sábado, 21 de agosto de 2021

 

Controvérsia em torno de um texto

 

Cesar Vanucci

 

“Morre lentamente (...) quem não encontra graça em si mesmo”

(Dizeres atribuídos ao poeta Pablo Neruda)

 

Desfazendo-me, indoutrodia, de guardados impressos acumulados durante décadas, deparei-me com um envelope branco, amarelecido pelo tempo, contendo um texto atribuído a Pablo Neruda. Fixei-me no propósito de passá-lo adiante, neste “minifúndio de papel” (como diria o saudoso Roberto Drummond), levando em conta seus sugestivos conceitos. Surpreendeu-me a revelação de minha prestimosa secretária, Clelia, de que na manhã do mesmo dia, coincidentemente, havia lido na internet o mesmo texto, com comentários controversos no tocante à autoria. Os dizeres que chamaram atenção não seriam do poeta chileno, mas sim de Martha Medeiros, escritora brasileira, tendo sido divulgados em 2009. A indicação do ano deixou-me mais intrigado ainda, face à circunstancia de que o impresso retirado da gaveta do armário, posso garantir, é anterior em muito ao ano citado. Inteirei-me, depois, que nas redes sociais existem versões diferenciadas da composição literária em causa.

 

De qualquer forma, tomei a deliberação de divulgar o texto, alimentando a expectativa de que algum leitor possa juntar esclarecimento ao caso. Cá está o texto.

 

"Morre lentamente quem não viaja/ quem não lê/ quem não ouve música/ quem não encontra graça em si mesmo./ Morre lentamente quem destrói seu amor próprio,/ quem não se deixa ajudar.../ Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,/ repetindo todos os dias os mesmos trajetos,/ quem não muda de marca,/ não se arrisca vestir uma nova cor/ ou não conversa com quem não conhece./ Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru./ Morre lentamente quem evita uma paixão,/  quem prefere o negro sobre o branco no trajar/ e os pontos sobre os “is”, em detrimento de um redemoinho de emoções,/ justamente as que resgatem o brilho dos olhos, sorriso dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos./ Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,/ quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos./ Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte/ ou da chuva incessante./ Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,/ não pergunta sobre um assunto que desconhece,/ ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe./ Evitemos a morte em doses suaves, / recordando que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar...”

E aí?

 

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