quinta-feira, 30 de abril de 2020


Só mesmo Nonô! (I)

Cesar Vanucci

“Nossa missão: A democracia praticada e não apenas pregada.”
(JK, em mensagem aos colegas militares)

A soberba cena já foi narrada em verso e prosa. Até mesmo em cantoria de cordel. Pisando pela primeira vez o solo de Brasília, a professora Julia, mãe de JK, abriu a janela do aposento em que se achava alojada, esquadrinhou maravilhada, olhos marejados, o deslumbrante cenário descortinado e exclamou com voz forte, carregada de emoção cívica, mesclada com orgulho maternal: - Só mesmo Nonô seria capaz de fazer tudo isso!

A frase da veneranda educadora ricocheteou, vezes numerosas, na memória velha de guerra deste escriba durante recente encontro cultural interacadêmico levado a efeito na sede da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais. O economista Carlos Alberto Teixeira de Oliveira e o coronel Klinger Sobreira de Almeida presentearam o público na ocasião com esplêndidas exposições, enfocando a vida e obra do inesquecível Juscelino Kubitschek de Oliveira. Inserido nas comemorações do tricentenário da implantação da Província de Minas Gerais, o evento foi promovido pelas instituições acadêmicas na sequência nominadas: Arcádia,  Academia Feminina Mineira de Letras, Academia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa, Academia de Letras João Guimarães Rosa da PMMG, Academia de Letras do Ministério Público, Academia de Letras do Triângulo Mineiro,   Academia   Mineira   de   Leonismo,    Academia
Mineira de Letras, Academia Municipalista de Letras, Instituto   Histórico   e Geográfico.

A plateia, composta de personagens da maior representatividade intelectual, aplaudiu com vivo entusiasmo as palestras proferidas pelos dois ilustres acadêmicos, ambas de altíssimo nível e substancioso conteúdo histórico. Ambas reveladoras, no retrato produzido dos feitos de JK, daquilo que dona Julia proclamou: - Só mesmo Nonô seria capaz de fazer tudo isso!

Klinger é membro da Academia da Polícia Militar. Carlos Alberto integra os quadros da Amulmig. Primeiro a fazer uso da palavra, o coronel relatou lances marcantes da atuação de Kubitschek na Força Pública. Como capitão médico lotado no Hospital Militar, ele ingressou na corporação em 1931. Participou como oficial médico da Revolução de 32.

O expositor valeu-se de sugestiva e exaustiva pesquisa, estampada em publicação distribuída aos presentes durante o encontro, para sublinhar aspectos pouco divulgados pertinentes à trajetória jusceliana na vida militar. Referiu-se aos louvores de superiores hierárquicos a propósito de seu desempenho no movimento. Na folha de serviços ele é apontado como “o cirurgião da campanha” e “bisturi de ouro da Força Pública”. A afeição e fidelidade de JK à corporação fica bem evidenciada no fato dele jamais ter dela se desligado, mesmo consagrando-se às tarefas políticas que o celebrizaram.

Quando do lançamento da candidatura à Presidência da República, perante a oficialidade reunida, envergando farda, ele assim se pronunciou: “Senhor Comandante Geral, o tenente coronel Juscelino Kubitschek de Oliveira, do Serviço de Saúde, aqui se apresenta por motivo da passagem do Governo do Estado ao seu substituto legal, em obediência ao dispositivo da Lei, já que é candidato à Presidência da República”.

Noutro instante, junho de 1959, já aí como chefe do governo, ele agradeceu a uma homenagem da Polícia Militar com manifestação de carinho, de sonora atualidade, da qual extraímos os trechos na sequência alinhados. “Neste momento medito bem, e faço o balanço do muito que, a crédito da Polícia Militar, está consignado no processo de autêntica democratização de nosso Estado. (...) Colocando-nos rigorosamente dentro do mais alto sentido da nossa missão, foi-nos dado colaborar para o advento do que aí está: a democracia praticada e não apenas pregada.” (...) “A Polícia Militar de Minas (...) colaborou para o êxito desta sábia orientação política.” (...) “Não haverá obra de desenvolvimento possível, nem seríamos levados a sério, se déssemos prova de subdesenvolvimento político (...), se nos portássemos como subdesenvolvidos (...), por demonstrações de incompatibilidade com o regime civilizado que adotamos.”

Dá pra repetir: Só mesmo Nonô!

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