sexta-feira, 24 de abril de 2020



HOMENAGEM A UM HOMEM DE BEM


Klinger Sobreira de Almeida *


“Belo Horizonte, 20 de abril de 2020, Caro amigo Norman,
Ontem, 19Abr (domingo), 18h56, Adriana, que o acompanhou em todos os momentos, registrava no WhatsApp: “Ele foi encontrar-se com Deus”. Às 20h17: “A morte deixou uma dor que ninguém pode curar... Mas o amor deixou memórias que ninguém pode apagar. ”
Amigo, cumprida a missão, dentro dos insondáveis desígnios de Deus, sua Alma libertou-se, partiu, no prosseguimento da viagem cósmica, rumo à pátria espiritual. Não obstante a morte do corpo promova a separação física do ente querido, nós sabemos que você continua vivo e pujante.
Infelizmente, por razões dessa quarentena decorrente do vírus que assola o planeta, não pudemos estar ao seu lado nos últimos momentos de sua travessia terrena, quando, no querido Biocor, você teve a assistência de dedicados médicos e enfermeiros, e o consolo da nunca ausente Adriana.
Nesta hora, sentindo e percebendo a presença do amigo, gostaria de externar algumas recordações sobre sua profícua passagem terrena.
Tive o privilégio de conhecê-lo nos primórdios dos anos 70. Você funcionário graduado da USIMEC (posteriormente, transferiu-se para a USIMINAS); eu, recém-chegado a Ipatinga, como Delegado Especial de Polícia e Comandante do Contingente Policial-Militar.
Você era uma figura singular que logo se assentou em meu painel de relacionamentos. Facilitava os contatos entre poder público e empresas, dinamicamente ativo em prol dos interesses da coletividade.  Com o tempo, e a convivência em empreendimentos comunitários e interação em lojas maçônicas e clubes de serviço, sedimentou-se a nossa amizade.
Como disse, figura singular, você diferenciava das demais pessoas. Sempre alegre e otimista, não tinha tempo ruim. Estava em permanente disposição para qualquer desafio em prol da comunidade ipatinguense. Sua participação em eventos construtivos irradiava, nos companheiros, a vontade de vencer, superar obstáculos.
Quando fui transferido para BH, agosto 78, trouxe em minha geografia afetiva muitas amizades. Porém, uma ocupava relevo proeminente: NORMAN.  Por isso, considerei um privilégio, tê-lo conhecido.
Coincidentemente, você veio, tempo depois, servir a Usiminas, em BH. Tivemos encontros esporádicos naquele início dos anos 80. Posteriormente, quando você retornou do Curso Superior de Guerra, tive o prazer de vê-lo ministrando palestras no Curso Superior de Polícia e lecionando no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais.
Seu “engenho e arte” na transmissão, em palestras e aulas, de Princípios Políticos, Doutrina e Estratégia de Desenvolvimento, tornaram-no admirado por uma geração de oficiais da PMMG.
Assistimos o impulso que você deu à sessão mineira da ADESG-Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Por cinco lustros, elevou-a como modelo nacional. Os cursos anuais, sob sua égide, emergiram como fatores importantíssimos no aperfeiçoamento de elites dirigentes das áreas pública, privada e militar. Eram disputadíssimos, e constituíam ponto relevante no currículo dos aspirantes a cargos em nível estratégico.
Seu currículo, grandioso e qualitativo, é difícil de ser sintetizado: professor universitário, viagens de especialização em diversos países europeus, estágios no Pentágono, Escolas do Exército e Marinha dos Estados Unidos e na NASA. Em você, um acervo de sabedoria, mas ressaltava bem à mostra, a simplicidade e a humildade. Inebriava-o, tão somente, o prazer em servir ao próximo, ser útil, semear conhecimento com alegria e otimismo.
Em 1987, transferido para a reserva da PMMG, parti para a atividade empresarial, por quase trinta anos em outros estados. Considerando-me seu amigo, você, por iniciativa sua, não deixou que a distância nos afastasse, o contato era permanente. Além de telefonemas e visitas, recebia o pequeno jornal impresso da ADESG, que evoluiu para o portentoso Newsletter semanal. Consagrou-me uma palestra – Perfil do Profissional de Sucesso – que, por alguns anos, proferi, a seu convite, aos estagiários dos cursos anuais.
  Retornando a BH, em 2016, encontrei-o vibrante na seara literária e nas entidades comunitárias: Instituto Histórico e Geográfico – IHGMG, Arcádia, Maçonaria... Seus ensaios e artigos abrilhantavam importantes antologias. Suas palestras convocavam maciça presença em diferentes areópagos. Por quase vinte anos consecutivos, foi escolhido paraninfo dos cursos de especialização médica do Biocor. Tive a satisfação de vê-lo, juntamente com sua esposa Adriana (filha do saudoso Cel Zoir Piedade Gavião), ingressar na Academia de Letras João Guimarães Rosa da PMMG. As instituições militares mineiras ocupavam seu coração.
Em fins do ano passado, tendo seu estado de saúde agravado, eu e Sílvia visitamo-lo no Biocor. Lá estava, a apoiá-lo, Adriana. Mesmo na doença atroz, você não se abatera. Espargia alegria. Recebendo a Coletânea que ajudara a editar – Encontro Rosiano em Prosa e Verso/ALJGR – folheou-a embevecido; distribuiu exemplares a médicos e amigos.
Felizes são aqueles que aproveitam a oportunidade da travessia terrena; que fazem dela uma jornada de crescimento interior; que erigem como faróis o bem ao próximo e a amizade. Estes, cumprida a missão e liberta a Alma, prosseguem em voo ascensional nos horizontes de luz. São Homens de Bem. E você, NORMAN JOSÉ DE ANDRADE GIUGNI, foi um Homem de Bem.
Nestas recordações saudosas, pálidas diante do que você representou, envio-lhe, singular e inesquecível amigo, meu abraço espiritual."


*  Klinger Sobreira de Almeida – Militar Ref/PMMG




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