sexta-feira, 28 de julho de 2017

Não mais que 
sete dedos de prosa

Cesar Vanucci

“O 7 de abril dá nome a logradouros numa penca de cidades.
Assinala a data da abdicação de Pedro I.”
(Domingos Justino Pinto, educador)

Tempos atrás, instigado pela simbologia numerológica derivada do fato de serem sete as maravilhas do mundo antigo, um punhado de leitores encaminhou a este desajeitado caçador de quimeras informações sobre o significado cabalístico do número sete. Deu cada coisa! Um nunca acabar de revelações intrigantes.

Lembrou-se, por exemplo, que sete são as cores do arco-íris. Sete os tons da escala musical. Sete as séries de pesos atômicos na tabela periódica dos elementos químicos. Sete os dias da semana. Sete as vértebras do esqueleto humano. Não foi esquecido, também, que somam sete os chamados pecados capitais e sete as virtudes teologais. E que o mundo foi estruturado em simbólicos sete dias, sendo que o sétimo dia ficou reservado ao divino repouso.

As menções de conteúdo místico mostraram-se copiosas. Algumas delas: são sete os planetas da astrologia esotérica. Em registros bíblicos, o sete é objeto de profusa citação. Exemplos: os sete espíritos aos pés do Senhor; os sete anos que Jacó teve que servir a Labão quando pediu Raquel em casamento; as sete frases proferidas por Jesus na cruz – três anotadas por João, 3 por Lucas e 1 por Mateus; a festa dos pães asmos (sem fermento), que se seguia, em priscas eras, à festa da Páscoa, onde se costumava recomendar aos fiéis que comessem do produto durante sete dias; a festa do Pentecostes: “Vós, pois, desde o dia depois do sábado, no qual oferecestes o molho das primícias, contareis sete semanas completas ...” (Lev. 23:15). No Novo Testamento outras intrigantes revelações. A saber: no Apocalipse, o sete domina muitos textos: sete igrejas, sete espíritos, sete castiçais de ouro, sete estrelas, sete lâmpadas de fogo, sete trombetas, sete taças, sete olhos, sete anos, sete trovões, sete coroas, sete pragas, sete montes, sete reis. Segue por aí. No alfabeto hebraico, no alinhamento das interpretações cabalísticas, o sete corresponde à letra “zain”, que significa “O Imaculado”. O castiçal de sete braços ou candelabro (menorá em hebraico) é um dos mais respeitados símbolos do judaísmo. Apocalipse (5:6) ainda: “Tinha ele sete chifres e sete olhos, sete são os espíritos enviados por Deus por toda a Terra”. Mais registros bíblicos: “Então ele vai e toma consigo outros sete piores do que ele (...)” (Lc 11:26); “Não te fies nele, pois há sete abominações na alma dele” (Salomão-Prov. 26:25). Ou: “Castigar-vos-ei sete vezes pelos vossos pecados” (Levítico 26:24). Ou ainda: “Faze sete partes e também oito” (Eclesiastes 11:2). Noutro trecho do Evangelho, o faraó tem aquele sonho das sete vacas gordas e sete vacas magras. José decifra os sonhos premonitórios do faraó: eles falam de sete anos de bonança e de sete anos de carências.

Salientando que no jogo numerológico o sete indica clarividência e que para Pitágoras este é o número da perfeição, foi-me lembrado também que sete é o total dos Arcanjos, sete são os dons do Espírito Santo, sete são os chacras e sete as glândulas endócrinas. No registro histórico temos o sete de setembro, nossa data cívica magna. Já o sete de abril, que dá nome a uma penca de logradouros brasileiros, corresponde à data dos tempos do Império em que se deu a abdicação do trono por Pedro I em favor de Pedro II. Merece também anotação que o 7 de ouros e o 7 de paus, como sabido dos apreciadores de jogos de cartas, têm peso maior nas artimanhas do popular truco. O número, por outro lado está inapelavelmente associado, na crônica futebolística, àquele fatídico instante vivido no Mineirão em 2014.

O algarismo traz mais evocações. Da criança peralta diz-se que anda pintando o sete. Sete é conta de mentiroso. Na historinha que encantou gerações, Branca de Neve é acompanhada por sete anões. O instinto de sobrevivência do gato leva à ideia de que o animal possui sete vidas. Pessoas avarentas trancam pertences a sete chaves. Os que partem primeiro são sepultados debaixo de sete palmos de terra. Muitas as regiões de sete colinas. Caso de Roma. Uberaba, idem. E como é mesmo a denominação dada à celebração com a qual reverenciamos, na primeira semana da partida, os entes queridos que nos deixam? O escritor Júlio Sayão esclarece ser “o 7 um número sagrado em todas as filosofias e religiões, desde a mais remota antiguidade.”

Fechando o papo: você aí pode até franzir a testa em sinal de dúvida. Mas, em leal verdade, preciso dizer-lhe algo: o número de leitores que contribuíram para a feitura destas maldatilografadas foi precisamente 7.

Óvnis e vida extraterrena

Cesar Vanucci

“O fenômeno óvni, tão antigo quanto a própria humanidade, (...)
constitui um repto não só à ciência ortodoxa, mas também
 ao sistema lógico do raciocínio do homem.”
(Manuel Osuna, pesquisador)

A programação dos canais da rede “History” confere especial ênfase a narrativas de eventos ligados aos chamados objetos voadores não identificados (óvnis). O acervo das informações reunidas a propósito da intrigante temática é colossal. Câmeras e microfones das emissoras citadas ficam continuamente assestados em depoimentos e investigações acerca da aventura ufológica. O trabalho contribui poderosamente para que a questão se revista de crescente credibilidade. Seja vista, por cidadãos de mente aberta, como qualificado instrumento de estudo e pesquisa para a aquisição de conhecimentos sobre prodígios e mistérios da vida e do universo.

Os telespectadores se habituaram, assim, a defrontar-se com desfile incessante, nas atrações levadas ao ar, de renomados personagens nos domínios das investigações referentes ao enigmático fenômeno. Inexistem, aparentemente, por conseguinte, razões para que não demonstrem espanto diante de eventuais revelações de caráter fantástico. Mesmo sendo assim, os aficionados dessa temática depararam-se, dias atrás, com nova e inesperada sequência de declarações que não deixaram de trazer certa perplexidade, a levar-se em conta sua insuspeitada e inusitada origem.

Os canais concederam a palavra, para que falassem sobre óvnis e vida extraterrestre, a Nick Pope, Paul Hellyer e Laura Eisenhower. O que foi dito pelos três com suprema espontaneidade, firmeza de voz, clareza de ideias e fervorosa convicção, tendo em vista a função de cada um deles no panorama da cúpula política mundial, constitui resenha de informações e argumentos irretorquíveis acerca da veracidade do fato ufológico e da pluralidade de vida inteligente no plano cósmico. O grau de respeitabilidade das palavras transmitidas está declinado no papel pelos mesmos representados na cena comunitária. Nick Pope foi Ministro da Defesa da Grã-Bretanha. Paul Hellyer foi Ministro da Defesa do Canadá. Laura Eisenhower é neta do General Dwight Eisenhower, ocupante da presidência dos Estados Unidos, considerado herói de guerra pela circunstância de haver comandado as forças militares aliadas que combateram o nazi-fascismo.

Os dois ex-ministros deixaram expresso, em revelações tomadas em separado, com exuberância de desnorteantes detalhes, não persistirem dúvidas quanto à natureza extraterrena dos óvnis. Os objetos são absolutamente reais, segundo ambos. Detêm tecnologia incompreensível à luz do conhecimento cientifico terreno. Rondam permanentemente nosso planeta, monitorando de alguma maneira as ações humanas, recolhendo material para supostos estudos científicos, fazendo intervenções isoladas aqui e ali. Poderão vir a fazer, num dado momento, contato oficial em definitiva amplitude. Os governos de seus países, bem como de outras potências, estão cientes da situação, inexplicavelmente trancada a sete chaves. É certo que, nalgum momento, já ocorreu aproximação de representantes desses seres com chefes de governo. A neta do ex-presidente estadunidense, por sua vez, informou ser largamente sabido na intimidade de sua família que, à época de sua presença na Casa Branca, o avô manteve conversações com representantes de mundos exteriores, sendo pelos mesmos alertado sobre os riscos da escalada belicista nuclear.


sábado, 22 de julho de 2017

Luiz de Paula, 
um cintilante itinerário

Cesar Vanucci

“Que belo é ter um amigo!”
(Miguel Torga, poeta)

Querem saber de uma coisa? Os 100 anos bem vividos de Luiz de Paula Ferreira exigem, no duro da batatolina (como se diz na saborosa linguagem popular), celebração que extrapole os limites do território familiar. A cintilante trajetória percorrida por este cidadão pleno de compreensão sobre o sentido da vida, dono de invejável erudição, que sabe conjugar magnificamente ideias arrojadas e ações fecundas, merece ser mostrada a todos como uma saga na crônica norte-mineira.

Montes Claros, com sua irresistível brejeirice sertaneja, genuinamente brasileira, tem-no obviamente na conta de personagem exponencial. Alguém com retrato garantido na galeria dos que, ardendo criatividade e labor produtivo, contribuíram para que se tornasse o polo de irradiação cultural, social e econômico, de que tão justamente podem seus habitantes se ufanarem. É bastante compreensível que, no apreço e admiração das ruas, Luiz seja visto como grande benfeitor da comunidade. Um “verdadeiro contemporâneo do futuro”! Uma pessoa que, utilizando adequadamente os talentos concedidos por Deus, com audácia vanguardeira e olhar assestado no amanhã, avaliou as potencialidades da região e ajudou a projetar as estratégias do crescimento que conferiram à mesma a posição ostentada no mapa cultural, social e econômico de Minas e do País.

Escritor festejado, com função intelectual que exala vida, bem sucedido empresário, parceiro do saudosíssimo e, como ele, infatigável José Alencar, nesse colossal empreendimento chamado Coteminas, com todas suas esplêndidas ramificações nas veredas do progresso industrial, Luiz de Paula imprimiu ainda as marcas digitais, ao tempo do exercício parlamentar, nos programas de incentivo ao desenvolvimento do nordeste, concorrendo decisivamente para a criação da assim chamada “área mineira da Sudene”.

Esse mineiro de boa cepa, a quem importa mais ser do que parecer ( tomando emprestado inspirado conceito de Guimarães Rosa), é considerado  símbolo vivo, símbolo itinerante de Montes Claros, cidade que representa um portal da cultura brasileira de nosso vasto sertão. Dizer que Luiz tem a cara de Montes Claros é o obvio ululante. Seu currículo, de rico conteúdo humanístico, ostenta além da condição de escritor e poeta, as facetas de musicista, associado de várias organizações culturais (entre elas, o conceituado Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais), repentista afamado e fotógrafo premiado. Vale registrar, a propósito, que em julho de 1974 uma foto de sua autoria, de teor ecológico, ganhou as honras de página inteira na extinta revista “Realidade”.

Fiquei conhecendo Luiz de Paula Ferreira nos idos de 1965, assim que cheguei de muda a Belo Horizonte, largando pra traz a condição de advogado do Sesi em Uberaba para assumir o cargo de Superintendente Geral do Sistema Federação das Indústrias, a convite do saudoso Fábio de Araújo Motta. Em minhas quase quatro décadas de permanência nas honrosas funções mantive saudável convivência, fraternal relacionamento com o ilustre cidadão centenário. Acompanhei de perto seu excelente trabalho como empresário e dirigente classista. Colaborei com ele na missão, conduzida com bom senso e proficiência proverbiais, como chanceler da comenda do “Mérito Industrial”, anualmente concedida pela valorosa entidade. Inteirei-me dos detalhes de um sem número das realizações que promoveu com obstinação criadora. Desfrutei do privilégio de ouvi-lo contar, narrador incomparável, causos saborosíssimos ambientados nas paragens sertanejas. Conservo bem nítida na memória deliciosa e instigante história registrada num de seus livros, tendo por título “Olha ocê criminoso”, que me permito aqui reproduzir.

Vitorino, “um camarada andejo”, acumulava os ofícios de fotógrafo ambulante e professor de primeiras letras. Foi contratado por um coronel da zona rural para alfabetizar o pessoal rude de seus redutos políticos mode que poderem alistar-se como eleitores. O instrutor topou, logo de cara, com dificuldade inesperada. O pessoal matriculado não dava as caras na sala de aula. Com intervenção do coronel, Vitorino conseguiu, enfim, reunir o grupo. O relato, daqui pra frente, partindo de uma recomendação dada pelo coronel ao professor, é do próprio Luiz: “Bem, seu Vitorino, os homens estão aí. Agora carece o senhor dizer a eles uma palavra boa e dar um exemplo ou dois para criar maior compreensão e entusiasmo em nossos amigos e futuros eleitores. Vitorino pegou a deixa. E falou bonito. Explicou àquele grupo tão singular de alunos que o analfabeto (...) é que nem um cego perdido no mundo. Não vai além da enxada, da foice e do machado. Não pode prosperar. Não pode retirar dinheiro em bancos para fazer uma lavoura maior. (...) E assim por diante. Os homens prestavam atenção e o coronel dava mostras de satisfação. Lembrando-se do pedido e dos exemplos, Vitorino foi em frente: - Agora vou dar um exemplo. Quero que todos os senhores prestem muita atenção. Para ficarem sabendo como é importante a pessoa saber ler. E fixando o olhar no Amâncio, caboclo tido e havido como cabra da confiança do coronel, firmou a voz: - O senhor aí, seu Amâncio. Não falando com pouco ensino, vamos dar por certo que um sujeito qualquer, dessas almas que Deus põe no mundo por descuido, e o capeta toma conta, um sujeito desses desagrada o coronel. E o coronel escreve o nome do mal-agradecido num papel e manda para o senhor corrigir a injustiça. Preste bem atenção. O senhor recebe o papel com o nome do homem, mas o senhor não sabe ler direito. E nem pode mostrar o papel a ninguém. O senhor pega o papel, vira e revira na mão. Soletra mal-e-mal. Entende o nome errado. E taca fogo noutro. Olha ocê criminoso!”

Veja bem, caríssimo leitor. A empolgação suscitada no espírito deste desajeitado escriba pela vida e obra de Luiz de Paula é de molde a poder conduzi-lo a estender por muitas e muitas laudas ainda estes maldigitados escritos. Há coisas demais a relatar numa biografia tão prodigiosa. Vou ficando por aqui mesmo, apoderado da certeira convicção de que os exemplos de retilínea conduta espalhados por este estimado amigo, em sua itinerância terrena pela pátria humana, produziram frutos à mancheia. Frutos que, como os da linguagem evangélica, permanecem.

O fraseado da hora política

Cesar Vanucci

“As frases feitas são a
companhia cooperativa do espírito.”
(Machado de Assis)

“Se for verdade tudo o que estão dizendo sobre o Lula, isso vira uma arma de campanha. E, sendo uma arma de campanha, afeta também a votação. Eu ganhei do Lula duas vezes, não acho o Lula um bicho-papão.” (Fernando Henrique Cardoso)

“Meus adversários andaram semeando Aécio e, agora, estão colhendo Bolsonaro.” (Luis Ignácio Lula da Silva)

“A Lava Jato não está ameaçada, não estará.” (Carmem Lúcia, presidente do STF)

“Política é para políticos, não dá pra imaginar que um gestor competente vá solucionar os problemas do Brasil. O que o país precisa é de bons políticos.” (Roberto Setúbal, presidente do Banco Itau)

“A denúncia é uma peça de ficção.” (Antônio Claudio Mariz de Oliveira, advogado de Temer na defesa de seu constituinte perante a Câmara dos Deputados)

“Essa gente que está batendo panela pode acabar sendo alvo amanhã de atentados aos seus direitos. Cria-se uma insegurança geral, um fascismo vulgarizado.” (Gilmar Mendes, presidente do TSE)

“As incontornáveis contradições tucanas fazem a legenda parecer uma biruta de aeroporto. Vai ao sabor dos ventos.” (Rodrigo Martins, jornalista)

“Como continuar com um governo comandado por um presidiário como Eduardo Cunha?” (Renan Calheiros, ao deixar a liderança do PMDB)

“O que existe é um acordo espúrio com Temer em troca de apoio a Aécio Neves.” (Miguel Reale Junior, autor do pedido de impedimento de Dilma Rousseff, ao anunciar seu desligamento do PSDB)

“Acho que o Brasil esgotou o ciclo da impunidade, pelo menos da segurança da impunidade. Falta resolver a incompetência da máquina pública.” (Deputado Miro Teixeira)

“O que a Lava Jato tem demonstrado, e as investigações eleitorais também, é que as despesas de campanha no Brasil são extremamente elevadas. Porque têm de ser milionárias?” (Nicolao Dino, vice-procurador geral eleitoral)

“A reforma trabalhista rebaixa o patamar civilizatório mínimo alcançado pela legislação brasileira. A jornada intermitente é um contrato de servidão voluntária. O indivíduo simples fica à disposição, na verdade, o seu tempo inteiro ao aguardo de três dias de convocação.”(Marcelo Delgado, ministro do TST)

“A solução correta, pacífica e inteligente, está na convocação de eleições diretas antecipadas no prazo mais curto possível. Ao povo a palavra final.” (Mino Carta, jornalista)

“O que adianta passar mensalão, petrolão e daqui a pouco um outro “ão”, sem mudar mecanismos de prevenção.” (Alexandre de Moraes, ministro do STF)

“Não sei como Deus me colocou aqui.”  (Michel Temer)

“Uma coisa é o tempo do Judiciário e outra coisa é o tempo político.” (Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil)

“O noticiário tem apontado Rodrigo Maia como um Didi da política, o craque que joga parado. Sem se mexer, o presidente da Câmara estaria armando para suceder Temer – e não só quando este vai ao exterior.” (José Roberto Toledo, jornalista)

"Fiquei chocado e senti náusea. Foi minha reação física: um choque, e fiquei enjoado mesmo." (Rodrigo Janot, procurador geral da República, sobre a reação que teve com as revelações que levaram às acusações contra Temer e Aécio)

“Segundo o noticiário, ao ex-ministro Geddel Vieira, cidadão acostumado com toda sorte de mordomias proporcionadas pelo poder, foi destinada uma cela, na Papuda, desprovida de água quente. Com esse frio danado que anda fazendo, as más línguas vêm apostando que ele acabará aderindo, logo, logo, a uma delação premiada.” (Antônio Luiz da Costa, educador)

"Do jeito que as coisas vão, peritos da defesa de Temer vão mostrar gravações provando que Elvis não morreu e continua cantando." (Escritor Paulo Coelho)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Uma certeza: 
não estamos sós!

Cesar Vanucci

“Belo Horizonte sediará, entre os dias 21 e 23.
de julho, o XX Congresso Brasileiro de Ufologia.”
(Do noticiário dos jornais)

Falando do especial significado do XX Congresso Brasileiro de Ufologia para a aquisição de conhecimentos relevantes no plano da instigante temática dos chamados fenômenos transcendentes, Cândida Correa Côrtes Carvalho, diretora do “Jornal de Luz”, relata experiência pessoal de avistamento de objeto aéreo de luminosidade intensa, definindo-o como “um dos espetáculos mais bonitos que já presenciei”. A brilhante jornalista, escritora com marcante presença nos quadros da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, não classifica a singular ocorrência pela nomenclatura tradicional. Mas o que descreve é, sem tirar nem pôr, o que se faz conhecido, no vocabulário ufológico, como “contato imediato de terceiro grau”. A denominação é título de filme famoso produzido e dirigido por Steven Spielberg.

Eis o que conta a jornalista: “Em agosto de 1979, já era noite, quando vínhamos da fazenda Três Barras. Na divisa com o Zinho Couto, o carro furou o pneu. Ninguém sabia trocar. Ademir Silvestre trabalhava na fazenda, estava conosco e se dispôs vir à cidade buscar alguém para trocar o pneu. O carro estava cheio: Bete, a motorista, meus filhos menores, a Lourdes, mãe da Glauciana, esposa do sargento André, sua mãe e Nair, esposa do Ademir. De repente, sem ruído algum, um clarão iluminou os pastos. No céu, um objeto oval, nas cores azul, vermelha e amarela. Sem ruído, muito rápido. Cortou o céu sobre nós, que ficamos sem saber o que era. Só Nair não viu o objeto. Quando chegou de descer do carro, ele já havia desaparecido. Ademir estava no bambuzal do Mané, quando viu o clarão. Pôs as mãos na cabeça e ficou encolhidinho no chão, esperando o mundo acabar. À mesma hora, Geraldo, José Capoteiro e Magela estavam na fazenda do Abdala e viram o objeto, que clareou a região do Campinho. Tia Luiza nos contou que os meninos estavam caçando na Serra e que foi lindo. Iluminou, por instantes, a amplidão.”

Avistamentos do gênero, ao contrário do que muitos supõem estribados “em vã filosofia”, não são tão raros assim. Pipocam em tudo quanto é canto deste planeta azul, uma ilhota perdida num oceano infinito de inexplicabilidades, como magistralmente anota Aldous Huxley.

É para ajudar as pessoas a compreenderem melhor episódios como o que aqui vem narrado, bem como outros aspectos enigmáticos da fascinante charada dos óvnis que renomados especialistas e estudiosos do fenômeno, alguns deles provenientes de outros países, estarão presentes, entre os dias 21 e 23 do corrente, em Belo Horizonte, como expositores do XX Congresso Brasileiro de Ufologia. A promoção é da respeitada revista “Ufo”, dirigida pelo jornalista Ademar Gevaerd, personagem com extensa e rica atuação na investigação e divulgação da história dos discos voadores. Uma história que, aprestando-se a desconcertantes especulações, deixa estampada uma certeza: não estamos sós no Universo.

Os interessados em participação no conclave, programado para o Othon Palace Hotel, poderão obter mais detalhes a respeito no site: www.ufologiabrasileira.com.br.



Mais uma 
charada geopolítica


Cesar Vanucci

“Acusar o Catar de financiar o terror é pura
hipocrisia. Os sauditas o fazem em maior escala.”
(Antônio Luiz M.C.Costa, jornalista)

A confusão das arábias vivida no Oriente Médio acaba de ser acrescida de uma outra charada de complicada decifração. Como sabido, esse convulsionado pedaço de mundo é palco, desde sempre, de um inextricável jogo de conveniências políticas e econômicas. Categorizados observadores dos acontecimentos internacionais surpreendem-se em palpos de aranha para definir com exatidão, nas movediças manobras executadas pelos protagonistas do jogo, quem é aliado ou quem é inimigo de quem entre os países e grupos envolvidos nos conflitos.

No mais recente incidente, registrado logo depois da passagem do presidente Trump pela região, a Arábia Saudita, Bahrem, Emirados Árabes Unidos, Ilhas Maldivas, Egito e facções dos conturbados e divididos territórios do Iêmen e Líbia romperam relações com o Catar, um dos membros do “Conselho de Cooperação do Golfo”, constituído pelas monarquias árabes. Um bloqueio diplomático, financeiro, aéreo, marítimo e terrestre foi imposto ao diminuto e rico território pela coalizão liderada pelos sauditas. 

Os motivos alegados para o impactante procedimento, segundo análises razoavelmente confiáveis, são pouco convincentes. Há menções a apoios do Catar a grupos sectários empenhados na desestabilização da área e, também, a incitações da mídia do país a práticas subversivas contra os demais governos. Anota-se também, como fator de desencadeamento da crise, a publicação, em sitio de uma agência estatal do Catar, de matéria aparentemente simpática ao Irã e aos grupos “Irmandade Muçulmana”, hostil ao governo do Egito, e “Hamas”, que opera em conflitos a partir de sua base no Líbano. Declaração enfática do soberano do Catar, o Emir Tamim, de que essa matéria seria falsa tornou tudo mais desconcertante. O texto teria sido produzido com intuitos malévolos por especialistas em propagação de mentiras comprometedoras. Especula-se que a provável ação clandestina tenha sido encomendada pelos próprios serviços secretos da Arábia.

A situação no território alvo do bloqueio ficou dramática. O país vale-se das fronteiras sauditas e dos demais Emirados para importar alimentos e outros bens de consumo essenciais. De modo a evitar colapso no abastecimento, o Catar recorreu ao Irã buscando criar outros circuitos de suprimentos.

É curioso, nessa embrulhada, registrar que no Catar está localizada a mais importante base militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. A base de Al-Udeid operava anteriormente na Arábia Saudita. Mas em 2003, por exigência de correntes fundamentalistas extremadas, os militares estadunidenses foram expulsos dali, sob o argumento de que a terra sagrada de Maomé não poderia abrigar infiéis armados. A base no Catar concentra aviões empregados em bombardeios na Síria, Iraque e Afeganistão.

Não poucos analistas consideram a atitude da Arábia Saudita e aliados de indisfarçável hipocrisia. Mesmo que não seja totalmente destituída de fundamento a revelação de que cidadãos do Catar figurariam como doadores de recursos aos extremistas muçulmanos, é fora de qualquer dúvida que o grosso no financiamento dos tresloucados terroristas procede justamente dos países que acusam o Catar. Ou seja, a enigmática Arábia Saudita e seus satélites dos Emirados.

O mais provável é que a desavença decorra da abertura midiática do Catar, que não oferece restrição ao trabalho da famosa “Al-Jazira”.  Essa rede de tevê exerce enorme influência no mundo árabe, ao divulgar o que rola politicamente e militarmente ali. Sauditas e aliados estariam empenhados em silenciá-la.

É oportuno sublinhar mais alguns desnorteantes dados sobre os misteriosos caminhos palmilhados pela geopolítica dominante na região. O governo britânico promoveu inquérito sobre o financiamento do terrorismo islâmico, chegando à conclusão de que a fonte principal dos recursos provinha da Arábia Saudita. O jornalista Michael Moore, em livros e documentários televisivos, acusa reiteradamente facções jihadistas enquistadas na realeza saudita de patrocinarem as ações da Al-Qaeda e do Talebã. São dele as revelações de que nas mesquitas de Riad a derrubada das “torres gêmeas” foi celebrada com “fervor religioso”, bem como a incrível informação de que a família do ex-presidente Bush mantinha vinculações negociais de grande envergadura com dirigentes sauditas aparentados de ninguém mais do que Osama Bin Laden. As polêmicas mensagens eletrônicas de Hillary Clinton denunciadas na campanha presidencial nos EUA falavam do forte envolvimento da realeza saudita no financiamento terrorista. E, pra arrematar, o próprio Trump, em pronunciamentos anteriores à posse, chegou a acusar figuras do governo da Arábia Saudita por cumplicidade nos eventos de 11 de setembro.


Pelo visto, o novo incidente não passa de mais um capítulo dessa tremenda “confusão das arábias”.




XX Congresso 
Brasileiro de Ufologia

(Editorial do "Jornal de Luz", 24.junho.2017)


Cândida Corrêa Côrtes Carvalho *


"Uma realização da Revista “UFO” – 35 anos de existência. É a mais antiga publicação sobre discos valores do mundo. O XX Congresso de Ufologia acontece de 21 a 23 de julho, em Belo Horizonte, no Othon Palace Hotel, simultaneamente ao I Encontro de Ufologia Avançada de Minas Gerais. Participam do evento catorze palestrantes brasileiros, dentre os quais , seis mineiros e um deles o nosso amigo, César Vanucci, Presidente da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e o norte americano  Jhon Carpenter, que vai falar sobre as abduções alienígenas, com testemunhos que aumentam o grau de credibilidade. Em foco, as abduções e a presença de seres híbridos entre nós. Eufóricos devem estar os ufólogos, com a recente descoberta de dez planetas semelhantes à Terra, possivelmente habitáveis... Ana Elizabeth Diniz, em “O Tempo” de 20 de junho, escreve uma página sobre o tema. O assunto é mais velho do que se pensa. Está na Bíblia (em Ezequiel); nos relatos dos sumérios, em pinturas rupestres, como os que vimos na Serra da Capivara, no Piauí. Ufólogos afirmam que ocorreram dois episódios de captura, de naves e seus tripulantes. Em 1974, em Roswel, nos EUA e em Varginha-MG, no ano de 1996. Sabemos que a Aeronáutica já dispôs de mais de 10 mil documentos sobre a casuística ufológica, que comprovam pesquisas realizadas entre 1954 1986 - algumas com participação do governo dos USA. O Governo Brasileiro esteve intensamente envolvido na elucidação dos fenômenos que ocorreram na década de 70, no Pará. Graças ao empenho dos movimentos UFOs: Liberdade de Informação, da Revista UFO, em parceria com a Comissão Brasileira de Ufólogos, a Força Aérea Brasileira recebeu ordens do ministério da Defesa para abrir seus arquivos. (Um aviador luzense, nosso ex-aluno, hoje aposentado pela Aeronáutica, é testemunha ocular de fatos sobre o assunto). Em agosto de 1979, já era noite, quando vínhamos da fazenda Três Barras. Na divisa com o Zinho Couto, o carro furou o pneu. Ninguém sabia trocar. Ademir Silvestre trabalhava na fazenda, estava conosco e se dispôs vir à cidade buscar alguém para trocar o pneu. O carro estava cheio: Bete, a motorista, meus filhos menores, a Lourdes, mãe da Glauciana esposa do sargento André, sua mãe e Nair, esposa do Ademir. De repente, sem ruído algum, um clarão iluminou os pastos. No céu, um objeto oval, nas cores azul vermelha e amarela. Sem ruído, muito rápido. Cortou o céu sobre nós que ficamos sem saber o que era. Só Nair não viu o objeto. Quando chegou de descer do carro, ele já havia desaparecido. Ademir, estava no bambuzal do Mané, quando viu o clarão. Pôs as mãos na cabeça e ficou encolhidinho no chão, esperando o mundo acabar. À mesma hora, Geraldo, José Capoteiro e Magela estavam na fazenda do Abdala e viram o objeto, que clareou a região do Campinho. Tia Luiza nos contou que os meninos estavam caçando na Serra e que foi lindo. Iluminou, por instantes, a amplidão. Até hoje não sei que objeto era aquele. Seria uma nave extraterrestre? Só sei que foi um espetáculo dos mais bonitos eu já presenciei."
* Acadêmica da Amulmig / Fundadora e Diretora do "Jornal de Luz"

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A missão do intelectual

Cesar Vanucci

“O menos que o escritor pode fazer
(...) é acender sua lâmpada.”
(Érico Veríssimo)

Concorrida assembleia na Academia Mineira de Letras marcou a posse do jornalista Rogério Faria Tavares como membro da Academia Municipalista MG. Ele foi recepcionado pela acadêmica Elizabeth Rennó. Como presidente da Amulmig, usei também da palavra. Reproduzo abaixo o que falei.

Devo, de início, agradecer a todos quantos concorreram para que esta assembleia se transformasse em feérico espetáculo de afirmação cultural, impregnado de calor humano e vibração fraterna. Sustento que “o batismo acadêmico” reveste-se de um certo  caráter sacramental. Tem um quê de “processo iniciático” voltado para a busca da expansão do conhecimento individual dentro de salutar contexto gregário onde prevalece aquela conjugação de vontades poderosa que torna uma Academia serena guardiã de saberes acumulados. Estamos falando de precioso patrimônio cultural composto de valores que os integrantes da grei acadêmica têm em comum apreço e que exprimem sentimentos enraizados na alma das ruas. Na psicologia das ruas, esse formidável e desbordante manancial de vida.

Com regozijo, a Amulmig acolhe Rogério Faria Tavares. O novo companheiro, de trajetória cintilante nos fazeres e afazeres culturais, é um intelectual provido de compreensão a respeito das coisas de sua época. Dispõe dos atributos desejáveis para fazer parte desta valorosa instituição. Uma instituição que se ufana em alardear a presença em seus quadros, no passado – ontem, como hoje, quadros representativos de expoentes da inteligência -, de ninguém mais do que Juscelino Kubitschek de Oliveira. O Nonô de Diamantina e de Brasília. Este extraordinário estadista que deixou saudade eterna na memória popular, com atuação republicana sugestivamente reverenciada nestes momentos em que a vida nacional se revela desfalcada – em circunstâncias assustadoramente traumáticas – de lideranças capazes de conectarem o País com sua insopitável vocação de progresso.

Dispenso-me, naturalmente, de alinhar mais considerações sobre a vida e obra do Acadêmico recém-empossado. Da tarefa de exaltar-lhe os méritos cuidou com esmero, em substancioso pronunciamento, nossa querida Elizabeth Rennó, com aquela singular finura de espírito e capacidade que possui de envolver-nos em clima de embevecimento nos ditos e escritos.

O que se me afigura relevante sublinhar é que festas como esta, de soberba louvação da inteligência e celebração jubilosa da vida, são necessárias. Mais que isso: imprescindíveis. Têm o condão de oxigenar cenários por onde escoa parte volumosa das trepidantes rotinas da vida.

Rotinas essas alvejadas pela mediocridade. Por desatinos de comportamento - de procedência bem identificada - que afetam impiedosamente o tecido social. Pelas fanatices descabidas e intolerâncias de todas as cambiantes, nascidas de concepções fundamentalistas esclerosadas. Pelas ambições hegemônicas descomedidas praticadas por países e grupos. Pela insensibilidade social e ausência de misericórdia, amiúde constatadas nas relações comunitárias.

A inteligência é um dom de Deus. Deus não permanece neutro entre o bem e o mal. É compreensível se sinta em santa frustração quando se dá conta, por exemplo, de que, nalguns redutos despojados de espiritualidade e humanismo, mesmo que isso seja negado em palavras, viceje como constante prática o absurdo conceito de que “entre Deus e o dinheiro, o segundo é sempre o primeiro”, conforme enuncia desconcertante adágio.

O intelectual é alguém detentor de dons essenciais na construção humana. Não pode se recolher a uma torre de marfim, em atitude de indiferença com relação às mazelas sociais à sua volta. Há que fazer da palavra, como o confrade Rogério Faria Tavares faz, um instrumento empenhado em propagar o primado do Social sobre as outras coisas deste mundo do bom Deus onde o tinhoso persevera na implantação de nefastos enclaves. Os alvos colocados sob a mira do engenho e do labor humanos devem ser sempre sociais. A economia, a tecnologia, a política, a educação, bem como outras atividades de valoração equivalente, não são fins em si mesmas. Constituem, sim, meios para se atingir fins. Fins, sempre e exclusivamente, sociais. O homem é a medida correta das coisas. Tudo, no febricitante processo laboral, tem que estar voltado para o bem-estar social. Fora da solidariedade social não há salvação Este conceito me leva a evocar Juvenal Arduini, grande sociólogo, saudoso compadre, quando afirma que “Amar a humanidade é preciso, mas o amor não pode camuflar a verdade. Amor consciente e resoluto deve contestar injustiça, miséria, rancor, crueldade e guerras.”

Permito-me, por derradeiro, trazer pra reflexão magistral definição de Érico Veríssimo acerca da missão do intelectual: “O menos que um escritor pode fazer, numa época de injustiças, desamor e atrocidades como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto.”

Meus bons amigos, espero que tão singelas considerações, elaboradas com o intuito de transmitir mensagem de boas vindas a este nosso ministro da palavra social Rogério Faria Tavares, guardem sintonia com o conteúdo humanístico e espiritual desta empolgante festa de exaltação da inteligência e celebração da vida.


Seis filmes e suas versões

Cesar Vanucci

O cinema é infinito (...) Cada imagem só existe
interligada à que a antecede e a que a sucede.”
(Vinicius de Moraes)

A programação de filmes na televisão com seus enfadonhos repetecos proporciona aos cinemeiros, com constância, a ensancha de poderem comparar distintas versões de uma mesma história. Assim aconteceu, dias atrás, ao vermos o mais recente lançamento de “Grande Gatsby”. Este tipo de avaliação também prevalece para outras películas conhecidas. Mencionemo-las: “Ben-Hur”, “A Noviça Rebelde”, “Sabrina”, “Sete homens e um destino”, “Doze homens e uma sentença”.

A trajetória de o “Grande Gatsby”, adaptação para o cinema de um romance de Scott Fitzgerald, comporta já a partir de 1926 quatro versões. A primeira delas traz Warner Baxter no papel central. Em 1949, Alan Ladd, protagonista de um faroeste que marcou época - “Os brutos também amam” -, um baixinho que subia em caixotes para poder contracenar com atrizes mais altas, vive o personagem central.  Robert Redford e Mia Farrow lideram o elenco na projeção de 1965. Agora, em 2016, Leonardo DiCaprio é o astro escolhido para interpretar a enigmática figura que dá título ao filme, um milionário que promove suntuosas noitadas festivas em sua mansão, reunindo aristocratas e artistas. Confrontada com a produção anterior, essa última é de doer. Não consegue reproduzir, um tiquinho que seja, o charme, padrão técnico e artístico da versão mais famosa (1965).

Outro fiasco monumental caracteriza a versão exibida pouco tempo atrás de “A Noviça Rebelde”. Tirante as inesquecíveis melodias, nada no “novo filme” lembra a saborosa narrativa referente à noviça de um convento, refratária a regras, que na condição de  governanta revira de cabeça pra baixo, trazendo muita alegria e vibração, alterando radicalmente os hábitos do lugar, mansão habitada por rígido militar e seus sete filhos. O “A Noviça Rebelde” recebido a princípio com restrições pela crítica, mas aclamado o tempo todo pelo público, foi dirigido por Robert Wise. O destaque no time de atores pertence a  Julie Andrews, Christopher Plummer, Eleanor Parker e Richard Haydn.

No “Ben-Hur” de seis décadas atrás, Charlton Heston é Judah, príncipe judeu injustamente acusado de traição, junto com a mãe e irmã, pelo oficial romano Messala, amigo de infância. Sobrevivendo às galés, adotado por um nobre romano a quem salva da morte num naufrágio, Judah retorna à Judeia e enfrenta Messala numa corrida de bigas apontada como um dos momentos mais eletrizantes da cinematografia.  Stephen Boyd é o oficial romano na trama. Pouca gente sabe que o autor do enredo, Gore Vidal, insinuou em seu trabalho que existiria uma ligação homossexual entre Judah e Messala. Esse enfoque foi descartado na realização da fita. Ano passado, com Jack Huston (Judah), Toby Kebbell (Messala), Morgan Freeman (mercador que se torna amigo do príncipe judeu) e o brasileiro Rodrigo Santoro (que interpreta Jesus crucificado), lançou-se nova versão de “Ben-Hur”. A diferença de qualidade entre os dois filmes é de tal monta que se faz possível valermo-nos de metáfora para uma explicação: o primeiro “Ben-Hur” está para o segundo assim como o desempenho da seleção brasileira de futebol que levantou o Tri no México está para o desempenho da seleção dos vexatórios sete  a um no Mineirão.

A comédia romântica “Sabrina” de 1954, com a meiga Audrey Hepburn, Humphrey  Bogart e William Holden, mesmo tendo saído ao agrado do público e da crítica, não resiste, falar verdade, a um confronto com a “Sabrina” de 1995, estrelada por Harisson Ford, Julia Ormond e Greg Kinnear. A historieta da jovem filha de motorista cortejada por dois irmãos, um deles play boy, o outro compenetrado executivo de poderoso conglomerado empresarial familiar, revela-se bem mais glamorosa e interessante no segundo momento.

 O clássico “Sete homens e um destino”, faroeste inspirado no célebre “Os sete samurais”, de Akira Kurosawa, foi lançado numa segunda versão em 2016, com Denzel Washington à testa do elenco. O filme bateu recorde de bilheteria. Em que pese o ritmo eletrizante da narrativa, bem ao gosto dos aficionados das películas de ação, a versão de 1960, que traz Yul Brynner como protagonista principal, merece ser apontada como de feição artística superior.

Chegamos, por último, nesta singela avaliação comparativa, a um dos maiores filmes de todos os tempos: “Doze homens e uma sentença”. Na versão de 1967, com o excelente Henry Fonda e um soberbo conjunto de atores, direção de Sidney Lumet, a cinematografia atinge um de seus instantes de mais raro esplendor. Na versão de 1997, com Jack Lemmon igualmente encabeçando portentoso grupo de intérpretes, dirigidos por Willian Friedkin, defrontamo-nos com outro celuloide de inspiração requintada, em condições de também galgar pódio na arte cinematográfica.


Tom, Edu e “Caffeine”

Cesar Vanucci

A música é como o pão – elementar e santa, e é de todos.”
(Tristão da Cunha)

O locutor que lhes fala viveu a deleitosa emoção de ver, com estes olhos que a terra um dia vai comer (só que, a depender da própria vontade, daqui muitos anos ainda), três soberbos espetáculos musicais, no curto espaço de 48 horas. Dois deles – ora, veja, pois! – via televisão, com a sintonização de canais por assinatura em momentos, tanto quanto se sabe, de minguada audiência. O terceiro espetáculo, encenado em aconchegante espaço cultural denominado “Autêntica”, na Savassi, Belo Horizonte, foi acompanhado de perto, bem ao alcance das mãos, pode-se dizer. Afianço, com convicção, que shows como esses só de raro em raro costumam pintar no pedaço.

Falo, primeiramente, das imagens captadas na telinha. O canal da Paramount trouxe um senhor documentário sobre a obra de ninguém mais, ninguém menos, do que Tom Jobim. Produção esmeradíssima, em condições de extasiar qualquer tipo de público, em qualquer parte do mundo. À vista do que está dito, dá pra avaliar o elevado grau de intensidade em matéria de embevecimento que o espetáculo certeiramente suscitou no espírito das legiões de admiradores do compositor, mundialmente reconhecido como figura exponencial na galeria dos fazedores de arte musical. Intérpretes vocalmente e instrumentalmente famosos encarregaram-se de espalhar os sons de algumas lindíssimas páginas do inesgotável repertório do genial maestro brasileiro.

O outro show mostrado na tevê foi produzido pelo canal Brasil, uma referência marcante na divulgação da cultura nacional. Comemorando os 70 anos do esplêndido compositor Edu Lobo, a emissora promoveu magnífico desfile de melodias de sua autoria. Parceiros de inesquecíveis canções, entre eles Chico Buarque de Holanda, outro titular absoluto do escrete brasileiro de brilhantes compositores, estiveram presentes. Num dos instantes mais apreciados do evento, Edu brindou-nos com antológica interpretação do “Trem Caipira”, de Villa Lobos.

O terceiro espetáculo empolgante que faço questão de destacar neste acolhedor minifúndio de papel (evocando metáfora bolada pelo saudoso Roberto Drumond) coloca sob foco o magistral e ainda não suficientemente louvado “Caffeine Trio”. As cantoras de formação lírica que compõem o admirável conjunto fizeram, perante plateia numerosa e vibrante, que as aplaudiu de pé, exigindo bis a cada número, o lançamento de seu primeiro DVD. Trajadas a caráter, Renata Vanucci, Sylvia Klein e Carolina Rennó, em lindíssima performance, imprimiram estilo todo peculiar, valendo-se de arranjos considerados  introspectivos, às peças brasileiras e internacionais interpretadas. Os lances coreográficos e gestuais que serviram de moldura à exibição deixaram patente que, além de excepcionais cantoras, todas possuem também vocação para atrizes. Difícil pacas, no espetáculo montado, apontar qual o trecho mais eletrizante. Consciente disso, este escriba limita-se a anotar, à guisa de mera ilustração, as interpretações de “Taí”, “Aurora”, “Mas que nada”, “Meu sangue ferve por você”.

Dois registros a mais apenas, pinçados numa infinidade de observações sugeridas pela atuação do Trio: 1) O acompanhamento instrumental foi de excelente nível; 2) O “Caffeine Trio” cumpriu recentemente um roteiro artístico na Alemanha, com retumbante sucesso.

E pra final de papo, animo-me a deixar aqui uma perguntazinha: o que andam, afinal de contas, esperando os responsáveis por espetáculos musicais levados ao ar na televisão e levados a cena em teatros e casas de shows para incluir o primoroso grupo em suas listas rotineiras de convidados? O bom gosto artístico ficará sumamente agradecido quando isso começar a acontecer.


A SAGA LANDELL MOURA

Falando de gripe comum                                                                 Cesar Vanucci “ (...) Daí ser a venda d...