sexta-feira, 27 de abril de 2012

A atuação da Presidenta


Cesar Vanucci *

“O Brasil nunca foi tão importante
para os Estados Unidos como agora.”
(Revista inglesa “Economist”)

Dizia-se, com inocultável timbre de machismo medieval, que ela não estava preparada jeito maneira a assumir o cargo. Dizia-se, botando-se ferocidade e má fé nas palavras, que ela iria comprometer irremediavelmente a imagem brasileira no exterior. Dizia-se que, caso viesse a ser eleita, em “instante de inadvertência” de um “eleitorado evidentemente despreparado”, passaríamos, todos nós, pelo vexame de ver, algum dia, o mais proeminente detentor de cargo público do País ter o ingresso vetado noutros países, à vista de seu passado rebelde. Ou seja, da posição corajosa adotada no combate ao regime ditatorial. Dizia-se tudo isso e muitas outras parvoíces mais, em boa parte das vezes com a utilização de linguajar altamente injurioso.

Os manjados autores dessas ofensas, propaladas à mancheia na mídia e redes sociais, acirrados por paixão ideológica desvairada, andaram baixando mais recentemente o tom dos doestos. Mas não se deram ainda por achados. Parecem não haver se convencido de que sua catilinária irrefletida não encontra eco no sentimento popular.

Fingem não saber que a Presidenta vem acumulando, mês após mês, desde que botou os pés no Alvorada, índices de popularidade nunca dantes alcançados, a tempo qualquer, por qualquer outro governante brasileiro. Nem mesmo JK. Nem mesmo Lula. Fazem ouvidos moucos às manifestações internacionais contínuas de aplausos que Dilma vem atraindo, mesmo quando, prevalecendo-se da prerrogativa democrática da crítica, denuncia em foros internacionais decisões prejudiciais ao nosso e aos demais países do rol dos emergentes, tomadas por governantes das nações desenvolvidas desejosos de imporem suas conveniências geo-político-econômicas ao resto do mundo. Na recente visita da Presidenta aos Estados Unidos, o Presidente Barack Obama fez questão fechada em expressar, mais uma vez, que a grande Nação sob seu comando vem enxergando o Brasil, neste momento, como parceiro vital. Confessou-se disposto a imprimir à parceria magnitude de tal ordem que nenhum observador mais atento aos acontecimentos mundiais se aventuraria, algum tempo atrás, a prognosticar.

E o que não dizer dos acertos da Presidenta nas empreitadas domésticas? O crescimento vertiginoso dos índices de popularidade encontra explicação - é certo como dois e dois somam quatro – em seu enfrentamento altivo e desassombrado às pressões descabidas de alguns incômodos aliados. Um bando minoritário de anarquistas fisiológicos que laborando em censurável equívoco – pra empregar, ta na cara, uma palavra bem amena –, vislumbra no exercício da nobre arte da política um mero e mesquinho jogo de “toma lá, dá cá”. Alijados de postos relevantes, recorrem a chantagens explícitas, quebrando a cara diante da resistência granítica da chefe do governo às suas desatinadas ambições. Fica claro para a opinião pública, que está a acompanhar com simpatia os procedimentos da Presidenta nesse tumultuado relacionamento com seus presumidos aliados, uma coisa relevante. Essa gente de apetite desmedido por cargos mostra-se potencialmente capacitada a infligir danos à administração tanto quanto alguns adversários, tresloucadamente empenhados em denegrir, a qualquer custo, valendo-se de perversos processos, a imagem de Dilma.

Uns e outros, aliados incômodos e inimigos tresloucados, estão sujeitos, a curto prazo, a experimentarem frustração ou amargor ainda maiores com relação à personagem sob o foco de sua inconsequente zanga. A Presidenta acaba de tomar uma decisão com impacto de uma revolução pacífica. Uma decisão que chega em boa hora, guardando rigorosa sintonia com os anseios da Nação. O anúncio da medida reaviva a lembrança de José Alencar. Muitos põem-se a imaginar que, lá nas latitudes espirituais em que se encontra, o nosso saudoso Vice recebeu com largo sorriso no semblante a informação relativa ao ato de Dilma ordenando, em termos peremptórios, a redução pra valer dos juros nas operações do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. E, depois, recomendando, reiterando com vigor, que o exemplo das instituições oficiais seja acompanhado, sem maiores delongas, pela rede bancária privada.

Se tudo, como os fatos promissoramente sugerem, correr nos devidos trinques, a população brasileira em todos os níveis será extremamente favorecida. Uma nova política de juros, civilizada, humanizada, abre na verdade caminhos descortinadores ao bem estar comunitário, ao desenvolvimento econômico, influenciando uma melhor e mais equitativa partilha da riqueza. Cria estímulos renovados aos empreendedores, para que expandam as fontes de produção e de produtividade, abrindo mais postos de trabalho em favor da prosperidade social.
Resumindo a história.
Entre o que alguns diziam e alguns poucos continuam dizendo de Dilma e o que a grande maioria dos brasileiros pensa da Presidenta estabeleceu-se uma distância abissal. A realidade aponta, na personagem enfocada, alguém sinceramente engajada no esforço de conduzir o Brasil rumo ao seu indesviável destino de grandeza.



Flagrantes humanos emblemáticos

“A cirurgia tende a acabar.”
(Paulo Niemeyer Filho, neurocirurgião)

As grandes revistas brasileiras seguem a tradição de estampar, logo nas primeiras páginas de cada edição, entrevistas com personagens famosos. Os depoimentos enfeixados representam, não poucas vezes, a parte mais interessante do conjunto de informações veiculadas.

Extraio da “IstoÉ”, edições recentes (nºs 2206, 22 de fevereiro, e 2208, 7 de março), duas manifestações sobre temas momentosos, que exprimem, cada qual a seu jeito, posicionamentos humanos emblemáticos diante do jogo da vida. Projetam formas diferentes, antagônicas, pode-se dizer mesmo conflitantes, de se contemplar a aventura humana.

Num dos depoimentos, um cientista brasileiro, embalado em crenças humanísticas, esquadrinha com olhar esperançoso o futuro da medicina. Considerado um dos melhores neurocirurgiões do mundo, Paulo Niemeyer Filho afiança que o tratamento médico vai ser daqui a pouco todo baseado na genética. Explica, convicto, que “a cirurgia tende a acabar”. Acrescenta não “fazer sentido abrir a cabeça, o tórax de um doente.” Explica que “dois fatores serão decisivos.” “Os estudos das células-tronco (células que se transformam em tecidos do organismo) levarão a um conhecimento enorme da biologia molecular. E isso possibilitará o surgimento de novos tratamentos para doenças como o câncer. A medicina do futuro vai ser baseada na genética, na biologia nuclear. Outra novidade é que a cirurgia de obesidade será no campo neurológico.” Esclarece que “a neuromodelação, também chamada de Estimulação Cerebral Profunda”, é uma técnica nova, já vem sendo aplicada nos Estados Unidos e na China, “assemelhando-se a um marcapasso cardíaco”. Niemeyer revela também que esse método começa a ser estudado no tratamento da obesidade. “Muitos obesos – salienta – têm doenças compulsivas nas quais a comida é apenas um fator da compulsão.” “Com a estimulação, feita no núcleo cerebral relacionado à recompensa que a comida proporciona, o individuo tem a sensação do prazer que a comida lhe dá, sem necessidade de comer.” Outra revelação animadora trazida pelo cientista: “O mesmo procedimento será feito para o usuário de drogas.”

No outro depoimento pinçado, Chris Kyle, atirador de elite, apontado como o melhor nessa especialidade da história da Marinha dos Estados Unidos, confessa, sem hesitações na voz e sem denotar o menor arrependimento, que “matei 255 pessoas que mereciam morrer.” Alegando que seus mortíferos disparos alvejaram somente pessoas que faziam atos de violência contra seus compatriotas, diz sentir-se “plenamente justificado, não me arrependo de nada”. Kyle, que sonhava ser caubói, antes de tornar-se soldado, integrou um agrupamento de comandos da Marinha. Pela contabilidade do Pentágono, nas ações bélicas de que participou, matou 160 pessoas. Num livro que lançou e que vem batendo recordes de vendas nas livrarias estadunidenses, ele contesta com veemência os números oficiais. Foram, sustenta, orgulhoso de seus feitos, 255 mortos. O atirador exímio assevera acreditar na Bíblia “e, nela, Deus diz “não matarás” no sentido de assassinar alguém.” Mas, anota com convicção, “na justiça de Deus, isso não cabe às pessoas que estão em guerra.” Pelo que conclui: “Não me arrependo de nada. Aquelas pessoas mereceram morrer. Os únicos remorsos que tenho são por aqueles companheiros que não consegui salvar. É deles que sempre me lembro.”

É como sublinhei no início do papo. Os dois depoimentos falam de instantes bem distintos da história escrita pela humanidade de nosso tempo. Material para largas reflexões.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)


sábado, 21 de abril de 2012

As insuspeitadas propriedades da pipoca

Cesar Vanucci *

“As cascas de pipoca merecem mais respeito.”
(Joe Vinson, cientista e pesquisador)

Ora, veja, pois! Quem diria que, algum dia, cientistas de renome se animassem a disparar uma revelação tão desconcertante? A pipoca, garantem doutos personagens, é opção tão ou mais saudável até do que as frutas e os vegetais. A tese encampada por pesquisadores da Universidade de Scranton, Estados Unidos, consubstanciada numa singular pesquisa, que vem dando o que falar, joga por terra, estrepitosamente, a idéia secular de que o delicioso produto derivado do prosaico ato de se rebentar numa panela ao calor do fogo o grão de milho, não passa de um item a mais da vasta relação de alimentos não recomendados nas dietas por serem despojados de teor nutritivo saudável.

O estudo vindo a lume garante serem consistentes as evidências de que a pipoca contém mais substâncias antioxidantes saudáveis, denominadas polifenóis, do que as encontradas nas frutas e legumes. Os polifenóis, como parece ser do desconhecimento geral, são responsáveis pela diminuição da presença no organismo dos chamados radicais livres, causadores do envelhecimento e de doenças como o câncer e o mal de Alzheimer. O bioquímico Joe Vinson, coordenador da pesquisa, assinala maior concentração de polifenóis na pipoca do que em frutos comestíveis e hortaliças.

Enquanto que na pipoca os polifenóis ficam diluídos em 4% de água, nos vegetais alimentícios a diluição se processa em 90% de líquido. A mesma lógica, de acordo com o cientista, pode ser aplicada às frutas secas, como a uva-passa, por exemplo. Como a casca da uva é, também, boa fonte de polifenóis, quanto menos água tiver, maior será a concentração da substância antioxidante benéfica à vida.

A pesquisa chega a outra descoberta inesperada. A casca da pipoca – aquele resíduo incômodo que costuma ficar grudado nos dentes – é a parte do produto que oferece mais densa concentração de polifenóis e fibras. “As cascas merecem maior respeito”, anota, em tom bem humorado, o cientista citado.

Joe Vinson acrescenta que a pipoca é um lanche simplesmente perfeito. Trata-se de alimento composto de 100% de grãos integrais, com qualidade protéicas superiores aos de outros produtos que recebem a mesma denominação (integrais), mas que, na verdade, são compostos de grãos misturados com variados ingredientes.

O pesquisador tem o cuidado de alertar as pessoas quanto à forma de preparar e servir a pipoca, de forma a não colocar em risco seu alcance nutritivo. A pipoca – acentua – para se tornar saudável carece ser feita à moda tradicional, em panela ou pipoqueira onde os grãos estourem sob efeitos do ar quente. Aconselha-se parcimônia no emprego de óleo e sal.

A pipoca “rebentada” em microondas e as de características excessivamente amanteigadas, do tipo vendido nas salas de cinema, não são recomendadas. De outra parte, a pipoca há que ser vista como complemento de uma dieta nos trinques. Não como um sucedâneo de frutas e verduras. Esses produtos contêm vitaminas e outros nutrientes essenciais à saúde, não encontrados na pipoca. Vale também registrar que 100 gramas de pipoca produzem de 380 a 440 calorias. Uma dieta normal comporta 2.000 calorias diárias.

O tema pipoca reacende na memória velha de guerra imagens bastante hilárias de tempos passados, a se levar em conta o que se vê agora nos cinemas. Anos atrás, o ato de consumir pipoca durante exibição de filmes podia gerar punição severa. Policiais e “lanterninhas” traquejados, devidamente investidos dos poderes de sentinelas da moral e dos bons costumes, movimentavam-se com impecável zelo puritano no escurinho do cinema com o nobre intuito de flagrar em delito, de modo todo especial, dois tipos de espectadores “inconvenientes”: namoradinhos que se aventurassem, audaciosamente, a entrelaçar as mãos, e... insolentes comedores de pipoca. O flagrante costumava render para o infrator convite desonroso para retirar-se do sagrado recinto. Sem direito a ressarcimento do valor da entrada. Muitas vezes, sobretudo em cidades do interior, o tititi provocado por incidentes do gênero causava danos duradouros à imagem pessoal dos defenestrados. Se fosse mulher, então...



Acupuntura, especialidade médica?


“Lembro-me bem do tempo, não tão distante assim,
em que a acupuntura era tida como prática de curandeirismo.”
(Antonio Luiz da Costa, professor)

Estive a pique, falar verdade, de soltar estardalhante risada. Contive-me pelas implicações dramáticas do episódio na ação profissional de um bocado de gente. Essa decisão recente do Tribunal Regional Federal de Brasília, acatando postulação do Conselho Federal de Medicina, no sentido do reconhecimento de que a prática da Acupuntura só seja facultada a médicos, faça-me o favor, é de deixar arrepiados e estarrecidos todos os profetas esculpidos por Aleijadinho no ádrio da Matriz de Nosso Senhor Bom Jesus de Matozinhos, lá de Congonhas.

Quem, como este desajeitado memorialista de lances bizarros do comportamento humano, conserva ainda frescos na lembrança velha de guerra elucidativos registros da aurora dessa prática milenar oriental na vida brasileira, está careca de saber que a acupuntura aflorou por aqui rodeada de pesada carga de desconfianças e suspeitas. Sobretudo por conta das severas restrições terapêuticas estabelecidas em redutos médicos. Não poucos viam-na como um extravagante e herético exercício de curandeirismo, abominável ao olhar crítico da hermenêutica científica. Os vanguardeiros aplicadores dessa técnica alternativa eram olhados de esguelha, em não poucos ambientes. Eram acusados de envolverem com aconselhamento subversivo e anticientífico ingênuos pacientes, espetando-lhes agulhas pelo corpo em excêntricos rituais.

E não é que anos depois, bom pedaço de tempo transcorrido, a história começou a ser narrada de modo totalmente diferente! A acupuntura, como era decantado pelos iniciadores da prática, contrariando – repita-se – as alegações dogmáticas de poderosos opositores, “passou” a possuir, sim senhor, propriedades curativas dignas de nota. Já razoavelmente propagada nos hábitos comunitários, atiçou as atenções de setores que faziam questão fechada de menosprezá-la ostensivamente.

Daí, para ser incorporada à atuação profissional rotineira desses segmentos antes refratários à sua disseminação foi um passo rápido. Ocorreu, então, de os domínios dessa saudável atividade terapêutica passarem a ser palmilhados, ao mesmo tempo, com evidentes vantagens para a clientela cada dia mais volumosa, pelos terapeutas holísticos responsáveis pela sua introdução na praça, ou seja os acupunturistas da primeira hora, por médicos e por outros profissionais da área da Saúde, com realce para farmacêuticos e psicólogos. De repente, chega a público inesperada proclamação de um desses respeitáveis segmentos. A acupuntura – está sendo esclarecido doutoralmente – permite a utilização de agulhas de vários tamanhos, em áreas nobres do corpo. O profissional que maneja esses instrumentos, precisa dominar com precisão cientifica o que é feito. Conclusão inapelável: só os médicos, ouviu moçada?, mostram-se aptos a elaborar diagnósticos e a fazer tratamento por esse salutar processo.

A controversa alegação desaguou, obviamente, em contenda jurídica. O desate surpreendente, sujeito ainda naturalmente a chuvas e trovoadas por força dos recursos legais produzidos pelo compreensível inconformismo dos setores que vêm sendo descerimoniosamente alijados dessa área de atuação profissional, foi a decisão, hilária a mais não poder a considerar os antecedentes históricos narrados, tomada pelos magistrados brasilienses. O ex-presidente do Colégio Brasileiro de Acupuntura, médico Dirceu Sales, tomou da palavra, após a sentença, para explicar que “vamos agora conversar para ver como será a aplicação da decisão judicial”. Adicionou, magnânima e condescendentemente, que “não queremos fazer caça às bruxas ou que consultórios de outras especialidades sejam da noite para o dia fechados”. O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Carlos Lima, deixou explícito que a decisão judicial representa “um ganho para a saúde, para a segurança do paciente.” Mas não é bem assim que a coisa é vista noutras paragens.

Os Conselhos representativos das demais categorias profissionais prometem brigar, com todas as forças, pelo direito de seus membros continuarem compartilhando a “ex-técnica maldita”, segundo o “veredicto” implacável do passado, com os colegas médicos. Taí um tipo de luta que encontra – é fácil comprovar – respaldo pra valer na simpatia popular.

Acupuntura, uma especialidade médica? Há sérias controvérsias a esse respeito.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Lançamento do livro "José Alencar, missão cumprida", em Uberaba

Público numeroso, estimado em mais de 600 pessoas, participou no teatro do Sesi no último dia23 de março da noite de autógrafos com palestra, que marcou o lançamento do livro “José Alencar, missão cumprida”, de autoria do jornalista e escritor Cesar Vanucci.
Intelectuais, políticos, autoridades municipais, dirigentes classistas, empresários, educadores e universitários assinalaram presença no evento que foi promovido pela Academia de Letras do Triangulo Mineiro e Fundação Cultural de Uberaba, com o apoio de outras instituições culturais.
O ex-ministro de Estado Patrus Ananias, membro da Academia Mineira de Letras, proferiu na ocasião aplaudida palestra sobre a vida e obra de José Alencar.
O autor do livro, Cesar Vanucci, relatou passagens marcantes da atuação do saudoso vice-presidente à frente do Sistema Fiemg e nas atividades desenvolvidas como empresário e como político.
Foi lida na oportunidade uma mensagem de Josué Christiano Gomes da Silva, presidente da Coteminas felicitando e agradecendo em nome dos familiares de José Alencar, o autor do livro e o palestrante.
O presidente da Academia de Letras do Triangulo Mineiro, escritor José Humberto Henriques e o presidente da Fundação Cultural Fábio Macciotti, também fizeram uso da palavra.
A programação abrangeu números artísticos do folclore brasileiro. Os autógrafos se estenderam até a madrugada.

 Cesar Vanucci apresenta o livro

 Mesa dirigente dos trabalhos

 O autor distribui autógrafos

 Patrus Ananias e d. Linda Beatriz de Oliveira Carneiro Leão

 Patrus Ananias e vice-Prefeito Paulo Mesquita

 Coral e o deputado Adelmo Leão
Público presente no teatro



Malfeitos encachoeirados

Cesar Vanucci *

“O moralista da boca pra fora apavora-me
tanto quanto o assaltante de arma em punho.”
(Antônio Luiz da Costa, sem saber que sua frase
 viria a calhar para o Senador Demóstenes Torres)


Tanto quanto dá pra sentir, mantidos os aparelhos da percepção pessoal devidamente sintonizados nos acontecimentos em curso, muita água promete ainda rolar nessa encachoeirada história (trocadilho inevitável) do promíscuo relacionamento do dadivoso banqueiro de bicho com cidadãos considerados acima de qualquer suspeita, de seu seleto rol de comparsas.

No incandescente tititi das rodas brasilienses tem-se como certo que, além das já tempestuosas revelações vindas a furo nas investigações oficiais, muitas outras informações bombásticas, talvez até mesmo liberadas (como sonante recado dirigido a possíveis aliados desejosos de abandonarem o navio) pelo próprio poderoso chefão recolhido ao xilindró de Mossoró, poderão explodir a qualquer instante, comprometendo outros viventes de grande projeção. Aquele tremendo cara de pau, que posava, o tempo todo, no Senado, como Catão da República, fazendo gênero de vestal de templo sagrado, não seria, ao que tudo faz crer, o único figurão com frequência comprovada no esquema bilionário montado por Cachoeira pra azeitar as engrenagens da corrupção em Goiás e adjacências. Outros graudões – é o que se propala à boca pequena – figuram na alça de mira das autoridades incumbidas das apurações. Comenta-se abertamente que as provas já recolhidas ou em vias de serem coletadas acenam com pagamentos de propinas vultosas carreadas pelo desenvolto chefe do clã mafioso a um punhado de outros elementos bem situados no cenário político e empresarial. O homem, tanto quanto aquele outro célebre banqueiro apanhado nas malhas da operação “Satiagraha”, este, por sinal, no inexplicável desfrute de tranquila liberdade de movimentos cá fora depois de curta experiência como presidiário, parece dispor de munição farta pra disparar por aí. Isso, na hipótese das circunstâncias se mostrarem desfavoráveis às suas pretensões de escapar ileso da tormenta... Pelo que já se tem como constatado, ao longo de sua movimentada carreira, Carlos Cachoeira andou indicando um montão de pessoas, de sua estrita confiança, para cargos importantes no governo do Estado de Goiás. De outra parte, são fortes e consistentes as suspeitas de que a mufunfa por ele repassada a comparsas não seria fruto exclusivo dos negócios ilícitos por ele operados com singular desenvoltura, na barba das autoridades goianas, como banqueiro de bicho. Parte dos volumosos recursos procederia de outro gênero de maracutaia. A exemplo do notório Marcos Valério, coordenador dos dois mensalões à espera de julgamento, Carlos Cachoeira atuou como prestimoso intermediário, dando conta eficientemente do recado, de um bando de empreiteiros mergulhados a fundo em múltiplos esquemas de corrupção.

Aguardar o que está pra vir.

E, por último. Nessa história toda, há - como não? - algo positivo a comemorar. O combate aos crimes de colarinho branco ganhou, em tempos recentes, notável e salutar impulso. Seguir em frente.



As clareiras abertas por Daniken

“Em tempos passados e primordiais, a Terra recebeu
visitas de seres desconhecidos, procedentes do Cosmo.”
(Erich von Daniken)

Erich von Daniken rodou pelo Brasil, sem o alarde, pelo menos na etapa cumprida em Beagá, que uma presença tão ilustre fizesse por merecer. A esplêndida palestra dada no Centro de Cultura Nansen Araújo do Sesiminas deixou-nos robustecidos na convicção de que as linhas basilares das idéias vanguardeiras que defende a respeito da suposta visita de astronautas, em tempos remotos, ao nosso planeta permanecem extremamente atuais.

As afirmações instigantes de seu primeiro livro – Eram os deuses astronautas? – que alcançou vendagens só sobrepujadas pela Bíblia, conservam o frescor primaveril de uma tese novidadeira, que todo mundo intui, naturalmente, possa vir a ser, a qualquer hora, confirmada. Suas declarações, ao contrário do que se imagina em redutos fundamentalistas, contêm inequívoco apelo místico. Acercam-se, de algum modo, daquilo que José Gabriel Fuentes, diretor do Observatório do Vaticano, arguido acerca da viabilidade da vida extraterrena, comenta: “Da mesma maneira que existe uma grande quantidade de criaturas na Terra, também podem existir outras formas de vida – até inteligentes – que também foram criadas por Deus.” Daniken vem se consagrando, uma vida inteira, à estóica, muitas vezes, ridicularizada tarefa de tentar provar a viabilidade da existência de vida inteligente fora desta minúscula ilhota perdida, chamada Terra, nesse oceano interminável de inexplicabilidades denominado Cosmos. Seus mais de trinta livros, traduzidos em 25 idiomas, com 63 milhões de cópias, documentam com argumentos poderosos e imagens desnorteantes, muitos deles interpretados de registros sagrados, a possibilidade deste nosso mundo, antes dos tempos de hoje, já haver abrigado outras formas de vida inteligente providas de avançados recursos tecnológicos.

O jornalista Rafael Cury, dirigente do Instituto Galileo Galilei, de Santa Catarina, órgão que patrocinou a vinda de Daniken ao Brasil (Brasília, Rio, São Paulo, Blumenau e Belo Horizonte), incumbiu-me, desvanecedoramente, da apresentação do famoso pensador à seleta platéia que participou do evento no Sesi.

Em breve fala, expliquei que a apresentação de um personagem desse gabarito seria, na verdade, dispensável. Disse sentir-me no papel de um locutor que, num estádio de futebol, houvesse sido designado, antes do espetáculo programado, pra fazer uma apresentação de Pelé. Mas como o protocolo apontava a conveniência daquela palavra introdutória, esforçando-me por torná-la breve, iria valer-me de informações a respeito do personagem, posto que fascinantes, óbvias por demais.

Daniken – acentuei – é o que se pode chamar de um contemporâneo do futuro. Alguém que enveredou, com empenho e desassombro, mata densa adentro, com espírito desbravador, abrindo picadas e formando clareiras na busca do conhecimento, de forma a permitir ao ser humano o exercício da curiosidade e da visão ilimitada para descobrir o por quê das coisas. Mostrou-nos que, pra enxergar mais longe, temos que olhar por cima dos muros que nos rodeiam. Proceder como aqueles navegadores do desbravamento marítimo: olhar as estrelas pra dar rumo ao navio. Brindou-nos com interpretação mítica deslumbrante do futuro, estimulando-nos a repensar o papel do homem no contexto do Universo. Aguçou nossa sede de conhecimento no sentido de entender melhor os prodígios da vida e pra formular perguntas, muitas perguntas, mesmo sabedores de que sempre nos defrontaremos com novas e mais perturbadoras perguntas do que com respostas. Lembrei, também, que nos sítios arqueológicos espalhados pelo mundo – alguns já por mim prazerosamente percorridos – os guias passam aos turistas as informações constantes da cartilha que lhes é dada, mas costumeiramente acrescentam informações a respeito de teorias bastante diferentes sobre o que realmente teria acontecido naqueles lugares, mencionando aí, sempre, o que se conta nos livros de von Daniken. Ou seja, a participação de seres inteligentes de outras civilizações em momentos significativos da construção humana. Concluí afirmando que as assertivas do escritor suíço colocam-no, no vasto cenário da inteligência humana, num patamar que acena com a mudança de paradigmas culturais engessados, visando a assimilação de conceitos descortinadores nos horizontes do conhecimento.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Lançamento do livro “José Alencar, missão cumprida”, nas “Amigas da Cultura”


As fotos são da assembléia realizada, na Associação Amigas da Cultura, em Belo Horizonte, para o lançamento do livro "José Alencar, missão cumprida", de autoria de Cesar Vanucci. D. Mariza Gomes da Silva, viúva de Alencar, esteve presente e foi homenageada pelo transcurso de sua data natalícia. O autor do livro contou passagens da vida do biografado e autografou exemplares do livro.
 A presidente da "Amigas da Cultura", Consuelo Máximo, saudou d. Mariza e Vanucci.







Dois gênios da raça

Cesar Vanucci *

“Millôr e Chico, gênios insubstituíveis.”
(Jornalista Hélio Fernandes)

Confesso, em lisa e reta verdade, não saber bem pra onde mandar a reclamação. O que sei, escorado em compreensível inconformismo – não apenas meu, mas de um bocado de gente – é que a retirada de cena do palco da vida, assim sem mais nem menos, quase ao mesmo tempo, de dois legítimos gênios da raça, só pode mesmo ser interpretada como um baita despropósito. Uma censurável inadvertência do destino.

Mas, logo eles, o Chico e o Millôr? Com tanta celebridade de araque, inflada pelos ouropéis da fatuidade mundana, a dar sopa rasa aí na praça? Mas, logo esses dois super craques, titulares absolutos do escrete da inteligência, sem ninguém à vista no banco de reservas com o devido preparo para preencher seus postos? Convenhamos, os fados não se mostraram, desta feita, nada condescendentes com a cultura brasileira.

Percorro as alamedas da memória, a atenção desperta pra toda sorte de referências, revendo personagens que marcaram presença no plano do humor criativo, em diferentes momentos e cenários, desde as magistrais performances de Charlie Chaplin no cinema mudo até nossos dias. Chega-me rápido a constatação de que não andou pintando artista algum no pedaço com o talento de Francisco Anísio de Oliveira Paula Filho. Alguém que se mostrasse capaz de compor, com tamanho engenho e encantamento, tipos humanos tão identificados com a genuína alma das ruas. Poderá surgir, nalgum instante, o argumento de que, malgrado o ofuscante talento de Chico, a arte desse maranguapense (ufa!) inolvidável não conseguiu alcançar, ao contrário do que ocorreu com outras figuras exponenciais reveladas pelo cinema, sobretudo de Hollywood, ressonância mundial. O contra-argumento correto é de que, se culpa existe nesse caso, o prodigioso criador das mais de duzentas convincentes e saborosas caracterizações que arrancaram gargalhadas incontroláveis e magnetizaram multidões não tem nada a ver com isso. Afora dos domínios futebolísticos, ou, mais recentemente, de uma que outra modalidade esportiva olímpica, ou de nossa maravilhosa mpb, pouco se sabe lá fora do engenho de brasileiros bem providos de dons. Isso ajuda a explicar, por exemplo, o fato de romancistas e poetas do quilate de um Guimarães Rosa, de um Jorge Amado, de um Érico Veríssimo ou Carlos Drummond de Andrade, para ficar apenas numa amostragem de personagens destacados de nossa pujante seara literária, jamais terem tido os nomes lembrados para o Nobel.

Chico, proclame-se com justa ufania, projetou-se mesmo como o maior naquilo que fez. Um gênio sem igual. Arrisco até a endossar o que o jornalista Hélio Fernandes disse a respeito dele e de seu irmão Millor Fernandes: “gênios insubstituíveis”. Foi, além do mais, um cidadão nobre, de imenso coração e caráter.

Anos atrás, pela circunstância de frequentar amiúde a residência, no Rio de Janeiro, de meu saudoso irmão Augusto Cesar Vanucci, à época diretor da linha de shows e programas humorísticos da Rede Globo, participei de incontáveis encontros com elementos do mundo artístico. Esses prazenteiros contatos consolidaram em meu espírito a impressão de que os colegas de Chico dedicavam-lhe dose de admiração e apreço que ia muito além do esperado nos estritos termos da convivência profissional. O pessoal tinha-o na conta de líder, de amigo fraternal. Ele era o cara.

Este mestre da comunicação que acaba de nos deixar, brasileiríssimo na concepção do humor universal que nos legou, não tem como não ser reconhecido por todos como uma instituição nacional.


Um filósofo magistral

“O Millôr fazia rir pensando.”
(Zuenir Ventura, escritor)

Alguém afirmou, parece ter sido o Ziraldo, que Millôr Fernandes foi o maior filósofo brasileiro de todos os tempos. Recordo-me que, muitos anos atrás, num texto de Paulo Francis topei também com a afirmação de que Millôr era o escritor brasileiro mais completo. O que sabia, dentre todos, expressar-se com melhor precisão. Ou algo parecido.

Ambos têm razão de sobra no que disseram. Millôr Fernandes, escritor, jornalista, dramaturgo, tradutor, cartunista utilizou magistralmente o humor para tornar públicas suas interpretações filosóficas do intrincado jogo da vida. Deixou impressas, no extenso itinerário intelectual percorrido, cintilações verdadeiramente geniais. Seus horizontes criativos foram de amplitude pode-se dizer cósmica. A erudição, sabedoria, acuidade social, poder de criatividade e senso de humor que compunham seus múltiplos talentos permitiram-lhe construir obra pujante e definitiva, fadada a permanecer como referência maiúscula na criação intelectual da língua pátria.

Millôr disparava sempre uma palavra precisa, impecável, para definir os lances do cotidiano, pra comentar as instigantes reações comportamentais dos seres que habitam este nosso amalucado planeta. Irreverente, desassombrado, mordaz, exercitou esplendidamente a crítica social, vergastando, com estilo inconfundível, as imposturas e a hipocrisia nas avaliações que fazia dos atos e decisões das lideranças descomprometidas com o bem comum. Combateu, com firmeza, os desvarios dos tempos autoritários, burlando a censura implacável e entregando à reflexão dos leitores escritos antológicos.

De certa feita, como paraninfo de uma turma de jornalistas, numa hora considerada ainda delicada do ponto de vista político, marcada por incertezas quanto à retomada democrática, produziu um discurso singular. A ode que fez à democracia surpreendeu e magnetizou o público, que acabou cobrindo sua fala com verdadeira ovação. Cessadas as ruidosas manifestações, o escritor explicou, entre gargalhadas e novos aplausos frenéticos, que as palavras que acabara de proferir haviam sido, todas elas, extraídas de pronunciamentos de um dignitário do poder autoritário. Quis, certamente, com o intrigante e bem humorado gesto, transmitir num estilo muito seu, a lição de que a retórica empregada nas ditaduras exalta sempre, descerimoniosamente, os valores mais elevados da convivência humana, enquanto que, na prática, os dirigentes se empenham mesmo é em jugulá-los, sob a enganosa alegação de que estão cuidando de resguardá-los.

Esse intelectual admirável, que ao deixar de ser visto contribuiu para que seu País se tornasse menos inteligente, presenteou-nos em seus livros, peças, charges, poemas, hai-kais, com frases inesquecíveis, reveladoras do conhecimento aprofundado que tinha da alma humana. Eis aqui, para deleite duradouro, algumas delas:
“Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos muito bem”. “Calúnia na internet a gente tem que espalhar logo, porque sempre é mentira”. “O dinheiro não dá felicidade. Mas paga tudo o que ela gasta”. “Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor”. “Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim”. “O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde”. “O capitalismo não perde por esperar. Em geral, ganha 6% ao mês”. “Todo homem nasce original e morre plágio”. “Quando todo mundo quer saber é porque ninguém tem nada com isso”.

Isso aí. Millôr Fernandes, essa outra instituição legitimamente brasileira, confere vida, na verdade, àquilo que proclamava Bielinsk: “O que vive no povo inconscientemente e em estado virtual, encontra-se revelado e realizado no gênio”.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

A SAGA LANDELL MOURA

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