sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O espírito invejável do Natal

Cesar Vanucci*
  
 "Natal. Apagam-se as luzes, acendem-se as esperanças”
(Eva Reis, poeta)

O Natal é, por excelência, a época que melhor se identifica com o conceito ideal de vida proposto por Akira Kuruosawa, quando fala, com fascínio na voz e no olhar, do “mundo invejável dos corações fervorosos”. O cineasta, sem propósito preconcebido, de vez que emprega a harmoniosa expressão num contexto cultural não influenciado pelo sentimento dominante nas celebrações natalinas, confere ressonância humanística à mensagem de definitiva beleza que chega do fundo e do alto dos tempos. A transcendência desta mensagem, de origem divina e conteúdo cósmico, abrasa os corações e concita as criaturas de boa vontade a se empenharem na construção de um mundo melhor, não apenas com vistas à conquista, aqui e agora, da pátria terrena.

Como conceber, com os olhos da esperança, esse mundo invejável? Ele será, seguramente, povoado de amor fraterno e não de ódio destruidor, de apaixonante solidariedade social e não de desapiedado utilitarismo. De justiça removedora de desigualdades e não de injustiça que só faz, o tempo todo, aguçá-las. De contemplação ecumênica e democrática dos contrastes de opinião existentes no relacionamento das ruas e não de imposição autoritária, nascida em ambientes fechados e acinzentados, em favor de doutrina política única ou de pensamento religioso sectário. De crença nos valores espirituais, garantidores da dignidade e não de desprezo solene a preciosos dons humanos, em nome de posturas preconceituosas e desagregadoras. Não fosse tudo isto tradução fiel das condições de vida imaginadas em sua peregrinação de amor pela mais sábia e poderosa das criaturas, o Deus que há dois mil anos se fez carpinteiro.

A realidade impiedosa de nossos tempos mostra que a distância do alvo a atingir, na aspiração dos corações fervorosos, é medida por consideráveis anos-luz. Muitas as estruturas da convivência humana em estado de desarranjo. Esquecida das lições do saber eterno, a humanidade tem avançado celeremente na edificação de um mundo mecanicista, onde a tecnologia assume, na encruzilhada de decisões cruciais, caminhos de duvidosa eficácia para o atingimento da promoção humana. O exemplo é contundente e não é único. Nas preocupações políticas e científicas, o conhecimento da desintegração do átomo está mais próximo da fabricação de artefatos bélicos do que da criação do bem-estar. Percebe-se, em muitos países e de forma clara no Brasil, que as políticas econômicas objetivando o desenvolvimento relegam a plano inferior a amplitude humana e os aspectos sociais.

Vem sendo esquecida a lição singela de que o homem é o princípio, meio e fim de tudo. Não existe para servir à política ou à economia. Estas é que foram colocadas em seu caminho para servi-lo.

A sabedoria cristã – o mesmo se pode dizer da sabedoria de outras correntes do pensamento religioso – orienta o ser humano no sentido de que se apegue a um ponto de equilíbrio, em meio às naturais discordâncias provocadas pela efervescência intelectual, inerente à vida. Essa busca pressupõe o domínio da serenidade. É reveladora da incompatibilidade visceral da mensagem cristã, ou espiritual, com as posições extremadas e fanatizadas. Um economista britânico, Fritz Schmacher, lembra que “o ponto essencial da vida econômica e da vida em geral é que ela exige constantemente a conciliação ativa dos opostos”. Arremata magistralmente: “Há na vida econômica e social muitos problemas de opostos que, embora de difícil solução, podem ser transcendidos pela sabedoria”. Nada mais exato. É na sabedoria eterna que se encontram lenitivo e solução para conflitos existenciais do tipo desenvolvimento técnico versus desemprego, ou versus poluição ambiental. Ou o ponto de equilíbrio que garanta, a um só tempo, a desejável estabilidade e as transformações reclamadas pelo progresso; o respeito à tradição e o apreço às propostas renovadoras.

Como preconiza o pensador, “nossa felicidade e nossa saúde” podem depender de “buscarmos simultaneamente atividades ou metas mutuamente opostas.”

Isso tudo remete, na idealização de um mundo melhor, mais justo e generoso, à necessidade de se dar à técnica uma feição humana, de se fortalecer os avanços econômicos com a ampliação dos benefícios sociais, de se estabelecer cooperação com a natureza, em vez de desbaratar as dádivas deixadas por Deus no solo e subsolo deste planeta azul.

Comecei estas maldigitadas com o pensamento do cineasta japonês. Vou concluí-las com a evocação da cena de um filme americano, dirigido por John Ford, que focaliza uma batalha na Guerra da Secessão. Num dado instante, as tropas rivais, com suas emoções ensandecidas, guarnecendo trincheiras separadas a tiro de fuzil, são arrebatadas por um misterioso e avassalador sentimento de ternura. Baixam as armas, abandonam as posições e se confraternizam ruidosamente. Voltam a se engalfinhar mais adiante, na maior das truculências. O que interessa aqui é captar a atmosfera daquele momento mágico da pausa conciliatória, da temporária cessação das hostilidades. Ele tem a ver, simbolicamente, com o espírito de Natal. Que mais, muito mais do que o “espírito do Natal”, deveria ser, para todo sempre, estado de espírito indissociável da aventura humana.

*Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

AMOR TOTAL

Cesar Vanucci

“Ame até doer.”
(Madre Teresa de Calcutá)
  
Este despretensioso poemeto foi cometido para recitação em coro. Resolvi, depois, compartilhar as singelas emoções nele inseridas com os meus amigos. Seguem junto meus votos de um Feliz Ano Novo pra todos.

Natal, poema de nazarena suavidade; / Instante predestinado com timbre de eternidade. / Festa do amor total! / Cântico de amor pela humanidade. / Exortação solene à fraternidade. / Festa do amor total!

Mensagem que vem do fundo e do alto dos tempos, / A enfrentar, galharda e objetivamente, os bons e os maus ventos. / Amor pelas coisas e amor pelas criaturas, / Serena avaliação das glórias e desventuras.

Um cântico de amor total! / Amor pelo que foi, /Pelo que é e será. / Quem ama compreenderá!

Cântico de fé e de confiança; / O amor gera sempre a esperança. / Quem ama compreenderá!

Amor que salta da gente pros outros; / Amor que procura compreender os humanos tormentos, / Os pequenos dramas e os terríveis sofrimentos, / As tristezas dilacerantes e as aflições incuráveis. / Os instantes de ternura que se foram, irrecuperáveis.

Amor que procura entender / Pessoas e coisas como são. / E não como poderiam ser. / Quem ama compreenderá!

Amor que soma e fortalece. / E não subtrai e entorpece. / Visão compreensiva das humanas deficiências e imperfeições... / Aquele indivíduo sugado pelo desalento. / Aquele outro, embriagado pelas ambições... / O enfermo desenganado. / O menor desamparado. / O chefe prepotente, / O empregado indolente, / O servidor negligente, / O granfino insolente, / O moço inconsequente, / O orgulho de gente / Que não é como toda gente...

Não esquecer as pessoas amargas e solitárias, / As criaturas amenas e solidárias. / Os homens e as mulheres com carência afetiva, / A mulher que, como esposa, se sentiu um dia Amélia, / A infeliz que da prostituição se tornou cativa...

O rapazinho esquisito, / A mocinha desajustada, / O pai que, de madrugada, / Espera pelo filho, insone e aflito.

Amor que envolve amigos e inimigos / E que se dá a todos os seres vivos.

E sempre, interpretação caridosa e serena do cenário humano. / O jovem revoltado, / O político ultrapassado, / O servidor burocratizado, / O boêmio, desconsolado e sem rumo, / que vagueia só pela madrugada.

O irmão oprimido e desesperançado, / O favelado humilhado, / O individuo fanatizado.

Compreensão para com essa mocidade de veste berrante, / De som estridente, / Que se intitula pra frente...

Compreensão também diante da geração que se recusa a aceitar o comportamento jovem do presente...

Solidariedade para o que crê nas coisas em que acreditamos. / Tolerância absoluta para o que acredita fervorosamente em coisas das quais descremos.

Amor sem ranço e sem preconceito, / Que dê a todos o direito / De se intitularem irmãos...

Irmão cristão, irmão budista... / ... de se intitularem irmãos / Irmão sionista, irmão islamita... / de se intitularem irmãos / Irmão palestino, irmão judeu... / ... de se intitularem irmãos / Irmão atleticano, irmão cruzeirense... / ... de se intitularem irmãos / A se darem as mãos / E se confessarem irmãos...

Acolhimento à mãe solteira, / Protegendo-a dos que a picham, em atitude zombeteira. / Benevolência para com o profissional fracassado que não fez carreira / E que viu se esvaírem os sonhos de uma vida inteira.

Análise justa e caridosa da postura daquele que feriu enganando / E daquele que maltratou negando / Do que machucou informando e do que magoou sonegando informação.

Amor sem conta. / Amor que conta. / Amor que se dá conta / Da palavra terna com feitio de oração. / Do gesto desprendido com jeito de doação.

Amor por toda a criatura, / A desprovida de ternura / E a cheia de candura.

Visão apaixonante do mundo do trabalho / O gênio que bolou a espaçonave, / A mestre-escola de presença suave, / O varredor de rua, / O cientista de olhos fitos na lua, /O pesquisador em laboratório / E a enfermeira que cuida de feridas em ambulatório, / O bombeiro que conserta esgoto / E o operador de Bolsa bem posto, / O versejador de feira, / O condutor de escavadeira, / O autor de inesquecíveis canções, / O peão campeador de bravios sertões, / O operário da construção civil / E a doméstica tratada de forma servil.

Amor que procure compreender / Pessoas e coisas como são, / E não como poderiam ser. / Como são... / E não como poderiam ser.


De tudo sobra a certeza de que o importante na vida / É entender o sentido deste recado: / O Amor total, / Mensagem definitiva do Natal!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013


C  O  N  V  I  T  E

XIX ENCONTRO CULTURAL DA ACADEMIA

A Academia Mineira de Leonismo tem a satisfação de convidar V. Sa., familiares e amigos para o ¨XIX Encontro Cultural da Academia¨, que consistirá numa palestra do Acadêmico Daniel Antunes Júnior, Ex-Governador do Distrito LC-4, subordinada ao tema ¨VIVENDO E APRENDENDO¨, bem como numa festa de congraçamento natalino de nossa comunidade leonística e convidados.



Data:              19 de dezembro de 2013 ( quinta-feira)
Horário:         19:30 horas
Local:             Sede do Distrito LC-4
                       Av. Silva Lobo, 1820 – B. Nova Granada – BH


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Dito e feito, Madiba!

Cesar Vanucci *

Fiz tudo o que podia.”
( Nelson Mandela)

O que estamos acabando de assistir, apoderados de forte comoção e envolvente ternura, nos tributos populares dedicados a Nelson Mandela, nessa despedida ao grande herói da humanidade destes nossos confusos tempos, pode ser considerada a mais empolgante e extensa manifestação pública de celebração da vida jamais presenciada em qualquer outro lugar do mundo ou tempo da história.

É verdade que grandes festejos populares, comemorações religiosas, cívicas e esportivas, de feitos com repercussão mundial costumam mobilizar, em todos os quadrantes, enormes multidões em clima de alegria ou de outra modalidade contagiante de emoção. Mas o que as eletrizantes cenas de rua na África do Sul, com réplicas noutros países, expuseram abundantemente, na hora da despedida do líder carismático que pôs fim ao “apartheid”, foi algo muitíssimo diferente de tudo aquilo que nos tem sido dado a contemplar em gigantescas concentrações. As cenas de rua foram regidas por genuína espontaneidade e num tom devocional sem qualquer paralelo.

O adeus a Mandela foi feito de lágrimas, aplausos, danças e cantos típicos, ladainhas festivas, num feérico e colorido cenário de louvações aos valores que conferem dignidade à atividade humana. A trajetória percorrida por este homem que se doou por inteiro a uma causa essencial no processo de transformação humana, deste homem que virou lenda, mito em vida, deixa à mostra as qualidades supra-humanas de seu espírito inquebrantável. Dono de uma retidão moral que, desafortunadamente para a sociedade contemporânea, é apontada como exceção e não regra nas fileiras das lideranças políticas, ele infundiu respeito, granjeou simpatia e, até mesmo veneração, dentro e fora de seus pagos natais. E tudo graças à estoica e perene fidelidade aos ideais e princípios dos quais se fez incomparável arauto.

Combateu tenazmente o racismo, as desigualdades sociais, a falta de liberdade, injustiças de todos os feitios. Enfrentou as iras dos poderosos e resistiu com bravura indômita às violências e martírios que lhe foram infligidos. Tanto, aliás, em seu país como em outros lugares do mundo. Lugares que hoje se rendem ao fascínio de sua cintilante jornada. Por haver se insurgido contra as ignomínias cometidas pelo regime racista, foi condenado a 30 anos de cárcere. Acusado de perigoso comunista, foi arrolado em lista internacional elaborada para identificar desalmados terroristas. Seu nome figurou ao lado - para dar um exemplo assustador - do próprio mentor da Al Qaeda, exatamente, ao lado de Osama bin Laden. O presidente Ronald Reagan, dos Estados Unidos, e a Primeira Ministra Margaret Thatcher, do Reino Unido, tinham-no na conta de “inimigo da humanidade”. Referendaram todas as barbaridades proclamadas a seu respeito pelos dirigentes sul-africanos. Seja ressaltado, a propósito, mais este lance intrigante: o governo estadunidense reconhece, agora, lucidamente, pela palavra de Barack Obama, que “Mandela já não nos pertence, pertence à História”. Todavia, a Casa Branca só se animou a retirar o nome de Madiba da relação dos “terroristas mais temidos” ha cinco anos, em 2008. Àquela altura, o herói mundial africano já havia conseguido implodir o “apartheid”, já havia conseguido a unificação impecavelmente pacífica de seu país. Já havia, também, conquistado o Nobel da Paz, investigado com soluções salomônicas os crimes do racismo, promovido a reforma agrária. Já havia, por conseguinte, encantado o mundo inteiro com demonstrações pessoais de serenidade, humildade, inteireza de caráter, força moral, verticalidade de atitudes, espírito de concórdia e disposição democrática.
Nelson Mandela legou às gerações de hoje e de sempre mensagens de conteúdo humanístico e espiritual equiparáveis às dos maiores vultos da epopeia da humanidade. Tais mensagens, correspondidas nos atos que praticou, estão bem sintetizadas em conceitos como os que se seguem: “Não é hora de guerra; é chegado o momento da paz”; “Perdoar, mas não esquecer”; “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem, ou por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. Se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”.

Dito e feito, Madiba!

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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O XVIII Encontro Cultural da Academia

O XVIII Encontro da Academia, promovido pela nossa Academia Mineira de Leonismo, com a contribuição valiosa do Lions Clube BH Mangabeiras, foi um acontecimento marcante na vida cultural belorizontina. O deputado Adelmo Carneiro Leão, vice-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, brindou o público, constituído de figuras representativas do meio intelectual mineiro, com uma palestra magistral sobre o tema “Desafios e perspectivas da saúde pública no Brasil”. A exposição suscitou muitas reflexões e arrancou intensos aplausos.
Na mesma ocasião, a Academia empossou solenemente mais um associado. Trata-se do jornalista André Luiz Lopes Oliveira, de Montes Claros. O novo acadêmico foi apresentado pelo Acadêmico Ernani Martins de Melo Rocha e saudado pelo Acadêmico Sebastião Braga.
Um belo espetáculo artístico emoldurou o evento, que compreendeu ainda uma homenagem aos casais João Lopes e Ana Zélia Saraiva Lopes, e Walter Mendes Costa e Maria Raquel Mendes Costa, dos quadros do Lions Clube BH Mangabeiras, pelos relevantes serviços prestados à causa leonistica. O Governador do Distrito LC-4, José Leroy da Silva, e a presidente do Mangabeiras, Maria Madalena Cerqueira Martins, junto com dirigentes da Academia Mineira de Leonismo, recepcionaram os convidados que compuseram a concorrida plateia desta vitoriosa promoção cultural.
Na condição de presidente da Academia, tive a honra de coordenar os trabalhos.
A Acadêmica Maria das Graças Amaral, secretária da Academia, atuou como Mestre de Cerimônia e o Acadêmico Vespasiano de Almeida Martins Neto saudou o expositor da noitada cultural, deputado Adelmo Leão.
A sequência de fotos retrata aspectos do Encontro Cultural.

Deputado Adelmo Carneiro Leão, Acadêmico (empossado) André Luiz Lopes Oliveira e 
Acadêmico Ernani Martins de Melo Rocha






 Mesa dirigente dos trabalhos: 
Sebastião Braga, José Leroy da Silva, Adelmo Carneiro Leão, Cesar Vanucci, Maria Madalena Cerqueira Martins e Doutor Viana






Acadêmico Doutor Viana, vice-presidente da AML entrega certificado de participação ao palestrante, deputado Adelmo Carneiro Leão. Ao fundo, a presidente do Mangabeiras, Maria Madalena Cerqueira Martins








Deputado Adelmo Leão e 
Acadêmica Vilma Raid Fernandes





Vice-governador do DistritoLC-4, José Monteiro da Silva, ex-governador Jarbas Fernandes Soares, 
Acadêmico Cesar Vanucci, Acadêmica Vilma Raid Fernandes e deputado Adelmo Leão

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Atlético e Cruzeiro

Cesar Vanucci *

“Mas que momento esplêndido!”
(Andrea Cecconie, torcedora)

A torcida mineira celebra. Razões de sobra para isso. Os dois principais clubes da terra atravessam fase de raro esplendor. O Atlético, campeão das Américas, prepara-se para disputar o título mundial interclubes. O Cruzeiro, campeão nacional com cinco rodadas de antecedência do final das competições, já antevê a possibilidade de abiscoitar pela terceira vez a Libertadores. BH desfruta da invejável situação de poder intitular-se, por assim dizer, capital mundial do futebol.

Chutando pra escanteio a circunstância de que torcedores fanáticos, enredados em divergências clubísticas puerilmente suburbanas, insistam em não reconhecer a relevância do papel representado pelo adversário no palco esportivo, o fato alvissareiro que nos cabe, a todos nós, mineiros, cruzeirenses e atleticanos ou não, admitir e festejar é que Cruzeiro e Atlético, Atlético e Cruzeiro, são presentemente os clubes de maior expressão na paisagem futebolística nacional. Isso assegura-lhes, naturalmente, lugar de especial realce no panorama esportivo internacional. Enfrentar com firmeza os desafios deste momento, saber aproveitar as infinitas chances que se abrem à expansão das atividades é demonstrar maturidade e bom senso.

Curtir com intensidade este instante. Criar ambiência propícia mode garantir a permanência desse estado de coisas. Introduzir, dentro e fora dos gramados, práticas eficazes de gestão. Assestar os olhares além dos horizontes conhecidos, na cata de mais espaço, de espaço mais rendoso para a projeção do bom trabalho executado: tudo isso deve fazer parte, neste momento, dos projetos prioritários e incrementadas agendas das duas festejadas agremiações.

Mantendo incólume a emulação sadia, estimulante no processo de crescimento, os clubes devem se esforçar também, ao máximo, para se desvencilhar de práticas que desmerecem de certo modo a importância do papel que lhes foi reservado no enredo desportivo. Uma delas, de um ridículo espantoso, é a que dá suporte ao esquema da “torcida única” nos chamados “clássicos”. De outra parte, a escolha definitiva do Mineirão como arena ideal para os jogos mais importantes é outra iniciativa que se afigura recomendável. Não faz sentido algum persistam os paredros esportivos em atitudes desprovidas de bom senso e caráter prático, nascidas de meros e tolos caprichos.

O reconhecimento geral de que em Minas se localiza presentemente o polo central do futebol enseja mais pertinentes observações. Muita gente gostaria de ficar sabendo das razões pelas quais na lista dos craques convocados para a seleção não figurarem alguns jogadores mineiros considerados em condições ideais para integrar o escrete canarinho. Caso, por exemplo, de Fábio, disparadamente o melhor goleiro brasileiro em ação. Diego Tardeli e Everton Ribeiro, para ficar apenas em outros dois nomes, são igualmente atletas que, esbanjando talento nas quatro linhas, andam fazendo por merecer chamada para o grupo dos selecionáveis.


De acordo com o figurino

“Viver democracia significa agir sempre
 em estrita consonância com o que a lei estipula.”
(Antônio Luiz da Costa, professor)

No momento em que o primeiro dos mensalões examinado pelo Supremo Tribunal Federal chega ao seu desfecho, faz-se oportuno relembrar, até com fitos pedagógicos, a toarda azucrinante registrada até bem pouco tempo atrás nas chamadas de capas de revista, manchetes e artigos em jornais, tribunas políticas, em razão do simples acolhimento pelos Ministros da Corte dos chamados embargos infringentes. O tom das falas naquele momento revelou-se de agoniante dramaticidade. A medida legal aprovada foi apontada como uma tragédia institucional. Houve insinuação de que estaria sendo executada uma manobra com o propósito de desmoralizar a Justiça e de garantir a impunidade dos réus. Por ai rolou o destempero das manifestações, escoradas em conclusões precipitadas de parte da mídia e de setores políticos intoxicados de passionalismo.

Pouco tempo transcorrido e o que se está a ver agora em nada se parece com o cenário apocalíptico desenhado. A Justiça cumpriu seu papel. A democracia que rege saudavelmente nossos destinos brasileiros mostrou de novo invejável pujança. Os autores das maracutaias que deixaram um rastro pesado de prejuízos no patrimônio da Nação estão sendo convocados a prestar contas de seus atos. Em suma, as leis que regem a matéria processual analisada foram aplicadas nos devidos conformes, de acordo com as aspirações gerais da Nação. Tudo, por assim dizer, funcionou como manda o figurino democrático.

Ficou claramente evidenciado também que o combate aos malfeitos cometidos por agentes públicos seguirá, indesviavelmente, seu curso normal. Isso robustece as expectativas por justiça da sociedade brasileira, que volta, agora, naturalmente, as atenções para ações legais, igualmente reparadoras, já constantes da agenda judiciária. Na lista de espera para julgamentos, a serem procedidos com todos os cuidados institucionais cabíveis, aguardam vez outros episódios de malversação de recursos públicos. Para ficar em apenas alguns, citemos o mensalão mineiro, as contratações mafiosas de obras no metrô bandeirante, os desvios fraudulentos, com a ajuda de empresas corruptas, dos fiscais desonestos da Prefeitura de São Paulo. Não nos esqueçamos, pela mesma forma, das irregularidades múltiplas cometidas em Goiás, Brasília e outros Estados, coordenadas por um banqueiro de bicho que chegou a ser trancafiado na Papuda e hoje desfruta do direito de aguardar em liberdade o andamento do processo em que desponta como operador.



No caso do mensalão já transitado em julgado chama a atenção também dos observadores da cena política a maneira civilizada e serena com que foram recebidas, pelos demais Poderes e lideranças de todas as facções partidárias, as decisões da Justiça. A reação respeitosa de modo geral observada exprimiu maturidade política, contando ponto em favor de nossa evolução democrática. Não há como, também, deixar de perceber que esse comportamento comedido e prudente dos setores políticos é inspirado, em parte, por uma certeza inabalável que todos hoje têm. A certeza de que os desdobramentos das ações corretivas em curso na Justiça são passiveis de apontar futuros réus nas fileiras praticamente de todas as legendas partidárias. Não sobrará, no frigir dos ovos, para nenhuma corrente o direito de se colocar a salvo de eventuais críticas por parte da opinião pública em razão de condutas inadequadas produzidas por correligionários afoitos e despreparados para o exercício da nobre atividade política.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Medalha do Mérito Legislativo

Por indicação do ilustre Deputado Adelmo Carneiro Leão fui recentemente agraciado com o Mérito Legislativo conferido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Senti-me, naturalmente, muitíssimo honrado com o recebimento dessa láurea e sumamente agradecido às pessoas amigas que me proporcionaram esse reconfortante momento.
As fotos que se seguem retratam minha participação no evento, ocorrido na Expominas no dia 7 (sete) de novembro passado.


Mesa dirigente dos trabalhos: 
no centro o deputado Adelmo Leão, vice-presidente da Assembléia


Momento da homenagem


Cesar, Addi e Servio Tulio Vanucci


Deputado Adelmo Leão e Cesar Vanucci


Deputado Adelmo Leão, Cesar, Addi e Sérvio Tulio Vanucci


Mesa dirigente dos trabalhos e platéia


Outro aspecto da solenidade. Ao fundo, os agraciados.




E se fosse por aqui?

Cesar Vanucci *
“Quem não tem cão, caça com gato.”
(Provérbio popular)

Talqualmente o Brasil, os Estados Unidos defrontam-se neste momento com o problema da escassez de médicos. Segundo estimativas oficiais, mais de 50 milhões de americanos residem em regiões com acesso insatisfatório a assistência medica. Assim postas as coisas, as autoridades estadunidenses deliberaram colocar em execução, por meio de atos legislativos, um plano emergencial de atendimento à saúde com características – indispensável frisar - revolucionárias. Foi expedida autorização a enfermeiros, pós-graduados em saúde, a realizarem procedimentos médicos. Fazerem consultas de rotina, diagnósticos básicos, prescrição de remédios e acompanhamento de doenças crônicas, nas vastas extensões territoriais desprovidas da presença de médicos. A decisão, está visto, responde pragmaticamente a uma demanda importante de cunho social. Aplicou-se ao caso aquele famoso axioma de que quem não tem cão, caça com gato...

Com o olhar fixado nas reações suscitadas nalguns redutos pela implantação do programa “Mais médicos para o Brasil”, andei inquirindo os botões de meu pijama sobre como seria recebida entre nós uma medida do Ministério da Saúde nesses mesmos termos? O que seria dito a respeito em editoriais da grande mídia? E em manifestações dos Conselhos médicos? Nos discursos de porta-vozes políticos da oposição, ou por pessoas que, volta e meia, acusam o governo federal de atos estatizantes e populistas, mas que costumeiramente alardeiam a ideia de que aquilo que é bom para os Estados Unidos é bom também para o Brasil? Hein?

Seja a informação provinda dos Estados Unidos acrescida de outro relevante dado. A inédita medida governamental não provocou reações inflamadas, apesar da constatação de que correntes poderosas da opinião pública no país, pertencentes sobretudo a facções do Partido Republicano, antepõem-se à ideia da universalização dos serviços públicos de saúde, nos moldes vigentes aqui no Brasil.

· Não me espantará nem um tiquinho se, de repente, guarnecido de informações confiáveis, algum órgão levante a suspeita de que as denúncias contra a brasileira Embraer, divulgadas em publicações estrangeiras, têm como motivação principal a circunstância de a indústria aeronáutica norte-americana haver ficado de fora nas cogitações de compra de caças para a FAB. Como se recorda, a hipótese do fornecimento dos aparelhos vir a ser feito pela Boeing, na disputa pela conquista da encomenda com fabricantes francês, sueco e russo, passou a ser descartada por Brasília a partir da comprovação da existência do esquema de arapongagem eletrônica, montado por agências norte-americanas contra os interesses políticos e econômicos brasileiros. É bom também registrar, de outra parte, que a empresa brasileira, terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, com unidades operacionais, além do Brasil, em outros cinco países, presença marcante nos mercados da aviação regional em todos os continentes, vem sendo alvejada ao longo de uma trajetória vitoriosa não poucas vezes por concorrentes preocupados com sua sempre crescente expansão.







quinta-feira, 14 de novembro de 2013

CONVITE AOS LEITORES DO BLOG


"Desafios e perspectivas da saúde pública no Brasil" é o tema de uma palestra a ser proferida, no próximo dia 25 (vinte e cinco) de novembro, às 19h30m (dezenove horas e trinta minutos) pelo deputado Adelmo Carneiro Leão, vice-presidente da Assembleia Legislativa, no "XVIII Encontro Cultural da Academia".
O ato, promovido pela Academia Mineira de Leonismo e Lions Clube BH Mangabeiras, será realizado no auditório do Sesiminas, rua Álvares Maciel, 59, Centro de Cultura "Nansen Araujo".
Convido os leitores do "Blog do Vanucci" a comparecerem.

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Reflexões em torno da espionagem

 Cesar Vanucci *

“Tudo isso é ilegal como obviamente nada tem a
ver com proteger os EUA e o mundo do terrorismo.”
(Jornalista Antônio Luiz M.C. Costa, da “CartaCapital”)


· Por razões mais do que óbvias, a política externa da Casa Branca vem sendo amplamente criticada, inclusive nos Estados Unidos. O mundo inteiro já se deu conta, a esta altura, que as semelhanças do governo republicano de Bush e do governo democrata de Barack Obama, na forma de conduzir as questões no plano internacional, são bastante acentuadas.

Mas não era isso que a opinião pública esperava acontecesse por ocasião da chegada ao poder do atual presidente estadunidense. A aposta global na efetividade das mudanças era de tal ordem que bem poucos ousaram, à época, questionar a açodada outorga do Nobel da Paz ao recém-chegado. Tratava-se apenas – esta a crença generalizada – de uma mera antecipação do crédito em esperança e confiança das multidões depositado na atuação de um personagem carregado de ideias novas, carismático, bom de fala, que entrava em cena com a firme disposição de alterar o enredo na desgastada convivência politica internacional. Demorou um pouco para que essa alvissareira expectativa se esboroasse e a frustração se instalasse, irremediavelmente, no espírito popular. A convicção agora dominante é de que a diferença no modo de agir de um e de outro, em termos de política externa, é a mesma que se percebe no sabor da Coca e da Pepsi, as mais famosas marcas do mercado mundial de refrigerantes, ambas de origem norte-americana.

· Por mais que alguns veículos de comunicação da mídia tupiniquim procurem minimizar a importância do fato, o posicionamento de Dilma Rousseff na condenação ao esquema de espionagem cibernética patrocinado pelos Estados Unidos tornou-se ponto de referência para uma decisão global no sentido de se criar um sistema de proteção eficaz contra essas agressões à soberania dos países e violações, com fitos políticos e comerciais, da intimidade das pessoas e instituições.
A declaração conjunta levada pelo Brasil e Alemanha à ONU, em favor da implantação de um marco regulatório estabelecendo controle das ações da internet, recebida com total simpatia pela quase totalidade dos países membros da instituição, é prova mais do que provada do acerto da atitude tomada pela Presidenta.

· E se fosse levada realmente a sério a argumentação dos paranoicos porta-vozes das agências de espionagem norte-americanas, a respeito de que a arapongagem eletrônica praticada em alta escala é voltada, exclusivamente, para o monitoramento de dirigentes das redes terroristas espalhadas por várias partes deste mundo velho de guerra? Seríamos todos forçados a passar, daqui pra frente, pelo constrangimento de ter que enxergar no Papa Francisco gloriosamente reinante e na garbosa Guarda Suíça do Vaticano, alvos da bisbilhotice cibernética,  perigosos agentes da subversão, engajados em tenebrosa conspiração contra a concórdia e a paz entre os homens. Dá procês?

· O acesso livre e desembaraçado pela ação criminosa da espionagem estadunidense às mensagens propagadas pelo Google e o Yahoo, coloca-nos, todos usuários da internet, na incômoda sensação de vivenciar um pouco o clima asfixiante dos personagens do livro “1984”, de George Orwell, criado pelo “Grande Irmão” com seus tentáculos de dominação sobre as mentes.

· Essa história da espionagem cibernética gerou uma estupefação, pode-se dizer, extra. O técnico em informática Snowden, responsável pela veiculação do repulsivo esquema, era um mero funcionário terceirizado das “agências de inteligência” encarregadas de conduzir o processo. Ao apoderar-se das estarrecedoras informações vindas a lume expôs a extrema vulnerabilidade do sistema de segurança dos referidos órgãos. E, de certo modo, também, a suprema arrogância que os norteia, ao se arvorarem em organizações situadas acima do bem e do mal. Descompromissadas do dever de oferecer satisfações dos malfeitos praticados a quem quer que seja. Mesmo que seus nefandos atos cheguem, por qualquer acidente de percurso, como, aliás, acabou acontecendo, ao conhecimento da opinião pública.


· Comparar uma ou outra diligência promovida pela Agência Brasileira de Informação (ABIN), dentro de suas estritas atribuições institucionais, com o formidando aparato de espionagem mundial da CIA e NSA – como andam querendo irrefletidamente alguns parlamentares oposicionistas – é uma forma de subestimar a inteligência das pessoas, sem deixar de ser um sinal eloquente de imaturidade politica e de indigência cívica.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O poetaço Vinicius

Cesar Vanucci *

“O material do poeta é a vida.”
(Vinicius de Moraes)

Temo, sinceramente, que a expressão poetinha, aplicada carinhosamente a Vinicius de Moraes por legiões de fãs brasis afora, seja também empregada desembaraçadamente em certos redutos acadêmicos obsessivamente focados em cânones literários herméticos, como tentativa de restringir a extraordinária importância da obra artística desse poetaço. Uma obra que assegura ao personagem mencionado o sagrado direito de figurar com realce na lista dos maiores poetas da língua.

Na minha desajeitada percepção revelam-se indisfarçáveis os sinais de que setores intelectuais com algum grau de influência na vida literária encontram dificuldades em reconhecer o papel exponencial de Vinicius no amplo espectro de nossa cena cultural. Não deixam, é certo, de festejá-lo pelos notáveis méritos acumulados como inspirado compositor e autor de versos encantadores lançados em inesquecíveis canções. Nem de aplaudi-lo, com entusiasmo, pela demonstração pujante de seu talento no território da música popular brasileira. Mas reservam, falar verdade, tempo de menos para celebrar o fascínio impactante de sua fala poética. De sua fala romântica. De sua fala social. Uma espécie de conspiração de silêncio parece envolver o todo da invulgar criatividade desse artista da palavra. Um poeta, escritor, cronista que soube fazer-se intérprete de generosos sentimentos e anseios. Sentimentos que povoam a alma humana, nas manifestações de cunho romântico produzidas. Anseios sociais genuínos brotados das vivências comunitárias, registrados em suas vibrantes manifestações de teor social.

Homem de seu tempo, um contemporâneo do porvir, com percepção aguda das coisas de sua terra e de sua gente, poeta universal de todos os tempos, o saudoso Vinicius de Moraes, ora merecidamente homenageado em verso, prosa e música pelo transcurso do centenário de nascimento, foi em vida um dos intelectuais mais bem providos de dons desse país. Não há exagero em se aponta-lo como um gênio da raça. Um cultor das letras que se lembrou do futuro, como proposto num mimoso conceito de Jean Cocteau. Um poeta singular cujo olhar “girando em delírio, vai do céu para a terra, de terra para o céu e, no que a imaginação vai tomando corpo, usa da pena para cativar a essência das coisas, moldando-lhes a forma e dando a um nada construído no ar um nome e um ponto de referência”, como na descrição de Shakespeare em o “Sonho de uma noite de verão”.

Enfim, um poeta e tanto e compositor magnifico que entendeu que seu material de trabalho deveria ser sempre a vida, “com tudo que ela tem de sórdido e sublime”. Alguém compenetrado de que a missão abraçada em seu nobre ofício “é a de ser expressão verbal rítmica ao mundo, informe de sensações, sentimentos e pressentimentos dos outros com relação a tudo o que existe ou é passível de existência no mundo mágico da imaginação”, conforme as próprias palavras com que descreve sua participação no jogo da vida.

Vinicius de Moraes, na música, no verso, na crônica, foi simplesmente um poetaço.


Repúdio universal

“Os Estados Unidos já não têm
 mais aliados. Só alvos e vassalos!”
(Deputado francês Jean-Jacques Urvoas)

A credibilidade da Casa Branca, junto com a imagem de bom mocismo de Barack Obama, vem despencando ladeira abaixo de forma estrepitosa. A acumulação ruidosa de evidencias a respeito da xeretagem eletrônica mundial posta a funcionar a pleno vapor, com o solerte intuito de promover trapaças comerciais, políticas e financeiras, acendeu a luzinha vermelha indicativa da ultrapassagem inaceitável dos limites éticos e legais.

Dilma Rousseff foi a primeira a exprimir indignação diante dos estarrecedores fatos. Pediu na ONU, debaixo de aplausos, a implantação de um marco regulatório universal que seja capaz de deter o traiçoeiro processo de invasão da privacidade executado pelas agências estadunidenses de espionagem.

Depois disso, chegou a vez de Angela Merkel chiar. Em nome do governo alemão, a chanceler não poupou críticas ásperas aos “muy amigos” que, há anos, andam monitorando seus passos e os das autoridades e cidadãos de sua pátria. Considerou naturalmente afrontoso tal procedimento. Nota oficial do governo de Berlim, cobrando explicações de Obama, assinalou que “entre amigos próximos, como têm sido Alemanha e Estados Unidos por décadas, não deveria haver vigilância.”

O Presidente François Hollande, da França, também manifestou enorme irritação com a conduta dos “leais aliados” norte-americanos. Foi secundado no protesto pelo presidente da Comissão de Legislação da Assembleia Nacional francesa, Jean-Jacques Urvoas, que num comunicado, entre outras coisas, disse o seguinte: “Os Estados Unidos já não têm mais aliados. Só alvos e vassalos.” Pelas apurações feitas, a Agência de Segurança Nacional (NSA) grampeou nada mais nada menos do que 70 milhões e 300 mil ligações telefônicas e e-mails no território francês em apenas um mês, transmitidas pelas redes Wanadoo e Acatel.

Igualmente vítima das sherloqueanas trapalhadas, o governo espanhol engrossou o coro dos protestos, a um só tempo que a imprensa internacional revelava ter havido monitoramento constante das ações de Felipe Calderon, presidente mexicano, pelas “agências de segurança” de seu mais próximo vizinho. Das reações mexicanas com relação a esse caso específico de arapongagem pouco se conhece. Acontece que o México mantém uma relação muito peculiar com os Estados Unidos. Não dispomos de condições para saber se a situação absurda que nos propomos agora a relatar ainda persiste. Mas, até bem pouco tempo, os consulados mexicanos exigiam estranhavelmente de turistas estrangeiros que requeressem visto de entrada em seu belo país um compromisso formal no sentido de não virem a utilizar a liberação concedida para alcançar, posteriormente, o território estadunidense. Esses órgãos operavam, pelo que estava à vista, como repartições anexas ao serviço consular dos Estados Unidos, algo que, com presumível certeza, desgastava e constrangia os cidadãos mexicanos. Não fica fora de propósito imaginar que de sabujices do gênero é que tenha nascido aquele intrigante desabafo do líder mexicano Porfirio Dias registrado pela história: “Pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos!”

As flamejantes denúncias vindas a furo sobre a espionagem norte-americana envolvendo 35 (ou mais) chefes de Estado dão conta ainda da existência de relatórios em que as agências estadunidenses classificam, cinicamente, a internet de “instrumento valioso de trabalho” por permitir ao governo do país “conduzir negociações bem sucedidas em assuntos políticos e planejar investimentos internacionais”. É o caso de dizer: Valha-nos Deus, Nossa Senhora!

Enquanto os aliados dos Estados Unidos do lado de cá expressam inconformismo com relação às escutas clandestinas, aliados do lado de lá, do Oriente, lamentam um outro tipo de ação executada pela Casa Branca que tem dado causa a mortes violentas no seio da população civil. Na caça a combatentes terroristas, os chamados “drones”, veículos aéreos não tripulados, vêm despejando misseis mortíferos em áreas habitadas por civis inocentes que nada têm a ver com os inimigos apontados como alvos. Isso vem suscitando onda de revolta contra a política estadunidense nas regiões atingidas pela vigilância aérea.


Todos esses fatos explicam as articulações que diversos países fazem no momento no sentido de controlar um pouco os ímpetos norte-americanos. Como no caso das interceptações telefônicas, que levaram à proposta apresentada pelo Brasil, já agora endossada pela Alemanha e outros membros da ONU, em favor da criação de um marco regulatório internacional para a internet. Órgãos internacionais apelaram ao Brasil para que organize um encontro mundial sobre governança na internet com o objetivo de estabelecer regras de controle sobre a rede, de modo a impedir sejam desvirtuados seus objetivos originais em favor da construção do bem-estar humano.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Celebração magna do Lions

Cesar Vanucci *

“Paixão contagiante, o futebol é a alegria do povo.”
(Neuza Ribeiro Viana na “Invocação a Deus” do dia 8 de outubro,
 no ato de abertura da Semana Mundial do Serviço Leonistico)

O futebol como fator de integração cultural foi o tema escolhido pelo Lions Clube para as celebrações deste ano da “Semana Mundial do Serviço Leonistico”. Promovidos pela Governadoria e Clubes do Distrito LC-4 e pela Academia Mineira de Leonismo, os eventos se desdobraram entre os dias 8 e 15 de outubro passado. Com expressiva participação popular, os dois atos mais significativos da comemoração foram realizados no Espaço Cultural do Tribunal de Contas de Minas Gerais (dia 8) e no Teatro do Sesiminas (dia 15).

Duas palestras marcaram o primeiro desses atos. O jornalista Milton Naves, narrador esportivo da Rádio Itatiaia, fez um vibrante apanhado de suas experiências profissionais na cobertura das Copas Mundiais de Futebol a que compareceu. O cineasta Geraldo Veloso discorreu sobre o entrelaçamento da arte cinematográfica com a arte futebolística, numa fala de rica erudição.

Na mesma ocasião, foi aberta linda mostra de artes plásticas da pintora e escultora Mariza Guerra, versando a temática da celebração. Houve também a apresentação ao público de um projeto elaborado pelo Lions relativo à construção de moradias populares com o emprego de garrafas pet, de acordo com modelo de edificação na linha da sustentabilidade testado com êxito no Rio Grande do Norte. O projeto será implantado em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte. O Coral dos Servidores do Tribunal de Contas, regido pelo Maestro Cleude William. respondeu pela parte artística do evento. A Invocação a Deus da cerimônia foi feita por Neuza Ribeiro Viana.

No dia 15, no Teatro do Sesiminas, o Lions entregou troféus a personagens de realce na história futebolística brasileira. As homenagens contemplaram clubes e outras instituições ligadas a essa modalidade esportiva, craques, árbitros, cronistas, médicos, dirigentes, voluntários que comandam projeto de inclusão social na várzea, indicados pelas lideranças leonisticas incumbidas da elaboração do programa da “Semana”. Os homenageados, em número de 30, foram agraciados com o “Troféu Lions”. A Academia Mineira de Leonismo conferiu a tradicional “Medalha JK - Cultura, Desenvolvimento e Civismo” ao jornalista Emanuel Soares Carneiro, diretor-presidente da Rede Itatiaia de Rádio. A acadêmica Marilene Guzella Martins Lemos encarregou-se da Invocação a Deus. Como Mestres de Cerimônia atuaram o jornalista Neymar Fernandes e a acadêmica Nancy Maura Couto Konstantin.

A magnífica parte artística da celebração esteve a cargo da famosa Companhia de Dança do Sesiminas, comandada pela renomada coreógrafa Cristina Helena, com o concurso da Orquestra de Câmera do Sesi, regida pelo Maestro Marcos Antônio Maia Drumond. O espetáculo intitulado “Meu Brasil brasileiro”, composto de melodias de Carlos Gomes, Vila Lobos, Ary Barroso, Tom Jobim, Luiz Gonzaga, entre outros compositores, arrancou aplausos entusiásticos do público que lotou as dependências do majestoso teatro. O governador do LC-4, José Leroy Silva, recepcionou os convidados, figuras de projeção na vida política, econômica e cultural. Na condição de presidente da Academia Mineira de Leonismo e de presidente da Comissão Organizadora da “Semana”, este escriba saudou os convidados e fundamentou a escolha do tema adotado pelo Lions como reflexão sobre a realidade brasileira ao ensejo da magna celebração anual do movimento leonistico. Em comentário vindouro serão reproduzidas neste espaço as palavras proferidas na referida assembléia.

Para o brilhantismo da celebração deste ano, o Lions contou com decisiva ajuda da Assembléia Legislativa de Minas, Sistema Federação das Indústrias, Secretaria de Estado de Esportes e da Juventude, Tribunal de Contas de Minas Gerais, Rede Itatiaia de Rádio, Associação Mineira de Cronistas Esportivos e Associação de Garantia ao Atleta Profissional de Minas Gerais.


Percepção altruísta da vida

 “... os países devem se enfrentar apenas nas quadras de esporte.”
(Acadêmica Marilene Guzella, na Invocação a Deus
da celebração do “Dia Mundial do Serviço Leonístico”)

Como prometido, reproduzo abaixo os dizeres do pronunciamento que fiz, em nome do Lions Clube, por ocasião da celebração, em 15 de outubro passado, do “Dia Mundial do Serviço Leonistico.”

Nossos homenageados de hoje compõem grupo categorizado de desportistas com folhas de serviços expressivos na implantação e sustentação da mística do futebol. São, de um lado, personagens que deixaram impressas nos gramados, em imagens imorredouras, as pegadas de seu invulgar talento e habilidade. São, de outro lado, personagens que atuam nos efervescentes bastidores dos espetáculos. Integram as variegadas e complexas estruturas do apoio logístico, técnico e administrativo do futebol, assegurando suporte aos atletas para que possam encantar-nos com a magia de sua arte generosa. São, também, figuras que se esmeram, no mister profissional, em projetar de forma colorida e vibrante, produzindo salutar contaminação emocional, a beleza coreográfica incomparável do esporte das multidões.  São ainda criaturas que, à custa de elogiável abnegação, se valem do fascínio que o futebol exerce no espírito popular, para atrair em atividades educativas e desportivas adolescentes e crianças em condição de vulnerabilidade, de maneira a proporcionar-lhes chances de inclusão social. Somos gratos a todos esses homenageados pelo que realizaram e continuam fazendo em favor da construção humana.

O Futebol é mesmo alegria do povo! Mais do que isso até!

Percorrendo as veredas da memória, vejo-me, garoto do interior, ginasiano, rodeado de familiares e colegas, diante do enorme aparelho de rádio que guarnecia a sala de jantar na residência de vovó Carlota. Esta aí, uma santa criatura! Em seu perfil humano encaixavam-se admiravelmente aqueles dizeres poéticos de Manuel Bandeira narrando a chegada ao céu de uma mulher especial, feição meiga, atitudes nobres, vida singela. São Pedro, o próprio, cuida de recepcioná-la. Ela pede, humildemente, licença pra entrar. São Pedro reage com doçura paternal:
- Sem essa, mulher, vê lá se você precisa de licença pra entrar aqui!

A voz rouquenha do espiquer Antônio Cordeiro, espalhava-se pela sala naquela tarde de 16 de julho do ano da graça de 1950. O narrador esportivo da famosa Rádio Nacional descrevia os emocionantes lances da partida decisiva entre o Brasil e o Uruguai no Maracanã superlotado. Aguardávamos, todos nós, o final do jogo pra fim de comemorar. A festança vinha sendo aguardada há dias.

O título, pelo andar da carruagem, eram favas contadas. O Brasil dependia apenas de um empate. E o gol do ponteiro Friaça já havia deixado a seleção em confortável vantagem. Foi aí, então, que veio o gol de empate do ponta direita uruguaio Gighia. Um gol que, falar verdade, não chegou, no primeiro momento, a preocupar os torcedores. Mas um tiquinho de tempo adiante, de repente, não mais que de repente, já ai de forma atordoante, o marcador voltou a ser alterado, graças a uma jogada do mesmíssimo endiabrado Gighia. À medida em que, a partir dali, os ponteiros do relógio avançavam, o desespero começou a ganhar contorno nas mentes e corações. Quando o juiz trilou o apito final, o mundo veio abaixo. Um verdadeiro tsunami psicológico! O Maracanã ficou mudo e quedo que nem penedo. O silêncio de tumba etrusca que se abateu sobre o País inteiro era ensurdecedor. Os comentaristas da Nacional trataram de por fim, alguns aos soluços, à transmissão. A sala de jantar de dona Carlota tornou-se um reflexo melancólico do estado de espírito geral. Clima de chororô. A doce matriarca, muito ao seu feitio, procurava consolar-nos. O tom embargado de voz, somado ao semblante vincado de amargura, desmentiam frontalmente a certeza que se esforçava por repassar nas palavras: “Vamos ser racionais. Um jogo de futebol é apenas um jogo de futebol, não passa apenas de um jogo de futebol.” Vovó Carlota, – aprendi, dolorosamente, naquele fatídico 16 de julho, estava redondamente equivocada. Um jogo de futebol nunca foi e nunca será, na realidade brasileira, apenas um jogo de futebol.

A história desse esporte popular, democrático como nenhum outro, documenta isso exuberantemente. Em 58, na Suécia: em 62, no Chile; em 70, no México; em 94, nos Estados Unidos; em 2002, na Coréia do Sul e Japão, para falar de outros instantes futebolísticos marcantes, o chororô já foi bem diferente do de 1950.  Houve, sim, lágrimas convulsivas, soluços angustiados e arritmias cardíacas em profusão, mas o conteúdo das reações, já ai, era alegre, feérico, extasiante.

Isso ai, minha gente! A crônica futebolística dá conta, constantemente de que um jogo de futebol, do ponto de vista dos brasileiros de todas as classes, profissões, etnias e crenças, não é apenas, simplesmente, um jogo de futebol. É uma interpretação única, singular, sem comparações com o que costuma rolar noutras paragens deste planeta azul, do jeito de ser, criativo, imaginoso, contagiante, conciliador do povo. No caso, do nosso povo brasileiro. O futebol, ato esportivo repleto de significados antropológicos, é uma expressão lídima da alma das ruas.
É uma afirmação robusta da integração nacional, de nossa identidade cultural. Um soberbo agente de confraternidade.

É eclosão de sentimentos genuinamente brasileiros. Revela o povo em pleno esforço de criatividade. Um povo que deixa à mostra, nessa pujante modalidade de manifestação cultural, suas grandes qualidades, até mesmo seus defeitos, suas virtualidades, sua percepção atilada e altruísta da aventura humana. Palavra de leão!


Invocação a Deus
  
“A serenidade de Deus está presente
nas coisas que fazemos juntos.”
(Provérbio popular)

A “Invocação a Deus” abre todas as assembléias promovidas pelo Lions Clube. Trata-se de uma mensagem de fundo espiritual e humanístico onde são traduzidos os sentimentos que embalam as ações do movimento leonistico no sentido da construção humana.

Na celebração deste ano, vivida festivamente agora em outubro, da “Semana Mundial do Serviço Leonistico”, a acadêmica Marilene Guzella Martins Lemos e a Companheira Leão Neuza Ribeiro Viana brindaram o público com magistrais “Invocações” nas duas principais assembléias constantes da programação.

Pelos edificantes conceitos emitidos, ambas as manifestações merecem ser conhecidas por parte de um número mais elevado de pessoas. Daí a razão de havermos optado pela reprodução dos textos lidos neste espaço.

Assim falou Marilene: “Quando invocamos a presença de Deus para abençoar esta cerimônia, ponto alto da Semana Mundial do Serviço Lonístico, que neste ano usa o lema “Futebol, Alegria do Povo”, podemos sentir orgulho. Os dois principais times mineiros estão lá no alto.
Muitas vezes nos chamaram de “País do Carnaval e País do Futebol”.
Somos isso, isso e muito mais, caminhamos bem no desenvolvimento de vários setores, mas, se carnaval e futebol encontraram no Brasil a pátria ideal é porque seu povo, fruto de um maravilhoso caldeamento de etnias, mantém, apesar de todos os percalços, uma inigualável alegria de viver.
Preferimos o apito das escolas de samba aos apitos de sirenes e fumaça dos fogos de artifício a fumaça de bombas.
Peçamos a Deus: Que no próximo ano, quando acolhermos os jogadores para a Copa do Mundo, possamos divulgar a mensagem de que os países devem se enfrentar apenas nas quadras de esporte e que as supremacias se limitem ao resultado de um placar.
Que os tratados de paz sejam as trocas de camisas e a derrota represente apenas a frustração de ver outros levantarem o caneco.
Que os feridos dessa guerra se curem com mercúrio nas esfoliações.
Que os custos da derrota sejam investimentos em formação de atletas e os rancores e retaliações se traduzam em preparação para o certame seguinte.
Agradecemos, Senhor, e que assim seja!”

Assim falou Neuza: “Agradecemos, Senhor, pela grandiosidade e magia deste encontro, pelo seu significado, pela nobreza do serviço leonístico e pela profunda solidariedade que envolve os propósitos de nossos caminhos.
Senhor Deus, abra sobre nós o brilho de sua luz; abra sobre nós o manto de sua segurança, da perseverança, do perdão e do aconchego. Que possamos aprender a orar pedindo um coração aberto e disposto a servi. Que possamos nos render à direção do Espírito ao lidar com o nosso próximo, com as circunstâncias e com as decisões que tomamos no decorrer de nosso trabalho em Lions. Que nossa presença evoque esperança, que nossas mãos tenham o dom de realizar boas obras, de acolher, de afagar o desvalido, e assim doando serviços, ganharmos vida.
Senhor, que a comemoração da Semana Mundial do Serviço Leonístico seja a celebração do servir, a celebração de companheiros fortes, unidos e imantados na lei maior do amor.
Abençoe nossa Governadoria, os Clubes do Distrito LC-4 e nossa Academia Mineira de Leonismo. Abençoe ricamente os homenageados deste magno evento, alcançando todos aqueles da direção e da atividade desta paixão contagiante: “Futebol, alegria do povo”. Faça com que essa magnífica energia abrace a vida e seja sempre para a construção do bem, da paz e da concórdia.
Enfim, Senhor, permaneça na justiça e na fé com os que, de coração puro, invocam o seu santo nome. Assim seja!”


A SAGA LANDELL MOURA

Nestes tempos de coronavírus Cesar Vanucci “Brasília poderia ter sido (desde o começo da pandemia) uma fonte de informações e de...