quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

CONVITE AOS AMIGOS DO BLOG





Nos tempos do 
lança-perfume

Cesar Vanucci

“Carnaval, uma tradição venerável, uma festividade adorada que tem a significação de um desafogo na existência árida do brasileiro.”
(Gilberto Amado)

A proximidade do chamado “tríduo momesco” – expressão, diga-se de passagem, inadequada para definir a folia de mês inteiro que estremece hoje os redutos baianos – cria ensancha oportunosa (como era hábito dizer-se em tempos de antigamente) para relembrar carnavais que passaram.

Vai ter quem reclame, por certo, da postura saudosista deste escriba. Mas nem por isso – tá bem? - vou deixar de dizer que os carnavais de outrora, dos bons e irrecuperáveis tempos de uma juventude já transitada em julgado, eram infinitamente mais joviais e prazerosos. A alegria rolava solta, em clima de total descontraimento, em salões decorados com esmero na base da serpentina, balões, máscaras, figuras de cartolina, bonecos sustentados em estruturas de madeira, com farto emprego de papel machê, tinta, algodão e lantejoulas.

A esmagadora maioria dos foliões, incluídas aí patotas familiares inteiras, fazia dos clubes o centro preferencial de diversão no período dos festejos. Os arrelientos, com seus excessos cervejeiros, estragavam, por vezes, o prazer alheio. Mas, para a tranquilidade geral, não passavam, na verdade, com suas aprontações barulhentas, de uma minoria. Manjados por todos, eram, tanto quanto possível, mantidos à distância nas evoluções graciosas, ao som da batucada, dos pares e blocos pelas pistas dançantes. Um montão de gente, abstêmios de berço, participava dos folguedos sem ingerir, ao longo dos quatro dias, uma gota sequer de bebida alcoólica. O que não os impedia de competir em animação com a majoritária parcela dos que vertiam bebida com moderação, como é recomendado hoje, de pura mentirinha, em tudo quanto é intervalo de tevê, na tradicional litigância publicitária das cervejarias.

Naqueles tempos ainda – e a revelação, como já comprovei é de molde a espantar os mais moços - nenhum carnavalesco que se prezasse abria mão de trazer ao alcance, para pronto uso, o seu tubo de lança-perfume. De vidro ou metálico. Borrifar com jato de perfume um conhecido equivalia a uma saudação amistosa. Alvejar os cabelos ou o colo de uma jovem com um esguicho, acompanhando a cadência bonita do samba, representava forma galante de exprimir simpatia e afetividade. Não ocorria a ninguém, obviamente, o temor de vir a ser acusado de assédio por conta desse inocente procedimento. Ficava-se a aguardar pelo esguicho de volta, um sinal promissor de correspondência. A bisnaga perfumada era considerada, assim, imprescindível dentre os apetrechos carnavalescos. Tanto quanto a fantasia, o confete, a serpentina. Entrava e saia carnaval, e de nenhuma voz autorizada se fazia ouvir qualquer tipo de advertência relativa à insuspeitada toxidade do produto. Não passava pela cabeça de qualquer vivente a “extravagante” ideia de que o lança-perfume pudesse, em algum momento, ser equiparado a drogas da pesada, capazes de provocarem dependência química. A visão que dele se tinha, de modo geral, era de um brinquedo divertido, para adultos e crianças. Nas matinês, a meninada trazia, pendurado na cintura ou preso nas mãos, seu tubo de lança-perfume. Jogar perfume nos outros tinha tudo a ver com o espírito da festa. Só mesmo imperícia no manejo do artefato produzia um que outro inesperado transtorno. Quando, por exemplo, se atingia, inadvertidamente, o olho do freguês, em lugar de outra parte do corpo imune ao ardor incômodo do líquido.

A invenção de moda de embeber o conteúdo dos frascos em lenço, mode que aspirá-lo, demorou um tempão para chegar aos salões. A raridade desse tipo de ocorrência recorda-me um “quebra pau”, prontamente dissolvido pela turma do “deixa disso”, envolvendo personagens conhecidos na vida pública. Contrariando a regra escrupulosamente seguida por todo mundo, eles andaram cheirando, prolongadamente, a ponto de dar vexame, o lenço encharcado de perfume. Acabaram se estranhando no auge da vibração. O episódio ficou de tal forma gravado na lembrança do lugar, que chegou a ser citado como referência de algo indesejável até mesmo, dois ou três anos depois, nos preparativos de outras festividades carnavalescas. Acrescente-se, a bem da verdade, que os belicosos foliões, responsáveis pela infringência das regras, tomaram “chá de sumiço” nos carnavais seguintes, sentindo-se no mínimo constrangidos com relação ao malfeito praticado.

Então, tem ou não tem aqui razão o neto de vó Carlota, quando afirma, carregado de certezas, que os carnavais de antigamente eram bem mais bacanas e prazenteiros?

LIONS 
NA PASSARELA DO SAMBA


O Companheiro Leão José Castro, conhecido na carinhosa convivência dos amigos pelo apelido de “Zé do Pedal”, dinâmico presidente do valoroso Lions Clube de Viçosa, encaminhou-nos o material que temos a satisfação de agora reproduzir neste blog. O assunto focalizado é a simpática homenagem que uma Escola de Samba de São Paulo vai prestar, no próximo desfile carnavalesco, ao nosso Lions Clube Internacional pelo transcurso de seu centenário de realizações em favor da causa do bem-estar social.


Escola de Samba Leandro de Itaquera homenageia 
Lions Clube em seu centenário

Quando o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Leandro de Itaquera, do grupo de acesso do carnaval paulistano, entrar na avenida no dia 11 de fevereiro, estará levando muito mais que um samba enredo para a passarela do samba em busca de voltar à elite do carnaval paulistano. A escola estará levando para o Anhembi a história dos 100 anos de serviço voluntário do Lions Clube, o maior Clube de serviço do Mundo, com mais de 1.4 milhões de associados e presente em mais de 210 países e áreas geográficas.

A ideia de homenagear o Lions Clube em seu centenário surgiu em uma reunião entre os amigos da  Velha Guarda da escola: Elias Aracati, Paulinho da Leandro e Valdir Cassoli que levaram a ideia para o Presidente da Escola, o qual depois de diversas reuniões com o governador do Distrito LC2, Rubens Mesadri, foi autorizado, pela sede internacional de Lions Clube, a realizar a homenagem.

Sob a direção do carnavalesco Orlando Júnior, muito conhecido no carnaval tanto de SP quanto no RJ, foi definido o tema a ser levado pra avenida “A celebração da solidariedade no mundo - onde há uma necessidade, há um Leão”. O samba enredo vencedor foi desenvolvido pelos compositores André Ricardo, Elias Aracati, Guilherme Napoleão, Jiva Velha Guarda, Jorge Musa, Luciane Albuquerque, Mauro Lúcio, Moacir Oliveira, Paulinho da Leandro, Rogerio Papa, Silvio Branco e Valdir Cassoli, e teve como base a sinopse (documentos no qual o carnavalesco desenvolve o enredo no desfile).

A escola irá para a avenida com 19 alas, incluído bateria, velha guarda, ala de passistas, todas elas com quase 60 componentes, muitos deles membros do Lions Clube oriundos de todo o Brasil, entre eles ex-Governadores, Governadores, a pré-candidata a terceiro Vice Presidente de Lions Clube Internacional, PID Rosane Teresinha Jahnke, e o ativista mineiro José Geraldo de Souza Castro, Zé do Pedal, 60, presidente do Lions Clube de Viçosa e pré-candidato a segundo Vice Governador do Distrito L-C12, que foi convidado pela Leandro de Itaquera para ser Padrinho da Ala Roda Viva (primeira ala em escola de samba no Brasil formada exclusivamente por pessoa com deficiência). O convite foi feito, após a diretoria conhecer o projeto “Extremas Fronteiras – Barreiras Extremas” (Cruzada pela Acessibilidade), no qual Zé do Pedal caminhou 10.700km, dando aproximadamente 15 milhões de passos, empurrando uma cadeira de rodas, desde Uiramutã (RR), Fronteira norte do Brasil com a Venezuela e passando 20 estados brasileiros até o  Chuí – RS, tendo como objetivo chamar a atenção sobre um dos principais problemas que afeta a pessoa com deficiência: as barreiras arquitetônicas.

Saiba mais:
Escola de Samba Leandro de Itaquera
Localizado no bairro de Itaquera, Zona Leste da cidade de São Paulo e fundado em 3 de março de 1982, o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Leandro de Itaquera surgiu quando Karen, durante sua festa de aniversário, pediu a seu pai, Leandro Alves Martins, fundador e atual presidente, uma escola de samba de presente.
Para transformar o sonho de Karen em realidade, bastou apenas uma reunião de “seu Leandro” com alguns amigos sambistas, para a fundação da Escola de Samba Leandro de Itaquera, que tem como símbolo o Leão, representando força e liderança. O nome da escola, que tem como cores oficiais o vermelho (garra) e o branco (paz), é uma justa homenagem a Seu Leandro.
Em 1988, seis anos após sua fundação, a Leandro de Itaquera já vencia o Grupo 1, classificando-se para a primeira divisão do samba em 1989. A constante preocupação desde sua fundação, com a história, cultura e meio ambiente, a Leandro de Itaquera levou para a Avenida importantes temas cujo conteúdo permitiu à escola estar sempre em lugar de destaque, como por exemplo "Babalotim", interpretado por Eliana de Lima e a bateria comandada por Mestre Lagrila, um dos grandes nomes entre os ritmistas da cidade
Em 1990 a Leandro homenageou seu bairro, Itaquera, e após desfilar sob forte chuva, classificou-se em quinto lugar entre dez escolas, ficando atrás de Camisa, Rosas, Peruche e Vai-Vai e um ano depois, obtinha sua melhor classificação, ficando em quarto lugar, com o enredo "Querem Acabar Comigo", que criticava a exploração das riquezas naturais brasileiras, e em 1994 conquistava o quinto lugar com o enredo, "Tietê - Um Rio de Verdade", colocação que se repetiu em 1999.
Em 2004, nas comemorações dos 450 anos da cidade de São Paulo, a escola inovou ao trazer para a avenida duas baterias, sob o comando de Mestre Adamastor. Os dois grupos revezavam-se ao longo da avenida, com algumas convenções em que ambos se apresentavam ao mesmo tempo.
Em 2007, no desfile em que comemorava e cantava seu jubileu de prata, a Leandro de Itaquera surpreendeu ao público trazendo na comissão de frente o próprio presidente da escola, Seu Leandro. Na coreografia, que contava a história da fundação da escola, o presidente contracenava com a neta, Ariani, que interpretava a tia, Karin, e no ano seguinte, com um enredo falando sobre a Revolta dos Malês, conquistou o vice-campeonato do grupo de acesso, voltando ao Grupo Especial em 2009.
No carnaval de 2009, a escola decidiu homenagear a atriz e comediante Regina Casé, com o enredo: "Leandro de Itaquera faz a festa da periferia. Salve salve, nossa rainha Regina Casé"
Em 2010, homenageou suas próprias cores: "Sob um manto de amor e paz, sou Leandro de Itaquera desfilando o Vermelho e Branco no meu carnaval", o samba enredo foi interpretado por Sandra de Sá e a escola contou a importância das cores vermelho e branco, retratando o período da era cristã, quando os reis demonstravam poder através da cor vermelho. Mostrou a importância das cores nas religiões africanas e deu destaque aos símbolos do mundo em vermelho e branco.
Em 2012 a Leandro trouxe novamente o Meio Ambiente, contratando o carnavalesco Orlando Júnior, que era carnavalesco da Tradição escola do Rio De Janeiro
Em 2013, veio com um enredo afro O leão guerreiro mostra a sua força! É a garra e a bravura do negro no quilombo da Leandro de Itaquera desfilou com todo seu alto astral e a sua garra como é de costume. Na apuração se consagrou Vice-campeã, levando nota máxima em quatro dos nove quesitos, Alegoria, Harmonia, Samba Enredo e M.S.P.B, conseguindo a vaga vitoriosamente para o Grupo Especial no ano seguinte.
Em 2014 a escola da Zona Leste  abriu os desfiles de sexta-feira do grupo especial com um enredo que abordou o futebol e a Copa do Mundo FIFA de 2014, a agremiação apresentou um samba enredo animado que contagiou o Anhembi porém, durante o seu desfile pegou uma forte tempestade de granizo, comprometendo  diversos quesitos como Evolução,  fantasia e bateria o que foi inevitável a sua queda para o grupo de acesso
De volta ao Grupo de Acesso em 2015, a Leandro voltou com os temas de enredo afros "Invencível" com abordagem no legado deixado por Nelson Mandela, um dos mais respeitados líderes morais e políticos do mundo, com um enredo desenvolvido pelo carnavalesco Marco Aurélio Ruffinn. Com um desfile empolgante, a agremiação brigaria pelo título, porém o Leão teve que contentar-se apenas com a 4° colocação.
Em 2016, a Leandro apresentou o enredo "Rainhas de todos nós, mulheres guerreiras! Ê, Baiana... Com suas bênçãos, a Leandro conta sua história e celebra o centenário do samba". Apesar da garra da comunidade, o desfile foi aquém do que se esperava. Na apuração, a escola chegou a frequentar a zona de rebaixamento, mas acabou terminando em 6° lugar.
Para o carnaval de 2017, a escola fez uma reedição de "Babalotim - A história dos Afoxés", enredo apresentado no carnaval de 1989, ano em que a agremiação estreou no Grupo Especial.

Saiba mais:
Lions Clube
 A Associação Internacional de Lions Clubes começou, em 1917, como um ideal de Melvin Jones, empresário de Chicago.
Ele acreditava que os clubes locais de homens de negócios deveriam ampliar seus horizontes, deixando as preocupações de ordem estritamente profissional, interessando-se na melhoria de suas comunidades e do mundo em geral.
Três anos após a sua organização, a associação se tornou internacional quando, em 1920, se fundou o primeiro clube no Canadá. Durante as décadas de 1950 e 1960, a expansão internacional continuou à medida que clubes foram organizados, principalmente na Europa, Ásia e África.
Na atualidade, a associação conta com mais de 1,4 milhão de homens e mulheres em 45.000 clubes localizados em 205 países e áreas geográficas.
Em 1925 o Lions aceitou o desafio de Helen Keller, lançado em seu discurso aos membros do clube de serviço na convenção internacional em Cedar Point, Ohio, EUA, quando os desafiou a se tornarem os “paladinos dos cegos na cruzada contra a escuridão”. A partir deste momento, os Lions clubes têm se envolvido ativamente no serviço em prol dos cegos e deficientes visuais.
Ampliando o seu papel no campo da compreensão internacional, a associação ajudou em 1945 as Nações Unidas a estabelecer as seções das Organizações Não-Governamentais e continua a manter o seu status de consultor perante esta organização.
Em 1990 os Leões lançaram a sua mais enérgica ofensiva para a conservação da visão, o Programa SightFirst. Este programa, de pensamento Global e atuação Local, procura livrar o mundo da cegueira evitável e reversível, assistindo aos serviços de cuidados da saúde que estão desesperadamente carecendo de atenção.

Além dos programas em prol da visão, o Lions Clubes Internacional se comprometeu a proporcionar serviços aos jovens. Os Lions clubes também se empenham na melhoria das condições do meio ambiente, construção de habitações para deficientes, conscientização acerca da diabete, programas para o deficiente auditivo e, através da sua fundação, prestam ajuda às vítimas de catástrofes em todo o mundo.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Programação 
cultural fecunda

Cesar Vanucci

“A cultura é ampliação da mente e do espírito.”
(Nehru, pensador indiano)

A boa aquisição cultural consiste na tomada de conhecimento daquilo que de melhor o espírito humano consegue projetar. Estribados em tal premissa os participantes das assembleias da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais (Amulmig) têm vivenciado instantes de enriquecedora fruição literária e artística em seus rotineiros encontros intelectuais. Acontece que a programação das tardes de terça-feira na respeitada instituição é sempre sublinhada por requintado teor humanístico.

O aprazível recanto localizado no Alto das Mangabeiras, em logradouro que traz o nome de escritor afamado (Agripa de Vasconcelos) – prédio que pertenceu ao inolvidável estadista JK, integrante da primeira ilustre leva de acadêmicos, e que conserva nas paredes traços arquitetônicos saídos da prancheta criativa de Niemeyer -, acolhe sempre público vibrante, apto a exercitar, nas duas horas de duração das reuniões, proveitoso intercâmbio de ideias.

Breve recapitulação das acontecências culturais da Amulmig no ano de 2017 comprova esplendidamente o que acaba de ser dito. O “Dia da Mulher” e o “Dia da Poesia” foram foco de movimentada tertúlia literária coordenada magistralmente pela escritora Maria Inês Marreco. Noutra ocasião, dominada por atmosfera bem descontraída, a escritora Marilene Guzella M. Lemos relembrou “os velhos carnavais” em aplaudida exposição. A importância do livro infantil na formação cultural mereceu destaque em evento que congregou talentosas intervenções de numerosos acadêmicos, vários deles com obras nessa área da criação artística. Maria Armanda Capelão encarregou-se esplendidamente da exposição central. Lucília Cândida Sobrinho comentou a obra de La Fontaine. Altair Andrade de Pinho reportou-se aos trabalhos de Charles Perrault. Ângela Ferreira Togeiro focalizou os livros dos Irmãos Grimm. De uma análise das criações de Hans Christian Andersen encarregou-se Ismaília de Moura Nunes, enquanto João Quintino Silva discorreu sobre Lewis Carroll e Tânia Mara Costa Leite sobre Monteiro Lobato.

O “Mártir da Inconfidência” foi o título de excelente palestra proferida por João Bosco de Castro, na celebração da “Semana da Inconfidência”. O Desembargador Federal do Tribunal Regional do Trabalho, Antônio Álvares da Silva, fez substancioso pronunciamento sobre “A Legislação Trabalhista no Brasil” em assembleia destinada a comemorar o “Dia do Trabalho”. Cesar Vanucci, noutra reunião, abordou o tema “O idioma como expressão da cultura brasileira”. Em palestra rica de conceitos e informações antropológicas, a professora Regina Bessa discorreu sobre a “Oralidade e Escrita no Brasil”. O acadêmico Rogério de Faria Tavares retratou, com elogiável fluência verbal, flagrantes altamente sugestivos da vida e obra de Antônio Avelino Fóscolo.

No magnífico encontro destinado a celebrar o “Dia das Mães”, a “Mãe do Ano Amulmig 2017”, Marilene Guzella Martins Lemos, falou, com a costumeira eloquência, sobre “Os arquétipos das deusas mães de povos primitivos”. A teóloga Marlene Vieira Chaves de Andrade, na sequência, discorreu brilhantemente sobre “A totalidade que anima a sociedade humana, a transcendência de Deus, a esperança e a desesperança diante do quadro em que vivemos”.

Os tradicionais festejos juninos inspiraram outro evento expressivo do ponto de vista cultural na programação da Amulmig. Lucília Cândida Sobrinho encarregou-se da apresentação de atraente trabalho sobre o sentido cultural dessas manifestações. Grupo folclórico da cidade de Luz, coordenado pela acadêmica Cândida Correa Costa, emoldurou a reunião com lindos números artísticos típicos.

Cabe enfatizar, a bem da verdade, que todos esses acontecimentos alusivos à programação cumprida pela Amulmig no primeiro semestre acusaram concorrida participação de acadêmicos e convidados. As exposições motivaram interessantes debates, incorporando revelações, dados, informações preciosas aos trabalhos focalizados.

A fecundidade das ações empreendidas pela Amulmig, entidade que desempenha exemplarmente sua missão como guardiã serena de saberes acumulados, é de molde a  inspirar um registro complementar, concernente aos eventos ocorridos no segundo semestre.

Fica para a próxima crônica.


Cultura, fonte de 
alegria e beleza

Cesar Vanucci

“Quando ouço alguém falar em cultura, puxo do meu revólver!”
(Hermann Goring, dirigente nazista)


Historiadores atribuem a Hermann Goring a frase que se segue: “Quando ouço alguém falar em cultura, puxo do meu revólver!” Louis Pauwells, um pensador que soube interpretar com exatidão, em poéticos voos condoreiros pelos infindáveis domínios da imaginação, a fascinante - posto que conturbada  - aventura humana, tomou conhecimento da boçal vociferação do chefe nazista, redarguindo com esta lapidar exclamação: “Quando me falam em revólver, puxo a minha cultura!”

Estes conflitantes conceitos retratam entrechoque que vara os tempos. De um lado, colocam-se os que proclamam, alto e bom som, a primazia dos atributos culturais no comportamento cotidiano. No lado oposto ficam os que, egoisticamente, reféns de empedernido utilitarismo, consideram as manifestações culturais “coisa tal qual, que sem ela a gente vive tal qual.” Estes últimos, enfurnados em mesquinho individualismo, enxergam a cultura como artigo supérfluo. Pouco se importando com o atestado de supina ignorância que, por conta disso, se lhes é agregado ao currículo, desconhecem ser a cultura instrumento prioritário. Melhor dizendo, um impulso vital no processo de conscientização das coisas do mundo. E, ainda, fonte de alegria e beleza.

Trago, com claro intuito, estas reflexões à apreciação do culto leitorado no momento em que dou continuidade ao relato acerca das efervescentes atividades culturais desenvolvidas pela Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais. Faço questão de enfatizar que, a exemplo de outras valorosas e, mercê de Deus, numerosas instituições consagradas à difusão da cultura, a Amulmig cumpre esplendidamente a missão de explicar que a cultura é uma necessidade imprescindível de toda a vida. É uma dimensão constitutiva da existência humana, como magistralmente assinala Ortega y Gasset, pensador universal que viveu entre 1883 e 1955.

Recapitulando os eventos significativos de 2017 anotemos, primeiramente, que sete intelectuais de realçante presença na cena mineira passaram a integrar os quadros acadêmicos: Tânia Mara Costa Leite, Maria Inês Chaves de Andrade, Rogério Faria Tavares, João Bosco de Castro, Martha Tavares Pezzini, Ignez Montepulciano e José Alberto Barreto. As assembleias de recepção revestiram-se de grande brilhantismo. Como é da tradição, a Academia homenageou o “Pai do Ano”. A carinhosa manifestação de apreço recaiu na pessoa do decano da casa, Jair Barbosa da Costa. Este mesmo acadêmico proferiu, noutro momento, uma bela palestra focalizando a opulenta literatura portuguesa, com realce para a vida e obra de Luís Vaz de Camões. “Na comemoração da “Semana da Pátria” a acadêmica Tania Mara Costa Leite reportou-se, em aplaudida palestra, a descrever traços comportamentais e culturais característicos da gente brasileira.

“A vida e obra do escritor Júlio Diniz” foi tema de palestra, noutro encontro rodeado de entusiasmo, por parte da acadêmica Ismaília de Moura Nunes. Leslie Ceoto Deslandes abordou, em sugestiva exposição, o tema “Saúde: promoção e prevenção”. Outros trabalhos que despertaram grande interesse do público, em diferentes reuniões, tiveram como autores Lucília Cândida Sobrinho, que falou sobre “Poesia e Folclore”; Rogério Faria Tavares, que expendeu comentário sobre “A vida e obra de Alfredo Caramatti”; e Almira Guaracy Rebêlo, que analisou a trajetória literária da poeta portuguesa Virgínia Victorino.

Como existem outros expressivos registros a serem feitos a respeito da pujante ação cultural empreendida pela Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, deixo para artigo vindouro a complementação deste sintético e singelo relato que me dispus a registrar neste acolhedor espaço. Estou consciente do significado relevante que a  divulgação de fatos positivos representa nesta fase da caminhada cotidiana sacudida por tanto desatino e ignorância.

Cultura gera vida

Cesar Vanucci

“A vida se vive e se escreve.”
(Pirandello)

A cultura concorre para que se mantenha sempre ativado o compromisso das pessoas com a verdade. Deduz-se daí, então, que ao fomentar alegria e beleza a cultura gera vida em abundância. Na concepção acadêmica, um mimoso conceito de Pirandello merece ser acatado como proposta ideal para boa performance intelectual: “A vida se vive e se escreve”.

As instituições seriamente engajadas na divulgação da cultura, constituindo estuário pujante do pensamento humanístico, conferem à palavra, bem como a outras modalidades de expressão da inteligência, valor essencial em suas iniciativas. Entendem muito bem que a palavra é “pura magia e dona do coração” e, por esse motivo, “rege e conduz a alma”, como assegura magistralmente Ronsard em suas “Elegias”.

As considerações alinhavadas servem para realçar, uma vez mais, o relevante papel desempenhado por um instituto cultural no panorama comunitário. Caso, sem tirar nem por, da nossa Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, que desenvolve, como já dito pratrazmente, labor fecundo permanente, com um sem número de promoções, na esfera de atuação que lhe toca, em favor da cultura brasileira e da cultura universal.

Complementando agora as informações sobre o trabalho levado a cabo pelos integrantes da Amulmig, anotamos mais um conjunto de eventos e empreitadas expressivas no período assinalado. No curso de uma assembleia dedicada à celebração da data de “São Francisco de Assis”, padroeiro da organização, aconteceu também a sessão solene de proclamação dos resultados dos concursos literários patrocinados em 2017. Essas promoções atraíram centenas de concorrentes, de todas as partes do país e até mesmo do exterior. As criações literárias avaliadas pelas comissões julgadoras, compostas de acadêmicos, foram consideradas de nível excelente.

Focalizando o centenário da Associação Internacional de Lions Clubes, a comunidade acadêmica recepcionou condignamente integrantes do movimento leonístico mineiro. Foi ressaltado na manifestação que o Lions Clube, presente em 220 países, reunindo milhões de associados, tendo assento permanente na Unesco e operacionalizando estupenda obra social no Brasil e em Minas, é o maior clube de serviços do mundo em participação de voluntários.

Um outro encontro serviu para que fosse prestado emocionante preito de saudade à memória de duas ilustres acadêmicas que “partiram primeiro” em 2017: Jacy Gomes Romeiro e Cely Vilhena Falabella. A tradicional comemoração natalina, rodeada de invulgar brilhantismo, enfeixando manifestações de rico conteúdo espiritual e artístico, foi mais um acontecimento realçante na programação da Amulmig. Durante o ato reservou-se espaço especial para uma homenagem à memória do saudoso acadêmico Theresino Caldeira Brant, que estaria completando 100 anos de existência, se ainda entre nós.

As assembleias levadas a efeito na Amulmig propiciaram oportunidade para a apresentação de estudos e textos de apreciável teor literário. Inspiraram movimentados debates em torno de momentosos temas da vida contemporânea. Entre outras questões suscitadas, envoltas sempre em frutífero intercâmbio de ideias, ganharam destaque os seguintes itens: a ameaça à soberania nacional representada pelas contínuas propostas, nos altos escalões do poder mundial, de internacionalização da Amazônia; a defesa dos postulados democráticos e dos procedimentos éticos na condução dos negócios da Nação; o respeito aos direitos humanos e aos direitos sociais; o reconhecimento de que a paz mundial e o bem-estar humano se alicerçam na prosperidade econômica e na superação dos angustiantes problemas provocados pelas desigualdades sociais.

As reuniões das terças-feiras da Amulmig foram também marcadas, em 2017, pela presença esfusiante de colaboradores entusiastas, ligados a atividades artísticas. Cabe aí menção para grupo folclórico do município de Luz e para o tenor Marzo Sette Torres. Suas intervenções na programação cumprida foram constantes, arrancando sempre calorosos aplausos.


Este singelo relato da atuação da Amulmig comporta ainda outras anotações significativas. Liderando vibrantes ações da grei acadêmica, Elizabeth Rennó e Luiz Carlos Abritta, presidentes eméritos, contribuíram decisivamente para os bons resultados atingidos. Os livros lançados, ano passado, por integrantes do quadro de associados da instituição, dão para compor razoável biblioteca.

sábado, 20 de janeiro de 2018

O nazismo e a 

“supressão da história”


Cesar Vanucci

“A nossa revolução é uma nova etapa, ou antes, 
a etapa definitiva da evolução que conduz à supressão da história.”
(Adolf Hitler)

Tanto quanto está dando para perceber, levando-se em conta registros dos órgãos de comunicação social, internet obviamente incluída, muitas das manifestações extremadas, de bolorento teor ultraconservador, que volta e meia irrompem na cena pública em diferentes partes – o Brasil não fica fora -, são de inocultável inspiração nazista.

Nalgumas situações já não há nem mesmo preocupação com disfarces ideológicos. A terceira força política mais poderosa da Alemanha nos dias de hoje é declaradamente hitlerista.  Os “supremacistas brancos” dos Estados Unidos não fazem por menos. O desconhecimento de causa pode arrastar muita gente, sobretudo em camadas mais jovens, como aconteceu com a grande maioria da população alemã nos anos 30, a se deixar seduzir pela cantilena perversa dos cultores da sinistra suástica. Ou seja, tomar-se de insano entusiasmo por uma pregação ancorada em falsos conceitos nacionalistas, falso humanismo, falso moralismo. Ver a bandeira nazista desfraldada, como se viu agora na campanha eleitoral alemã e em manifestações dos tais “supremacistas  brancos” nos Estados Unidos, provoca – como não? - calafrios na espinha. Adolf Hitler e sua horda de fanáticos desencadearam a maior tragédia da história humana. Conhecer, com o salutar fito de abominá-las, as ideias do tenebroso personagem é algo muito importante nestes instantes confusos atravessados pela civilização. Aqui dentro e lá fora.

O pintor frustrado que se tornou dirigente político poderosíssimo, a ponto de poder influenciar os rumos da história, foi responsável pelos mais hediondos crimes de lesa humanidade jamais praticados, desde que o mundo se reconhece mundo. Uma faceta menos explorada da personalidade de Adolf Hitler revela-nos, instigantemente, o comprometimento visceral do líder nazista, desde os começos de sua trajetória política, com tresloucados conceitos e ações de cunho místico. É dali que emerge sua convicção pessoal insana, compartilhada com devoção por alucinados seguidores, do papel messiânico que o destino lhe estaria reservando O “Fuhrer” se apresenta e é aceito pela sociedade alemã como o homem capaz de redimir a sua gente. Nas furibundas manifestações em que deixa entrevista sua paranoica exaltação mística, ele se coloca na condução de um movimento diferente, sem similar em época alguma, para que possa executar “missão redentora”...

Num estudo em que assestam a claridade dos holofotes sobre as raízes da “filosofia hitleriana”, apropriadamente classificada de luciferina, os pensadores Jacques Bergier e Louis Pauwells mostram que a ambição e a “sagrada missão” de que o mesmo se acreditava investido ultrapassaram infinitamente os domínios da política e do patriotismo. Dão a palavra a Hitler para uma melhor explicação dessa assertiva: “A ideia de nação – diz lá o “Fuhrer” – tive de me servir dela por razões de oportunidade, mas já sabia que ela não podia ter mais do que um valor provisório. Dia virá em que pouca coisa restará, mesmo aqui na Alemanha, daquilo que chamamos o nacionalismo. O que haverá no mundo será uma confraria universal dos mestres e dos senhores.”
  

Ainda o fundamentalismo nazista


Cesar Vanucci

“A propaganda não pode servir à verdade, especialmente
 quando possa salientar algo favorável ao oponente.”
(Adolf Hitler)


Uma frase: “Quanto maior a mentira, maior é a chance de ela ser acreditada.” Outra frase: “A propaganda não pode servir à verdade, especialmente quando possa salientar algo favorável ao oponente.”

Ambas as frases são de Adolf Hitler. Foram extraídas do “Mein Kampf” (“Minha Luta”), a “bíblia” nazista escrita por um cidadão que se acreditava provido de poderes “messiânicos” em sua tresloucada aventura de contaminar a história com hediondas teses racistas, xenófobas e radicais.

A retórica desse famigerado dirigente político que conseguiu, num dado instante da trajetória humana, eletrizar vários milhões de fanáticos adeptos com alucinatória pregação voltada para a “supressão da história”, não consistia em mero jogo de palavras. Representava convocação pronta para atos belicosos, posturas virulentas, gestos hostis, sem tréguas, na base da doutrina do “crê ou morre”. Em suas delirantes elucubrações, ele imaginava uma confraria universal conduzida por “mestres” e “senhores”. A esse poder imperial absoluto seria submetida, em condições de vassalagem, toda a sociedade humana. O processo previa a eliminação das “reconhecidas raças inferiores”. Auschwitz e outros centros de extermínio confirmaram tenebrosamente essa conceituação luciferina do nazismo.

Hitler deixou evidenciado que a política convencional significou apenas, em sua “missão redentora”, uma mera manifestação externa. Reduziu-se a instrumento de aplicação prática e momentânea de uma cartilha de conceitos deformados, de tétrica inspiração esotérica, concernentes às leis da vida. A humanidade seria “aquinhoada”, dentro desse alinhamento de emoções mórbidas, com um destino que os homens comuns não seriam nem de leve capazes de conceber, muito menos suportar. O mundo ficaria reservado apenas a “homens superiores”, naturalmente os da “raça ariana pura”. Seres que ele, Hitler, procurava fervorosamente preservar da “contaminação com seres impuros”, de maneira a garantir supremacia dos “valores prodigiosos” contidos em sua perversa doutrina racial.

Adolf Hitler – as evidências estridentes de seus posicionamentos doutrinários estão aí pra confirmar – foi um fundamentalista extremado. O mais radical de todos, na interpretação das leis espirituais que regem a conduta humana e os fatos sociais que compõem nosso precioso e inalienável patrimônio humanístico. Tinha-se na conta de “vidente” portentoso. Valia-se de conceitos extraídos de pseudociências para demenciais propostas. Contava com o fanatismo apocalíptico de profetas como o austríaco Hans Horbiger, seu guru de cabeceira, e de companheiros tão insanos quanto o chefe, integrantes de sociedades herméticas engajadas na construção de um “admirável mundo novo”, composto de “semideuses”...

Essa condição de fundamentalista desvairado do “pai do nazismo”, perceptível em seus modos de pensar, falar e agir, não pode deixar de ser rememorada nesta hora. Ali e aqui, de modo alarmante, despontam no pedaço numerosos personagens e grupos radicais empenhados em desfraldar as bandeiras ignominiosas da intolerância, do ódio racial e das discriminações e posturas extremadas as mais diversificadas.

Em círculos devotados às práticas humanísticas e espirituais autênticas, onde se bebe inspiração para luta permanente em favor de um mundo melhor, a movimentação deletéria dos radicais é alvo de abominação. Repugna a todos eles – parcela majoritária entre os seres humanos -, vislumbrar em tantas reações fundamentalistas, religiosas ou políticas, da hora atual vestígios da incendiária doutrina nazista.




quinta-feira, 11 de janeiro de 2018


 Cada coisa! (2)

Cesar Vanucci

“Protestamos publicamente (...) e não hesitaremos em promover 
a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos 
envolvidos, caso a ameaça se confirme.”
(Manifestação de governadores nordestinos 
contra declaração estapafúrdia de porta-voz do governo)

Dá cá, toma lá”. Porta-voz do governo, famoso por sua insopitável boquirrotice, informa sem maiores rodeios quais são as “regras” do jogo: pra governador insubmisso, que ouse ficar “contra a gente”, não mais será liberado dindim, nem sob forma de financiamento pra obra de interesse público, por parte da Caixa Econômica, ou de qualquer outro órgão federal. A bravatice gerou crise. Uma crise a mais numa administração assolada por um vendaval delas. Os governadores chiaram. Prometeram revide, via judicial, caso a destemperada ameaça se cristalize. Tá danado!

A “traição”. Gustavo Pedreira Ferraz atuou, anos a fio, com reconhecida competência, como assessor da mais absoluta confiança do trêfego Geddel Vieira Lima, estendendo seus valiosos préstimos a outros componentes do “imaculado” PMDB da Bahia. Por causa disso, chamou grandemente a atenção de todo mundo sua repentina adesão ao controvertido programa da “delação premiada”. A surpresa ficou ainda maior face ao argumento empregado para justificar a inesperada atitude. Dedicado e confiável operador do esquema de arrecadação de propinas instituído em função de incontáveis bandalheiras, ele se confessou amargurado com a “traição” do personagem que tinha como ídolo. Não é que o Geddel resolveu apoderar-se da bufunfa todinha! Escondeu no apartamento em Salvador 52 milhões de reais, quando o combinado era a repartição em “cotas fraternais” da dinheirama arrecadada, com outros ilustres parceiros da corriola...

Camisinha futurista”. Pois é! Quem ousaria supor, algum dia, que uma “invenção dessas” acabaria pintando de repente no pedaço? Os técnicos da empresa britânica “British Condoms” ousaram. Como fruto de suas elucubrações na área da tecnologia de ponta, está na iminência de ser lançado estrepitosamente no mercado um preservativo sexual dotado de inimagináveis “faculdades”. Anotem aí: aquele simples apetrecho de látex, de denominação e serventia impronunciáveis em ambientes regidos, no passado recente, pelos preceitos da moral e dos bons costumes, vendidos de forma semiclandestina numa que outra farmácia, vai se aprestar, em futuro próximo, a coletar incríveis informes relativos às “ações” dos que dele façam uso nas relações íntimas, bem como favorecer ainda o compartilhamento das informações obtidas. Com o emprego de “nano chip” e sensores, as “camisinhas de vênus high tech” (assim apelidadas pelos que a bolaram) recolherão dados e memorizarão as posições diferentes assumidas pelo usuário durante o período de uso. Elas serão “equipadas” com uma “porta micro USB integrada” (seja lá o que isso signifique), mode que garantir conexão - vejam só! - com computador. Ficarão, ao depois de tudo, em condições de poder oferecer, com base em aplicativo inspirado na chamada tecnologia “bluetooth”, as seguintes informações: velocidade dos impulsos, número total de impulsos, frequência das sessões, duração total das sessões, velocidade média de impulsos, diferentes posições adotadas, temperatura média da pele e por aí vai... Os fabricantes estão tendo o cuidado de esclarecer que o inusitado dispositivo não previne gravidez, nem tampouco doenças sexualmente transmissíveis. Tem mais: é para ser usado concomitantemente com “camisinha” convencional. A novidade gerou reações positivas. Membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana disse, no jornal, que o acesso a esse gênero de informações pode se revelar útil à medicina, garantindo diagnósticos mais precisos. Servirá também para melhorar relacionamentos. Ora, veja, pois!

Frases. Num ano de fraseologia política copiosa, dois ditos de enorme repercussão documentam a baita encrenca em que nos achamos atolados. “Tem que manter isso aí”. É o primeiro deles. Proferido pelo Presidente Michel Temer, na célebre conversa secreta gravada com Joesley Batista. “Enquanto houver bambu, vai ter flecha!”, o outro dito. Autor: Rodrigo Janot, ex-Procurador Geral da República.


Cada coisa! (3)

Cesar Vanucci

“Somando-se todos os penduricalhos (...) chega-se a cifras assustadoras.”
(Elio Gáspari, jornalista, comentando as remunerações extra legais de muitos agentes públicos)

Salário mínimo. Um dos numerosos atos recentes que se aprestam a exprimir, de forma magistral, o grau da sensibilidade social dominante nas esferas governamentais que zelam pelos nossos maltratados destinos é o índice instituído para fins de elevação do salário mínimo em 2018. “Beneficiando” incalculável multidão de brasileiros, os 1,81 por cento “generosamente concedidos” garantirão “expressivo” acréscimo de cinquenta centavos na remuneração diária e de dezessete reais no acumulado do mês. Números, reconheçamos, de jeito a desestabilizar emocionalmente o mais impassível e estoico dos seres pensantes, deixando-o mudo e quedo que nem penedo...

Carmo do Cajuru. A pequena e graciosa Carmo do Cajuru, no centro-oeste mineiro, com seus pouco mais de 20 mil habitantes, entrou na história da “Mega da Virada” –maior loteria promovida na América Latina – graças a uma circunstância incrível, fantástica, extraordinária. No espaço de seis anos, o sorteio relativo ao cobiçado prêmio contemplou, pela segunda vez, alguém do lugar, entre 250 milhões de apostadores. Murmurações de rua alimentam especulações em torno da inimaginável hipótese de que os ignotos ganhadores ou ganhador da primeira vez teriam sido novamente aquinhoados pela boa sorte. Se confirmada tão inacreditável suposição, o caso ganharia conotação de fenômeno insólito, a reclamar estudo de especialistas de reconhecido saber no campo das reações comportamentais humanas, sem a exclusão de investigadores dos chamados “temas transcendentes”. Tais investigações são concentradas em fatos inexplicáveis à luz do conhecimento convencional consolidado.

Penduricalhos. Relato de Elio Gáspari, em “O Tempo”, edição de 27 de dezembro passado: “Numa entrevista ao repórter Fausto Macedo, o presidente da Associação de Juízes Federais, Roberto Veloso, defendeu o auxílio moradia de R$4.300 mensais, livres de impostos pagos aos seus pares e procuradores. Uma parte de sua argumentação é sólida, pois se o magistrado ou o procurador é transferido para outra cidade, faz sentido que receba algum auxílio. Quando Macedo levantou o tema do servidor que receber o auxílio tendo casa própria na cidade em que vive há anos, Veloso respondeu que “não há uma ilegalidade no pagamento”. – Eu me referia a uma preocupação de caráter moral, esclareceu Macedo. – Não estamos com essa preocupação, não é uma pauta nossa, respondeu o presidente AJUFE.
Alô, Alô, Brasil! Quando um juiz tem um pleito em nome de sua classe e diz que não se preocupa com a sua moralidade, a coisa está feia. Segundo a Advocacia Geral da União, o auxílio moradia custa um bilhão por ano. Dentro da lei, somando-se todos os penduricalhos dos servidores do Judiciário, da União e dos Estados, chega-se a cifras assustadoras.”

Apetrecho exorbitante. Lá vem a célebre “Apple” com mais um prodigioso invento. Só que, para o consumidor do Brasil da gente, o novo e super-revolucionário modelo de “telefone inteligente” (smartphone) vai custar os olhos da cara. Em plagas alienígenas está sendo vendido nas lojas por preço infinitamente inferior às quase oito mil pratas cobradas por aqui. Difícil pacas entender os critérios adotados pela empresa em sua política de comercialização. O valor atribuído no varejo a esse estupendo artefato eletrônico é superior – manjem só! – à remuneração média percebida por 97% dos assalariados brasileiros. Curioso e também oportuno registrar que o procedimento da “Apple” não timbra pela originalidade na cena mercadológica brasileira. Há um tempão as montadoras de veículos fazem tal qual. Vendem bem mais barato lá fora os veículos fabricados  aqui dentro. Êta nóis...

Notáveis. O “entra e sai” no “Ministério dos Notáveis”, enfaticamente prometido, desde o início da gestão, pelo governo Temer, não cessa. A se levar em conta o que o noticiário nosso de cada dia diz, a maioria dos elementos no exercício das relevantes funções e dos indicados como substitutos pelas legendas da base, ostenta algo em comum, além obviamente da identidade partidária: pendências no cartório.



A FÍSICA QUÂNTICA E O PODER DA ORAÇÃO

Em “O Tempo” (Edição de 9.1.18), a excelente jornalista Ana Elizabeth Diniz publicou extensa reportagem, em sua apreciada página “Esotérico”, sobre o instigante livro “Teoria Quântica e o Segredo da Oração”, de Orestes Debossan Junior, recentemente lançado e praticamente com sua primeira edição já esgotada. Para conhecimento dos leitores do ”Blog do Vanucci” reproduzimos o interessante trabalho.

  
SABEDORIA
Oração está impregnada de vibração quântica
Orestes Debossan Júnior mostra a relação entre ciência e espiritualidade

O terapeuta quântico Orestes Debossan Júnior utiliza os recursos 
da energia quântica para equilibrar e tratar vários males

A física quântica, a ciência das possibilidades, afirma que tudo o que se desejar ter ou fazer está à disposição no mundo vibratório, bastando apenas ser acessado por meio da força mental, da oração.

“Vivemos em um universo em que não existe a matéria no sentido sólido, mas a pura energia. Nesse universo, contamos com todas as possibilidades de realizar algo, mas só materializamos aquilo que estiver na mesma vibração energética que a nossa”, afirma o terapeuta quântico Orestes Debossan Júnior, 61, líder espiritual da Fraternidade Espírita Judith Amélia e dirigente da Clínica de Terapia Quântica.

Ele acaba de lançar o livro “Teoria Quântica e o Segredo da Oração”, fruto de um projeto iniciado em 2015, quando criou um grupo no WhatsApp que chamou de “Corrente do Bem”. Todas as manhãs, ele envia mensagens para incentivar os seguidores a transformarem suas vidas por meio da oração quântica.

“Foi quando recebi orientação de meus mestres espirituais, Samuel Abb Saddan e Carlos Corrêa da Costa, para que transformasse esse material em um livro para que as pessoas pudessem treinar a mente para transformar sonhos em realidade”, comenta o terapeuta.

Debossan Júnior sempre buscou Deus, mas não aceitava aquela divindade bíblica que ficava lá nas alturas, pronta para punir quem cometesse qualquer deslize. Em sua busca espiritual simpatizou com as inteligências filosófica e psicológica de Buda, Sócrates e Jesus, que se tornaram seus mestres há mais de 30 anos, tempo em que atendeu milhares de pessoas.

“A física quântica ensina que existe um campo vibracional em que tudo já está criado. A partir dessa perspectiva, a oração se torna um recurso não para se obter algo, mas para acessar o resultado desejado, que já está criado no mundo quântico. Nada é impossível quando há um desejo sincero, só precisamos estar na mesma sintonia para acessá-lo”, ensina o terapeuta.

Equilíbrio. A chave mestra para que a oração traga resultados é a habilidade de manter o constante alinhamento vibracional. “Dessa maneira, você estará pronto para entrar em um universo de extremo poder, que é real e que está dentro de seu próprio ser. A oração quântica, sem dúvida, é a mais fabulosa ferramenta que se pode usar para acessar todas as forças do universo que nos possibilitam o equilíbrio nos níveis físico, mental, emocional, energético e espiritual”, comenta Debossan Júnior.

Sua prática de consultório valida a conclusão dos físicos de que o campo de energia universal nada mais é que a mente de Deus em ação. “Albert Einstein afirmava: ‘Quero conhecer os pensamentos de Deus, o resto são meros detalhes’. Jesus pregava: ‘Por isso, eu digo a vocês: quando quiserem alguma coisa, orem acreditando que já receberam e receberão’. Jesus foi o maior físico quântico de todos os tempos”, enfatiza o terapeuta.

DEPOIMENTO
A fé como elemento curativo
“A primeira vez que me perguntaram: ‘Você tem fé, acredita em Deus?’ foi aos 26 anos, quando me vi diante de um diagnóstico cruel. Confesso que respondi: ‘Sim, eu tenho fé em Deus’, mas na verdade eu ainda não sabia o que realmente seria ter fé em Deus. Naquele momento, só tinha a certeza de que ficaria curada. Minhas orações, que se limitavam a agradecer pelo dia e pedir proteção durante o amanhecer, se intensificaram bastante. Passei a conversar com Deus 24 horas por dia.

Sabia realmente que não estava sozinha e que minha cura era questão de tempo. Sentia confiança, carinho e proteção durante cada procedimento a que era submetida e, como consequência, paz interior. Entendi que a cura dependia só de mim. Não bastava pensar positivo, precisava sentir e agir na mesma sintonia do pensamento. O que me ajudou muito nesse processo foi a terapia quântica para o equilíbrio físico, emocional, energético e espiritual. Consegui acalmar minha mente, ter mais disciplina e sentir Deus dentro de mim. Tenho sempre em minha mente: Deus é maravilhoso e está no comando, sempre. Deus não falha, é justo e não se atrasa. Em qualquer situação, eu relaxo e deixo Deus cuidar de tudo.”

Concentração é o estado perfeito para atingir propósitos
O terapeuta quântico Orestes Debossan Júnior comenta que, quando o indivíduo entra em estado de concentração, cria o cenário mental daquilo que deseja e, automaticamente, as frequências cerebrais entram no nível alfa do filtro mental.

“Essas informações são transmitidas para o hemisfério cerebral direito, a mente subjetiva, o deus mediador. A mente subjetiva funciona como os processadores internos dos modernos computadores: aceita como verdade todos os dados que são passados, sem nada questionar, pois ela não é analítica, é atemporal, apenas processa o que você quer ver como realidade”, ensina Debossan Júnior.

Ao permitir que o deus mediador processe tudo o que se deseja ver manifestado, a pessoa deve usar todos os sentidos possíveis (olfato, paladar, visão, audição e tato), pois eles estão ligados à percepção do meio interno e externo, o que facilita o processo de oração.

O terapeuta quântico explica que o segredo da oração consiste em manter uma integração do pensamento positivo (gerado no hemisfério cerebral esquerdo, o deus criador) com o sentimento positivo (processado no hemisfério cerebral direito, o deus mediador) e com a emoção positiva (gerada no plexo solar) por meio da gratidão.

Nessa integração, diz, criam-se vibrações harmônicas que são enviadas pelo deus mediador para o deus expansor, ou seja, da mente inconsciente para o plexo solar. “Este último faz com que todas as células do corpo entrem nas mesmas vibrações de harmonia, projetando-as no campo de energia humano, que, em interação com o campo de energia universal, transforma os sonhos em realidade”, ensina.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018


Reverenciando Francelino



Cesar Vanucci

“Nesta terra construí minha vida e meu destino.”
(Francelino Pereira, referindo-se às 
Minas Gerais de seu eterno afeto)

Francelino Pereira, que acaba de deixar nosso convívio, pode ser apontado como um dos “últimos moicanos” de um período na vida pública em que predominava, nos quadros de liderança, estilo de fazer política mais harmonizado com os valores republicanos.

Reverenciando sua memória, reproduzo comentário, de uma década atrás, em que, neste mesmo acolhedor espaço, reportei-me à sua refulgente trajetória.

“Chão a perder de vista. Chão áspero desbravado com indômita vontade por alguém predestinado a desempenhar uma missão relevante na história de seu país. Chão que, a partir de Angical, nas lonjuras piauienses, se encomprida pelas vastidões montanhosas do país das Gerais. Avança, ao depois, pelos chapadões sem fim do Planalto Central. Embica, adiante, por tudo quanto é canto do fascinante continente brasileiro. Chão palmilhado por Francelino. Um homem que se encantou, desde cedo, com a nobreza da ação política, abraçando-a com todas as forças como ideal de vida inteira, cobrindo um percurso extenso, pontuado de cintilações.

O Kao Martins, com a colaboração do Paulino Assunção e Sebastião Martins, soube compor, ancorado em esplêndido trabalho de pesquisa, essa trajetória edificante do “menino, jovem e adulto que teve a audácia de sonhar um sonho impossível, a determinação de persegui-lo e – contra todas as previsões e evidências – realizá-lo integralmente”. O livro “O chão de Minas” ocupa-se de uma saga inspiradora. Que saga! Descreve, com riqueza de pormenores, muitas revelações inéditas, os caminhos trilhados por esse cidadão do Piauí, mas mineiríssimo quanto os que mais o sejam, que por meio século afora desempenhou papéis de importância no palco dos acontecimentos. O pano de fundo da narrativa projeta pedaço de tempo de forte impacto na história. Tempo sacudido por turbulências ideológicas, entrechoques ferozes, emoções arrebatadas. Por clamorosas perdas de direitos essenciais, em instantes trevosos. E, em momentos posteriores, tempo também marcado, recompensadoramente, pela (re)conquista preciosa do regime democrático, com seus valores e imperfeições, mas com suas insuplantáveis vantagens sobre quaisquer outras formas de governo.

Vereador, deputado, dirigente partidário, governador e senador, Francelino Pereira viveu de forma intensa a ebulição desse processo histórico inovador e transformador. Cuidou de escrever com lisura ética, espírito público, disposição progressista, o capítulo correspondente à sua participação. Bem dotado intelectualmente, hábil conciliador, construiu pontes de relacionamento com correligionários e adversários, nas diferentes correntes políticas. Essas ligações se revelariam valiosas em horas cruciais.

A sólida formação humanística de Francelino desponta em numerosos trechos da vibrante narrativa. São captados flagrantes sem conta de seu jeito de ser afável, simples e descontraído. Nas culminâncias do poder, ele nunca se desapegou de hábitos que lhe garantiram, vida pública adentro, o apreço e admiração das ruas.

Eu sei que, nos tempos de governador, Francelino costumava tomar do telefone para mensagens pessoais que, não poucas vezes, surpreendiam a pessoa contatada. Bate-me aqui, na memória, ainda agora, uma historinha que ouvi contar a propósito dessas chamadas. A esposa de um executivo atende, na manhã de um domingo, o telefone na sala e diz, num tom de voz meio desconfiado, para o marido: - Tem um cara aí falando que é o governador. Quer cumprimentá-lo pelo aniversário. Tou achando que é brincadeira de seu irmão. Ele não perde chance pra bagunçar o coreto... Era brincadeira, não.

Outra historinha singela que a leitura do livro reaviva na lembrança passou-se em meu escritório. Livro de minha autoria ganhara comentário no jornal. Estava acabando de lê-lo. Quem mesmo me surge, de repente, na porta da sala, à cata de um exemplar da obra? Francelino, o próprio. Com aquele seu estilo despachado de explicar a que vem, garantiu-me, com a espontaneidade do inesperado e simpático gesto, duradoura satisfação.

“O Chão de Minas” reporta-se a episódios menos conhecidos na atuação do biografado que só fazem enriquecer-lhe a lenda pessoal, enaltecendo sua vocação cívica. Um deles: frente a frente com Costa e Silva, em encontro no palácio presidencial, Francelino recusou-se a seguir a orientação dada pelo governo no caso da pretendida cassação do mandato de Márcio Moreira Alves. Seu nome, por causa disso, chegou a ser incluído numa lista de cassações elaborada pouco depois da edição do dolorosamente célebre AI-5. Misteriosos desígnios impediram fosse a violência consumada. Adiante, Francelino empenhou-se de corpo e alma na batalha pela reclamada distensão política, à hora da transição do regime autoritário para o estado de direito.

Em todas as funções exercidas, primando-se sempre pela austeridade, deixou evidenciada singular capacidade empreendedora. Atos marcantes de sua trepidante movimentação política anotam que ele sempre fez uso correto e harmonioso, nas intervenções e articulações, de uma dose de energia e outra dose de jeito. Tomando posse na Academia Mineira de Letras, falou de sua enternecida paixão por Minas: “Nesta terra construí minha vida e meu destino. Desta Minas de tantos heróis, de tão belas e sóbrias tradições, recebi uma acolhida que nunca julgaria possível (...) A esse espírito e a essa alma mineira dediquei toda a minha vida e o melhor da minha capacidade.”

Pura verdade. “O chão de Minas” documenta isso.”


Cada coisa!
Cesar Vanucci

“É preciso convir que a comédia faz parte do viver em sociedade.”
(Chamfort, pensador francês do século XVIII)

u O “Troféu”. O governo tucano do Estado de São Paulo qualifica-se, pelo visto, como candidato fortíssimo na renhida disputa pelo ambicionado troféu “Cara de Pau” 2017. Com comovente pudicícia, a ponto de despertar inveja até em escolados estrategistas em manjadas manobras casuísticas e fisiológicas, tão a gosto da grei política, anunciou em tom solene a inabalável decisão de processar as empreiteiras corruptas que, em conluio com agentes públicos e políticos, estruturaram na gestão administrativa bandeirante esquemas de supervalorização dos custos de obras públicas. E, via de consequência, instituíram propinoduto de avolumado tamanho, contemplando elementos da patota governista. O esquema montado pelo cartel de empresas “ameaçadas” de serem levadas às barras dos tribunais pelas patifarias cometidas é, sem tirar nem por, cópia escarrada dos modelos que resultaram em operações de investigação do tipo “Lava Jato”. Isso não vai ficar assim, não, assegura, “destemidamente”, o governo bandeirante. É o que todo mundo, aturdido e inconformado com tanta bandalheira, sinceramente almeja.

vPenduricalhos”. Relatório divulgado em janeiro passado pelo Conselho Nacional de Justiça estima que, em 2015, os “penduricalhos” nas folhas de pagamento dos servidores do Judiciário alcançaram a cifra himalaiana de 7 bilhões e 200 milhões de reais.  Por “penduricalhos” compreenda-se conjunto de vantagens adicionais às remunerações salariais, gênero “auxílio moradia” etecetera, etecetera... O jornalista Élio Gáspari lança, a propósito da revelação, sugestivo e atordoante dado comparativo. As toneladas de ouro extraídas de Serra Pelada, maior jazida do mundo a céu aberto do nobre metal, renderam em grana sonante, valores de hoje - vejam só! -, 4 bilhões e 600 milhões de reais. Dá procês?

wDesvios”. A direção da Eletrobrás houve por bem contratar os serviços de renomada organização especializada, a “Hogan Lowes”, para apurar supostos desvios de recursos domésticos. A prestação de serviços do escritório custou aos cofres da empresa a bagatela de 400 milhões de reais. Os desvios criteriosamente levantados somaram valor um tiquinho menor: 300 milhões. A desconcertante informação é fornecida pelo jornalista Maurício Lima, na “Veja”.

Certeza”. “Tenho 101% (cento e um por cento) de certeza de que ele é um cidadão honesto”. O categórico pronunciamento foi feito pelo deputado Paulo Maluf, ex-governador, ex-candidato à Presidência, atual ocupante de uma cela em presídio federal, referindo-se ao Presidente Michel Temer, à saída do Palácio do Governo, depois de cordial visita de solidariedade ao amigo de décadas.

Discriminação”. Integrante das fileiras do “Podemos”, o deputado Rodrigo Delmasso, da chamada “bancada evangélica”, manifestou recentemente o propósito de instituir a “Semana de valorização da heterossexualidade”. Garantiu, em declaração tornada pública, ser alvo de discriminação, volta e meia, por confessar-se hetero.  

Vapores afrodisíacos”. A pequena vila de Ringaskiddy, na Irlanda, sedia fábrica da Pfizer onde é fabricado o medicamento de maior saída nas farmácias de todo o mundo, o “Viagra”. Em decorrência, ao que se presume, de marquetagem ardilosamente orquestrada, o povoado tem atraído, de tempos a esta parte, crescente volume de turistas. Tudo por conta de intrigante “revelação” que os moradores botaram pra circular. Segundo eles, ninguém no lugarejo carece recorrer a receitas pra desfrutar os efeitos do remédio. O “pessoal” jura que a apelidada “fumaça do amor”, expelida pelas chaminés da fábrica, contém poder afrodisíaco mais do que suficiente para combater com eficácia a disfunção erétil. Os cientistas negam. Dizem que tudo não passa de conversa fiada. Mas, pelo sim, pelo não, relatos chegados da vila garantem que as aglomerações masculinas (e até femininas) ao redor da unidade fabril vão se fazendo mais frequentes, a cada dia.

A SAGA LANDELL MOURA

O ser humano em primeiro lugar Cesar Vanucci “A economia é um meio pra se atingir um fim social.” (José Alencar Gomes da Silva, ...