sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Torcida única

Cesar Vanucci *

“O esquema de torcida única me faz sentir baita saudade
do Stanislau Ponte Preta, com seu saboroso Febeapá.”
(Antônio Luiz da Costa)

Considero pueris e de aberrante inconsistência as alegações contrapostas à luminosa idéia da torcida única nos estádios em dias de clássicos. É do dever das autoridades coibir, preventivamente, com todo rigor de que sejam capazes, as aprontações baderneiras que possam, eventualmente, ser cometidas pela dúzia e meia de desordeiros presentes a jogos com o propósito de bagunçar o coreto.

O criativo esquema de segurança montado em Belo Horizonte vai, com certeira certeza, levar a FIFA a examinar a possibilidade de sua adoção nas competições que patrocina, incluídas a Copa das Confederações em 2013 e a Copa do Mundo em 2014.

Ponho-me a antever os extraordinários benefícios, do ponto de vista da paz e tranquilidade públicas, que advirão de medida tão sensata. Imaginem só uma disputa entre as seleções da Inglaterra e da Argentina no Mineirão! Mesmo que não seja suscitada a candente pendência em torno das Malvinas, as barulhentas torcidas dos países do confronto esportivo poderão – como não? - se engalfinhar nas cadeiras, arquibancadas, corredores e gerais do acolhedor estádio, ainda recentemente quase que demolido por inteiro para receber estruturas ditas modernosas. A saudável precaução de liberar ingressos apenas para uma das partes teria o mérito de evitar o temido conflito. É certo que ficaria restando para resolver um problema complicado. Com quem ficaria mesmo o direito de marcar presença no local do prélio? Simples, muito simples de resolver. Recorreremos ao tradicional par ou impar, ou ao cara ou coroa da moedinha lançada ao ar, como já se faz nos gramados. Evidente que o sorteio,por qualquer das modalidades, teria que ser acompanhado por representantes das partes, com elaboração de ata das definições, devidamente assinada, rubricada e com firma reconhecida por um respeitável notário da comarca, de forma a não dar vaza a dúvidas quanto a legitimidade do processo. A questão de alojar confortavelmente a torcida impedida de entrar no estádio seria, igualmente, de simples solução. O Independência ficaria aberto para mostrar o jogo em telões, com preço de ingresso promocional.

Analisemos, na sequência, a repercussão da genial decisão sobre torcida única no âmbito estrito da cidade beneficiada pela modelar e acauteladora medida. Alguém andou levantando por aí a hipótese de que os contumazes desordeiros que todos almejamos ver pelas costas nos estádios, com ou sem uniformes de identificação, promoverão estripulias noutras freguesias. Isso pode realmente suceder. Mas até para essa outra possibilidade de quebra do sossego comunitário, existe eficaz remédio. Os órgãos competentes, mirando no mesmo prudente e irrepreensível critério de acesso restrito ao campo de futebol, poderão estabelecer normas que garantam a separação geográfica dos torcedores adversários por bairros, ruas, bares e locais outros de afluência popular. Despontaria, aí, de cara, o risco de se destinar para uma torcida a ocupação de região onde predominasse simpatia pelas cores e emblemas adversários. O empecilho se desvaneceria com uma pesquisa de opinião domiciliar, por amostragem, que apurasse as tendências clubisticas dos moradores. Tem-se como certo que essa titica de probleminha seria, também, nesses moldes, fácil de ser contornada.

Nos desdobramentos de tão salutares ações preventivas, aportaríamos mais adiante – quem sabe? -, o ideal da efetivação de jogo sem torcida alguma. Os portões do estádio permaneceriam, nesse caso, hermeticamente cerrados. O direito de presença nas quatro linhas e imediações seria reservado apenas aos paredros esportivos, atletas, treineiros, auxiliares e integrantes do aparato logístico necessário para que o evento se consumasse. A televisão exibiria imagens das partidas para quem quisesse, cobrando módicas taxas. Se ocorresse, ainda assim, de algum distúrbio pipocar em bar onde os aparelhos estivessem ligados durante as transmissões, seria baixado, incontinentemente, em nome da moral e dos bons costumes, ordem expressa para que naquele recinto não mais se sintonizassem receptores, durante clássicos futebolísticos. Isso aí!


O asilo concedido a Assange

“O Equador mostrou ser um Estado soberano.”
(Ricardo Aroca, ministro equatoriano das Relações Exteriores)

A Grã Bretanha, que indaoutrodia encantava o mundo com impecáveis Jogos Olímpicos, volta a assumir posição de realce no noticiário nosso de cada dia, mas, já agora, em decorrência de desastradas intervenções – impregnadas de intolerância e desafeição a valores democráticos – de sua chancelaria.

O que vem rolando diz respeito à célebre contenda do Wikileaks. Encampando ostensivamente as manobras solertes, de características inquisitoriais, dos infatigáveis perseguidores do jornalista australiano Julian Assange, fundador e editor-chefe de um sitio eletrônico que bagunçou o coreto do poder político em vários cantos do planeta, os dirigentes do Reino Unido lidam com a momentosa questão do asilo concedido pelo Equador como um símio solto em loja de louça. Reduzindo a estilhaços a alegada fleugma para o diálogo, de que tanto se ufana a diplomacia do país, os ingleses apelam para ameaças e intimidações que evocam atitudes de truculência comumente adotadas em regime de características despóticas. O que não é bem o caso da nação de Sua Majestade, com sua reconhecida inclinação para as práticas do jogo democrático. A verdade, porém, é que, no afã de satisfazer o pedido de extradição do governo sueco, inocultavelmente a serviço do desejo de vingança da Casa Branca, interessada em aplicar severa punição no jornalista responsável pelo vazamento de estarrecedoras revelações sigilosas, a Inglaterra nega-se a acatar o asilo assegurado a Assange pelo Presidente Rafael Correa, do Equador. E o que soa ainda pior: arrotando prepotência inquietante, reminiscência talvez dos tempos das aventuras imperiais, ameaça até quebrar a inviolabilidade territorial da Embaixada equatoriana em Londres, retirando dali, na marra, o incômodo jornalista responsável pelas comprometedoras revelações trazidas ao conhecimento público.

O Wikileaks teve acesso a informações confidenciais acerca de episódios estarrecedores envolvendo líderes importantes. Apoderados de ira, os personagens e instituições expostos resolveram promover uma “caça as bruxas”, com o propósito de enquadrar nos devidos conformes o mentor do sitio. Contam para tanto com a prestimosa cumplicidade do governo sueco. A peça de acusação contra Assange chega a ser hilária pela indigência das provas. A acusação de estupro, “ocorrido” tempos atrás em solo sueco, valeu ao jornalista, debaixo de compreensível onda de protestos em todos os rincões do planeta, ordem de prisão emitida pela Justiça inglesa. Colocado em liberdade provisória, a vítima da torpe conspiração não teve como deixar de recorrer a asilo político na Missão do Equador, ao perceber que se avizinhava o momento de sua mais do que certa extradição para a Suécia. A extradição, no ver de respeitados observadores, nada mais representaria do que manobra de fachada para colocar o jornalista sob a custódia dos Estados Unidos, de modo a que seja processado pela divulgação de milhares de telegramas extraídos de arquivos secretos. O material foi repassado, obviamente, por elementos da intimidade palaciana estadunidense. A possibilidade de que, convertida em realidade a transferência, Assange venha a responder, nos moldes dos tribunais de Guantânamo, por “traição” e ser até condenado à prisão perpétua, não é nada desprezável nas avaliações de experientes analistas políticos.

O Equador tem sido muito elogiado pela postura desassombrada que tomou, ao considerar verossímeis os temores de Julian Assange a respeito da perseguição política que lhe é movida. Ricardo Patino Aroca, ministro equatoriano das Relações Exteriores, afiançou dia desses, em entrevista, que “frente à prepotência, à agressão, à intimidação e ao desrespeito aos direitos humanos”, sua nação “não cessará no empenho em promover as relações entre Estados baseadas no respeito mútuo, no respeito à soberania e no respeito aos direitos humanos.”

A posição equatoriana, objeto – repita-se – de louvação no mundo todo, contrasta com o comportamento britânico e de seus parceiros, todos sob foco, neste instante, de inflamadas críticas. Por razões copiosas, acrescente-se.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)


Adelmo, o Prefeito ideal para Uberaba


Adelmo Carneiro Leão, Deputado Estadual (PT-MG) por seis mandatos consecutivos, médico, educador e agricultor, dono de impecável currículo em sua trajetória política, é o meu candidato a Prefeito de Uberaba.
Por sua atuação na defesa das causas sociais, pela dignidade com que encara a missão vocacional que lhe foi outorgada na vida pública, pela luta incessante sustentada em favor da melhoria das condições da saúde e da educação públicas, pelos projetos e realizações de sua autoria voltados para o propósito da construção humana e de um país mais justo e mais fraterno, pelo seu enraizado sentimento democrático e republicano, Adelmo tornou-se personagem de inconfundível realce no cenário político das Gerais. Reúne todas as qualificações desejadas para exercer com brilhantismo o cargo a que se candidata.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Recordando Flash Gordon

Cesar Vanucci *

“O que lembro, tenho.”
(Guimarães Rosa)

Vinte anos atrás, se tanto, uma revista incluiu-me na lista de jornalistas e escritores convidados a indicarem os 20 melhores filmes de todos os tempos. Recordo-me de que os títulos por mim arrolados coincidiram, na maior parte, com os filmes apontados pelas demais pessoas consultadas. Apenas num caso ocorreu discrepância. Fui o único a relacionar entre os filmes mais apreciados as fitas-em-série (como eram chamadas) de Flash Gordon. Fundamentei essa escolha no argumento de que nos fascinantes domínios das criações cinematográficas, em particular, e artísticas, de modo geral, poucas coisas buliram tanto e de forma tão excitante com a mente infantil, quanto as proezas narradas em capítulos do herói de ficção que antecedeu os astronautas da vida moderna.

Ele era visto, semanalmente, nas telas de cinema a singrar o espaço sideral em ruidosa nave com forma de charuto, acompanhado da encantadora Dale Arden, do professor Zarkov e do Príncipe Barin. Cumpria galhardamente a missão de enfrentar as solertes investidas do maligno imperador Ming, do planeta Mongo, com seus abjetos planos de colonização da Terra.

A trama e as ações dos personagens eram, pode-se dizer hoje, bastante simplórias. Os cenários, a se levar em conta os recursos visuais empregados na atualidade pela indústria cinematográfica, revelavam uma simplicidade comovedora. As situações vividas pelos protagonistas anteponham-se a lógica comum. Lembravam um bocado as historietas de quadrinhos. Outro ponto de identificação das fitas em série com os gibis consistia na constatação da solene aversão que Juizes de Menores, educadores e pais nutriam com referencia a essas duas modalidades de entretenimento infantil, encaradas como nefastas na formação educacional. Comissários de menores, compenetrados de sua sagrada incumbência, postavam-se na entrada dos cinemas para impedir a presença de menores de 14 anos. Ficavam ali mode protegê-los dos enormes riscos contidos nas mensagens propagadas nas deletérias aventuras de Flash Gordon.

Nos pátios das escolas havia o costume, também nessa época, de acenderem-se piras de respeitáveis proporções com revistinhas. O nocivo material era localizado nas pastas dos alunos, junto aos livros e cadernos, graças a eficiente monitoramento executado por zelosos encarregados das salas de aula. Em alguns lugares, o fogaréu saneador adquiria aspecto ritualístico. Os pais e os alunos recebiam convites para assistir, ao lado dos professores, a transmutação dos abomináveis impressos multicoloridos em cinzas.

Como são as mudanças comportamentais! Desses processos pedagógicos, numa reavaliação histórica, o que conservamos na atualidade é um registro simplesmente hilário. Os quadrinhos adquiriram status de arte. Os seriados de Flash Gordon são reconhecidos como referencia precursora, tal qual os livros de Julio Verne, nos fascinantes caminhos percorridos pela criatividade humana na busca infindável do sentido da vida. Os produtores do seriado sabiam das coisas. Anteciparam, lá pelos anos 30, as ainda inimagináveis viagens espaciais. Botaram nos céus engenhos voadores tocados a energia nuclear e aparelhados para confrontos bélicos com raio laser. Que poder de imaginação aquele, santo Deus!

Flash Gordon foi protagonizado por Larry Buster Crabbe, nadador que integrou a equipe olímpica estadunidense. A primeira série de fitas, lançada em 1936, custou algo equivalente a 350 mil dólares, uma fortuna para a época. Em 1938, novos capítulos foram lançados. O herói cosmonauta, desta feita, salvou o planeta de uma ofensiva extraterrena articulada por seres de argila, procedentes de Marte, empenhados em retirar o nitrogênio da atmosfera. No derradeiro seriado, o Imperador Ming reapareceu como vilão. Flash Gordon não permitiu, destemidamente, que ele infectasse a Terra com um vírus mortal.

O papel de Dale Arden nos seriados foi vivido por Jean Rogers, pelos padrões de beleza da época uma mulher estonteante. Povoou com meiga presença nas trepidantes aventuras do pioneiro em viagens espaciais os sonhos da meninice de muita gente.


Meu candidato a Prefeito de Uberaba



Adelmo Carneiro Leão, Deputado Estadual (PT-MG) por seis mandatos consecutivos, médico, educador e agricultor, dono de impecável currículo em sua trajetória política, é o meu candidato a Prefeito de Uberaba.
Por sua atuação na defesa das causas sociais, pela dignidade com que encara a missão vocacional que lhe foi outorgada na vida pública, pela luta incessante sustentada em favor da melhoria das condições da saúde e da educação públicas, pelos projetos e realizações de sua autoria voltados para o propósito da construção humana e de um país mais justo e mais fraterno, pelo seu enraizado sentimento democrático e republicano, Adelmo tornou-se personagem de inconfundível realce no cenário político das Gerais. Reúne todas as qualificações desejadas para exercer com brilhantismo o cargo a que se candidata.


  
Operações clandestinas rendosas


“Enorme buraco negro na economia mundial!”
(Frase cunhada pelo economista Mckinsey James Henry, coordenador de uma pesquisa internacional sobre a dinheirama aplicada clandestinamente nos paraísos fiscais)


O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro é estimado, hoje, em R$ 4.2 trilhões. Isso nos assegura o sexto lugar entre as mais pujantes economias do mundo.

Informações liberadas pela organização “Tax Justice Network”, com base em estudo encomendado a consultores especializados em levantamentos sobre aplicações de recursos privados nos negócios internacionais, dão conta de que algo equivalente a quase 30% da riqueza nacional (estimada pelo Banco Central) acha-se depositado, neste preciso instante, por patrícios nossos bem abonados financeiramente, nos chamados “paraísos fiscais”. A apuração desses números, reunidos no trabalho intitulado “The Price of offshore Revisited”, resulta de um meticuloso mapeamento dos volumosos recursos, procedentes de dezenas de países, lançados de forma clandestina – já que não declarados aos órgãos da fiscalização – em contas secretas em lugares onde viceja, estimulado por espúrias conveniências políticas e financeiras, esse processo fraudulento de ocultação de bens. Lugares como Suíça, Ilhas Cayman e outros mais, onde negócios escabrosos são movimentados à pamparra, em meio a reações hipócritas das instituições bancárias envolvidas e debaixo da indiferença conivente dos “donos do mundo”.

Para se chegar ao cálculo que confere ao Brasil “honroso” quarto lugar no mundo inteiro em matéria de evasão de dinheiro – um dinheiro, obviamente, de origem suspeitosissima -, os responsáveis pela pesquisa se louvaram em elementos fornecidos pelo Banco de Compensações Internacionais, FMI (Fundo Monetário Internacional), Banco Mundial, além de organismos governamentais dos países prejudicados.

O montante correspondente aos ricaços brasileiros é de 1 trilhão e 5 milhões de reais (em dólares 520 bilhões). Ficamos na relação atrás apenas dos milionários chineses (2 trilhões e 200 bilhões de reais), russos e coreanos (1 trilhão, 596 bilhões). Os números referentes a essas fortunas não oficialmente admitidas, considerado um universo de 139 países com 10 milhões de “investidores”, chegam à espantosa soma, no total, de 42 trilhões de reais. Mas isso, advertem os pesquisadores, num cálculo bastante conservador. Não será exagero estimar – acrescentam eles - que o montante possa elevar-se a 64 trilhões de reais. Valor correspondente, mais ou menos, a 15 vezes o PIB brasileiro.

Classificando essa riqueza privada não contabilizada de “enorme buraco negro na economia mundial”, os autores do estudo calculam ainda que essas ações de ludibrio fiscal levam a uma sonegação de impostos, nos países prejudicados, da ordem de 380 a 560 bilhões de reais. No caso especifico de nosso país, os depósitos clandestinos de ilustres patrícios no exterior equivalem a quase 20 vezes o dinheiro destinado orçamentariamente ao programa “Brasil sem miséria” no exercício de 2012.

Equivale também a mais da metade das aplicações previstas para o PAC2 (Programa de Aceleração do Crescimento) em todo o quatriênio governamental.

Nessa rendosa operação que suga, de forma desalmada, parte substanciosa dos recursos nacionais, em tantos lugares, traficantes, bandidos do “colarinho branco”, malversadores do dinheiro público, milionários despojados de sensibilidade e responsabilidade sociais encontram prestimosa colaboração da poderosa engrenagem bancária, que oferece mundos e fundos em suas frenéticas disputas pela captação da dinheirama mal adquirida.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Meu candidato a Prefeito de Uberaba



Adelmo Carneiro Leão, Deputado Estadual (PT-MG) por seis mandatos consecutivos, médico, educador e agricultor, dono de impecável currículo em sua trajetória política, é o meu candidato a Prefeito de Uberaba.
Por sua atuação na defesa das causas sociais, pela dignidade com que encara a missão vocacional que lhe foi outorgada na vida pública, pela luta incessante sustentada em favor da melhoria das condições da saúde e da educação públicas, pelos projetos e realizações de sua autoria voltados para o propósito da construção humana e de um país mais justo e mais fraterno, pelo seu enraizado sentimento democrático e republicano, Adelmo tornou-se personagem de inconfundível realce no cenário político das Gerais. Reúne todas as qualificações desejadas para exercer com brilhantismo o cargo a que se candidata.


Uma brasileira no pódio científico

Cesar Vanucci *

“Trabalhamos na fronteira máxima do conhecimento.”
(Cientista Miriam Tendler)

Uma epidemiologista brasileira, Miriam Tendler, do Instituto Oswaldo Cruz, foi alçada recentemente ao pódio da pesquisa cientifica e o seu feito, considerado extraordinário, não mereceu, desconsoladoramente, o destaque a que faz jus na divulgação midiática. Coube-lhe o mérito de haver desenvolvido a primeira vacina do mundo contra a esquistossomose. Essa doença endêmica, causada por parasitas, causa devastações de monta em todo o planeta. Só no Brasil, o número de pessoas enfermas é calculado em dois milhões e quinhentos mil.

Miriam lembra que nosso País figurou sempre no centro das pesquisas ligadas à produção de vacinas. Só que “de maneira muito cruel”. Explica: “Nossa contribuição era de ter as doenças”.

O seu trabalho estendeu-se por três décadas. Em declarações à revista “IstoÉ”, a cientista assinalou que “trabalhamos na fronteira máxima do conhecimento e com altíssima tecnologia para criar a primeira vacina 100% nacional”.

Nessa história toda da extraordinária conquista da ciência brasileira há que se estranhar não tenha o fato recebido por parte da grande mídia a atenção devida. Com tanta “celebridade instantânea”, sem currículo digno de consideração frequentando rotineiramente as colunas e manchetes, bem que poderia ter havido uma tentativa qualquer no sentido de se arranjar espaço mais dilargado para o relato do histórico acontecimento, não é mesmo?


O Deputado Miro Teixeira fez uma denuncia da maior gravidade, que não encontrou inexplicavelmente repercussão à altura no noticiário nosso de cada dia. Segundo ele, o sigilo fiscal de Dilma Rousseff foi quebrado no andamento da campanha eleitoral em que ela se tornou Presidenta da República. Num outro momento, posterior à campanha de 2010, de acordo com o mesmo parlamentar, interceptações clandestinas, de origem ainda não especificadas, promoveram também a quebra do sigilo telefônico de dezenas de políticos com assento no Congresso Nacional. As graves ocorrências foram levadas ao conhecimento do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, ao que o próprio Miro Teixeira informou.
Nas rodas políticas nacionais muitas especulações são feitas a respeito de quem poderia estar atrás dessas repulsivas operações criminosas. A expectativa é de que o Ministério da Justiça, valendo-se dos eficientes recursos de investigação da Policia Federal, possa apontar os autores da trama e suas pérfidas motivações.
Comenta-se abertamente que a gangue do notório Carlinhos Cachoeira teria participado dessas jogadas execráveis, interessada em coleta de informações que pudessem vir a ser comercializadas. É hipótese que não pode deixar de ser considerada, a levar-se em conta os antecedentes do perigoso e articulado grupo.
De qualquer maneira, enquanto a história não é deslindada pelos órgãos competentes, a opinião pública lança no ar uma indagação de total pertinência: por qual razão os grandes veículos de comunicação não deram, até aqui, aos fatos narrados a atenção que, por razões óbvias, fazem merecer.


Paulo Maluf tem negado, reiteradas vezes, pondo fervorosa convicção na fala, possuir contas bancárias no exterior.
Nada obstante, nas Ilhas Jersey – um dos redutos mais procurados no exterior para a guarda, em contas secretas, de dinheiro obtido por malversadores de fundos públicos de todas as partes do mundo – uma corte judiciária vem analisando, no momento, um processo pela disputa da polpuda soma de 22 milhões de dólares no qual o ex-Governador e ex-Prefeito de São Paulo figura como parte. A outra parte no litígio é a Prefeitura de São Paulo, interessada em reaver a importância sob a alegação de que o dinheiro foi desviado de seus cofres à época em que Maluf comandava a administração do mais importante município brasileiro. Vai ficar difícil pacas para Paulo Salim Maluf continuar sustentando, depois de conhecida a decisão judicial, o papo furado a respeito de não ser possuidor de conta alguma em banco naquele “paraíso fiscal”.



Os desdobramentos do caso Cachoeira

“O caso ganha contornos de uma trama
 policial complexa e com vítimas fatais.”
(Jornalistas Izabelle Torres e
 Cláudio Dantas Sequeira, da IstoÉ)

Está certo. Ninguém pode ser julgado e condenado sumariamente por conta de alguma notícia desairosa de jornal. O Estado de direito que, mercê de Deus, rege “este País tropical, bonito pela própria natureza”, estabelece os procedimentos legais a serem rigorosamente observados em avaliações pertinentes à conduta de personagens da cena pública apontados pela mídia por supostas malfeitorias.

É o caso do suplente do tristemente célebre Demóstenes Torres. Ele acaba de assumir, de forma surpreendente pela rapidez do ato, sem desrespeito todavia aos preceitos regimentais, o posto de Senador pelo Estado de Goiás. Companheiro de lutas políticas do Senador destituído, Secretário de Estado até outro dia no governo goiano, um governo marcado por suspeitosas ligações com o crime organizado, e ao que tudo faz crer pessoa também chegada ao convívio do notório Carlinhos Cachoeira, o agora Senador Wilder Pedro de Morais não vai poder se furtar ao dever de oferecer explicação minuciosa e convincente acerca dos fatos graves que lhe têm sido imputados. A opinião pública espera que a respeito do assunto tudo seja conduzido nos devidos trinques constitucionais e com a rapidez recomendável pelas circunstâncias. Não existe outra maneira de encarar os acontecimentos. Se realmente comprovada a espúria ligação de Wilder Morais com a quadrilha de Cachoeira, seu defenestramento passa a ser uma questão de honra para o Parlamento. Vai ter que ser processada sem muita delonga.

E por falar em Carlinhos Cachoeira, a cada dia que passa ganha maior robustez na percepção de um bocado de gente a impressão de que a história desse cidadão, apontado como pivô de inacreditáveis malfeitorias, suplanta em gravidade outras maracutaias cabeludas que galvanizam na hora presente as atenções da opinião pública.

Não mais padecem dúvidas a respeito das engrenagens escabrosas que a quadrilha cuidou de montar nos corredores de repartições federais e estaduais, com realce para o Distrito Federal e os Estados de Goiás e Tocantins. O envolvimento, além do Senador afastado, de pelo menos um Governador de Estado e de outros políticos de projeção no esquema mafioso, é mais do que certo, a tomar por base as espantosas revelações já vindas a lume. A participação de agentes públicos de diferentes repartições, jornalistas, empresários de realce nos negócios espúrios está também devidamente documentada. A existência de um sistema amplo de arapongagem eletrônica com fitos de chantagem, movimentado por personagens do submundo, ficou devidamente configurada nas investigações.

O que vem na sequência das apurações não é menos chocante. Como registrou a IstoÉ, “o caso do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, aos poucos vem ganhando também os contornos de uma trama policial complexa e com vítimas reais.” Os sinais dessa trama são copiosos. Reportemo-nos a alguns deles. Ameaças a juizes e procuradores (um deles buscou refúgio provisório, com os familiares, no exterior). Assassinato em circunstâncias estranhas de um agente da Policia Federal que havia atuado com destaque nas ações que permitiram o desbaratamento da quadrilha. A não localização do paradeiro, até aqui, de pelo menos três integrantes do grupo mafioso (um contador, um policial e um informante da quadrilha). A morte, aparentemente por suicídio, de um escrivão que trabalhou nas investigações ao lado do policial assassinado.

São lances, todos eles, que contribuem para que a história adquira dimensão de escândalo sem precedentes.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Decisões que balançam coretos

Cesar Vanucci *

“O que se concebe bem, se enuncia com clareza.”
(Boileau, “A arte poética”, citado por Paulo Rónai, em seu dicionário)

Dá pra perceber, sem grande esforço de observação, que banqueiros e tecnocratas, em contextos naturalmente diferenciados, vêm dando o melhor de seu talento e criatividade, valendo-se de manhas e artifícios de toda sorte, pra retardar a entrada em vigor, a pleno vapor, de algumas decisões governamentais do mais elevado alcance social. São decisões que balançam pra valer seus manjados coretos. Remexem fundo, dando nó nas cadeiras, como se diz no samba famoso, com suas egoísticas conveniências. A um só tempo que atendem de forma esplêndida aos superiores interesses da sociedade.

Uma dessas inspiradas decisões diz respeito à Lei do Acesso à Informação. A outra decisão tem a ver com a tão sonhada queda dos juros.

Pelo sugestivo enredo da peça em exibição, já era pra todo mundo estar podendo aplaudir de pé, em cena aberta, o despencar vertiginoso das taxas de juros. Nada disso, clamorosa e estranhavelmente, anda acontecendo.

De outra parte, a esta altura do campeonato, a opinião pública já deveria estar sendo também devidamente notificada da adoção de uma sequência de medidas eficazes, nas repartições públicas, em todos os níveis dos diferentes Poderes, no sentido da regulamentação, vez pra sempre, das extravagâncias remuneratórias detectadas.

A Lei do Acesso à Informação, ou seja a Lei da Transparência, surgiu como uma conquista democrática extraordinária. Chegou pra lembrar que a clareza nos atos públicos é um atributo genuinamente republicano. Abre caminho para a abertura das “caixas pretas” dos ganhos abusivos, constituídos ao arrepio da lei e do bom senso. Sedimentados em práticas malsãs no gerenciamento das coisas públicas. A hora da verdade soou – até que enfim! - para um punhado de privilegiados que, há tempos, deita e rola, à tripa forra, nos espaços da gestão de recursos dos contribuintes que lhes são inadvertidamente confiados. Na democracia, os administradores têm o dever de zelar continuamente pela limpidez das coisas nos negócios públicos. Situação inversa a dos regimes totalitários, não importa a coloração ideológica, com sua sempre feroz relutância em prestar contas dos atos tenebrosos cometidos em clandestinas operações.

A divulgação sem engodos dos dados e números, com os acautelamentos legais de respeitáveis direitos pessoais, levará fatalmente, como já aconteceu, à descoberta de situações escabrosas. Vamos citar, no capitulo estarrecedor das remunerações acima (muito acima) do teto legal, os salários de alguns desembargadores de São Paulo e do Rio que atingiram o patamar himalaiano de, respectivamente, 600 mil e 800 mil reais. Como é que fica isso? A opinião pública quer saber, agora mesmo, com carradas de razão, como serão equacionadas essas e muitas outras situações emblemáticas já levantadas pela Lei da Transparência.

Quem são as pessoas ou os órgãos designados para cuidar de repor as coisas nos devidos termos? Deixar ficar como está pra ver como é que fica é simplesmente inaceitável. Esses casos clamorosos de safadeza reclamam, rápido e rasteiro, ações rigorosas. A sociedade não se contentará com alguma mudança que venha a ser aventada com o objetivo de não se fazer mudança alguma, podem crer.

As considerações sobre a queda dos juros, que para o cidadão comum vem ocorrendo ainda em ritmo de caminhada de cágado, ficam pra depois.


Queda de juros, exigência nacional

“Estamos encabrestados. Caímos
numa armadilha, numa arapuca.”
(José Alencar, saudoso Vice-presidente,
 numa declaração de 2003 sobre as taxas escorchantes de juros)

Em resposta a justos anseios, de muitos anos, da sociedade brasileira, o governo Dilma Rousseff vem promovendo seguidas e vigorosas intervenções junto ao Copom no sentido da redução da taxa Selic. O intuito governamental, nessa escalada de decisões aplaudidas por todos os segmentos da opinião pública, é de clareza cristalina. O que se quer alcançar no plano prático é a queda estrepitosa de juros nas relações negociais das instituições financeiras com as diferentes parcelas da comunidade, de modo a que se situem em níveis civilizados.

Níveis civilizados, sim senhor, porque o que tem prevalecido até aqui, neste capitulo da vida brasileira de nossos tempos, não passa de um processo danado de perverso. Um processo que se notabiliza por rematada selvageria e que deixa as forças produtivas da nação, os clientes dessas gananciosas instituições, à inteira mercê do apetite descontrolado por ganhos fáceis dos setores incumbidos, dentro da política econômica, da liberação de recursos para atividades que possam proporcionar bons resultados econômicos e sociais.

Acontece que a Selic vem caindo mês após mês. Chegou recentemente ao seu menor índice desde que instituída, mas neca de pitibiriba dos juros baixarem em termos compatíveis com a nova ordem crediticia que se deseja sensatamente construir.

A apropriação descabida de recursos das pessoas físicas e das empresas, por meio das cobranças exorbitantes do complexo financeiro, cobranças essas que clamam penalizações severas por suas características onzenarias, continua a ser executada em atordoante rotina. Procede-se como se nada de novo houvesse acontecido no cenário econômico. Bancos, empresas que operam com cartões de crédito, outros agentes do sistema financeiro insistem em fazer de conta que as quedas sucessivas da taxa básica oficial de juros, as reiteradas advertências governamentais, o clamor comunitário com relação aos abusos praticados não lhes dizem respeito nadica de nada.

Os demonstrativos das extravagâncias registradas no custo do dinheiro são contundentes. A taxa média dos cartões de crédito contínua sobrepairando em alturas estratosféricas. Quase 13 por cento ao mês, quase 325% ao ano. O IPEAD (Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais) ilustra com exemplos assustadores o que rola por aí. Com os juros vigorantes, dívida de R$ 1 mil numa operadora de cartão cresce para R$ 4.247,85 em um ano. Em dois anos, salta para R$ 16 mil. O mesmo absurdo pode ser constatado no tocante ao cheque especial. As taxas médias mensais quanto a esse item são de 8.16%. As anuais de 156.33%.

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) reforça a argumentação acerca do grave problema dos juros, comparecendo com outra revelação desnorteante. As taxas cobradas nos cartões de crédito dos brasileiros são as maiores, incontestavelmente, da América Latina. Chegam a suplantar em cerca de cinco vezes as da Argentina, país que sabidamente enfrenta no momento situação econômico-financeira que nem de leve se compara com as condições razoavelmente propicias desfrutadas pelo Brasil.

A sociedade exige que providencias enérgicas sejam logo colocadas em prática, nessa tormentosa questão dos juros. Espera pelo enquadramento, de maneira exemplar, do sistema crediticio, de modo a que passe a adotar normas de atuação consentâneas com o sentimento e os interesses brasileiros.

O papel que toca a esse setor é o de prestar ajuda valiosa nas conquistas do desenvolvimento econômico e social, reforçando a luta em favor do progresso em que a Nação se vê empenhada. Com essa política de juros indecente fica bem mais difícil pro País, com toda certeza, galgar os patamares de crescimento ardentemente almejados pela sua valorosa gente.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

II Encontro Cultural da Academia

Público numeroso, constituído de técnicos em aquacultura e sustentabilidade econômica, representantes do movimento leonistico e setores intelectuais, participou do II Encontro Cultural da Academia, da AML (Academia Mineira de Leonismo), realizado no dia 30 de julho último, na sede do CREA, em Belo Horizonte.
O acadêmico Augusto César Soares dos Santos lançou na oportunidade seu livro “Tilápia – Criação Sustentável em Tanques-rede”, proferindo uma palestra sobre as potencialidades da Aquacultura para a atividade econômica brasileira.
O Coral da Assembléia Legislativa abrilhantou o evento com aplaudida programação artística.
As fotos abaixo são do Encontro.



De volta a Euricledes Formiga

Cesar Vanucci *


“(...) Repetiu o texto de baixo para cima.  (...) Algo assombroso.”
(Luiz de Paula Ferreira, escritor)

Eurícledes Formiga era paraibano. Poeta dos bons. Repentista em condições de produzir espetáculos inesquecíveis. Quem coloca-me a par de tudo isso, reportando-se ao que narrei no artigo”Super-humano”, em que me ocupei dos prodigiosos dons de memorização do personagem, é ninguém nada mais, nada menos, do que Luiz de Paula Ferreira. Intelectual de múltiplas e admiradas facetas, escritor respeitado, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, e, como se tudo isso já não bastasse, um dos mais importantes empresários do cenário industrial brasileiro.

O depoimento que Luiz me deu ajuda a compor, de forma magistral, o perfil humano de Eurícledes Formiga. O espaço de hoje fica reservado à reprodução completa desse elucidativo texto.

“Venho dizer a você como conheci o Euricledes Formiga.
Foi num jantar de Rotary. Mês de junho, friorento, com presença numerosa de participantes. Ao fazer a abertura da reunião, o diretor de protocolo anunciou a presença de um convidado do presidente do clube. O convidado era um poeta.
O anúncio deu causa a alguns sorrisos e comentários a meia voz, sobre a utilidade que poderia ter a presença de um poeta em reunião de comerciantes, fazendeiros e profissionais liberais, que dispunham apenas de 60 minutos para a pauta do dia.
A coisa ficou nisso.
Lá pelo meio da reunião, o presidente fez a apresentação de seu convidado. Era um paraibano, de passagem para Belo Horizonte.
O convidado ergueu-se e fez uma mesura dirigida a todos. Era um cidadão robusto, de seus 30 anos, claro e corado, de mediana estatura, cabelos alourados, pescoço grosso, sustentando um rosto largo de nordestino.
E a reunião prosseguiu. Lá pelas tantas foi dada a palavra ao visitante. E este, no mais carregado sotaque nordestino, pediu licença para mostrar uns versos que havia composto para as festas de São João, já que estávamos na época das fogueiras.
E com desempenho vocal que a todos surpreendeu, declamou um poema ao qual dera o nome de São João do meu Nordeste.
Enorme foi a surpresa. Palmas vibrantes e gerais explodiram no final de sua apresentação. O homem era poeta mesmo. E dos bons. Esse conceito, aliado ao entusiasmo de todos, foi se fortalecendo e se consolidando na medida em que, atendendo a pedidos dos presentes, o cidadão foi declamando outras poesias de sua privilegiada lavra.
Em determinado momento, já dominando o auditório, o poeta anunciou que gostaria de improvisar sonetos a partir de motes que os rotarianos sugerissem.
Teve início então algo que nenhum de nós havia pensado que um dia pudesse presenciar.
Meia dúzia ou mais de motes foram propostos pelos rotarianos e o poeta, utilizando cada mote como chave de ouro, improvisou outros tantos sonetos, de beleza clássica.
Foi um espetáculo inesquecível.
Tempos depois, passando novamente por Montes Claros, Formiga hospedou-se comigo. No café da manhã, éramos poucas pessoas conversando com o poeta, quando chegou o jornal da terra.
Na primeira página havia uma crônica de uma coluna, ocupando metade do comprimento do jornal.
O Formiga pediu-me o jornal, depositou-o sobre a mesa, à sua frente e fixou os olhos na crônica. Em seguida tapou o texto com a mão e o braço. Fez isso por duas vezes. Cobria o texto com a mão e o braço e em seguida o descobria.  A seguir devolveu-me o jornal e pediu:
Corrija-me se eu estiver errado.
A partir daí repetiu palavra por palavra, do princípio ao fim, o texto do jornalista montesclarense.
Todos os que estávamos presentes, e assistimos a essa cena, ficamos de queixos caídos.
Ante nosso assombro, pelo ocorrido, ele explicou que possuía memória visual. Não havia para ele nenhuma dificuldade em fazer o que assistimos. Tanto era assim que iria agora repetir o texto de baixo para cima. E o fez, comigo e os demais presentes acompanhando pelo jornal. Algo assombroso.”


Mais luzes sobre Euricledes


              “Um jornalista, há tempos, recomendou-me
               ler poesias de Euricledes Formiga.”
              (Wenceslau Teixeira Madeira)

Em artigos recentes – “Super-humano” e “De volta a Euricledes Formiga” – contei algumas poucas coisas que sabia a respeito de um personagem com dons prodigiosos que fiquei conhecendo na adolescência. Expliquei que, à época em que presenciei algumas espantosas demonstrações de sua faculdade de memorização de textos, nada se me foi passado que permitisse estabelecer uma associação de idéias entre o que vi sendo por ele feito e manifestações quaisquer de cunho religioso.

O leitor Wenceslau Teixeira Madeira, em amável mensagem, aludindo a registro colhido no “Google” sobre a trajetória de Euricledes, complementa de forma enriquecedora, bastante clara, a história que contei.

A informação transmitida assinala que a “Viva Luz Editora” lançou a biografia de Euricledes Formiga, “um dos mais importantes poetas brasileiros”. O autor é Miguel Formiga, filho do biografado. “Euricledes Formiga, de poeta a médium, a resistência e a transformação” é o título do livro. A publicação “traça o perfil do poeta, que dedicou sua vida (...) à criação de fantásticos poemas e ao conforto de quem busca paz espiritual por meio da mediunidade”.

Nascido no sertão paraibano em 1924, Euricledes assumiu, com a perda muito cedo do pai, a responsabilidade de garantir o sustento dos familiares. Mudou-se para João Pessoa, onde se tornou conhecido por sua participação em recitais lítero-musicais. Ganhou fama por sua memória incomum. Desafiado em testes públicos, encantava a todos ao reproduzir frases, poemas e tudo o mais que se lhe fosse mostrado, a uma única leitura. Mudando-se para o Rio e, mais tarde, para Brasília e São Paulo, conviveu com figuras exponenciais da política e da cultura. Entre outros: Catulo da Paixão Cearense, Divaldo Pereira Franco, Arthur Moreira Lima, João Café Filho, Juscelino Kubitschek de Oliveira, Mario Quintana, Saulo Ramos, Helio Souto, Anselmo Duarte, Orlando Vilas Boas, Luiz Vieira, Paulinho Nogueira, José Neummane Pinto, Rolando Boldrim, Silvio Caldas, Jacob do Bandolim, Silveira Sampaio. Atuou como repórter na “Folha”.

O biógrafo de Euricledes Formiga assinala que as manifestações de mediunidade do poeta ocorriam de maneira intranquila e fora de controle. Essa circunstância levou-o, com a ajuda da esposa Annabel, a buscar orientação com renomadas figuras da liderança espiritista.

Divaldo Pereira Franco, também poeta, foi o primeiro a participar do processo que levou Euricledes a abraçar definitivamente a doutrina espírita. Os contatos com Chico Xavier ocorreram mais tarde. Formiga e Annabel foram a Uberaba. O que aconteceu passa a ser narrado pelo biógrafo. “Havia mais de 30 pessoas na fila e ouviu-se a voz de Chico, chamando: “Formiguinha, vem cá!”  Como o marido não se manifestou, Annabel sugeriu que o médium o chamava. (...) Formiga não acreditou. Novamente, Chico chamou: “Formiguinha de luz, vem cá!” Annabel novamente falou ao marido que era a ele quem Chico chamava. (...) Ouviu como resposta: (...) Não é a mim que ele chama. Se fosse “Formiguinha de Treva”, poderia até ser, mas de luz jamais.” Chico, no terceiro chamado, foi mais enfático: “Euricledes Formiga, vem cá!” E, sorrindo, completou: “Formiguinha de luz, há dez anos que te espero!”

Euricledes Formiga dedicou-se de forma intensa à divulgação doutrinaria e práticas espíritas, vindo a falecer em 1983. Miguel Formiga, seu filho, engenheiro, escritor, autor da biografia, dá continuidade às ações do pai no plano religioso e intelectual. Na obra citada, além de muitas histórias interessantissimas vivenciadas por Euricledes, o leitor se inteira de sua fecunda criatividade poética. O prefácio do livro é de Carlos A. Baccelli, nome que desfruta do maior respeito nos círculos espíritas e culturais.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

A SAGA LANDELL MOURA

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