sexta-feira, 25 de maio de 2012

A contraofensiva do Sistema

Cesar Vanucci *

“Nosso “spread”, como todos nós sabemos,
ainda é o maior do mundo.”
(Antônio Delfim Neto)

A leitura atenta dos jornais deixa-nos conhecedores de que o sistema financeiro já armou, nos devidos conformes, sua contraofensiva às ações da Presidenta Dilma em favor da redução dos juros. A estratégia montada é no sentido de tentar desqualificar as medidas saneadoras tomadas. Apontá-las como inócuas à luz dos sagrados cânones econômicos. E, até mesmo, atribuir a decisões governamentais menos inspiradas a culpa inteira no cartório pelas aberrações cometidas no rendoso jogo do crédito generosamente ofertado à incauta clientela.

Fica claro que a lengalenga marota, que encontra acolhedora cobertura midiática, não conseguirá sensibilizar a sociedade por inteiro. Mas, de qualquer maneira, o ingente esforço despendido com o fito de semear a confusão nos espíritos servirá a algum propósito menos edificante no terreno da contradita política. Ou poderá criar alguma celeuma que venha – quem sabe? - redundar em acertos de bastidores capazes de reduzirem, tiquinho que seja, a quota da contribuição esperada das instituições financeiras, dentro dos critérios definidores da responsabilidade social, para a almejada diminuição das taxas. Diminuição essa que, decididamente, não irá empobrecê-las, mas que, certeiramente, ajustará em termos civilizados a lucratividade descomedida, sempre crescente ano a ano, registrada em suas trilionárias operações.

A falta de sensibilidade social nesses meios confessadamente refratários à nova política de juros, louvavelmente implantada com gestos decididos pela Chefe do Governo, está refletida num sem número de comentários. Neles se projeta visível a intenção de ridicularizar o posicionamento oficial. Indiferentes, como é do feitio da espécie, ao sentimento popular, fingindo não saber do apoio e simpatia maciços da opinião pública às medidas anunciadas, portavozes do complexo financeiro vêm procurando, por todos os meios ao alcance, desacreditar a política de juros colocada em vigor. O economista chefe da Febraban, Rubens Sandesberg, deu o tom da contraofensiva. De forma sarcástica, anotou em relatório concernente a queda de juros, que o cavalo pode até ser levado à beira do rio, mas isso não significa obrigatoriamente que ele se disponha a beber a água. A parlatice foi de tal tamanho que alguns banqueiros, percebendo a indignação que a besteira cometida produziu no Planalto, resolveram maneirar um tanto quanto a barra, desautorizando a fala intempestiva de seu intérprete.

Mas a má vontade com relação ao assunto não cessou. O que levou Dilma a reiterar, com gestos expressos e com declarações peremptórias, batendo forte na cangalha pra turma entender, a convicção governamental – que de resto é a de todo vivente razoavelmente lúcido deste país – de que as taxas de juros não podem continuar situadas nos patamares himalaianos escalados pela ganância e irresponsabilidade social. “Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia mantem-se estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra com presteza e honestidade os seus compromissos”, foi o que disse no pronunciamento presidencial no “Dia do Trabalhador”.

No arremate destas considerações, nada mais apropriado para acentuar o acerto das medidas governamentais no tocante aos juros do que estas palavras de um economista que passa, costumeiramente, a impressão de saber do que está falando: “O governo age corretamente, com uma política absolutamente transparente para baixar os juros. O que o Ministério da Fazenda e o Banco Central especialmente têm feito é conversar com os bancos e analisar os componentes do “spread” que, como todos nós sabemos, ainda é o maior do mundo. É razoável, portanto, que se deva esperar uma redução desse “spread”. O nome do economista é Antonio Delfim Neto.


Neobobice vernacular


“Essa língua (...) é a nossa língua” 
(Raquel de Queiroz)

Até hoje o Congresso Nacional não aprovou o projeto do ex-deputado Aldo Rebelo, hoje Ministro dos Esportes, que regulamenta o emprego de expressões estrangeiras em eventos públicos, meios de comunicação, estabelecimentos comerciais, educandários, embalagens de produtos, por aí. Traduzindo, de certo modo, o inconformismo da sociedade diante dessa onda abobalhada de estrangeirices vocabulares que nos assola, o projeto é visto, por muita gente de peso intelectual, como uma tentativa louvável de se deter o processo, em marcha acelerada, da desnacionalização idiomática, com todos os seus nefandos desdobramentos culturais nas práticas cotidianas. Tudo fruto de indigência cívica, pauperismo intelectual e de rematada panaquice, sinais inequívocos da atmosfera que se respira em ambientes despojados do sentimento de brasilidade.

Mesmo não conhecendo na íntegra o projeto e imaginando, à vista disso, possa uma que outra disposição do texto comportar questionamentos, ou mudanças, como propõem alguns, não há como deixar de aplaudir na essência essa iniciativa, por representar reação que já vem tarde contra a neobobice vernacular que nos agride nos lares e nas ruas.

Muita gente, atingida pelos modismos moderneiros, encontra dificuldades em entender coisa tão curial: o idioma é a pátria. É o símbolo – o mais reluzente – da nacionalidade. Projeta, com dinâmica própria, o nosso modo normal de expressão, o nosso jeito de ver e sentir. As emoções puras e generosas da gente do povo. O idioma conta e canta a nossa cultura, nossos feitos e realizações. Mantém-nos íntegros e individidos em nossos sagrados domínios territoriais. Domínios territoriais, aliás, tão cobiçados pelo aventureirismo beligerante e ardiloso destes tempos de globalização fajuta.

Posto que a língua falada no Brasil é o brasileiro, um dos muitos idiomas saídos do português, já vem passando a hora de uma vigorosa resistência contra a tendência, de inocultável frescurice, da utilização, a três por quatro, em tudo quanto é canto, de vocábulos estrangeiros para classificar situações e coisas óbvias.

O aprendizado de outros idiomas é parte relevante na preparação do homem para o instigante jogo da vida. É o caso do inglês e do espanhol, por exemplo, ou o mandarim, talvez mais na frente. Mas a busca do aprendizado de outras línguas não pode significar que a gente deva ou precise esquecer a língua da gente. Isso remete a texto precioso de Eça de Queiroz. “Um homem só deve falar, com impecável segurança e firmeza, a língua da sua terra; todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, sem aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro.” Como? O ilustre leitor destas maldigitadas acha que a tintura nacionalista do mestre está forte por demais?

Respondo à observação com uma pergunta: mas será que o momento, face às heresias vocabulares soltas por aí, com base no inglês “more or less”, não está a clamar por posições desse jaez, de claro destemor cívico, que resguardem o nosso patrimônio cultural? Muitos os abusos. Os impropérios linguísticos. O idioma do Brasil é o idioma brasileiro. Ponto final.

É preciso deixar explícito que aos brasileiros aborrece – e muito – esse negócio de cardápio em restaurante e de saldo de retalho de loja anunciados em língua de gringo; de veículo carregando no pára-choque bobagens do tipo “My other car is a plane”, ou de “God bless America”; de repórter de tevê a  falar de “break”, e de incontáveis babaquices assemelhadas. Isso sem falar na nomenclatura aplicada aos dispositivos que acionam as engenhocas eletrônicas que estes tempos tecnológicos introduziram estrepitosamente na vida do cidadão comum.

Isto posto não há como não classificar de bem-vinda a disposição parlamentar de se por freio nisso tudo.

Levar logo o projeto para discussão, alterações nas Comissões, voto em plenário e sanção presidencial é uma boa.
 
* Jornalista, (cantonius1@yahoo.com.br)


sexta-feira, 18 de maio de 2012

CONVITE ESPECIAL AOS AMIGOS DO BLOG DO VANUCCI



Holerite pra lá de avantajado


Cesar Vanucci *

“Graves violações aos princípios da moralidade administrativa.”
(Desembargador Ivan Sartori, presidente do TJ de São Paulo)


É o que se pode chamar, como já disse alguém, de holerite turbinado. Em um único mês, novembro de 2008, o desembargador Roberto Antonio Vallin Bellochi, à época na presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo, recebeu R$ 723.474,93 entre salário e desembolsos extraordinários relativos a férias e licenças-prêmio. Por conta de estipêndios atrasados, ele recebeu R$ 349.876,74, acrescidos do “fator de atualização monetária”, beneficio a mais incidente sobre vantagens concedidas à toga. Esses dados constam de planilha expedida pela Diretoria da Folha de Pagamento da Magistratura (DFM). Bellochi, que ocupa o primeiro lugar na extensa lista dos contracheques milionários da magistratura, presidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo entre 2008 e 2009. Entre 2007 e 2008 foi contemplado com a bagatela de R$ 1.44 milhão, com base apenas na rubrica “excepcionais”. Em 2009, ele bateu o recorde em recebimentos: R$ 1.63 milhão, com vencimentos de R$ 896.8 mil e extras de R$ 738.4 mil. As fantásticas vantagens salariais por ele percebidas eram por ele próprio dadivosamente outorgadas. Da trajetória singular desse impoluto marajá do serviço público sabe-se ainda que, em fevereiro de 2009, seu holerite registrava a importância de R$ 136.476,35, ou seja cinco vezes mais que o limite definido como teto salarial pelas leis brasileiras. Mas nesse mesmo mês, o travesso personagem, por vontade própria, à margem pelo visto de qualquer controle fiscal, abiscoitou outros R$ 120 mil, a titulo de “pagamento excepcional”. Bota excepcional nisso.
Todas essas estarrecedoras informações são parte de relatório que vem sendo examinado pelo Conselho Superior da Magistratura. Bellochi não é o único magistrado flagrado em “extravagâncias salariais” no exercício da função gerencial exercida. Outros colegas seus da magistratura paulista estão sendo também investigados, à vista de haverem sido aquinhoados com “gratificações identificadas como graves violações aos princípios constitucionais da isonomia, da impessoalidade e da moralidade administrativa”, como sublinha o desembargador Ivan Sartori, atual presidente do TJ de São Paulo.
Todas essas informações, extraídas de reportagem do jornalista Fausto Macedo, publicada em “O Estado de São Paulo”, reforçam a importância enorme de que se vem revestindo a saneadora ação que a desassombrada ministra Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justiça, desenvolve com outros companheiros do órgão no sentido de refrear não poucos abusos gritantes e de estabelecer política de intransigente transparência nas contas de alguns organismos judiciais brasileiros.
Acolhida, de um lado, com aplausos e solidariedade integrais por parte da opinião publica, essa ação tem encontrado, de outro lado, desoladoramente, por conta de certos setores de visão corporativista, escancaradas e inaceitáveis restrições.


Revitalização da Savassi


“Essa obra tá muito espichada.”
(Desabafo de lojista da Savassi, falando da revitalização da área)


A revitalização da Savassi que fui ver, não vi. Falar verdade, levando-se em conta o tempo gasto na obra (em fase de conclusão há um tempão), o volume de recursos aplicados, os transtornos e prejuízos causados ao comércio e prestadores de serviços da região, embalados a principio pelas propostas sedutoras apresentadas pela Prefeitura, o oba oba da marquetagem descomedida, esperava deparar-me com coisa de nível infinitamente superior. O resultado da requalificação urbanística procedida lembra emblematicamente parto da montanha. Um senhor estrondo, acompanhado de estalido seco com uma figura de proporção liliputiana a esgueirar-se pela fresta da rocha.


Descaminhos do nosso futebol


“Sou atleticana desde garotinha. Foi a primeira vez
 que fiquei com sono numa partida de meu clube.”
(Dona Izaltina, 92 anos, comentando o jogo Atlético e Tupi)

Fixo-me nas cenas da pavorosa partida entre Atlético e Tupi, na rodada derradeira do primeiro turno do campeonato mineiro, pra sublinhar, outra vez mais, meu tremendo desaponto, como cidadão e torcedor, com os descaminhos que vêm sendo trilhados melancolicamente pelo futebol mineiro. O enervante cotejo sinalizou magistralmente a mediocridade que se apoderou desse espaço esportivo, tão caro ao sentimento popular.
Os apreciadores dessa modalidade esportiva, ou seja, todo mundo, precisamos fazer uma avaliação aprofundada sobre o que anda rolando, na área futebolística, nestes nossos pagos das Gerais. O frustrante desempenho dos clubes pode ser debitado, em parte, está certo, ao gerenciamento insatisfatório que os rege, mas não deixa de ser reflexo, também, de outros fatores negativos, complacentemente absorvidos pelas lideranças esportivas. A forma atabalhoada que orientou todo o planejamento das obras de reforma dos estádios da Pampulha e do Horto foi algo terrível. A idéia de jerico da torcida única foi também de lascar. O esquema de transmissão de jogos, atendendo às conveniências mercadológicas da televisão, negando ao público acesso às imagens dos clássicos regionais pelo fato de as partidas serem disputadas em Sete Lagoas, agride o bom senso. Violenta direito do torcedor. Essa sequência de atos falhos clama por reflexão e mudança de rumos. Já.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A fala eloquente dos números

Cesar Vanucci *

“Os 3,3 bilhões de dólares obtidos com a privatização, anos atrás,
da Vale, não deixam nada bem os governantes que patrocinaram o leilão.”
(Antônio Luiz da Costa, professor)

Números, sem sombra de dúvida, portentosos. Falam de avanços extraordinários na vereda do progresso, com desdobramentos sociais naturalmente benfazejos.

Repetindo performances exitosas, que afinal de contas constituíram sempre marca registrada na extensa e vitoriosa trajetória da empresa, desde os tempos de regência estatal, a Vale SA, a nossa antiga Vale do Rio Doce, cumpriu excepcional desempenho outra vez mais em 2011.

E isso, justo reconhecer, como consequência direta de ações desenvolvidas competentemente pelo seu comando diretivo, hoje provavelmente mais criativo e aprimorado do que noutros tempos. Como consequência também – está claro – da atuação eficiente de experiente quadro de técnicos e qualificado contingente profissional nas variadas vertentes operacionais.

Vale a pena, sem intenção de trocadilho, destacar os algarismos que documentam os recordes acumulados mais recentemente pela Vale. Recorde de receita operacional: em dólares, 60,4 bilhões. Recorde em lucro operacional, também em dólares, de 30,1 bilhões. Margem operacional de 48.5%, geração de caixa da ordem, ainda em dólares, de 35,3 bilhões, com lucro líquido (na moeda americana) de 22,9 bilhões. No tocante aos embarques de minério de ferro e pelotas, mais recordes históricos: quase 300 milhões de toneladas. As vendas de níquel e cobre no período apontam igualmente algarismos acima dos níveis de exercícios passados.

Recorde também em matéria de investimentos. Deixadas de lado as aquisições, os investimentos da Vale somaram 18 bilhões de dólares. Desse valor, 13,4 bilhões direcionados para projetos e pesquisa e desenvolvimento. Já no tocante ao retorno de capital a acionista chegou-se ao valor recorde de 12 bilhões de dólares, composto pela distribuição de dividendos de 9 bilhões de dólares, equivalente a US$ 1.7354 por ação ordinária ou preferencial, e pelo programa de recompra de ações, da ordem de 3 bilhões de dólares, totalmente executado. Tal performance favoreceu o anúncio antecipado, recebido naturalmente com regozijo pelos acionistas, de garantia de dividendo mínimo de 6 bilhões de dólares para 2012. Os especialistas em matemática financeira celebram também, como triunfo da empresa, o registro de um balanço sólido com baixa alavancagem, medida pela relação dívida total/LTM EBITDA ajustado, e a manutenção do longo prazo médio da dívida, de 9,8 anos.

Mais números, na modelar atuação da Vale, a festejar. Os investimentos em Minas atingiram, ano passado, o volume de 10.1 bilhões de dólares, acréscimo de 39 por cento em relação aos 7.3 bilhões de dólares desembolsados no exercício anterior. A empresa mantém na atualidade mais de 41 mil empregados no Estado. Em 2011, o número de contratações a mais, no quadro efetivo, foi de 2.800 profissionais. Afora isso, os projetos em implantação conduzidos nos canteiros de obras em território mineiro, assinalam a presença de 16 mil empregados.

Outro dado de exponencial significado nas operações da Vale está configurado no montante das aquisições feitas no Estado. Minas Gerais desponta como o principal fornecedor da empresa, com os 12 bilhões de dólares canalizados em vendas de produtos. Os investimentos em ações socioambientais foram igualmente expressivos: 347 milhões de dólares, envolvendo entre outros empreendimentos a preservação de 17 reservas ambientais no quadrilátero ferrífero, numa área total de mais de 12 mil hectares.

Tudo isso posto, bem projetada nos indicadores anotados, em justos termos, a relevância do papel econômico e social desempenhado pela Vale no cenário brasileiro e na vida mineira, sobra, por último, para reflexão por parte dos cidadãos comuns uma tormentosa questão, já por mais de uma vez suscitada em comentários deste escriba.

Os números desse desfile de feitos diante dos olhares de admiração e compreensíveis aplausos de todos vêm consolidar, no seio da opinião pública, a sensação bastante amarga, recoberta de indignação, de que aquele leilão de privatização, anos atrás, no governo de Fernando Henrique Cardoso, alvejou interesses respeitáveis da Nação, ao favorecer a transferência dos colossais ativos da Vale do Rio Doce a empreendedores privados pela bagatela de ... 3,3 bilhões de dólares. Isso dói pacas!


Recomendações naturalistas simples

 “Tudo deveria ser tornado tão simples
quanto possível, mas não mais simples do que isto!”
(Einstein)

São recomendações muito simples. Não exigem esforço físico exagerado. Proporcionam – asseguram os que praticam essas modalidades de exercícios – resultados bastante compensadores. As práticas vêm sendo propagadas intensamente nas redes sociais como contribuição de profissionais da chamada medicina naturalista. Apresentam-nas como ideal para quem não gosta, ou não tem tempo de fazer rotineiramente exercícios físicos.

O que se anuncia, por esse instrumento de comunicação, é que alguns médicos naturalistas confessam-se danados de triste sempre que batem com os costados em congressos de sua categoria profissional. Acontece de experimentarem, nesses encontros, o dissabor de constatar que os resultados de certas experiências exitosas e eficientes, de fácil comprovação, processadas em sua esfera de atuação, não são contemplados, hora nenhuma, com divulgação adequada. “Não dão ibope”, é o que costumeiramente se lhes é passado. Vêem-se compelidos, à vista disso, a utilizarem as redes sociais para repassarem exercícios e ações singelos por eles reconhecidos como úteis no enfrentamento de problemas cardíacos. Vamos lá: 1º. ao acordar, deitado de barriga pra cima, pedalar 30 vezes no ar. Isso concorre para melhorar o posicionamento da coluna e da postura, diminuindo e retardando o encurvamento das costas, aliviando dores e baixando a pressão; 2º. antes do banho, exercitar a barriga da perna (levantar o corpo na ponta dos pés). Primeiramente, de modo rápido, até esquentar as panturrilhas e, depois, fazendo uma sequência de dez movimentos lentos. Pronto. Tal exercício – assevera-se - bombeia o sangue para o coração, melhora os batimentos cardíacos e evita obstrução das veias. Nos primeiros seis meses, a pessoa com excesso de peso poderá vir a emagrecer (oba!) da cintura para baixo. Nos seis meses subsequentes, se beneficiará (oba, outra vez!) da cintura para cima. Depois de dois anos, não engordará mais. Além de tudo, o exercício reduz riscos de cirurgia cardíaca, que custa, como sabido, os tubos.

Outra prática sugerida pelos naturalistas diz respeito às micro varizes. Esta a recomendação: ao chegar em casa, coloque os pés numa bacia com água bem quente. É o famoso “escalda pés”, que além de relaxar, serve para desencadear a dilatação dos vasos sanguíneos dos pés, trazendo benefícios também à visão. O processo foi pesquisado com pacientes diabéticos. Constatou-se melhora na circulação sanguínea. O quadro geral de saúde dos pesquisados melhorou e foram percebidos por muitos efeitos benéficos no sistema visual. O exercício é indicado, ainda, como eficaz para combater o encurvamento da coluna.

Outra recomendação da medicina naturalista: ao perceber que a pressão subiu, coloque as pernas dentro de um balde com água gelada até os joelhos. Permaneça nessa imersão por vinte minutos. Tranchã, atestam os que se entregam a essa prática.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Recado curto e grosso


Cesar Vanucci *


"As grandes nações têm atuado sempre como assaltantes."
(Stanley Kubrick)


Nas relações políticas e econômicas com o resto do mundo, temos dito e repetido, as grandes potências deixam claramente configurada sua disposição imperial. "Façam o que eu digo e não o que eu faço": este o teor da determinação por elas transmitida à comunidade internacional. Nesse recado, curto e grosso, manda-se a sutileza às urtigas e escancara-se, para bom entendimento, a considerável disparidade do poderio econômico, tecnológico e militar existente entre eles e os outros.

No Conselho de Segurança das Nações Unidas, o veto de um desses países – Estados Unidos, Rússia, China, Inglaterra e França – é suficiente para tornar inócua qualquer aspiração nascida do consenso da assembléia geral, constituída de centenas de Estados. Em não poucas oportunidades, as chamadas grandes potências desafiam abertamente as deliberações de seus pares, assumindo posições unilaterais que consultam apenas seus egoísticos interesses. Não raramente também, esse tipo de ação dá vaza a alguma crítica por parte de outro componente do núcleo do veto. Mas o que acaba prevalecendo mesmo, aí, é uma espécie de "acordo de cavalheiros". A condenação acaba sendo expressa em termos que possam ser amortecidos no diálogo diplomático das chancelarias interessadas. Disso resulta uma certa condescendência recíproca com relação aos absurdos praticados por uns e outros.

Os Estados Unidos se recusaram, insensatamente, todo mundo se lembra, a firmar o "protocolo de Kyoto". O governo da Rússia foi, por outro lado, o último a apor assinatura no documento. Não é difícil calcular o tipo de pressão que estaria sendo exercida contra qualquer outro país, da lista dos emergentes e subdesenvolvidos, que se recusasse a figurar entre os signatários de uma decisão de tamanha magnitude, caso os Estados Unidos tivessem optado por apoiá-la.

No capítulo dos avanços tecnológicos espaciais e das experiências nucleares para fins pacíficos, o Brasil e outros países topam pela frente, volta e meia, com toda sorte de obstáculos e sanções externos. Procura-se impedir caminhem com as próprias pernas na busca das políticas que melhor se harmonizem com seus sagrados interesses. O monitoramento com relação ao que concebem e realizam, nesses domínios interditos, é implacável. "Façam o que eu mando e não o que eu faço". A palavra de ordem que chega, dos países com o domínio do conhecimento espacial e atômico, é incisiva. Enquanto torpedeiam com ameaças o desenvolvimento tecnológico dos outros, os "donos do mundo" entregam-se a frenéticos e, por vezes, diabólicos experimentos, ampliando as conquistas tecnológicas com vistas a bons negócios. Na guerra e na paz.

Os EUA romperam o tratado de não proliferação das armas de extermínio em massa, anunciando, logo depois, a criação de um fantástico complexo de blindagem antimíssil, sugestivamente chamado de "guerra nas estrelas". Enquanto isso, a Rússia, retomando o tom façanhudo de que havia se descartado logo após a debacle comunista, fala com espalhafato da construção de novas, inigualáveis e inimagináveis armas.

Não deixa de ser reconfortante perceber, no meio de tudo, que existe hoje uma consciência cívica coletiva altiva e aguerrida, em constante expansão, no Brasil, noutros países e, até mesmo, no seio das nações de presença hegemônica no mundo. É a sociedade humana se confessando inconformada com os rumos desvairados do planeta. Será dai, dos desejos de paz e dos anseios de progresso dominantes no sentimento das multidões, que acabarão brotando, mais na frente, transformações relevantes nas relações internacionais, na ordem econômica e na convivência social. Transformações que possam, finalmente, garantir para todos acesso pacífico aos benefícios do trabalho, do talento e da criatividade humana.


História escabrosa

 “O grupo era altamente estruturado
para cometer crimes graves.”
(Juiz Paulo de Lima)

Considerando as informações já juntadas pelo noticiário nosso de cada dia, essa história das aprontações de Carlinhos Cachoeira e seus comparsas da máfia composta de “gente bem”, não é tão escabrosa quanto se está a imaginar. É, em verdade, muito mais escabrosa do que jamais se conseguirá imaginar.

As engrenagens montadas pelo poderoso chefão, com forte respaldo em alguns figurões inescrupulosos nas esferas do poder, são reveladoras de que a organização criminosa desbaratada incorreu praticamente em quase todos os ilícitos capitulados nos Códigos. Lavagem de dinheiro, corrupção, peculato, evasão de divisas, contrabando, prevaricação, chantagens, achaques, violação de sigilos por meio de arapongagem eletrônica sistematicamente praticada. E, bem provavelmente, outras muitas malfeitorias ainda em vias de serem devidamente apuradas nas operações saneadoras da Polícia Federal e na CPI do Congresso. O grupo, na avaliação do juiz Paulo de Lima, personagem que deu contribuição valiosa para que as investigações fossem conduzidas a desfecho satisfatório, “era altamente profissionalizado, estável, permanente, habitual, estruturado, montado para cometer crimes graves”. Mantinha, de acordo com o magistrado, “estrutura organizacional e piramidal complexa (...), entranhada no seio do Estado com, inclusive, a distribuição centralizada de meios de comunicação para o desenvolvimento das atividades, visando o objetivo de inviabilizar a interferência das agências sérias de persecução.”

Foi com todo esse descomunal aparato que a quadrilha envolveu, de acordo com informações liberadas pelo inquérito policial, um senador da República, um ou dois governadores, políticos (notadamente do Estado de Goiás) de diferentes siglas, agentes públicos dos diversos poderes e, até mesmo – desoladoramente para uma categoria profissional que tem assumido na cena brasileira, com fervor e idealismo, posição decisiva no combate aos “crimes de colarinho branco” – alguns poucos jornalistas, deslumbrados com os sedutores métodos de aliciamento utilizados por Cachoeira. As interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça registram centenas de ligações trocadas pelo chefe da quadrilha com repórteres ávidos por informações extraídas fraudulentamente, com fitos claros de chantagem, pelo sistema de arapongagem eletrônica ilegal por ele implantado, há anos, em Brasília.

Carlinhos Cachoeira – e não apenas ele – valia-se nas operações de uma rede de gravações clandestinas operada há muitos anos por outras sinistras figuras. Um de seus eficientes comparsas nessa aterrorizante empreitada, já recolhido ao xilindró, é o ex-agente público militar Idalberto Martins de Araújo, também conhecido por Dada.

De acordo com a Polícia Federal, o esquema de espionagem por eles montado estendeu os tentáculos em tudo quanto é direção. Gravou telefonemas em repartições e domicílios, acessou dados sigilosos da Receita Federal e dos mais variados órgãos do Governo federal e dos Governos estaduais. E, igual ou bem pior que isso, estruturou e manteve com cuidadoso zelo um sistema permanente de ligações espúrias, para troca de informações sigilosas, com políticos graduados, agentes públicos, exercentes de funções de confiança no Executivo, Judiciário e Legislativo. Esse perverso intercâmbio favoreceu a elaboração de dossiês brandidos ameaçadoramente nas ações de subornos, chantagens, corrupção (e por aí vai...) desencadeadas pelos salteadores engravatados.

A CPI mista do Senado e Câmara dos Deputados, recentemente aprovada, tem condições plenas de poder deslindar, em todos os pormenores, essa vasta conspiração subversiva contra os interesses democráticos e republicanos. Representa um passo a mais nessa caminhada resoluta da sociedade no sentido de passar a limpo a vida pública, na busca do fortalecimento sempre crescente das instituições nacionais.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

A SAGA LANDELL MOURA

  Nos tempos do rádio Cesar Vanucci   "Surpreendi-me noveleiro depois de aposentado. Não perdia um só capítulo de “O direito ...