sexta-feira, 22 de outubro de 2021

 Atentar para os sinais

Cesar Vanucci

 

“A humanidade está ameaçada”.

(Alerta da OMS e de cientistas)

Valho-me, nesta introdução, de sugestivo texto de Robert Frost, relativo aos sinais emitidos pela Natureza, para suavizar um pouco o tema perturbador aqui trazido à reflexão do distinto leitorado. O poeta estadunidense toma a palavra: “Quantas vezes trovejou antes que Franklin compreendesse o sinal! Quantas maçãs caíram na cabeça de Newton antes que compreendesse o sinal! A Natureza nos manda sinais constantemente, repetidas vezes. E, de repente, nós percebemos o significado deste sinal.”

Frequentes, ruidosos, crescentemente ameaçadores, os sinais estão sendo captados por gente da ciência, da ecologia, das lideranças verdadeiramente comprometidas com o bem-estar social. Cuidam elas, conscientes de sua missão no contexto civilizatório, de expedir alertas bem fundamentados sobre os sinistros riscos que andam rondando a humanidade em consequência dos ininterruptos desatinos praticados contra o meio ambiente. Os desmandos são cometidos em nome de ganancia desenfreada e de feroz utilitarismo, que subjugam, implacavelmente, em favor de minorias, os sagrados e superiores interesses da coletividade.

No mais recente relatório produzido pela Organização Mundial de Saúde é enfatizado, em termos peremptórios, que as mudanças dos eventos climáticos extremos ceifaram milhares de vidas nos últimos anos. As modificações no tempo e no clima também estão ameaçando a segurança alimentar e aumentando as doenças transmitidas por alimentos, água e vetores, além de afetar negativamente a saúde mental de populações. Este novo documento elaborado pela referida instituição sustenta que as alterações operadas no clima são uma das emergências de saúde mais graves antepostas ao desenvolvimento social e econômico do planeta.

Paralelamente à manifestação da OMS, acaba de ser ainda divulgada uma carta aberta que traz como signatários profissionais da saúde de todos os continentes. Nela, 300 organizações, representantes de pelo menos 45 milhões de profissionais de saúde, apelam por empenho da comunidade internacional para ações climáticas de sentido propositivo.

Ambas publicações antecedem a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP26), defendendo que as interseções entre saúde e mudanças climáticas sejam incluídas na agenda dos debates no curso do evento.

No relatório da OMS é acentuado ainda que “Compromissos nacionais ambiciosos sobre o clima são cruciais para os Estados manterem uma recuperação saudável e verde da pandemia da Covid-19”.

A manifestação contempla os resultados de avolumado número de pesquisas que confirmam as incontáveis e inseparáveis ​​ligações entre o clima e a saúde. O documento descreve, além disso, como ações transformadoras em todos os setores, desde energia, transporte e Natureza, até sistemas alimentares e financiamento, são necessários para proteger a saúde das pessoas.

“A pandemia da Covid-19 nos revelou as ligações íntimas e delicadas entre humanos, animais e nosso meio ambiente”, pontuou o porta-voz da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “As mesmas escolhas insustentáveis ​​que estão matando nosso planeta estão matando pessoas”, aduziu.

Tanto o relatório da agencia da ONU, quanto a carta aberta dos homens da ciência, vêm num momento em que eventos climáticos extremos sem precedentes e outros impactos climáticos estão agredindo, de forma inclemente, cada vez mais, a todos seres vivos. Ondas de calor, tempestades e inundações arrebataram milhares de vidas e perturbaram milhões de outras, ao mesmo tempo que afetaram os sistemas de saúde, as redes hospitalares e centros de atendimento médico em momentos cruciais.

Noutro ponto das abordagens feitas pela agência da ONU é salientado que “A queima de combustíveis fósseis está nos matando e a mudança climática é a maior ameaça à saúde que a humanidade ora enfrenta”. Diz mais o documento: “Embora ninguém esteja a salvo dos impactos das mudanças climáticas na saúde, eles são desproporcionalmente sentidos pelos mais vulneráveis ​​e desfavorecidos”.

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

 





A vastidão cósmica e a pretensão humana no processo negacionista da vida extraterrestre

 

Marco Antônio Petit *


Na imagem que ilustra essa postagem uma diminuta área da esfera celeste equivalente a 1/10 do tamanho aparente médio da Lua Cheia pelo telescópio Hubble. O que vemos nessa foto?

Galáxias, galáxias em todos os lugares – até onde o telescópio espacial da NASA pode ver. Essa pequena área do céu comporta quase 10.000 galáxias. É uma das imagens de luz visível mais profundas do cosmos. Chamado de Hubble Ultra Deep Field, esta visão repleta de galáxias representa uma amostra “profunda” do núcleo do universo, cortando bilhões de anos-luz.

Á área focada fica na constelação de Fornax, e nela não existem praticamente estrelas da Via-Láctea (a nossa galáxia), ou seja, a quase totalidade dos “pontos” de luz nessa imagem são realmente galáxias e a maioria possui cerca de centenas de bilhões de sóis ou estrelas, e provavelmente um número maior ainda de planetas, se usarmos como parâmetro os números que possuímos hoje de exoplanetas em nossa região cósmica.

O instantâneo inclui galáxias de várias idades, tamanhos, formas e cores. As menores galáxias, mais vermelhas, cerca de 100, podem estar entre as mais distantes conhecidas, existindo quando o universo tinha apenas 800 milhões de anos. As galáxias mais próximas – as espirais e elípticas maiores, mais brilhantes e bem definidas – prosperaram a cerca de 1 bilhão de anos atrás, quando o cosmos tinha 13 bilhões de anos.

Em contraste vibrante com a rica colheita de galáxias espirais e elípticas clássicas, há um “zoológico” de galáxias estranhas espalhadas pelo campo. Alguns desses representantes parecem palitos de dente; outros parecem estar interagindo. Essas galáxias excêntricas narram um período em que o universo era mais jovem e caótico, quando sua estruturação estava apenas começando a emergir.

As observações do Ultra Deep Field, feitas pela Advanced Camera for Surveys, representam uma visão estreita e profunda do cosmos, mas que revela a grandiosidade do existir e do próprio universo e ao mesmo tempo diante dessa realidade e olhando para mente de alguns que habitam esse planeta como pode ser limitada ainda a mente humana, que não percebe que as possibilidades de vida e sua interação direta com a própria evolução do cosmos pode e parece ser sua maior inspiração.

As noções sobre a pluralidade dos mundos habitados não estão baseadas apenas na grandeza do universo como alguns imaginam, mas em sua constituição UNA, em todos os sentidos possíveis. Desde que começamos a decompor a luz das estrelas nas análises espectrais e, portanto, das galáxias, que sabemos que os mesmos átomos, ou elementos químicos que conhecemos na Terra, incluindo aqueles relacionados diretamente a existência de vida estão em cada ponto de luz dessa mesma imagem.

E a questão dos UFOs, e das ideias ligadas a presença extraplanetária ou dos extraterrestres chegando a Terra? Para alguns isso simplesmente é um absurdo, pois “não existe tecnologia para vencer os abismos cósmicos entre as estrelas por conta do limite da velocidade da luz”. Supostamente nossa ciência não teria encontrado ainda uma explicação para vencer esta dificuldade. Mas de que tecnologia estamos falando? Nosso desenvolvimento tecnológico possui pouco mais de 100 anos e sabemos que são bilhões de anos mais velhos que o nosso sol e a própria Terra onde a vida teve certamente muito mais tempo para surgir e evoluir. E não existiria mesmo uma prova de vida extraterrestre ou da presença de civilizações avançadas chegando ao nosso sistema solar, ou à Terra? Uma das respostas que gosto de dar é que a maior prova de vida extraterrestre é nossa própria presença no planeta. Issó para alguns que certamente ainda se questionam se estão sozinhos no universo certamente não é sério, mas isso não me preocupa.

O que na verdade causa preocupação é o que inúmeras vezes me foi perguntado, inclusive em programas da televisão brasileira. Existe Vida Inteligente mesmo fora da Terra? A referida pergunta feita em um tom que revelava, que uma resposta positiva minha seria considerada algo plenamente questionável. Na última dessas oportunidades não resisti a esse exemplo de ignorância no sentido literal do termo e preferi responder a jornalista com outra pergunta, que seria considerada pelos negacionistas também algo reprovável:

EXISTE MESMO VIDA INTELIGENTE NA TERRA?

 * Escritor, investigador de fenômenos transcendentes

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

 

Amazônia ameaçada

 

Cesar Vanucci

 

“Em 33 anos, a área devastada foi do tamanho do Chile.”

(Estudo do MapBiomas Amazônia)

 

Por mais que, em falas oficiais, se insista na negação da realidade dos fatos, o bioma amazônico acha-se sob grave ameaça, não é de agora. Informe recente registra que a chamada “Pam-Amazônica” perdeu 724 mil km2 de cobertura florestal e vegetal, entre os anos de 1985 e 2018.

A área mencionada equivale a todo o território do Chile. Mais: aos territórios somados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A divulgação desses chocantes dados foi feita pelo “MapBiomas Amazônia”. 61,8% do bioma Pan-Amazônico acham-se localizados no Brasil, país que se viu desprovido, com a devastação, de 624 mil km2 da cobertura florestal no período, sendo de longe o mais prejudicado no tocante à questão. Os outros países afetados são Bolívia, Peru e Colômbia. Segundo a mesma fonte, a maior parte do desmatamento decorre do avanço das atividades agrícolas e pastoris. O aumento das atividades, no curso de tempo mencionado, foi de 172%. No Brasil, a área destinada a práticas agrícolas passou de 319 mil Km2, em 1985 para 960 mil km2, em 2018.

No dia anterior ao pronunciamento do Presidente da República Jair Bolsonaro, na sessão de abertura dos trabalhos da ONU, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) assinalou que o volume de queimadas na Amazônia havia sido de 19,6%, o maior já observado, desde 2007, em um mês de junho. O registro do órgão técnico contrastou, de alguma maneira, com as declarações do supremo mandatário brasileiro ao frisar, durante a reunião de cúpula dos Chefes de Estado, seu intento de “desfazer opiniões distorcidas” sobre a atuação oficial na proteção do bioma amazônico e dos povos indígenas da floresta.

 

. Talibanistas. O talibanismo é, na essência, igual em todas as partes do mundo onde possui aguerridos adeptos. As extravagâncias cometidas podem, todavia, às vezes, variar de um lugar para outro. Talibanistas do Afeganistão expediram ordem de proibição, anunciando severa punição para quem ouse desrespeitá-la, aos cidadãos do país, para que não mais aparem os fios de barba. Os do Brasil continuam a propagar, sobretudo nas redes sociais, que a vacina contra a Covid-19 adoece, mutila, mata, quando não provoca o aparecimento de escamas no cotovelo, no joelho, no tornozelo, nas orelhas e nas chamadas partes pudendas, minha nossa!...

 

Imigrantes. O presidente Joe Biden, dos Estados Unidos, está anunciando medidas substanciais de abrandamento na política de imigração vigentes no país. Promessas nesse sentido haviam sido formuladas no curso da campanha que o conduziu à Casa Branca. Críticas contundentes ao tratamento dispensado, no governo Donald Trump aos imigrantes representaram prenúncio dessas alterações. As cenas chocantes registradas no aeroporto de Cabul e, pouco tempo depois, as imagens impactantes da repressão aos haitianos no Texas reforçaram a disposição de se partir logo para as mudanças. A presunção é de que, daqui pra frente, a situação dos imigrantes seja enxergada com olhares mais benevolentes, sem ocorrências que agridam a dignidade humana, como tantas vezes já aconteceu.

 

Denúncias. As denúncias contra a “Prevent Sênior”, levadas por um grupo de médicos à CPI do Senado, são de estarrecer um frade de pedra, como era de costume dizer-se em tempos de antigamente. A manifestação deixa evidente o posicionamento escancarado dos mentores da organização favorável ao negacionismo científico, inconcebível numa organização de presença realçante na assistência à saúde. Além disso, revela disposição descabida da empresa em obter lucratividade bem mais elevada com a substituição dos medicamentos recomendados pelos protocolos médicos ministrados aos pacientes sob seus cuidados. Essa questão vai render ainda muito pano pra manga.

 

Tópicos da atualidade

 

Cesar Vanucci  


“Uma obscenidade!”

(Antônio Guterres, Secretário Geral da ONU, comentando a falta de solidariedade mundial em relação a África, nestes tempos de pandemia)

 

· Frustrante. Decepcionante. Irreal.  Fantasioso. Estas foram as expressões mais brandas vistas nas manchetes, comentários, análises, charges publicados, lá fora e aqui dentro do Brasil, pelos veículos de comunicação ao se referirem ao pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na sessão solene de abertura dos trabalhos da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Como reza a tradição, ao representante brasileiro é atribuída, todos os anos, a honrosa tarefa de fazer uso da palavra em primeiro lugar, na cerimônia inaugural aludida, que reúne chefes de estado de todos os países do mundo.

Anoto, com convicção, que em décadas de labuta jornalística, sempre atento (a distância) à fala do representante brasileiro no evento, jamais haver presenciado reação desfavorável tão compacta, proveniente de fontes tão diversificadas, como a que, agora, se seguiu às declarações feitas pelo dirigente do Brasil na tribuna daquela respeitável instituição. As informações, conceitos, os dados e números apresentados produziram desagrado, pra dizer o mínimo, até em fileiras simpáticas ao supremo mandatário.

 

· Obscenidade. A expressão “obscenidade”, proferida em tom vigoroso, enfatizando cada sílaba, foi utilizada pelo secretário geral da ONU, o português Antônio Guterres, para classificar a mais recente “calamidade humanitária’ que se abate sobre a maltratada África, berço da ancestralidade de boa parte da população brasileira. Ele se referiu, com compreensível indignação, ao total abandono a que está sendo relegado aquele continente por parte do resto do mundo, com destaque para as superpotências, diante da avassaladora pandemia da Covid-19. Funciona assim desde tempos imemoriais. Esquecida dos homens e dos próprios deuses, a África maltrapilha sofre nas entranhas permanente dilaceramento provocado pela ação espoliativa de grandes corporações representativos de uma geopolítica insensível e cruel. A solidariedade internacional revela-se sempre morosa quando se trata de acudir o território africano em momentos dramáticos como os de agora. O auxílio mundial para o combate à Aids, anos atrás, só começou a ganhar forma depois que a enfermidade adquiriu características pandêmicas. Com menos de 4% da população africana até aqui vacinada, no caso da Covid, o que vem ocorrendo naquele continente desprotegido, à mingua de recursos mínimos para o enfrentamento decente ao flagelo, não passa mesmo – Guterres está coberto de razão – de uma atordoante obscenidade.

 

· Indecoroso. E não é que S.Exa., o ministro da Saúde Marcelo Queiroga deixou-se também contaminar pelo coronavírus da intolerância que grassa solto nas rodas palacianas! Em Nova Iorque, onde acompanhou o presidente Bolsonaro na vexatória visita à ONU, ocasião em que pegou a Covid-19, sendo obrigado a cumprir quarentena, num hotel de luxo, diante do aturdimento dos repórteres que cobriam o evento, resolveu, insolentemente, erguer o braço direito com o dedo médio em riste em “resposta” indecorosa às críticas de um grupo de manifestantes às ações do Governo Brasileiro. Interpelado a respeito do insólito gesto, assim se “justificou”: “Quem diz o que quer, ouve o que não quer!” Ora, veja, pois...

 

Vacina. A mídia internacional deu destaque à imagem do presidente dos EUA, Joe Biden, arregaçando a manga da camisa para aplicação no braço da terceira dose, também chamada “dose de reforço”, contra o coronavírus. A mídia internacional deu destaque à imagem em que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, despojado de máscara, ao lado do primeiro ministro do Reino Unido (munido de máscara), se jactou de não haver tomado vacina alguma contra a tal da “gripezinha” ...

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

 Desmatamento e aquecimento, mistura explosiva

 

Cesar Vanucci

 

“O regime de chuvas entrará em colapso.”

(Paulo Nobre, pesquisador do Inpe)

 

Nada disso. Não se trata de informação distorcida. Tampouco de suposição sem fundamento, formulada com maléfico intuito de comprometer a imagem do país no panorama internacional. A verdade nua e crua, vastamente documentada, justificando o clamor que se ouve, aqui dentro e lá fora, chama a atenção permanentemente para atos de predação e devastação praticados impunemente por aventureiros de toda espécie, que colocam sob graves riscos o fabuloso bioma amazônico.

Ambientalistas, cientistas, vozes exponenciais das lideranças engajadas em causas humanitárias alertam para o perigo. Mas essas manifestações de lucidez e bom-senso parecem não sensibilizar as autoridades competentes, que se furtam ao dever de articular um projeto de desenvolvimento de grande envergadura para o colossal território amazônico, de modo a estabelecer as salvaguardas necessárias de proteção de suas incomparáveis riquezas.

A ameaça de destruição do bioma leva a uma outra ameaça, mais sinistra ainda. É representada pela inocultável cobiça estrangeira, que projeta olhar guloso em áreas reconhecidamente valiosas da exuberante região. Fica claro que esses interesses nebulosos, rechaçados pela consciência nacional, dão eco aos justos protestos que se erguem em prol da preservação da maior floresta do mundo, dadivoso patrimônio confiado, no Projeto da Criação, à guarda soberana do Brasil. É imperioso que em sua missão institucional, a direção do país cuide zelosamente do bioma amazônico. Desenvolva na chamada Amazônia legal projetos de desenvolvimento social rigorosamente afinados com os conceitos ecológicos, enfrentando com rigor toda e qualquer tentativa de agressão a esses sagrados valores. Enquanto isso não sucede, para contrariedade e desassossego de todos nós, para inconformismo de cientistas, ambientalistas, de gente engajada nas empreitadas humanísticas, que visam conquistas de melhores níveis de bem-estar para o ser humano; enquanto não acontece a ardentemente almejada movimentação dos poderes governamentais no sentido de acordarem para suas indeclináveis responsabilidades quanto ao assunto, as manchetes continuarão a divulgar situações perturbadoras, como as alinhadas na sequência.

Desmatamento e aquecimento global: eis aqui uma mistura explosiva que coloca em imenso perigo a Natureza, a economia e a vida humana na Amazônia. Atordoante anúncio acaba de ser trazido em estudo, divulgado na revista “Nature”, pela Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e Universidade de São Paulo. A temperatura na Amazônia poderá elevar-se proximamente em até 11,5 graus, o que implica em riscos extremos à sobrevivência. As simulações procedidas, com base em dados alusivos às tendências climáticas, apontam a possibilidade catastrófica de transformação da Amazônia de floresta tropical úmida para cerrado, com elevação da temperatura média, na sombra, em até mais 5 graus, numa perspectiva menos negativa. Noutras avaliações, assinala o estudo, o aumento da temperatura pode ir de 7,5 graus a 11,5 graus. Aumento de temperatura nesses patamares, assinalam os pesquisadores, tem efeito extremamente danoso na saúde humana.

 “O estresse causado pelo calor excessivo é muitíssimo perigoso para humanos, incluído o aumento do risco de condições intoleráveis para atividades na sombra e risco intenso de doenças causadas pelo calor”, assegura o estudo. Para além dos riscos para a saúde, que diminuiriam a capacidade de trabalho e de sobrevivência de uma população, que, em muitos casos, já tem dificuldades para viver, uma mudança desse nível tem impactos diretos na capacidade econômica da região. Lembra o estudo ainda que a própria atividade que hoje se beneficia da destruição das florestas seria fatalmente atingida. O regime de chuvas entrará em colapso. Chegará a uma redução de 80% no centro da Amazônia e a uma redução de 50% no centro-oeste do território, de acordo com estimativa de Paulo Nobre, pesquisador do Inpe, um dos autores do estudo.

 

 

SOS Mata Atlântica

 

 Cesar Vanucci

“A floresta em torno das nascentes é essencial para garantir a quantidade de água.”

(Márcio Reis Rosa, coordenador do Projeto “MapBiomas”)

Nem todo mundo, mesmo entre gestores de órgãos institucionalmente inseridos nos esquemas de preservação do meio ambiente, têm consciência plena da importância vital da Mata Atlântica no processo que assegura conforto e bem-estar aos brasileiros.

Estudo recentemente divulgado revela os efeitos produzidos por esse bioma, o mais ameaçado do Brasil, nas atividades relacionadas com o abastecimento de água, o fornecimento de energia elétrica, produção de alimentos e o saneamento básico em áreas povoadas. Imagens obtidas por satélite, num mapeamento inédito da Mata Atlântica, trazem informações circunstanciadas a respeito do que, ao longo de três décadas, vem acontecendo nos territórios abrangidos pela Mata Atlântica. Da cobertura vegetal original resta hoje apenas um quarto. A área corresponde ao que foi ocupado por pastagens. Outras atividades econômicas respondem por quase 40% do espaço.  O levantamento constatou ainda o seguinte: as florestas que asseguram proteção às nascentes e às margens dos rios existentes na Mata Atlântica permanecem praticamente inalteradas, representando, na hora presente, 25% da cobertura vegetal do bioma. Tal registro nunca deixou de suscitar preocupação. A situação de risco vai se fazendo, com o rolar dos anos, ainda mais grave, a se levar em conta o crescimento populacional e a demanda, via de consequência, cada vez maior de água e energia.

A séria ameaça enfrentada pode ser resumida na explicação dada ao “Jornal Nacional” pelo coordenador do Projeto “MapBiomas”, Márcio Reis Rosa: “A floresta em torno das nascentes é essencial para garantir a quantidade de água, mas ela tem também um efeito de filtrar o sedimento que chega no rio. Então, sem essa floresta a gente está falando de rios mais poluídos, com mais sedimentos e isso vai para dentro dos reservatórios, vai diminuir vida útil dos reservatórios que abastecem as cidades e que geram energias”.

É função primordial da Mata Atlântica manter o ciclo hidrológico e ajudar os rios a minimizarem o impacto das mudanças climáticas, como lembra Malu Ribeiro, dirigente do “SOS Mata Atlântica”.

Diante das evidências de que a cobertura de vegetação nativa vem sofrendo redução nas bacias dos rios Grande e Paraná, em função de desmatamento, seca e falta de chuva, é fácil imaginar as proporções das ameaças que rondam o bem-estar de parcela considerável da população brasileira.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

 

Sabedoria invulgar

 

Cesar Vanucci

 

“Ame até doer.”

(Madre Tereza de Calcutá)

 

 

Este imaculado espaço, minifúndio de papel, como diria o saudoso Roberto Drummond, em que este desajeitado escriba amigo de vocês lança periodicamente suas ideias, crenças e observações acanhadas a respeito das coisas que rolam neste mundo do bom Deus, volta a ser ocupado hoje com as reflexões de dois luminares da história de todos os tempos.

 Com insofismáveis ganhos pros distintos leitores, reproduzimos outra sequência de reflexões brotadas da sabedoria invulgar e lições de vida de Madre Tereza de Calcutá e Mahatma Gandhi.

 Como explicado anteriormente, as magistrais frases alinhadas fazem parte de uma coletânea gentilmente enviada pelo leitor Marcelo Rogério de Castro, valoroso companheiro do Lions Clube.

 Comecemos por Gandhi.

 Vontade indomável.A força não provém de uma capacidade física e sim de uma vontade indomável.”

Voz silenciosa. “O único tirano que aceito nesse mundo é a pequena voz silenciosa que há dentro de mim.”

Mensagem. “Que a nossa mensagem seja a nossa própria vida. Se cuidamos do hoje, Deus cuidará do amanhã.”

Tolerância mútua. “A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos”.

Religião é caminho. “As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo?”

Cegueira humana. “Olho por olho, e o mundo acabará cego”.

Ira controlada. “Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo”.

Sobre o perdão. “O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte”.

A vida é um todo. “Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível.”

Riqueza. “Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem, mas não para a sua ambição”.

 

Com a palavra, agora, Santa Tereza de Calcutá.

 Amor. “Encontrei um paradoxo, que se você amar até doer, não poderá haver mais dor, somente amor.”

Amor de novo. “Se você julga as pessoas, não tem tempo de amá-las.”

Amor ainda. “Nesta vida, não podemos realizar grandes coisas. Podemos apenas fazer pequenas coisas com um grande amor.”

Mais amor. “Não sei ao certo como é o paraíso, mas sei que quando morrermos e chegar o tempo de Deus nos julgar, Ele não perguntará quantas coisas boas você fez em sua vida, Antes ele perguntará quanto amor você colocou naquilo que fez.”

Outra vez, amor. “Não nos sintamos satisfeitos apenas dando dinheiro. O dinheiro não é suficiente, o dinheiro pode ser obtido, mas eles precisam de seu coração para amá-los. Portanto, espalhe o seu amor por onde quer que vá.”

Gota no oceano. “Nós mesmos sentimos que o que fazemos é uma gota no oceano. Mas o oceano seria menor se essa gota faltasse.”

Favelas. “Outro dia sonhei que estava nos portões do Paraíso. E São Pedro disse, Volte para a Terra. Não existem favelas aqui.”

Pobreza. “Tento dar aos pobres de amor o que os ricos conseguem com o dinheiro. Não, eu não trocaria um leproso por mil pounds; contudo, de boa vontade o curarei pelo amor de Deus.”

Fome maior. “Não ser desejado, não ser amado, não ser cuidado, ser esquecido por todos, isso acredito ser fome muito maior, uma pobreza muito maior do que a de uma pessoa que não tenha nada para comer.”

Sobre o ser humano. “Eu vejo Deus em cada ser humano. Quando limpo as feridas do leproso, sinto que estou cuidando do próprio Senhor. Não é uma experiência maravilhosa?”

Sobre a beleza. “Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona... Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação.”

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

 Quintana, segundo Quintana

 

Cesar Vanucci

 

“A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe.”

(Mário Quintana, poeta)

 

Cai-me às mãos, trazido em meio as torrentes de informações despejadas pela internet, um texto delicioso do grande Mário Quintana. Intitulado “Mário Quintana por Mário Quintana”, ele foi escrito pelo poeta para a revista “IstoÉ” e publicado na edição de 14.11.1984. 

Vale a pena transcrevê-lo. Quintana toma da palavra com aquele jeito indômito e, ao mesmo tempo, meigo, todo seu, onde a beleza da linguagem se entrelaça admiravelmente com lampejos da verdade cotidiana. Na sequência, alguns esplêndidos achados poéticos de seu criativo repertório são adicionados à matéria. 

Assim falou Quintana:

“Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.

Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas...

Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade. Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton! Excusez du peu. Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura.”

Na sequência, uma pequena lista de outros ditos inesquecíveis desse grande arauto da lírica brasileira:

Quem não compreende um olhar   tampouco compreenderá uma longa explicação. 

Não importa saber se a gente acredita em Deus:    o importante é saber se Deus acredita na gente... 

O despertador é um acidente de tráfego de sono... 

O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso. 

Todos esses que aí estão atravancando meu caminho, eles passarão... eu passarinho! 

Esta vida e uma estranha hospedaria de onde se parte quase sempre às tontas, pois nunca as nossas malas estão prontas, e a nossa conta nunca está em dia. 

Não te abras com teu amigo Que ele um outro amigo tem.  E o amigo do teu amigo possui amigos também... 

O tempo é a insônia da eternidade. 

A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe. 

O segredo é não correr atrás das borboletas...

É cuidar do jardim para que elas venham até você. 

Bilhete

 Se tu me amas,

Ama-me baixinho.

Não o grites de cima dos telhados,

Deixa em paz os passarinhos.

Deixa em paz a mim!

Se me queres, enfim,

Tem de ser bem devagarinho,

Amada, / Que a vida é breve,

E o amor / Mais breve ainda. 

Sempre me senti isolado nessas reuniões sociais:  O excesso de gente impede de ver as pessoas... 

Dupla delicia. O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo temo acompanhado. 

Geografia. O mais sugestivo é que esses países afro-asiáticos sempre nos parecem afrodisíacos.

sábado, 25 de setembro de 2021

 

O melhor dos regimes

 

Cesar Vanucci

 

“A democracia está sob ataque.”

(Ministro Luiz Roberto Barroso, presidente do TSE)

 

No vasto território democrático há lugar para todos. Para adeptos de todas as correntes de ideias. Espaços arejados, que permitam o tráfego desenvolto de opiniões, fazem parte da paisagem democrática, oferecendo condições para proveitoso intercâmbio de experiências, para o exercício da criatividade e para o labor construtivo, tendo por mira o progresso comunitário. Noutras palavras: o bem-estar social. 

Ninguém coloca em dúvida que o regime democrático deixe à mostra, vez que outra, em lances cotidianos, alguma imperfeição, inerente à natural falibilidade humana. Mas do sentimento popular emerge, límpida, a propósito de tudo isso, a certeira convicção de algo muitíssimo precioso. Nenhuma outra modalidade de governança política e administrativa, testada em qualquer época ou em qualquer parte do mundo, revelou-se, jamais, capaz de proporcionar as garantias de respeito à dignidade da vida inseridas no texto constitucional de uma democracia autêntica. O que a história de todos os tempos documenta, de maneira dolorida e revoltante, é que todos os sistemas regidos pelo autoritarismo, de quaisquer tendências, por conseguinte, opostos ao sistema democrático, implantados ao longo dos tempos, em diferentes lugares, tornaram-se marcos trevosos e de horrores nos registros da jornada humana. 

A democracia dá abrigo a todas as formas de expressão do pensamento. Acolhe conservadores, progressistas, liberais, direitistas, centro-direitistas, esquerdistas, centro-esquerdistas, enfim, toda uma imensa legião de cidadãos que nutrem pontos de vista os mais diversificados acerca de temas os mais variados, incluindo, logicamente, a política. 

As divergências, as discordâncias, as polêmicas estão sempre presentes nas atividades políticas numa democracia. O diálogo, na busca de soluções adequadas para flamejantes problemas de interesse comunitário, é da própria essência democrática. Pode conduzir, muitas vezes, a desacordos acalorados, sem que isso desemboque fatalmente em situações de tensão intransponíveis. o acatamento às decisões emanadas de instituições legitimamente constituídas e a aceitação de recomendações nascidas de vontade majoritária, expressa em votações processadas de acordo com os ritos constitucionais, se fazem imprescindíveis no ordenamento correto da atuação pública, consoante os ditames democráticos. 

A livre manifestação de ideias é apanágio do regime democrático. Voltaire sintetiza o procedimento que o bom-senso e a lucidez de espirito recomendam, à hora em que ocorram desentendimentos. “Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até as últimas consequências vosso direito de dizer o que pensa.” Cabe aqui lembrar circunstância de obviedade ululante. Não se pode confundir liberdade de expressão com atos e palavras de teor intimidatório, que deixem visíveis ameaças de violência física, até de morte, alvejando autoridades, ou cidadãos comuns, que tenham entendimentos suscetíveis de ocasionar desagrado ou mesmo repulsa. 

Em 15 de setembro passado foi comemorado o “Dia Internacional da Democracia”. O ministro Luiz Roberto Barroso, presidente do TSE, em vibrante pronunciamento, assinalou que a democracia é considerada universalmente o melhor regime de governo. 

“O melhor, mas não necessariamente o mais fácil”, acentuou, acrescentando: “Porque democracia envolve pluralismo, que é diversidade de visões do mundo e, consequentemente, respeito às opiniões contrárias”. Lembrou, também, que democracia não é regime de consenso, “mas aquilo em que a divergência é absorvida de maneira institucional e civilizada”. 

Barroso afirmou que, na atualidade, a democracia se encontra sob ataque, em razão de disfunções como populismo, extremismo e autoritarismo. Na conclusão do pronunciamento registrou: “A democracia depende de cada um de nós”.

 

As palavras e os atos

 

Cesar Vanucci 

 

“Eu vejo Deus em cada ser humano.”

(Tereza de Calcutá)

A experiência de vida de personagens com marcante presença na história de todos os tempos se reflete em iniciativas que podem ter sido ou não positivas no sentido da construção humana. E, também, em frases habitualmente edificantes que, às vezes, nesse ou naquele caso, não guardam qualquer sintonia com a real postura assumida pelos seus autores diante dos fatos ou temas abordados

Se a memória não tá a fim de trair este desajeitado escriba, pertence a Millor Fernandes, mestre na arte da comunicação, a autoria de uma proeza retórica magistral concernente a tal paradoxo. Ele produziu exuberantes provas das contradições não raras vezes flagradas entre os atos e as palavras de algumas figuras proeminentes na cena pública.

Patrono de uma turma de formandos em Jornalismo, brindou os afilhados com pronunciamento, entrecortado de estrepitosas manifestações, que consistiu numa proclamação vigorosa em defesa da democracia. O ato transcorreu em tempos políticos encobertos pelas brumas pardacentas do despotismo.

As frases proferidas contemplaram quase todos os itens da Declaração dos Direitos Humanos. O impacto foi de tal ordem que, ao final, a plateia pôs-se de pé para aplaudir o orador por seguidos minutos. Cessados os aplausos, o patrono revelou, surpreendentemente, arrancando saborosas gargalhadas, que toda aquela empolgante sequência de palavras de exaltação democrática despejadas no recinto, todas sem exceção alguma, haviam sido extraídas de discursos, entrevistas e palestras de manjadissimos ditadores. Alguém irremediavelmente emaranhado em decisões funestas que implicaram na asfixia das liberdades essenciais.

O oposto frontal a tudo isso é o que nos comunica uma coletânea de frases gentilmente encaminhadas pelo amigo Marcelo Rogério de Castro. As frases são atribuídas a Gandhi e Tereza de Calcutá. Mitos universais, dotados de aura, pode-se afirmar, de santidade, que concentraram na Índia milenar o seu apaixonado fascínio pela aventura humana. Ambos, de maneira radical e saudavelmente inversa às situações mencionadas linhas atrás, harmonizaram coerentemente a conduta, suas crenças, os exemplos de vida com as mensagens propagadas. O que eu digo é o que eu faço, esta a lição deixada. Lição diametralmente contrária aos posicionamentos de numeroso elenco de celebridades que adotam como lema o “faça o que digo e não o que faço.”

Isto posto, passemos logo, para deleite certeiro dos leitores, às reflexões carregadas de humanismo e espiritualidade desses dois seres humanos iluminados.


Tereza de Calcutá primeiro.

Sobre o desperdício. “Quando vejo o desperdício, sinto raiva dentro de mim. Eu não aprovo eu mesma sentir raiva. Mas é algo que não se pode evitar de se sentir após vermos a Etiópia.”

Sobre a pobreza. “Periferia de Calcutá. Às vezes pensamos que a pobreza é apenas fome, nudez e desabrigo. A pobreza de não ser desejado, não ser amado e não ser cuidado é a maior pobreza. É preciso começar em nossos lares o remédio para esse tipo de pobreza.”

Sobre a fé. “Tenha fé nas pequenas coisas, pois é nelas que a sua força reside.”

Sobre o amor. “Não pense que o amor, para ser genuíno, tenha que ser extraordinário. O que é preciso é amarmos sem nos cansarmos de fazê-lo.”

 

Agora, Gandhi.

Fé e amor. “A minha fé mais profunda é que podemos mudar o mundo pela verdade e pelo amor.”

Religiões. “Para mim, as diferentes religiões são lindas flores, provenientes do mesmo jardim. Ou são ramos da mesma árvore majestosa. Portanto, são todas verdadeiras.”

Felicidade. “Dai-me um povo que acredita no amor e vereis a felicidade sobre a terra.”

Futuro. “É ocioso pensar sobre o justo e o injusto, o certo e o errado e os feitos passados. O útil é analisar, e se possível extrair uma lição para o futuro.”

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

 

Lenda viva do Leonismo

                                                                                         Cesar Vanucci

 

“Gosto da vida.”

(Daniel Antunes Jr – 100 anos)

 

A Academia Mineira de Leonismo, em concorrida assembleia, realizada virtualmente, homenageou Daniel Antunes Junior por seus cem anos de vida. Designado pela presidente Maria das Graças Amaral Campos, dirigi ao homenageado a saudação reproduzida na sequência.

100 anos.  36.500 dias, um pouco mais a levar em conta os anos bissextos. 5.200 semanas. 876.000 horas. Estes números cobrem, na dimensão de tempo, a trajetória trilhada –, querendo Deus, com ainda bom pedaço de chão a percorrer –, de um ser humano muito especial, entre o dia 17 de setembro de 1921 e o dia 17 de setembro de 2021.

Permitam-me, então, contar, em singelas palavras um pouco da história deste personagem: Sua peregrinação pela pátria terrena – peregrinação imposta a todos por desígnios superiores – acumula, neste caso de Daniel, esplêndido acervo de feitos. Frutos de fecundos labores e criatividade intelectual.

Escritor, com um punhado de livros editados, todos merecedores de louvores, Daniel marca presença reluzente na cena cultural, como historiador, poeta e cronista. Neste seu “primeiro centenário” ele já alcançou a “imortalidade literária” como membro atuante da Amulmig, Instituto Histórico e Geográfico MG, Arcádia e nossa Academia Mineira de Leonismo.

Nas lidas profissionais, atuou como bancário, banqueiro, dirigente de um sem número de empresas vinculadas ao setor financeiro. Dedica-se, ainda hoje, a atividades agropastoris.

Com seus 50 anos bem vividos, comemorados pela segunda vez consecutiva, é possuidor de muita lucidez e nobreza de espírito e dono de invejável dinamismo. É o decano do quadro social do Leonismo. Decano também dos Governadores de Lions.

Em sua gestão à frente do Distrito LC-4 foi responsável pela criação do maior número de Clubes num único período administrativo.

Casado com a saudosa Conceição, dama de acrisoladas virtudes, falecida em 2020, constituiu núcleo familiar que desfruta de elevado apreço no seio comunitário. Dele fazem parte os filhos Dante, Silvana, Daniel, Sérgio e Sandra.

 Irradiando sempre contagiante simpatia, afável e prestimoso no trato cotidiano, Daniel se destaca também, como “contador de causos”, já não fosse prosador festejado nos círculos intelectuais.

Algum tempo atrás, Daniel descreveu de forma bem-humorada, seu jeito de ser.

Trago aqui trechos dessa “autobiografia...”. “Comprazo-me de ser um homem normal, limpo, enxuto, de hábitos saudáveis. (...)” “Não babo, não fungo, não tenho o bafo de onça dos pinguços, já que bebo com moderação, dando preferência aos vinhos.

Também não exalo o ranço sarrento da nicotina, pois não fumo” (...); “Não sou gordo nem magro. Meu peso é normal, eis que tenho l,78 m de altura e há 30 anos peso 78 quilos. Apenas tenho uma barriguinha de veludo”. (...); “Não sou acanhado, nem assanhado, nem enxerido.” (...) “Gosto de ver as estrelas, dos perfumes discretos, das flores, das frutas, da chuva, da música, das mulheres, dos cães, da amizade e da sinceridade, da cor verde, das minhas coisas.” (...) “Creio que a minha família é a melhor do mundo”. (...) “Gosto da vida e, quando partir desta para outra, sentirei saudade dela. Creio que este mundo é o melhor de todos os que conheço...”

Caros companheiros, concluo, agora, a tarefa de saudar, com respeito, carinho e apreço, o nosso inquebrantável companheiro.

Pode ser assim resumida sua participação na aventura da vida. Cidadão inatacável, de grandeza moral rara. Criatura permanentemente de bem com a vida. Sabedoria incomum, evidenciada em tudo que diz e faz. Uma lenda viva do leonismo.

Ouso dizer que se fosse exigida do Lions uma carteira de identidade, é certo que a foto 3X4 colada ao documento seria dele, Daniel. Ele personifica magnificamente, com sua postura humanística, as excelsas virtudes que a filosofia Leonistica, espalhada por todos os cantos, propaga em favor de um mundo melhor, mais fraternal e socialmente justo.

A SAGA LANDELL MOURA

  Atentar para os sinais Cesar Vanucci   “A humanidade está ameaçada”. (Alerta da OMS e de cientistas) Valho-me, nesta introdução, de sugest...