sábado, 28 de janeiro de 2023

Testemunho implacável (I)


*Cesar Vanucci *

 

“As Testemunhas de Jeová deixaram com a

posição assumida, no campo de concentração nazista,

um testemunho de heroísmo e estoicismo invulgares”.

(Antônio Luiz da Costa, educador)

 

Marcus Vinícius Leite, porta-voz Regional do movimento religioso “Testemunhas Jeová” encaminha-me mensagem lembrando que 27 de janeiro é o Dia Internacional da Memória do Holocausto. Milhares de pessoas no mundo todo prestaram, na data citada, homenagens à memória das vítimas do terror nazista.

 

 É pouco conhecido e divulgado o fato de as Testemunhas de Jeová terem sido o único grupo religioso perseguido apenas por sua crença pelo III Reich. O regime Hitlerista taxou-os como “inimigos do estado”, por sua recusa pública em aceitar as ideias esposadas pelos adeptos da sinistra suástica.

 

Tempos atrás, neste mesmo acolhedor espaço, foram estampados dois artigos de minha autoria alusivos ao assunto. Tomo a liberdade de reproduzi-los nas edições de hoje e da próxima terça-feira.

 

Retiro dos arquivos pessoais a narrativa de um acontecimento fantástico, ocorrido nos tenebrosos tempos nazistas, num dos campos de concentração espalhados pelo continente europeu. Vou aqui recontá-la, dividindo o relato em dois momentos.

 

Muitas coisas relevantes, intrigantes, registradas em livros e outras publicações acabam ficando perdidas no torvelinho das informações liberadas para o conhecimento humano. Assim tem sido desde sempre. Mas, nesta era moderna de comunicação eletrônica massiva e sofisticada, responsável pela expansão contínua, numa velocidade estonteante, do volume de dados ofertados à consulta do distinto público, a incidência de fatos e flagrantes de vida expressivos, encobertos pelas névoas do desconhecimento ou do esquecimento, assume dimensões incalculáveis. Um mundão de revelações valiosas fica à deriva do conhecimento geral. Permanece oculto das atenções numa página qualquer de um livro empoeirado numa estante silenciosa.

 

Em “O homem invisível”, H.G.Wells, um baita contemporâneo do futuro, registra que “nesses livros poeirentos (...) existem maravilhas e milagres”. Jacques Bergier e Louis Pauwels, autores do fabuloso “O despertar dos mágicos”, e outras esplêndidas obras, dão razão a Wells quando admitem, prazerosamente, que os livros científicos, as revistas científicas, entre outras publicações, estão realmente repletos de maravilhas. Basta que nos fixemos no trabalho de procurá-las. Ando fazendo isso com alguma frequência. O propósito é compartilhar, de vez em quando, com os benevolentes leitores algumas coisas interessantes não devidamente divulgadas, ou insuficientemente conhecidas, quando não completamente ignoradas.

 

Aqui temos, como fruto desta bem intencionada empreitada, um relato incrível, fantástico, extraordinário a respeito da atitude de singular desassombro assumida, em circunstâncias terrivelmente amedrontadoras, diríamos mais, aterrorizantes, por um punhado de intrépidos adeptos de um respeitável movimento religioso, “Testemunhas de Jeová”. A história é contada, em seus impactantes detalhes, pelo já citado Jacques Bergier.

 

O autor foi testemunha ocular dos fatos, acontecidos na primavera de 1944 no campo de concentração de Mauthausen. O pensador francês encontrava-se encarcerado naquele antro de horror devido à sua condição de judeu. Uma das milhões de vítimas das atrozes perseguições promovidas pelos milicianos das “camisas-pardas”. Os guardiães do sinistro lugar receberam, de certa feita, não escondendo sua estupefação, uma leva de prisioneiros fora do comum. Eles reivindicavam (e foram atendidos pelas autoridades alemãs) acolhimento, como “reclusos voluntários”, com todas as “regalias” inerentes à terrível condição, num campo de extermínio dos muitos criados na época pela paranoia hitlerista.

 

Os desdobramentos dessa história são espantosos, comoventes, inacreditáveis. Ficam para artigo que virá na sequência.

 

Jornalista, Membro da Academia Municipalista de Letras de MG, da Academia do Triângulo Mineiro, Instituto Histórico e Geográfico e Academia Mineira de Leonismo,

(Cantonius1@yahoo.com.br)

Testemunho implacável (II)

 


 

Cesar Vanucci *

 

“Houve um engano. Mandarei soltá-los imediatamente”.

(Ziereis, impiedoso chefe de campo de

concentração, para os prisioneiros “voluntários”)

 

 Retomemos a narrativa iniciada no artigo anterior. Como informado, com base em depoimento do escritor Jacques Bergier, coautor de “O despertar dos mágicos”, os carcereiros do sinistro campo de concentração nazista “Mauthausen”, comandado por um “camisa parda" chamado Ziereis, tomaram-se de espanto quando, na primavera de 1944, pouco antes do término da Segunda Guerra Mundial, receberam inesperadamente uma leva numerosa de ”prisioneiros  voluntários”, todos eles integrantes da respeitada corrente religiosa “Testemunhas de Jeová”.

 

Jacques Bergier toma a palavra: “Como todo mundo na Alemanha – ao contrário do que se afirmou depois – sabia o que se passava nos campos de concentração, esta atitude (dos adeptos da referida corrente religiosa) era, no mínimo, surpreendente. Por isto, Ziereis, o “fuhrer” do nosso campo, tratou de interrogá-los logo. Ficamos sabendo bem depressa o que se passava. Os recém-chegados declararam: - Somos “Testemunhas de Jeová”. Disseram-nos que aqui são cometidos crimes. Queremos ser testemunhas diretas disto e, no dia do Juízo, colocados à direita de Deus, lhe prestaremos, pessoalmente, conta do que vimos.”

 

Bergier acentua, nesta parte da narrativa, que o empedernido chefe nazista, homem que parecia não ter medo de nada, estremeceu diante do depoimento ouvido. Disse às “Testemunhas de Jeová” enfileiradas diante dele: - Houve um engano. “Mandarei soltá-los imediatamente”.

 

O que sobreveio na sequência só fez aumentar a estupefação dominante. Fitando o temido carcereiro, os “prisioneiros voluntários” puseram-se a gritar em coro palavras ofensivas a Hitler e ao nazismo. Entre outras: “Morte a Hitler!” “Que morra este porco!”

 

Bergier completa o relato do incrível episódio: “Não houve escolha, tiveram que ficar no campo. Morreram todos no crematório. Contudo, não gostaria de estar no lugar de Ziereis – que abati pessoalmente no dia da Liberação – quando tiver que prestar esclarecimentos diante do Todo-Poderoso.”

 

A história que fala desse posicionamento destemido de membros das “Testemunhas de Jeová”, frente às atrocidades cometidas nos campos de concentração, acha-se inserida num dos capítulos do livro “Passaporte para uma outra Terra”. O capítulo tem por subtítulo “Os Imortais”. Os comentários expendidos pelo autor contemplam a hipótese da imortalidade física. A inserção das “Testemunhas de Jeová” no contexto decorre de uma crença alimentada por membros do movimento religioso, segundo a qual alguns seres imortais, com missão espiritual importante, já estariam habitando este nosso planeta.

 

Não resisto, à tentação de inserir aqui outro trecho do texto de Jacques Bergier alusivo ao instigante tema da imortalidade. Diz ele: “Faço questão de deixar bem claro que não quero zombar das Testemunhas de Jeová. Ora, elas afirmam que já vivem entre nós 144.000 Imortais. Esta tradição de Imortais entre nós é muito antiga. Já na China se falava da Ilha dos Imortais onde se podia encontrar alguns sábios do passado. Em todas as civilizações, a tradição de uma pequena minoria de Imortais vivendo entre nós é fundamental. A lenda mais famosa neste domínio é, evidentemente, a do Judeu Errante.”

 

Acrescento hoje ao texto lançado anos atrás a informação de que as “Testemunhas de Jeová” recusavam-se, nos tempos do nazismo a fazer a saudação imposta pelo governo (Heil Hitler), a participar de atos racistas e a se alistarem nas Forças Armadas do exército alemão. Das “Testemunhas” era exigido que renegassem sua fé. Elas eram ameaçadas com severas punições caso se negassem a assinar documento denominado como “Erklärung”. O documento em questão livrava-as da execução. A quase totalidade dos membros da comunidade perseguida não renunciou às suas convicções pagando com a vida a atitude heroica assumida.

 

Pensamentos de Bento XVI

 


                                                                                               * Cesar Vanucci

 

“A oração é a vereda silenciosa que nos conduz

diretamente ao coração de Deus” (Papa Bento XVI).

 

No ultimo dia do ano de 2022 ocorreu o falecimento, em Roma, de Bento XVI. Vasta erudição e avultado conhecimento teológico asseguram ao Papa Emérito da Igreja Católica um lugar na galeria dos grandes pensadores contemporâneos. Apontado por muitos como alguém de rígida formação conservadora e por outros como um homem de ideias arejadas, numa linha conceitual progressista, ele abdicou em 2013 das funções Pontifícias para as quais foi eleito aos 78 anos em 2005, alegando ausência de condições físicas para conduzir adequadamente os destinos da maior organização religiosa do mundo. Tem-se como certo que Bento XVI usou de forma decisiva seu poder de influencia junto ao Colégio Cardinalício para a escolha do sucessor, o carismático Francisco, reconhecidamente um religioso com ideias inovadoras e vanguardeiras, como, aliás, vem demonstrando ao longo de sua atuação.

Reunimos na sequência algumas frases proferidas, em circunstâncias variadas por Bento XVI. Estes ditos traçam de forma significativa o seu comprometimento com as lições da Doutrina Cristã escorada no amor, na concórdia e na solidariedade.

 

 “Não há amor sem sofrimento - sem o sofrimento da renúncia a si mesmo, da transformação e purificação do eu para a verdadeira liberdade. Onde não houver algo pelo qual valha a pena sofrer, também a própria vida perde o seu valor.” // “Quem descobriu Cristo deve levar os outros para ele. Uma grande alegria não se pode guardar para si mesmo. É necessário transmiti-la” // “Amor e verdade são fontes de vida, são a vida. E uma vida sem amor não é vida” // “Não se bebe mais diretamente da fonte, mas sim do recipiente em que a água nos é oferecida. Os homens reconstruíram o mundo por si mesmos” // “Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor.”// “A oração é a vereda silenciosa que nos conduz diretamente ao coração de Deus; é o respiro da alma que nos doa novamente paz nas tempestades da vida!.”//“Quem deixa entrar Cristo na sua vida não perde nada, nada, absolutamente nada do que faz a vida livre, bela e grande.” //“O Logos [o Verbo de Deus] não é somente uma razão matemática. O Logos tem um Coração, o Logos é também Amor. A Verdade é bela e a Verdade e a Beleza caminham lado a lado: a Beleza é o selo da Verdade. ”// “Se pensarmos e vivermos inseridos na comunhão com Cristo, os nossos olhos se abrem, não nos conformaremos mais em viver preocupados somente conosco mesmo, mas veremos como e onde somos necessários” // “O amor supera a justiça, justiça é dar ao outro o que é dele, Amor é dar ao outro o que é meu.” // “Se todo o amor aspira à eternidade, o amor de Deus não só aspira a ela, como cria e é a eternidade.”

 

O drama dos Yanomâmis – o drama dos Yanomâmis mostrado em aspectos chocantes em imagens televisivas e nas redes sociais é um indicativo a mais da política desastrada do governo passado no tocante às populações indígenas. O compromisso do novo governo em alterar os esquemas de assistência aos Povos Originários para que tragédias dessa natureza não mais se repitam terá que ser cumprido à risca. É o que exige a Nação, apoderada de indignação diante da tragédia noticiada. A negligência oficial quanto ao assunto ainda mais se acentua quando se tem ciência de que já em julho de 2022 a Corte Internacional de Direitos Humanos cobrou resposta do Brasil providências para proteger a vida, a integridade pessoal e a saúde dos membros dos povos indígenas. Entre as medidas que o país precisaria tomar, a corte apontou a necessidade de "proteger efetivamente a vida, a integridade pessoal, a saúde e o acesso à alimentação e água potável" desses povos.

 

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Onda extremista mundial.

 

                                                                                    *Cesar Vanucci

    “Democracia não é o paraíso, mas ela consegue garantir que a gente não chegue ao inferno.”

(Leandro Karnal, historiador e filósofo)

 

Não é apenas por estas nossas bandas que andam despontando, na hora presente, ataques frontais à Democracia, promovidos por grupos extremados minoritários. Uma olhada d'olhos pelo cenário mundial contemporâneo coloca-nos diante de várias ameaças à ordem institucional vigente em países onde a Democracia airosamente viceja. Tomemos, pra começo de conversa, o que aconteceu nos Estados Unidos da América.

Joe Biden do partido democrata, ex-vice de Barack Obama venceu expressivamente as últimas eleições presidenciais. Seu rancoroso opositor, Donald Trump, que vem se comportando como líder mundial de agrupamentos ultraconservadores, deixando à mostra visível propensão ao acatamento de ditames nazifascistas, contestou os resultados do pleito alegando que o mesmo havia sido fraudado. Abra-se um parêntese para lembrar que argumento semelhante foi ouvido, da boca de outro mau perdedor, em disputa presidencial recente ocorrida noutro colosso territorial situado ao sul do Equador. Voltando a Trump, ele foi o fomentador da inimaginável invasão do Capitólio, considerada o maior atentado à Democracia já registrado no mais poderoso país do planeta. Réu em numerosos processos na justiça, o ex-mandatário da Casa Branca continua tenazmente empenhado em promover atos deletérios alvejando o Estado de Direito Democrático. O distinto tem sido fonte de inspiração para imitadores ao redor do mundo.

Passemos a outro exemplo próximo. Teve como palco a maior potência econômica Europeia. A Alemanha de hoje escorada em alicerces democráticos bastante sólidos, que renega com horror seu facinoroso anteontem nazista, viu-se compelida a usar todo aparato de segurança institucional disponível para desbaratar, no final do ano passado, complô concebido por falange neonazista. Já em 2020, no mês de agosto, o governo de Berlim havia frustrado uma tentativa de tomada do poder perpetrada por saudosistas do III Reich. Na última conjura detectada pelo serviço de inteligência os radicais programaram a invasão do Parlamento. Foram presos antes de consumarem o plano golpista. Somavam nos dois episódios, o de 2020 e o de 2022, centenas de indivíduos, entre articuladores e encarregados das práticas destrutivas.  Interessante anotar a semelhança no modo de proceder dos fanáticos de diferentes latitudes. Eles miram sempre, em primeiro lugar, o Parlamento, nas investidas contra o sistema estabelecido.

No final do ano passado ainda, fragilizado há bom pedaço de tempo por uma sucessão de crises, o Peru foi abalado por nova tentativa de golpe de estado. O próprio presidente do país, Pedro Castillo convocou rede nacional de comunicação para anunciar que acabara de assinar decreto fechando o Congresso, intervindo na justiça e outorgando-se poderes absolutos para conduzir os destinos do país. O Congresso e o Judiciário reagiram. Castillo foi destituído das funções e recolido à prisão. Sua vice Dina Boluarte ascendeu à presidência em meio a distúrbios de rua que já produziram quase meia centena de vítimas fatais. Grupos políticos de várias tendências defendem causas distintas em uma confusão generalizada. O país entrou estado de emergência. 

Pela amostragem da pra perceber que a Democracia vive sob ameaça em boa parte do mundo. É bom nunca perder de vista o dito famoso de Winston Churchill ao proclamar que a democracia é um regime cheio de imperfeições, mas infinitamente melhor do que qualquer outro já inventado.

Por derradeiro é alentador constatar que, no Brasil de todos nós os mecanismos de defesa face às ofensivas radicais funcionam a contento, como projeção esplêndida da índole humanista de nossa brava gente.

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

Flagelo da fome

                                                 


                         *Cesar Vanucci

O que nos falta é a capacidade de traduzir em proposta aquilo que ilumina a nossa inteligência e mobiliza nossos corações”(Betinho)

A FAO, instituição da ONU dedicada a estudos e pesquisas sobre agricultura e alimentação, assegura que 130 milhões de pessoas padecem, na América Latina e Caribe, das agruras da insegurança alimentar. Insegurança alimentar é uma figuração verbal utilizada eufemisticamente para (não) dizer que alguém não tem o que comer. O registro da FAO pode ser assim interpretado: esse colosso de gente, equivalente em número a duas vezes as populações somadas da Argentina, Uruguai e Peru, são viventes dotados das mesmas características anatômicas, emoções, sentimentos, vontades, aspirações, expectativas, temores, esperanças análogos aos do restante dos seres que não se ressentem de “insegurança alimentar”. Uns e outros habitam o mesmo espaço territorial. Acontece, entre tanto, que os 130 milhões mencionados veem-se às voltas, permanentemente, com os horrores da fome. Anotemos que 50 por cento dessa multidão desamparada são nossos compatriotas. E não era para ser assim.

A produção de alimentos neste nosso mundo do bom Deus, onde o tinhoso costuma plantar traiçoeiros enclaves, produz alimentos mais do que suficientes para erradicar a fome. Os quantitativos extraídos das atividades agrícolas brasileiras são bem elucidativos, algo por volta de 240 milhões de toneladas. Uma conta aritmética simples revela: mais de um milhão de tonelada por habitante. É cabível inferir-se desses dados que dispomos do potencial necessário para conjurar o drama escandaloso da fome.

 Do que andamos, na verdade, carentes é de esforços, vontade política, bom senso, sensibilidade social para buscar uma conexão do mundo com sua humanidade. “O que nos falta é a capacidade de traduzir em proposta aquilo que ilumina a nossa inteligência e mobiliza nossos corações: a construção de um novo mundo”, como enfatizava o saudoso Betinho, em sua cruzada contra a fome e desigualdades sociais.

 Num momento de esplendor tecnológico, como o de agora, a fome há que ser percebida como uma dolorosa bofetada na cara da sociedade. Bofetada que deixa marcas inapagáveis na alma.

 Inadimplência. A Confederação Nacional do Comércio registra que 80 % das famílias brasileiras defrontam-se com problemas de inadimplência. O índice assusta. Na campanha eleitoral recente, o tema foi objeto de preocupação por parte dos candidatos. Lula e Ciro Gomes prometeram, se chegassem à Presidência, coloca-lo em debate na busca de solução harmoniosa. As dificuldades da gente do povo na quitação de dívidas contraídas nos embates cotidianos decorrem, em parte, dos juros “himalaianos” cobrados pelo argentarismo descomedido do mercado financeiro. Como sabido, pelo Banco Central e todos nós, indefesos cidadãos, são os juros mais elevados de toda Via Láctea.  A sociedade brasileira coloca-se na expectativa das medidas prometidas com vistas a aliviar essa carga pesada que carrega nos ombros.

Desmatamento. Órgãos qualificados em matéria de vigilância e fiscalização do que rola nas áreas ambientais desmentem informes propagados pelo governo de Bolsonaro. Nos anos de sua gestão, o Brasil atingiu recordes indecorosos no tocante a destruição de seus biomas florestais, com realce para a Amazônia. O compromisso firmado, em diferentes fóruns, pelo novo Governo, de por freio nessa estúpida agressão às nossas matas explica a acolhida calorosa que o país voltou a encontrar no seio da comunidade internacional.


jornalista ( cantonius1@yahoo.com.br)

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Recortes da hora política


                                                 

                                                            *Cesar Vanucci                         

  “Solucionar definitivamente o caso Marielle Franco é questão de honra para  o   Estado brasileiro.” ( Flávio Dino, Ministro da Justiça)

                                    

1) Decreto - O documento encontrado entre os guardados do ex-ministro Anderson Torres, na busca feita em sua residência por ordem judicial, é arrasador. Dissipa quaisquer dúvidas, ainda por ventura existentes, quanto ao fato da conjura tramada nos bastidores do governo passado no sentido de conturbar a ordem democrática. A minuta do decreto ditatorial confessa de forma direta o propósito torpe de se promover uma intervenção no Poder Judiciário, com a anulação das eleições e a entrega ao candidato preterido nas urnas, das rédeas do Poder para novo quatriênio e, talvez, até mais. A opinião pública brasileira, perplexa e indignada coloca-se agora na expectativa das explicações, a serem dadas no inquérito em andamento, pelo ex-titular da Justiça. Revelações tão ou mais impactantes poderão resultar dos desdobramentos das investigações. Seja frisado que, em pesquisa popular recente, quase 100% das pessoas manifestaram-se chocadas com os acontecimentos do dia 08 de janeiro em Brasília.

 2) Ministras -Tanto quanto nos recordamos, nunca os brasileiros demonstraram interesse tão pronunciado pela composição do Ministério governamental, como agora vem  acontecer.  A explicação talvez decorra da circunstância de querer saber qual a posição que o Presidente Lula reservaria, no primeiro escalão da administração, à simpaticíssima Simone Tebet. Quando do anuncio da última leva de Ministros, os aplausos mais entusiásticos cobriram a citação dos nomes da ex-senadora e da titular do Meio Ambiente Marina Silva. Ficamos sabendo de muitos telespectadores que bateram palmas diante do televisor na hora em que Lula as mencionou.

3) Marielle Franco - “ A elucidação deste crime covarde é questão de honra para o Governo” , foi o que declarou Flavio Dino ao tomar posse como Ministro da Justiça do Governo Lula, referindo-se ao caso do assassinato da Vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, ocorrido em 2018 e até hoje tramitando em passos de tartaruga na instância policial. É sabido que o autor dos disparos é integrante de uma milícia carioca. Foi preso junto com o comparsa em sua residência, localizada num condomínio de alto luxo na Barra da Tijuca. Em outra propriedade do assassino foi encontrado um arsenal composto de  metralhadoras de alta potência. Até os dias de hoje são desconhecidos os nomes dos mandantes e os motivos da execução da combativa Vereadora, que se notabilizava pelas frequentes denuncias feitas as ações delituosas da quadrilha de milicianos que, com apoio ao que se propala de influentes políticos, age impunemente na ex - Cidade - Maravilhosa. Dino admite a possibilidade de transferir as investigações para o âmbito da Policia Federal. O compromisso assumido responde a clamor da sociedade. Aguardemos os desdobramentos.    

4) Política e Poder - A política tem razões que a própria razão desconhece. Faz juras de fidelidade partidária, estabelece compromissos definitivos, promove pactos duradouros e depois esquece... O famoso Centrão, que deu sustentação parlamentar a Jair Bolsonaro na campanha eleitoral, zeloso quanto a sua irreprimível vocação governista, confessando-se talvez simpatizante desde a mais tenra idade da candidatura Lula, assumiu lugar na Explanada dos Ministérios, babando de contentamento. O União Brasil, legenda do ex-juiz e agora Senador Sergio Moro, não deixou por menos, chutando pra escanteio sua participação no campo adversário durante o recém-findo prélio eleitoral, abocanhou três pastas ministeriais no governo empossado. E quer mais...

 Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Abominável, ultrajante, vergonhoso.

 


                                                  *Cesar Vanucci

 

“O que ocorreu em Brasília foi a materialização do ódio vastamente disseminado ao longo de anos” (Ministro da Justiça Flávio Dino)

 

 

Fica difícil encontrar palavras que possam definir com exatidão os inimagináveis acontecimentos. As expressões que encimam este comentário foram ouvidas, ao lado de outras de significado equivalente, na boca de cidadãos tomados de perplexidade e revolta que representam a possante voz majoritária da Democracia no seio da Nação. A sociedade brasileira sentiu-se vilipendiada pelos malfeitos (e bota mal feito nisso!) da súcia de delinquentes (ir) responsáveis pelas ações terroristas que sacudiram Brasília e encheram de sobressalto o país. O minoritário grupelho de fanáticos políticos, já tendo a debito outras façanhas deploráveis transcorridas na Capital da República e em rodovias de diversos Estados, demonstrou com a invasão dos Palácios que abrigam os Poderes da República nefando propósito golpista, a serviço de malsinada ideologia extremista, repudiada pelas correntes democráticas predominantes na vida nacional.

 Não resiste a mais leve análise crítica o argumento fajuto de que o ataque desferido às Casas do Congresso, Justiça e Presidência tenha sido motivado por inconformismo popular em face de resultados eleitorais fraudulentos. Isso não passa de desculpa esfarrapada de maus perdedores emaranhados em maquinações conspiratórias com vistas à usurpação do Poder. Os terroristas – repita-se, uma facção belicosa obviamente avessa aos ditames democráticos – planejaram meticulosamente a solerte manobra. Tudo foi muito bem orquestrado. Inicialmente, foi feita, nas redes sociais, convocação geral dos anarquistas, com propostas de  remuneração, alojamento e alimentação para se deslocarem até Brasília em ônibus especialmente fretados nas diferentes regiões. Em lá chegando se juntariam a comparsas que já estavam à espera, com finalidade de executar atentados contra as Instituições Democráticas.    

Do local da concentração a turba colérica partiu para a inglória tarefa de semear o caos. Por inacreditável que pareça os “manifestantes” de araque foram escoltados por agentes da policia militar do DF até A Praça dos 3 poderes. O espaço em questão estava estranhavelmente desguarnecido do aparato de segurança que se impunha tendo em vista sinais inquietantes de iminente perturbação da ordem. O que veio depois, exuberantemente mostrado na televisão e filmagens postadas nas redes, algumas até pelos próprios desordeiros, convencidos de que ficariam impunes foi uma sequência de horrores. Depredações de prédios que constituem marcos cívico. Destruição e danificação de obras de arte de valor incalculável, móveis e equipamentos de trabalhos. Roubo de peças valiosas doadas por personalidades estrangeiras ilustres. Os saqueadores levaram coleções de armas existentes no Gabinete de Segurança Institucional do Planalto. Jornalista foi espancado e roubado por indivíduos armados. Alguns dos extremistas se confessam patriotas e cristãos.  Não são nem uma coisa nem outra. Sob o enfoque religioso, cabe-lhes bem uma expressão provinda de ensinamento evangélico: “sepulcros caiados”. De outra parte, patriota não conspurca símbolos caros à nacionalidade.

 Estarrecida diante da trama conspiratória, a opinião pública cerrou fileiras em torno das medidas vigorosas adotadas pelos poderes constituídos visando a identificação,  indiciamento e  punição dos envolvidos em todos os escalões, dos vândalos da linha de frente até os mandantes e financiadores. Espera também que os interrogatórios dos detidos proporcionem revelações que levem à captura dos arquitetos da conspiração. E não deixa por menos: aplicação severa da lei a todos, sem anistias, indultos ou qualquer outra concessão que lhes permitam voltar a ameaçar o Estado Democrático de Direito.

 

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Unidade nacional e solidariedade mundial

 


                                                     
          
 *Cesar Vanucci

Não são aloprados. São democraticidas.” (Ayres de Brito, ex-presidente do STF)

Um desses incríveis paradoxos engendrados pelas teias caprichosas do destino! Os “democraticidas” arregimentados pelo ódio que, com a réplica brasileira da invasão do Capitólio, infernizaram Brasília e sobressaltaram o país, conseguiram aglutinar as forças vivas da Nação num bloco monolítico, tão ou mais consistente, que as Muralhas da China, em torno dos sagrados valores da Democracia. As coisas saíram ao contrário dos pérfidos propósitos perseguidos em seus planos de subversão da ordem. No saboroso linguajar das ruas, deram um tiro no pé. O tiro disparado saiu pela culatra, como se diz por aí, ainda bem.

A reação da sociedade brasileira, refratária a quaisquer maquinações promovidas por adeptos das lateralidades ideológicas incendiárias, foi por todos os títulos soberba. Divergências ocasionais, discordâncias derivadas de enfoques diferenciados a respeito de questões de interesse público foram deixadas à margem pelas lideranças realmente representativas do sentimento Nacional, de modo a estabelecer granítica proteção dos postulados republicanos que nos regem contra a boçal ofensiva talibanista. Bastante emblemática pelo conteúdo cívico, a reunião dos chefes dos Poderes, Presidente da Republica, Presidente do Supremo Tribunal Federal, Presidente do Senado e Presidente da Câmara dos Deputados, constituiu vibrante demonstração da Unidade Nacional num momento sombrio de ameaça às Instituições Democráticas. A reunião que se seguiu com a participação de Governadores de todos os Estados, Parlamentares, Prefeitos, Membros do Ministério, autoridades do Legislativo, Judiciário e Executivo, teve o sentido da junção de novo elo à inquebrantável corrente de conciliação, entendimento e respeito formada em sinal de resistência dos democratas aos arreganhos extremistas. Outro encontro importante, do Presidente com as bancadas do Congresso Nacional, que haviam acabado de aprovar medidas legais consideradas relevantes pelos setores competentes incumbidos de garantir a tranquilidade pública no DF, reforçou ainda mais o empenho dos governantes brasileiros e da população brasileira em enfatizar o apreço inabalável da Nação ao regime das liberdades públicas prevalecentes em nosso território continental. Os pronunciamentos vindos a lume, de todas as procedências e regiões observaram unanimidade absoluta de opiniões. Execraram a aventura golpista.

 Não foi diferente a reação internacional. A OEA, União Europeia, os governos de dezenas de países em todos os continentes expressaram, a uma só voz, solidariedade ao governo e instituições brasileiros pelos graves atentados. A mídia internacional não deixou por menos. Os mais prestigiosos jornais do mundo estamparam, em vistosas manchetes, detalhes dos atos terroristas do dia 08 de janeiro de 2023, louvando a forma com que o país a partir dos Poderes Constituídos e com o respaldo da opinião pública, se portou face ás provocações antidemocráticas.

 A situação está controlada pelas autoridades. Em Brasília e noutras cidades foram desfeitos, os assim chamados acampamentos bolsonaristas, implantados nas imediações de unidades Militares. Ficou provado, com as prisões em flagrante de elementos envolvidos nos saques e depredações dos Palácios da Esplanada, que várias  pessoas acampadas na capital se juntaram a grupos vindos de outras partes do país para as praticas delituosas golpistas. As diligencias policiais em curso detiveram o maior numero de indivíduos com culpa no cartório comprometidos, até hoje, numa mesma operação.  As investigações estão permitindo a identificação dos vândalos, fomentadores, organizadores e financiadores. A promessa é de que a punição, em termos rigorosamente legais alcançará todos, doa a quem doer.

 

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Sua Majestade, o Mito.

 "Ele driblava até a lei da gravidade” (Jornalista Armando Nogueira)

                                                                                                                                              *CesarVanucci                                                                                                         

Sua Majestade, Rei Pelé I (e único). Celebridade planetária, Cidadão do mundo, Gênio da raça, Atleta do século XX, Brasileiro mais conhecido e querido em todos os continentes. Este sim, Mito! Sua arte incomparável encantou plateias em todos os palcos feéricos ocupados pelo “esporte das multidões”. Este sim, Mito! Autor de prodígios coreográficos, com suas fintas desnorteantes, com seus chutes certeiros, com sua percepção dir-se-á extra-sensorial do gramado por inteiro, Sua Alteza driblava até a “lei da gravidade”, como assegurava um craque do jornalismo esportivo saudoso Armando Nogueira. Suas impressionantes impulsões para aparar a bola com cabeceio fulminante em jogadas vindas pelo alto passavam a impressão de ser ele possuidor também do dom da levitação.

Pelé, este sim, Mito, exercia fascínio avassalador em pessoas de todas as idades e nacionalidades, em agrupamentos sociais e comunidades inteiras. Tanto isso é verdade que em certa ocasião, no ano de 1969, quando da excursão do Santos a países da África, num feito que não encontra nada assemelhado na história, conseguiu parar uma guerra civil no Congo. Os contendores concordaram em estabelecer um “cessar fogo” durante o período em que se travava disputa futebolística com a presença do Rei.  As arquibancadas acolheram elementos das belicosas facções engalfinhadas no abominável morticínio. Tem-se por certo que, em meio a delirantes aplausos e hurras das torcidas, adversários se abraçaram efusivamente. Terminada a batalha esportiva, a batalha com morteiros e metralhadoras recomeçou, assinalando mais um capítulo odiento dos registros da eterna insensatez e espírito beligerante da humanidade de todos os tempos. Em personagens que alcançam como Pelé as culminâncias do apreço e admiração populares, as lendas e as realizações grandiosas se entrelaçam em determinados instantes, criando para o observador dificuldades em distinguir o que é real  do que é fruto do imaginário das ruas. São a perder de vista as historietas contadas a respeito do ídolo imortal em seus 82 anos de transito pela vida terrena.

 O apelido Pelé, atribuído na infância por colegas a Edson Arantes do Nascimento, recebido a principio a contra gosto pelo próprio, virou sinônimo de perfeição, adjetivo pomposo. Ficou legítimo dizer-se que nos domínios eletrizantes do futebol o Pelé nascido em três Corações, Minas, tornou-se um Pelé. Ou seja, o máximo na carreira abraçada. Este sim foi um Mito. Teve plena consciência de seu protagonismo na historia, sem se deixar inebriar pelos ouropéis mundanos. Fiel a suas origens, manteve intacta a simplicidade nos atos e palavras e candura no trato com os outros. A humildade foi ponto forte em sua personalidade, seu comportamento na convivência cotidiana não sofria alterações à conta das glórias conquistadas, inalcançáveis por qualquer outra figura do desporto mundial em qualquer tempo.  Este sim, um Mito. O Rei Negro, alguém que não recebeu a coroa por herança e que, ao deixar-nos, não teve a quem passa-la, contribuiu decisivamente para projetar a verdadeira imagem do Brasil, sua cultura, seu colorido humano e suas virtualidades nos confins deste planeta azul.

Sua partida causou comoção em todos os cantos. Chefes de Estado, expoentes da cultura humana, representantes de diferentes modalidades esportivas, lideranças políticas de todas as etnias, personagens do maior realce na vida religiosa e gente do povo expressaram em carinhosos depoimentos seu adeus e gratidão imorredoura a Edson Arantes do Nascimento, o Pelé.

Por ser um autentico Mito na magnífica aventura pessoal, a FIFA houve por bem recomendar que em todos os países onde se pratique futebol haja um estádio com o nome do Rei Pelé.

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Brasília, 1° janeiro de 2023.


 


                                                                                                     
  *Cesar Vanucci

                      “Democracia para sempre” (Presidente Luiz Inácio Lula da Silva)

A desvairada ofensiva do fanático grupelho político empenhado em minar as resistências do arcabouço democrático brasileiro malogrou estrepitosamente. As reações prontas e vigorosas dos segmentos verdadeiramente representativos da sociedade, inserida aí, naturalmente, a voz soberana e decisiva da gente do povo, rechaçaram com veemência as propostas e insinuações de se criar o caos pretendido pelos radicais de plantão. O Brasil democrático, cioso de suas prerrogativas republicanas e avesso a maquinações golpistas e extremismos de quaisquer matizes, disse um basta categórico as ações terroristas focadas na ruptura dos sagrados ditames constitucionais.

 Como benfazeja consequência do autentico sentimento nacional, o país e o mundo puderam presenciar, em assim sendo, a empolgante celebração cívica democrática do dia 1° de janeiro de 2023, realizado em Brasília ao ensejo da posse do Presidente e Vice-presidente eleitos para o quadriênio administrativo, num pleito que se timbrou por lisura impecável. Gigantesca multidão na Praça dos Três Poderes e milhões de brasileiros, em todos os quadrantes de nosso território continental acompanharam exultantes, todos os lances de um acontecimento histórico memorável com ressonância mundial iniludível. Nunca, na crônica política brasileira, uma sucessão presidencial foi vista pela comunidade internacional com tanta atenção e interesse. Brasília, centro do poder, jamais recebeu tantas delegações estrangeiras chefiadas pelas figuras de maior realce na atividade pública de cada país presente. O imponente ritual da cerimônia de posse propriamente dita e a programação que se seguiu de eventos festivos, com avultada participação graciosa de artistas famosos identificados com a causa democrática, vão ficar gravados para sempre na memória dos que compartilharam das emoções da data.

 Nos dois discursos feitos pelo Presidente Lula, um no Congresso, outro no parlatório da Esplanada miraram, como era de se imaginar, questões candentes da atualidade sofrida da população socialmente mais desguarnecida. O Presidente asseverou que irá dedicar a maior parcela de seu trabalho administrativo no sentido da reconstrução das políticas sociais desbaratadas em tempos recentes. Em tom emocionado afirmou que seu principal objetivo é acabar com a fome no Brasil. Disse que irá governar sem revanchismos, respeitando rigorosamente os preceitos democráticos, para os 215 milhões de brasileiros e brasileiras, e não apenas para os que nele votaram. Acrescentou: “Vou governar para todas e todos, olhando para nosso luminoso futuro em comum, e não pelo retrovisor de um passado de divisão e intolerância. A ninguém interessa um país em permanente pé de guerra, ou uma família vivendo em desarmonia. É hora de reatarmos os laços com amigos e familiares, rompidos pelo discurso de ódio e pela disseminação de tantas mentiras”.

 Noutro trecho de sua alocução salientou: “Não existem dois brasis. Somos um único país, um único povo, uma grande nação.” Lamentando que a desigualdade e a extrema pobreza voltaram a crescer, declarou que isso não se deve ao destino, nem é obra da natureza, nem da vontade divina. Aduziu: “A volta da fome é um crime, o mais grave de todos, cometido contra o povo brasileiro. A fome é filha da desigualdade, que é mãe dos grandes males que atrasam o desenvolvimento do Brasil. A desigualdade apequena este nosso país de dimensões continentais, ao dividi-lo em partes que não se reconhecem.”

 A fala presidencial abrangeu outros conceitos relevantes, exprimindo anseios de recolocação do país nas trilhas do desenvolvimento e do progresso.

Tudo que aconteceu de portentoso, inclusive a simbólica entrega da faixa presidencial por cidadãos do povo, significou  soberba resposta aos desatinos antidemocráticos.

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Não ao terrorismo.

                                                                                                                                                                                                           *Cesar Vanucci

                       “Não há espaço no Brasil democrático para atos terroristas”                                                                                             (Rodrigo Pacheco, Presidente do Senado)

 

Chega! Assanha contestatória miliciana já ultrapassou todos os limites toleráveis. Indignada e atônita, a opinião pública põe-se à espera de que os órgãos competentes adotem, o quanto antes as providencias legais cabíveis para refrear e punir severamente o grupúsculo de fanáticos políticos engajado no impatriótico complô contra o Estado democrático de direito. A sociedade brasileira, de índole pacífica e vocação democrática, recusa a condição de refém indefeso que as ações terroristas recentes pretendem atribuir-lhe.

A democracia é benevolente e tolerante, às vezes até indulgente e condescendente. Defende a liberdade, a igualdade, a diversidade não rima com tudo, jeito maneira com fanatismo, fundamentalismo, totalitarismo, terrorismo. Rechaça, com veemência, essas formas pervertidas de negação dos direitos fundamentais que conferem dignidade a aventura humana.

O leitor já imaginou a proporção da catástrofe que teria ocorrido, no aeroporto de Brasília, no santo dia de Natal, caso a bomba armada no caminhão com 60 mil litros de combustível não tivesse sido desativada a tempo? Já imaginou também o tamanho da tragédia que poderia ter resultado da insana tentativa de lançar do alto de um viaduto ônibus sobre uma via pública atulhadas de veículos em circulação? Como lembra a escritora Márcia Tiburi, alvo de ameaças de empedernidos adeptos da corrente do ódio político, “o show diário de fanatismo, estupidez e paranoia desse universo paralelo tem que acabar...” Tem que acabar mesmo! Dentro de poucos dias dar-se a posse solene do Presidente Lula e do vice-presidente Alckmin, escolhidos pelos brasileiros, em memorável disputa eleitoral, de lisura insofismável, louvada internacionalmente, para conduzir seus destinos pelo próximo quatriênio. Tudo indica que será festa cívica magnífica, com ampla participação popular e presença de influentes  lideres mundiais em numero avultado nunca dantes registrado em cerimônia do gênero. Artistas consagrados se ofereceram para apresentações em espetáculos que se estenderão pelo dia todo, em sinal de regozijo pelo significado democrático do evento. Os olhares da gente do povo estarão focados, com entusiasmo e esperança no ritual protocolar que inaugurará um novo e promissor marco na gestão dos negócios administrativos da Nação.

Por culpa dos terroristas os esquemas de segurança estão sendo naturalmente reforçados. “terroristas não vão emparedar a democracia”, assegura com firmeza e confiança, o futuro Ministro da Justiça, Flavio Dino.

 A propósito das provocações terroristas e golpistas, voltadas para o propósito de tumultuar a magna festividade do dia 1°, o senador Rodrigo Pacheco, Presidente do Senado e Congresso, tornou pública declaração de que “Não há espaço no Brasil democrático para atos análogos ao terrorismo”. Acrescentou ainda: "As eleições se findaram com a escolha livre e consciente do presidente eleito que tomará posse no dia 1º de janeiro. O Brasil quer paz para seguir em frente e se tornar o país que todos nós desejamos. A reconciliação nacional, a volta de um ambiente de equilíbrio, de ponderação e de sensatez é fundamental. Questionamentos indevidos, crises que não precisam ser geradas, têm de ser combatidas".

 A grande maioria dos brasileiros pensa como o Presidente do Senado. Estranha bastante o silêncio sepulcral dos atuais mandatários do poder diante dos ignominiosos acontecimentos em Brasília. E coloca-se na expectativa de que as investigações em andamento proporcionem rápida elucidação dos fatos com o enquadramento criminal de todos os envolvidos, além do terrorista já encarcerado.

 

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Depois da copa do Qatar

 

                                                                                                                                                  *Cesar Vanucci

“Brasileiros renderam-se à genialidade de Lionel Messi” (Anna Mayã, poeta)

1) Copa do Mundo

A seleção – que pena! – Não é mais aquela. Com participação descolorida da seleção brasileira na Copa do Qatar, o futebol brasileiro viu-se – meio dorido confessar- rebaixada de nível entre as potencias que copõe a elite do “esporte das multidões”. A expectativa de conquista de titulo esvai-se a cada torneio realizado. O excrete não tem conseguido reviver os momentos gloriosos do passado. Não mais transmite a empolgação que eletrizava brasileiros e torcedores de outras plagas.

Considerando que os gramados brasileiros são, reconhecidamente, um celeiro de craques, como costumam dizer os comentaristas, é de se imaginar que o processo de convocação e treinamento dos atletas esteja reclamando mudanças viscerais. Como sugerem muitos apreciadores das coisas do ludopédio, a fórmula ideal de se compor grupo com real capacitação para representar com mais competência nosso futebol nas competições mundiais, consista talvez na convocação tão somente de jogadores que atuem nos campeonatos nacionais e que possam ser acompanhados em sua preparação com faixa de tempo maior e que leve a um melhor entrosamento. Contando com valores recrutados, como dito acima, apenas nos clubes que estejam disputando regularmente os campeonatos promovidos nos estádios do país, a seleção assim constituída participaria de jogos a intervalos não muito longos com outras seleções e clubes. O comando técnico poderia, em tais circunstancias aquilatar devidamente as reais características e potencialidades individuais dos atletas. Isso favoreceria integração mais adequada do grupo.

Vale recordar, a propósito, o que sucedeu com a vitoriosa seleção de 1970, a do tri. Ela representava com legitimidade o que havia de melhor no futebol brasileiro, diferentemente do que tem ocorrido com os excretes dos dias de agora.Nomes como Pelé, Rivelino, Tostão e Carlos Alberto Torres faziam a festa e enchiam de encantamento os olhares dos torcedores nos times em que jogavam, aqui mesmo no Brasil. Não havia a presença, como passou a suceder de tempos a esta parte, de atletas da chamada “legião estrangeira”. Todos jogavam no Brasil, o que criava grande empatia com o torcedor. Qualquer pessoa na rua dizia de cor a escalação do time, inclusive dos times onde cada atleta daquela seleção atuava.

2) A seleção argentina com Messi traçando coreografia impecável dentro das quatro linhas, galgou galhardamente o primeiro lugar no pódio da Copa do Qatar. Surpreendeu-nos perceber que a torcida brasileira manifestou-se majoritariamente favorável ao time de “lós hermanos” . O jornalista Ariel Palácios, dono de cultura enciclopédica, correspondente da GloboNews em Buenos Aires, relatou dias atrás saborosa historieta relacionada com a conquista do tri. Seguinte: em 1986, antes do torneio mundial realizado no México, paredros e atletas portenhos estiveram em

peregrinação num santuário dedicado a Nossa Senhora, que atrai, permanentemente, intensa veneração popular. Comprometeram-se, na ocasião, ali voltarem após as disputas, caso delas se sagrassem vencedores. Prometeram, mas não cumpriram. Criou-se a partir dali, a desagradável sensação de que o descumprimento da promessa estava a impedir o acesso ao almejado 3° troféu. Antes, agora, da copa do Qatar, um grupo de representantes do futebol argentino achou de bom alvitre fazer uma visita ao mesmo santuário, com fito de redimir-se da falha cometida no passado. Parece que a iniciativa surtiu efeito. E pelo que já se sabe, em breve, os campeões mundiais de 2022 estarão sendo convocados pela associação de futebol da Argentina a empreenderem uma nova peregrinação ao santuário em questão. Não é pra menos...

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

A SAGA LANDELL MOURA

Testemunho implacável (I)

*Cesar Vanucci *   “As Testemunhas de Jeová deixaram com a posição assumida, no campo de concentração nazista, um testemunho de hero...