quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

A Fala do Presidente

 


 

*Cesar Vanucci

“O Presidente Lula saiu do ponto.”

(Senador Jacques Wagner, líder governamental no Senado)

 

 

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou o que não devia e escutou o que não precisava ouvir.  Extrapolou, como se diz no jargão diplomático, a linha vermelha. A comparação da virulenta contraofensiva israelense em Gaza com a horrenda história do Holocausto foi infeliz em demasia.  As atrocidades nazistas alvejando prioritariamente a comunidade judia e envolvendo outros grupos não encontram paralelo na história dos crimes cometidos contra pessoas e patrimônios em nenhum outro momento da idade moderna, que é pontilhada, como sabido, por atentados frequentes à dignidade humana.

Ato incontinente à retórica desastrada, a reação oficial do Governo de Netanyahu foi bastante veemente, enveredando, todavia, por tom descomedido dentro dos padrões diplomáticos que regem as relações entre países que preservam histórica convivência fraternal. O Ministro da defesa de Israel, Yoav Gallant, depois de considerar Lula “persona non grata”, exigindo que se retratasse, mandou chamar o Embaixador brasileiro em  Telavive para reunião no “Museu do Holocausto”, com o fito de aplicar-lhe uma repreensão pública sob os holofotes midiáticos. O “pito” foi dado em hebraico, com voz alterada e sem tradutor por perto, algo pra lá de surreal. Ao Itamaraty não restou alternativa que não a de trazer de volta o Embaixador brasileiro Frederico Meyer , e convocar o Embaixador de Israel em brasília, Daniel Zonshine para encontro reservado, sem presença de jornalistas, com  o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afim de registrar o desconforto causado com o tratamento dispensado ao nosso país na momentosa questão. Não satisfeito com as atitudes já tomadas, o Chanceler Yoav,  resolveu escalar uma oitava a mais no protesto, abrindo nova frente de críticas ao Presidente do Brasil pelas redes sociais, o que está sendo considerado por observadores qualificados em política internacional comportamento inteiramente fora do compasso diplomático e que só se apresta a acirrar ânimos e ampliar discórdias.

A impressão, aventada por jornalistas, de que o Governo Netanyahu esteja empenhado em utilizar a imprópria fala de Lula, proferida na Etiópia, como instrumento de propaganda política, na tentativa de melhorar sua desgastada imagem nos planos interno e externo, parece de algum modo, corroborada por episódios bastante emblemáticos. O Presidente da Turquia, Erdogan Turkey fez pronunciamentos em dezembro e janeiro extremamente hostis à conduta das Forças Armadas de Israel em Gaza, falando em “Holocausto” e “genocídio” e comparando o Primeiro Ministro de Israel com “Fuehrer”, e “Hitler”. Telavive protestou, mas não desfechou contra o governante de Ancara e seu país a artilharia pesada verbal agora observada. De outra parte, a expressão “genocídio”, alusiva à tragédia de Gaza, foi também empregada pelo Governo da África do Sul ao propor a condenação de Israel e seus dirigentes por “crimes de guerra” na Corte Internacional de Justiça de Hia. Pela mesma forma, a reação de Israel ficou adstrita aos protocolos tradicionais da política diplomática.

A opinião pública brasileira acompanha com notório desagrado o desdobramento do caso em tela.  Ancorada nas boas relações que o Brasil mantém com o Israel desde sua criação, em 1948, quando a presidência da ONU era ocupada por Oswaldo Aranha, aguarda confiante, que as escaramuças antidiplomáticas cessem o quanto antes.  Sejam substituídas pelo tom respeitoso e fraternal que a competente diplomacia brasileira consegue imprimir, como reconhecido universalmente, a todas as ações em que se vê envolvida.

Enquanto isso em Gaza...

                                                 Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

A Fuga de Mossoró

                                 "(...)bela viola,..."


Cesar Vanucci

“Não afeta, em hipótese nenhuma a segurança das cinco unidades prisionais Federais. É um problema localizado a ser superado.” (Ministro Ricardo Lewandowski .)

 

Estupefação geral. Tudo muito surreal. Dois detentos de alta periculosidade escapuliram da penitenciaria de “segurança máxima” de Mossoró, Rio Grande do Norte, praticamente pela “porta da frente”. Por mais incrível que possa parecer, conseguiram abrir buraco entre parede e teto das celas em que se achavam recolhidos no setor mais restritivo da unidade. Munidos de um alicate (?!), fizeram um furo na cerca de alambrado do prédio, depois de circularem livremente pelos corredores e pátios, ganhando assim a liberdade. A ousada proeza se desenrolou diante de câmeras, guaritas de vigilância, mas o alarme de fuga só veio a ser acionado muito tempo depois da evasão.

 Até aqui as penitenciárias ditas de “segurança máxima” eram apontadas como fortificações inalcançáveis pelo “crime organizado” de dentro pra fora ou de fora pra dentro. Não são mais. As facções ganharam mais um round de uma série de rounds a serem ainda disputados nos combates travados com a Segurança Pública. A sensação de desconforto experimentada pela comunidade, em face de mais essa inverossímel ocorrência, clama por avaliação mais aprofundada da conjuntura carcerária. As pessoas se perguntam, boquiabertas, como é possível num presídio de “segurança máxima”, presos isolados na ala destinada a abrigar indivíduos mais violentos possam fugir sem quaisquer atropelos, interceptações, de forma tão desembaraçada.

 A gente se pergunta, também, como é possível aprovar-se projeto arquitetônico de penitenciária com o teto devassável. Outra estranheza a anotar: a ação dos delinquentes, em seu esforço de se sobreporem a eventuais obstáculos, deveria produzir ruídos que logicamente não passariam despercebidos a uma vigilância atenta. Fica muito difícil aceitar a tese de que a fuga não tenha sido fruto de conluio envolvendo outros participantes.

Dolorosa constatação: não há mais limites para atuação das organizações criminosas. As cadeias pertencentes a outros sistemas, que não o complexo federal, já haviam sido, de algum modo, atingidas pelo poder corrosivo e nefasto dessas ativas e perigosas quadrilhas. O noticiário nosso de cada dia proporciona relatos frequentes acerca dessa ação sorrateira sumamente danosa. Os registros falam de rebeliões, recrutamento de apenados para integrarem as facções, articulações referentes ao Tráfico externo de Drogas, “rede clandestina de celulares” operando a pleno vapor com o fito de ditar comandos para comparsas e aplicar golpes contra cidadãos incautos no sossego dos lares. Ainda agora mesmo, tomamos ciência da fuga, numa cadeia regional superlotada do Piauí, perto de Mossoró, de 17 presos de uma só vez.

A fuga de Mossoró forçou o Governo a montar uma mega operação, sem precedentes na crônica policial brasileira, com vistas à captura dos fugitivos. É provável que os resultados desejados já hajam sido alcançados à hora em que este comentário estiver sendo lido. O Ministério da Justiça tornou conhecidas inúmeras medidas tomadas com propósito de rever protocolos vigentes no sistema prisional. Anunciou, ao mesmo tempo, obras de reforço na segurança das edificações.  

 Tudo quanto exposto leva-nos a concluir que se faz urgente e inadiável  uma reflexão amadurecida e a tomada de decisões vigorosas nesse perturbador capitulo da Segurança Pública em nosso país. Governo, Justiça, Congresso e setores responsáveis pelas políticas de segurança precisam dialogar mais intensamente sobre as estratégias a serem implementadas no enfrentamento, de modo eficaz, das ofensivas do crime organizado, no centro hoje, das preocupações mais angustiantes da sociedade brasileira.

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Hora da verdade.

 



*Cesar Vanucci

“As investigações abordam especificamente  fatos relacionados a tentativa de Golpe de Estado e de Abolição violenta do Estado Democrático de Direito”.(Alexandre de Moraes, Presidente do TSE)

 




Liberou geral, como se diz na pinturesca linguagem das ruas. A hora da verdade soou como proclamado nas investigações que acabam de ser trazidas a público. As apurações da Policia Federal que vinham sendo conduzidas dentro de cadencia moderada, posto que firme e consistente, assumiram configuração mais ampla e decisiva. As arrasadoras provas levantadas deram claridade solar ao tenebroso enredo golpista, apontando praticamente todo o elenco da trama, de autores a atores e coadjuvantes.

Junção da elucidativa e explosiva “delação premiada” do ajudante de ordens do ex-presidente Bolsonaro com os elementos contidos nos atos baderneiros, atentado a bomba, depredações de patrimônios públicos e símbolos cívicos, obstruções em rodovias, invasões de repartições, agrupamentos com palavras de ordem subversivas, ameaças violentas a pessoas, de viva voz e pela internet, reuniões clandestinas e manifestações insultuosas à dignidade nacional tornou possível se compusesse retrato de corpo inteiro da manobra antidemocrática arquitetada nos gabinetes do governo desalojado do poder em eleições livres e de lisura incontestável.

Os documentos, os diálogos, as mensagens de celular e de e-mails, os vídeos (gravados pelos próprios envolvidos, em momentos de embriagante autoconfiança), além de longa série de depoimentos contundentes que integram a robusta peça acusatória elaborada pela PF são simplesmente estarrecedores. Não comportam dúvidas quanto à participação dos personagens indiciados na conspiração que pretendeu mergulhar nosso país nas trevas da ditadura.

As alegações que colocam em dúvida a legitimidade das ações promovidas pelas autoridades competentes não resistem a qualquer tipo de análise crítica.  Dizer, por exemplo, que se trata de “perseguição política” é demonstrar primitivismo intelectual desconcertante que só se explica por paixão cega.

Chamou muito a atenção nas revelações transmitidas pelos Federais o tratamento altamente desrespeitoso, insultuoso, descambando mesmo para o mais baixo calão, que alguns investigados dispensaram, nos bate-papos conspiratórios, a ilustres personagens da esfera Militar que se recusaram a aderir à felizmente malograda intentona. Num dos registros gravados, aparece um dos envolvidos na trama recomendando atitudes que  “infernizem” a vida de um chefe Militar e de seus familiares, algo sem dúvida, assustador...

Fica claro, a essa altura dos acontecimentos, que muitas coisas graves ainda existem para ser contadas.  O que já veio á tona é apenas parte da Operação “Tempus Veritatis”, segundo admitem fontes ligadas às diligencias em curso.

A opinião publica, a um só tempo que abomina toda a situação investigada regozija-se com o exemplar comportamento das Instituições diante dos fatos narrados, um reflexo admirável do sentimento Democrático Nacional.

 

 Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

“Jabuti”, Percepção, Regulação

 

                                                                                                              *Cesar Vanucci

 "Jabuti não sobe em árvore...” 

                                     (Ulysses Guimarães)

 

1) “Jabuti”- a expressão “jabuti” é empregada, com frequência, no noticiário nosso de cada dia, para designar inclusões indevidas com fitos eleitoreiros em projetos, decretos, atos normativos apreciados nas esferas governamentais e parlamentares. Trata-se de enxerto nascido de manha política. “Contrabando” que inclui pautas sem nenhum vínculo lógico com a proposta inicial levando assuntos geralmente controversos, de forma escamoteada, à aprovação. Poucas pessoas conhecem da origem do termo. Pelo que se sabe, Ulysses Guimarães, o lendário personagem das “diretas já”, foi quem trouxe o “jabuti” como jargão para o vocabulário político. Ele dizia assim: “Jabuti não sobe em árvore, a não ser por enchente, ou por mão de gente".

2) Percepção - Na percepção da opinião pública, os votos monocráticos do Ministro Dias Toffoli, do Supremo, suspendendo o pagamento de multas referentes a duas grandes corporações empresariais que firmaram acordos de leniência com a Justiça, carecem de fundamentação mais consistente. Na verdade os valores devidos ao Erário pelas empresas em questão são muito vultosos para serem excluídos assim, sem mais nem menos, da receita pública, com uma simples canetada de um magistrado. O entendimento de influentes setores jurídicos e políticos são de que uma decisão desse peso, gerando uma cadeia de consequências na vida pública e empresarial, não poderá jamais ser tomada sem a manifestação do plenário da Alta Corte. Informação vinda a lume afiança que a liberação dos recursos sublinhada poderá causar efeitos negativos até mesmo no sistema da previdência privada. As preocupações nascidas do ato monocrático levaram a Procuradoria Geral da República a interpor recurso a ser analisado pelo colegiado do STF. Espera-se que numa avaliação mais aprofundada do momentoso assunto surjam esclarecimentos e definições que respondam melhor às dúvidas, questionamentos e incertezas provocados pelo episódio em foco.

3) Regulação - Números promissores: 35 países já regulamentaram, até aqui, o emprego no cotidiano da sociedade humana das chamadas plataformas digitais e, por extensão da Inteligência Artificial. As resistências negacionista à providencial regulação foram pulverizadas pelo sentimento comunitário, pela vontade firme e resoluta das lideranças lúcidas e gente do povo. De nada valeram os argumentos falaciosos levantados, entre eles a ridícula tese de que a medida conspira contra a liberdade de expressão. A circunstância de que alguns poucos países da relação sejam regidos pelo autoritarismo em nada invalida o significado humanístico, cívico, jurídico e democrático que a regulação carrega em seu bojo. A comunicação humana é pautada, na vivência democrática plena, pela liberdade da palavra escrita e falada. Isso assegura ao cidadão o direito de expor livremente suas ideias, seus conceitos de vida, suas crenças, seus costumes, sua cultura. Nenhum desses valores pode servir de pretexto para reações agressivas de quem partilhe de visões de mundo diferenciadas. Mas, fica claro que o processo saudável de disseminação desse conjunto de valores não pode ser de molde a agredir, a violentar, a molestar pessoas e grupos com direitos idênticos aos nossos que rezem por cartilha ideológica diversa. A democracia tem regras, fixa limites para poder garantir de forma ampla, geral e irrestrita a liberdade e o respeito à dignidade humana. Não é “terra de ninguém”, onde fanáticos extremistas, talebanistas de toda a espécie, analfabetos políticos possam praticar, a seu bel prazer, toda sorte de felonias e maledicências. O exemplo dado por dezenas de países do bloco democrático, estabelecendo a regulamentação da internet, é pra ser seguido já pelo nosso país.

 

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Núcleo de espionagem


                                                                                            *Cesar Vanucci

“Organização criminosa infiltrada na ABIN.”(Alexandre de Moraes, Presidente do STE)

 

 Mais essa agora! Uma ABIN paralela, Santo Deus! Um serviço de informações clandestino enxertado dentro de um órgão oficial incumbido de prestar assessoria à Presidência da Republica com o objetivo de orientar estratégias do Estado em magnas questões no plano interno e no cenário internacional. Foi montado, no governo passado para fazer espionagem a granel atingindo milhares de cidadãos considerados, na maniqueísta avaliação dos detentores então do poder, “hostis” aos interesses palacianos. O inacreditável e sórdido monitoramento alvejou, segundo a diligente Policia Federal, elementos da cúpula política, ministros, governadores, magistrados, congressistas, jornalistas e também representantes do Ministério Público engajados em investigações contra milicianos cariocas, com realce para o intrincado “caso Marielle”. A paranoica empreitada não poupou nem mesmo aliados...

À medida que avançam as apurações, a perplexidade da opinião pública se agiganta, com as pessoas comuns indagando até onde essa história maluca irá chegar. O inimaginável está acontecendo. A PF levantou indícios de que o sistema paralelo de coleta ilícita de informações continuou mesmo depois das eleições e da posse. Os articuladores do mafioso esquema não  haviam interrompido até recentemente as operações. Utilizando aparelhos de alta sofisticação tecnológica, pertencentes ao acervo da ABIN, aparelhos esses deslocados sorrateiramente para residências e escritórios, valendo-se ainda, provavelmente de informações passadas sub-repticiamente por algum funcionário inidôneo, deram sequência aos rastreamentos das pessoas sob mira.

O levantamento de dados concernentes à história da chamada “ABIN Paralela” conduziu os investigadores a uma revelação valiosa. Em entrevista dada a um canal de televisão, em programa de grande audiência, o ex-ministro Gustavo Bebianno, já falecido, que pertenceu ao grupo mais próximo a Jair Bolsonaro, do qual acabou se afastando depois de forte desentendimento, contou que o ex-presidente falou-lhe, em dada ocasião, no começo do governo, de sua intenção de estruturar a tal “ABIN Paralela”, ele, Bebianno, e o General Santa Cruz, que também veio a deixar o governo por incompatibilidade, manifestaram sua discordância e apreensão à hipótese trazida por Bolsonaro.

Pelo que se está vendo, a crônica política brasileira tende a reservar capítulo bem alentado para descrever a penca de malfeitos produzidos no ciclo de governamental findo em 31 de dezembro de 2023.

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

Radicalismo versus radicalismo

                          


                               
          *Cesar Vanucci

“O consenso sobre a guerra está se desgastando rapidamente.”

(Reuven Hazan, cientista político da Universidade Hebraica, de Jerusalém)

 



O radicalismo extremado de Benjamin Netanyahu, Primeiro Ministro do Estado de Israel, conseguiu a impensável façanha de provocar manifestação crítica uníssona de incondicionais aliados à sua maneira arrogante de conduzir a crise política e militar no Oriente Médio.

 Antes, ele já se recusava, obstinadamente, a acolher os apelos, provindos de todas as partes, por um cessar fogo humanitário. Fez questão fechada de ignorar os clamores de organismos internacionais como ONU, OMS, Cruz Vermelha, Médicos sem Fronteiras, sobre os rumos apavorantes que o conflito estava assumindo. Conflito esse desencadeado por atentado no território israelita cometido pela organização terrorista Hamas, objeto de condenação generalizada pela comunidade das nações. A justificável contraofensiva foi fulminante, sem toda via, alcançar até aqui os resultados almejados entre os quais avulta prioritariamente a libertação na totalidade dos indefesos reféns. Acontece que as ações bélicas alvejaram impiedosamente os habitantes do densamente povoado território de Gaza. Uma gente bastante maltratada por dramáticas contingências de vida, e que na  maioria nenhuma participação teve na nefanda sortida terrorista.

Dificuldades intransponíveis vêm se antepondo ao desejo alargado da ONU e centenas de países em se estabelecer uma trégua nessa guerra cruel, de modo a que o sofrimento das pessoas não diretamente envolvidas na, sanguinolenta refrega, seja atenuado. As vítimas fatais, crianças na maioria, já ultrapassaram a casa dos 20 mil, o numero de feridos alcança cifras alarmantes. Milhões de pessoas sem teto, sem lugar seguro pra ficar, carecem desesperadamente de assistência médica e de meios mínimos de subsistência, as pressões internacionais, reforçadas agora por parcelas significativas da própria comunidade israelita, esbarram na inflexibilidade do Primeiro Ministro, que insiste na tese de não deter a marcha bélica até que todos os terroristas sejam eliminados. É o radicalismo enfrentando o radicalismo.

Em seu posicionamento, que preocupa visivelmente as nações amigas, Netanyahu já chegou ao extremo exagero de afirmar que seu país não aceita, definitivamente, a criação do Estado da Palestina, previsto em resolução da ONU aprovado no distante ano de 1948. Seja mencionada, como outra demonstração radical, uma declaração enfática atribuída a um integrante do Ministério israelita, de que não existem inocentes em Gaza e que a melhor maneira de se resolver a questão é lançar uma bomba atômica no território. Para alguns observadores, a declaração foi interpretada como revelação de que Israel, como se suspeita, possua armamento nuclear em seu arsenal.

Muito dolorosa essa conjuntura vivida numa região tão rica em simbologia humana e espiritual. Uma região reconhecida como sendo o espaço territorial mais sagrado do planeta por três influentes correntes ideológicas que representam parte colossal do sentimento religioso da humanidade.

 Prestes a completar 4 meses, esta guerra sem quartel ensanguenta e tenciona o Oriente  Médio e  enche de comoção o planeta inteiro. Não há como vislumbrar no horizonte, em tempo próximo, - desairosamente para a nossa evolução civilizatória - perspectiva de uma paz, se quer temporária, que permita conversações e procedimentos humanitários e que assegure socorro mínimo às multidões desamparadas de Gaza, incluídos aí os cidadãos capturados pelos comandos terroristas.

Que Deus ilumine as mentes e corações das lideranças mundiais e dos “senhores da guerra” no sentido de que se desvencilhem das trevas do ódio sectário e mergulhem resolutos, em claridade que favoreça a construção do diálogo e, adiante, de uma paz duradoura.

                              

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

Flagrantes do momento político

 



                                                                                   *Cesar Vanucci

 

“O equilíbrio das contas públicas ajuda a impulsionar o desenvolvimento econômico e social.” (Domingos Justino Pinto, educador).

  

1)Regulação já - O Presidente do TSE, Alexandre de Moraes, deu voz à preocupação que anda fustigando mentes e corações fervorosos sintonizados com o ideal democrático. Dele as palavras na sequência: “As recentes inovações em tecnologia da informação e acesso universal às redes sociais, com o agigantamento das plataformas, amplificado em especial com o uso de Inteligência Artificial, potencializaram a desinformação premeditada e fraudulenta com a amplificação dos discursos de ódio e antidemocrático”. Corretíssimo o conceito. Dá até calafrio na espinha imaginar do que não serão capazes os milicianos digitais, de todos os matizes, que colocam a serviço do ódio e intolerância o arsenal tecnológico da internet mesclado com a IA.  A regulamentação urgente dessas fabulosas invenções não comporta discordâncias sibilinas, tergiversações e manobras protelatórias. Assim recomenda o empenho continuo das pessoas de boa vontade em prol do fortalecimento democrático.

2) “Casamento de interesse” – a sabedoria antiga prescreve que “casamento de interesse” nunca dá certo. A ambição do cônjuge é sempre desmedida. Extrapola os limites toleráveis. A convivência torna-se insustentável. De desavença em desavença, de ressentimento em ressentimento, a relação acaba dando em separação, às vezes litigiosa. A situação descrita aplica-se aos “enlaces” na política. É só por tento no que anda rolando na união do Planalto com o “centrão”. Por maiores que sejam as concessões aos eternos “governistas” da militância política mencionada, por mais ministérios que sejam confiados aos adesistas da 25° hora, por mais que se esfalfem os Ministros da Fazenda e do Planejamento no sentido de descobrir fórmulas capazes de satisfazer o apetite voraz do “cônjuge”, a sensação que prevalece nos contatos entre as partes é de que há sempre um saldo devedor a ser quitado. Até quando essa aliança amarrada por barbante resistirá aos trancos e solavancos na caminhada em curso?  

3) Emendas parlamentares – fundo eleitoral quintuplicado (5 bilhões). Emendas parlamentares impositivas, de valores avultados, que podem ser aplicações à margem dos programas de obras elaborados pela administração pública e que, além de tudo, desequilibram orçamento.  Congresso e Governo precisam acertar os ponteiros, encontrando por meio do dialogo uma forma de entendimento sobre execução orçamentária, atentos ao compromisso de déficit zero. A circunstância de ser este mais ano eleitoral, com as disputas por Prefeituras e Câmaras Municipais, não pode constituir motivo para se bagunçar o coreto orçamentário. O equilíbrio das contas públicas é parte indissociável da arrancada desenvolvimentista. O Brasil precisa dela.


                                    Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Óleo de fígado de bacalhau



*Cesar Vanucci


“O que sei é que nada sei!” (Sócrates, filósofo grego - c. 469-399 a.C)

 




Vivendo e aprendendo. Como anota Ary Barroso, numa de suas lindas canções, “A Vida é uma escola em que a gente precisa aprender a ciência de viver, pra não sofrer.” Confesso, em boa e lisa verdade, sem me deixar prender por qualquer constrangimento, haver chegado aos 45 anos de existência pela segunda vez consecutiva, na mais santa ignorância quanto à real história do bacalhau.

O bacalhau como acontece em tantos lares e lugares, é indissociável dos cardápios mais apreciados em instantes especiais de festejos. Percorrendo as ladeiras da memória, volto o olhar nostalgicamente para os ajantarados na casa de vó Carlota. Na semana santa e na passagem de ano, a bacalhoada era de se lamber os beiços, servida em terrina reservava só para momentos de gala. A  receita do acepipe tornou-se tradição familiar.

 Outra lembrança ligada ao tema, desta fase risonha da vida é menos digestiva. Minha saudosa mãe, Tonica, costumava servir-nos como fortificante, numa colher imensa, uma beberagem sorvida em meio a caretas e ao  mais completo desprazer. Era o célebre “Óleo de Fígado de Bacalhau” vendido nas farmácias dentro de frasco que trazia no rotulo a imagem de um homem de terno, com chapéu a la Carlitos, carregando nas costas um descomunal pescado, ele próprio: o bacalhau.  O rotulo continha dizeres alusivos a excelência do produto, não atestada pela criançada.

Carreguei anos a fio a ideia de que o bacalhau era uma espécie de peixe, como o salmão, o atum, o bagre, o badejo, o lambari, a sardinha, o dourado, o surubim, o pirarucu e assim por diante.

Guardei comigo a ideia de que o peixe denominado bacalhau só pudesse ser encontrado nas águas geladas da Noruega. Certa ocasião, num passeio turístico marítimo pela região dos famosos fiordes noruegueses, indaguei da guia, ingenuamente, se era ali o ponto de pescaria do bacalhau. Mal contendo o riso, ela respondeu que sim. Tantos anos passados, chego a conclusão que a moça estava, na verdade, gozando minha cara. Ponho-me hoje a matutar se a pergunta tantas vezes ouvida, sobre se já vi alguma vez cabeça de bacalhau não esconde igualmente intuito de deboche...

Outra observação me acode: dantes só se falava em bacalhau norueguês. A partir de dado momento o bacalhau português botou a cabeça fora d” água, nas peixarias. Participei de discussões sobre qual o bacalhau é de melhor sabor. Em meu modo de entender o de procedência norueguesa era superior ao de  procedência portuguesa, com certeza.

Toda essa conversa é para dizer ao meu culto, conquanto reduzido, leitorado que só agora, na fase outoniça da existência tomo conhecimento de que não existe um peixe específico chamado bacalhau. Bacalhau como explicam os entendidos em frutos do mar, é um processo de preparação de secagem e salga de diferentes espécies de peixe, inclusive o pirarucu que  não é pescado  nem no mar, nem em águas geladas, mas em água doce, em zona tropical no rio –mar Amazonas. Os especialistas em gastronomia apontam alguns tipos de peixe como ideais para a preparação das postas de bacalhau. A propósito, na virada do ano topei pela frente com uma bacalhoada. Achei o gosto bastante diferente. Não lembrava claro, óleo de fígado, mas, nem  tampouco o ajantarado dos tempos da meninice.

Por essa e por outras, o jeito é apelar para Sócrates: “o que sei é que nada sei!”

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

A ponta do iceberg

 



                                                                                                                           *Cesar Vanucci

“O clima está mudando mais rápido do que as ações para lidar com a questão.”

(Barack Obama)

 


Tempos atrás, as estações do ano tinham data certa pra começar e data certa pra acabar. Aqui por estes nossos pagos, a tradicional “folhinha mariana” cuidava de fornecer ao distinto público informações valiosas sobre as rotineiras variações meteorológicas. Verão era verão, primavera era primavera, outono era outono e inverno era inverno. Dizia-se, naquela época, a propósito das elevações de temperatura, que o calor era de “fritar mamona”. Os jornais apreciavam dizer “calor senegalesco”, “calor infernal”, “calor de rachar”, por ai afora...

Com os termômetros atingindo escalas nunca dantes percebidas neste nosso planeta repleto de inexplicabilidades, outras formas comparativas de se registrar o fenômeno atmosférico andam pintando no pedaço: “calor de maçarico”; “calor de Saara sem Oasis”; “calor de fornalha siderúrgica”,  assim vai. Parece-nos mais apropriada, pelo toque regionalista, uma classificação ouvida dia desses: “Calor de Araçuaí, somado com ao calor de Ituiutaba, mais o calor de Muriaé” .

Todos vemos, com apreensões, o coreto climático bagunçar. Nos dias que correm, recordes preocupantes estão sendo batidos em tudo quanto é parte do mundo. Por conta de dias hipercalorentos a sensação térmica chega até 60 graus em inúmeras regiões. Muita gente adoece e sucumbe por causa disso. A ciência alerta: Quando a temperatura ambiente ultrapassa a capacidade de resfriamento do corpo, os mecanismos naturais, como a transpiração, podem não ser suficientes. Isso pode levar a riscos de desidratação, insolação e até mesmo a falhas nos órgãos, especialmente em pessoas vulneráveis, como idosos e crianças, mais suscetíveis aos efeitos adversos do calor.

O ano de 2023 foi o mais quente da história. O ano de 2024 poderá suplanta-lo sob esse perturbador aspecto. Os entendidos em questões climáticas explicam que, embora o fenômeno El Niño, que aquece as águas  do Oceano Pacífico, tenha influencia na situação em foco, o calor extremo é resultado das contínuas emissões de gases de efeito estufa. Ou seja, o adelgaçamento das camadas de ozônio que protegem a terra dos raios solares.

O calor escaldante que tanto nos molesta, por mais despropositada e paradoxal que seja a afirmativa, é a ponta do Iceberg. De um medonho Iceberg com poder destrutivo inimaginável.

 As tempestades catastróficas, as inundações, os maremotos com presságios de tsunamis, os terremotos, os ventos uivantes com velocidade demolidora, os vulcões com suas ameaçadoras lavas incandescentes, as estiagens prolongadas e as queimadas devastadoras: tudo isso, implicando em riscos à sobrevivência humana, dão forma cataclísmica à ameaça do aquecimento global. As súbitas nevascas que açoitam tantos rincões, assinalando temperaturas extremas jamais registradas, é outra face alarmante do efeito estufa. E o que não dizer da temida perspectiva de derretimento das calotas polares? Algumas informações atualizadas dão conta de que os termômetros acusaram aumento de 4 graus em alguns trechos do Ártico. O chamado degelo pode provocar a elevação do nível dos oceanos com consequências apavorantes, como é de se imaginar.

Os vaticínios dos cientistas apontam para um cenário apocalíptico. O bicho-homem, com sua prepotência e arrogância, com seu imediatismo ganancioso, com atitudes equivocadas e desastrosas, imprevidência, negligencia, insuficiência gestora, omissões perversas, instinto beligerante, o bicho-homem – repita-se, comporta-se como se toda a abundante sinalização da hecatombe anunciada não lhe dissesse respeito. Faz questão de pagar pra ver.

Como a esperança é a ultima que morre, as criaturas de boa vontade se agarram à expectativa de que no tempo que resta para um redirecionamento das coisas possam surgir lideranças providas de ideias capazes de reverterem o quadro caótico acenado.

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)  

I.A, pausa para reflexão.

 


*Cesar Vanucci

“(...) Uma corrida perigosa para modelos de “caixa preta” cada vez maiores e mais imprevisíveis” (“Carta Aberta” de cientistas sobre a Inteligência Artificial)

 

A Inteligência Artificial está chegando aí, com penca significativa de inovações, algumas ainda inimagináveis. O tema suscita interrogações e  reflexão amadurecida. Tem-se como certo que com a implantação ampla deste avançado instrumento tecnológico, acontecerá algo bem mais impactante do que ocorreu com a chegada da internet. Mudanças radicais poderão vir a ser incorporadas ao nosso comportamento mundano.

Nas antevisões de pessoas já bem familiarizadas com o manejo da revolucionária ferramenta técnica, a I.A trará situações análogas ao que aconteceu e acontece ainda com outros engenhos prodigiosos nascidos da fecunda criatividade humana, concebidos originalmente dentro do propósito de engrandecimento civilizatório. Caso de relembrar o ocorrido com a incorporação da pólvora, do avião, da energia nuclear e da própria internet aos projetos e empreitadas dos seres humanos na busca incessante do progresso e desenvolvimento. Todas essas apreciáveis conquistas, que geraram benefícios sem conta, acabaram também, em numerosas ocasiões, servindo a objetivos não harmonizados com as sublimes aspirações do espírito humano.

Existem, como sabido, compreensíveis preocupações de personalidades que compõe a elite da inteligência e sabedoria com relação a eventos danosos  que poderiam derivar da aplicação distorcida do sistema IA . Recentemente ainda, numa “Carta Aberta” ao mundo, 1300 cientistas, sociólogos, empresários do ramo da informática, acadêmicos graduados, externando temor nas alegações ditadas, recomendaram enfaticamente fosse estabelecida uma pausa nos avanços do processo. Insistiram num ponto: que “a pausa deve ser pública e verificável e incluir todos os principais atores.” Acrescentam: “Se tal pausa não puder ser decretada rapidamente, os governos devem intervir e instituir uma moratória.” Noutro ponto do palpitante pronunciamento é salientado mais o seguinte: “Laboratórios de IA e especialistas independentes devem usar essa pausa para desenvolver e implementar  um conjunto de protocolos de segurança compartilhados para design e desenvolvimento avançados de IA a serem  rigorosamente auditados e supervisionados por especialistas externos independentes. Esses protocolos devem garantir que os sistemas que aderem a eles sejam seguros além de qualquer dúvida razoável. Isso não significa uma pausa no desenvolvimento da IA em geral, apenas um retrocesso na corrida perigosa para modelos de caixa preta cada vez maiores e imprevisíveis com capacidades emergentes. A pesquisa e o desenvolvimento de IA devem ser reorientados para tornar os sistemas avançados e poderosos de hoje mais precisos, seguros, interpretáveis, transparentes, robustos, alinhados, confiáveis e leais.”

Outro aspecto de vital importância trazido à reflexão da humanidade pelo manifesto diz respeito à necessidade imperiosa de se assegurar regulação, monitoramento, rastreamento, auditoria permanente, certificação de dados. Esses cuidados essenciais levarão à necessária responsabilização por danos eventualmente provocados pela IA. O arcabouço jurídico institucional concebido – admitem os signatários da “Carta Aberta”- permitirá todas as condições almejáveis para se lidar com as dramáticas perturbações econômicas, sociais e políticas causadas pela IA. Ficarão assim também resguardados os sagrados interesses democráticos.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Deu a louca (II)



*Cesar vanucci

“De onde, Deus do céu, poderá ter saído essa combinação implausível de religiosidade com ódio” (Ministro Luis Roberto Barroso, Presidente do Supremo)

 


Como se costuma dizer no linguajar de rua, coisas muito estranhas continuam pintando incessantemente no pedaço. Coisas, extravagantes, desconcertantes, arrancando ar de espanto no semblante das pessoas de bem com a vida, que não ocultam sua preocupação com tanto ato agressivo de tonalidade surreal. O noticiário nossa de cada dia traz mais estas frisantes amostras.

1) “Em nome de Deus” – O Ministro Luís Roberto Barroso, Presidente do STF, discursou – com o brilhantismo que lhe é peculiar – por duas vezes no evento intitulado “Democracia Inabalada”, na Corte e no Congresso. Em ambas descreveu atordoante cena. Cá está: “De tudo o que vi e ouvi, um fato me causou especial abalo. Um policial judicial do Supremo me descreveu que, após marretadas na parede e arremesso de móveis e de objetos, muitos dos invasores se ajoelhavam no chão e rezavam fervorosamente. De onde, Deus do céu, poderá ter saído essa combinação implausível de religiosidade com ódio, violência e desrespeito ao próximo? Que desencontro espiritual pode ser esse que não é capaz de mínima distinção entre o bem e o mal, entre o estado de natureza e a civilização? Que tipo de inspiração terá empurrado essas pessoas numa ribanceira moral?

2) Residências Parlamentares – A mesa diretora da Câmara do Deputados estabeleceu prazo, melhor dizendo, ampliou prazo anteriormente estipulado, para a desocupação de moradias destinadas a exercentes de mandato parlamentar. Mas qual a razão da medida? Indagará, curioso, o distinto leitor. Simples (e chocante) assim: muitos dos chamados “apartamentos funcionais” estão sendo habitados por políticos que não mais possuem mandato eletivo. As más línguas andam dizendo em Brasília que o bando de invasores das unidades residenciais cogita formar um bloco no carnaval que se avizinha, usando como refrão famosa marchinha momesca: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.

3) Taxa da Milícia Esta aconteceu no Rio de Janeiro das “absurdidades factíveis”. O Prefeito Eduardo Paes publicou em sua conta na rede social um desesperado apelo ao Ministro da Justiça substituto, Ricardo Cappeli e à Policia Federal para que desfechem operação contra audaciosos milicianos cariocas que estão a exigir “taxa de licenciamento” com relação a obras de interesse público. Os marginais “fixaram” somas avultadas dos empreiteiros para “permitirem” o andamento das construções. Chamou a atenção o fato de o SOS ter sido dirigido ao sistema de Segurança Federal e não ao  sistema Estadual, o que está sendo apontado por observadores como  demonstração da desconfiança que o trabalho das policias cariocas suscita nas diferentes esferas dos Poderes Constituídos. “Vamos sair pra cima desses bandidos!” – Respondeu Cappeli.

4) PL e PT juntos – no tribunal eleitoral do Paraná corre um processo ajuizado pelo PL (Partido Liberal), com apoio (impensável em qualquer outra circunstancia) do PT (Partido dos Trabalhadores). O Senador Sergio Moro é acusado no processo em tela de haver utilizado indevidamente recursos provenientes do Fundo Eleitoral. A história adquire caráter mais bizarro quando se tem em vista que o PL é a agremiação partidária do ex-presidente Jair Bolsonaro. Do qual se presume seja Moro um aliado. Todo mundo se recorda da prestimosa assessoria que o ex-juiz prestou, nos debates da televisão, a Bolsonaro, na campanha pela reeleição. Seja relembrado também que o Senador deixou seu cargo na magistratura Federal para ser Ministro da justiça, desligando-se da função com contundentes críticas ao Governo.

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

A SAGA LANDELL MOURA

A Fala do Presidente

    *Cesar Vanucci “O Presidente Lula saiu do ponto.” (Senador Jacques Wagner, líder governamental no Senado)     O Presidente L...