sexta-feira, 27 de agosto de 2021

 

O retorno dos talibãs

 

Cesar Vanucci

 

“O talibanismo é fonte matricial do terrorismo.”

(Domingos Justino Pinto, educador)


Olha eles aí de volta, com seu arsenal de horrores! As imagens de pânico e desespero, mostradas pela televisão no aeroporto de Cabul, notadamente as do avião cargueiro transportando quase setecentas pessoas, homens, mulheres e crianças amontoadas, apenas com a roupa do corpo, para locais que lhes assegure refúgio contra iminentes atrocidades, são de um simbolismo terrificante.

Pelo que se pode deduzir do noticiário nosso de cada dia, os talibãs retornam ao palco político internacional tão ou até mais fortalecidos do que no período correspondente ao final dos anos 90, em que comandaram, com extrema ferocidade, os destinos do Afeganistão. Reintroduzirão, com certeira certeza, no cotidiano do maltratado território, seus tenebrosos esquemas de conspiração contra a vida.

Num relâmpago de tempo, tão logo ocorreu a retirada do grosso das tropas de ocupação estadunidenses, os terroristas, que se dizem islâmicos, reinterpretando a seu bel prazer, com cruel fanatismo, as leis do Alcorão, livro sagrado de multidões religiosas que vivem em sintonia com os valores da convivência pacífica e fraternal, se reapoderaram das posições de comando do país. Conseguiram, espantosamente, num abrir e fechar d’olhos neutralizar a resistência das forças militares, compostas de 300 mil soldados, que se presumia leais ao governo central, apoiado pelos Estados Unidos. A Casa Branca laborou num estrondoso equívoco ao imaginar que as tropas afegãs, treinadas por especialistas do Pentágono, estivessem suficientemente aptas a enfrentar alguma eventual insurreição dos remanescentes dos grupos tribais subordinados, no passado, ao sinistro Osama Bin Laden. As estratégias montadas no sentido de que o exército afegão mantivesse a paz e a ordem na conturbada região fracassaram inteiramente.

A ocupação americana do Afeganistão durou duas décadas. Foi determinada pouco depois do atentado às “torres gêmeas”, em Nova Iorque. O atentado, como se recorda, foi praticado por fanáticos da Al-Qaeda, terroristas pertencentes às milícias talibanistas, lideradas por Bin Laden, um príncipe saudita que, num primeiro instante de seu ativismo político, se aliou aos Estados Unidos na luta para expulsar os russos dos domínios afegãos. Noutra etapa da história Laden se transformou num rancoroso inimigo dos antigos aliados. O “11 de setembro” levou os Estados Unidos a deflagrarem uma operação gigantesca de combate aos talibãs. A ocupação do Afeganistão pelas forças armadas dos Estados Unidos teve por objetivo a eliminação e captura dos principais dirigentes talibãs. Paralelamente a isso adotaram-se medidas com o intento de refrear a impetuosidade talibanista no desrespeito contumaz aos direitos fundamentais, sobretudo no que concerne às virulentas restrições à liberdade das mulheres, impedidas de acesso a prerrogativas mínimas da convivência comunitária.

Tudo isto posto ajuda a explicar a razão dos receios, mais do que isso, do pavor que se apoderou de parcelas ponderáveis da sociedade afegã diante do retorno dos talibãs ao poder, a palavra de moderação dos porta-vozes do grupo em seu primeiro contato com representantes da mídia, para falar de seus planos de ação, é recebida com forte suspeição pela comunidade internacional, com carradas de razão. O fundamentalismo talibã rejeita contundentemente todos os preceitos e conceitos de vida de quaisquer filosofias religiosas, inclusive a muçulmana, que exaltem a dignidade das pessoas e que bebam inspiração nas lições humanísticas e nas orientações espirituais. O tratamento que dispensam aos valores éticos, morais, jurídicos, que compõem o processo da evolução civilizatória, são por eles negados sistematicamente, para dar lugar a violências inauditas, a atos terroristas que enchem o mundo de sobressalto.

Esse mundo do bom Deus, onde o tinhoso costuma implantar alguns enclaves, adiciona às suas perturbações e aflições um ingrediente explosivo a mais, com os acontecimentos narrados.

 

Há um limite pra tudo

 

Cesar Vanucci

“Ameaças vazias e agressões covardes não afastarão o STF de exercer, com respeito e serenidade, sua missão constitucional de defesa e manutenção da Democracia”.

(Luiz Fux, presidente do STF)


O comendador Giordano, de nacionalidade italiana, cidadão de maneiras cavalheirescas, sempre elegante no trajar, patriarca de família ilustre, valia-se de sua rica experiência de vida, sempre receptivo às lamúrias alheias, para valiosos aconselhamentos. Com palavra fraternal, sotaque cantante trazido de seus pagos natais, ajudava muita gente a contornar problemas e cair fora de enrascadas. Empregava com constância, diante de fatos chocantes, inusitados, perturbadores, uma expressão proverbial que acabou ficando associada ao seu jeito de ser por uma peculiaridade. Ele “colocava” acento, na forma oxítona, ao pronunciar a palavra “limite” (límite). Dizia límite em lugar de limite. “Há um límite pra tudo!” – costumava bradar, nos papos coloquiais.

Contemplando o tempestuoso cenário brasileiro, acode-me à lembrança o acerto da exclamação, entoada com jeito típico pelo velho Giordano: “Há, sim, límite pra tudo!”

Há um limite para a insensatez política. Para os destemperos verbais, para boquirrotismos que possam extravasar, mesmo que tenuamente, sagradas regras e conceitos pertinentes à boa convivência republicana e democrática, fortemente arraigados à consciência cívica nacional. Há um limite para exteriorizações preconceituosas de todo gênero. Há limite para que os retardatários da história se ponham à vontade, no relacionamento humano, para alvejar impunemente, com seu tosco entendimento das coisas, as conquistas da ciência, da inteligência, das criações voltadas para o bem-estar social. Há um limite para o que vem dizendo o Presidente da República Jair Messias Bolsonaro.

É o que nos mostra a reação de sensatez, lucidez e bom-senso que se observa, neste momento na vida do país, originária de vozes representativas dos mais variados setores e tendências ideológicas. Esses segmentos resolveram encarar as desabridas atitudes do ocupante do Planalto   e proclamar, alto e bom som, inconformismo diante dos intoleráveis riscos a que estamos sendo expostos com os desvarios verbais provindos, em alarmante sequência, do Palácio do Planalto.  As manifestações em questão, rechaçadas pela sociedade, compõem-se de agressões à Constituição, ao modelar sistema eleitoral implantado pelo Brasil, às instituições democráticas, a órgãos que têm por dever legal a defesa dos postulados republicanos.

O Supremo Tribunal Federal, o Tribunal Superior Eleitoral, a CNBB e outras organizações vinculadas ao pensamento religioso, a Associação Brasileira de Imprensa, a OAB, as lideranças classistas, os empresários, congressistas e dirigentes políticos de todos os partidos, a gente do povo, enfim essa poderosa corrente de opiniões está fazendo questão de registrar sua insatisfação com o que vem acontecendo na atualidade brasileira. A avassaladora crise humanitária, combatida com ineficiência, a inação administrativa, a estagnação econômica, o desemprego alarmante, o custo de vida atingindo culminâncias himalaianas, a escassez hídrica, a expansão da pobreza, tudo isso reclama uma ação resoluta sob a coordenação governamental.

Carecendo, não é de hoje, de um verdadeiro projeto de desenvolvimento, que saiba aproveitar adequadamente seu prodigioso potencial de riquezas inexploradas, o Brasil se coloca em desassossego ao identificar, na atuação de seu governo, desperdício de tempo considerável, emaranhado que se acha em questões que ofendem os brios da nacionalidade e alvejam em cheio conquistas inalienáveis que compõem seu patrimônio cívico.

O que toda a sociedade almeja é que cessem as ameaças e intimidações contrárias aos valores democráticos e que o esforço despendido nessas ações negativas seja deslocado para a retomada ampla, geral e urgente do desenvolvimento econômico e social.

Há limite pra tudo! 

sábado, 21 de agosto de 2021

 

Controvérsia em torno de um texto

 

Cesar Vanucci

 

“Morre lentamente (...) quem não encontra graça em si mesmo”

(Dizeres atribuídos ao poeta Pablo Neruda)

 

Desfazendo-me, indoutrodia, de guardados impressos acumulados durante décadas, deparei-me com um envelope branco, amarelecido pelo tempo, contendo um texto atribuído a Pablo Neruda. Fixei-me no propósito de passá-lo adiante, neste “minifúndio de papel” (como diria o saudoso Roberto Drummond), levando em conta seus sugestivos conceitos. Surpreendeu-me a revelação de minha prestimosa secretária, Clelia, de que na manhã do mesmo dia, coincidentemente, havia lido na internet o mesmo texto, com comentários controversos no tocante à autoria. Os dizeres que chamaram atenção não seriam do poeta chileno, mas sim de Martha Medeiros, escritora brasileira, tendo sido divulgados em 2009. A indicação do ano deixou-me mais intrigado ainda, face à circunstancia de que o impresso retirado da gaveta do armário, posso garantir, é anterior em muito ao ano citado. Inteirei-me, depois, que nas redes sociais existem versões diferenciadas da composição literária em causa.

 

De qualquer forma, tomei a deliberação de divulgar o texto, alimentando a expectativa de que algum leitor possa juntar esclarecimento ao caso. Cá está o texto.

 

"Morre lentamente quem não viaja/ quem não lê/ quem não ouve música/ quem não encontra graça em si mesmo./ Morre lentamente quem destrói seu amor próprio,/ quem não se deixa ajudar.../ Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,/ repetindo todos os dias os mesmos trajetos,/ quem não muda de marca,/ não se arrisca vestir uma nova cor/ ou não conversa com quem não conhece./ Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru./ Morre lentamente quem evita uma paixão,/  quem prefere o negro sobre o branco no trajar/ e os pontos sobre os “is”, em detrimento de um redemoinho de emoções,/ justamente as que resgatem o brilho dos olhos, sorriso dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos./ Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,/ quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos./ Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte/ ou da chuva incessante./ Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,/ não pergunta sobre um assunto que desconhece,/ ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe./ Evitemos a morte em doses suaves, / recordando que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar...”

E aí?

 

 

Tudo isso acontecendo

 

Cesar Vanucci

 

“Além da majoração da tarifa, pode vir racionamento.”

(Agência Nacional de Energia Elétrica)

 

Flagelo pandêmico com tétricas estatísticas. Estagnação econômica com inquietantes desdobramentos. Crise hídrica preocupante. Elevação contundente dos índices de desigualdade. Aumento alarmante da pobreza absoluta. Custo de vida em cumes everestianos. Inflação fora de controle. Revelações chocantes da CPI do Senado. Quase duas dezenas de milhões de desempregados. Multidão em “situação de rua”. Agressões ao meio ambiente em proporções descomunais. Tudo isso explodindo a um só tempo num país dotado de incomparável potencial de riquezas, mas insensatamente desprovido de projetos de desenvolvimento econômico e social, de planos de ação para enfrentamento adequado dos problemas tormentosos que o afligem, enquanto o Governo insiste em manter, obsedantemente, suas atenções e esforços fixados, na contramão da história,  no objetivo de substituir o modelar sistema eleitoral vigente pelo anacronimo esquema do voto impresso. Muita gente sustenta, com convicção, que toda essa frenética agitação política, eivada de intimidações e ameaças antidemocráticas, esteja sendo desencadeada como “cortina de fumaça” para desviar os olhares da sociedade dos clamorosos despreparo, omissões e insuficiências, detectados na gestão pública com relação às magnas questões que entravam o crescimento nacional. Agora que colocada pra escanteio, vez por todas – é o que se espera –, a proposta retrocessiva de mudança no modo de votar, essas mesmas pessoas se perguntam o que estará ainda por vir, como novo fator de perturbação no desatinado enredo político e administrativo.

  

Já começam a ser percebidos, com desassossego, os efeitos práticos dos alertas dos porta-vozes da Aneel referentes às alterações da assim chamada “bandeira tarifária”. Por causa da crise hídrica as contas de luz devem subir cerca de vinte por cento, talvez um pouco mais, até 2022. Os setores técnicos anunciam campanhas que possam estimular o uso racional de energia e, também, da água tratada. Comentam também até a possibilidade de adoção futura de medidas de racionamento, face à redução dos níveis nos reservatórios, como as ocorridas em 2001. A Aneel explica que estamos atravessando a mais aguda seca dos últimos 9 anos nas regiões em que se acham localizadas as principais hidrelétricas do país, sudeste e centro-oeste. Os sistemas em questão respondem por mais da metade da capacidade de geração de energia. Os custos operacionais das termoelétricas, que deverão atingir até o final deste ano o valor de R$ 9 bilhões, influem significativamente na adoção da “bandeira vermelha”. “Nós temos condições de atender o consumidor com energia. Entretanto, essa energia está mais cara pelo fato de estar sendo gerada pelas termoelétricas.  E como finalizamos o período úmido e ele foi o pior da história, então nós não temos praticamente água para usar com vistas a atender a geração no país até novembro”. Foi o que asseverou, recentemente, o diretor da Aneel André Pepitone, numa audiência promovida pela Câmara dos Deputados. Ele acrescentou que o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) assegurou que a chuva necessária para abastecer os reservatórios é aguardada para a segunda quinzena de outubro. Em assim sendo, perdurará até lá o esquema montado com o uso intensivo das termoelétricas, o que se traduz fatalmente em encarecimento tarifário.

 

Tudo isso anotado equivale a dizer que, para o chefe de família e a dona de casa, atordoados com elevações sucessivas de preços em todas as áreas de consumo, acabará sobrando, além das majorações nas contas de luz, o risco provável de agregação do racionamento à sua interminável lista de preocupações cotidianas. Tá danado!

 

*  Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

 

Um livro escrito por corações amorosos

 

Cesar Vanucci *

 

«Erigir o Ser como meta»

(Klinger Sobreira de Almeida)

 

«Radicalismo faz gerar rancores»

(Sílvia Araújo Motta)


Acaba de sair do prelo, como era de costume dizer-se em tempos de outrora, o livro “Rastreando a verdade (crônicas, sonetos e acrósticos)”, de autoria de Klinger Sobreira de Almeida e Silvia Araujo Motta. O prefácio que redigi para a publicação é reproduzido, na sequência.

 

“Um livro escrito por corações amorosos. Essas pessoas valorosas que fazem parte do mundo invejável dos corações amorosos! Quão fecunda é sua contribuição para a edificante causa da construção humana!

Com seus ditos e feitos bebem inspirações nas fontes da sabedoria humanística. Ajudam a conservar acesas a fé e a esperança em tempos melhores para todos. E quando, então, além de tudo isto - como no exemplo de Klinger e Sílvia -, resolvem estampar em livro crenças e vivências enriquecedoras, é que melhor e com maior nitidez se delineia sua benfazeja condição de semeadores de bons frutos. Frutos que permanecem, consoante a fala evangélica.

O livro «Rastreando a verdade - crônicas, sonetos, acrósticos» escrito a quatro mãos entrelaçadas de amorosidades por Klinger Sobreira de Almeida e Sílvia Araújo Motta, é uma proclamação de confiança no destino superior do ser humano. Enfeixa, numa prosa escorreita e agradável e versos impregnados de lirismo, reflexões substanciosas sobre a aventura humana.  No caso desta publicação, o trepidante jogo da vida, com os atributos e imperfeições, falácias e criações inerentes aos indivíduos e grupos comunitários, é visto sob enfoque harmonizado com saberes de linha filosófica transcendente. Ou seja, conhecimentos de origem espiritual, remontando às nascentes límpidas e cristalinas da jornada existencial. Fica bem visível, para os leitores identificados com os valores humanísticos e espirituais, que os autores se esmeram em oferecer orientação e sinalizar rumo para várias candentes questões de nosso inquietante cotidiano. São impulsionados, na lida desenvolta da palavra, à explicar com recomendações de caráter propositivo o significado da vida. Percebe-se sintonia fina entre aquilo que magistralmente verbalizam com uma impecável manifestação de Raul de Leoni. Aquela em que o poeta nos brinda com esta definição: «o sentido da vida e o seu arcano é a aspiração de ser divino no supremo prazer de ser humano». A variedade dos assuntos abordados, em narrativas que ganham às vezes feição de fábulas, revelando dos autores estilo primoroso de contação de história, coloca-nos diante de um painel de revelações atualizadas sobre os desafios, padecimentos, angústias confrontados pela sociedade nesta etapa perturbadora da marcha civilizatória. Para cada problema anotado, nos diferentes capítulos da obra, lá está primeiro em prosa, depois em verso, uma considera.ção, uma ponderação, um aconselhamento, calcados em lições hauridas em plano consciencial elevado.

A posição dos autores pode sugerir, num que outro momento, um propósito doutrinário. Laborará, todavia, em ledo engano quem disso inferir tratar-se de exposição de ideias ancoradas em dogmatismo rançoso. Na vibração dos esplêndidos conceitos expendidos, nas afirmativas peremptórias, revestidas de generosidade e espírito solidário e cordial, avultam dois perfis contrapostos ao imobilismo social, ao radicalismo ideológico, e que se exprimem num idioma ecumênico.

 

O prosador e a poeta sabem muito bem, trazendo da teoria para a prática o soberbo pensamento de Bergier e Pauwels, que o espírito humano é que nem o paraquedas, só funciona aberto.


O livro de Klinger e Sílvia é repleto de rutilantes conceitos. Os aparelhos de percepção pessoal do leitor mais atento se incumbem, em dados momentos de levá-lo a captar sons - diríamos – melodiosos entre o que é propagado em prosa e repicado em versos.

Aqui estão amostras bem expressivas.  

 “Reportando-se ao «Caminho do meio», recomendado nas prédicas dos Mestres, os autores assim se pronunciam, em prosa e verso:

«O caminho do Meio implica em desapego. Ter sem escravizar-se; erigir o Ser como meta. Se o poder, a glória e a riqueza lhe acontecem, atentar que estes não o acompanham ao final da travessia fugaz. Assim, não se inebrie; caso contemplado com as benesses do mundo, administre-as como posseiro de Deus, visando ao bem comum. Alcançado o pico da trajetória humana, cabe-lhe erradicar o egoísmo e o orgulho, e cultivar os valores da humildade e gratidão. Sim, gratidão a Deus e ao próximo». (...) 

«O Caminho do Meio - senda da felicidade - está sempre aberto ao viajor terrestre. Seu acesso é factível à proporção que nos elevemos consciencialmente». Já o soneto interpretativo diz o seguinte: 

«Caminho do Meio –A senda da Felicidade 

Há uma Verdade nesta Lei Regente/do Criador na Luz, sem trevas/dores:/

A Mão de Deus aberta em nossa mente/é generosa ao mundo, tem valores./

Nada de extremos, pois a Mão luzente/sábia se fecha ao Mal dos seus «senhores»/não há ascensão do Ser na trilha e sente:/

Radicalismo faz gerar rancores. /

Errar, cair, sofrer, subir ao monte/

da evolução que ao homem faz crescer! /Trilha do MEIO, livre-arbítrio traz. /

Em Cristo, Buda, Okawa... bela Fonte:/

A Fé no túnel faz Amor nascer. / Felicidade é senda para a Paz.»

Mais dois, entre outros, sugestivos conceitos: “Humildade - defluente do Amor - é estágio de acentuada elevação consciencial.

...Todos que, na travessia terrena, chegaram à plenitude do êxito, quaisquer que tenham sido seus campos de atuação, caracterizaram-se pela humildade. Foram fortes moralmente e respeitados, mostraram sabedoria e exerceram liderança». .

«Perseverança – Estrela Guia do ÊXITO. A assimilação da perseverança, como valor de caráter, deve compor o espectro educacional do indivíduo a partir da infância. Se assim for feito, estamos forjando cidadãos para a vida. Seres humanos úteis na construção de uma humanidade de elevado nível consciencial. Seres que, tendo por estrela-guia o êxito, não fogem, não fracassam, nem se corrompem».

Em página que toca fundo a emoção, Klinger faz registro enternecido à memória de sua mãe Nelsina, «supermulher, sustentáculo do lar», descendente da etnia Puri.

Sobre os autores importa salientar ainda ser ele, Klinger, militar aposentado no posto de Coronel da respeitada Polícia Militar de Minas Gerais, com irrepreensível folha de serviços no exercício de relevantes funções de comando; membro e ex-presidente da Academia João Guimarães Rosa da PMMG; conferencista renomado, autor de obras técnicas, vinculadas à formação profissional, e de trabalhos literários bastante apreciados; em suma, um intelectual de presença refulgente no cenário mineiro.

Sílvia, sua esposa, educadora é figura de realce nos meios culturais graças à sua condição de romancista, poeta, poliglota, artista plástica, compositora, com atuação em trabalhos sociais.  É aclamada como autora de mais de dez mil poemas-acrósticos e de quarenta e sete livros.

É fácil depreender, pelo enunciado, que a história de vida dos escritores e o conteúdo de sua obra comportam referências enaltecedoras de maior amplitude, sem qualquer vislumbre de dúvida. Acontece, porém, que o prefácio de um livro não deve passar tão somente de simples «tira-gosto» ou «aperitivo» antecedendo – como sucede agora - lauto e apetitoso banquete de ideias. Pelo que, vou parando por aqui. Ocorre-me tomar emprestada recomendação de Santo Agostinho sobre um livro de sua especial apreciação: «Tolle, lege»

Concluo, então, o prefácio do livro de Klinger e Sílvia, dizendo: 

Pegue-o e cuide de lê-lo.”

 

 

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

 

Instrumento de valorização da língua

 

Cesar Vanucci

 

“O idioma é a pátria”.

(Monteiro Lobato)

 

Em sessão solene realizada no dia 24 de julho, a Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais deu posse aos seus novos dirigentes para o biênio 2021-2023. Sucedeu-me na presidência da instituição, que exerci por cinco anos, a acadêmica Maria Inês de Moraes Marreco. Trechos do pronunciamento que fiz na ocasião são abaixo reproduzidos.

“Nosso ingresso na Academia deu-se em 2008”. (...), “Mas o primeiro contato com a entidade ocorreu muitos anos antes, década de 60, quando da posse da saudosa poetisa Eva Reis nos quadros acadêmicos deste sodalício. Fomos convidados por ela para apresentá-la. Houve um momento todo especial quando, na saudação, emitimos alguns conceitos sobre a atividade poética. Relatamos um episódio momentoso envolvendo Manoel Bandeira. Indagado quais seriam os versos mais lindos da poesia brasileira, o grande vate não titubeou ao apontar dizeres extraídos da canção “Chão de Estrelas”, de Orestes Barbosa e Silvio Caldas: “Tu pisavas nos astros, distraída”. Eis que, neste preciso momento, um ilustre acadêmico, apreciado poeta, professor Reis, interrompeu com aparte nossa fala, expressando discordância frontal ao registro atribuído a Manuel Bandeira.

 Entrechoque de ideias

 

Durante prolongados minutos, o ambiente foi dominado, inesperadamente, por interessante entrechoque literário, desenrolado em clima de extrema cordialidade. Já naquela época, demo-nos conta de algo que nosso presidente emérito Luiz Carlos Abritta proclama com frequência: a Amulmig é “um oásis de confraternização, solidariedade e amizade”. Comprovamos com constância que ele está coberto de razão”. (...)

 

Roteiro vitorioso

 

“Somos gratos aos nobres companheiros acadêmicos o apoio nunca recusado as iniciativas e promoções. O que conseguimos fazer foi sempre exitoso graças a essa colaboração fraternal. Como costumamos dizer, a serenidade de Deus está sempre presente nas coisas que fazemos juntos”. (...)

 

Valorização da língua

 

“Procuramos conduzir os trabalhos seguindo o roteiro vitorioso de meus predecessores. Nossos encontros periódicos, em tempos de pandemia virtuais, nossas publicações impressas e digitais foram sempre ricas em conteúdo cultural”. (...) “É justo reconhecer que nossa comunidade mantem-se empenhada na utilização da palavra como instrumento de valorização da língua. Entendemos que o idioma é a pátria, como anota Monteiro Lobato”. (...) “À vista disso consideramos indício de indigência cívica e mental o emprego abobalhado – que tanto se vê por aí, em diversificadas atividades - de vocábulos estrangeiros para classificar coisas óbvias do cotidiano”. (...)

 

A palavra social

 

“Vemos, também, como indeclinável à missão dos que mourejam no oficio das letras a utilização da palavra como instrumento de ação social. A palavra há que ser utilizada aí para criticar com veemência as clamorosas desigualdades sociais, as violências de qualquer gênero contra a dignidade da pessoa humana”. (...) “A transferência de poder numa instituição lembra, de certa maneira, uma prova de corrida típica de Jogos Olímpicos. Ao dar por finda sua participação, o gestor passa ao gestor que irá sucedê-lo o bastão que lhe foi entregue pelo gestor anterior. O bastão, no caso, é simbólico.

 

Saberes acumulados

 

Representa os haveres acumulados nas diversas etapas já percorridas. São saberes que têm significado de frutos generosos, brotados da inteligência, da criatividade artística, do engenho poético, da força arrebatante e fascínio da palavra bem esculpida. São frutos que permanecerão, como se diz no Evangelho. A Amulmig é guardiã serena desse admirável patrimônio cultural, construído pelo idealismo e pertinácia de seus dignos integrantes. Tal patrimônio, evidentemente, pertence à comunidade. Os gestores, a exemplo dos corredores olímpicos, incumbem-se de manter, no percurso da corrida que se lhes é confiado, o ritmo dos companheiros que lhes passarem o bastão, de sorte que a jornada culmine no pódio triunfal.” 

 

Cultura é tudo 

 

“Demo-nos de nós, conscientes de nossas limitações, o melhor em esforços e boa vontade, nos mandatos que nos foram confiados. Procuramos manter o compasso vibrante, entusiástico, imprimido por dinâmicos e brilhantes confrades nas administrações que precederam nossa atuação. Confessamos, em boa e leal verdade, nutrir certo receio de não havermos alcançado plenamente nosso intento. Consolam-nos, entretanto, os dizeres de um “ditado chinês”. Um “ditado chinês” que tomamos a liberdade de “inventar” para este momento. Segundo o “tal ditado”, aos olhares benevolentes dos deuses, o esforço bem-intencionado equivale a uma meia prece, se rezada com fervor...

 Prevalecemo-nos, na hora em que transmitimos a presidência à estimada Maria Inês, de um outro dito oriental. Este, autêntico.

 A sabedoria confuciana assegura que toda pessoa que alia, à inteligência fulgurante, serenidade de espírito e intrepidez, é capaz de operar prodígios. Com certeira convicção, isso se encaixa, admiravelmente, como demonstrado em invejável currículo, no perfil de nossa simpática sucessora. Suas qualificações intelectuais, seu carisma, sua aplaudida obra literária, mostram-na como líder genuína, à altura das tradições de nossa querida Amulmig.

 

Realizações enriquecedoras

 

De Maria Inês esperamos, todos nós, realizações que enriqueçam a história da entidade, agigantando ainda mais sua presença no cenário cultural das Gerais. É correto assumirmos, todos, o compromisso de ajudá-la na execução de seus projetos.

Senhores e Senhoras, a cultura é tudo! Parafraseando um “reclame” institucional televisivo que caiu no gosto popular, cultura é tech, cultura é pop, cultura é tudo! Pode-se dizer até, de modo brejeiro, aludindo ainda à paráfrase, que “agro é cultura” ...

Difundir a cultura é a missão permanente de quem se dedica ao ofício das letras, em todos os tempos, mesmo em épocas marcadas por adversidades geradas pelo obscurantismo, pelos radicalismos negacionistas, pelas intolerâncias e preconceitos fundamentalistas.

Cultura é tudo! É a forma de traduzir o sentimento nacional, o sentimento do mundo, as crenças humanísticas e espirituais que conferem sentido à vida e garantem a dignidade do ser humano.

 

Goring e Pauwels

 

Cultura é tudo! Ocorre-nos, neste ponto, a lembrança de caso ocorrido nos tempos do fastígio nazista na Europa. O segundo na hierarquia dos sinistros “camisas pardas”, Hermann Goring, num desabafo colérico, exclamou: “Quando ouço falar em cultura, saco do coldre o meu revólver!” O humanista francês Louis Pauwels cuidou, pouco depois, de replicá-lo: “Quando ouço falar em revólver, saco logo do meu coldre minha cultura!”

A cultura é tudo! A evolução civilizatória só se processa verdadeiramente com o reconhecimento da primazia das coisas do espírito sobre o resto. A cultura tem características ecumênicas, respeita as diversidades, exalta a democracia, zela pelas liberdades públicas e pelos direitos humanos fundamentais. Sentimo-nos orgulhosos de identificar na Academia que nos acolhe uma magnifica casa de cultura! 


Francisco de Assis e JK

 

Maria Inês,

Não lhe faltem, na missão que lhe está sendo atribuída, as bênçãos de Francisco de Assis, nosso Patrono Espiritual! Não lhe faltem as inspirações de cunho desenvolvimentista democrático e republicano de nosso confrade JK – pode-se dizer – nosso “Patrono Cívico”! Não lhe faltem os estímulos ditados pelos exemplos de trabalho e dedicação dos fundadores, dos presidentes eméritos, dos companheiros que, ao longo de profícua jornada, proveram a Amulmig de ideias generosas, palavras vibrantes e ações fecundas.”

 

 

  Discurso de posse de Maria Inês de Moraes Marreco

 

Transcrevemos na sequência o pronunciamento de Maria Inês de Moraes Marreco, na sessão solene de sua posse na presidência da Amulmig.

"O futuro é o que estamos fazendo hoje, poeticamente falando, somos seus fundadores e reflexos do passado numa modelagem significativa da consciência do presente e do olhar rumo ao horizonte.

 

Para compensar o laconismo de um “muito obrigada” e expressar meu reconhecimento de outra maneira, quero dizer que me sinto muito honrada por assumir a presidência da AMULMIG, cujos membros constituem uma instituição que mantem mais vivo o respeito pela liberdade do espírito, como veículo que levará ao público e às associações congêneres a ressonância de suas atividades, para o conveniente intercâmbio cultural, portanto, peça que não deverá faltar aqui, sob pena de morrermos na poeira de um arquivo todo o trabalho realizado.

Que esta casa, sede e lugar social do amadurecimento da nossa cultura, seja o cerne do conteúdo do pensamento acadêmico.

Que possamos realizar em conjunto as tarefas impossíveis de serem realizadas sozinhas. É a cooperação que transforma os esforços diversos e dispersos em esforços produtivos.

Espaços produtivos, tarefas complexas que envolvem divisão de trabalho e demandam habilidades especializadas, que não se encontram em uma só pessoa. Tarefas que só poderão ser realizadas com a cooperação de todos, caso contrário, nenhum produto terá condição de surgir.

Nas palavras de Zygmunt Bauman: “... se carregar um pesado tronco de um lugar para o outro requer uma hora e oito homens, não se segue que um homem o possa fazer em oito (ou qualquer número de horas)”.

Assim, apelo para os membros de nossa nova diretoria, que me auxiliem a carregar o tronco, pois, tenho certeza de que não o conseguirei sozinha.

Aprendi que o jeito mais fácil de crescer como pessoa é me cercar de pessoas melhores do que eu. Dessa maneira, estarei cercada de duas Angelas, a Laguardia e a Togeiro, Angelas cujos nomes significam anjos; um João, agraciado por Deus, indica uma pessoa com forte espírito de liderança, cujos atos sempre visam o benefício da maioria, pois possui nobreza de caráter; uma Altair, aquela que confia na própria capacidade de contornar as dificuldades, outra Maria Inês, (meus amigos, uma já vai ser difícil de aguentar, duas então!!! Por favor, tenham paciência), mas dizem que as Inêses são calmas e ponderadas; uma Tânia, que significa: “... pessoa que vai conseguir sucesso porque é paciente, perseverante e habilidosa, quando precisa enfrentar obstáculos. Inimiga de gastos supérfluos, mantém as finanças em dia. Queridos amigos, essa será a nossa primeira tesoureira; a segunda, Maria Armanda – Maria, nome que indica serenidade, considera o dinheiro necessário, mas não essencial, é também senhora, soberana, sabe dirigir o leme da vida; na biblioteca teremos a Maria de Lourdes e a Marilene, cujas competências para o cargo são indiscutíveis.

Conto também com o valoroso apoio de todos os membros do Conselho Fiscal e do Conselho Superior, assim como, de todos que compõem as comissões: a de avaliação, a de relações públicas e a do departamento de artes. Saibam que cada um de vocês representa uma fonte, cujas águas serão imprescindíveis para a realização dos nossos objetivos.

Caros confrades e confreiras, juntando tantas forças, só temos que acreditar no sucesso de nossa tarefa.

A vida me premiou com o aprendizado de que a exposição pública de certos sentimentos, não desgasta, mas impregna o convívio humano da calidez da amizade. Portanto, não me esquivarei de lhes confessar a emoção que este momento me traz.

É apropriado termos nesta solenidade uma plateia mista. Acredito na verdadeira importância da união dos gêneros como amigos, não como adversários, para alcançarmos, por meio da cooperação, os muitos objetivos que temos em comum e que não poderíamos esperar realizar isoladamente.

Creio que o duplicar a massa de faculdades mentais disponíveis, possibilita a realização de um serviço mais nobre para a humanidade. Estou certa de que só teremos sucesso em nossos propósitos se nos pronunciarmos com uma só voz e agirmos com a mesma energia.

Assim como, acredito na união das nossas Academias de Letras, A Academia Mineira, a AFEMIL, a Arcádia, O Instituto Histórico e Geográfico, e, por que não, as academias do Espírito Santo, do Rio de Janeiro, de Barbacena, de Mariana, de Itabira, de Ipatinga e de todos os outros estados e cidades do Brasil e do mundo. Como membros destas comunidades, trocarmos nossas experiências e promovermos um relacionamento mais estreito. Já que, nossos objetivos são a expansão e o aprimoramento de nossas culturas na construção de um Brasil mais próspero, livre, democrático, seguro e feliz.

Todos nós, membros das Academias culturais estamos cada vez mais preocupados em corrigir os desacertos e injustiças da sociedade moderna, o que nos impõe novos fardos. Sabemos dos descasos com o ensino, a cultura, a leitura, a escrita e, principalmente, a memória.

Para quebrarmos esta corrente precisamos agir em uníssono, com otimismo, acreditando no poder de contornar tais situações, com coragem, imaginação e força de propósito. Está em nossas mãos mudar o rumo dos acontecimentos se o fizermos juntos.

Senhoras e Senhores,

Nesta data assumo a presidência da Academia Municipalista de Letra de Minas Gerais com a incumbência de trabalhar para seu engrandecimento. Sou-lhes grata por me permitirem conviver com todos e com cada um.

Tenho prazer em servir à literatura na qualidade de brasileira e comprometo-me servir a esta Casa com dignidade e alegria. Não me esquecerei deste momento que imprime em mim as marcas da honra e do respeito. A medida que os dias forem passando acredito que, ao assumir este compromisso, assumirei também o de caminharmos juntos na certeza de que, como afirmou o influente filósofo liberal britânico John Stuart Mill:

Homem e Mulher foram feitos um para o outro e não à semelhança um do outro, temos apenas um direito em comum com homens que podemos reivindicar – e isso está tanto nas nossas mãos quanto nas deles – o direito de ter alguma coisa para fazer. (MILL, 2006, p. 1)

Eleva-me pertencer a esta instituição que resistiu à degradação cultural imposta pelos tempos atuais. Soube manter intacta a tradição que se sabe moderna.

Sou grata aos acadêmicos que sufragaram meu nome, indicando-me para a presidência da Casa de São Francisco, considerando-me digna de ocupar cargo de tamanha importância.

Estou ciente do valor dos intelectuais que hoje me dão posse. Intelectuais que cumprem com intransigência o ritual de frequentar as reuniões, na qualidade de membros efetivos.

Agradeço-lhes emocionada.

Chego a esta Casa em busca do convívio enriquecedor, do ensejo único de privar com a preciosa memória que emana deste Templo da Cultura.

Sob a égide das emoções, quantas delas sem nome, reunimo-nos aqui trazidos pelas crenças de que, enquanto formos capazes de honrar as alianças estabelecidas com nossos sonhos, terá valido, para nós, esta viagem que iniciamos na fonte de nossas origens. Uma viagem que nos leva a buscar as provas do amor humano, signo maior da nossa humanidade.

Conforta-me, pois, desfrutar desta convivência, deste universo erigido por homens e mulheres idealistas, confiantes de que no futuro, seus herdeiros, agradecidos, buscarão suas obras como forma de honrar as próprias vidas.

Valho-me das palavras de Eça de Queiroz: “A Academia deve constituir um diretório intelectual que mantenha na literatura o gosto impecável, a delicadeza, a finura do tom sóbrio, as purezas da forma, o decoroso comedimento de maneiras e de absoluto respeito mútuo, com uma convivência justa e harmoniosa”.

Na expectativa de que nossa gestão traga em seu bojo todas essas características sublinhadas pelo escritor, assumo esta presidência sob o resguardo da honra, do trabalho, da vida comunitária. Pesa sobre mim, neste instante, o aviso de que responderei, junto com esta diretoria, e em estreita aliança com todas os confrades e confreiras, pelo difícil e digno dever de conduzir esta Casa.

Que aqui encontrem acolhida os estratos sociais até então alheios à vida acadêmica, convergindo para nós as evidências e os antagonismos culturais para que possamos renovar o retrato do Brasil.

Que nesta diretoria prevaleça o zelo pela língua, pelo rigor orçamentário, pelo acervo patrimonial, pela biblioteca, pela revista, por nossas publicações a servir de ponte entre tradições centenárias e apelos do futuro. 

Muito obrigada."

 

 

 

 

 

A SAGA LANDELL MOURA

  Luiz Carlos Abritta   Cesar Vanucci   “A morte é a curva da estrada.” (Fernando Pessoa)   O poeta Fernando Pessoa, volta e m...