quinta-feira, 30 de abril de 2020


Só mesmo Nonô! (I)

Cesar Vanucci

“Nossa missão: A democracia praticada e não apenas pregada.”
(JK, em mensagem aos colegas militares)

A soberba cena já foi narrada em verso e prosa. Até mesmo em cantoria de cordel. Pisando pela primeira vez o solo de Brasília, a professora Julia, mãe de JK, abriu a janela do aposento em que se achava alojada, esquadrinhou maravilhada, olhos marejados, o deslumbrante cenário descortinado e exclamou com voz forte, carregada de emoção cívica, mesclada com orgulho maternal: - Só mesmo Nonô seria capaz de fazer tudo isso!

A frase da veneranda educadora ricocheteou, vezes numerosas, na memória velha de guerra deste escriba durante recente encontro cultural interacadêmico levado a efeito na sede da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais. O economista Carlos Alberto Teixeira de Oliveira e o coronel Klinger Sobreira de Almeida presentearam o público na ocasião com esplêndidas exposições, enfocando a vida e obra do inesquecível Juscelino Kubitschek de Oliveira. Inserido nas comemorações do tricentenário da implantação da Província de Minas Gerais, o evento foi promovido pelas instituições acadêmicas na sequência nominadas: Arcádia,  Academia Feminina Mineira de Letras, Academia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa, Academia de Letras João Guimarães Rosa da PMMG, Academia de Letras do Ministério Público, Academia de Letras do Triângulo Mineiro,   Academia   Mineira   de   Leonismo,    Academia
Mineira de Letras, Academia Municipalista de Letras, Instituto   Histórico   e Geográfico.

A plateia, composta de personagens da maior representatividade intelectual, aplaudiu com vivo entusiasmo as palestras proferidas pelos dois ilustres acadêmicos, ambas de altíssimo nível e substancioso conteúdo histórico. Ambas reveladoras, no retrato produzido dos feitos de JK, daquilo que dona Julia proclamou: - Só mesmo Nonô seria capaz de fazer tudo isso!

Klinger é membro da Academia da Polícia Militar. Carlos Alberto integra os quadros da Amulmig. Primeiro a fazer uso da palavra, o coronel relatou lances marcantes da atuação de Kubitschek na Força Pública. Como capitão médico lotado no Hospital Militar, ele ingressou na corporação em 1931. Participou como oficial médico da Revolução de 32.

O expositor valeu-se de sugestiva e exaustiva pesquisa, estampada em publicação distribuída aos presentes durante o encontro, para sublinhar aspectos pouco divulgados pertinentes à trajetória jusceliana na vida militar. Referiu-se aos louvores de superiores hierárquicos a propósito de seu desempenho no movimento. Na folha de serviços ele é apontado como “o cirurgião da campanha” e “bisturi de ouro da Força Pública”. A afeição e fidelidade de JK à corporação fica bem evidenciada no fato dele jamais ter dela se desligado, mesmo consagrando-se às tarefas políticas que o celebrizaram.

Quando do lançamento da candidatura à Presidência da República, perante a oficialidade reunida, envergando farda, ele assim se pronunciou: “Senhor Comandante Geral, o tenente coronel Juscelino Kubitschek de Oliveira, do Serviço de Saúde, aqui se apresenta por motivo da passagem do Governo do Estado ao seu substituto legal, em obediência ao dispositivo da Lei, já que é candidato à Presidência da República”.

Noutro instante, junho de 1959, já aí como chefe do governo, ele agradeceu a uma homenagem da Polícia Militar com manifestação de carinho, de sonora atualidade, da qual extraímos os trechos na sequência alinhados. “Neste momento medito bem, e faço o balanço do muito que, a crédito da Polícia Militar, está consignado no processo de autêntica democratização de nosso Estado. (...) Colocando-nos rigorosamente dentro do mais alto sentido da nossa missão, foi-nos dado colaborar para o advento do que aí está: a democracia praticada e não apenas pregada.” (...) “A Polícia Militar de Minas (...) colaborou para o êxito desta sábia orientação política.” (...) “Não haverá obra de desenvolvimento possível, nem seríamos levados a sério, se déssemos prova de subdesenvolvimento político (...), se nos portássemos como subdesenvolvidos (...), por demonstrações de incompatibilidade com o regime civilizado que adotamos.”

Dá pra repetir: Só mesmo Nonô!


Só mesmo Nonô (II)

Cesar Vanucci

“De todos nós, é o nome dele que vai durar mil anos.”
(Afonso Arinos, referindo-se a JK, seu adversário politico)

Fixo o olhar da memória, novamente, em cena já aqui descrita. A mãe de JK, professora Julia, maravilhada diante da contemplação, pela primeira vez, do portentoso cenário de Brasília, dá voz à sua emoção e orgulho maternais: - Só mesmo Nonô pra fazer algo assim!

Parto desse terno registro para prosseguir no relato do que ocorreu no encontro cultural patrocinado por dez prestigiosas instituições acadêmicas mineiras, indoutrodia, na Casa de São Francisco de Assis, sede da Amulmig. Como ficou explicado, dois ilustres conferencistas produziram, na ocasião, magistrais exposições com foco na obra do estadista Juscelino Kubitschek de Oliveira. Depois da aplaudida fala do coronel Klinger Sobreira de Almeida, chegou a vez do numeroso público ouvir, também com visível empolgação, o pronunciamento do economista Carlos Aberto Teixeira de Oliveira. O ex-presidente do BDMG e ex-secretário de Estado, autor de livros acolhidos com simpatia pela crítica e leitores, alusivos à fascinante saga jusceliniana, galvanizou as atenções da plateia, composta de categorizados representantes da cultura mineira. Enfileirou na narrativa números e dados impressionantes sobre o trabalho fecundo levado avante pelo gestor público responsável, conforme o reconhecimento das ruas, por fazer o Brasil crescer 50 anos em 5. Reportou-se às realizações extraordinárias que, em momentos distintos de extensa trajetória pública, projetaram o poder empreendedor do ex-prefeito de Belo Horizonte, ex-governador de Minas e, no ápice de uma vitoriosa carreira, ex-presidente da República. Enfatizou as crenças democráticas, tantas vezes postas à prova, que adornaram prodigiosa aventura vital. Falou de sua condição de liderança, de seus notáveis pendores para o exercício, com firmeza, autoridade moral, sensibilidade social, visão pragmática de problemas, das nobres funções de comando que o destino providencialmente entregou-lhe.

JK já afirmava – recordou ainda – que as maiores ameaças à democracia são a miséria, o desemprego e o subdesenvolvimento. Sem investimento não há desenvolvimento. O palestrante salientou que Kubitschek, intérprete qualificado do sentimento nacional, pregava a necessidade de a Nação promover o desenvolvimento como garantia de nossa própria sobrevivência num mundo que se impõe, mais e mais, pela força de uma vertiginosa marcha técnica. O desenvolvimento não deve ser tomado apenas como justa ambição, mas como um objetivo essencial de sobrevivência. Na pregação desenvolvimentista, Nonô asseverava que o planejamento estratégico a longo prazo – as célebres metas - constituía elemento basilar para que o Brasil conseguisse galgar patamares de potência superdesenvolvida. O “Profeta do desenvolvimento”, expressão encaixada no perfil de JK, sabia enfrentar com destemor, ancorado nas potencialidades do país e virtualidades de seu povo, o que bem pode ser denominado de “síndrome do raquitismo econômico”. Algo que leva a gente a desaprender de crescer. A permitir o enferrujamento de nossa máquina propulsora do crescimento vigoroso e contínuo.

O fabuloso legado do governo JK, que favoreceu avanços consideráveis, nunca dantes nem depois alcançados na invasão do futuro, foi também descortinado na exposição. A deslumbrante Brasília, a indústria automobilística, os imensos canteiros de obras espalhados, a proliferação de hidrelétricas, as cintas asfálticas em todas as direções, a ambiência propícia para que a indústria nacional se expandisse, libertando-nos da dependência de desnecessárias importações de produtos, a geração contínua de empregos, os índices de crescimento elevados comparativamente com os demais países em ascensão econômica, a repousante atmosfera democrática, que assegurou o respeito internacional a pujantes manifestações culturais e artísticas: tudo isso e tantas coisas mais foram objeto de apreciação na palestra.

Resumo de nosso bate-papo. De tudo quanto contado nas palestras (a do coronel Klinger e a do economista Carlos Alberto), no encontro cultural interacadêmico, sobrelevou-se, bem visível, a certeza de que os tempos dourados de JK ficaram definitivamente incorporados à história, significando o instante político administrativo mais imponente vivido pela Nação, na era contemporânea. O Brasil foi visto ali na rota correta de sua indesviável vocação de grandeza.

Só mesmo Nonô foi capaz de fazer tudo isso!





RUMO A UMA NOVA CIVILIZAÇÃO

Maurício Roscoe

Em meu livro A Borboleta Azul (uma adaptação dos conceitos do Efeito Borboleta e da Teoria do Caos para crianças) vemos como uma borboleta pode mudar o rumo da história. E agora surge, de fato, um minúsculo organismo, um vírus a que chamaram COVID-19, que põe em xeque o modo que a humanidade vê e lida com as coisas.

Vivemos em um Universo Inteligente. Todas as leis universais da física, da química, da biologia são leis muitíssimo inteligentes. Não as entendemos bem, pois ainda estamos em evolução. Por mais que as ciências tenham avançado, ainda há muito a evoluir.

Esse minúsculo ser veio para ensinar que colaborar é muito mais inteligente que competir. O COVID-19 nos apresenta muitos desafios, mas também apresenta uma grande oportunidade evolutiva. Estamos sendo forçados a aprender que a polarização esquerda versus direita - bem como o excesso de especialização - não apenas são falhos em equacionar os problemas fundamentais da nossa sociedade, mas também ineficientes em lidar com a situação emergencial pela qual o mundo está passando.

O mundo já sofreu pandemias épicas no passado, mas hoje temos a tecnologia para compartilhar ideias, compartilhar conhecimento de forma rápida e eficaz, permitindo decisões mais bem fundamentadas. Toda a sociedade, em todos os países do globo, é chamada a lutar pelo bem de todos. Unidos, buscamos soluções para superar a pandemia e para evitar o que pode ser uma das maiores crises econômicas que o mundo já passou. As questões à nossa frente são problemas macro, sistemas complexos nos quais diversos aspectos estão interligados. A solução para tais questões não podem ser traçadas por médicos, cientistas ou economistas trabalhando isoladamente.

A solução requer trabalho multidisciplinar. Mas, mais do que isto, a solução requer repensarmos muitas das nossas “verdades”. Não é uma questão de “voltarmos à vida normal”. O uso descontrolado de recursos naturais, obsessão pelo crescimento a qualquer custo, a iniquidade, a fome, a falta de acesso à saúde e à educação, não pode mais ser considerada normal.

A natureza nos deu um vislumbre do que é possível se redefinirmos nossas prioridades. Em apenas alguns meses, e pela primeira vez em muitas décadas, o Monte Everest é visível da Índia graças à queda do nível de poluição atmosférica; os canais de Veneza estão cheios de água cristalina; e peixes e tartarugas nadam livremente na rejuvenescida Baia de Guanabara, no Rio de Janeiro. Isso significa que muitos de nossos recursos naturais podem ser reconstituídos. Em meio às incertezas criadas pela pandemia, vemos amostras do que uma restauração coordenada de pensamento coletivo mundial pode alcançar.

O vírus veio para reforçar o que a ecologia há muito tenta nos ensinar: que temos a liberdade que o Livre Arbítrio nos dá, mas temos que usar bem essa liberdade, para criarmos uma sociedade mais orgânica, colaborativa e justa, enfim, uma sociedade mais inteligente, que mereça o nome de CIVILIZAÇÃO.



sexta-feira, 24 de abril de 2020


Invasão do futuro pela fraternidade

Cesar Vanucci

“A salvação do homem não vem do leste, nem do oeste.Vem do Alto”
(Alceu Amoroso Lima, o Tristão de Athayde)

A crise de dimensão planetária desencadeada por um reles germe patogênico, de origem desconhecida, contra o qual quase nada pode o formidável aparado tecnológico disponível, desnuda implacavelmente a impotência do ser humano para enfrentar males crônicos que alvejam em cheio a dignidade da vida.

Chegamos a uma encruzilhada crucial da história. Os clamores sociais e a evolução civilizatória cobram alterações de rumos. É preciso quebrar urgentemente engessados paradigmas. Não importa que seja muito mais difícil quebrar paradigma do que quebrar átomo, conforme asseverava Albert Einstein. Os usos e comportamentos paradigmáticos que aí estão são frutos de egoísmo bolorento e desagregador. Valendo-se de inimagináveis artifícios, às vezes vistosos sob fútil enfoque mundano, incompreensivelmente tolerados, o egoísmo justapõe-se às postulações da justiça social. Despreza-as por inteiro. Faz, por assim dizer, ouvidos de mercador ao grito “dos pobres e de nosso planeta enfermo”. Foi o que pontuou o Papa Francisco, em magistral fala para o mundo, no dia 27 de março passado, na majestosa praça deserta fronteiriça ao Vaticano. “Avançamos destemidos, pensando que continuaremos sempre saudáveis em mundo enfermo”, anotou ainda Bergoglio. O Papa lembrou que “este não é tempo para egoísmo”. O desafio é de todos nós. Reclama união, conjugação poderosa de vontades, de boas intenções. Todos temos que participar, sem as convencionais distinções que maculam os caminhos na convivência comunitária. Sem separações. Exceto, naturalmente - cabível este singelo acréscimo -, naquelas circunstâncias apontadas reiteradamente pelas autoridades realmente conscientes de seu papel, relativas ao distanciamento entre as pessoas recomendado nesses dias perturbadores.

Muitos os paradigmas a serem quebrados. Os impasses e as pedras do caminho a remover parecem, não poucas vezes, intransponíveis. O que se tem pela frente é uma miríade de situações desnorteantes, à espera de soluções sintonizadas com o interesse social. Com os justos anseios brotados das crenças humanísticas e espirituais propostas na mensagem de serena e eterna beleza que provém do fundo e do Alto dos tempos.

Mulheres e homens de boa vontade, compenetrados da necessidade urgente de uma reformulação das estruturas sociais vigentes, se perguntam e encaminham, igualmente, a pergunta que se fazem, danada de instigante, às lideranças mundiais que enfeixam nas mãos poderes decisórios. Em qual mandamento, capítulo, artigo, parágrafo, alínea, item, subitem do grandioso “Projeto da Criação” se estipulou que o mundo reservado aos seres humanos, em sua peregrinação terrena, tem que ser como é? Cruelmente desigual na distribuição da riqueza produzida pelo labor coletivo. Terrivelmente belicoso, indiferente aos dramas dos excluídos sociais, ou seja, dos miseráveis de todos os naipes, dos refugiados, das minorias estigmatizadas etcetera e tal. Está-se falando de bilhões de criaturas, parte numericamente majoritária de todos os que fomos escolhidos, por superiores desígnios, para povoar o planeta.

A parada a enfrentar, como se diz no linguajar das ruas, não é nada mole. Os inimigos são poderosos, estão bem entrincheirados e municiados. A ambição e a prepotência ditam procedimentos voltados para conquistas, a qualquer preço, de mandos hegemônicos. A geopolítica insensível, despida de senso ético, é impulsionada por conveniências espúrias, tramas de bastidores em total desacordo com o bom senso e o bem comum. Precisam, agora, desocupar lugares, na cena dinâmica da vida, para que posicionamentos, decisões e ações globais renovadores, políticas transformadoras possam curar as feridas abertasda humanidade.  Antes que seja tarde demais.

O anseio que se projeta das mentes e corações fervorosos é de que o mundo se torne mais fraterno, a solidariedade passe a ser enxergada como sinônimo de desenvolvimento. Um mundo balizado – claro está – por normas inflexivelmente democráticas, as únicas, conforme documentam experiências políticas ao longo da história, garantidoras dos direitos fundamentais. Esse não será, obviamente, um mundo permeável à politiquice e demagogia, às proposições extremadas das lateralidades ideológicas.  A salvação do homem, parafraseando o magnífico Alceu Amoroso Lima, não vem do leste, nem do oeste. Não vem do norte, nem do sul. Não vem da direita, nem da esquerda. Vem do Alto. A reconexão do homem com sua humanidade vai exigir de políticos, pensadores, cientistas, lideranças de todos os setores o melhor de sua capacidade inventiva, de seus dons, de sua condição empreendedora, de seu talento e engenho, aplicados em empreitadas reestruturantes, a serem colocadas em prática desde logo. O nobre objetivo será a criação de um tipo novo de globalização. Globalização pragmática capaz de desmontar estruturas carcomidas e de permitir, alvissareiramente, a invasão do futuro pela fraternidade.


Ouvir o grito do planeta

Cesar Vanucci

“Não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo.”
(Papa Francisco)

Ninguém provido de lucidez e bom senso põe em dúvida a característica perversa que reveste a distribuição da riqueza universal. No entendimento pacífico da opinião pública, a concentração, em pouquíssimas mãos, de um quinhão descomunal, ultra exagerado, dos frutos colhidos à conta do labor produtivo da humanidade inteira, é fator determinante das tragédias sociais que, sob diferentes facetas, nos açoitam permanentemente.

Em que pese, contudo, sua avolumada participação no problemático contexto, esse condenável estado de coisas não constitui a causa única das crises humanitárias que se vão enfileirando vida afora. Outros elementos, de forte conteúdo negativo, concorrem significativamente para ocorrência frequente de calamidades. A corrupção, detectada em larga e irrefreável escala, revelando-se nalguns lugares mais intensa que noutros, representa também fator de peso numa correta avaliação crítica da candente questão enfocada. Espalha-se, com impetuosidade de grama tiririca, por tudo quanto é área. São bem vastos os territórios invadidos. Neles bota banca a politicalha inescrupulosa, ávida de ambição de mando. Chama como aliados a burocracia negligente e inidônea e máfias especializadas em negócios escusos, compostas de indivíduos portadores de forjadas carteirinhas de identificação empresarial. O protagonismo desses atores nefastos, no palco público, é sumamente corrosivo e desagregador. Disso, aliás, aqui por estas nossas bandas, estamos todos calvos de saber. Até mesmo os isolados patrícios das derradeiras tribos de aborígenes a serem ainda contatadas, nos ermos amazônicos, pelos valorosos sertanistas da Funai.

O bem-estar humano é ainda severamente afetado pela primazia que se confere, em tudo quanto é canto, a investimentos que não contemplam prioridades sociais. Faltam, no horizonte global, recursos pra um bocado de coisas fundamentais. Faltam recursos para moradia, saúde, educação, saneamento básico. Faltam recursos para acudir a necessidades mínimas de multidões mergulhadas em estágio de miséria deprimente, pode-se dizer, ao rés do chão. Nestes momentos de coronavírus, inteiramo-nos, aturdidos, de que há falta d’água e de artigos de higiene, como sabonete, em extensas faixas, hiper povoadas, de um sem número de centros urbanos.

De outra lado, através de informações trazidas por organizações respeitáveis, como os “Médicos Sem Fronteira”, tomamos conhecimento que seres humanos atacados de cólera morrem por falta de soro fisiológico – uma mistura banal de água com sal - em vários rincões da África. Esse rico e explorado continente, esquecido até dos deuses das múltiplas crenças milenares da castigada gente que o povoa. Falta, encurtando razões, dinheiro para o essencial, para se tocar dignamente a vida. Mas sobra dinheiro graúdo – e como! – para paranoicas “aventuras armamentistas”. No cruel capítulo das assim chamadas “guerras inúteis” – expressão cunhada pelo presidente Donald Trump numa fala pacifista não abonada pelos seus atos –, puxados pelos Estados Unidos e pela China, os gastos bélicos globais disparam há anos. Segundo o Instituto Nacional de Estudos Estratégicos, sediado em Londres, o mundo deu, em 2019, o maior salto registrado numa década nas despesas com armamentos. Implicando somas astronômicas, mais do que suficientes pra aplacar todo o sofrimento humano, a elevação, nesses gastos, foi de 4% em relação a 2018. Isso, somado a outras evidências alarmantes, fez com que os ponteiros do célebre “Relógio do Juízo Final”, concebido por conceituados cientistas, se acercassem das batidas fatídicas das 24 horas. Para se ter uma ideia do quanto a insânia belicista dos “donos do mundo” molesta os sagrados interesses da sociedade, aqui vem um dado comparativo estarrecedor. O custo de um único porta-aviões equipado com sofisticados instrumentos de destruição é superior aos PIBs de dezenas de países do terceiro mundo. E olhem que, singrando ameaçadoramente os oceanos do mundo, as frotas navais das maiores potências são compostas de dezenas dessas “cidadelas flutuantes”!

Tudo quanto acima posto, acerca dos fatores causais dos flagelos que apoquentam bilhões de criaturas, converge inexoravelmente para a admissão de que as estruturas sociais dominantes carecem ser revistas, aprimoradas. Ouvir o grito do planeta é preciso.



HOMENAGEM A UM HOMEM DE BEM


Klinger Sobreira de Almeida *


“Belo Horizonte, 20 de abril de 2020, Caro amigo Norman,
Ontem, 19Abr (domingo), 18h56, Adriana, que o acompanhou em todos os momentos, registrava no WhatsApp: “Ele foi encontrar-se com Deus”. Às 20h17: “A morte deixou uma dor que ninguém pode curar... Mas o amor deixou memórias que ninguém pode apagar. ”
Amigo, cumprida a missão, dentro dos insondáveis desígnios de Deus, sua Alma libertou-se, partiu, no prosseguimento da viagem cósmica, rumo à pátria espiritual. Não obstante a morte do corpo promova a separação física do ente querido, nós sabemos que você continua vivo e pujante.
Infelizmente, por razões dessa quarentena decorrente do vírus que assola o planeta, não pudemos estar ao seu lado nos últimos momentos de sua travessia terrena, quando, no querido Biocor, você teve a assistência de dedicados médicos e enfermeiros, e o consolo da nunca ausente Adriana.
Nesta hora, sentindo e percebendo a presença do amigo, gostaria de externar algumas recordações sobre sua profícua passagem terrena.
Tive o privilégio de conhecê-lo nos primórdios dos anos 70. Você funcionário graduado da USIMEC (posteriormente, transferiu-se para a USIMINAS); eu, recém-chegado a Ipatinga, como Delegado Especial de Polícia e Comandante do Contingente Policial-Militar.
Você era uma figura singular que logo se assentou em meu painel de relacionamentos. Facilitava os contatos entre poder público e empresas, dinamicamente ativo em prol dos interesses da coletividade.  Com o tempo, e a convivência em empreendimentos comunitários e interação em lojas maçônicas e clubes de serviço, sedimentou-se a nossa amizade.
Como disse, figura singular, você diferenciava das demais pessoas. Sempre alegre e otimista, não tinha tempo ruim. Estava em permanente disposição para qualquer desafio em prol da comunidade ipatinguense. Sua participação em eventos construtivos irradiava, nos companheiros, a vontade de vencer, superar obstáculos.
Quando fui transferido para BH, agosto 78, trouxe em minha geografia afetiva muitas amizades. Porém, uma ocupava relevo proeminente: NORMAN.  Por isso, considerei um privilégio, tê-lo conhecido.
Coincidentemente, você veio, tempo depois, servir a Usiminas, em BH. Tivemos encontros esporádicos naquele início dos anos 80. Posteriormente, quando você retornou do Curso Superior de Guerra, tive o prazer de vê-lo ministrando palestras no Curso Superior de Polícia e lecionando no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais.
Seu “engenho e arte” na transmissão, em palestras e aulas, de Princípios Políticos, Doutrina e Estratégia de Desenvolvimento, tornaram-no admirado por uma geração de oficiais da PMMG.
Assistimos o impulso que você deu à sessão mineira da ADESG-Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Por cinco lustros, elevou-a como modelo nacional. Os cursos anuais, sob sua égide, emergiram como fatores importantíssimos no aperfeiçoamento de elites dirigentes das áreas pública, privada e militar. Eram disputadíssimos, e constituíam ponto relevante no currículo dos aspirantes a cargos em nível estratégico.
Seu currículo, grandioso e qualitativo, é difícil de ser sintetizado: professor universitário, viagens de especialização em diversos países europeus, estágios no Pentágono, Escolas do Exército e Marinha dos Estados Unidos e na NASA. Em você, um acervo de sabedoria, mas ressaltava bem à mostra, a simplicidade e a humildade. Inebriava-o, tão somente, o prazer em servir ao próximo, ser útil, semear conhecimento com alegria e otimismo.
Em 1987, transferido para a reserva da PMMG, parti para a atividade empresarial, por quase trinta anos em outros estados. Considerando-me seu amigo, você, por iniciativa sua, não deixou que a distância nos afastasse, o contato era permanente. Além de telefonemas e visitas, recebia o pequeno jornal impresso da ADESG, que evoluiu para o portentoso Newsletter semanal. Consagrou-me uma palestra – Perfil do Profissional de Sucesso – que, por alguns anos, proferi, a seu convite, aos estagiários dos cursos anuais.
  Retornando a BH, em 2016, encontrei-o vibrante na seara literária e nas entidades comunitárias: Instituto Histórico e Geográfico – IHGMG, Arcádia, Maçonaria... Seus ensaios e artigos abrilhantavam importantes antologias. Suas palestras convocavam maciça presença em diferentes areópagos. Por quase vinte anos consecutivos, foi escolhido paraninfo dos cursos de especialização médica do Biocor. Tive a satisfação de vê-lo, juntamente com sua esposa Adriana (filha do saudoso Cel Zoir Piedade Gavião), ingressar na Academia de Letras João Guimarães Rosa da PMMG. As instituições militares mineiras ocupavam seu coração.
Em fins do ano passado, tendo seu estado de saúde agravado, eu e Sílvia visitamo-lo no Biocor. Lá estava, a apoiá-lo, Adriana. Mesmo na doença atroz, você não se abatera. Espargia alegria. Recebendo a Coletânea que ajudara a editar – Encontro Rosiano em Prosa e Verso/ALJGR – folheou-a embevecido; distribuiu exemplares a médicos e amigos.
Felizes são aqueles que aproveitam a oportunidade da travessia terrena; que fazem dela uma jornada de crescimento interior; que erigem como faróis o bem ao próximo e a amizade. Estes, cumprida a missão e liberta a Alma, prosseguem em voo ascensional nos horizontes de luz. São Homens de Bem. E você, NORMAN JOSÉ DE ANDRADE GIUGNI, foi um Homem de Bem.
Nestas recordações saudosas, pálidas diante do que você representou, envio-lhe, singular e inesquecível amigo, meu abraço espiritual."


*  Klinger Sobreira de Almeida – Militar Ref/PMMG




sexta-feira, 17 de abril de 2020


Encruzilhada fatal



“Apenas 26 cidadãos acumulam riqueza equivalente
 à renda de 50 por cento da população mundial”.
(Estarrecedora revelação constante de pesquisa da “Oxfam International”)

As evidências trazidas pelo noticiário nosso de cada dia são de clareza solar. A sensação dominante em todos os quadrantes deste maltratado planeta azul, do Polo Norte ao Polo Sul ainda enregelados apesar do ameaçador aquecimento global, é de que muitas coisas relevantes e decisivas não mais serão como dantes, assim que arrefecidos os efeitos do flagelo que ceifa vidas, destrói patrimônios e bagunça o cotidiano das pessoas.

Nesta hora de exacerbada tensão, muitos somos os que, tomados de ardente esperança, nos agarramos a uma ideia generosa e redentora. Pomo-nos todos a imaginar que, paralelamente a indesejável escalada do vírus, esteja ganhando forma, em ritmo até – praza Deus – mais célere, nas mentes e corações fervorosos, um projeto grandioso. Um projeto com o nobre intuito de reconectar o mundo com sua humanidade. Um projeto a ser encampado por lideranças lúcidas, sensatas, inventivas, empreendedoras, com capacidade para influenciar e decidir, que persiga com obsessão santa o propósito do refazimento, necessário e urgente, das estruturas sociais injustas que regem, ainda hoje, a marcha dos acontecimentos na pátria dos homens.

A crise humanitária atual escancarou, uma vez mais, de maneira contundente, o fato de que a jornada civilizatória está diante de fatalística encruzilhada. Um bocado de gente, presa de angústia, admite mesmo que chegamos à hora crucial do tudo ou nada. O dilema proposto tem um jeito de esfinge egípcia. Parece dizer: decifra-me ou devoro-te! Os dias depois do amanhã vão ser, inevitavelmente, diferentes. Qual será a sua configuração? Claras, bastante claras, as alternativas que se descortinam, ao olhar interrogativo e apreensivo de todos, nos plúmbeos horizontes da caminhada humana. Ou se opta pela continuidade dos modelos de vida vigentes, ou por uma mudança substancial de rumos. Persistir nas interpretações equivocadas da aventura da vida, que vicejam soltas por aí há tanto tempo, ou seja, deixar tudo ficar como está, pra ver como fica, é apostar no desastre. É garantir a certeza inapelável de um desfile ininterrupto de crises humanitárias, de encrencas colossais de toda ordem. É proclamar, irresponsavelmente, definitivamente, a negação de todos os valores humanísticos e espirituais que, teoricamente, argamassam a cultura humana. É criar condições propicias para a implantação do caos absoluto. As calamidades poderão chegar a tal ponto que, numa indesviável hora de acerto de contas moral e espiritual, implicando indivíduos e coletividade, ponderar não mais restar crédito algum para quitações derivadas das infalíveis cobranças.

O coronavírus, bem como outras tragédias esporádicas ou permanentes que agridem a consciência humana, convocam-nos a uma reflexão sobre flamejante questão. A questão está alojada no cerne de vasto, complexo e perturbador estado de coisas. A perversa distribuição da riqueza construída pelo labor produtivo da humanidade é considerada a raiz de males que aviltam a dignidade. Pesquisa recente da “Oxfam International”, pertinente à concentração de renda e desigualdades sociais, lançam-nos na cara, como bofetada, os dados estarrecedores alinhados na sequência. Em 2018, 26 indivíduos apenas eram detentores, no mundo inteiro, de soma de haveres equivalentes à renda acumulada de 3,8 bilhões de pessoas. No período citado, a riqueza dos miliardários cresceu R$ 3,3 trilhões, vale dizer, elevou-se a R$ 9,4 bilhões a cada dia. As impactantes revelações do relatório global produzido pela conceituada ONG, vão muito além. Se um por cento dos caras mais ricos do mundo fossem compelidos a destinar 0,5% a mais em tributos sobre sua riqueza pessoal, a receita proveniente dessas hipotéticas taxas geraria recursos suficientes, ou até superiores, para acudir a gastos essenciais nas seguintes circunstâncias: assegurar educação a todas as 262 milhões de crianças que deploravelmente não frequentam escolas; fornecer assistência médica continua a 3,3 bilhões de criaturas.

As proporções descomunais dessa indecência social, capaz de enfurecer deuses de todas as crenças, ocasionam perplexidade ainda maior, se isso é possível, quando se toma conhecimento que 3,4 bilhões de viventes, metade da população planetária, vivem (?) com menos de R$ 21 por dia. Mais: especialistas em finanças calculam que, guardadinhos nos cofres dos paraísos fiscais, a começar pela Suíça, exista, aproximadamente, uma bufunfa, de origem nem toda ela lícita, de R$28,5 trilhões.

O papo sobre o que se está sendo dito vai ter que ser, obviamente, espichado.




Clamor universal

 “Isso não é, tchê, chuva pra quem tem capote”.
(Sentença popular gaucha aplicada, nestas considerações, a propósito de uma sugestão de especialistas em questões sociais sobre uma taxação mínima das grandes fortunas)

Recapitulando o que ficou dito. São 26 “cabras da peste danados de sortudos”, pra valer-nos de expressão típica do colorido dialeto nordestino. Fazendo uso ainda do descontraído linguajar das ruas, cada um deles tem certa parte do corpo – naturalmente agasalhada por confortáveis calças de grifes famosas – “inteiramente voltada pra lua”... É o que se pode deduzir, com tranquilidade, da espantosa constatação de que as fortunas somadas do seleto grupo correspondem à renda acumulada de 50% da população mundial. Em (atordoantes) números: perto de 4 bilhões de “semelhantes”.

Vejamos uma outra vertente na avaliação dos efeitos perversos da concentração de renda deste mundo do bom Deus em que o diabo costuma plantar incômodos enclaves. Cá está mais uma sugestiva informação. Especialistas em questões sociais asseveram, com convicção, que a simples incidência de uma taxa tributária de apenas meio por cento sobre os haveres dos viventes enquadrados no rol dos 1 (um) por cento mais abonados financeiramente será de molde a proporcionar recursos suficientes para solucionar dramáticas situações de carência social. O dinheiro arrecadado permitirá que nenhuma criança, no mundo inteiro, fique fora de sala de aula. Além disso, garantirá a todo mundo assistência em saúde. O cálculo aritmético dá asas à imaginação. E se, ao invés de meio por cento, a hipotética taxa viesse a ser de 1, 3, 5%? Nalguns casos, até de 10, 20%? Pensem só nos benefícios que adviriam dessa taxação especial. As contribuições do pessoal seriam absorvidas sem comprometimento exorbitante do patrimônio pessoal.

No começo deste papo se fez menção ao linguajar nordestino. Que tal utilizar, agora, para descrever o real impacto tributário da proposta aventada, uma sentença do dialeto “gauchês”? Ei-la: “Mas isso aí, tchê, não é chuva pra quem tem capote”.

Adiante. Juntamente com as incríveis anotações já feitas, atinentes a injusta partilha da riqueza universal, pesquisas promovidas por fontes confiáveis trazem-nos outros dados impressionantes, nesse desfile extenso de situações reais desnorteantes.

Fixemos atenção na vida brasileira. O Banco Mundial, a “Oxfam International”, a Fundação Getulio Vargas e o IBGE deixam expresso o fato de que a desigualdade de renda no país vem crescendo de forma abismal. Dado do IBGE: a renda da metade mais pobre caiu 18 por cento entre 2018 e 2019. Enquanto isso, os 1 por cento mais ricos viram aumentar  quase 10 por cento seu poder de compra. Banco Mundial: a pobreza aumentou no Brasil entre 2014 e 2017, atingindo 21 por cento da população, 43,5 milhões de criaturas. Dado da FGV: equivale ao total dos habitantes chilenos nosso contingente populacional com renda insuficiente para as necessidades básicas. Os “entrantes” na categoria da exclusão social chegavam, no final de 18, a 6,3 milhões. A população inteira do Paraguai.

O Brasil é o décimo país mais desigual. Apresenta mais disparidades sociais que vizinhos como Chile e México. É o que afirma o “Relatório do Desenvolvimento Humano” (RDH) elaborado pelas Nações Unidas. O levantamento emprega como referência o chamado “Índice de Gini”, uma forma de calcular a distorção de renda. O indicador varia de 0 a 1 – quanto menor melhor. No Brasil, ficamos com 0,515, mesmo índice da Suazilândia.

Deixemos bem aclarada, a esta altura, que a má distribuição da riqueza, bem visível na paisagem brasileira, é um fenômeno de dimensão universal. Suas consequências são percebidas, como se está a ver agora, em todos os rincões do planeta, mesmo no assim chamado “primeiríssimo mundo”. Sirva como amostra deste impactante quadro de privações sociais, o que vem rolando na mais importante cidade do mais poderoso país do mundo. Nem todos conseguem assistência adequada para problemas de saúde. O clamor por transformações sociais, visto está, é universal.

sexta-feira, 10 de abril de 2020


Vacina não é pra já

Cesar Vanucci

“A aids encontrou remédio a partir de medicação que já existia. E agora?”
(Drauzio Varella, médico)

O médico Drauzio Varella, nome que dispensa apresentação, divulgou na revista “Carta Capital”, em 9 tópicos, um resumo que fez de trabalho elaborado pela “Medscape”, a propósito da pandemia do Covid-19. Tomo a liberdade de reproduzir o texto, neste acolhedor espaço, à vista da candente atualidade de que se reveste.

1)    O vírus é transmitido pelas gotículas expelidas ao falar, tossir e espirrar. Pode sobreviver em superfícies como as de plástico ou de metal por alguns dias (as estimativas são variáveis). No ar, sobrevive poucas horas, mas as partículas de secreção que formam aerossol são infectantes. A presença do vírus nas fezes está documentada.

2)    Modelos matemáticos sugerem que pacientes assintomáticos ou com poucos sintomas sejam responsáveis por até 85% das transmissões, nas fases iniciais de um surto epidêmico. Individualmente, essas pessoas transmitem menos, mas como não ficam isoladas acabam por infectar mais gente.

3)    Trabalhos chineses mostraram que a carga viral não difere significativamente entre os pacientes infectados, todos podem transmitir a doença, tenham muitos ou poucos sintomas. As últimas evidências da OMS mostram que cada paciente (Ro) infecta na média entre 2,0 e 2,5 contatuantes (no sarampo Ro é 12 a 18: na gripe pouco mais de 1)

4)    A OMS calcula que a mortalidade global por Covid-19 esteja na media de 3,4%. Nos primeiros 4,2 mil casos examinados pelo CDC americano, houve 508 internações hospitalares, 121 em UTI e 44 óbitos.

5)    Na China, dois terços dos doentes apresentaram tosse, cerca de 40% tiveram febre, sintoma que chegou a 89% entre os hospitalizados. Diarreia e vômito são raros: menos de 5%. Perda de olfato (anosmia) é queixa que aparece com certa frequencia. Dispneia é sinal de agravamento do quadro e da necessidade de internação hospitalar.

6)    O teste aplicado até aqui pela técnica de RT-PCR é realizado colhendo-se por “swab” material das fossas nasais e da garganta, para detectar a presença do RNA viral. Como a sensibilidade é relativamente baixa (ao redor de 63%) - ou seja, de cada três infectados um tem resultado negativo (falso negativo) - há necessidade de repetição, nos casos suspeitos. No teste feito com amostra de sangue, o objetivo é detectar a presença de anticorpos contra o vírus.

7)    Quase todos os pacientes que necessitam de internação, apresentam dispneia, como consequência de um processo inflamatório pulmonar, traduzido por opacidades características na tomografia computadorizada, identificável em cerca de 60% dos casos. Geralmente há necessidade de suplementação com oxigênio por cateter ou máscara. Os doentes mais graves precisam ser entubados e colocados nos aparelhos de ventilação mecânica, muitas vezes por duas ou três semanas.

8)    A perspectiva do desenvolvimento de uma vacina a curto prazo é irreal. Os pesquisadores mais otimistas esperam que ela esteja disponível em pouco mais de um ano.

9)    Várias medicações estão em fase de teste. A esperança é de que os estudos encontrem atividade antiviral em medicamentos já existentes. Conseguimos drogas assim para a Aids, por que não agora?

Segundo “pesquisa” do ipso (instituto particular de sondagens de opinião),        “encomendada” para uso único e exclusivo deste desajeitado escriba, incorrigível propagador de quimeras, a cotação na simpatia popular do ministro Luiz Henrique Mandetta está em alta vertiginosa. Os índices apurados são bastante expressivos, sem margem de erro para menos, ao contrário do que comumente ocorre nas pesquisas tradicionais. O titular da pasta da Saúde é, sem a mais pálida sombra de dúvida, dentre os porta-vozes da cúpula governamental, aquele que melhor pontuação alcançou na empatia popular. Passa firmeza e relativa segurança nos comunicados e entrevistas, neste momento aflitivo vivido nas ruas e lares. A imagem do Governo ficaria, por certo, muitíssimo desgastada, caso houvesse se concretizado sua exoneração, dias atrás dada como favas contadas. A intensificação dos rumores de que isso estava para acontecer e que produziu, até mesmo, o esvaziamento às pressas das gavetas das mesas de trabalho do Ministro e de integrantes de sua ativa assessoria científica e administrativa, fez com que os círculos políticos em Brasília promovessem desusada movimentação de bastidores. Contingente respeitável de personagens graduados da cena pública, entre eles colegas de Mandetta no Ministério promovessem gestões que impedissem a consumação do ato. Ao cabo e alfim, Luiz Henrique Mandetta permaneceu na função, e isso foi considerado uma decisão acertada por parte da opinião pública.


Dois recados


Cesar Vanucci

“Alguns recados soam como advertências
para que as pessoas retomem o bom-senso”.
(Domingos Justino Pinto, educador)

· O alerta científico, de magna relevância, emitido em janeiro último, passou um tanto quanto desapercebido. Acabou ofuscado pela avalancha do coranavírus. É sumamente lógico presumir que, a esta altura, em centros de estudos avançados, a revelação já esteja sendo objeto de meticulosas avaliações.  Não há como ignorar as graves implicações socioambientais suscitadas pela candente questão. É hora de explicar aos distintos leitores que o anúncio trazido a público por integrantes da base científica brasileira que opera na Antártida é sumamente perturbador. A temperatura na região polar elevou-se, em dado momento, a, mais de 20 graus centígrados. Na ocasião em que isso se deu, os termômetros no Brasil, país tropical, acusavam, na média, índice assemelhado. Uma anotação elucidativa: as pessoas circulavam por aqui, como costuma acontecer na maior parte do calendário, em trajes característicos de verão. Perfeitamente correto extrair do dado a desconfortável impressão de que, também na Antártida, a Natureza está mandando recado ao ser humano. Criticando seu desvairado comportamento na lida ininterruptamente agressiva com o meio ambiente. Isso remete à imperiosa necessidade de se reconhecer a extrema seriedade de que se revestem as reiteradas advertências, dos círculos mais categorizados da ciência, a respeito das ameaças que rondam a sociedade humana em decorrência do aquecimento global. A possibilidade de que a elevação da temperatura provoque catastrófico degelo nas calotas polares não pode continuar sendo, irresponsavelmente, subestimada pelas lideranças mundiais. Se o degelo ocorrer haverá a elevação, em termos diluvianos, das águas dos mares, que ocupam ¾ da superfície do planeta. O clima sofrerá brusca alteração. Setores da ciência admitem a probabilidade de que o fenômeno geológico possa liberar na atmosfera partículas microorganicas de toxidade letal, na hora presente ainda em estado hibernal. A “globalização da indiferença”, consoante magistral definição do Papa Francisco, quando se refere aos problemas globais clamorosamente deixados à deriva nas preocupações prioritárias dos que traçam os planos de desenvolvimento político, econômico e social, pode direcionar, irremediavelmente, a sociedade humana a um beco sem saída. O “efeito estufa” não é assunto controverso. É uma tremenda realidade. Não se trata de ficção alarmista brotada do bestunto de um “bando perigoso” de cientistas e ambientalistas mancomunados no “nefando propósito” de subverter a ordem constituída. Quem propaga isso, de maneira irresponsável, pode-se dizer virótica, são os teóricos da “doutrina terraplanista”.  Esses aí, sim, acham-se obsessivamente empenhados em construir demenciais narrativas revisionistas do ponto de vista político e sociológico.
O recado da Natureza encerra uma convocação às pessoas de boa-vontade para que apressem estudos e ações capazes de promoverem a reconexão do mundo com sua humanidade.


· Ato de pirataria. Esta a classificação dada, por vozes influentes no cenário internacional, à decisão do “xerife” Donald Trump, ao confiscar na marra, ao arrepio das leis, instrumentos terapêuticos essenciais adquiridos por outros países. O ato é lesivo aos interesses da comunidade humana, tendo em vista a circunstância de que o material apropriado estava destinado a centros de atendimento médico emergenciais engajados no árduo combate travado contra a pandemia do Covid-19. A prepotência demonstrada coloca em xeque a autoridade moral do mandatário estadunidense. Escancara sua manifesta inaptidão para o exercício da função mais importante da atividade política contemporânea. Robustece o anseio generalizado no sentido de que o eleitorado da mais poderosa nação, abastecido de bom-senso, opte, providencialmente, nas eleições vindouras, pelo defenestramento do incômodo personagem. No consenso geral, o cara vem fazendo de tudo, com seus destrambelhados posicionamentos, para arranhar a reputação dos Estados Unidos no concerto das nações. O recado de Trump, grosseiro e arrogante, na contramão das propostas de solidariedade que correm o mundo, merece ampla e geral repulsa.






PÁSCOA (AT) versus NOVA ALIANÇA (NT)

Jair Barbosa da Costa*


Bom-dia sob as misericordiosas bênçãos do Pai, o amor do Filho e a luz do Espírito Santo. Já se vive ambiência pascal, ou seja, a partir do Domingo de Ramos, no plano da espiritualidade cristã, é do que se fala e cuida. O 1º domingo da Semana Santa, prenúncio da Páscoa, foi também escolhido para “O dia de jejum nacional”, iniciativa oficial do Planalto, sugerida por evangélicos e católicos. Baixaram diretrizes especiais visando ao seguinte objetivo: refletir o ideal de fraternidade predominante neste período, no momento em que o país vive grande turbulência – a pandemia viral e a epidemia política, focos centrais, esses, que abarcam as principais inquietudes de nossa gente. Por essas questões, Deus, socorro bem presente, foi buscado e clamado em todos os quadrantes desta terra por aqueles que nEle creem.
O crente em Jesus e cultor da Palavra está habituado a programar seu jejum, sempre precedido do louvor ao pai e sucedido, na entrega, do agradecimento, vale dizer, tem a própria orientação e objetivo para essa intimidade com Deus. Como a meta era amenizar o sufoco político e sanitário jamais experimentado neste país, e quiçá no mundo, o clima espiritual propiciou sensibilizar a população aflita a se posicionar, mente e coração, para o Alto e clamar piedade ao Senhor dos Senhores.
Tudo isso é válido diante do Criador, único capaz de sondar o coração e pesar o propósito de quem busca refúgio e solução. Por esse motivo, não importa se quem pede é católico ou evangélico, espírita ou maçon. Deus, acima de denominações e doutrinas, tradicionais ou renovadas, faz vista grossa para todas as convenções humanas, porque Ele apenas quer que manifestemos nossa dependência de Sua vontade e poder.
A despeito de se proclamar a Páscoa, ritual do Antigo Testamento, é oportuno dizer que Jesus ministrou a seus discípulos a última Páscoa, como bom judeu e seguidor da lei e dos rituais cultivados por seu povo ... “Na noite em que foi traído – diz a Bíblia Sagrada: “tomou o pão e, tendo dado graças, o partiu e disse: isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isso em memória de mim”... depois de haver ceado, tomou também o cálice dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue: “Fazei isso em memória de mim” Esse memorial corresponde à ordenança da Páscoa dos judeus e sua ritualística.
A tipologia desse ritual cristão está em Êxodo 29 que trata do sacrifício e consagração. Aí um longo processo para imolar o carneiro: “tomarás então, do sangue e do óleo de unção... e o aspergirás sobre o altar... depois tomarás do carneiro a gordura...” Seguia a consagração: “Isto será a obrigação perpétua dos filhos de Israel, devida a Aarão e seus filhos por ser a porção dos sacerdotes, oferecida, da parte dos filhos de Israel...; é a sua oferta ao Senhor em gratidão pela passagem (páscoa) da escravidão egípcia à liberdade”. Em alguns recortes do cap.1 a 27 podemos ter uma ideia dessa transição festiva. Vejamos os ingredientes: um novilho, dois carneiros sem defeito, os pães asmos, bolos asmos amassados com azeite...
A partir da Ressurreição de Cristo, passamos a viver sob a Nova Aliança, por ele mesmo estabelecida, sempre comemorada na Ceia do Senhor, quando o pão e o vinho simbolizam corpo e sangue de Jesus, o Cordeiro imaculado (isto é, sem mácula, sem pecado) em sua memória, mas ministrados separadamente.  O próprio Jesus é que diz ao tomar o pão: ₋ “Isto é o meu corpo”, depois, o cálice, e diz: este é o cálice da Nova Aliança no meu sangue.
Ora, o sangue da ovelha, do cabrito, de Êxodo 29, todo seu ritual, para se comemorar a Páscoa dos Judeus, não faz o menor sentido para os cristãos, a não ser como tipologia (o novilho sem manchas e os carneiros sem defeito) está no sangue de Jesus, que se entregou em sacrifício para nos salvar.Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Quando o crente aceita a transubstanciação do pão e vinho em hóstia, ele não está a discernir que a Nova Aliança em Jesus foi desfeita nesse ritual. Na verdade, foi ignorada, porque o ministro dessa liturgia não permitiu aos fiéis beberem do vinho, (sangue) que ele consagrou e sorveu sozinho, mas só do pão (corpo). Dessa forma, ficou anulada a Nova Aliança por meio do sangue do Cordeiro.
 A rigor, como se observa, a própria tipologia do ritual judaico da Páscoa deixa de ser referência para essa celebração cristã do ponto de vista bíblico. (1ª Carta aos Coríntios 11: 23 a 26.)
Ó Espírito Santo, dá-nos luz, sabedoria e vontade para o culto racional mediante o conhecimento de Tua Palavra, em nome e por amor de Jesus. Amém!

*Evangelista capelão internacional, autor de Ide... primeiros passos de missões.

A SAGA LANDELL MOURA

Nossa fascinante MPB Cesar Vanucci "Onde se toca boa música,   não pode haver coisa má." (Cervantes) Neste...