sábado, 30 de outubro de 2021

 

600 mil

 Cesar Vanucci 

 

“E pensar que, há pouco tempo, as manchetes

bradavam “que horror” pelas 100 mil vidas ceifadas!”

(Domingos Justino Pinto) 

 

Quando os nossos mortos pela Covid-19 chegaram aos 100 mil, as manchetes, exprimindo o sentimento das ruas, utilizaram a expressão “horror” para definir o que vinha sucedendo na pátria amada naquele instante. Numa praia carioca, as vítimas foram pranteadas numa cena de forte simbolismo. Todos nos recordamos de que as 100 cruzes plantadas no local foram alvo de vandalismo, numa demonstração de boçalidade talibanista, que deploravelmente, tomando feições variadas, se repetiria em numerosas ocasiões. 

Chegamos, agora, melhor dizendo, ultrapassamos agora os 600 mil casos fatais. Que expressão extrair do vocabulário para traduzir a dolorosa situação? Quinto país mais populoso, com 2,4% dos habitantes do planeta, “respondemos”, chocantemente, por mais de 12% dos óbitos assinalados nas estatísticas. Nos macabros registros do flagelo, “nossa” média de casos é 5 vezes superior à média universal. Colocamo-nos em indigesto segundo lugar na classificação geral dos países em volume de mortos e infectados, superados, apenas, pelos Estados Unidos e na “dianteira” de países como a Índia, a Rússia e a China. 

A quantidade de vidas arrebatadas, em poucos meses, ao convívio das famílias brasileiras equivale ao número de habitantes de Uberlândia, segunda cidade em população de Minas Gerais.

O relato da história da pandemia no Brasil é muito impactante. A CPI do Senado municiou a opinião pública com informações cruelmente reveladoras. Os estudiosos das políticas públicas de saúde, o mundo da ciência, representado por médicos, infectologistas, agentes de saúde são unanimes em assegurar, com fervorosa convicção e profunda indignação, que os casos fatais e os de pessoas  infectadas poderiam ter sido bem menores, não fossem os atos falhos cometidos em demasia pelos encarregados institucionalmente da condução do processo de enfrentamento da tragédia. Revelaram tibieza, foram morosos na adoção das medidas preventivas, negligentes em procedimentos básicos. À incapacidade operacional ainda se juntou o indesculpável negacionismo científico evidenciado em decisões tomadas ao arrepio do bom-senso e da respeitabilidade profissional. Uma pergunta perturbadora fica entalada na garganta da gente do povo: Quantas vidas preciosas poderiam ter sido salvas se a atuação dos órgãos competentes não houvesse enveredado por rumos equivocados, mais do que isso, por caminhos desastrados?

O relatório da CPI do Senado, enfeixado em mais de 1000 páginas, vai provocar, obviamente, agitação e discussões políticas bastante acesas. Há de se esperar de todos os protagonistas, acusadores, acusados, investigadores, investigados, serenidade e senso de justiça, de modo a assegurar que os desdobramentos permaneçam rigorosamente sintonizados com os ditames institucionais.

De outra parte, faz-se imperioso que fatos e providências constitucionais decorrentes da CPI possam seguir o seu curso normal, não criando empecilhos à retomada do desenvolvimento. A inflação, o desemprego, a estagnação de negócios, a inexistência de projetos que abram frentes de trabalho, compõem, nesta hora, uma encrenca social e econômica de proporções. As lideranças precisam demonstrar disposição para o diálogo e para o trabalho conjugado que aponte as saídas para as crises. Com as invejáveis potencialidades que ostenta    nosso país não pode continuar registrando, com ou sem pandemia, os índices ridículos de crescimento que o colocam em incômoda classificação na lista dos chamados países emergentes. O lugar que lhe está reservado no concerto das Nações é bem outro. E isso depende de lideranças clarividentes, boas ideias, bons projetos, trabalho, muito trabalho. Coisas que contrastam significativamente com o que anda rolando hoje no pedaço. 

 

As calamidades que nos espreitam


Cesar Vanucci

 

“Colocar a saúde e a justiça social nas discussões.”

(Conclamação da OMS)


Fundamentalistas, negacionistas, teóricos da “terra plana” consideram o aquecimento global e as mudanças climáticas questões de somenos importância. Tratam-nas com desdém. “Explicam” que tudo quanto dito a respeito não passa de “invencionice” de um núcleo de ativistas da ciência mancomunado com gente que tem parte com o tinhoso, empenhada numa conspiração contra as leis naturais, moral e bons costumes.

Maluquices à parte, faz-se imperioso anotar que a negação talibanista não é o único óbice e – com certeza - nem representa o entrave mais contundente à formulação de políticas globais consistentes, eficazes, no enfrentamento das ameaças de catástrofes nascidas dos maus tratos e desmazelos com relação à Natureza e biodiversidade.

A ciência denuncia o que está acontecendo. As grandes lideranças ouvem com aparente atenção as advertências e recomendações. Mas a sensação que fica passado o alvoroço das revelações perturbadoras, é que o alarma entra por um ouvido e sai pelo outro, sem desencadear as ações práticas almejadas. Os governantes em condições de intervir no processo de defesa do meio ambiente fazem pronunciamentos vibrantes, anunciam providências urgentes, assinam pactos em torno de medidas preventivas a serem adotadas com prazo determinado. O tempo passa e tudo continua como dantes no quartel de Abrantes...

Mesmo percebendo que seus clamores não encontram a devida receptividade, mas conscientes de que as questões levantadas dizem respeito inexoravelmente aos direitos fundamentais, à própria sobrevivência humana, cientistas, ambientalistas e lideranças dotadas de bom-senso e lucidez de espírito continuam a promover a divulgação de seu SOS sobre   as calamidades de ordem social e econômica que nos espreitam.

No comentário anterior, anotamos a divulgação recente, de dois documentos de rico conteúdo científico, elaborados pela OMS e por cientistas renomados de todos os continentes, precedendo à COP26 - Conferência Sobre Mudanças Climáticas da ONU, em Glasgow, Escócia. 

Extraímos da manifestação da agência da ONU dez prioridades apontadas como relevantes numa articulação mundial bem fundamentada de estratégias voltada para proteger a humanidade das ameaças do aquecimento global e mudanças climáticas. Estes os pontos abordados: 1. comprometimento com uma recuperação saudável, ecológica e justa da Covid-19; 2. assegurar que a COP26 seja a 'COP da Saúde', colocando a saúde e a justiça social no centro das discussões; 3. priorizar as intervenções climáticas com os maiores ganhos de saúde, sociais e econômicos; 4. construir sistemas de saúde resilientes ao clima e apoiar a adaptação da saúde em todos os setores; 5. garantir a transição para energias renováveis, para salvar vidas da poluição do ar; 6. promover projetos urbanos e sistemas de transporte sustentáveis ​​e saudáveis; 7. proteger e restaurar a natureza e os ecossistemas; 8. promover cadeias de abastecimento de alimentos sustentáveis ​​e dietas para resultados climáticos e de saúde; 9. garantir a transição para uma economia de bem-estar; 10. mobilizar e apoiar a comunidade de saúde na ação climática.

Do outro documento – “Carta Aberta” dos cientistas – extraímos também conceitos que conclamam todos, a amadurecida reflexão. Aqui estão. “A crise climática é a maior ameaça à saúde que a humanidade enfrenta. Enquanto profissionais de saúde e agentes de saúde, reconhecemos a nossa obrigação ética de falar abertamente sobre esta crise em rápido crescimento, que poderá ser bastante mais catastrófica e duradoura do que a pandemia da Covid-19. Exortamos os governos a assumirem as suas responsabilidades, protegendo os seus cidadãos, vizinhos e gerações futuras contra a crise climática. Onde quer que prestemos cuidados, nos nossos hospitais, clínicas e comunidades de todo mundo, estaremos já a dar uma resposta aos danos para a saúde que as alterações climáticas provocam.”

Como já dito, é preciso atentar para os recados da Natureza.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

 Atentar para os sinais

Cesar Vanucci

 

“A humanidade está ameaçada”.

(Alerta da OMS e de cientistas)

Valho-me, nesta introdução, de sugestivo texto de Robert Frost, relativo aos sinais emitidos pela Natureza, para suavizar um pouco o tema perturbador aqui trazido à reflexão do distinto leitorado. O poeta estadunidense toma a palavra: “Quantas vezes trovejou antes que Franklin compreendesse o sinal! Quantas maçãs caíram na cabeça de Newton antes que compreendesse o sinal! A Natureza nos manda sinais constantemente, repetidas vezes. E, de repente, nós percebemos o significado deste sinal.”

Frequentes, ruidosos, crescentemente ameaçadores, os sinais estão sendo captados por gente da ciência, da ecologia, das lideranças verdadeiramente comprometidas com o bem-estar social. Cuidam elas, conscientes de sua missão no contexto civilizatório, de expedir alertas bem fundamentados sobre os sinistros riscos que andam rondando a humanidade em consequência dos ininterruptos desatinos praticados contra o meio ambiente. Os desmandos são cometidos em nome de ganancia desenfreada e de feroz utilitarismo, que subjugam, implacavelmente, em favor de minorias, os sagrados e superiores interesses da coletividade.

No mais recente relatório produzido pela Organização Mundial de Saúde é enfatizado, em termos peremptórios, que as mudanças dos eventos climáticos extremos ceifaram milhares de vidas nos últimos anos. As modificações no tempo e no clima também estão ameaçando a segurança alimentar e aumentando as doenças transmitidas por alimentos, água e vetores, além de afetar negativamente a saúde mental de populações. Este novo documento elaborado pela referida instituição sustenta que as alterações operadas no clima são uma das emergências de saúde mais graves antepostas ao desenvolvimento social e econômico do planeta.

Paralelamente à manifestação da OMS, acaba de ser ainda divulgada uma carta aberta que traz como signatários profissionais da saúde de todos os continentes. Nela, 300 organizações, representantes de pelo menos 45 milhões de profissionais de saúde, apelam por empenho da comunidade internacional para ações climáticas de sentido propositivo.

Ambas publicações antecedem a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP26), defendendo que as interseções entre saúde e mudanças climáticas sejam incluídas na agenda dos debates no curso do evento.

No relatório da OMS é acentuado ainda que “Compromissos nacionais ambiciosos sobre o clima são cruciais para os Estados manterem uma recuperação saudável e verde da pandemia da Covid-19”.

A manifestação contempla os resultados de avolumado número de pesquisas que confirmam as incontáveis e inseparáveis ​​ligações entre o clima e a saúde. O documento descreve, além disso, como ações transformadoras em todos os setores, desde energia, transporte e Natureza, até sistemas alimentares e financiamento, são necessários para proteger a saúde das pessoas.

“A pandemia da Covid-19 nos revelou as ligações íntimas e delicadas entre humanos, animais e nosso meio ambiente”, pontuou o porta-voz da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “As mesmas escolhas insustentáveis ​​que estão matando nosso planeta estão matando pessoas”, aduziu.

Tanto o relatório da agencia da ONU, quanto a carta aberta dos homens da ciência, vêm num momento em que eventos climáticos extremos sem precedentes e outros impactos climáticos estão agredindo, de forma inclemente, cada vez mais, a todos seres vivos. Ondas de calor, tempestades e inundações arrebataram milhares de vidas e perturbaram milhões de outras, ao mesmo tempo que afetaram os sistemas de saúde, as redes hospitalares e centros de atendimento médico em momentos cruciais.

Noutro ponto das abordagens feitas pela agência da ONU é salientado que “A queima de combustíveis fósseis está nos matando e a mudança climática é a maior ameaça à saúde que a humanidade ora enfrenta”. Diz mais o documento: “Embora ninguém esteja a salvo dos impactos das mudanças climáticas na saúde, eles são desproporcionalmente sentidos pelos mais vulneráveis ​​e desfavorecidos”.

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

 





A vastidão cósmica e a pretensão humana no processo negacionista da vida extraterrestre

 

Marco Antônio Petit *


Na imagem que ilustra essa postagem uma diminuta área da esfera celeste equivalente a 1/10 do tamanho aparente médio da Lua Cheia pelo telescópio Hubble. O que vemos nessa foto?

Galáxias, galáxias em todos os lugares – até onde o telescópio espacial da NASA pode ver. Essa pequena área do céu comporta quase 10.000 galáxias. É uma das imagens de luz visível mais profundas do cosmos. Chamado de Hubble Ultra Deep Field, esta visão repleta de galáxias representa uma amostra “profunda” do núcleo do universo, cortando bilhões de anos-luz.

Á área focada fica na constelação de Fornax, e nela não existem praticamente estrelas da Via-Láctea (a nossa galáxia), ou seja, a quase totalidade dos “pontos” de luz nessa imagem são realmente galáxias e a maioria possui cerca de centenas de bilhões de sóis ou estrelas, e provavelmente um número maior ainda de planetas, se usarmos como parâmetro os números que possuímos hoje de exoplanetas em nossa região cósmica.

O instantâneo inclui galáxias de várias idades, tamanhos, formas e cores. As menores galáxias, mais vermelhas, cerca de 100, podem estar entre as mais distantes conhecidas, existindo quando o universo tinha apenas 800 milhões de anos. As galáxias mais próximas – as espirais e elípticas maiores, mais brilhantes e bem definidas – prosperaram a cerca de 1 bilhão de anos atrás, quando o cosmos tinha 13 bilhões de anos.

Em contraste vibrante com a rica colheita de galáxias espirais e elípticas clássicas, há um “zoológico” de galáxias estranhas espalhadas pelo campo. Alguns desses representantes parecem palitos de dente; outros parecem estar interagindo. Essas galáxias excêntricas narram um período em que o universo era mais jovem e caótico, quando sua estruturação estava apenas começando a emergir.

As observações do Ultra Deep Field, feitas pela Advanced Camera for Surveys, representam uma visão estreita e profunda do cosmos, mas que revela a grandiosidade do existir e do próprio universo e ao mesmo tempo diante dessa realidade e olhando para mente de alguns que habitam esse planeta como pode ser limitada ainda a mente humana, que não percebe que as possibilidades de vida e sua interação direta com a própria evolução do cosmos pode e parece ser sua maior inspiração.

As noções sobre a pluralidade dos mundos habitados não estão baseadas apenas na grandeza do universo como alguns imaginam, mas em sua constituição UNA, em todos os sentidos possíveis. Desde que começamos a decompor a luz das estrelas nas análises espectrais e, portanto, das galáxias, que sabemos que os mesmos átomos, ou elementos químicos que conhecemos na Terra, incluindo aqueles relacionados diretamente a existência de vida estão em cada ponto de luz dessa mesma imagem.

E a questão dos UFOs, e das ideias ligadas a presença extraplanetária ou dos extraterrestres chegando a Terra? Para alguns isso simplesmente é um absurdo, pois “não existe tecnologia para vencer os abismos cósmicos entre as estrelas por conta do limite da velocidade da luz”. Supostamente nossa ciência não teria encontrado ainda uma explicação para vencer esta dificuldade. Mas de que tecnologia estamos falando? Nosso desenvolvimento tecnológico possui pouco mais de 100 anos e sabemos que são bilhões de anos mais velhos que o nosso sol e a própria Terra onde a vida teve certamente muito mais tempo para surgir e evoluir. E não existiria mesmo uma prova de vida extraterrestre ou da presença de civilizações avançadas chegando ao nosso sistema solar, ou à Terra? Uma das respostas que gosto de dar é que a maior prova de vida extraterrestre é nossa própria presença no planeta. Issó para alguns que certamente ainda se questionam se estão sozinhos no universo certamente não é sério, mas isso não me preocupa.

O que na verdade causa preocupação é o que inúmeras vezes me foi perguntado, inclusive em programas da televisão brasileira. Existe Vida Inteligente mesmo fora da Terra? A referida pergunta feita em um tom que revelava, que uma resposta positiva minha seria considerada algo plenamente questionável. Na última dessas oportunidades não resisti a esse exemplo de ignorância no sentido literal do termo e preferi responder a jornalista com outra pergunta, que seria considerada pelos negacionistas também algo reprovável:

EXISTE MESMO VIDA INTELIGENTE NA TERRA?

 * Escritor, investigador de fenômenos transcendentes

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

 

Amazônia ameaçada

 

Cesar Vanucci

 

“Em 33 anos, a área devastada foi do tamanho do Chile.”

(Estudo do MapBiomas Amazônia)

 

Por mais que, em falas oficiais, se insista na negação da realidade dos fatos, o bioma amazônico acha-se sob grave ameaça, não é de agora. Informe recente registra que a chamada “Pam-Amazônica” perdeu 724 mil km2 de cobertura florestal e vegetal, entre os anos de 1985 e 2018.

A área mencionada equivale a todo o território do Chile. Mais: aos territórios somados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A divulgação desses chocantes dados foi feita pelo “MapBiomas Amazônia”. 61,8% do bioma Pan-Amazônico acham-se localizados no Brasil, país que se viu desprovido, com a devastação, de 624 mil km2 da cobertura florestal no período, sendo de longe o mais prejudicado no tocante à questão. Os outros países afetados são Bolívia, Peru e Colômbia. Segundo a mesma fonte, a maior parte do desmatamento decorre do avanço das atividades agrícolas e pastoris. O aumento das atividades, no curso de tempo mencionado, foi de 172%. No Brasil, a área destinada a práticas agrícolas passou de 319 mil Km2, em 1985 para 960 mil km2, em 2018.

No dia anterior ao pronunciamento do Presidente da República Jair Bolsonaro, na sessão de abertura dos trabalhos da ONU, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) assinalou que o volume de queimadas na Amazônia havia sido de 19,6%, o maior já observado, desde 2007, em um mês de junho. O registro do órgão técnico contrastou, de alguma maneira, com as declarações do supremo mandatário brasileiro ao frisar, durante a reunião de cúpula dos Chefes de Estado, seu intento de “desfazer opiniões distorcidas” sobre a atuação oficial na proteção do bioma amazônico e dos povos indígenas da floresta.

 

. Talibanistas. O talibanismo é, na essência, igual em todas as partes do mundo onde possui aguerridos adeptos. As extravagâncias cometidas podem, todavia, às vezes, variar de um lugar para outro. Talibanistas do Afeganistão expediram ordem de proibição, anunciando severa punição para quem ouse desrespeitá-la, aos cidadãos do país, para que não mais aparem os fios de barba. Os do Brasil continuam a propagar, sobretudo nas redes sociais, que a vacina contra a Covid-19 adoece, mutila, mata, quando não provoca o aparecimento de escamas no cotovelo, no joelho, no tornozelo, nas orelhas e nas chamadas partes pudendas, minha nossa!...

 

Imigrantes. O presidente Joe Biden, dos Estados Unidos, está anunciando medidas substanciais de abrandamento na política de imigração vigentes no país. Promessas nesse sentido haviam sido formuladas no curso da campanha que o conduziu à Casa Branca. Críticas contundentes ao tratamento dispensado, no governo Donald Trump aos imigrantes representaram prenúncio dessas alterações. As cenas chocantes registradas no aeroporto de Cabul e, pouco tempo depois, as imagens impactantes da repressão aos haitianos no Texas reforçaram a disposição de se partir logo para as mudanças. A presunção é de que, daqui pra frente, a situação dos imigrantes seja enxergada com olhares mais benevolentes, sem ocorrências que agridam a dignidade humana, como tantas vezes já aconteceu.

 

Denúncias. As denúncias contra a “Prevent Sênior”, levadas por um grupo de médicos à CPI do Senado, são de estarrecer um frade de pedra, como era de costume dizer-se em tempos de antigamente. A manifestação deixa evidente o posicionamento escancarado dos mentores da organização favorável ao negacionismo científico, inconcebível numa organização de presença realçante na assistência à saúde. Além disso, revela disposição descabida da empresa em obter lucratividade bem mais elevada com a substituição dos medicamentos recomendados pelos protocolos médicos ministrados aos pacientes sob seus cuidados. Essa questão vai render ainda muito pano pra manga.

 

Tópicos da atualidade

 

Cesar Vanucci  


“Uma obscenidade!”

(Antônio Guterres, Secretário Geral da ONU, comentando a falta de solidariedade mundial em relação a África, nestes tempos de pandemia)

 

· Frustrante. Decepcionante. Irreal.  Fantasioso. Estas foram as expressões mais brandas vistas nas manchetes, comentários, análises, charges publicados, lá fora e aqui dentro do Brasil, pelos veículos de comunicação ao se referirem ao pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na sessão solene de abertura dos trabalhos da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Como reza a tradição, ao representante brasileiro é atribuída, todos os anos, a honrosa tarefa de fazer uso da palavra em primeiro lugar, na cerimônia inaugural aludida, que reúne chefes de estado de todos os países do mundo.

Anoto, com convicção, que em décadas de labuta jornalística, sempre atento (a distância) à fala do representante brasileiro no evento, jamais haver presenciado reação desfavorável tão compacta, proveniente de fontes tão diversificadas, como a que, agora, se seguiu às declarações feitas pelo dirigente do Brasil na tribuna daquela respeitável instituição. As informações, conceitos, os dados e números apresentados produziram desagrado, pra dizer o mínimo, até em fileiras simpáticas ao supremo mandatário.

 

· Obscenidade. A expressão “obscenidade”, proferida em tom vigoroso, enfatizando cada sílaba, foi utilizada pelo secretário geral da ONU, o português Antônio Guterres, para classificar a mais recente “calamidade humanitária’ que se abate sobre a maltratada África, berço da ancestralidade de boa parte da população brasileira. Ele se referiu, com compreensível indignação, ao total abandono a que está sendo relegado aquele continente por parte do resto do mundo, com destaque para as superpotências, diante da avassaladora pandemia da Covid-19. Funciona assim desde tempos imemoriais. Esquecida dos homens e dos próprios deuses, a África maltrapilha sofre nas entranhas permanente dilaceramento provocado pela ação espoliativa de grandes corporações representativos de uma geopolítica insensível e cruel. A solidariedade internacional revela-se sempre morosa quando se trata de acudir o território africano em momentos dramáticos como os de agora. O auxílio mundial para o combate à Aids, anos atrás, só começou a ganhar forma depois que a enfermidade adquiriu características pandêmicas. Com menos de 4% da população africana até aqui vacinada, no caso da Covid, o que vem ocorrendo naquele continente desprotegido, à mingua de recursos mínimos para o enfrentamento decente ao flagelo, não passa mesmo – Guterres está coberto de razão – de uma atordoante obscenidade.

 

· Indecoroso. E não é que S.Exa., o ministro da Saúde Marcelo Queiroga deixou-se também contaminar pelo coronavírus da intolerância que grassa solto nas rodas palacianas! Em Nova Iorque, onde acompanhou o presidente Bolsonaro na vexatória visita à ONU, ocasião em que pegou a Covid-19, sendo obrigado a cumprir quarentena, num hotel de luxo, diante do aturdimento dos repórteres que cobriam o evento, resolveu, insolentemente, erguer o braço direito com o dedo médio em riste em “resposta” indecorosa às críticas de um grupo de manifestantes às ações do Governo Brasileiro. Interpelado a respeito do insólito gesto, assim se “justificou”: “Quem diz o que quer, ouve o que não quer!” Ora, veja, pois...

 

Vacina. A mídia internacional deu destaque à imagem do presidente dos EUA, Joe Biden, arregaçando a manga da camisa para aplicação no braço da terceira dose, também chamada “dose de reforço”, contra o coronavírus. A mídia internacional deu destaque à imagem em que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, despojado de máscara, ao lado do primeiro ministro do Reino Unido (munido de máscara), se jactou de não haver tomado vacina alguma contra a tal da “gripezinha” ...

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

 Desmatamento e aquecimento, mistura explosiva

 

Cesar Vanucci

 

“O regime de chuvas entrará em colapso.”

(Paulo Nobre, pesquisador do Inpe)

 

Nada disso. Não se trata de informação distorcida. Tampouco de suposição sem fundamento, formulada com maléfico intuito de comprometer a imagem do país no panorama internacional. A verdade nua e crua, vastamente documentada, justificando o clamor que se ouve, aqui dentro e lá fora, chama a atenção permanentemente para atos de predação e devastação praticados impunemente por aventureiros de toda espécie, que colocam sob graves riscos o fabuloso bioma amazônico.

Ambientalistas, cientistas, vozes exponenciais das lideranças engajadas em causas humanitárias alertam para o perigo. Mas essas manifestações de lucidez e bom-senso parecem não sensibilizar as autoridades competentes, que se furtam ao dever de articular um projeto de desenvolvimento de grande envergadura para o colossal território amazônico, de modo a estabelecer as salvaguardas necessárias de proteção de suas incomparáveis riquezas.

A ameaça de destruição do bioma leva a uma outra ameaça, mais sinistra ainda. É representada pela inocultável cobiça estrangeira, que projeta olhar guloso em áreas reconhecidamente valiosas da exuberante região. Fica claro que esses interesses nebulosos, rechaçados pela consciência nacional, dão eco aos justos protestos que se erguem em prol da preservação da maior floresta do mundo, dadivoso patrimônio confiado, no Projeto da Criação, à guarda soberana do Brasil. É imperioso que em sua missão institucional, a direção do país cuide zelosamente do bioma amazônico. Desenvolva na chamada Amazônia legal projetos de desenvolvimento social rigorosamente afinados com os conceitos ecológicos, enfrentando com rigor toda e qualquer tentativa de agressão a esses sagrados valores. Enquanto isso não sucede, para contrariedade e desassossego de todos nós, para inconformismo de cientistas, ambientalistas, de gente engajada nas empreitadas humanísticas, que visam conquistas de melhores níveis de bem-estar para o ser humano; enquanto não acontece a ardentemente almejada movimentação dos poderes governamentais no sentido de acordarem para suas indeclináveis responsabilidades quanto ao assunto, as manchetes continuarão a divulgar situações perturbadoras, como as alinhadas na sequência.

Desmatamento e aquecimento global: eis aqui uma mistura explosiva que coloca em imenso perigo a Natureza, a economia e a vida humana na Amazônia. Atordoante anúncio acaba de ser trazido em estudo, divulgado na revista “Nature”, pela Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e Universidade de São Paulo. A temperatura na Amazônia poderá elevar-se proximamente em até 11,5 graus, o que implica em riscos extremos à sobrevivência. As simulações procedidas, com base em dados alusivos às tendências climáticas, apontam a possibilidade catastrófica de transformação da Amazônia de floresta tropical úmida para cerrado, com elevação da temperatura média, na sombra, em até mais 5 graus, numa perspectiva menos negativa. Noutras avaliações, assinala o estudo, o aumento da temperatura pode ir de 7,5 graus a 11,5 graus. Aumento de temperatura nesses patamares, assinalam os pesquisadores, tem efeito extremamente danoso na saúde humana.

 “O estresse causado pelo calor excessivo é muitíssimo perigoso para humanos, incluído o aumento do risco de condições intoleráveis para atividades na sombra e risco intenso de doenças causadas pelo calor”, assegura o estudo. Para além dos riscos para a saúde, que diminuiriam a capacidade de trabalho e de sobrevivência de uma população, que, em muitos casos, já tem dificuldades para viver, uma mudança desse nível tem impactos diretos na capacidade econômica da região. Lembra o estudo ainda que a própria atividade que hoje se beneficia da destruição das florestas seria fatalmente atingida. O regime de chuvas entrará em colapso. Chegará a uma redução de 80% no centro da Amazônia e a uma redução de 50% no centro-oeste do território, de acordo com estimativa de Paulo Nobre, pesquisador do Inpe, um dos autores do estudo.

 

 

SOS Mata Atlântica

 

 Cesar Vanucci

“A floresta em torno das nascentes é essencial para garantir a quantidade de água.”

(Márcio Reis Rosa, coordenador do Projeto “MapBiomas”)

Nem todo mundo, mesmo entre gestores de órgãos institucionalmente inseridos nos esquemas de preservação do meio ambiente, têm consciência plena da importância vital da Mata Atlântica no processo que assegura conforto e bem-estar aos brasileiros.

Estudo recentemente divulgado revela os efeitos produzidos por esse bioma, o mais ameaçado do Brasil, nas atividades relacionadas com o abastecimento de água, o fornecimento de energia elétrica, produção de alimentos e o saneamento básico em áreas povoadas. Imagens obtidas por satélite, num mapeamento inédito da Mata Atlântica, trazem informações circunstanciadas a respeito do que, ao longo de três décadas, vem acontecendo nos territórios abrangidos pela Mata Atlântica. Da cobertura vegetal original resta hoje apenas um quarto. A área corresponde ao que foi ocupado por pastagens. Outras atividades econômicas respondem por quase 40% do espaço.  O levantamento constatou ainda o seguinte: as florestas que asseguram proteção às nascentes e às margens dos rios existentes na Mata Atlântica permanecem praticamente inalteradas, representando, na hora presente, 25% da cobertura vegetal do bioma. Tal registro nunca deixou de suscitar preocupação. A situação de risco vai se fazendo, com o rolar dos anos, ainda mais grave, a se levar em conta o crescimento populacional e a demanda, via de consequência, cada vez maior de água e energia.

A séria ameaça enfrentada pode ser resumida na explicação dada ao “Jornal Nacional” pelo coordenador do Projeto “MapBiomas”, Márcio Reis Rosa: “A floresta em torno das nascentes é essencial para garantir a quantidade de água, mas ela tem também um efeito de filtrar o sedimento que chega no rio. Então, sem essa floresta a gente está falando de rios mais poluídos, com mais sedimentos e isso vai para dentro dos reservatórios, vai diminuir vida útil dos reservatórios que abastecem as cidades e que geram energias”.

É função primordial da Mata Atlântica manter o ciclo hidrológico e ajudar os rios a minimizarem o impacto das mudanças climáticas, como lembra Malu Ribeiro, dirigente do “SOS Mata Atlântica”.

Diante das evidências de que a cobertura de vegetação nativa vem sofrendo redução nas bacias dos rios Grande e Paraná, em função de desmatamento, seca e falta de chuva, é fácil imaginar as proporções das ameaças que rondam o bem-estar de parcela considerável da população brasileira.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

 

Sabedoria invulgar

 

Cesar Vanucci

 

“Ame até doer.”

(Madre Tereza de Calcutá)

 

 

Este imaculado espaço, minifúndio de papel, como diria o saudoso Roberto Drummond, em que este desajeitado escriba amigo de vocês lança periodicamente suas ideias, crenças e observações acanhadas a respeito das coisas que rolam neste mundo do bom Deus, volta a ser ocupado hoje com as reflexões de dois luminares da história de todos os tempos.

 Com insofismáveis ganhos pros distintos leitores, reproduzimos outra sequência de reflexões brotadas da sabedoria invulgar e lições de vida de Madre Tereza de Calcutá e Mahatma Gandhi.

 Como explicado anteriormente, as magistrais frases alinhadas fazem parte de uma coletânea gentilmente enviada pelo leitor Marcelo Rogério de Castro, valoroso companheiro do Lions Clube.

 Comecemos por Gandhi.

 Vontade indomável.A força não provém de uma capacidade física e sim de uma vontade indomável.”

Voz silenciosa. “O único tirano que aceito nesse mundo é a pequena voz silenciosa que há dentro de mim.”

Mensagem. “Que a nossa mensagem seja a nossa própria vida. Se cuidamos do hoje, Deus cuidará do amanhã.”

Tolerância mútua. “A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos”.

Religião é caminho. “As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo?”

Cegueira humana. “Olho por olho, e o mundo acabará cego”.

Ira controlada. “Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo”.

Sobre o perdão. “O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte”.

A vida é um todo. “Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível.”

Riqueza. “Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem, mas não para a sua ambição”.

 

Com a palavra, agora, Santa Tereza de Calcutá.

 Amor. “Encontrei um paradoxo, que se você amar até doer, não poderá haver mais dor, somente amor.”

Amor de novo. “Se você julga as pessoas, não tem tempo de amá-las.”

Amor ainda. “Nesta vida, não podemos realizar grandes coisas. Podemos apenas fazer pequenas coisas com um grande amor.”

Mais amor. “Não sei ao certo como é o paraíso, mas sei que quando morrermos e chegar o tempo de Deus nos julgar, Ele não perguntará quantas coisas boas você fez em sua vida, Antes ele perguntará quanto amor você colocou naquilo que fez.”

Outra vez, amor. “Não nos sintamos satisfeitos apenas dando dinheiro. O dinheiro não é suficiente, o dinheiro pode ser obtido, mas eles precisam de seu coração para amá-los. Portanto, espalhe o seu amor por onde quer que vá.”

Gota no oceano. “Nós mesmos sentimos que o que fazemos é uma gota no oceano. Mas o oceano seria menor se essa gota faltasse.”

Favelas. “Outro dia sonhei que estava nos portões do Paraíso. E São Pedro disse, Volte para a Terra. Não existem favelas aqui.”

Pobreza. “Tento dar aos pobres de amor o que os ricos conseguem com o dinheiro. Não, eu não trocaria um leproso por mil pounds; contudo, de boa vontade o curarei pelo amor de Deus.”

Fome maior. “Não ser desejado, não ser amado, não ser cuidado, ser esquecido por todos, isso acredito ser fome muito maior, uma pobreza muito maior do que a de uma pessoa que não tenha nada para comer.”

Sobre o ser humano. “Eu vejo Deus em cada ser humano. Quando limpo as feridas do leproso, sinto que estou cuidando do próprio Senhor. Não é uma experiência maravilhosa?”

Sobre a beleza. “Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona... Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação.”

A SAGA LANDELL MOURA

  Luiz Carlos Abritta   Cesar Vanucci   “A morte é a curva da estrada.” (Fernando Pessoa)   O poeta Fernando Pessoa, volta e m...