quinta-feira, 16 de setembro de 2021

 

Lenda viva do Leonismo

                                                                                         Cesar Vanucci

 

“Gosto da vida.”

(Daniel Antunes Jr – 100 anos)

 

A Academia Mineira de Leonismo, em concorrida assembleia, realizada virtualmente, homenageou Daniel Antunes Junior por seus cem anos de vida. Designado pela presidente Maria das Graças Amaral Campos, dirigi ao homenageado a saudação reproduzida na sequência.

100 anos.  36.500 dias, um pouco mais a levar em conta os anos bissextos. 5.200 semanas. 876.000 horas. Estes números cobrem, na dimensão de tempo, a trajetória trilhada –, querendo Deus, com ainda bom pedaço de chão a percorrer –, de um ser humano muito especial, entre o dia 17 de setembro de 1921 e o dia 17 de setembro de 2021.

Permitam-me, então, contar, em singelas palavras um pouco da história deste personagem: Sua peregrinação pela pátria terrena – peregrinação imposta a todos por desígnios superiores – acumula, neste caso de Daniel, esplêndido acervo de feitos. Frutos de fecundos labores e criatividade intelectual.

Escritor, com um punhado de livros editados, todos merecedores de louvores, Daniel marca presença reluzente na cena cultural, como historiador, poeta e cronista. Neste seu “primeiro centenário” ele já alcançou a “imortalidade literária” como membro atuante da Amulmig, Instituto Histórico e Geográfico MG, Arcádia e nossa Academia Mineira de Leonismo.

Nas lidas profissionais, atuou como bancário, banqueiro, dirigente de um sem número de empresas vinculadas ao setor financeiro. Dedica-se, ainda hoje, a atividades agropastoris.

Com seus 50 anos bem vividos, comemorados pela segunda vez consecutiva, é possuidor de muita lucidez e nobreza de espírito e dono de invejável dinamismo. É o decano do quadro social do Leonismo. Decano também dos Governadores de Lions.

Em sua gestão à frente do Distrito LC-4 foi responsável pela criação do maior número de Clubes num único período administrativo.

Casado com a saudosa Conceição, dama de acrisoladas virtudes, falecida em 2020, constituiu núcleo familiar que desfruta de elevado apreço no seio comunitário. Dele fazem parte os filhos Dante, Silvana, Daniel, Sérgio e Sandra.

 Irradiando sempre contagiante simpatia, afável e prestimoso no trato cotidiano, Daniel se destaca também, como “contador de causos”, já não fosse prosador festejado nos círculos intelectuais.

Algum tempo atrás, Daniel descreveu de forma bem-humorada, seu jeito de ser.

Trago aqui trechos dessa “autobiografia...”. “Comprazo-me de ser um homem normal, limpo, enxuto, de hábitos saudáveis. (...)” “Não babo, não fungo, não tenho o bafo de onça dos pinguços, já que bebo com moderação, dando preferência aos vinhos.

Também não exalo o ranço sarrento da nicotina, pois não fumo” (...); “Não sou gordo nem magro. Meu peso é normal, eis que tenho l,78 m de altura e há 30 anos peso 78 quilos. Apenas tenho uma barriguinha de veludo”. (...); “Não sou acanhado, nem assanhado, nem enxerido.” (...) “Gosto de ver as estrelas, dos perfumes discretos, das flores, das frutas, da chuva, da música, das mulheres, dos cães, da amizade e da sinceridade, da cor verde, das minhas coisas.” (...) “Creio que a minha família é a melhor do mundo”. (...) “Gosto da vida e, quando partir desta para outra, sentirei saudade dela. Creio que este mundo é o melhor de todos os que conheço...”

Caros companheiros, concluo, agora, a tarefa de saudar, com respeito, carinho e apreço, o nosso inquebrantável companheiro.

Pode ser assim resumida sua participação na aventura da vida. Cidadão inatacável, de grandeza moral rara. Criatura permanentemente de bem com a vida. Sabedoria incomum, evidenciada em tudo que diz e faz. Uma lenda viva do leonismo.

Ouso dizer que se fosse exigida do Lions uma carteira de identidade, é certo que a foto 3X4 colada ao documento seria dele, Daniel. Ele personifica magnificamente, com sua postura humanística, as excelsas virtudes que a filosofia Leonistica, espalhada por todos os cantos, propaga em favor de um mundo melhor, mais fraternal e socialmente justo.

 Vigorosa reação democrática

 

Cesar Vanucci

 

“Ninguém fechará esta Corte.”

(Luiz Fux, presidente do STF)

 

Sua Exa., presidente Bolsonaro, desperdiçou chance magnífica para comunicar ao povo seus planos para enfrentar a avalanche de problemas que sacode o país. Os olhares da nação estiveram focados nos pronunciamentos de 7 de setembro. A frustração popular foi descomunal.

Não se ouviu do mandatário a mais leve alusão a qualquer uma das questões que enchem de sobressalto os lares. Nada se falou sobre a “gripezinha” que já matou 600 mil, contaminou mais de 20 milhões e expôs a fragilidade do governo numa crise humanitária.   Nada se disse a respeito da inflação que anda roçando dois dígitos, ou sobre a expansão avassaladora das multidões de despossuídos sociais, patrícios despojados de acesso a padrões mínimos de bem-estar. Nadica de nada se comentou a respeito das filas nas portas das empresas, à cata de oportunidades de trabalho que garantam renda para sobrevivência de milhões. Sobre a crise hídrica e energética e as alterações tarifárias dela decorrentes, sobre as ameaças de apagões ou racionamento, coisa alguma também foi registrada. Idem, idem, com a mesma data, quanto às devastações florestais que tanto desgastam a imagem do país no exterior. Não se ouviu patavina sobre os custos insuportáveis dos gêneros de primeira necessidade. Nenhuma palavra foi dedicada à incessante escalada de preços dos combustíveis, nem tampouco dos medicamentos.

Outros momentosos assuntos, sob foco constante nas preocupações das ruas, foram, pela mesma forma, solenemente ignorados. O Brasil real ficou consideravelmente distanciado da fala de seu dirigente maior em eventos supostamente organizados com o fito de celebrar o “Dia da Pátria”.

A sociedade não ouviu o que queria ouvir. Mas teve que escutar uma saraivada de afirmações chocantes, que não desejava, de maneira alguma, escutar. Esbravejante, utilizando belicosidade incompatível com a dignidade de suas funções, trazendo para o palanque clima tenso, impróprio até para comício político, quanto mais para uma celebração de caráter cívico, o presidente alvejou em cheio as instituições democráticas. Extrapolou em demasia os limites das amplas prerrogativas correspondentes ao cargo. Gerou no seio da opinião pública perplexidade e inconformismo. Atraiu reações em todos os segmentos da vida nacional.

Emblemático assinalar que das concentrações de que participou, em Brasília e São Paulo, ambas convocadas por seguidores, muitas pessoas, pertencentes com certeza a alguma “variante tupiniquim” do “coronavírus talibanista”, carregavam cartazes e faixas de inocultável teor antidemocrático. “Pediam”, extravagantemente, “em nome da democracia”, entre outras absurdidades, “o fechamento do Supremo Tribunal Federal”, a “prisão dos ministros”, o “fechamento do Congresso” e “a volta do AI-5”...

Um coral vigoroso de protestos se fez ouvir, imediatamente, em todos os rincões do país, em contraposição ao descabido procedimento do ocupante do Planalto. As manifestações dos ministros Luiz Fux, presidente do STF,  e Luiz Roberto Barroso, presidente do TSE, do jurista Celso de Mello, até recentemente decano da Alta Corte, dos presidentes da Câmara dos Deputados e Senado, dirigentes políticos e de organizações representativas de setores influentes na lida comunitária, deram o tom do geral desagrado da Nação quanto ao que aconteceu.

O brado retumbante que ecoou nos céus da Pátria projetou inquestionável fidelidade aos sagrados valores democráticos e republicanos, por parte da esmagadora maioria da gente brasileira.

Oxalá o “mea culpa” do presidente, nascido de um entendimento com o ex-presidente Michel Temer e estimulado por vários de seus correligionários, traduza disposição sincera de mudança de rumos no gerenciamento das questões pendentes, relacionadas com seu mandato constitucional.

sábado, 11 de setembro de 2021

 

O protagonismo do Senador

 

Cesar Vanucci

 

“Não admitiremos qualquer retrocesso”.

(Rodrigo Pacheco, Presidente do Senado)

 

Constatação feita do posto de observação solitário deste escriba, louvado apenas naquilo que percebe no noticiário de cada dia e não em acesso privilegiado a “fontes bem informadas” que abastecem de pistas valiosas a comunicação social.

A atuação do Senador Rodrigo Pacheco vem sendo acompanhada com crescente simpatia pela opinião pública. O presidente do Senado, brasileiro de Porto Velho, Rondônia, representante de Minas Gerais, está adquirindo, de algum tempo a esta parte, singular protagonismo no incandescente enredo político-administrativo. Suas intervenções comedidas, fala serena e polida, têm contribuído para o apaziguamento dos espíritos em horas de exacerbação, provocadas, predominantemente, por gestos e palavreado turbulento e dissonante, originários dos arraiais palacianos.

São reveladoras da chegada ao primeiro plano do cenário político, de alguém possuído da firme disposição de influir nos debates travados pelas lideranças de todas as áreas em torno das magnas questões enfrentadas pelo país. As declarações reiteradas que tem formulado, na tribuna e em abordagens da imprensa deixam à mostra seu perfil conciliador e seu apego aos valores democráticos. “Não admitiremos qualquer retrocesso”. A frase sintetiza sua opinião sobre o momento político. Repelindo quaisquer propostas, insinuações, gestos, manifestações, que sugiram ruptura com as instituições democráticas e republicanas que nos regem, ele afirma, categoricamente, que “O Brasil não precisa de candidatos, mas de presidente para unificar o país”. A postura lúcida do Senador sobre candentes temas da pauta está documentada em entrevista ao “O Globo”, (ed.29.8). Tomamos a liberdade de reproduzir alguns trechos do pronunciamento, formulado na base de perguntas e respostas.

P. “Os ataques constantes do Presidente ao sistema eleitoral podem colocar as eleições em 2022 sob algum risco? R. Os ataques ao sistema eleitoral, sem fundamentos, são muito ruins, porque jogam em descrédito um sistema que, até pouco tempo atrás, era dado por nós como um orgulho nacional. Mas não considero que isso seja capaz de deslegitimar o resultado eleitoral. As eleições de 2022 vão acontecer, porque elas são fundamentais para a democracia.”

P. “O senhor disse que a rejeição do pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes seria um “marco de restabelecimento da relação entre os Poderes. No dia seguinte, Bolsonaro criticou a sua decisão e atacou Moraes. Como será possível retomar a harmonia?  R. São duas situações. Primeiro, a crítica do Presidente da República à decisão de arquivamento do processo de impeachment é natural. Ele teve uma pretensão resistida e indeferida. A segunda parte, que é a manutenção de críticas muito ostensivas à Suprema Corte e aos seus integrantes, realmente não contribuem. Isso dificulta o processo de pacificação institucional que buscamos.”

P. “Acha que está isolado ao insistir em uma nova reunião entre os Poderes? R. Não. Tenho absoluta certeza de que o pensamento do Deputado Arthur Lira (Presidente da Câmara) é o mesmo, de apaziguar. Sei também da disposição do Ministro Luiz Fux (Presidente do STF) de fazer o mesmo. Há uma comunhão de vontades nesse sentido.”

P. “Por que não citou o residente Bolsonaro entre as autoridades dispostas ao diálogo? R. O Presidente Bolsonaro tem falado e agido no sentido de afirmar suas próprias convicções. Espero que ele possa contribuir para esse processo de pacificação, porque há inimigos batendo à nossa porta, que não somos nós mesmos, mas a inflação, o aumento do dólar, o desemprego, o aumento da taxa de juros e a crise hídrica e energética, que pode ser avassaladora. É importante que tenhamos um freio naquilo que não interessa para cuidar do que importa ao Brasil.”

O Presidente do Senado procura interpretar o sentimento nacional.

 

O sentimento das ruas

 Cesar Vanucci

 

“O que todos desejam é paz para o trabalho, retomada

do desenvolvimento e respeito às instituições democráticas”.

(Antônio Luiz da Costa, educador)

 

Despautérios incessantes. São de tal monta que acabam colocando todo mundo em desassossego. Muita “gente equilibrada”, que prefere manter-se equidistante do alvoroço político, chega a duvidar da veracidade dos fatos narrados. Custa-lhe crer que as palavras merecedoras de crítica no seio da opinião pública hajam sido mesmo pronunciadas. Muito menos pelo personagem apontado como autor, dada a relevância da função que exerce.

Mas, eis que de repente essas pessoas se convencem, estupefatas, de que tudo é doloridamente real. Não se trata, não, de informação falsa. De “intriga da oposição” articulada com perverso intuito de abalar a reputação do adversário. Aí, então, os viventes não afeiçoados a embates políticos, acabam lançando no ar, mais do que pergunta, um brado de lamento. Evidentemente, sem preocupação com resposta: - “Mas o que vem a ser esse diacho de coisas, santo Deus?” Lastimavelmente, “esse diacho de coisas” não para. Quase todo dia rende notícia. Nos jornais de 29 de agosto, S.Exa., o presidente que elegemos por larga maioria de votos, sem mais essa nem aquela, joga mais lenha na fogueira com outra enigmática mensagem: “Há três alternativas para o meu futuro. Ser preso, ser morto ou ter a vitória”. Criticando decisões do Judiciário, reclama de “medidas arbitrárias” adotadas por “uma pessoa ou duas”, acrescentando que “jamais será preso”. Horas antes havia montado extravagante charada com as expressões “fuzil” e “feijão”, objeto de “edificante diálogo” nas redes sociais.

A instabilidade política, percebida até pelo “mundo mineral” – como diria Mino Carta -, coloca em polvorosa, naturalmente, o mundo dos negócios. A situação econômica e social vai de mal a pior. Os indícios acham-se estampados nos semblantes tensos dos chefes de família, dos empregadores e empregados, da multidão dos despossuídos sociais, enfim, dos cidadãos de todas as categorias sociais, tendências políticas e religiosas que compõem a paisagem populacional do Brasil. O bom-senso reclama mudanças urgentes. A imagem do país lá fora afeta o agronegócio e outras atividades de importância vital, engajadas no esforço de exportação e no suprimento das necessidades do consumo interno. Enquanto as discussões estéreis se alongam, provocando generalizado mal-estar, temas essenciais às ações estratégicas que levam ao crescimento econômico com seus benfazejos efeitos sociais são deixados à deriva. Até para problemas de menor complexidade revelam-se escassas a criatividade gerencial, as iniciativas burocráticas de rotina.

Crise sanitária, crise econômica, crise social, crise energética, crise que não acaba mais em tudo quanto é canto. Entrementes, espalhando dardejante desconforto, aí estão as ameaças às instituições democráticas. Frases soltas de inequívoco sentido, vez por outra de dubio significado, atitudes belicosas explícitas colocam a descoberto chocante propósito de retrocesso político. Afortunadamente, jubiloso registrar, tais atitudes são repelidas com veemência pela consciência cívica da Nação.

Em razão do inquietante cenário, lideranças altamente representativas da vida empresarial, classista, intelectual, política, cultural, estão trazendo a público, continuamente, manifestações resolutas, em que propõem o desarmamento dos espíritos, serenidade e competência no manejo dos negócios públicos, diálogo propositivo em torno das magnas questões que dizem respeito aos sagrados interesses coletivos. Tais pronunciamentos exprimem com fidelidade o sentimento das ruas. 

Este sentimento projeta ardente esperança: que a busca das soluções para as angustiantes questões que nos atormentam se processe em clima de divergência civilizada e pacífica, segundo os saudáveis ditames democráticos. Essa a maneira sensata de aproveitar os pródigos recursos de que é o país detentor para cumprir sua vocação de grandeza.

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

 

Tal filho, tal pai!

 

Cesar Vanucci

 

“As entidades estarão em boas mãos, de um

empresário que tem seriedade, competência e força.”

(Paulo Skaf, referindo-se a Josué Christiano Gomes da Silva)

 

Com consagradora votação, Josué Christiano Gomes da Silva, mineiro de Ubá, acaba de ser eleito presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Tomará posse em janeiro de 2022, assumindo para mandato de três anos o comando da mais poderosa entidade classista nacional, como sucessor de Paulo Skaf, ex-candidato ao Governo de São Paulo, que a dirigiu por 17 anos consecutivos. Josué preside um dos mais importantes conglomerados industriais têxteis do mundo, a Coteminas, com unidades fabris, a começar por Minas, Montes Claros, em diversas regiões do país, além dos Estados Unidos, Argentina e México. É filho de José Alencar Gomes da Silva e dona Mariza Campos Gomes da Silva. O saudoso José Alencar é personagem legendário na vida pública brasileira.

Como se recorda, foi vice-Presidente da República no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Deixou marcas indeléveis de atuação austera, arrojo empreendedor e desassombro cívico na história do País. Conquistou a simpatia e o apreço das ruas, de maneira nunca até então vista com relação a exercentes do cargo ocupado, pelas atitudes assumidas como autoridade e como cidadão.  Acumulou na vice-presidência, por algum tempo, o cargo de Ministro da Defesa. Anteriormente, representou Minas Gerais no Senado da República. Notabilizou-se, na lida classista, pelo trabalho fecundo executado na presidência da Federação das Indústrias de Minas Gerais. Na condução da Fiemg, Sesiminas e Senai-MG, cobriu o território mineiro de obras sociais e de iniciativas culturais que produziram benefícios comunitários sem conta. Integrou o quadro dirigente da Confederação Nacional da Indústria como vice-presidente, sendo escolhido presidente Emérito da Fiemg e Presidente Emérito, igualmente, da Fiesp, entidade a ser, como já foi dito, presidida por seu filho.

Josué Christiano é apontado, nos setores empresariais, classistas, políticos, culturais, como uma liderança jovem altamente capacitada. Ostenta, em invejável currículo, referências que provocam admiração e simpatia. É Engenheiro Civil pela UFMG, colou grau em Direito pela Faculdade Milton Campos, Belo Horizonte, concluiu Mestrado de Administração de Negócios pela Vanderbilt University, em Nashville, EUA. Demonstrou singular brilhantismo em todos os cursos frequentados. Na atualidade, é Presidente do Conselho e Diretor-Presidente da Companhia de Tecidos Norte de Minas - Coteminas, fabuloso complexo industrial que opera no Brasil e no exterior, e que possui um quadro de 16 mil servidores. Analistas de negócios consideram a organização que Josué comanda modelar, quanto à produtividade, resultados financeiros e políticas sociais praticadas. Louvam o estilo dinâmico, ao mesmo tempo simples e austero, que norteia as atividades da organização no panorama industrial. 

Em diversos instantes do passado recente, o nome de Josué Christiano Gomes da Silva aflorou no noticiário, com citações de reconhecimento pelo seu tino administrativo, poder de liderança e talento, como figura ideal para eventual indicação a algum posto relevante na administração dos negócios públicos. Aos olhares de qualificados observadores – e sua recente escolha para Presidente da Fiesp fortalece essa conjectura - serão registrados fatalmente, mais à frente, acenos convidativos para que, como aconteceu com o pai, marque também presença no importante e atraente espaço político.

A opinião pública brasileira mostra-se ávida pela identificação de novas lideranças. O jovem empresário alçado à Presidência da Fiesp faz parte, obviamente, de seleta lista de nomes respeitáveis, detentores de virtualidades suficientes para atrair, em momentos vindouros, os holofotes da atenção pública.

Josué Christiano carrega nas posturas pessoais e profissionais traços visíveis da personalidade de José Alencar. Tal filho, tal pai!

 

Cortina de fumaça

 

Cesar Vanucci

“As magnas questões nacionais estão ausentes

dos acalorados debates políticos da atualidade.”

(Antônio Luiz da Costa)

 

Ultrapassada (?) a efervescente discussão em torno da extravagante proposta de alteração no sistema de votação eleitoral, proposta essa rechaçada pela consciência cívica nacional, eis que o Planalto volta à carga com uma outra questão, igualmente desprovida de bom-senso. O intento visível é promover, mais uma vez, agitação nos arraiais político-administrativos.

 O anúncio do encaminhamento, ao Senado, de queixa-crime envolvendo Ministros do STF, numa tentativa de impedir que exerçam suas funções institucionais, não passa, claro está, de mais um estratagema no sentido de desviar os olhares da opinião pública das questões de magnitude. Questões que, neste momento, atormentam pra valer a gente do povo, em todos os segmentos comunitários. A situação desenhada representa, na verdade, uma “cortina de fumaça” visando desfocar atenções do inimaginável drama dos já quase 600 mil casos fatais de Covid, parte deles provocados pela ineficiência gerencial na condução do processo de combate à pandemia, conforme está sendo flagrantemente documentado na CPI do Senado. Outro problemaço “inconveniente”, que às rodas palacianas desagrada ver constantemente inserido nas pautas das discussões é o da danosa estagnação econômica, com seus impactantes desdobramentos sociais.

Aos analistas dos acontecimentos políticos não padecem dúvidas quanto ao fato de que, rejeitada, como fatalmente não deixará de ser, mais essa esdrúxula proposição, alguma outra situação qualquer será trazida para discussões públicas acaloradas. O que importa mais é desviar as atenções dos temas cruciais, sobretudo das pessoas menos informadas e desavisadas.

Deplorável, muito deplorável tudo que vem rolando no pedaço. Mergulhada em crises de toda ordem, a sociedade constata, desolada, que nos escalões decisórios superiores ninguém cuida da elaboração de um grande projeto nacional de desenvolvimento. Ninguém cogita da mobilização das forças com capacidade criativa e empreendedora à volta de programas de trabalho, de planos de atuação que favoreçam a retomada urgente do crescimento econômico. Ninguém enfatiza a possibilidade do aproveitamento, com engenhosidade, zelo e competência, do esplêndido potencial de riquezas que o país oferece, de maneira a assegurar, a curto, médio e grande prazos, padrões de bem-estar coletivo condizentes com as virtualidades de seu povo.

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

 

O retorno dos talibãs

 

Cesar Vanucci

 

“O talibanismo é fonte matricial do terrorismo.”

(Domingos Justino Pinto, educador)


Olha eles aí de volta, com seu arsenal de horrores! As imagens de pânico e desespero, mostradas pela televisão no aeroporto de Cabul, notadamente as do avião cargueiro transportando quase setecentas pessoas, homens, mulheres e crianças amontoadas, apenas com a roupa do corpo, para locais que lhes assegure refúgio contra iminentes atrocidades, são de um simbolismo terrificante.

Pelo que se pode deduzir do noticiário nosso de cada dia, os talibãs retornam ao palco político internacional tão ou até mais fortalecidos do que no período correspondente ao final dos anos 90, em que comandaram, com extrema ferocidade, os destinos do Afeganistão. Reintroduzirão, com certeira certeza, no cotidiano do maltratado território, seus tenebrosos esquemas de conspiração contra a vida.

Num relâmpago de tempo, tão logo ocorreu a retirada do grosso das tropas de ocupação estadunidenses, os terroristas, que se dizem islâmicos, reinterpretando a seu bel prazer, com cruel fanatismo, as leis do Alcorão, livro sagrado de multidões religiosas que vivem em sintonia com os valores da convivência pacífica e fraternal, se reapoderaram das posições de comando do país. Conseguiram, espantosamente, num abrir e fechar d’olhos neutralizar a resistência das forças militares, compostas de 300 mil soldados, que se presumia leais ao governo central, apoiado pelos Estados Unidos. A Casa Branca laborou num estrondoso equívoco ao imaginar que as tropas afegãs, treinadas por especialistas do Pentágono, estivessem suficientemente aptas a enfrentar alguma eventual insurreição dos remanescentes dos grupos tribais subordinados, no passado, ao sinistro Osama Bin Laden. As estratégias montadas no sentido de que o exército afegão mantivesse a paz e a ordem na conturbada região fracassaram inteiramente.

A ocupação americana do Afeganistão durou duas décadas. Foi determinada pouco depois do atentado às “torres gêmeas”, em Nova Iorque. O atentado, como se recorda, foi praticado por fanáticos da Al-Qaeda, terroristas pertencentes às milícias talibanistas, lideradas por Bin Laden, um príncipe saudita que, num primeiro instante de seu ativismo político, se aliou aos Estados Unidos na luta para expulsar os russos dos domínios afegãos. Noutra etapa da história Laden se transformou num rancoroso inimigo dos antigos aliados. O “11 de setembro” levou os Estados Unidos a deflagrarem uma operação gigantesca de combate aos talibãs. A ocupação do Afeganistão pelas forças armadas dos Estados Unidos teve por objetivo a eliminação e captura dos principais dirigentes talibãs. Paralelamente a isso adotaram-se medidas com o intento de refrear a impetuosidade talibanista no desrespeito contumaz aos direitos fundamentais, sobretudo no que concerne às virulentas restrições à liberdade das mulheres, impedidas de acesso a prerrogativas mínimas da convivência comunitária.

Tudo isto posto ajuda a explicar a razão dos receios, mais do que isso, do pavor que se apoderou de parcelas ponderáveis da sociedade afegã diante do retorno dos talibãs ao poder, a palavra de moderação dos porta-vozes do grupo em seu primeiro contato com representantes da mídia, para falar de seus planos de ação, é recebida com forte suspeição pela comunidade internacional, com carradas de razão. O fundamentalismo talibã rejeita contundentemente todos os preceitos e conceitos de vida de quaisquer filosofias religiosas, inclusive a muçulmana, que exaltem a dignidade das pessoas e que bebam inspiração nas lições humanísticas e nas orientações espirituais. O tratamento que dispensam aos valores éticos, morais, jurídicos, que compõem o processo da evolução civilizatória, são por eles negados sistematicamente, para dar lugar a violências inauditas, a atos terroristas que enchem o mundo de sobressalto.

Esse mundo do bom Deus, onde o tinhoso costuma implantar alguns enclaves, adiciona às suas perturbações e aflições um ingrediente explosivo a mais, com os acontecimentos narrados.

 

Há um limite pra tudo

 

Cesar Vanucci

“Ameaças vazias e agressões covardes não afastarão o STF de exercer, com respeito e serenidade, sua missão constitucional de defesa e manutenção da Democracia”.

(Luiz Fux, presidente do STF)


O comendador Giordano, de nacionalidade italiana, cidadão de maneiras cavalheirescas, sempre elegante no trajar, patriarca de família ilustre, valia-se de sua rica experiência de vida, sempre receptivo às lamúrias alheias, para valiosos aconselhamentos. Com palavra fraternal, sotaque cantante trazido de seus pagos natais, ajudava muita gente a contornar problemas e cair fora de enrascadas. Empregava com constância, diante de fatos chocantes, inusitados, perturbadores, uma expressão proverbial que acabou ficando associada ao seu jeito de ser por uma peculiaridade. Ele “colocava” acento, na forma oxítona, ao pronunciar a palavra “limite” (límite). Dizia límite em lugar de limite. “Há um límite pra tudo!” – costumava bradar, nos papos coloquiais.

Contemplando o tempestuoso cenário brasileiro, acode-me à lembrança o acerto da exclamação, entoada com jeito típico pelo velho Giordano: “Há, sim, límite pra tudo!”

Há um limite para a insensatez política. Para os destemperos verbais, para boquirrotismos que possam extravasar, mesmo que tenuamente, sagradas regras e conceitos pertinentes à boa convivência republicana e democrática, fortemente arraigados à consciência cívica nacional. Há um limite para exteriorizações preconceituosas de todo gênero. Há limite para que os retardatários da história se ponham à vontade, no relacionamento humano, para alvejar impunemente, com seu tosco entendimento das coisas, as conquistas da ciência, da inteligência, das criações voltadas para o bem-estar social. Há um limite para o que vem dizendo o Presidente da República Jair Messias Bolsonaro.

É o que nos mostra a reação de sensatez, lucidez e bom-senso que se observa, neste momento na vida do país, originária de vozes representativas dos mais variados setores e tendências ideológicas. Esses segmentos resolveram encarar as desabridas atitudes do ocupante do Planalto   e proclamar, alto e bom som, inconformismo diante dos intoleráveis riscos a que estamos sendo expostos com os desvarios verbais provindos, em alarmante sequência, do Palácio do Planalto.  As manifestações em questão, rechaçadas pela sociedade, compõem-se de agressões à Constituição, ao modelar sistema eleitoral implantado pelo Brasil, às instituições democráticas, a órgãos que têm por dever legal a defesa dos postulados republicanos.

O Supremo Tribunal Federal, o Tribunal Superior Eleitoral, a CNBB e outras organizações vinculadas ao pensamento religioso, a Associação Brasileira de Imprensa, a OAB, as lideranças classistas, os empresários, congressistas e dirigentes políticos de todos os partidos, a gente do povo, enfim essa poderosa corrente de opiniões está fazendo questão de registrar sua insatisfação com o que vem acontecendo na atualidade brasileira. A avassaladora crise humanitária, combatida com ineficiência, a inação administrativa, a estagnação econômica, o desemprego alarmante, o custo de vida atingindo culminâncias himalaianas, a escassez hídrica, a expansão da pobreza, tudo isso reclama uma ação resoluta sob a coordenação governamental.

Carecendo, não é de hoje, de um verdadeiro projeto de desenvolvimento, que saiba aproveitar adequadamente seu prodigioso potencial de riquezas inexploradas, o Brasil se coloca em desassossego ao identificar, na atuação de seu governo, desperdício de tempo considerável, emaranhado que se acha em questões que ofendem os brios da nacionalidade e alvejam em cheio conquistas inalienáveis que compõem seu patrimônio cívico.

O que toda a sociedade almeja é que cessem as ameaças e intimidações contrárias aos valores democráticos e que o esforço despendido nessas ações negativas seja deslocado para a retomada ampla, geral e urgente do desenvolvimento econômico e social.

Há limite pra tudo! 

sábado, 21 de agosto de 2021

 

Controvérsia em torno de um texto

 

Cesar Vanucci

 

“Morre lentamente (...) quem não encontra graça em si mesmo”

(Dizeres atribuídos ao poeta Pablo Neruda)

 

Desfazendo-me, indoutrodia, de guardados impressos acumulados durante décadas, deparei-me com um envelope branco, amarelecido pelo tempo, contendo um texto atribuído a Pablo Neruda. Fixei-me no propósito de passá-lo adiante, neste “minifúndio de papel” (como diria o saudoso Roberto Drummond), levando em conta seus sugestivos conceitos. Surpreendeu-me a revelação de minha prestimosa secretária, Clelia, de que na manhã do mesmo dia, coincidentemente, havia lido na internet o mesmo texto, com comentários controversos no tocante à autoria. Os dizeres que chamaram atenção não seriam do poeta chileno, mas sim de Martha Medeiros, escritora brasileira, tendo sido divulgados em 2009. A indicação do ano deixou-me mais intrigado ainda, face à circunstancia de que o impresso retirado da gaveta do armário, posso garantir, é anterior em muito ao ano citado. Inteirei-me, depois, que nas redes sociais existem versões diferenciadas da composição literária em causa.

 

De qualquer forma, tomei a deliberação de divulgar o texto, alimentando a expectativa de que algum leitor possa juntar esclarecimento ao caso. Cá está o texto.

 

"Morre lentamente quem não viaja/ quem não lê/ quem não ouve música/ quem não encontra graça em si mesmo./ Morre lentamente quem destrói seu amor próprio,/ quem não se deixa ajudar.../ Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,/ repetindo todos os dias os mesmos trajetos,/ quem não muda de marca,/ não se arrisca vestir uma nova cor/ ou não conversa com quem não conhece./ Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru./ Morre lentamente quem evita uma paixão,/  quem prefere o negro sobre o branco no trajar/ e os pontos sobre os “is”, em detrimento de um redemoinho de emoções,/ justamente as que resgatem o brilho dos olhos, sorriso dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos./ Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,/ quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos./ Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte/ ou da chuva incessante./ Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,/ não pergunta sobre um assunto que desconhece,/ ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe./ Evitemos a morte em doses suaves, / recordando que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar...”

E aí?

 

 

Tudo isso acontecendo

 

Cesar Vanucci

 

“Além da majoração da tarifa, pode vir racionamento.”

(Agência Nacional de Energia Elétrica)

 

Flagelo pandêmico com tétricas estatísticas. Estagnação econômica com inquietantes desdobramentos. Crise hídrica preocupante. Elevação contundente dos índices de desigualdade. Aumento alarmante da pobreza absoluta. Custo de vida em cumes everestianos. Inflação fora de controle. Revelações chocantes da CPI do Senado. Quase duas dezenas de milhões de desempregados. Multidão em “situação de rua”. Agressões ao meio ambiente em proporções descomunais. Tudo isso explodindo a um só tempo num país dotado de incomparável potencial de riquezas, mas insensatamente desprovido de projetos de desenvolvimento econômico e social, de planos de ação para enfrentamento adequado dos problemas tormentosos que o afligem, enquanto o Governo insiste em manter, obsedantemente, suas atenções e esforços fixados, na contramão da história,  no objetivo de substituir o modelar sistema eleitoral vigente pelo anacronimo esquema do voto impresso. Muita gente sustenta, com convicção, que toda essa frenética agitação política, eivada de intimidações e ameaças antidemocráticas, esteja sendo desencadeada como “cortina de fumaça” para desviar os olhares da sociedade dos clamorosos despreparo, omissões e insuficiências, detectados na gestão pública com relação às magnas questões que entravam o crescimento nacional. Agora que colocada pra escanteio, vez por todas – é o que se espera –, a proposta retrocessiva de mudança no modo de votar, essas mesmas pessoas se perguntam o que estará ainda por vir, como novo fator de perturbação no desatinado enredo político e administrativo.

  

Já começam a ser percebidos, com desassossego, os efeitos práticos dos alertas dos porta-vozes da Aneel referentes às alterações da assim chamada “bandeira tarifária”. Por causa da crise hídrica as contas de luz devem subir cerca de vinte por cento, talvez um pouco mais, até 2022. Os setores técnicos anunciam campanhas que possam estimular o uso racional de energia e, também, da água tratada. Comentam também até a possibilidade de adoção futura de medidas de racionamento, face à redução dos níveis nos reservatórios, como as ocorridas em 2001. A Aneel explica que estamos atravessando a mais aguda seca dos últimos 9 anos nas regiões em que se acham localizadas as principais hidrelétricas do país, sudeste e centro-oeste. Os sistemas em questão respondem por mais da metade da capacidade de geração de energia. Os custos operacionais das termoelétricas, que deverão atingir até o final deste ano o valor de R$ 9 bilhões, influem significativamente na adoção da “bandeira vermelha”. “Nós temos condições de atender o consumidor com energia. Entretanto, essa energia está mais cara pelo fato de estar sendo gerada pelas termoelétricas.  E como finalizamos o período úmido e ele foi o pior da história, então nós não temos praticamente água para usar com vistas a atender a geração no país até novembro”. Foi o que asseverou, recentemente, o diretor da Aneel André Pepitone, numa audiência promovida pela Câmara dos Deputados. Ele acrescentou que o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) assegurou que a chuva necessária para abastecer os reservatórios é aguardada para a segunda quinzena de outubro. Em assim sendo, perdurará até lá o esquema montado com o uso intensivo das termoelétricas, o que se traduz fatalmente em encarecimento tarifário.

 

Tudo isso anotado equivale a dizer que, para o chefe de família e a dona de casa, atordoados com elevações sucessivas de preços em todas as áreas de consumo, acabará sobrando, além das majorações nas contas de luz, o risco provável de agregação do racionamento à sua interminável lista de preocupações cotidianas. Tá danado!

 

*  Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

 

Um livro escrito por corações amorosos

 

Cesar Vanucci *

 

«Erigir o Ser como meta»

(Klinger Sobreira de Almeida)

 

«Radicalismo faz gerar rancores»

(Sílvia Araújo Motta)


Acaba de sair do prelo, como era de costume dizer-se em tempos de outrora, o livro “Rastreando a verdade (crônicas, sonetos e acrósticos)”, de autoria de Klinger Sobreira de Almeida e Silvia Araujo Motta. O prefácio que redigi para a publicação é reproduzido, na sequência.

 

“Um livro escrito por corações amorosos. Essas pessoas valorosas que fazem parte do mundo invejável dos corações amorosos! Quão fecunda é sua contribuição para a edificante causa da construção humana!

Com seus ditos e feitos bebem inspirações nas fontes da sabedoria humanística. Ajudam a conservar acesas a fé e a esperança em tempos melhores para todos. E quando, então, além de tudo isto - como no exemplo de Klinger e Sílvia -, resolvem estampar em livro crenças e vivências enriquecedoras, é que melhor e com maior nitidez se delineia sua benfazeja condição de semeadores de bons frutos. Frutos que permanecem, consoante a fala evangélica.

O livro «Rastreando a verdade - crônicas, sonetos, acrósticos» escrito a quatro mãos entrelaçadas de amorosidades por Klinger Sobreira de Almeida e Sílvia Araújo Motta, é uma proclamação de confiança no destino superior do ser humano. Enfeixa, numa prosa escorreita e agradável e versos impregnados de lirismo, reflexões substanciosas sobre a aventura humana.  No caso desta publicação, o trepidante jogo da vida, com os atributos e imperfeições, falácias e criações inerentes aos indivíduos e grupos comunitários, é visto sob enfoque harmonizado com saberes de linha filosófica transcendente. Ou seja, conhecimentos de origem espiritual, remontando às nascentes límpidas e cristalinas da jornada existencial. Fica bem visível, para os leitores identificados com os valores humanísticos e espirituais, que os autores se esmeram em oferecer orientação e sinalizar rumo para várias candentes questões de nosso inquietante cotidiano. São impulsionados, na lida desenvolta da palavra, à explicar com recomendações de caráter propositivo o significado da vida. Percebe-se sintonia fina entre aquilo que magistralmente verbalizam com uma impecável manifestação de Raul de Leoni. Aquela em que o poeta nos brinda com esta definição: «o sentido da vida e o seu arcano é a aspiração de ser divino no supremo prazer de ser humano». A variedade dos assuntos abordados, em narrativas que ganham às vezes feição de fábulas, revelando dos autores estilo primoroso de contação de história, coloca-nos diante de um painel de revelações atualizadas sobre os desafios, padecimentos, angústias confrontados pela sociedade nesta etapa perturbadora da marcha civilizatória. Para cada problema anotado, nos diferentes capítulos da obra, lá está primeiro em prosa, depois em verso, uma considera.ção, uma ponderação, um aconselhamento, calcados em lições hauridas em plano consciencial elevado.

A posição dos autores pode sugerir, num que outro momento, um propósito doutrinário. Laborará, todavia, em ledo engano quem disso inferir tratar-se de exposição de ideias ancoradas em dogmatismo rançoso. Na vibração dos esplêndidos conceitos expendidos, nas afirmativas peremptórias, revestidas de generosidade e espírito solidário e cordial, avultam dois perfis contrapostos ao imobilismo social, ao radicalismo ideológico, e que se exprimem num idioma ecumênico.

 

O prosador e a poeta sabem muito bem, trazendo da teoria para a prática o soberbo pensamento de Bergier e Pauwels, que o espírito humano é que nem o paraquedas, só funciona aberto.


O livro de Klinger e Sílvia é repleto de rutilantes conceitos. Os aparelhos de percepção pessoal do leitor mais atento se incumbem, em dados momentos de levá-lo a captar sons - diríamos – melodiosos entre o que é propagado em prosa e repicado em versos.

Aqui estão amostras bem expressivas.  

 “Reportando-se ao «Caminho do meio», recomendado nas prédicas dos Mestres, os autores assim se pronunciam, em prosa e verso:

«O caminho do Meio implica em desapego. Ter sem escravizar-se; erigir o Ser como meta. Se o poder, a glória e a riqueza lhe acontecem, atentar que estes não o acompanham ao final da travessia fugaz. Assim, não se inebrie; caso contemplado com as benesses do mundo, administre-as como posseiro de Deus, visando ao bem comum. Alcançado o pico da trajetória humana, cabe-lhe erradicar o egoísmo e o orgulho, e cultivar os valores da humildade e gratidão. Sim, gratidão a Deus e ao próximo». (...) 

«O Caminho do Meio - senda da felicidade - está sempre aberto ao viajor terrestre. Seu acesso é factível à proporção que nos elevemos consciencialmente». Já o soneto interpretativo diz o seguinte: 

«Caminho do Meio –A senda da Felicidade 

Há uma Verdade nesta Lei Regente/do Criador na Luz, sem trevas/dores:/

A Mão de Deus aberta em nossa mente/é generosa ao mundo, tem valores./

Nada de extremos, pois a Mão luzente/sábia se fecha ao Mal dos seus «senhores»/não há ascensão do Ser na trilha e sente:/

Radicalismo faz gerar rancores. /

Errar, cair, sofrer, subir ao monte/

da evolução que ao homem faz crescer! /Trilha do MEIO, livre-arbítrio traz. /

Em Cristo, Buda, Okawa... bela Fonte:/

A Fé no túnel faz Amor nascer. / Felicidade é senda para a Paz.»

Mais dois, entre outros, sugestivos conceitos: “Humildade - defluente do Amor - é estágio de acentuada elevação consciencial.

...Todos que, na travessia terrena, chegaram à plenitude do êxito, quaisquer que tenham sido seus campos de atuação, caracterizaram-se pela humildade. Foram fortes moralmente e respeitados, mostraram sabedoria e exerceram liderança». .

«Perseverança – Estrela Guia do ÊXITO. A assimilação da perseverança, como valor de caráter, deve compor o espectro educacional do indivíduo a partir da infância. Se assim for feito, estamos forjando cidadãos para a vida. Seres humanos úteis na construção de uma humanidade de elevado nível consciencial. Seres que, tendo por estrela-guia o êxito, não fogem, não fracassam, nem se corrompem».

Em página que toca fundo a emoção, Klinger faz registro enternecido à memória de sua mãe Nelsina, «supermulher, sustentáculo do lar», descendente da etnia Puri.

Sobre os autores importa salientar ainda ser ele, Klinger, militar aposentado no posto de Coronel da respeitada Polícia Militar de Minas Gerais, com irrepreensível folha de serviços no exercício de relevantes funções de comando; membro e ex-presidente da Academia João Guimarães Rosa da PMMG; conferencista renomado, autor de obras técnicas, vinculadas à formação profissional, e de trabalhos literários bastante apreciados; em suma, um intelectual de presença refulgente no cenário mineiro.

Sílvia, sua esposa, educadora é figura de realce nos meios culturais graças à sua condição de romancista, poeta, poliglota, artista plástica, compositora, com atuação em trabalhos sociais.  É aclamada como autora de mais de dez mil poemas-acrósticos e de quarenta e sete livros.

É fácil depreender, pelo enunciado, que a história de vida dos escritores e o conteúdo de sua obra comportam referências enaltecedoras de maior amplitude, sem qualquer vislumbre de dúvida. Acontece, porém, que o prefácio de um livro não deve passar tão somente de simples «tira-gosto» ou «aperitivo» antecedendo – como sucede agora - lauto e apetitoso banquete de ideias. Pelo que, vou parando por aqui. Ocorre-me tomar emprestada recomendação de Santo Agostinho sobre um livro de sua especial apreciação: «Tolle, lege»

Concluo, então, o prefácio do livro de Klinger e Sílvia, dizendo: 

Pegue-o e cuide de lê-lo.”

 

 

A SAGA LANDELL MOURA

  Lenda viva do Leonismo                                                                                                                 C...