcha trepidante da história pelo radinho de pilha. Assistiu ao “fim do mundo” mal chegado aos 80. O choque foi de tal impacto que São Pedro achou por bem encomendar para Gumercindo atenção toda especial dos plantonistas do serviço celestial de psicologia.

Nos primeiros momentos de morada celeste, ele fez questão de narrar, tintim por tintim, a quem se dispusesse a ouvi-lo, fôlego de cantador de víspora, a história inteira da descomunal tragédia que o arrancou da vidinha pacata naquele pedaço esquecido do sertão. Encontrou compreensão da parte de quase todo mundo com quem se relacionou. Ficou intrigado, entretanto, com a atitude de um residente antigo do excelso lugar. Um cidadão de longas barbas brancas, que se lhe pareceu, o tempo todo, embora cortês, indiferente aos números e dados aterrorizantes. Não suportando o suposto descaso do outro, Gumercindo resolveu queixar-se: - “Cara mais estranho, esse aí! Não se abala um tiquinho com a enchente que arrasou a minha região. Quem ele pensa que é?” A resposta do psicólogo escalado por São Pedro clareou tudo: - É o Noé, o da arca!

Conhecido meu, experimentado analista, que circula há décadas pelos desvãos da política e que ostenta no invejável currículo ativa participação em mil e uma campanhas eleitorais, reconhecido ainda como traquejado articulador de conchavos, dominando de cor e salteado eletrizantes experiências acontecidas no Brasil e mesmo no exterior, deu uma de Noé, dia desses, com o neto. O rapaz, mal chegado aos 30 anos, tomado de fascínio com o intrigante jogo político, sentiu-se de repente bastante confuso com a atmosfera pesada reinante nessa área de atividade. Enumerou um bocado de lances contundentes, incompreensíveis à uma primeira vista d’olhos, frutos de tricas e futricas de bastidores, que vêm pintando no pedaço e rendendo manchetes vistosas, de modo a confundir o espírito da gente do povo. Resolveu transmitir suas preocupações ao avô. O velho, escolado, experiente, ouviu tudo com suprema paciência, sem emitir comentário que denotasse apreensão diante dos atordoantes fatos relatados. Manteve no semblante passividade típica de bonzo recolhido a eremitério do Himalaia. Desconcertado, meio sem graça, um tanto frustrado, o neto só viu cair a ficha e manjou a postura do avô quando alguém deu-lhe a conhecer a historinha do Gumercindo. Aprendeu, no exato momento, que o aparente desdém do avô face à enxurrada de denúncias e armações soltas na praça, parte delas vinda à tona pelo estridente noticiário, recheadas de picardia política, representa, na verdade, recado na linha (diluviana) de Noé. É como se estivesse dizendo: - Vosmecês ainda não viram nada. O que tá acontecendo é café pequeno para o que vem vindo por aí...

  
Cunha e a delação premiada

Cesar Vanucci

“Acho que algumas pessoas podem, sim, ter medo de uma delação...”
(Deputado Paulinho da Força, político bastante 
chegado ao ex-deputado Eduardo Cunha)

Vamos lá. Não há um único vivente deste território continental, noutros tempos chamado Pindorama – incluídos aí os aborígenes das remanescentes tribos amazônicas a serem ainda contatadas pelos sertanistas da Funai -, que ignore o potencial demolidor contido numa eventual “delação premiada” do “malvado favorito” de tanta gente, hoje recolhido ao cárcere de Curitiba. Comparativamente falando, um acordo de Eduardo Cosentino da Cunha está para os pactos firmados com a Lava-Jato por Dulcídio Amaral e por Sérgio Machado (ex-presidente da Transpetro), assim como os efeitos dos disparos de mísseis de um caça de última geração estão para os estrondos e estragos produzidos por meia dúzia de bananas de dinamite.

Bastante compreensíveis, por conseguinte, a nervosa expectativa geral que se formou no seio da opinião pública e o clima de inocultável apreensão detectado nos arraiais políticos desde que anunciada a detenção do ex-presidente da Câmara dos Deputados. A possibilidade de que ele possa, então, promover retaliações a desafetos e, sobretudo, antigos aliados, em sua ótica considerados “infiéis” nestes seus desditosos momentos, é considerada coisa perfeitamente factível.

Desde que afastado da Presidência do Legislativo pelo Supremo Tribunal Federal, situação agravada com a cassação do mandato em acachapante votação em plenário, Cunha vem alimentando o noticiário com a perspectiva de bagunçar pra valer o coreto. Prometeu lançar livro com explosivas revelações. Interpelado sobre quem poderiam vir a ser os personagens centrais da narrativa, respondeu enigmaticamente: “Todo mundo!”

Em entrevista concedida, dias depois da perda do mandato, alvejou “dileto companheiro” de frutíferas caminhadas políticas ainda recentes. O responsável pelo sistema de Parceria dos Programas de Investimentos do governo, Moreira Franco, apontado como um dos políticos de maior influência no núcleo central do poder em Brasília, foi por ele acusado de envolvimento em maracutaia que teria ocorrido no financiamento das obras do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Não deixou a acusação por menos: “Na hora em que as investigações avançarem, vai ficar muito difícil a permanência dele, Moreira, no Governo”.

Enquanto isso, partidários do ex-parlamentar deixavam subentendido, em sibilinos registros, que os temores circulantes nos redutos políticos acerca de denúncias envolvendo próceres destacados de diferentes siglas, poderão, sim, se converter, de hora para outra, em libelos acusatórios capazes de molestar a reputação de muita gente. De um desses leais seguidores de Cunha ouviu-se, dias atrás, a seguinte frase: “Acho que algumas pessoas podem, sim, ter medo de uma delação...” Para analistas experimentados da cena política, a declaração mais do que externando um ponto de vista pessoal de alguém ligado a Cunha, soa como ameaçador recado do próprio a pessoas que, ainda recentemente emaranhadas em seus projetos e maquinações políticas, optaram pelo “salve-se quem puder” na hora em que o barco começou adernar.

Astuto, maquiavélico, estrategista, desafiador, ousado, desconhecedor de limites éticos nas aprontações, Cunha reúne condições de encrencar um mundão de cidadãos de diferentes legendas partidárias. As informações privilegiadas que detém, como protagonista e testemunha ocular de ilicitudes intensamente praticadas na vida pública brasileira de largo espaço de tempo para cá, tornam-no um verdadeiro “arquivo vivo”. Na avaliação de qualificados observadores, ele dificilmente deixará de utilizar esses elementos, pacientemente estocados ao longo dos anos, na tentativa de procurar aliviar a “barra pesada” que ora incide sobre sua vida e sobre sua esposa, também ré numa das ações da “Lava-Jato”.


Uma outra circunstância confere especial dramaticidade ao episódio que levou, após tantos meses de espera, Eduardo Cunha à prisão preventiva. A impressão nutrida por muitos conhecedores da hermenêutica jurídica é de que esse ato representaria  prólogo de uma decisão destinada a alcançar enorme repercussão na vida nacional: a detenção do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016


O medo nosso de cada dia


Cesar Vanucci

“A cada dia, a cada hora, a gente
aprende uma qualidade nova de medo”.
(Guimarães Rosa)

Uma era, como a atual, favorecida por conquistas tecnológicas esplendorosas e por solenes compromissos nascidos do consenso universal em torno da propagação dos direitos fundamentais, teria tudo para fazer deste maltratado planeta azul uma morada privilegiada em termos de bem-estar social e de convivência amorável e venturosa. Mas isso, desafortunadamente, não acontece. Tudo por culpa das armadilhas traiçoeiras, ciladas perversas e dos ardis inesperados engendrados pela prepotência, obscurantismo, arrogância, egoísmo e insanidade de setores muito bem identificados, com poderes decisórios sobre os rumos das engrenagens comunitárias.

As utopias positivas que jorram dos corações dos homens e mulheres de boa-vontade acenam com transformações comportamentais garantidoras de relacionamentos entre nações e indivíduos consentâneos com a dignidade humana. Elas tropeçam, todavia, a cada instante, em reações que outros propósitos não descortinam senão o retardar da evolução do processo civilizatório. Todos nos damos plena conta disso. A poderosa e extensa fileira das articulações nefastas contínuas contra as generosas aspirações humanas focadas no desenvolvimento espiritual e material é acrescida, volta e meia, de lances insensatos e cruéis elevados ao paroxismo.

O noticiário nosso de cada dia – sabe-se lá por que cargas d’água!  – não se ocupou de uma candente e momentosa questão com o destaque crítico que ela faz por merecer. Assustadora, muito assustadora, a revelação trazida a lume, indoutrodia. Encaixa-se, com perfeita adequação naquilo que Guimarães Rosa proclama: “A cada dia, a cada hora, a gente aprende uma qualidade nova de medo”. No caso em foco, tenebroso fruto de jogo de conveniências espúrias do Governo dos Estados Unidos com uma multinacional de comunicação na tecnologia de ponta, o medo vem associado – pasmo dos pasmos! – ao eficiente e complexo sistema de comunicação que, bilhões de vezes ao dia, proporciona a avalancha de mensagens telefônicas e registros eletrônicos que a rede mundial de computadores põe pra correr o mundo de ponta a ponta.

A agência “Reuters”, exibindo convincente material probatório, acaba de dar ciência à sociedade humana, debaixo de compreensível estupor, que a agência de espionagem NSA e a empresa “Yahoo!”, conluiadas, adaptaram programas para favorecer uma ampla, geral e irrestrita bisbilhotagem das mensagens aglutinadas nas caixas de entradas de mais de meio bilhão de clientes. O sórdido esquema de xeretagem montado abre espaço aos arapongas da NSA para que vasculhem, de cabo a rabo, a torto e a direito, todo o conteúdo das manifestações feitas pelos desavisados usuários.

Não fica fora de propósito, por conseguinte, imaginar que neste preciso momento, compenetrados agentes especializados em contraespionagem, numa repartição qualquer daquele vigilante órgão oficial estadunidense, estejam concentrados na tentativa de decifrar o significado oculto de um recado que dona Sulamita Hallal, moradora em Santana do Jacaré, libanesa, dama de peregrinas virtudes, doceira de mão cheia, encaminhou ao filho Jamil, residente em Ann Arbor, Michigan, falando de coisas do trivial variado familiar. Esposa de Chafir Hallal, sírio, comerciante de secos e molhados, Sulamita recomenda zelosamente a Jamilinho que, em sua próxima visita a Nova Iorque, pra conhecer a Estátua da Liberdade, não se esqueça, por causa do clima invernoso, de levar o felpudo capote coreano, tecido com lã paquistanesa que ela adquiriu “para o filhinho querido” quando de recente peregrinação ao Egito para um retiro espiritual na mesquita central do Cairo. Atenta ainda à circunstância de o filho estar cursando escola de gastronomia no Tio Sam, transmite-lhe, na mesma mensagem, receita caseira sobre a fabricação de bombas de baunilha, enfatizando a necessidade de hidratação por doze horas do damasco utilizado como recheio, para que o produto atinja o ponto certo.

Como consequência da sofisticada avaliação dos competentes sherloques debruçados sobre o diálogo originário de Santana do Jacaré, não constituirá surpresa possam as prosaicas atividades da família Hallal ser reviradas, de repente, de cabeça pra baixo. Bastará para tanto que o desconfiômetro da arapongagem institucionalizada, à cata de chifre em cabeça de cavalo, acuse desconforto com algumas expressões vocabulares suspeitosas empregadas por dona Sulamita. Isso já ocorreu com outros usuários de internet. A imprensa americana informa, por exemplo, que um advogado muçulmano de Portland teve, de hora para outra, seu telefone grampeado e seu histórico de navegação na internet investigado, sua casa e seu escritório revolvidos, com dissabores sem conta como é óbvio imaginar, antes que as autoridades chegassem à conclusão de terem se enredado num tremendo dum equívoco. Uma outra família americana também passou por vexames ao falar de bomba... escolar.

Da desagradável situação criada por essa maquiavélica conjugação de forças brotam mais indagações perturbadoras. Será que a torpe invasão de privacidade em termos escandalosamente globais ficou adstrita tão somente aos entendimentos, aqui narrados, dos serviços de espionagem da Casa Branca com apenas um único provedor da gigantesca rede mundial de computadores? Hein?


Greve japonesa


Cesar Vanucci


“Um radical é um homem com os
dois pés firmemente plantados no ar.”
(Franklin Delano Roosevelt)

Há mais de 20 anos lancei neste espaço um artigo intitulado “Greve japonesa”. Relendo-o, constatei que ele conserva ainda sonora atualidade.

Fazendo turismo no Japão, um cidadão brasileiro precisou recorrer a uma operação bancária de emergência. Foi quando ficou sabendo que os bancários nipônicos haviam entrado em greve, exigindo reposição de perdas salariais, mais isto, mais aquilo, tudo de acordo com o figurino sindicalista mundial. Comentou, desolado, com a cara-metade: - “Eles entram em greve e eu entro em parafuso. Como é que vou me arranjar, minha nega?” A resposta à sua inquietação veio sob a forma de uma revelação tranquilizadora, recebida por ele entre espantado e aliviado. A “greve japonesa” se regia por critérios totalmente diversos de tudo aquilo que havia aprendido no Brasil e ficado conhecendo sobre o assunto em outros países.

Os bancos não cerrariam as portas um minuto sequer. A prestação de serviços à clientela não sofreria a mais leve alteração. A diferença fundamental entre o dia normal de atividade e o dia sacudido pelo movimento de discordância trabalhista consistia no fato de que os grevistas, atraindo por eficaz esquema de divulgação a atenção da opinião pública, aproveitando para criticar com veemência os patrões, haviam espalhado, por tudo quanto é canto, sistema de som, faixas e cartazes e exibiam ostensivamente braçadeiras em que se proclamava o estado de greve. A assistência aos clientes fluiu tranquila, plena em eficiência, recheada de todas aquelas mesuras que fazem parte da cultura do país e que já renderam deliciosos momentos em comédias cinematográficas americanas. Ao solícito caixa que o atendeu, o nosso brasileiro, deslumbrado, perguntou que diabo de greve era aquela em que as pessoas trabalhavam com o entusiasmo e dedicação de sempre. A resposta arremessou-o na lona: - “O objetivo é atrair simpatia para a causa, não o contrário”.

Já que no Brasil, a começar das chamadas elites, espichando por outras camadas da população, existe uma compulsiva inclinação para copiar (em numerosos casos, mal e porcamente) modelos de atuação que presumivelmente deram certo em outros lugares, fico a matutar, cá com os meus botões, se não seria de bom alvitre patrocinar a ida ao Japão de alguns próceres sindicais do lado de cá do Equador. Eles poderiam conhecer ao vivo essa e outras experiências interessantes dos sindicalistas locais, em suas lutas por benefícios sociais. Nem seria o caso de sonhar com a incorporação de tal greve sem paralização aos nossos hábitos na contenda trabalhista.

Mas de se imaginar, com o exemplo que vem da Ásia, um tipo de manifestação, sem servilismo, sem a abjuração de princípios, que não representasse, em hora alguma, contrafação daquilo que verdadeiramente importa numa greve: a busca pelo reconhecimento de prerrogativas classistas e da cidadania. Porque, pra falar mesmo a verdade, sem que se possa com isso alvejar as motivações legítimas que povoam o inconformismo dos assalariados, diante do solene desprezo que o governo e outros setores votam às questões sociais, não há como deixar de condenar enfaticamente certas reações de protesto, trazidas às ruas por grupos anárquicos, comandados por líderes primários e radicais.

Não há uma única pessoa de bom senso disposta a dar um ceitil de apoio a movimentos reivindicatórios, mesmo considerados justos e pertinentes no apelo de origem, quando representantes desse movimento passam a agir que nem fossem uma horda de vândalos, ocupando repartições, destruindo instalações, sitiando autoridades nos ambientes de trabalho. Ou quando, na briga natural pela recomposição de um direito espezinhado, um bando de despreparados, infensos ao diálogo, cismam de paralisar e até de sabotar o funcionamento de serviços vitais para comunidades inteiras, fabricando o caos nas ruas e nas casas, ou, ainda, quando em posturas antiprofissionais que clamam aos céus, se negam a dar atendimento à gente humilde que enfileira o seu sofrimento nas portas de casas de saúde construídas como garantia de socorro ao semelhante.

A greve é um importantíssimo item democrático. Não se adapta aos limites geográficos dominados por versões despóticas, de quaisquer colorações. Na Rússia tzarista e na União Soviética bolchevista, para ficar com um único exemplo, foi sempre tratada como caso de polícia, resolvido na pata da cavalaria cossaca ou nas lagartas blindadas dos sovietes. A desfiguração da greve, por vesguice mental, ou por induzimento de origem suspeitosa, à margem do sentimento profissional, agride a essência da democracia. Desserve a causa dos direitos humanos. Engrossa o caldo de ressentimentos e maldades que os eternos inimigos botam para cozinhar, a fogo lento, no caldeirão em que lançam ingredientes colhidos nas debilidades, fraquezas e fragilidades humanas e operacionais do regime.

Fazer greve pela greve é rematada imbecilidade. Quem não entende os limites impostos às ações dentro da regência democrática, não se mostra digno de desfrutar das franquias inerentes à liberdade de expressão e movimentos. O grevismo desvairado, que não consegue ou que demora para alcançar seus objetivos, bem que poderia promover uma pesquisa junto à população, investigando se ela está de acordo com a anarquia, com a desordem e com a violentação de outros direitos, que têm marcado alguns movimentos e tornado ainda mais aflitiva e angustiante a situação do homem da rua. A consulta apontará, fatalmente, a necessidade de uma mudança de mentalidade e de rumo. O Brasil aborrece o histerismo radical, que, além de afrontar a cidadania, é uma boçal, intolerável e inaceitável encheção de saco.


sexta-feira, 14 de outubro de 2016


Tudo muito louco

Cesar Vanucci

“É loucura, mas há um método nela”.
(Shakespeare)

O semblante da humanidade exprime, nestes nossos tempos, perplexidade, tristeza, preocupação e indignação. São tantos e tão frequentes os desatinos praticados, sob os mais variados e inqualificáveis pretextos e motivações, que a gente se sente propensa a admitir que o mundo anda parecendo até um hospício. São a perder de vista os atos e fatos acumulados diante de nosso olhar que dão guarida a essa tese. Fixando-nos num curto trecho da história atual dá para extrair essas poucas, sugestivas e atordoantes constatações.

Vejamos o que rola no apavorante conflito sírio, já estendido a áreas do Iraque e da Líbia. As partes beligerantes, representativas de uma infinidade de tendências e objetivos, continuam a promover matança e devastação sem definições muito claras a respeito da causa defendida (ou atacada), ou de quem seja precisamente aliado ou adversário nas frentes de luta. Perversas conveniências geopolíticas fazem da horrenda contenda um enigmático jogo de xadrez, com regras sujeitas a mudanças de última hora a cada lance. E que se danem a indefesa população civil e as intermináveis legiões de desterrados!

Na esteira dessa selvageria guerreira o drama dos refugiados expõe a face cruel do racismo. As manifestações de rejeição ostensiva, aos que conseguem vencer a barreira das traiçoeiras águas do Mediterrâneo à cata de asilo em terra firme, costumam ofuscar, em não poucos momentos, as generosas demonstrações de solidariedade asseguradas por setores comunitários sensíveis ao angustiante problema dos refugiados. Observadores qualificados são de parecer que o êxodo de agora vem concorrendo para a exacerbação de um sentimento xenófobo, parte da cultura europeia, que mira como alvo os estrangeiros, notadamente das regiões menos desenvolvidas do planeta.

Outra vertente racista tem fomentado nos Estados Unidos versões modernosas do faroeste. Policiais brancos, rápidos no gatilho, investem-se do papel de xerifes justiceiros para eliminar “desordeiros” negros e desarmados. A sequência inaceitável desses brutais episódios proporcionou, indoutrodia, cena que comoveu o mundo. Uma garotinha de 8 anos fez um apelo, em cadeia nacional de televisão, para que os direitos da minoria negra não sejam mais tão espezinhados na sociedade americana.

É da grande nação do norte que também pipocam, por outro lado, ameaças que levantam sobressalto mundo afora. Elas se acham explícita e implicitamente inseridas na plataforma do candidato Donald Trump. Apoiado, em sua campanha pela Casa Branca, por forças que representam o pensamento mais radical de um conservadorismo de feição medieval, o cara bota pra fora, a todo momento, seus maus bofes racistas e machistas. Intolerante com relação a tudo que não se coadune com o estilo de vida dos segmentos mais reacionários da história moderna, sua eleição poderá constituir risco enorme à concórdia universal.

Já o presidente filipino, Rodrigo Duterte, que virou celebridade por conta de suas bravatas e atos, lembra um pouco Trump, um pouco o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e outros personagens famosos pela atuação despótica. Em comportamento inédito no relacionamento diplomático, empregou palavreado de baixíssimo calão ao se referir ao presidente Obama e a dirigentes da comunidade europeia. Anunciou a disposição de “solucionar”, vez por todas, o problema das drogas, executando sumariamente quem se entregue ao comércio e ao consumo. Deu carta branca aos adeptos de suas amalucadas teorias para afastar do caminho adversários políticos defensores dos direitos humanos.

Chegamos aqui ao plebiscito na Colômbia. Os resultados causaram assombro mundial. O “não” ao acordo para se por fim à guerra civil deixou evidenciado que o rancor, o ressentimento, o ódio podem impactar, às vezes, de forma mais contundente, o coração das pessoas do que os apelos à paz, à concórdia, à conciliação, à misericórdia, ao desarmamento de espíritos. A concessão do Nobel da Paz ao presidente colombiano Juan Manuel Santos, pelo elogiável esforço despendido no sentido da celebração da paz, constituiu resposta condigna da comunidade internacional ao despautério praticado pela parcela dos votantes que, no referido plebiscito, deixaram-se trair por insuspeitada inclinação talebanista com referência às coisas da vida.

E, por último, falemos da decisão chocante, inacreditável, tomada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Em desafio aberto ao bom-senso e aos direitos fundamentais, a Corte ousou anular  os julgamentos que condenaram policiais militares responsáveis pelo chamado “Massacre do Carandiru”. A alegação de que não houve trucidamento de presos, mas sim um mero ato de legítima defesa, foi interpretada como uma bofetada na face da Lei e uma afronta à dignidade humana.

Tudo que foi relatado acima parece loucura, mas há método nela. Shakespeare sabia das coisas.


A opção pelo social

Cesar Vanucci

“Questão social (...) eu faço parte dela, simplesmente”.
(Mário Quintana, poeta)

A tv mostrou, tempos atrás, o grito agoniado de uma jovem despedaçando o silêncio da madrugada numa grande cidade estadunidense (poderia ter ocorrido em qualquer outro lugar). As luzes dos edifícios ao redor foram sendo acesas, uma após a outra, atraindo às janelas centenas e centenas de pessoas. Esta a cena lá de fora contemplada com horror: um bando de marginais debruçados sobre uma moça brutalizada com requintes de crueldade, num caso de estupro seguido de morte. Da multidão de espectadores não irrompeu qualquer ato concreto de solidariedade para com a vítima, durante os largos e tensos minutos que marcaram a consumação da tragédia. O máximo extraído do comodismo da plateia foi a chamada telefônica que trouxe patrulheiros e ambulância depois de “Inês morta”. Expressão que, no doloroso episódio, representou muito mais do que simples metáfora.

Todos se recolheram, depois, ao ronco dos justos, conseguindo dormir com todo aquele barulhão...

Um exército de bons viventes age, vida afora, com a mesma desconcertante tranquilidade de espírito. Não se lhes afeta o sono, tiquinho que seja, o barulho ensurdecedor dos problemas que pululam à volta. Conservam-se inalteravelmente na sua. Nada do que ocorre, fora de seu mundinho, se lhes diz respeito. Problema social é coisa pra governo, bradam do alto de irresponsável certeza, a autossuficiência anestesiante completamente aflorada. Problema social é um outro departamento, com o qual não têm, não querem ter, tendo raiva de quem tem, a mais leve familiaridade. “Coisa dos outros, não coisa da gente!” A “esses outros” é que resta a incumbência certamente, de se apoquentarem com os dramas rotineiros da mendicância, dos sem casa, dos sem terra, dos enfermos sem acesso a assistência, enfim, com todas as corriqueiras e variadas mazelas que alvejam excluídos de todos os matizes.

Solidariedade humana, pra muita gente, é que nem gruta de eremita do Himalaia. Algo remoto, mantido à inteira deriva das egoísticas preocupações pessoais do dia-a-dia. Quando fortes impactos ou simples respingos das questões sociais mal resolvidas atingem o remansoso refúgio em que se entrincheiram, roçam as fimbrias de sua zona de conforto, os acomodados da silva júnior viram bicho na condenação inflamada do estado de coisas reinante. Se o problema explode na área da segurança, culpam logo a polícia. Conforme a natureza dos problemas, acionam a metralhadora giratória com acusações à imprensa, Igreja, Parlamento, Judiciário, Governo, o escambau. Deixam à mostra indisfarçável inclinação à prática da prepotência, apelando feio para aviltantes preconceitos. Colocam na alça de mira etnias, nacionalidades, classes, profissões. A culpa, conforme os humores, pode ser dos negros, dos judeus, dos índios, dos ciganos, dos funcionários públicos. Fácil chegar, em desdobramentos tão insanos, aos ciclistas, aos barbudinhos, aos fabricantes de doce de abóbora, aos catadores de caranguejo. Tudo vale, como se explica nas fábulas de Esopo e La Fontaine, no processo de transferência de responsabilidades, fórmula marota de apaziguamento de remorsos íntimos de efêmera duração.

A questão social - proclamar isso sempre é preciso, carece ocupar, urgentemente, as preferências nas ações promovidas por quem detenha, nas comunidades, poderes de decisão. Precisa acordar os inconscientes, mas bem intencionados. Os bem intencionados, mas indolentes.

A omissão diante do quadro social tem sabor de pecado. A insensibilidade de muitos, somada à irresponsabilidade de outros e ao comodismo de outro tanto, provoca clamorosas distorções nas escalas das prioridades.

Daí ficar geralmente mais fácil ajudar banqueiro falido do que criança de rua. A “opção preferencial” acaba sendo despudorada e impiedosa. Todos aprendemos a “adivinhar” quem acaba levando a melhor nas “quedas de braço” entre os sem terra, os sem casa, os sem esperança, dum lado, e os sem compostura, os sem escrúpulos e os insensíveis do outro.

É bom que se guarde, também, a informação alvissareira de que, ao contrário dos moradores indiferentes da grande cidade que acompanharam impassíveis o trucidamento da jovem, as pessoas realmente despertas, conscientes e sensíveis, a cada dia mais numerosas, compondo os batalhões dos homens e mulheres de boa vontade desejosos de reconectarem este mundo do bom Deus com sua humanidade, deparam-se amiúde com dificuldades em conciliar satisfatoriamente o sono, diante da acumulação dos problemas sociais.

Reflexões amadurecidas sobre a temática social conduzem a uma certeira convicção.  Essa prodigiosa força energética está apta, nalgum momento, a operar mudanças estruturais que possam elevar o bem-estar social a níveis condizentes com a dignidade humana.




sexta-feira, 7 de outubro de 2016



Nós Somos a Luz

É com grande satisfação que a Academia para Ciência Futura convida todos vocês para o próximo Seminário com os nossos Presidentes Internacionais, o Dr. J. J. Hurtak e Dra. Desiree Hurtak, que vêm apresentar na América do Sul a primeira das Dez Chaves que completam a revelação das 64 Chaves de Enoch e Metatron:

Tema:
Nós Somos a Luz
Data:
Sexta, 25 de novembro de 2016, de 19h00 a 22h00
Sábado, 26 de novembro de 2016, de 09h30 a 21h30
Domingo, 27 de novembro de 2016, de 09h30 a 19h30
Local:
Centro de Eventos Jorge Joaquim Daux Boabaid
Hotel Canasvieiras Internacional
Endereço:
Rua Madre Maria Vilac, 2020
Canasvieiras, Florianópolis – Santa Catarina
Inscrição:
Datas
Valor Individual
Até 9/9
R$ 400,00
De 10/9 a 19/11
R$ 450,00
De 20 a 25/11
R$ 500,00
Em 1973, a humanidade recebeu dos Céus Superiores As Chaves de Enoch®, que vieram explicar: os códigos e princípios originais de Luz usados para criar as muitas dimensões do nosso universo; e as formas-pensamento de Deus que unificam a nossa consciência com o Plano Divino e a Sua Manifestação Cósmica.
Cada uma das 64 Chaves de Enoch foram reveladas para trazer da Fonte de Luz Suprema um Poder de codificação superior e geometrias vivas e inspiradoras. Porém, 10 Chaves Finais foram especialmente guardadas para um momento em que a consciência humana pudesse evoluir coletivamente dentro do Projeto Divino de Luz reservado à nossa humanidade.
Este momento se inicia agora! E este seminário vem explicar em linguagem espiritual e científica o Poder da “Luz”, e como receber e expandir os diferentes níveis da experiência de Luz aos quais a consciência humana pode ter acesso. Porque a família humana está sendo convidada a evoluir para um Corpo de Luz e a participar de forma integrada de um horizonte ilimitado dentro da Casa de Muitas Moradas.
Neste seminário intensivo haverá explicações sobre a mudança quântica que possibilita o despertar da consciência humana para um poder de Luz em ressonância com a Fonte original da Vida. Junto com os ensinamentos a serem apresentados, também haverá experiências musicais e meditativas para estimular uma criatividade superior que é necessária para a abertura de novas fronteiras da consciência.
Venham aprender a linguagem não linear das ideografias e cosmografias que Deus disponibiliza para sermos veículos puros de um Amor, Compaixão e Sabedoria Sublimes. A Chave que nos ativa para “sermos a luz do mundo” nos está sendo entregue! Participem!
Na inscrição, devem ser enviados o comprovante de depósito digitalizado e os seguintes dados:
Nome:
Telefone:
Valor Individual
Endereço:
Bairro/Cidade:
Estado
CEP:
Profissão
E-mail:
Data do Depósito:
Participa na Segunda?
Os depósitos devem ser feitos em nome de:
Academia para Ciência Futura
CNPJ 03.540.160/0001-11
Banco Bradesco, Agência 3122-4
Conta Corrente: 205.030-7
A inscrição deve ser enviada para Ilse e Rosana: eventos@acfbrasil.org.br

Informações Complementares:
·         Material:
·         Este seminário coincidirá com o lançamento em português da Chave 4- 0-1, a primeira das 10 Chaves finais, que estará à venda durante o seminário junto com outros materiais da Academia para Ciência Futura.
·         Refeições:
·   No hotel em frente ao do evento existe um restaurante a quilo (que funciona só no almoço).
·          No hotel do evento existe lanchonete, café/padaria, pizzaria e sushi bar que funcionarão durante o evento até aprox. 23h00.
·   Entre 600m e 1,2km do auditório há diversos restaurantes a preços populares.
·    Na sexta-feira não haverá coffee-break. Todos devem levar os seus lanches.

Atividade ao Ar Livre – Evento Extra (Segunda-feira, 28/11/2016)
·         10h00 a 13h00 – Seção de Perguntas e Respostas com os Drs. Hurtak
·         Vagas Limitadas.
·         Somente para os Participantes do Seminário.
·         Reservas são necessárias com a organização do evento.
·  Local: IMMA – Instituto Multidisciplinar do Meio Ambiente e Arqueoastronomia
·         http://immabrasil.com.br/
Rua Laurindo José de Souza 188
·         Fortaleza da Barra da Lagoa – Barra da Lagoa – Florianópolis – SC.
·  Transporte: Consultar a organização do evento para o rateio de transporte.
·          
·         13h00 – Almoço sugerido no restaurante Rancho de Canoa em frente ao IMMA.
·         14h30 a 16h00 (aprox.) – Nos Caminhos da Trilha da Oração
·        Subida ao Morro da Galheta com a orientação do arqueoastrônomo Adnir Antônio Ramos (Maninho)
·  Local: Morro da Galheta, atrás do IMMA, local de importantes alinhamentos arqueoastronômicos.
·          
·         Observações:
·         Levar protetores solares, chapéus, repelentes para insetos e sapatos de caminhada.
·         A subida ao morro requer um esforço físico moderado e não é indicada a pessoas que possam ter mais dificuldades.
·         Pessoas com voos no início da noite na segunda-feira devem considerar que o trânsito na cidade é intenso e demorado.

Mais Informações:
·         Hotéis Sugeridos
·         Contatos com a Organização do Evento:
(48) 9642-4951 (Tim com WhatsApp)
(48) 9142-5929 (Vivo com WhatsApp)
(48) 9144-6619 (Vivo)
(48) 3238-9830 (Fixo Net: até 22h00)
 Marcus Kordeiro
(Gytimalon Sanaya Khael - Frota Estelar - Alpha Meyers Órion Unana) 



Reflexões eleitorais

Cesar Vanucci

“A democracia é boa, principalmente
porque todos os outros sistemas são piores.”
(Nehru, político indiano)

As recentes eleições, numa perspectiva geral transcorridas em atmosfera pacífica e ordeira nos diferentes quadrantes da vastidão continental brasileira, exaltaram outra vez mais a afortunada familiaridade existente entre a Nação e as boas práticas dos sagrados postulados democráticos. O registro de desagradáveis incidentes isolados, nascidos de discórdias pontuais sem conotações políticas merecedoras de especial atenção, não foi de molde a afetar o brilho do espetáculo cívico vivenciado de norte a sul.

A campanha dos candidatos e a vontade popular manifesta nas urnas renderam substancioso material para reavaliação da conjuntura política. Um tantão de revelações pode ser extraído do que se viu.

A primeira das coisas a anotar é a percepção bastante clara, que se nos é passada, de que a sociedade brasileira continua nutrindo fervoroso respeito às prerrogativas do espírito humano projetadas no direito de opinar livremente, de dissentir e de discordar. Conserva-se lúcida na resistência aos vaivéns sibilinos, incongruências, aprontações negativas perpetrados, em elevada escala, nos arraiais político-partidários. Faz questão de expressar com nitidez anseios no sentido de que a política seja nutrida, o tempo todo, de saudáveis inspirações republicanas.

O visível desencanto de parte considerável da opinião pública, derivado de situações conflitantes com o interesse coletivo, desencadeadas por militantes das diferentes facções partidárias, tomou vulto nas estatísticas do pleito. O somatório das abstenções com os sufrágios em branco e nulos suplantou, em grande parte dos colégios eleitorais, os chamados votos válidos, mais do que em qualquer outra ocasião eleitoral. Isso dá muito o que pensar.

O clima ordeiro que presidiu as eleições, como já sublinhado, mais o competente processo de coleta de votos montado pela Justiça, objeto da admiração mundial, mais a despoluição sonora e visual garantida pelas normas vigentes são itens positivos, a serem efusivamente celebrados nesta jornada eleitoral.

Para estudiosos do comportamento e das reações das ruas, bem como para paredros e militantes das siglas partidárias, estas eleições municipais de 2016 descortinaram cenários repletos de recados e incógnitas. Não passou despercebido a olhares atentos a preocupação de boa parte dos candidatos em evitar ficassem suas campanhas vinculadas, de forma ostensiva, às respectivas legendas e às lideranças tradicionais dos quadros partidários. Para muitos, tal associação afigurava-se temerária. Poderia redundar em perda de votos. 

No sudeste, fixando-nos num exemplo próximo de nosso foco de observação, apenas em São Paulo, Capital sobretudo, o candidato vitorioso, João Dória, não hesitou em declinar, com toda ênfase, o nome do patrocinador-mor de sua campanha, Geraldo Alckmin. À hora da comemoração não encontrou quaisquer dificuldades também em apontar o governador paulista como candidato à Presidência.

O PT experimentou nas urnas acachapante derrota, de norte a sul. Em Minas Gerais, onde havia levado, em 2012, 113 Prefeituras, triunfou desta feita em apenas 41 municípios. Das 20 maiores cidades mineiras, só em Teófilo Otoni logrou sucesso.

A performance de muitos Prefeitos - ao que se propagava, bem avaliados na simpatia popular -, deixou muito a desejar. Veja o que aconteceu no Rio, com Eduardo Paes, e em Belo Horizonte, com Márcio Lacerda. Já em Salvador, o estrondoso sucesso de ACM Neto, reelegendo-se com larga sobra, evidenciou um diferencial na reação dos eleitores face à exposição insistente na propaganda eleitoral de lideranças e legendas tradicionais.  Na Capital bahiana o esquema colou.

Entre outros numerosos lances expressivos das eleições, cabe  registrar as vitórias marcantes, conquistadas em primeiro turno, nas Minas Gerais, de Vittorio Medioli, Betim, Paulo Piau (reelegendo-se) Uberaba, Odelmo Leão, Uberlândia, Humberto Souto, Montes Claros, e André Merlo, Valadares.

Na Capital mineira a renovação do Legislativo foi, surpreendentemente, de 56 por cento. A edil mais votada foi Áurea Carolina, do PSOL, 32 anos, negra. Pamela Volpi (PP), que se intitulou representante transgênero, foi eleita vereadora em Uberlândia. O Prefeito eleito em Antônio Dias, Vale do Rio Doce, foi o vencedor com maior percentual de votos no Estado. Atingiu índice de 95,33 por cento. Em Cedro do Abaeté, região central do Estado, o eleito obteve apenas 15 votos a mais que seu oponente.

Nos centros eleitorais mineiros em que haverá segundo turno, Belo Horizonte, Juiz de Fora e Contagem, bem como noutras capitais e grandes cidades dos demais Estados, os disputantes já se lançaram num corre-corre desenfreado pela conquista de apoio dos oponentes alijados da contenda. Das tratativas, como é de praxe, resultarão alianças surpreendentes. Esperar pra ver!



Conquista da 
ciência brasileira

Cesar Vanucci

“Tecnologia criada por cientistas do CNPEM pode
eliminar o vírus da aids nas bolsas de sangue em transfusões.”
(Dos jornais)

Já aludimos, neste acolhedor espaço, aos avanços vanguardeiros, universalmente louvados, da Saúde Pública e da Ciência brasileiras nas ações preventivas de combate à epidemia da aids. Epidemia que vem sendo, de algum modo, refreada em vários cantos do planeta, sem que, contudo, pare de se alastrar assustadoramente no maltratado continente africano. Ou seja, aquele pedaço de mundo esquecido - ao que tudo faz crer, dos próprios deuses dos cultos de seus habitantes -, a se levar em consideração o volume dos dramas sociais que incessantemente enfrenta.

Às revelações já conhecidas sobre o competente trabalho desencadeado entre nós, nessa área do conhecimento técnico e práticas terapêuticas, agrega-se agora outra significativa conquista, acolhida com entusiasmo pelos círculos científicos. Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) desenvolveram processo inovador para impedir que o vírus da aids se espalhe pelo sangue. Criaram condições para se poder detectar e eliminá-lo nas bolsas de sangue usadas em transfusões.

Empregando as chamadas nanopartículas – elementos com dimensão mil vezes reduzidas em relação ao diâmetro de um fio de cabelo -, os pesquisadores conseguiram estabelecer um procedimento capaz de tornar o vírus do HIV inativo. A ação tecnológica desenvolvida é sequencialmente explicada. Para se reproduzir no organismo, o HIV faz conexão com os receptores da membrana celular. Lançadas na corrente sanguínea, as nanopartículas magnéticas de sílica, boladas pelos cientistas, agregam-se ao vírus, impedindo sua propagação. Atraídas por um imã, as nanopartículas são retiradas do sangue, trazendo junto os componentes virais.

O coordenador do estudo, cientista Mateus Borba Cardoso, esclarece em entrevista amplamente divulgada: “Esse mecanismo de inibição viral se dá por meio da modificação de nanoparticulas em laboratório, atribuindo-se funções à sua superfície pela adição de grupos químicos capazes de atrair as partículas virais, com elas se conectando. Esse efeito, relacionado ao fato de cada átomo dentro de uma molécula ocupar uma determinada quantidade de espaço na superfície, impede que o vírus chegue até o alvo – as células – e se ligue a esse alvo, porque já está “ocupado” pela nanopartícula”.

As experiências promovidas pelos pesquisadores brasileiros resultaram, num primeiro momento dos testes, numa redução de cinquenta por cento da infecção viral. Mas o resultado poderá ser melhorado, com eficácia de cem por cento, caso seja aumentada a quantidade de nanopartículas lançadas no período de incubação, conforme ainda o cientista mencionado.

A inovadora tecnologia que acaba de ser anunciada sinaliza, auspiciosamente, outra vez mais, que nossos cientistas, bem como nossos serviços públicos de saúde, ocupam na atualidade lugar de proeminência nas políticas mundiais de combate a aids. Há um total reconhecimento da extremamente positiva contribuição por eles trazida, não é de hoje, ao esforço global desencadeado a partir do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) com vistas a por cobro à mortífera enfermidade até o ano 2030.

O Brasil mostra-se, assim, bastante cônscio da missão que lhe cumpre executar quanto a essa relevante meta de erradicação da aids, inserida nos “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, definidos pela ONU.



A SAGA LANDELL MOURA

ENCONTRO CULTURAL INTERACADÊMICO - 18 DE FEVEREIRO

C   O   N   V   I   T   E A Arcádia Minas Gerais, a Academia Feminina Mineira de Letras, a Academia Cordisburguense de Letras Guimarãe...