sexta-feira, 31 de janeiro de 2020


Depois da tempestade...

Cesar Vanucci

“Está certo tapar, com cimento e asfalto, todos os cursos
 d’água e outras dádivas da Natureza existentes numa cidade?”
(Domingos Justino Pinto, educador)

Diz o ditado popular, inspirado com toda certeza por esse impulso heróico da alma chamado esperança, que depois da tempestade vem a bonança... Oxalá assim sempre “sesse”, como saborosamente enunciado no linguajar roceiro! Acontece, entretanto, que depois de uma tempestade, de uma tormenta, de um chuvaréu como esse que, desapiedadamente, desabou sobre vasta região das Gerais, costuma vir, também, a desditosa tarefa de identificar e contar as vítimas inocentes e contabilizar os pesados danos.

A confiança que o ser humano carrega permanentemente, dentro da perspectiva de que situações melhores lhe estejam reservadas mais adiante, em sua trepidante caminhada, não o afasta da dor e sofrimento coletivos produzidos por tragédias próximas ou distantes ao seu olhar. Estamos, todos nós, na hora atual, muito comovidos. Solidários com as famílias e comunidades enlutadas.

Imaginamos, em singela maneira de avaliar as coisas do cotidiano, possuídos naturalmente de esperança, que existam recursos financeiros e tecnológicos mais que suficientes para proporcionar salvaguardas a patrícios nossos moradores das assim denominadas áreas de risco. Almejamos por providências derivadas da vontade política, da criatividade técnica e da sensibilidade comunitária que sejam capazes de garantir, a prazo rápido, projetos exequíveis, de sorte a impedir, na eventualidade de novo instante chuvoso fora dos padrões, a reprodução de tragédia como a que acaba de ocorrer.

O cidadão comum, obviamente desconhecedor dos critérios técnicos que orientam planejamentos urbanísticos e projetos de engenharia, encontra certa dificuldade em entender muitas ações administrativas governamentais. Entre elas, as que levam ao implacável represamento, em quase todas as cidades, de córregos, cursos d’água, outros referenciais da majestosa natureza, sem qualquer preocupação de avaliação prévia da conveniência de incorporá-los à paisagem em que são plantadas edificações e por onde circulam pessoas e veículos. Para um mundão de viventes, o problema das frequentes inundações em ruas, praças, bairros inteiros, em tempos chuvosos, é fruto indesejável de um afã equivocadamente modernoso de cobrir implacavelmente com cimento e asfalto quilométricos trechos por onde escoavam naturalmente cursos d’água brotados da dadivosa natureza. A impressão popular é de que as cidades seriam bem mais aprazíveis, caso tivessem sido contempladas, nos planejamentos urbanísticos, em diferentes circunstâncias, as possibilidades de aproveitamento, devidamente saneados, para desfrute, esses fluxos de d’água que hoje jorram nos subterrâneos das movimentadas vias de acesso de nossas metrópoles. A nota preta aplicada em represamentos, nem sempre necessários, teria sido empregada com maior utilidade na contenção de encostas perigosas nos morros mal providos de obras de infraestrutura.

As chuvas que chegaram impetuosas, ceifando vidas e devastando patrimônios, suscitam ainda outras observações. Seja louvada a solidariedade popular, sempre exuberante mercê de Deus, que adicionou, em instante aflitivo para as famílias desabrigadas, preciosa ajuda ao socorro prestado pelo Governo às vítimas. Seja enfaticamente mencionada a atuação do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil. Seus integrantes deixam evidenciado, como sempre, alta perícia profissional no trabalho executado em situações críticas.

Da lista extensa de dramas pessoais que comoveram a comunidade e que permanecerão gravados na retina de todos nós, permitimo-nos relembrar, como amostras tocantes, dois episódios. O primeiro deles diz respeito àquela família inteira que havia sido convencida a deixar a residência e se alojar num abrigo improvisado. Não se sabe por quais insondáveis motivos, o pessoal resolveu, inopinadamente, retornar ao local que acabara de evacuar. O deslizamento de terra soterrou-os. No outro episódio, o marido eufórico transmitiu à esposa haver encontrado uma nova residência para a família morar. Instantes depois o barraco desabou. Só ele se salvou.

Os desígnios superiores são mesmo imperscrutáveis.





sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Será o DNA um biocomputador?

Cesar Vanucci

“Conhecemos nadica de nada dos
prodígios que o ser humano carrega.”
(Antônio Luiz da Costa, educador)

Amigo fraternal, conceituado profissional na área médica, “sabedor” de meu interesse “por temas desse gênero”, encaminha-me sugestivo texto sobre uma pesquisa de vanguarda. São revelações instigantes acerca de insuspeitadas propriedades atribuídas ao DNA, capazes, em teoria, de alterar conceitos tradicionais vigentes nas metodologias empregadas na assistência à saúde.

Considerei oportuno compartilhar com o culto leitorado as informações passadas. Ei-las: “Cientistas revelam: DNA possui funções mediúnicas - telepatia, irradiação e contato interdimensional! “Nosso DNA é um biocomputador”, dizem cientistas russos.

Pesquisas científicas tentam explicar fenômenos como a clarividência, a intuição, atos espontâneos de cura e autocura e outros.Quando os cientistas começaram a desvendar o mundo da genética, compreenderam a utilidade de apenas 10% do nosso DNA.O restante (90%) foi considerado “DNA lixo”, ou seja: sem função alguma para o corpo humano.Porém, este fato foi motivo de questionamentos, pois alguns cientistas não acreditaram que o corpo físico traria algum elemento que não tivesse alguma utilidade. E foi assim que o biofísico russo Pjotr Garjajev e colegas promoveram pesquisas “de ponta”, com a finalidade de investigar os 90% do DNA não compreendido. Os resultados são fantásticos, atingindo aspectos antes considerados “esotéricos”.

O que as pesquisas estão revelando? O DNA tem capacidade telepática. É receptor e transmissor de informações além do tempo-espaço. Gera padrões que atuam no vácuo, produzindo os chamados “buracos de minhoca” magnetizados. São microscópicos, semelhantes aos “buracos de minhocas” percebidos no Universo. Sabe-se que “buracos de minhoca” são como pontes ou túneis de conexões entre áreas totalmente diferentes no universo, através das quais a informação é transmitida fora do espaço e do tempo. Isto significa que o DNA atrai informação e a passa para as células e para a consciência, função que os cientistas rotulam de “a internet do corpo físico”, mais avançada que a internet dos computadores.

A descoberta leva a crer que o DNA possui algo que se pode chamar de telepatia interespacial e interdimensional. Em outras palavras, o DNA está aberto a comunicações e mostra-se suscetível a elas. A recepção e transmissão de informações através do DNA explicam fenômenos como a clarividência, a intuição, atos espontâneos de cura e autocura e outros. Isso conduz à possibilidade da reprogramação do DNA através da mente e das palavras. O grupo descobriu também que o DNA possui uma linguagem própria, uma espécie de sintaxe gramatical, semelhante à gramática da linguagem humana. Seria assim certo concluir que o DNA é influenciável por palavras emitidas, pela mente e pela voz, confirmando a eficácia das técnicas de hipnose (ou auto hipnose) e de visualizações positivas.

Uma descoberta impressionante: adequando-nos às frequências da nossa linguagem verbal e das imagens geradas pelo pensamento, o DNA pode se reprogramar, aceitando uma nova ordem, uma nova regra, a partir da ideia transmitida. O DNA, no caso, recebe a informação das palavras e das imagens do pensamento e as transmite para todas as células e moléculas do corpo, que passam a ser comandadas segundo o novo padrão emitido. Os cientistas confessam-se capazes de reprogramar o DNA em organismos vivos, usando as frequências de ressonância corretas. Estão obtendo resultados positivos, especialmente na regeneração do DNA danificado. Utilizam para isso a Luz Laser codificada como a linguagem humana para transmitir informações saudáveis ao DNA. A técnica já é aplicada em alguns hospitais universitários europeus, com sucesso no tratamento de câncer de pele. O câncer é curado, sem cicatrizes remanescentes.

Nessa mesma linha de pesquisas, o cientista russo Vladimir Poponin colocou o DNA em um tubo e enviou feixes de Laser através dele. Quando o DNA foi removido do tubo, a Luz Laser continuou a espiralar, formando como que pequenos chacras e um novo campo magnético ao redor, maior e mais iluminado. Agiu como um cristal quando faz a refração da Luz. Conclusão: o DNA irradia a Luz que recebe. A constatação permitiu uma maior compreensão sobre os campos eletromagnéticos ao redor das pessoas (auras), assim como também o entendimento de que as irradiações emitidas por curadores e sensitivos acontecem segundo o mesmo padrão: receber e irradiar, aumentando e preenchendo com Luz o campo eletromagnético ao redor. As pesquisas estão ainda em fases iniciais e os cientistas acreditam que ainda chegarão a muitas outras coisas interessantes.

As conclusões estimulam o emprego das técnicas de afirmações positivas, aplicadas a pensamentos e imagens por ele geradas. As transmissões ao DNA e ao corpo alcançarão a saúde, o bem-estar e a harmonia. Segundo os pesquisadores as transmissões verbais e mentais podem ser melhoradas, por meio da comunicação positiva com o corpo e a reprogramação consequente do DNA.

As informações contidas neste texto são do livro “Vernetzte Intelligenz” von Grazyna Fosar und Franz Bludorf, ISBN 3930243237, resumidos e comentados por Baerbel.
(Fontes: http://animamundhy.com.br; http://marecinza.blogspot.com.br; http://bioterra.blogspot.pt; Mais um post by: Ufos Online)”

As estapafúrdias ideias do secretário defenestrado

Cesar Vancci

“É preciso espantar-se de tudo e não ter medo de nada!”
(Sandor Torok)

Mas, o que vem a ser isso mesmo, Santo Deus? Qual é mesmo a desse cara mandado embora da Secretaria Especial de Cultura? Onde já se viu!

A grotesca cena, pedantemente solene, ao vivo e em cores, de características psicodélicas, da “incorporação” de Joseph Goebbels, tendo ao fundo trilha sonora que relembra a tétrica marcha de inocentes rumo às câmaras de gás, deixou rastro de estupefação e indignação na alma popular. Para que se tornasse réplica próxima da imagem que se cogitou nostalgicamente recompor só ficou faltando o braço direito rigidamente estendido acompanhado de sonoro e caprichado brado de “Heil!”...

Que o cidadão defenestrado não reunia qualificações para a função, o mundo cultural inteiro estava calvo de saber. E isso independentemente dos posicionamentos divergentes que pontuam a atuação das diversificadas correntes que militam na área. À parte as turras, ocasionais ou constantes, de feição ideológica ou não, que costumam acontecer, todos unanimemente consideravam temerária a escolha feita. No peculiar linguajar das ruas, habitualmente enfático e gracejante, dizia-se que a inoportunidade da nomeação era coisa sabida até dos mundos vegetal e mineral...

Não era esta, entretanto, pelo jeito, a percepção que, nos escalões superiores, se tinha dos “predicados” do estranho personagem. Tanto que, pouquíssimo antes da drástica decisão em afastar o colaborador, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, não vacilou, instante sequer, em proferir, eufórico, as palavras abaixo reproduzidas: “Ao meu lado, o Roberto Alvim, o nosso secretário da Cultura. Depois de décadas, agora temos um secretário de Cultura de verdade. Que atende o interesse da população brasileira. População conservadora e cristã. Muito obrigado por ter aceito essa missão. Você sabia que não ia ser fácil, né?”

Manifestação em termos tão peremptórios levou o chefe do
Governo, tomado de surpresa diante da dicção aloprada do subordinado, até a relutar, por curto espaço de tempo, quanto à conveniência da exoneração. Não houve, contudo, como resistir às pressões. As reações de inconformismo pipocaram de todas as partes, inclusive de personalidades destacadas das hostes palacianas. O estapafúrdio procedimento do “quase secretário de verdade” alcançou repercussão estrondosamente negativa. Dentro e fora do país.

Os chefes dos demais Poderes da República expressaram-se com veemência, a propósito do vídeo postado por Alvim para anunciar o “Prêmio Nacional das Artes”. David Alcolumbre, presidente do Senado, de descendência judia: “É totalmente inadmissível, nos tempos atuais, termos representantes com esse tipo de pensamento”. Deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados: “O Secretário da Cultura ultrapassou todos os limites. É inaceitável”. Ministro, Dias Tofolli, presidente do Supremo Tribunal Federal: “É uma ofensa ao povo brasileiro, em especial à comunidade judaica.”

A Confederação Israelita do Brasil não deixou por menos: “Emular a visão do ministro da propaganda nazista de Hitler, Joseph Goebbels, é um sinal assustador” (...). Goebbels foi um dos principais líderes do regime nazista, que empregou a propaganda e a cultura para deturpar corações e mentes dos alemães e dos aliados nazistas a ponto de cometerem o holocausto, no extermínio de seis milhões de judeus na Europa, entre tantas outras vítimas.” O vigoroso repúdio à conduta do ex-secretário foi complementado em nota divulgada pela Presidência: “Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência. (...) “Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas.”

Ilusório supor seja o personagem em foco uma voz solitária no surreal contexto. Para chegar aonde chegou ele contou com o apoio de uma bem articulada falange fundamentalista que dispõe, inequivocamente, de acesso a engrenagens do poder político, acolhendo elementos que comungam das mesmas ideias anárquicas. Essa gente não pode ser subestimada. Se chance houver, outras aprontações, com certeira certeza, ocorrerão.

Aos democratas de todas as inclinações partidárias, que se sentem molestados diante de atos extremados, como o caso agora citado, praticados por adeptos das lateralidades ideológicas incendiárias, recomenda-se que fiquem de olho neles. É bom, ainda, não perder de vista conceitos e recomendações incisivos, prudentes, categóricos como os anotados na sequência. Alceu Amoroso Lima, o Tristão de Athayde: “A salvação do homem não vem do leste nem do oeste (nem da direita, nem da esquerda). Vem do Alto!” Sandor Torok, pensador austríaco: “É preciso espantar-se de tudo e não ter medo de nada”.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2020


Tricentenário da Capitania de Minas Gerais

Cesar Vanucci

“Uma opulenta programação!”
(Observação de pessoa presente à solenidade de abertura, no Instituto Histórico e Geográfico MG, das comemorações do Tricentenário da implantação da Capitania de Minas Gerais)

O Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, mais antiga instituição cultural do Estado, abriu com “chave de ouro” – como era de bom tom dizer-se em tempos de antigamente – a opulenta programação elaborada por sua direção visando a comemoração do tricentenário da Capitania de Minas Gerais, em assembleia realizada no dia 2 de dezembro do ano findo. Magistral exposição do senador Antônio Anastasia, integrante do quadro associativo do Instituto, acompanhada da apresentação do projeto das celebrações e da divulgação dos termos históricos do alvará de criação da Capitania, assinalou o concorrido evento, que foi também abrilhantado pela participação artística do quarteto de cordas da famosa Orquestra Sinfônica da Polícia Militar MG.

A fala de Anastasia foi aplaudida de pé. O expositor empolgou a todos com sua erudição e conhecimento de causa a respeito da temática histórica abordada. Revelou impecável domínio da tribuna. Brindou a plateia com um estilo de manifestação cultural do qual já vínhamos nos desabituando de ver nestes desconcertantes tempos de carências intelectuais e de fecundidade de ideias na vida pública brasileira.

Sobre o projeto das celebrações, que se estenderão até o final do ano em curso, discorreu a segunda vice-presidente, professora Márcia Maria Duarte dos Santos, coordenadora da Comissão Especial do Tricentenário da Capitania. Ficou evidenciado, em suas palavras, o propósito do Instituto Histórico e Geográfico, presidido por Luiz Carlos Abritta, de registrar da forma mais condigna possível a efeméride histórica. Uma alentada sequência de conferências, mesas-redondas, publicações especiais, encontros culturais, na Capital e cidades do interior, com parceria de outras organizações, ocupará o calendário das atividades praticamente todos os meses.

O secretário do Instituto, Adalberto Andrade Mateus, outro componente da Comissão Especial do Tricentenário da Capitania, explicou, por ocasião da assinatura do protocolo de intenções firmados entre os órgãos promotores da programação, no que consistirá a participação das instituições parceiras. O documento original do Alvará de criação da Capitania foi projetado na tela à hora em que Sérgio Parreiras Abritta fazia a leitura do texto histórico.

A Capitania de Minas Gerais foi criada em meio ao chamado ciclo do ouro, em 1720. Nasceu de uma cisão da capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Inicialmente, tomando por comparação o território do hoje Estado de Minas Gerais, a região desmembrada não abrangia a faixa correspondente ao chamado “Sertão da Farinha Podre” (Triângulo Mineiro, integrado em 1816) e a porção de terra situada à margem esquerda do Rio Sapucaí e do Rio Grande, integrada em 1764. A capital da Capitania era Vila Rica (atual Ouro Preto). Praticamente 100 anos depois, em 28 de fevereiro de 1821, a Capitania tornou-se província, tornada com a Proclamação da República o Estado de Minas Gerais.

Deparamo-nos, no “History”, com as informações abaixo anotadas relativas à implantação da Capitania. Por conta do ouro encontrado em seu território, na primeira metade do século XVIII, Minas Gerais era o centro econômico da colônia, com rápido crescimento populacional. Este fluxo migratório começou no final do século anterior, quando foi encontrado ouro na Serra do Sabarabuçu e nos ribeirões do Carmo e do Tripuí. Em 1696, foi fundado o arraial de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo, que, em 1711, se tornou a primeira vila de Minas Gerais (atual município de Mariana).  A descoberta do ouro também trouxe conflitos, como Guerra dos Emboabas (1707-1710) e a Revolta de Felipe dos Santos (1720).  No auge da exploração do ouro em Minas, 500 mil negros escravos foram inseridos na capitania para fazer o trabalho de extração e lavoura. Mais de 30% da população era formada pelos escravos. Os negros chamados "Minas", de Gana, eram os mais requisitados para os garimpos, pois já faziam este trabalho na África. Já os de Angola e Moçambique eram usados na lavoura. O declínio da produção aurífera começou a partir de 1750. Portugal precisou aumentar a arrecadação e elevou os impostos, o que causou a revolta popular que resultou na Inconfidência Mineira, em 1789.

O Senado Federal, por proposição do senador Anastasia, vai promover uma sessão especial dentro da programação do Instituto Histórico e Geográfico MG.



Semeando livro em louvor ao pai

Cesar Vanucci

“Quando estou lendo um livro tenho a impressão
de que ele está vivo, conversando comigo.”
(Swift)

Bendito seja, relembrando sugestivos dizeres de Castro Alves, aquele que semeia livro e manda o povo pensar! O livro dissemina ideias. Propaga esperança. Festeja a vida.  

De carinhoso intuito filial em louvar a memória do pai poeta nasceu um encantador livro de poemas: “Ciclo do amor e da vida”, de Lauro Fontoura. Está sendo reeditado por iniciativa de Paulo Roberto Alves, conceituado profissional na área médica, assistente da clínica urológica da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. No exercício da função profissional na importante instituição, Paulo Roberto sucedeu a Aldemir Brant Drumond e José Bolivar Drumond, este último antecedido no posto por ninguém mais, ninguém menos, do que Juscelino Kubitschek de Oliveira, médico urologista apontado, na veneração das ruas, como o maior estadista brasileiro, graças à sua incomparável gestão à frente da Presidência da República.

A respeito do saudoso autor do livro citado, afirmo com fervorosa convicção tratar-se de alguém provido de sabedoria incomum e invulgares qualificações como humanista, intelectual e jurista. Lauro Savastano Fontoura foi meu professor nos tempos, que já vão longe, do curso frequentado na Faculdade de Direito do Triângulo Mineiro, na Universidade de Uberaba. Os editores honraram-me com convite para inserir na obra vinda agora a lume – demonstração pujante do imenso talento de Fontoura – um texto sobre a vida e obra do autor. Concordaram, benevolentemente, com a sugestão que lhes passei de reproduzir uma narrativa radiofônica, por mim levada ao ar nos idos de 60, com foco em feitos e ditos do ilustre personagem. Naqueles tempos, ainda residindo em Uberaba, este escriba mantinha, na Rádio Difusora, um programa semanal, com boa audiência, intitulado “Uma vida, um exemplo!” Os originais de, aproximadamente, duas centenas de radiofonizações são conservados em arquivo pessoal. Retratam perfis e depoimentos de figuras que deixaram rastro cintilante na história de Uberaba e de outras cidades do Triângulo Mineiro. A íntegra do trabalho alusivo a Lauro Fontoura, em sua concepção original, guardando o ritmo peculiar da dicção radiofônica, estampada na publicação poética relançada, foi a maneira singela encontrada de atender à solicitação dos editores do livro. Solicitação – diga-se de passagem - que me proporcionou prazerosa emoção: reencontro com figura icônica da distante mocidade.

Na sequência, entrego ao culto leitorado, para infalível embevecimento, algumas reluzentes amostras da lírica social e romântica do esplêndido poeta Lauro Fontoura, extraídas do “Ciclo do amor e da vida”.

- “Religião. Não existe, a rigor, nem o Bem, nem Mal... / existe apenas, convencionalismo. / Um doutrinário sentimentalismo / veio desigualar o que era igual. / O humano instinto de selecionismo / criou uma apologética social. / É essa estreita noção de moralismo / que separa um mortal de outro mortal. / No jardim claro da meditação, / buscando o fruto puro da razão, / que é a verdade sem dogmas e artifício, / o homem, bem como a própria natureza, / não conhece fronteira de Beleza, / de Bem e Mal, nem de Virtude e Vício.”
- “Homo Sapiens. Mera aglutinação de princípios vitais, / que uns farrapos de ideal, transfigura e ilumina, / minh’alma é uma equação de sangue e albumina / e precipitações orgânicas fatais. / O amor, que ora me exalta, que ora me alucina, / é uma simples reação de elétrons especiais. / A consciência e a razão são funções cerebrais / que a cadeia nervosa impulsiona e origina. / Não vejo explicação para o espiritualismo: / - sou um produto de íons e cátions celulares, / sem força de vontade, sem substância anímica. / Bom e mau, sou capaz de crime e heroísmo, / consoante agitação dos centros medulares / que obedece a leis biológicas da química.”
- “A linda mentira. “– Nunca me hás de beijar!” Que maldosa candura, / que ingênua convicção, e que belo pudor!... / Um dia, hás de sentir a harmoniosa loucura; / um dia, hei de provar o divino licor. / O teu corpo nevado é um jordão de frescura, / tua boca de sangue, uma rosa de amor... / Um dia, hás de ficar mais formosa e mais pura, / constelada de um casto e angélico rubor. / “Nunca te hei de beijar!” que gloriosa surpresa! / a frase é velha; mesmo assim é muito linda... / Mas, para que fingir, para que disfarçar? / Só tenho, meu amor, a serena certeza / de que, mesmo beijando, hás de dizer-me ainda: / “- Nunca te hei de beijar! / nunca de hei de beijar!”

Na contracapa da obra, o jornalista Manoel Hygino dos Santos, da Academia Mineira de Letras, anota o significado da homenagem de Paulo Roberto ao pai, querido e ilustre, “em expressão de reconhecimento por conduzir a família pelas vias do bem servir ao próximo e à sociedade”.

Por tudo quanto posto, louvores a ambos. Pai e filho.


terça-feira, 7 de janeiro de 2020


Nebulosas conveniências

Cesar Vanucci

“A geopolítica é regida, muitas vezes,
por conveniências as mais espúrias.”
(Antônio Luiz da Costa, educador)

Para os que conservam os instrumentos de percepção pessoal em estado de alerta sobram sempre, nesta nossa trepidante andança pela pátria terrena, copiosas evidências de que as posições da mídia internacional são regidas por inextricáveis desígnios. Refletem nebulosas conveniências. É só por tento nos desdobramentos de certos acontecimentos momentosos. Fatos propagados de maneira estrondosa são, de súbito, sem mais essa nem aquela, envoltos em sepulcral silêncio. Atenção para alguns deles.

Comecemos pela situação da Venezuela do caudilho Nicolás Maduro. O que era transmitido, até outro dia, ao respeitável público, pode ser assim descrito. Meses e meses a fio, renderam manchetes informações sobre a crise humanitária venezuelana; sobre a reação popular aos desmandos do governo; a repressão aos protestos de rua por parte das forças de segurança; o garroteamento das liberdades públicas; a instituição do governo paralelo autoproclamado de Guaidó, congregando apoio formal de numerosos países; as alianças firmadas por Caracas com Moscou e Pequim, debaixo dos flamejantes protestos de Washington, e por aí vai. Alguma mudança radical de cenário parecia prestes a ocorrer. Só que, em efervescentes bastidores, engendradas por influência geopolítica econômica, presumíveis manobras abortivas detiveram o esperado parto da montanha... O papo emudeceu. E tudo ficou como está, pra ver como é que fica. Estranho pacas!

Outra situação assaz emblemática, dentro da mesma linha de raciocínio. Diz respeito a duas organizações sinistras: o Estado Islâmico e a Al-Qaeda. A última das organizações citadas tem base no Afeganistão. Foi liderada por Osama Bin Laden, sendo apontada como responsável pelo atentado às torres gêmeas. Oportuno recordar que a Al-Qaeda operava, no princípio, ancorada em poderosa ajuda, como força auxiliar combatente, ao lado dos Estados Unidos, nas lutas dos afegãos contra os invasores russos. Logo após a retirada das tropas russas da conflituosa região, os incondicionais aliados da Casa Branca viraram a casaca. Tornaram-se inimigos ferozes de seus parceiros. Deu no que deu. Com menor estridência, mas sempre com letais propósitos, a Al-Qaeda continua a semear terror nas bandas orientais do planeta. Tem-se por absolutamente certo que os dirigentes atuais sustentam entendimentos, na “moita”, como se diz no popular, com graduados funcionários norte-americanos com o objetivo de estabelecer um pacto de governança compartilhada para o Afeganistão.  O “acordo”, reaproximando “aliados” de outros tempos, implicaria na retirada da guarnição de doze mil militares dos Estados Unidos presentemente concentrados no território. Isso aí...

Já no que concerne ao EI (Estado Islâmico), os aspectos mais frisantes a considerar, bastante perturbadores, são os que se seguem. Cercados permanentemente, na terra, no mar e no ar, por forças de diferentes países – as mais bem equipadas do mundo -, entre elas militares estadunidenses e russos, os combatentes do fanatizado agrupamento, estimados em dezenas de milhares, nunca se deparam, em momento algum – atroz “enigma” –, com dificuldades de provisões, de qualquer ordem, na consecução dos atos terroristas executados. As regiões que ocupam são desprovidas de tudo. Mas eles dispõem, tempo todo – fornecidos por quem e como? –, de armamento sofisticado, de reservas de combustível para movimentação das viaturas, de produtos alimentícios, além de recursos financeiros para remuneração dos militantes. A circulação do dinheiro é assegurada, com inabalável certeza, por uma rede bancária, “invisível”, “clandestina”. Incrível imaginar possa essa rede bancária jamais ter sido identificada pela sofisticadíssima, arguta e bem articulada contra-inteligência dos países inimigos, declaradamente empenhados em “riscar do mapa” a execrável falange extremista.

E não é que, igualmente, o EI andou tomando “chá de sumiço” no noticiário! Pelo que se ouve dizer, numa ou noutra informação estampada, já agora em canto de página, o grupo não abdicou de seus cruéis propósitos. Prossegue ativo na escalada da violência contra quem discorde de suas tresloucadas concepções políticas e religiosas. Só que os atentados, ceifando vidas inocentes, estão sendo direcionados, de tempos para cá, em regiões consideravelmente distanciadas dos centros urbanos pertencentes às grandes potências. Soaria exagerada a suposição, inimaginável à luz do bom-senso, de que pintou no pedaço algum (outro) pacto tenebroso, concebido nos domínios lúgubres de inconfessáveis interesses geopolíticos? Como é de costume dizer-se por aí, perguntar não ofende, não é mesmo? E, por outro lado, nem sempre é preciso explicar tudo, o que a gente quer é só entender...


Semeadores de livros

Cesar Vanucci

“Oh! Bendito o que semeia Livros./ livros à mancheia /.
E manda o povo pensar! / O livro caindo n'alma /
É germe que faz a palma, / É chuva que faz o mar.”
(Castro Alves)

Com seu estilo sempre requintado de esculpir palavras e extrair do fundo d’alma genuínas emoções, a magnífica Elizabeth Rennó traz a lume outro livro de poemas. “Quântico” é o décimo quarto título da extensa lista de publicações impressas dessa autora de presença estelar em nosso firmamento cultural. Sua produção literária, claro está, vai bastante além dos textos estampados em livros. Contam-se dezenas as antologias, inclusive estrangeiras, que ornamentam as páginas com seu talento e sensibilidade. Tendo em vista labor intelectual tão intenso e os enfoques humanístico e espiritual saudavelmente indissociáveis das coisas que escreve não constitui surpresa alguma saber-se ser a autora colecionadora de prêmios literários, dentro e fora do país. E, além disso, integrante de numerosas instituições representativas da vida cultural brasileira. Entre elas, a Academia Mineira de Letras, da qual foi a primeira presidenta; Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, que também já presidiu, e o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.

No prefácio de “Quântico”, a brilhante acadêmica, escritora e mestre em Literatura Andréia Donadon Leal assevera que o livro em questão é fundamental dentro do contexto poético brasileiro. Andréia está coberta de razão. Dá pra perceber o que proclama por essas cintilantes amostras: “Fiatlux. E a lua se fez / e era boa / Separar a luz / da escuridão / fenômeno inconcebível / alheio à descrença humana / Benção divina / em que se mergulha / Adão / e sua descendência.”

“Condição humana. Nossa miséria /clama / Nossas dores / mortificam / Os pensamentos / zéfiros antigos / tornam-se vendavais. / Só vós / Deus Misericordioso / pode olhar / da Infinitude / nosso Desamparo.”

“Mossul. Do esplendor / ao caos humano / A sagrada bandeira / de um Iraque destroçado / engana e mata / civis aprisionados / no impossível desejo / de fuga do inferno / Mossul / dos homens-bomba /das crianças despedaçadas / das mães desesperadas / Cristo / e Alá / e suas bênçãos / tenham piedade de nós.”

Mas ninguém melhor do que a própria Elizabeth Rennó pra explicar o mais recente fruto de sua criatividade artística: “Eis Quântico, alegre e triste, desesperançado mas confiante na Palavra Maior, a que dirige as nossas vidas. As letras, nanopartículas, reverteram as sílabas e formaram palavras-conceitos que me subornaram. Como na Física Quântica, partículas atômicas, iguais ou menores que os átomos, não se influenciam pelas leis clássicas: gravidade, inércia, ação ou reação. São únicas, cuja energia eletromagnética é indivisível. Assim, eis os versos, totalidade indivisível, descontínuos na passagem de valores, assumem esta transmutação.”

Os livros “Vila dos Confins” e “Chapadão do Bugre”, de Mário Palmério, acabam de ser relançados. A Universidade de Uberaba, que tem como reitor Marcelo Palmério, filho do genial escritor e criador da instituição, e a Academia de Letras do Triângulo Mineiro (da qual me orgulho ser fundador), presidida pelo escritor João Eurípedes Sabino, promoveram dias atrás ato público comemorativo da reedição dos dois títulos, reunindo figuras de alta expressão na area cultural. Convidado a participar do evento e impedido, na última hora, de fazê-lo, pedi ao jornalista Luiz Gonzaga de Oliveira que me representasse e transmitisse aos presentes a mensagem que tomo a liberdade de abaixo reproduzir.
“Contemporâneo do futuro! A expressão é impecável para definir Mário Palmério. Com seu espírito vanguardeiro, ele foi intrépido desbravador nos caminhos do progresso e da construção humana. Um roteirista primoroso em tramas edificantes que compõem o fascinante, posto que tumultuado, enredo da vida. Em tudo quanto tocou deixou impressos lampejos de genialidade. O relançamento destas duas obras primas literárias é uma forma de reverenciar-lhe a memória. Mas significa, também, um gesto de exaltação da cultura, num instante em que os valores humanísticos e espirituais que conferem dignidade à aventura humana proclamam ser ela - Cultura - uma força ordenadora nos avanços civilizatórios. Lamentando não poder estar presente, felicito efusivamente  as pessoas e instituições envolvidas na  promoção. Cesar Vanucci (Ex-aluno, com muito orgulho, do Conglomerado Educacional germinado com a implantação, nos anos 40, das primeiras salas de aulas do Liceu do Triângulo Mineiro).”

A propósito dos livros relançados, mais este definitivo dito: Duas obras primas do romance brasileiro.

A SAGA LANDELL MOURA

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