sexta-feira, 26 de novembro de 2021

 

Luiz Carlos Abritta

 

Cesar Vanucci

 

“A morte é a curva da estrada.”

(Fernando Pessoa)

 

O poeta Fernando Pessoa, volta e meia citado pelo Abritta nas sessões literárias da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, explica assim o fenômeno da morte: “A morte é a curva da estrada. Morrer é só não ser visto.” 

O inesquecível companheiro Luiz Carlos Abritta, que passou a não mais ser visto na curva da estrada, vai fazer baita falta nas áreas da militância do oficio das letras e das artes. Na caminhada cultural, por vezes extenuante, mas sempre reservando compensadoras descobertas aos caminhantes, poucos como ele. Poucos com sua incomum capacidade para multiplicar-se em afazeres relevantes e tocá-los com eficiência a um só tempo. Em cintilante trajetória como Procurador de Justiça e cidadão de exemplar conduta, provido de apreciável conhecimento das coisas da vida, o ilustre personagem soube aliar à condição de intelectual brilhante à de exímio gestor executivo de bens culturais. Na Amulmig, de que era presidente emérito, e no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, que vinha presidindo, com a competência costumeira, deixa marcas inapagáveis de labor criativo. Sua obra literária abrangendo narrativas envolventes e versos primorosos, asseguram-lhe inclusão na galeria das celebridades festejadas pelo mundo cultural das Gerais.

A seguir, uma pequena amostra da sugestiva obra poética do saudoso Abritta, aclamado trovador.


 TROVAS DO ABRITTA

Nem o sofista profundo/esta verdade falseia:/quem se julga rei do mundo/é um pequeno grão de areia! //

 

Sempre foste minha amada/e, no doce cativeiro, /sem algema e sem mais nada, /tu me prendes por inteiro. //

 

Nesta vereda que é a vida, /vou de tropeço em tropeço, /pois cada nova subida/ é sempre um novo começo. //

 

Vou definir a saudade/e não sei se estarei certo:/saudade é aquela vontade/de que o longe fique perto. //

 

Transformo a dor desse pranto/em suave melodia/e, nesse doce acalanto, /faço da noite meu dia! //   

 

Se não me dás teu carinho, /se não me queres amar/sou barco triste e sozinho, /que já não quer navegar! //

 

Se a aspereza dessa vida. /vai me causar muita dor, /palmilho a estrada, querida, /nos braços do teu amor! //

 

Vou para a eterna viagem/tal qual Francisco de Assis:/nada levo na bagagem/ e assim sigo feliz! //

 

Eu tenho perseverança /e à tristeza me anteponho:/garimpeiro da esperança, /sempre vivi do meu sonho. //

 

Do simples pó eu procedo/sei que a ele hei de voltar, /a vida não tem segredo:/é um eterno retomar. //

 

Guardei dos sonhos retalhos/para, nas minhas andanças, /afugentar espantalhos, /usando as velhas lembranças. //

 

Sou estrela matutina/tu és pura Aldebarã;/eu sou astro que declina, /tu és o sol da manhã! //

 

Ainda os Intocáveis

 

Cesar Vanucci

 

“Nosso grande drama é a discriminação

 entre as castas superiores e os dalits e adivasis.”

(Pe. Stanny Jebamalai, indiano)

 

 Reportando-me às grandes tragédias dos tempos modernos de certo modo ignoradas pela humanidade, procurei retratar aqui o drama, de origens milenares, dos “intocáveis” indianos. Como já explicado, eles correspondem numericamente a quase duas vezes a população do Brasil. Carregam, passando-o de pai para filho, o “estigma da impureza”, adquirido de acordo com amalucados conceitos pseudorreligiosos em más ações que teriam praticado em vidas pretéritas...

Foi na estação ferroviária da deslumbrante cidade de Jaipur que vi estampada, de modo mais impactante, essa pungente tragédia. Visitava pela segunda vez o território indiano, um trecho do Atlas que abriga manifestações de arte e cultura catalogadas entre as mais portentosas da história da civilização. Estava chegando de Madupan, imediações da fronteira com o Paquistão, local em que se acha plantada a casa matriz da benemérita Brahma Kumaris, um Shangrilá transbordante de sabedoria e espiritualidade. A viagem de trem, de um ponto a outro, espichou por quase 12 horas. Durante o trajeto, resolvi percorrer os vagões de passageiros, da primeira à terceira classe. Protegendo-me dos solavancos do trem, circulei desembaraçadamente pelos corredores do interminável comboio. De repente, recebi uma ordem de guardas uniformizados para não seguir adiante. Os vagões seguintes não poderiam ser visitados. Eram de destinação exclusiva aos intocáveis. Esperei pelo final da viagem para ver, de ponto estratégico, os passageiros que desembarcariam dos “vagões proibidos”. Eles desceram por último, evitando aproximarem-se dos demais viajantes. Um cortejo chocante. Nas vestes andrajosas, nos escassos pertences transportados, na postura vergada pelas humilhações de vidas inteiras aqueles pobres coitados compunham um retrato falado da miséria humana na feição mais contundente que meus olhos jamais contemplaram. 

O padre jesuíta indiano Stanny Jemabalai, que elegeu a luta pela inclusão social dos intocáveis como profissão de fé, criando uma ong para desenvolver ações nesse sentido, descreve com exato conhecimento de causa, a dolorosa odisseia dos componentes das subcastas em sua terra. Confessando haver buscado inspirações em Ghandi, “nosso herói”, e no educador brasileiro Paulo Freire, na ajuda prestada aos dalits e advasis, lembra que essa gente não dispõe nem de dinheiro, nem de poder. Mas por serem numerosos, estão criando, com o correr dos tempos, uma forte consciência de comunidade. “Incentivando isso, a transformação até que se torna possível.” Trabalhando de cima da recuperação da autoestima dos intocáveis, o sacerdote procura estimular sua organização como grupo social, de modo a que possam batalhar por direitos milenarmente sonegados. A estratégia adotada, na linha pacífica de Ghandi, prevê o apelo às cortes judiciais nos casos rotineiros das lesões aos direitos individuais. Para que as coisas funcionem razoavelmente, a ong vem formando batalhões de “advogados de pés descalços”, como são conhecidos elementos recrutados no próprio segmento estigmatizado, graduados em cursos que fornecem noções fundamentais de direito. Esses advogados tão singulares integram um sistema não-oficial de Justiça, criado pela própria ong, com o intuito de acelerar decisões. Os mais qualificados são contemplados com bolsas de estudos em Universidades. Tais ações vêm favorecendo a aglutinação dos membros das “castas inferiores” numa mesma plataforma de reivindicações, de maneira a que os “indesejáveis” indianos possam enfrentar as odiosas discriminações de que são alvo. O jesuíta Stanny declara-se esperançoso quanto aos resultados do trabalho, conquanto reconheça as dificuldades quase intransponíveis dessa caminhada de libertação do opróbrio social a que os intocáveis são, há milênios, submetidos.

 

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

 

O fascínio das coleções

 

Cesar Vanucci *


“Existe uma arte da citação.”

(Valery Lasband)


Existe uma natural inclinação humana para colecionar coisas. E o intrigante (para muitos, fascinante) hábito da coleção é praticado de forma fervorosa pelos adeptos. O colecionador costuma cuidar com carinho singular, não perceptível em outros procedimentos de sua rotina de vida, dos objetos colecionados. Agarra-se, também, com entusiasmo às vezes frenético, às chances de poder ampliar, com constantes aquisições, seu precioso acervo. 

A lista de materiais, peças, coisas colecionadas é extensa e profusa, oferecendo surpresas incontáveis. Obras de arte, correspondentes a momentos culturais diferentes, animais raros ou comuns, veículos antigos, gravatas, caixas de fósforo, miniaturas de garrafas de bebida e de carros de corrida, peças de vestuário: a inclinação humana para montar coleções deixa a imaginação correr solta, a voar com o desembaraço de um condor nas alturas andinas. Um tipo de coleção que andou em grande moda no passado é a de selos. O irreverente Pitigrilli dizia a respeito: no fundo mesmo, o que os colecionadores se esmeram em reunir não passam mesmo de amostras internacionais de escarros. 

Este nosso papo introdutório é pra contar procês que eu também participo, não é de hoje, sem alardes, do nobre ofício de colecionador. Comecei a coleção adolescente. Não me desapartei dela, com o atravessar dos anos, apesar da coleta intermitente, não enquadrada em critérios rígidos de disciplina. Socorrendo-me de livros de citações, de anotações à mão, de registros datilografados ou digitados, de recortes de jornais e revistas, de muitas outras modalidades de impressos, acumulei razoável coletânea de frases. Adágios, ditos de efeito, axiomas, aforismos, máximas, sentenças, ditados, brocardos, versos, manifestações proferidas em tribunais ou entrevistas, expressões nascidas da saborosa linguagem das ruas. 

O material reunido trata temas antigos ou atuais. Algumas citações conservam timbre de eternidade. Outras são de duração conceitual efêmera. Utilizo-as invariavelmente no preâmbulo de meus despretensiosos escritos, como estão em condições de atestar os 25 leais e assíduos leitores que inadvertidamente me acompanham há anos. 

Valery Lasband falava, como lembra Paulo Rónai, da existência da “arte da citação”. Dizia que “Montaigne parecia possuí-la em grau supremo”. 

Tudo isso posto, achei de bom alvitre, como se costumava dizer em tempos de antanho, arrolar aqui algumas frases marcantes dessa coleção, embalando a expectativa de que delas possam emanar sabedoria e enlevo que aqueçam o espírito e o coração. 

De início, frases que contemplam aspectos transcendentes da aventura humana. De Teilhard de Chardin (filósofo, teólogo, antropólogo, paleontólogo, arqueólogo, uma das cabeças pensantes iluminadas do século 20): “Na escala cósmica, só o fantástico tem probabilidade de ser real.(...) Na escala cósmica, as coisas não são tão fantásticas quanto a gente imagina, mas muito mais fantásticas do que a gente jamais conseguirá imaginar.” De Jacques Bergier e Louis Pauwells (geniais autores de “O despertar dos mágicos”): “O espírito humano é que nem o paraquedas. Só funciona aberto.” De William Shakespeare: “Há muitos mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia.” Do excelente poeta Raul de Leoni (“Luz Mediterrânea”): “O sentido da vida e o seu arcano é a aspiração de ser divino, no prazer de ser humano.” Do poeta (indiano) Rudyard Kipling, no célebre poema “Se” (tradução de Guilherme de Almeida): “Se podes conservar a fé, quando à tua volta, atribuindo-te a culpa, os outros a perderam. Se confiando em ti mesmo, aceitas sem revolta que duvidem de ti os que não te entenderam (...) És um homem!”. De Aldous Huxley, um pensador com visão plantada no universo e no futuro: “Habitamos uma ilhota perdida, num oceano infinito de inexplicabilidades." 

Mais citações pela frente.

 

A milenar tragédia dos intocáveis


Cesar Vanucci *

“A sensação é que ninguém se importa com eles.”

(Stanny Jemabalai, jesuíta, defensor dos intocáveis)


Como estão em condições de testemunhar os que acompanham estes mal datilografados escritos, ocupo-me com frequência de descrições sobre tragédias de certo modo ignoradas. São listadas por organizações beneméritas da categoria da “Organização Mundial de Saúde”, “Médicos Sem Fronteiras” e outras. Muitas das calamidades verificadas em pontos diferentes deste Planeta Azul permanecem olvidadas por parcelas expressivas da sociedade. Parecem incorporadas ao cotidiano das pessoas, embora contundentes e dolorosamente injustas. Esses flagelos deveriam ser divulgados com maior ênfase, de maneira a permitir conscientização capaz de erradicá-los definitivamente, em nome da dignidade humana. 

O foco de minha atenção está centrado hoje num drama milenar, de enraizamento cultural profundo, poucas vezes mencionado nos veículos de comunicação de massa. Estou falando do drama inenarrável, que abarca todas as elegias do sofrimento humano, dos “intocáveis” da Índia. Em termos numéricos, esses párias equivalem a quase duas vezes a população brasileira. Padecendo de generalizada e cruel discriminação, com origens fincadas em ideologia dita religiosa, mas que atende sintomaticamente nefastos propósitos de servidão humana, eles estão praticamente fora da base da pirâmide social em que se alojam as classes sociais daquele belo país. A pobreza a que se acham inapelavelmente condenados fica situada, pode-se dizer, ao rés do chão. São ignorados, desprezados, permanentemente vilipendiados em tudo e por tudo. Colocados à margem de todas as aquisições sociais coletivas, mesmo as mais elementares. Os olhares, as palavras, as posturas ao seu redor são reveladores de um estado de espírito comunitário aterrorizante. No entendimento das parcelas majoritárias da população, os intocáveis devem ser considerados criaturas desprezíveis. O melhor a fazer é não tomar o mínimo conhecimento, definitivamente, a pretexto algum, de sua desventurada existência. O estigma que carregam nas costas, por conta do preconceito, vira legado familiar. Passa de pai para filho, de forma irremediável, para todo o sempre. Não há como desvencilhar-se do fardo. Há milênios, a “herança maldita” vem sendo transferida de uma geração para outra. 

O inflexível regime de castas vigente na Índia, país de (tantas) outras tradições culturais admiráveis – que divide as pessoas desde o nascimento e as classifica como brâmanes, kshatriyas, vaistyas ou sudras – confere aos dalits e aos adivasis, estes últimos descendentes do primeiro povo a habitar o território indiano, condição de integrantes de uma sub casta. A eles fica reservado na estrutura econômica e política - e isso vem ocorrendo há mais de três mil anos - um lugar bem abaixo de qualquer outro estamento social. Vistos como subumanos, são submetidos a regimes de trabalho degradantes. As rotineiras violações aos seus direitos fundamentais são recebidas pelos representantes das castas superiores com fatalística indiferença. A expressão intocável abriga o apavorante conceito, vastamente disseminado, de que o contato com elementos desse segmento, até mesmo com sua sombra, torna o contatado impuro, algo apontado como verdadeiro sacrilégio. A “impureza” decorre, numa interpretação alucinante de textos supostamente sagrados, de pecados cometidos em vidas passadas. É complexo, diria mais, impossível, para um vivente identificado com as crenças humanísticas estender esse revoltante sistema de castas que segrega, com assustadora naturalidade, milhões de seres humanos. E logo num país de cultura tão pujante quanto a Índia. 

Essa, provavelmente, é a tragédia de maior envergadura, pela sua permanência no tempo e impossibilidade de soluções de alcance próximo, dentre todas as grandes tragédias que o mundo, de certo modo, ignora.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Os recados de Glasgow

Cesar Vanucci 

“Não há mais tempo a perder.”

(Rainha Elizabeth, da Inglaterra)

 

Não há mais tempo a perder. Os ponteiros do relógio se aproximam de hora decisiva. Já estamos entrando, por assim dizer, nos descontos do segundo tempo da prorrogação. Se, ao fim e ao cabo, o resultado mostrar-se adverso o caos e o pânico imperarão. 

Os recados de Glasgow são diretos. Incisivos, implacáveis. Propiciam entendimento de suprema clareza, numa linguagem categórica, a quem tem olhos para enxergar e ouvidos para escutar, sobre acontecimentos funestos que espreitam a marcha humana. Sem essa, por conseguinte, de os acomodados da silva absorverem, assim sem mais nem menos, com bovina resignação, os argumentos falaciosos dos teóricos da “terra plana”, com suas retrógradas interpretações das narrativas científicas e manifesta belicosidade contra valores sagrados da sabedoria humana. 

As advertências ao mundo para que corrija seus rumos no sentido de manter convivência harmônica com a Natureza são volumosas. Ao contrário do que talibanistas de todas as graduações insinuam – com utilização desarvorada das fake news -, os alertas emitidos não são produto de imaginação alucinatória de cientistas e ambientalistas zuretas. Constituem, sim, um acervo extraordinário de dados, números, índices, gráficos, coligidos em estudo e pesquisas exaustivos que demandaram anos. Nessa poderosa conjugação de vontades esteve envolvido um verdadeiro exército de cabeças pensantes representativas do pensamento científico em seu mais elevado grau de percepção das coisas do planeta e do universo. 

Tudo isto posto, a sociedade humana coloca-se, agora, na expectativa – mais do que isso, alimenta fervorosamente a esperança – de que as lideranças políticas e dos demais setores investidos de poderes de decisão nas magnas questões abordadas no histórico conclave na Escócia, saiam logo das palavras para ação. Aos olhares atentos de todos que acompanharam (e continuam acompanhando) os trabalhos, debates, análises, compromissos e pactos celebrados, acordos firmados, o certame revelou-se extremamente positivo. A impressão geral é de que os responsáveis por políticas públicas e definições setoriais vinculadas ao equacionamento dos dramáticos problemas gerados pelas alterações climáticas extremas acham-se verdadeiramente apoderados da convicção de que há algo de importância crucial a ser feito. A recomendação – bem mais do que isso, a exigência – que se lhes é feita fala de um “mãos à obra” em ritmo de urgência urgentíssima. Estas lideranças estão também compenetradas de que, por parte da opinião pública mundial, haverá vigilância permanente com vistas ao cumprimento, a tempo e a hora, dos deveres solenemente assumidos. Tudo faz crer que dagora em diante os blábláblás e o “faz de conta” de passado recente, os protocolos firmados com cláusulas e prazos expressos elaborados com o secreto propósito de jamais saírem do papel, as retóricas populistas ocas, pra enganar trouxas não mais serão aceitas sem questionamentos veementes. Eventuais embromações serão, certeiramente, denunciadas, julgadas e condenadas, no veredicto inapelável das ruas. 

Importa, por derradeiro, salientar que chefes dos governos de todos os continentes deixaram demonstrada sua disposição em contribuir para que as metas pertinentes à redução das emissões dos poluentes que degradam a Natureza e que põem em risco a sobrevivência humana no planeta sejam rigorosamente efetivadas. Seja frisada também a participação intensa nos trabalhos de representantes de grandes conglomerados empresariais, que se comprometeram a fazer substanciosos aportes financeiros na luta contra as alterações climáticas. Mesmo não estando representado no encontro pelo seu Presidente, o Brasil aderiu às importantes deliberações estabelecidas nos acordos globais celebrados.

 

Umas e outras

 Cesar Vanucci


Somente Deus o nosso mundo pode salvar.”

(Paulo Verdão, poeta)

 

Teto orçamentário. Atraindo cáusticos comentários nas esferas financeiras, acerbas críticas dos políticos, empresários e líderes classistas, provocando numerosos pedidos de demissão nos quadros diretivos no Ministério da Economia, o Presidente Jair Messias Bolsonaro, ladeado por Paulo Guedes fiel escudeiro em matéria econômica, anunciou aos quatro ventos irá transpor o teto dos gastos públicos alvejando em cheio, via de consequência, as normas constitucionais. Deu-se ao trabalho de explicar, em tom cerimonioso que a transgressão se dará de forma respeitosa, com muita seriedade. Ora, veja, pois! Se a memória não estiver a fim de me trair, um dos argumentos de maior peso no processo de deposição de Dilma Rousseff da Presidência da República foi justamente essa questão da extrapolação do teto orçamentário. 

Poema. Numa magistral declamação de Maria Armanda Capelão, festejada poetisa e escritora, ouvimos pela primeira vez, em sessão literária na Amulmig, o magnífico poema “SOS para o mundo” de Paulo Verdão, professor universitário e advogado. Estes os versos.

“Eu sinto a angústia do mundo / nos extremos das intempéries, / nas noites enfumaçadas / nos céus urbanos sem estrelas...// Eu sinto a angústia do mundo / nas geleiras desprendendo-se dos polos, / nos vulcões vomitando cinzas quentes / na mortandade dos peixes / em águas poluídas...// Eu sinto a angústia do mundo / nas vozes dos povos oprimidos, / no apito lúgubre das fábricas / nos vídeos das tvs / nas telas dos cinemas...// Eu sinto a angústia do mundo / nas manchetes dos jornais, / na literatura de protesto / no teatro de arena nas canções dos festivais...// Eu sinto a angústia do mundo / nas promessas dos políticos, / nos partidos que sobem / nos governos que caem / nos horrores do terrorismo...// Eu sinto a angústia do mundo / nos ministros religiosos que apostatam, / nas prédicas dos pastores / na homilia dos párocos / nas lições dos professores...// Eu sinto a angústia do mundo / no sussurro das favelas, / no cochicho das lavadeiras / no acalanto das mães / no desentendimento dos pais / na rebeldia dos filhos / nos esposos que se traem / nos assassinios de mulheres.// Então eu sinto, / uma dor imensa que me invade / e me prostro de joelhos / com vontade de rezar / porque Deus, / somente Deus / o nosso mundo pode salvar. 

Vacinação e Aids. Reproduzo trecho de notícia publicada na “Folha de São Paulo” a respeito de uma inacreditável fala do presidente Jair Messias Bolsonaro nas redes sociais associando a vacinação contra Covid-19 ao risco de se contrair Aids: “Em sua live semanal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) leu uma suposta notícia que alertava que “vacinados (contra a Covid-19) estão desenvolvendo a síndrome de imunodeficiência adquirida (Aids). Na noite de domingo, Facebook e Instagram derrubaram o vídeo.”

Turfa. As termelétricas utilizadas emergencialmente na complementação do abastecimento utilizam fontes energéticas variadas. Pergunto: Faz sentido imaginar o emprego da      turfa? Relembro: No Triângulo Mineiro, tendo como polo o município de Uberaba, existe, segundo constatação da Metamig há quase meio século, a maior concentração de jazidas de turfa do Brasil, nunca, jamais, em tempo algum, explorada.

Pátria Amada. “Pátria amada não quer dizer pátria armada. Não quer dizer, pátria da corrupção. Não quer dizer pátria das fake news.”

Por ter falado o que falou na homilia da celebração eucarística realizada na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no dia da Padroeira do Brasil, o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, foi colocado na alça de mira dos milicianos fundamentalistas da praça. O tiroteio verbal alveja o ilustre prelado e também o Papa Francisco gloriosamente reinante. O pessoal da “terra plana” sonha com um mundo permissivo que garanta aos belicosos de carteirinha saírem nas ruas com um revólver e cinturão de balas, igualzinho é mostrado nos filmes de faroeste.

 



NEM PÃO... NEM BRIOCHE

 

 Alcino Lagares Côrtes Costa*

 

Albert Einstein (1879 - 1955), em seu livro “Mein Weltbild” (“Minha visão de mundo”) nos ensina, com sua teoria da “Relatividade Geral” o “quadridimensional” mundo físico, com a percepção da dimensão “espaçotempo”.

Escrevo este artigo no Brasil às 21h20 do dia 30 de agosto de 2021, enquanto no Japão são 09h20 do dia 31 de agosto. Eu e um dos atletas brasileiros que estão participando da “Olimpíada paralímpica” em Tóquio, embora em lugares tão distantes e em dias diferentes (pelo mesmo calendário), podemos afirmar neste mesmo instante: “_Estou aqui, agora”. Paradoxalmente, ambos dizemos a verdade!

Em abril de 1770, para estreitar os laços entre a França e a Áustria, foi arranjado o casamento da arquiduquesa Maria Antonia Josepha Johanna von Habsburg-Lothringen (de 14 anos) com o jovem Louis Capêt (de 17 anos), Duque de Berry, que viria a ser rei da França (em maio de 1774) com o título de Luís XVI.

Maria Antônia, que entre nós ficou conhecida como “Maria Antonieta”, tornou-se, por sua origem austríaca, odiada pelo povo francês. O luxo dos palácios era contrastante com a pobreza e a fome do povo. Faltava o “pão”.

Assim, uma frase que teria sido dita por uma princesa espanhola dois séculos antes _ e até já teria sido registrada em livro, em 1766, por JeanJacques Rousseau (1712-1778), quando Maria Antonieta ainda era uma criança de 10 anos _ foi-lhe atribuída pelo povo francês que a odiava e a culpava pelo governo absolutista de Luiz XVI: “_

 Se o povo não tem pão, que coma brioches”!

Com início em 1789, a “Revolução Francesa” pôs fim àquela monarquia e ambos, rei e rainha, acabaram guilhotinados em 1793: ele, em janeiro; ela, em outubro.

“O quê é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem fez a pergunta, já não sei.” (Santo Agostinho, 354-430).

De acordo com relatório do IBGE, a extrema pobreza no Brasil (grupo de 13,5 milhões de pessoas que sobrevivem com, no máximo, 145 reais mensais) aumentou nos últimos anos; mais de 14 milhões de brasileiros não conseguem se colocar no mercado de trabalho e, conforme o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão estratégico do governo federal, mais de cem mil brasileiros vivem “em situação de rua” e dormem no chão.

O número de miseráveis brasileiros é maior do que toda a população da Bolívia (esta com aproximadamente 12 milhões de almas).

A inflação em várias capitais brasileiras é puxada pelo preço de alimentos básicos, tais como arroz e... feijão.

Falta “pão” (e feijão!) para o povo.

E foi neste período de tantas dificuldades, em frente ao Palácio da Alvorada, na manhã de sexta-feira, 27 de agosto de 2021 (mesma data, mas à noite em Tóquio), que o nosso grande Presidente da República (1,85m), declarou:

“Tem que todo mundo comprar fuzil, pô. Povo armado jamais será escravizado. Eu sei que custa caro. Aí tem um idiota: 'Ah, tem que comprar é feijão'. Cara, se você não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar". (Sic).

O povo precisando de novas frentes de trabalho e de alimento para viver e o nosso presidente fazendo propaganda de armas... para matar. Que lástima!

*Coronel QOR da Polícia Militar de Minas Gerais.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

 

Um minuto para meia noite

                                                                                         Cesar Vanucci

 

“A humanidade está cavando a sua própria sepultura”.

(Antonio Guterres, Secretário Geral da ONU)

 

Glasgow, Escócia, novembro de 2021. Falta um minuto para meia noite, momento fatídico nas previsões científicas para catástrofes inimagináveis. O alerta da Ciência ecoa em todos os cantos deste Planeta, tão maltratado pela insensatez humana. Todas as avaliações em torno do aquecimento global mostram que as calamidades anunciadas não são tão aterrorizantes quanto a gente consiga imaginar, mas muito mais apavorantes do que a gente jamais conseguiria supor. 

O encontro histórico aglutina lideranças políticas, cientistas renomados, representantes qualificados de todos os setores da sociedade engajados no esforço global de fazer deste um mundo melhor para todos. 

O tom do evento, com seus debates, depoimentos, relatórios técnicos, compromissos, acordos, foi dado pelo anfitrião, Primeiro Ministro do Reino Unido, Boris Johnson. Ele fez sugestiva comparação dos graves desafios confrontados pela espécie humana na atualidade com as missões fictícias enfrentadas pelo “seu compatriota” James Bond, afirmando, de forma solene, que as tragédias previstas não são fruto de enredo cinematográfico. “A máquina apocalíptica é real” –proclamou.  “Estamos a um minuto da meia noite e precisamos agir mais. Se não fizermos nada hoje, será muito tarde para os nossos filhos fazerem algo no futuro. Todas as promessas serão um blábláblá, a ira e impaciência do mundo serão incontestáveis” – completou o dirigente do Reino Unido, referindo-se a declarações da jovem sueca Greta Thunberg. Esta ativista, participando em Glasgow, de manifestações populares, adquiriu notoriedade mundial com conclamações endereçadas sobretudo às novas gerações, em prol de providências urgentes capazes de redefinirem os rumos dos acontecimentos, no que toca às mudanças climáticas. 

O pronunciamento mais esperado pelos convencionais, na sessão de abertura do certame de Glasgow foi o do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Em suas palavras, ele procurou dar um protagonismo inédito aos Estados Unidos. Segundo ele seu país faz questão de mostrar “que não só está de volta à mesa, mas pretende liderar pelo exemplo, o que nem sempre foi o caso”. “A mudança climática está destruindo o mundo”, assinalou o dirigente da Casa Branca, reconhecendo que seu país é o maior emissor de gases poluentes. “Estamos em um ponto de inflexão da História (...). Nenhum de nós pode escapar do pior que ainda está por vir se não conseguirmos fazer frente a este momento”, acrescentou. 

Joe Biden deu ciência das estratégias que os EUA pretendem colocar em andamento para zerar seu saldo de emissões. Enfatizou ainda que os “Estados Unidos irão contribuir para que países em desenvolvimento se adaptem e façam frente as mudanças climáticas.” Lembrou ainda tratar-se de demanda antiga que se acentuou durante o distanciamento americano do cenário multilateral no governo Trump. 

Alcançou forte repercussão o desabafo do Secretário Geral da ONU, o português Antônio Guterres, exprimindo, com toda certeza, o sentimento reinante na COP26: "Chega de tratar a natureza como toalete. A humanidade está cavando a própria sepultura. É hora de dizer chega, pois os últimos seis anos foram os mais quentes já registrados e o vício por combustíveis fósseis está empurrando a humanidade para a beira do abismo”.  Ele chamou atenção ainda para a circunstância de que “o aumento do nível do mar já dobrou nos últimos 30 anos, que os oceanos estão mais quentes do que nunca e que áreas da Floresta Amazônica já emitem mais carbono do que absorvem.”    Explicou que as propostas dos governos poderão levar o mundo a um aumento calamitoso da temperatura para 2,7 °Celsius.   

Aí está o implacável diagnóstico. Reclama ação pronta e eficiente. Agora. Já. A inação equivale a uma sentença de morte.

 

Relembrando santa criatura

 

                                       Cesar Vanucci

 

“Irmã Maria da Glória mantinha um diálogo constante com Deus.”

(Padre Antônio Tomas Fialho, de saudosa memória)

 

Na roda de amigos em que se falava de prodígios atribuídos à saudosa Irmã Maria da Glória, de Macaúbas, prometi relatar história emocionante e instigante a seu respeito. Aqui está. 

No livro “Um certo Dom”, em que retrato passagens da lendária história do saudoso Arcebispo Alexandre Gonçalves Amaral, falo das visitas periódicas que o Prelado fazia, a um refúgio de paz e orações chamado Mosteiro Nossa Senhora da Glória, localizado em Macaúbas. 

Quem costumava levá-lo de carro até aquelas paragens era minha esposa Addi, que acabou ficando conhecida das religiosas do lugar como a “chofer de Alexandre”. 

Tal circunstância permitiu-lhe aproximação com figura humana maravilhosa, acrisolada de dons especiais, a Irmã Maria da Glória. Essa meiga criatura, que fez da vida, pela oração e com demonstrações contínuas de amor ao próximo, um diálogo permanente com Deus, nutria por Dom Alexandre filial afeição. Ele, a seu turno, dispensava-lhe, bem como às suas companheiras de clausura, paternal solicitude. Esse entrelaçamento fraternal e afetividade criou o pano de fundo propício a uma situação cheia de encantamento, se bem que misteriosa, que acabou colocando em nossas mãos um presente inesperado. Um relicário muito valioso. No livro já mencionado, prometi contar também o que se passou. 

Cabe registrar que à volta da Irmã Maria da Glória, independentemente – como é óbvio supor – de sua vontade, estabeleceu-se, por força de edificantes lições de vida, uma poderosa e contaminante onda de empatia popular, que não deixou de tomar, com os tempos, a clara feição de uma devoção. Para um contingente apreciável de pessoas, a trajetória, pela pátria terrena, da freira de Macaúbas, teve timbre de indiscutível santidade. A crença comunitária a esse respeito brotou da postura humilde, impregnada de humanismo e espiritualidade, assumida, vida afora, por Irmã Maria da Glória. As informações transmitidas, boca a boca, relativas a graças alcançadas com sua intermediação, eram e continuam sendo significativas. Muitas das notícias reportam-se a fatos considerados prodigiosos, na avaliação singela dos devotos. 

Tudo começou, no episódio que estou em condições de relatar, com um frasco de água benta trazido do Mosteiro, depois de um encontro com a saudosa Irmã. Porções do conteúdo do frasco foram oferecidas, no curso de algum tempo, a amigos e conhecidos. O restante do líquido foi deixado num copo de cristal que permaneceu guardado por meses num armário. Quando, num belo dia, o copo foi retirado da prateleira, deparamo-nos em casa, entre perplexos e comovidos, com surpreendente e instigante revelação. A água benta havia se evaporado toda. Mas no fundo do copo de cristal podia ser claramente distinguida uma crosta de forma circular com enigmática sinalização: muitas estrelas e algumas cruzes. Uma pergunta desconcertante nos acorreu de pronto: figurações geométricas podem surgir de um processo de evaporação numa superfície de vidro? Pusemos água benta, de variadas procedências, e água de filtro noutros copos idênticos e ficamos esperando pelos resultados. Nada ligeiramente parecido aconteceu. A história do copo foi levada ao conhecimento da própria Irma Maria da Glória antes que ela partisse primeiro. 

A resposta que deu ao pedido de explicação acerca do – chamemos assim – instigante fenômeno tomou a forma de um sorriso franco, escancarado, encharcado de suavidade e santa ternura, algo muito seu. 

Um venerável sacerdote da comunidade da Boa Viagem, Padre Francisco, já falecido, examinou os intrigantes caracteres do copo, brindando-nos com observação igualmente enigmática: “Não procurem entender os desígnios de Deus.” 

Desfecho da história: com alguns sinais já esmaecidos pelo perpassar dos anos, o copo foi conservado, por largo espaço de tempo, como um precioso relicário.

 

CONSTRUÇÃO DO “HOMEM DE BEM”

 

Amai os vossos inimigos; bendizei os que vos maldizem; fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. ” (Mt 5:44) – “...O homem honesto, ao ser abatido pelos malvados, há de ser como a árvore de sândalo que perfuma a lâmina do machado que a corta.”  (Khrisna)

A leitura dos Grandes Iniciados (Khrisna, Hermes, Lao Tsé, Buda, Pitágoras, Platão...) mostra a coerência entre seus ensinamentos e os de JESUS, o CRISTO.

Há anos, compulsando uma obra kardecista, deparei com o texto “O Homem de Bem”, cujo perfil, alinhado à mensagem dos iluminados, é claro, objetivo e sintético: “O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade em sua maior pureza...”

No contexto da marcha cósmica da Alma, em que a travessia humana constitui uma passagem fugaz e veloz, impõe-nos estar sempre relembrando e alertando sobre as consequências do uso do Livre-Arbítrio, que tanto nos pode impulsionar à ascensão, como nos travar em estagnação, ou acarretar involução.

          Na verdade, a vida humana é uma oportunidade. Como aproveitá-la, optando pela evolução? Como se processa a construção do “Homem de Bem”?

         As respostas, que, há milênios, têm sido, iterativamente, reveladas, não constituem segredos nem estão ocultas. Reconhecê-las, absorvê-las, internalizá-las são opções exclusivamente individuais. Praticá-las, o que parece até impossível para a maioria, depende, além de inteira abertura à Luz Infinita, de uma vontade firme e incoercível.

          Comentemos, com lastro no perfil acima, as práticas condizentes à construção do “Homem de Bem”:

           Praticar a Justiça! Consiste em usar o poder que herdou ou adquiriu – econômico, institucional, político... – em prol bem comum. Nada lhe pertence; você é tão somente o depositário dos “teres materiais e/ou imateriais”. Ao final da travessia (morte), a Alma só conduz ao plano espiritual os instrumentos que lhe ensejam a ascensão. Se você se encontra vazio destes, restar-lhe-á o espectro de estagnação ou involução.

         Praticar o Amor! Reconhecer a ensinança real e impostergável: somos todos irmãos, filhos de Deus. Exercitar, nas situações ou circunstâncias diversas, a fraternidade. Caminhando para a frente e para o alto, não esquecer de olhar para os lados e estender as mãos aos que capengam, desviam ou caem.

        Praticar a Caridade! Benevolência para com todos – familiar ou não, amigo ou inimigo, conhecido ou desconhecido – sem distinção. Indulgência para com as imperfeições do próximo. Perdão incondicional às ofensas.          

        Em face da defasagem moral/espiritual da maior parte da humanidade (baixo nível consciencial), apenas uma minoria consegue amealhar insumos necessários à construção do “Homem de Bem”. Esta progride gradualmente; uns mais rápidos, outros, lentamente.

        Certamente, em séculos ou milênios – na onda cósmica das quedas e reerguimentos – as Almas seguirão a Estrela Guia na busca de aproveitamento das oportunidades na travessia terrena. Então, haverá a inversão: a maioria alcançará o patamar do “Homem de Bem”.  A humanidade será um planeta de Harmonia, Solidariedade e Paz.

          Que o esforço individual para construir o Homem de Bem seja o nosso fanal!

 Klinger Sobreira de Almeida – Militar Veterano

Membro Efetivo-Fundador da ALJGR/PMMG


HOMEM DE BEM

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Soneto decassílabo-sáfico-heroico-
Mesóstico em Diagonal nº 7535
Noneto-cantante-clássico nº 290
Por Sílvia Araújo Motta/BH/MG/Brasil.
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Se a humanidade planta a má semente,
o livre-arbítrio mostra a causa e efeito;
o ser (H)umano deve ter em mente
valor do am(O)r, justiça sem defeito.
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A caridade pede (M)ais, mormente
defende o fraco, ped(E) paz, respeito,
promete ao pobre, ter poder, não (M)ente:
agir em prol (D)o bem comum, somente.
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Iluminados Mestr(E)s dão melhor
exemplo a quem tam(B)ém a Luz procura,
                          na caridade cumprem L(E)i Maior.                                         
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Perdão ao outro dá lição nor(M)al:
entre esmeraldas raras, alma é pura.
Homens de Bem espantam todo mal.
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Belo Horizonte, MG, 29/Outubro/2021.
https://academiadeletrasdobrasildeminasgerais.blogspot.com/2021/10/7535
-homem-de-bem-soneto-mesostico-em.html

A SAGA LANDELL MOURA

  Luiz Carlos Abritta   Cesar Vanucci   “A morte é a curva da estrada.” (Fernando Pessoa)   O poeta Fernando Pessoa, volta e m...