sábado, 1 de outubro de 2022

Chegada a hora

 

Chegada a hora

Cesar Vanucci *

 

“Eleição é um teste cívico periódico para se manter a boa saúde democrática.”

(Antônio Luiz da Costa, educador)

 

Em idos tempos, anteriores ao estrondoso advento da era da comunicação digital, disputantes de cargos eletivos e próceres partidários costumavam recorrer, nalguns instantes de efervescência política, a uma frase declinada como uma espécie de refrão. A frase “em tempo de guerra, mentira como terra...” sintetizava, com adequação, o duelo flamejante das acusações e denúncias trazidas a público.

 De nosso isolado posto de observação, atentos ao que lemos e escutamos, dos protagonistas das competições eleitorais e porta-vozes, damo-nos conta de que essa expressão parece haver caído em desuso. Está fora de moda. Perguntamo-nos por quê? A resposta que acode é simples. A tal frase - com jeito, repita-se, de bordão, ou coisa equivalente - não consegue exprimir com fragor apropriado a avassaladora torrente de informações dúbias ou inteiramente falsas, os doestos, as sibilinas assacadilhas despejadas nas redes sociais. Redes reconhecidas como fontes de consulta mais incrementadas na atualidade. Muita gente vislumbra, nesse impactante esquema de divulgação, instrumento de propaganda de impensável descarte nestes tempos amalucados.

 Admitamos, com pitadinha de condescendência, a hipótese de que a orientação geral passada pelos comandos partidários aos encarregados da marquetagem não contemple a avalancha de exageros detectada. Os excessos cometidos ficariam a débito do descontrole emocional ou fanatice de apaixonados seguidores dos candidatos.  Mesmo assim, sob mira crítica, não há como desfazer, ou deletar, a incômoda sensação de que na campanha os limites éticos foram extrapolados. A propagação, às vezes com ímpeto de rastilho de pólvora, de notícias desairosas, alvejando adversários, revelou-se volumosa. Infinitamente mais do que a própria e, aí sim, absolutamente necessária disseminação das propostas de trabalho trazidas pelos candidatos.  

Eis-nos, neste preciso momento diante da decisão tão aguardada pela consciência cívica da Nação.

 É oportuno enfatizar que o jogo democrático tem regras claramente definidas. A livre expressão das ideias, as discordâncias são garantidas pela Carta Magna. Levantar, a esta altura de nosso estágio democrático, suspeição a respeito da legitimidade de um sistema  de coleta e apuração dos votos mundialmente louvado, constitui expediente nada democrático e deslavada má-fé. De igual modo, há que ser visto como achincalhe aos nossos foros de cidadania o não reconhecimento dos resultados, por qualquer capricho.  

 Ao eleitor consciente impõe-se o discernimento de saber distinguir, na frenética onda de impropriedades espalhadas, os propósitos realmente positivos e edificantes, contidos nos projetos e propostas debatidos, daquelas maquinações demagógicas e desconstrutivas que, desafortunadamente, enxamearam a corrida atrás do voto.   

 A receita democrática é essencialmente esta: quem conseguir aglutinar maior contingente de votos ficará, obviamente, investido da sagrada missão de conduzir os destinos nacionais. A campanha chega ao epilogo assim que anunciados oficialmente os resultados soberano e inapelável das urnas

 E se Deus assim permitir em resposta a justos anseios da sociedade, estaremos inaugurando  etapa radiosa em nossa história política. Aguardada com expectativa, mais do que isso, com fervorosa esperança, essa nova etapa, congregando as forças vivas e produtivas da Nação, haverá de favorecer a retomada do desenvolvimento econômico e social. Haverá de garantir definitiva ruptura com os obstáculos que se antepõe à consolidação pelo Brasil de seu destino de grandeza.                                                

 

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Ucrânia, impasse amedrontador

Ucrânia, impasse amedrontador

                                                                    *Cesar Vanucci

 

“Invoco o principio da autodeterminação dos povos para meu país”                                        (Volodymyr Zelensky, Presidente ucraniano).

 

 Este nosso mundo velho de guerra sem porteira vai de mal a pior. O conflito na Ucrânia é amostra contundente desse estado de coisas perturbador.  A insânia belicista que levou as tropas russas a se apoderarem de uma fatia considerável do território vizinho acena, em curto prazo, com perspectivas que podem se tornar de repente catastróficas.

 O façanhudo Vladimir Putin mantém o mundo em sobressalto com ameaças aterrorizantes. Depois de anunciar a convocação de 300 mil reservistas como reforço para as frentes de batalha, trombeteou, com a arrogância que lhe é peculiar, que a Rússia está pronta para utilizar armas nucleares na defesa das posições conquistadas. A estes anúncios estapafúrdios seguiu-se outro comunicado desconcertante. As populações das regiões sob controle dos invasores estão sendo convocadas a participar de “referendos” sobre a anexação dos lugares em que vivem à “pátria mãe”, ou seja, a Rússia imperial. Não é muito difícil prever os resultados da “consulta”. Esta a “lógica” da situação maquiavelicamente engendrada: com “maciça adesão popular” à ideia da anexação os territórios ocupados colocam-se sob jurisdição de Moscou. Qualquer tentativa ucraniana, ou de prováveis aliados, de recuperá-los será vista como agressão a Rússia. O revide será com emprego de armamento nuclear.

 O representante do kremlin no Conselho de Segurança da ONU deixou claro esse raciocínio perverso. A respeito do surreal plebiscito, já em curso, é interessante dizer que o questionário a ser preenchido pelos votantes é no idioma Russo e que o monitoramento do processo é feito, “obviamente, com lisura e isenção”, por comitês russos. Palavra de ordem nos veículos de comunicação, fachas e cartazes em profusão fazem conclamações desse gênero: “A Rússia é o futuro”! “Estamos unidos por uma história de 1.000 anos”; “Durante séculos, fomos parte do mesmo grande país. A desintegração do Estado foi um enorme desastre político. É hora de restaurar a justiça histórica.” Não constituirá surpresa alguma se a apuração apontar, “150% de aprovação”...

 A descomunal farsa vem sendo objeto da condenação universal.

 Dias atrás, o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, fez na Assembleia Geral das Nações Unidas, escudado no principio da autodeterminação dos povos,  um apelo dramático no sentido de que a soberania da Ucrânia venha a ser restaurada. A permissão para que usasse a tribuna por meio de vídeo conferencia foi assegurada pela grande maioria dos países membros da instituição. Algumas poucas representações opuseram-se a sua manifestação. Outras poucas, incluído, inexplicavelmente o Brasil, se abstiveram. Em fala comovente ele reportou-se às atrocidades da guerra, à destruição das cidades, ao drama dos refugiados, à resistência heroica aos invasores, pedindo a punição da Rússia pelos atos praticados. Usando também a tribuna da ONU, o Presidente dos EUA, Joe Biden, criticou, com veemência, a atitude de Putin, lembrando que numa guerra nuclear não há lugar para vencedores. Afirmou textualmente: Se as nações podem perseguir suas ambições imperiais sem consequências, então pomos em risco tudo o que essa instituição (ONU) representa." Segundo ele, a guerra acontece para "extinguir o direito da Ucrânia de existir.” Analistas de política internacional admitem que os posicionamentos inflexíveis hoje dominantes a começar pela prepotência dos russos, geram impasses, à primeira vista, intransponíveis. Isso dificulta saídas diplomáticas para contenda, aumentando os temores de que um descuido qualquer nas ações desencadeadas pelas partes possa acender o apavorante “alerta vermelho”.

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)


Giro pelo noticiário

 

Giro pelo noticiário

*Cesar Vanucci

“Mulheres iranianas saem às ruas em protesto contra a repressão aos seus direitos, imposta pelos Aiatolás” (Do Noticiário nosso de cada dia).

 

1) Direitos femininos espezinhados.

Discursando na ONU, o Presidente Joe Biben, dos Estados Unidos verberou com palavras cáusticas, apoderado de justa indignação, a atuação dos aiatolás do Irã pela virulenta opressão aos direitos femininos. Tomou por base, entre outras situações gravosas, a ação truculenta da policia de costumes daquele país que resultou na morte de uma jovem de 22 anos pelo “crime” de uso inadequado do véu para cobrir o rosto. Como amplamente noticiado a brutal ocorrência deflagrou reações no citado país com grupos significativos de mulheres bradando nas ruas seu inconformismo, despojando-se dos véus, cortando os cabelos num desafio aberto aos “guardiões da moral” responsáveis pelo “recato e pureza” de hábitos de suas subjulgadas compatriotas.

Até a semana passada a ação policial iraniana já contabilizava vinte seis mortos e centenas de prisões.   Em numerosos países, por sinal, vem sendo registradas tempestivas reações contra os abusos praticados em terras iranianas por conta da fanatice machista religiosa. Com relação a esse fato há um registro a mais a deplorar: a situação de submissão imposta às mulheres na Arábia Saudita (e também no Paquistão, para citar mais um exemplo) é tão ou mais revoltante do que daquilo que acontece no Irã. Causa espécie a circunstancia dessas violações a direitos tão legítimos não serem, hora alguma, igualmente criticadas, como aconteceu agora no tocante ao Irã, na mesma tribuna da ONU. A clamorosa omissão pode ser “explicada” por espúrias conveniências geopolíticas e econômicas. A Arábia Saudita, país de feição medieval, como alguns outros da orbita islâmica, desponta do cenário internacional como detentora de imensuráveis reservas petrolíferas exploradas em consórcios com as grandes companhias ocidentais que atuam nesse rendoso setor.

 2)Aquecimento global

O secretario Geral da ONU, Antônio Guterrez vem advertindo seguidamente os países membros da entidade acerca dos riscos progressivos na escalada, até aqui sem controle, do aquecimento global. Tem explicado, valendo-se de pesquisas idôneas que o adelgaçamento da camada de ozônio, a devastação florestal, os degelos, as diversas modalidades de crimes ambientais detectados mundo afora são fontes geradoras de pandemias, de escassez de alimentos, de condições climáticas desfavoráveis à saúde e, por conseguinte de pobreza aguda, desnutrição e fome, desigualdades sociais gritantes, ameaças de toda ordem à sobrevivência humana. As sensatas advertências ao que tudo parece não vêm sendo levadas a sério por boa parte das lideranças. Um significativo exemplo desse interesse minguado pelas palpitantes questões aventadas por Guterrez é dado aqui mesmo em nossos pagos, quando porta-vozes governamentais asseguram, enfaticamente, que a devastação florestal e a fome são pura falácia...

 3) FHC

Fernando Henrique Cardoso quebra o silêncio.  Fala pouco e diz tudo. Em curta, sensata e incisiva mensagem, sem citar nomes, sequer o da candidata Simone Tebet, apoiada por seu partido (PSDB), conclama os eleitores a votarem em 2 de outubro em pretendentes a cargos eletivos compromissados com a democracia, com os direitos fundamentais e com disposição para combater as desigualdades sociais, a miséria, a fome e os crimes ambientais

 4)Recado

Recado para relientos de carteirinha de todos os matizes: aproveitem, restam poucos dias pra vocês espinafrarem, discutir, produzir desavenças com familiares, virar a cara para amigos, hostilizar desconhecidos, enfim promover fuzuê com xingamento de mãe, entrar em briga aberta com o mundo por causa da política.

 

                            Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

 

sábado, 24 de setembro de 2022

Sonetos de um cavalariano andante

 

Sonetos de um cavalariano andante

 

                                                        *Cesar Vanucci e Maria Inês Chaves de Andrade

 

“O texto poético tende a ser tão peculiar quanto o estado de alma do autor”.

                                                (Jair Barbosa da Costa)

 

É sempre enlevante a leitura dos escritos de Jair Barbosa da Costa, seja em verso ou prosa. Mestre consagrado no ofício das letras, este valoroso acadêmico dos quadros associativos da Academia Municipalista de Letras  de Minas Gerais (AMULMIG) e da Academia João Guimarães Rosa da Polícia Militar, além de outras respeitáveis instituições culturais, presenteia-nos, amiúde, com peças literárias da melhor supimpitude, alegrando e encantando instantes de recreação e reflexão das pessoas fissuradas na arte da comunicação.

Em seu recente livro “Sonetos de um cavalariano andante”, o apreciado poeta e escritor, também festejado nas rodas intelectuais como crítico literário, faz aflorar lírica pujante em versos como estes: “O perfume vem da flor, sem qualquer rota de fuga, nesse ambiente de amor ”; “ O arco da esperança não é de Deus? Restauram-se a alegria e a ilusão para quem vive a fé, mirando os céus”; “Antes, só escutar sabia, a voz presa na garganta. Ao conquistar a alforria, o seu amor se agiganta.” Vou parando por aqui, com muita coisa ainda a dizer, por certo. Cedo a palavra, agora, à brilhante Acadêmica, filósofa, poeta e escritora Maria Inês de Andrade para que complemente, magistralmente, como é de seu feitio, as considerações acerca da excelente publicação. Ei-la.

 

Beber de sua fronte, eis o que deseja todo berbere em seu oásis - fosse mesmo “talvez” não fosse seguro -, porque, até no fundo do poço, nele as profundidades e as profundezas convivem poeticamente e inspiram. A fonte, então, dele exsurge tão divina quanto não pudesse ser outra e oferece seu bom gosto. Daí, o sentimento lhe aprecia o paladar, este que, à caneta sobre o que lhe cala fundo a boca de silêncio raso, sabe doce bem-falar-o-bem-do bem, benzinho ainda, quando dá grandeza ao amor de suas pequenas, todas as grandes mulheres que, em torno de si, bruxuleiam à sua luz. Ele prova que o que experimenta - prova sobre prova -, merece mesmo ser-nos oferecido de bandeja para que, através de suas palavras, todas elas, ora amargas, outras salgadas, ainda ácidas ou apimentadas, azedas se preciso, agradáveis e meladas quando quer, mas nunca insossas, possamos saber quanto a vida é gostosa. Ele cultiva o léxico cotidianamente tanto quanto cultua cada vocábulo - próprio a quem sabe literatura do dia a dia à eternidade -, para nos dar, estes cultos de todos os cultos e incultos também, as palavras todas e por isso escreve, como agora escreveu Sonetos de um Cavalariano Andante. Assim, depois de uma última volta, o aventureiro errante retorna atrevido como sói mesmo ser e irrompe promessa rota, por coerência com a energia vital que represa e se comporta. Agora, nem Allegro a mim me diria tanto, como Moderato não seria ele para dizer de si, quando andante assume, então, o tempo de sua poesia e perfeito revela nosso cavaleiro a passo certo, já que antes, um cavalheiro a cavalo, verdadeiramente.  O dom da escrita é-lhe virtude e o tratamento que merece de todos nós a si adere pronome para que o Excelentíssimo Coronel Jair Barbosa da Costa apresente-se como é, exatamente assim, excelência em seu ofício de poeta, arrimando em rima o fundamento de uma história inteira, literal e literariamente, tão linda de se contar quanto se contam lindos, um a um, todos os seus escritos.

 

*Maria Inês de Andrade é membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais

Cesar Vanucci, jornalista, Presidente emérito da AMULMIG

                                                                                                                                Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

 

 

Reverência à democracia

                                                                          *Cesar Vanucci

“Minha reverência incondicional à autoridade Suprema da                                                       Constituição” (Ministra Rosa Weber, em sua posse na presidência do STF).

 

 A sessão solene de posse da Ministra Rosa Weber na presidência do Supremo Tribunal Federal constituiu outra extraordinária demonstração de pujança democrática.

 Ocorre-nos uma comparação. Dando largas à imaginação, tomando a liberdade de converter a cerimônia do salão nobre da Corte em um concerto musical de gala em feérico recinto, poderíamos assegurar ter sido espectadores de um recital sinfônico magistral. Daí os estrepitosos aplausos que entrecortaram as falas da Presidente empossada e da Ministra Carmem Lúcia, que a saudou, equivalentes ao “bravo” com que plateias entusiastas reverenciam espetáculos do mais elevado padrão.

 Rosa Weber que assume a função até outubro do ano vindouro, quando se extingue o prazo legal de sua permanência na instituição, defendeu em seu pronunciamento o Estado de Direito, a laicidade, o sistema eleitoral, rejeitando, de maneira categórica, os discursos de ódio. Asseverou ainda que "sem um Poder Judiciário independente e forte, sem juízes independentes e sem a imprensa livre não há Democracia". Declarou enfaticamente: "Sejam as minhas primeiras palavras as de reverência incondicional à autoridade suprema da Constituição e das leis da República, de crença inabalável na superioridade ética e política do Estado democrático de Direito, de prevalência do princípio republicano e suas naturais derivações, com destaque à essencial igualdade entre as pessoas e a estrita observância da laicidade do Estado brasileiro, com a neutralidade confessional das instituições e garantia de pleno exercício de liberdade religiosa".

 Antes dela homenageando-a, a Ministra Carmem Lúcia, ex-presidente do STF,  registrou que Rosa "não assume o cargo em momento histórico de tranquilidade social e de calmaria, mas bem diferente disso, os tempos são de desassossego no mundo e não diferente disso no Brasil". Acentuou ainda que o momento reclama no cargo  uma pessoa com as extraordinárias qualidades de Rosa Weber, “de decência, de prudência e de solidez de posições combinada com especial gentileza de trato". Prosseguiu: "O momento cobra decoro e a República demanda compostura. Tudo o que Rosa tem para servir de exemplo em tempos de “desvalores” muitas vezes incompreensíveis".  Cármen Lúcia disse também: "Não se promove a democracia com comportamentos desmoralizantes de pessoas e instituições. A construção dos espaços de liberdades não se compadece com desregramentos nem com excessos".         

 Os 2 pronunciamentos suscitam o impulso de todo democrata autentico de apor sua assinatura embaixo.

 Na avaliação de analistas políticos, a Presidente empossada é de perfil discreto, avessa aos holofotes midiáticos. Acredita-se que, durante sua gestão, fará todo possível para evitar polêmicas que atraiam a Corte para o centro das atenções.

 A cerimônia foi bastante prestigiada, reunindo representantes de todos os Poderes e seguimentos comunitários, além de membros do corpo consular. O presidente Jair Bolsonaro não compareceu.

 Discursaram também o Procurador–Geral da Republica, Augusto Aras e o presidente da OAB, Beto Simonetti  . O primeiro assinalou ser “gratificante saber que estamos trabalhando para que tenhamos um certame eleitoral em clima de paz e harmonia, sem violência". Simonetti, por sua vez, afirmou: "Neste ano eleitoral, nossa missão é ombro a ombro com a Justiça brasileira, defender o sistema de votação que há décadas permite eleições limpas com a prevalência da soberania popular".

 Repita-se esta posse no STF entra nos anais da vida pública brasileira como uma festa de gala.

 

 

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

 

Flagrantes da hora

*Cesar Vanucci

“Ataques a jornalistas proliferam nas redes”

(“Jornalistas sem Fronteiras”)

1) Apito.

“Apito de cachorro” é jargão usado por cronistas políticos para descrever a atitude de certos indivíduos que se comprazem em imitar jeitos e trejeitos de seus ídolos na vida pública. No debate da BAND, Bolsonaro dirigiu-se de forma desrespeitosa a uma jornalista, acentuando que a mesma representava uma “vergonha” para o jornalismo. Pois não é de se ver que poucos dias transcorridos, num outro debate, envolvendo candidatos ao governo de SP, um parlamentar do PR, ouvindo, por certo, o apito, “latiu” impropério idêntico alvejando a mesma jornalista. A agressão mereceu reprovação ampla da classe jornalística, além de reações com as quais o parlamentar jamais contava. O candidato ao governo, pertencente à mesma legenda, repudiou o procedimento de seu colega. A comissão de ética da AL anunciou a instauração de processo para averiguação da conduta destemperada do deputado. Acrescente-se, a propósito, que os “Jornalistas sem fronteiras” acabam de divulgar haver constatado, nas redes sociais, mais de 30 mil ataques desabridos a jornalistas no exercício de sua função. A profissional de imprensa Vera Magalhães, alvo das desairosas referencias acima comentadas é que maior numero de doestos recebe nesse revoltante bombardeio de sandices. 

2) Orçamento secreto

O orçamento secreto não é apenas uma aberração, ou uma distorção das contas financeiras da União, como querem alguns. Não passa, na verdade, de deslavada maracutaia, tendo laços próximos de parentesco com o mensalão. As coisas a respeito ficam mais graves ainda quando se toma conhecimento, nesta fase pré-eleitoral, a título de execução orçamentária, da liberação antecipada de recursos vultosos programados para o exercício de 2023.  Erva daninha da corrupção ainda prolifera.

3) Refugiados

A chegada ao Brasil de uma leva de refugiados afegãos, entre eles, um ex-ministro de Estado, representa uma pequena amostra do enorme êxodo provocado pelo retorno dos talibãs ao comando político de Cabul. O talibanismo, seita fundamentalista virulenta, fonte matricial do grupo terrorista Al-Qaeda, de Osama bin Laden foi realojada no poder por meio de acordo com o governo dos EUA. O pacto celebrado, entre, até então, arqui-inimigos, foi tido por analistas internacionais como eloquente fracasso diplomático da Casa Branca. A invasão do Afeganistão não só não apaziguo o país como acabou deixando tudo, no final das contas, como estava antes. A população afegã voltou a experimentar o julgo tirânico dos fanáticos talibanistas.

4) Veredicto

A ciência já deu seu inapelável veredicto. As agressões ambientais descontroladas podem desencadear outros surtos pandêmicos mortíferos em curto prazo. Em todos os quadrantes do planeta, pesquisadores constatam sinais alarmantes de desequilíbrios ecológicos, afetando flora e fauna. A situação é de molde a estimular o surgimento de agentes patogênicos, na linha da COVID19, capazes de promover estragos na vida das pessoas.  O cidadão comum presencia, estarrecido, as ações deletérias que se propagam em todos os cantos deste planeta azul, sob olhares complacentes das comunidades e autoridades, tomado de receios quanto às consequências funestas prenunciadas. 

4)Rainha.

Marildinha, 11 anos, ávida de curiosidade pelos lances cotidianos que desfilam ao seu redor, olhar vigilante e ouvido atento, acompanha ao lado dos pais a abundante narrativa televisa acerca das imponentes exéquias de Elizabete II. Às tantas, deixa cair a pergunta: - Quantas vezes a gente morre, hein mãe? Adalgisa, a mãe, intrigada responde: - mas, que pergunta Marilda! A gente só morre uma vez. Marildinha retorna: - Então porque essa rainha não para de morrer?   

Jornalista( cantonius1@yahoo.com.br)

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

 

Cálice Bento

*Cesar Vanucci

 

“Salve, salve o Oratório, / onde Deus fez a morada.”

(Verso de abertura de “Calix Bento”)

 

A melodia “Calix (cálice) Bento”, tão do agrado popular é uma adaptação brasileira ligada a tradição musical das Folias de Reis, de origem portuguesa e está vinculada ao culto católico de Natal e Santos Reis. No Google explica-se que a tradição brasileira, impregnadas de sincretismo religioso, as Folias são comemoradas por grupos que visitam as casas tocando músicas alegres em louvor aos “Santos Reis”. Estes festejos se alongam do final de dezembro até 06 de janeiro do ano seguinte, dia de Reis no nosso calendário. A concepção musical é do apreciado cantor e compositor mineiro Tavinho Moura, tendo sido lançada em Porteirinha, norte de Minas, região hoje pertencente ao município de Serranópolis. Tavinho Moura é um dos integrantes do famoso “Clube da Esquina”, integrado, entre outros, por Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, Milton Nascimento.

Dias passados numa agradável festa familiar comemorativa de bodas matrimoniais, as pessoas presentes entoaram, com euforia contagiante que a canção naturalmente suscita uma versão ampliada no que toca aos seus sugestivos versos. A “complementação poética”, se é que assim pode ser chamada, nasceu da inspiração de alguns participantes da animada confraternização. Trazemos aqui, para o respeitável publico toda cantoria ouvida.

“Salve, salve o Oratório, / salve, salve o Oratório, / onde Deus fez a morada, / onde Deus fez a morada. //

Onde mora o Cálice bento, / onde mora o Cálice bento/ e a hóstia consagrada, / e a hóstia consagrada. //

De Jessé nasceu a vara, / de Jessé nasceu a vara / e da vara nasceu a flor, / da vara nasceu a flor. //

Da flor nasceu Maria, / da flor nasceu Maria/ e de Maria o Salvador, / de Maria o Salvador. //

Até aqui os versos já conhecidos. Na sequencia, mantida obviamente a toada melódica, o complemento citado.

“Em Belém, a Estrela-Guia, / em Belém a Estrela-Guia / iluminou a manjedoura, / iluminou a estrebaria. //

Ali nasceu o Menino-Deus, / ali nasceu o Menino-Deus, / filho de José e Maria, / filho de José e Maria. //

Venerado pelos Magos, / venerado pelos Magos. / Estava ali o Redentor, / estava ali o Redentor. //

Ele trouxe rica mensagem, / trouxe rica mensagem, / de concórdia e de amor, / de concórdia e de amor. //

Multidões o aclamaram, / multidões o aclamaram/ e o seguiram com fervor, / o seguiram com fervor. //

Desgostosos os poderosos, / desgostosos os poderosos,/ reagiram com furor, / reagiram com rancor. //

Ele foi atraiçoado, / Ele foi atraiçoado, / injuriado e humilhado, / injuriado e humilhado. //

Pilatos lavou as mãos, / Pilatos lavou as mãos / e Ele acabou crucificado, / acabou crucificado. //

Pouco tempo transcorrido, / pouco tempo transcorrido, / Eis Jesus ressuscitado! / Eis Jesus ressuscitado! //

O Oratório documenta, / o Oratório documenta / esta história refulgente, / esta história emocionante //

de um Ser resplandecente, /  de um Personagem transcendente, / que veio do céu salvar a gente, / veio do céu salvar a gente.”//

 

                             Jornalista(cantoniu1@yahho.com.br)

 

Reflexões deste momento

                                                                  *Cesar Vanucci

“A associação entre a campanha e o evento cívico foi incentivada pelo próprio Presidente”             (Ministro Benedito Gonçalves, do TSE).

 

1)Trump

A crônica política estadunidense não assinala nada parecido. O vexaminoso procedimento de Donald Trump, surrupiando documentos ultra sigilosos pertencentes ao Estado, guardando-os em caixa-forte numa de suas mansões, confirma, à saciedade, a inconsequência e o desequilíbrio mental do ex-ocupante da Casa Branca. Diante de tamanho desproposito a gente se põe a conjeturar os agigantados riscos que a humanidade correu quando do mandato exercido pelo amalucado personagem. Não há como olvidar que Trump transportou em sua pasta durante 4 anos, na condição de governante mais poderoso do planeta, dispositivos capazes de alterar para sempre o rumo da civilização. Quem saberá dizer, por certo, do que conseguimos escapulir num dos inevitáveis arroubos megalomaníacos ao tempo de sua gestão! E pensar que o cara ainda cogita voltar a concorrer à presidência do país, ora, veja, pois...

 

2) Elizabeth II.

Focada absorventemente na cobertura da morte, vida e obra, da carismática Rainha Elizabeth II, acompanhando, lance por lance, as imponentes e alongadas exéquias da Soberana inglesa, a mídia, sobretudo televisiva, concedeu espaço reduzido para manifestações negativas que se fazem também ouvir, na hora presente em várias  partes do mundo, a respeito da atuação da realeza. Em numerosos rincões da África e da Ásia libertos, no século passado da opressão colonialista britânica, não foram poucas as vozes discordantes em relação às louvações atribuídas a Sua Majestade em seus 70 anos como Chefe de Estado e da Igreja Anglicana.

Se para grande parte da humanidade Elizabeth foi uma rainha inesquecível, para outra ela representou o símbolo vivo de um despotismo colonial que deixou sequelas irremediáveis na historia das ex-colônias do extinto Império onde o sol nunca se punha. Como é sabido, os domínios ingleses, no apogeu imperialista, abarcaram quase ¼ da superfície mundial. Deles floresceram, deploravelmente, ações consideradas lesivas aos interesses dos nativos dos lugares administrados pela Coroa. Lembranças desses tempos de subjugação estão sendo agora suscitadas. Outro lado da moeda.

 

3) Decisão do TSE .

Momentosa decisão do Corregedor-Geral da Justiça Eleitoral do TSE Benedito Gonçalves, condenou o procedimento do Presidente Jair Bolsonaro por estabelecer uma associação das comemorações oficias solenes dos 7 de setembro com sua campanha eleitoral , objetivando a reeleição. Horas depois, o colegiado da Corte referendou a decisão. "Os elementos presentes nos autos são suficientes para, em análise perfunctória, concluir que a associação entre a campanha do réu e o evento cívico-militar foi incentivada pelo próprio Presidente candidato à reeleição, o que pode ter desdobramentos na percepção do eleitorado quanto aos limites dos atos oficiais e dos atos de campanha", diz trecho da manifestação do Ministro na liminar ao recurso interposto pela candidata à presidência Soraya Thronicke contra a utilização de imagens das comemorações oficiais na propaganda eleitoral de Bolsonaro. A repercussão da atitude do  Chefe do Governo na festa da independência foi intensamente criticada pela opinião pública.

 

5) Constituição.

Explicando que o judiciário é o guardião sereno e altivo da Carta Magna que contém  o receituário para a solução dos problemas, o Ministro Ayres de Brito, um humanista, ex-presidente do STF, valeu-se de uma sugestiva metáfora. Aqui está:

Para fazer cumprida a constituição o Legislativo há que ser visto como a nascente, o Executivo como a correnteza e o judiciário como a foz de todo o processo. Falou e disse.

 

  

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

 

Temas da atualidade 

 

“É irritante quando eles falam, mas não agem.”

(Rainha Elizabeth II, em 2021 defendendo a vacina contra COVID)

 

1) “Comício”

  Não há como fingir que nada de grave aconteceu no 7 de setembro. De forma escancarada, ao arrepio da lei eleitoral e flagrante desrespeito ao comportamento exigido de uma autoridade com deveres e prerrogativas que lhe são inerentes, o Presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, valeu-se de ato público solene, do mais elevado simbolismo cívico, para introduzir manifestações eleitoreiras rasteiras. Estabeleceu confusão no espírito de muita gente, fazendo jus à condenação e criticas de majoritária parcela da opinião pública. A liturgia do cargo de primeiro mandatário da Nação rechaça - é o próprio obvio ululante – demonstrações impróprias e de mau gosto como as que foram vistas nos acontecimentos reportados. O coro de vozes puxado pelo candidato no “comício”, fora de lugar com escalafobética expressão e a grosseira comparação a respeito das ilustres esposas dos “presidenciáveis” representou um espetáculo deprimente com repercussão negativa em todos os quadrantes do país e até mesmo no exterior. O que ocorreu é indicativo de mais um capitulo da turbulência  da campanha eleitoral.

 

 2) Ode à Democracia

 O “anjo da guarda”  de Cristina Kirchner agiu com presteza, impedindo se consumasse a tragédia perpetrada pelo tresloucado nazifascista ,  de nacionalidade brasileira,  desde 6 anos de idade radicado na Argentina. O atentado contra a ex-presidente e atual vice-presidente da Argentina teve o condão de despertar a consciência cívica da nação portenha, arregimentando forças políticas de todas as tendências, mantendo ao largo ocasionais antagonismos no campo das ideias, em torno dos superiores valores democráticos. Divergências inflamadas foram, sensatamente, deixadas de lado pela gente do povo do país irmão, que se mobilizou, em tudo quanto é tipo de manifestação, passeatas, comícios, entrevistas, para bradar, a plenos pulmões, um sonoro “Não” à tentativa extremista radical de desestabilizar a ordem democrática vigente. Os argentinos compuseram, nessas demonstrações de ressonância mundial, uma ode à democracia de grande significação num momento em que, em diferentes partes do mundo, fundamentalistas de variados matizes procuram solapar conquistas que conferem dignidade à aventura humana.

 

3)Rainha Elizabeth

  Mais uma figura icônica deixa o cenário internacional para ingressar na Historia. Aos 96 anos de idade, dos quais 70 dedicados às funções que a celebrizaram, a rainha Elizabeth II, da Grã-Bretanha, conquistou o mundo com seu carisma e irradiante simpatia. Cumpriu, altivamente, a missão institucional que lhe foi passada, como Chefe de Estado da comunidade Britânica das Nações. Seu estilo de atuação, gerando admiração e respeito, concorreu para que, no sentimento popular permanecesse um tanto  esquecido o anacronismo do sistema monárquico. Não será nada impossível que esta história de realeza com suas pompas e lantejoulas, comece agora a ser mais questionada e criticada.

 

4) “Data Limite”

  A ONU enviou os melhores especialistas em energia nuclear para a região da Ucrânia em que se acha localizada a Usina Zaporizhzhia, a maior da Europa. Os peritos constataram que a Central referida, colocada sob fogo cerrado de tropas russas e ucranianas, oferece riscos imediatos de uma hecatombe nuclear. Esta tétrica perspectiva nos remete à menção de Chico Xavier sobre a assim chamada “Data Limite”. O famoso sensitivo de Uberaba e Pedro Leopoldo vaticinou que, nestes tempos confusos e coléricos de agora, a humanidade poderia, talvez, se não criasse juízo a tempo, desencadear um conflito nuclear  que levaria a uma intervenção no planeta, promovida, segundo suas palavras, por civilizações extraterrenas mais evoluídas tecnológica e espiritualmente. Essa afirmação está documentada em vídeos, como já sublinhamos noutra oportunidade.

 

                                             Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

 

O Manifesto dos Bispos

*Cesar Vanucci

 

“Nossas alegrias e esperanças, tristezas e angústias são as mesmas de cada brasileiro”.

 (Bispos da Igreja Católica)

 

O manifesto recente dos Bispos à nação chega numa hora bastante oportuna e se mescla admiravelmente, com o poderoso simbolismo da celebração de nossa magna data cívica. O que é proclamado no substancioso documento está em rigorosa consonância com os sentimentos das ruas e dos lares. Com efeito, eles asseveram, com sabedoria apostólica e inconteste autoridade moral: “Nossas alegrias e esperanças, tristezas e angústias  são as mesmas de cada brasileira e brasileiro. Com esta mensagem, queremos falar ao coração de todos”. “(...)” “nossa fé comporta exigências éticas que se traduzem em compaixão e solidariedade concretas. O compromisso com a promoção, o cuidado e a defesa da vida, desde a concepção até o seu término natural, bem como, da família, da ecologia integral e do estado democrático de direito estão intrinsecamente vinculados à nossa missão apostólica.”

No lúcido manifesto eclesiástico que conta com a assinatura dos 292 Bispos da igreja católica, é acentuado que em todas as ocasiões que os compromissos são abalados, “não nos furtamos em levantar nossa voz”. Os pastores reconhecem o tempo difícil pelo qual o povo brasileiro e o país atravessam.  Registram, a propósito: “Nosso País está envolto numa complexa e sistêmica crise, que escancara a desigualdade estrutural, historicamente enraizada na sociedade brasileira. Constatamos os alarmantes descuidos com a Terra, a violência latente, explícita e crescente, potencializada pela flexibilização da posse e porte de armas que ameaçam o convívio humano harmonioso e pacífico na sociedade. Entre outros aspectos destes tempos estão o desemprego e a falta de acesso à educação de qualidade para todos”.

A fome pontuam ainda os Bispos, é o mais cruel e contundente problema enfrentado pela sociedade. “A alimentação – argumentam - é um direito inalienável (cf. Papa Francisco, Fratelli Tutti, 189)”. O que e dito pelos Bispos reforça os dados do relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, onde se aponta que a quantidade de brasileiros que enfrentam algum tipo de insegurança alimentar ultrapassou a marca de 60 milhões.

As instituições democráticas brasileiras são defendidas, na proclamação, com bastante ênfase. “Como se não bastassem todos os desafios estruturais e conjunturais a serem enfrentados, urge reafirmar o óbvio: “Nossa jovem democracia precisa ser protegida, por meio de amplo pacto nacional. Isso não significa somente ‘um respeito formal de regras, mas é o fruto da convicta aceitação dos valores que inspiram os procedimentos democráticos […] se não há um consenso sobre tais valores, se perde o significado da democracia e se compromete a sua estabilidade’”

Os bispos expressaram ainda preocupação com a manipulação religiosa e  disseminação de fake News que têm o poder de desestruturar a harmonia entre pessoas, povos e culturas, colocando em risco a democracia. Disseram: “A manipulação religiosa, protagonizada por políticos e religiosos, desvirtua os valores do Evangelho e tira o foco dos reais problemas que necessitam ser debatidos e enfrentados em nosso Brasil. É fundamental um compromisso autêntico com o Evangelho e com a verdade”.

Há no documento um alerta acerca dos riscos que corremos diante de tentativas, veladas ou ostensivas, de ruptura da ordem institucional. Estas tentativas colocam em xeque – reconhecem os Prelados - a lisura desse processo, bem como, a conquista irrevogável do voto.  Afiançam categoricamente: “Pelo seu exercício responsável e consciente, a população tem a capacidade de refazer caminhos, corrigir equívocos e reafirmar valores. Reiteramos nosso apoio incondicional às instituições da República, responsáveis pela legitimação do processo e dos resultados das eleições”.

 

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

 

O pensamento vivo de Gorbachev

 

*Cesar Vanucci

 

                                                                 O que precisamos é star peace, não star wars.”

    (Mikhail Gorbachev)

 

Ditos lapidares. Retratam, de forma esplêndida a fecundidade de idéias e o perfil humanista de Mikhail Gorbachev. Explicam a postura destemida do Nobel da Paz 90 ao promover a Perestroika e a Glasnost.

Aqui estão:

“Uma sociedade nunca deve se tornar como um lago de água estagnada, sem movimento.” / “Se não eu, quem? Se não agora, quando?” / “Às vezes é difícil aceitar, admitir seus próprios erros, mas você tem que fazer isso. Eu era culpado de excesso de confiança e arrogância, e fui punido por isso.” / “O mundo não aceitará ditadura ou dominação.” / “É melhor discutir coisas, argumentar e se envolver em controvérsias do que fazer planos traiçoeiros de destruição mútua.” / ‘Se o que você fez ontem ainda parece ótimo. Você não fez muito hoje.”  / “O início das reformas na União Soviética só foi possível de cima, mas somente de cima./ ”Sem a Perestroika, a “guerra fria” simplesmente não teria terminado. Mas o mundo não poderia continuar a se desenvolver como antes, com a ameaça de uma guerra nuclear sempre presente.”/ “A democracia é o ar saudável e limpo sem o qual uma organização pública não pode viver plenamente .”/ “Acredito que o problema do meio ambiente será o primeiro item da agenda do século xxi é um problema que não pode ser adiado.”/ “Cresci em uma família de camponeses e foi lá que vi como, por exemplo, nossos campos de trigo sofreram com tempestades de areia, erosão da água e do vento; eu vi o efeito disso na vida, na vida humana”./ “Não desistimos de nossas convicções, nossa filosofia ou nossas tradições, e não pedimos a ninguém que desista das deles”./ “Os Estados Unidos devem ser o dono da democracia, não o publicitário da sociedade de consumo.”/ O mercado não é uma invenção do capitalismo. Ele existe há séculos. É uma invenção da civilização.”/ “Eu estava ansioso para chegar à posição mais poderosa porque pensei que poderia resolver problemas que só o líder pode resolver. Mas quando cheguei lá, percebi que precisávamos de uma mudança revolucionária”./ “Acho que precisamos de mais jovens; temos que escolher jovens para o governo. Devemos dar-lhes uma chance, na mídia, na política, na democracia. ”/ “Cada país deve realizar suas próprias reformas, deve desenvolver seu próprio modelo, levando em consideração a experiência de outros países, sejam vizinhos próximos ou distantes”./ “Como será o século 21 dependerá de como aprenderemos as lições do século 20 e evitaremos repetir seus piores erros”. / “A vida castiga quem chega tarde.”/ “O muro de Berlim foi um sinal de contradições no mundo e tornou-se um sinal de mudanças radicais no mundo que afetaram a maior parte da humanidade. Mas o caminho para sua abolição foi longo e doloroso”./   “Coragem não é sinônimo de temeridade.”/ “O principal é que cada indivíduo tenha o direito de optar, o direito de se organizar como quiser e de expressar suas opiniões.”/ “A economia deve fortalecer, e não contrariar, os vínculos entre os povos.”/ “Ressentimento é a última coisa que um político deve sentir.”/ “Se negligenciarmos a ecologia, todos os nossos esforços para criar um mundo mais justo estarão fadados ao fracasso.”/ “Estamos no rumo da democracia e na minha visão nós andamos a metade do caminho, na melhor das hipóteses. Precisamos seguir até o fim do caminho.”/ “O maior desafio tanto no nosso século quanto nos próximos é salvar o planeta da destruição. Isso vai exigir uma mudança nos próprios fundamentos da civilização moderna – o relacionamento dos seres humanos com a natureza.”/ “Às vezes, quando você está cara a cara com alguém, não consegue ver o rosto dela.”

 

 

Jormalista(cantonius1@yahoo.com.br)

A SAGA LANDELL MOURA

Chegada a hora

  Chegada a hora Cesar Vanucci *   “Eleição é um teste cívico periódico para se manter a boa saúde democrática.” (Antônio Luiz da Co...