sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

ENCONTRO CULTURAL INTERACADÊMICO - 18 DE FEVEREIRO


C  O  N  V  I  T  E

A Arcádia Minas Gerais, a Academia Feminina Mineira de Letras, a Academia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa, a Academia de Letras João Guimarães Rosa da Polícia Militar de Minas Gerais, a Academia de Letras do Ministério Público de Minas Gerais, a Academia de Letras do Triângulo Mineiro, a Academia Mineira de Leonismo, a Academia Mineira de Letras, a Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais

ao ensejo das celebrações, neste ano de 2020, do Tricentenário da Implantação da Capitania de Minas Gerais, têm a satisfação de convidar associados e amigos  para o Encontro Cultural Interacadêmico intitulado
O Brasil de JK,
evocando um momento marcante na história do desenvolvimento brasileiro.
Exposição do Economista e Acadêmico Carlos Alberto
    Teixeira de Oliveira subordinado ao tema
“Juscelino, profeta do desenvolvimento”.

Exposição do Coronel Acadêmico Klinger Sobreira de
   Almeida subordinado ao tema
“A atuação de JK na Polícia Militar de Minas”.


Data: 18 (dezoito) de fevereiro de 2020, terça-feira
Horário: 15 (quinze) horas
Local: sede da Amulmig, entidade a que pertenceu o Acadêmico Juscelino Kubitschek, rua Agripa de Vasconcelos, 81, Alto das Mangabeiras, próximo à praça do Papa, Belo Horizonte.



Os rios só pedem passagem...

Cesar Vanucci

“... Mas eu só queria passar!”
(Sheilla Lobato, escritora, no poema “Lamento de um rio”)

Faço esporádicas incursões pelo fascinante e desgastante território da internet. Procuro, precavidamente, nessas andanças, evitar os trechos minados, muito mais abundantes do que poderia supor nossa vã filosofia... Na faixa chafurdenta do território percorrido pelas multidões, zilhões de vezes, todos os dias, em todas as partes deste confuso planeta azul, vicejam, como sabido, irritantes frivolidades, atordoantes intrigas, perversas maledicências, inimagináveis falsidades. Tudo isso gerado, como também notório, por legiões de indivíduos despojados de sensibilidade social e sentimento do mundo. Ao lado dos assim (apropriadamente) chamados “idiotas da aldeia”, a coadjuvá-los eficientemente na massiva tarefa de ilaquear a boa fé das pessoas e levar o desassossego às mentes e corações, sobretudo nas camadas mais ingênuas da sociedade, colocam-se, galharda e pressurosamente, analfabetos políticos. E, ainda, anarquistas de todos os naipes, profissionais especializados em espalhar falsidades e vociferações preconceituosas. Todos a soldo de personagens e grupos maquiavélicos inebriados pelos ouropéis do poder mundano.

Nas buscas empreendidas nessas ocasionais ações como internauta, apego-me sempre a um lema: as amargas, não. A procura pessoal a que me atino, impelido pela esperança, é de lances de vida que enriqueçam a alma, fortaleçam a causa da construção humana. Esse lema remete-me a nostálgica lembrança. Falo da leitura, nos idos tempos da adolescência, de interessante livro, justamente com o título “As amargas, não”, do festejado escritor Álvaro Moreyra.

Isto posto, peço permissão, agora, ao distinto e culto leitorado que acompanha estas maltraçadas linhas, produzidas dia sim, dia não, por este desajeitado escriba, incorrigível caçador de quimeras, para aqui reproduzir, compartilhando-os prazerosamente, sugestivos e emblemáticos versos. Recolhi-os em incursão recente a áreas da internet onde sentimentos nobres, propósitos edificantes, conceitos de vida positivos costumam, afortunadamente, jorrar em compensadora profusão. São versos de Sheilla Lobato no poema intitulado “Lamento de um rio”. Narram, com envolvente lirismo, uma história de candente atualidade.

“Me perdoem por toda esta "bagunça"... Eu só queria passar. / Eu não fui feito pra Destruir... Eu só queria passar. / Já fui Esperança para os Navegantes... / Rede cheia para Pescadores... / Refresco para os banhistas em dias de intenso calor. / Hoje sou sinônimo de Medo e Dor... / Mas, eu só queria passar...// Me perdoem por suas casas / Por seus móveis e imóveis / Por seus animais/ Por suas plantações... Eu só queria passar. /  Não sou seu inimigo / Não sou um vilão / Não nasci pra destruição... / Eu só queria passar. // Era o meu curso natural / Só estava seguindo meu destino / Mas, me violentaram, / Sufocaram minhas nascentes / Desmataram meu leito... Quando eu só queria passar. / Encontrei tanta coisa estranha pelo caminho...  Que me fizeram Transbordar.../ Muros / Casas / Entulhos / Garrafas / Lixo / Pontes / Pedras / Paus.../ Tentei desviar ... Porque eu só queria passar. // Me perdoem por inundar sua história, / Me perdoem por manchar esta história... / Eu só estava passando... / Seguindo o meu trajeto / Cumprindo o meu destino: / Passar.... //


A difícil missão de Regina Duarte

Cesar Vanucci

“A cultura é a soma de todas as formas
de arte, de amor e de pensamento.”
(André Malraux)

O exercício efetivo da função de titular na Secretaria (ou Ministério) da Cultura vai exigir da simpática Regina Duarte, no escorregadio e efervescente palco político-administrativo, uma atuação que nada fique a dever aos desempenhos que a consagraram como atriz no plano ficcional encantado da dramaturgia televisiva e teatral. O enredo que lhe está sendo proposto requer da protagonista, para que a interpretação saia a contento geral, talento, tirocínio, bom senso, serenidade, sensibilidade, domínio pleno dos gestos e palavras. E “jogo de cintura”, muito “jogo de cintura”, como se costuma dizer no papear das ruas...

Na opinião de um bocado de gente familiarizada com as tricas e futricas do ambiente político e com a esfuziante lida cultural, a “namoradinha do Brasil” pegou uma parada torta. Vai ter que demonstrar enorme habilidade prá descascar o ananás que lhe foi colocado nas mãos. Terá, de um lado, a vigiar-lhe os passos com zelo sufocante, as falanges talibanistas que mantêm, permanentemente, com propósitos revisionistas, olhares de suspeita e desconfiança focados em tudo aquilo que não se enquadre nas rígidas normas de sua ortodoxia ideológica. Essa postura fundamentalista, como público e notório, entra em rota de colisão constante com a liberdade de criação artística e com a livre manifestação das ideias, comprometendo o bom diálogo democrático.

 Existe, de outra parte, em círculos humanísticos ligados às letras e artes, uma expectativa muito grande quanto ao que será executado, à frente da pasta, por alguém do ramo, provida das credenciais ostentadas pela famosa artista. O mundo cultural, em todas suas variadas modalidades de expressão, é marcado pelas diversidades no campo das ideias. Essas diversidades remetem, compreensivelmente, a divergências e antagonismos ocasionais, passageiros, que acabam sendo absorvidos, no mais das vezes, no dia a dia das realizações. Não há como desconhecer, entretanto, que, neste preciso instante, no meio cultural, nada obstante essa multiplicidade de tendências, subsiste apreensão generalizada quanto ao que será promovido, pela nova gestão, em favor de uma desejável conciliação de interesses que venha a favorecer a execução de uma política cultural realmente representativa do sentimento nacional.

De um algum tempo para cá, os setores que respondem pelas políticas culturais na esfera oficial têm se primado por ignorar  - e até mesmo hostilizar abertamente - conquistas culturais relevantes. São oferecidas, nas entrelinhas, alegações nada convincentes para esse comportamento equivocado. Comportamento esse de visível conotação político-partidária. Algo que molesta o ideal democrático e os postulados republicanos.

Os elementos que atuam nesses setores fingem desconhecer fatos e iniciativas culturais da maior significação e retumbância. Alinhamos abaixo, entre muitos outros, alguns frisantes exemplos. Autor e compositor brasileiro consagrado, Chico Buarque de Holanda arrebatou o cobiçado Prêmio Camões de Literatura. O talento de numerosos cineastas patrícios vem sendo cantado em verso e prosa nas mais importantes mostras fílmicas realizadas no mundo.  Artistas da televisão foram agraciados, recentemente, com lauréis do mais alto valor, em competições internacionais. Dos registros oficiais nada consta, todavia, a respeito desses feitos triunfantes, que engrandecem a cultura brasileira e enchem de júbilo a alma popular. Forçoso e penoso admitir que se trata de uma mesquinha desconsideração para com brasileiros que enaltecem sua pátria.

A cultura é uma projeção luminosa dos saberes, sentimentos, costumes que os seres humanos conduzem em sua caminhada existencial. É um elemento imprescindível no processo da evolução civilizatória. Desdenhar a cultura é típico de gente com inclinação autoritária. Herman Goehring, segundo em graduação na sinistra cúpula nazista, deixou uma frase tristemente célebre sobre como a cultura é encarada em ambientes onde são rejeitados os preceitos democráticos e humanísticos: “Quando ouço alguém falar em cultura, puxo do meu revólver.” A imbecilidade proferida provocou magistral réplica do pensador Louis Pauwels: “Quando me falam em revólver, puxo a minha cultura.”

Os desejos mais ardentes da sociedade brasileira é de que não falte apoio a Regina Duarte para levar a bom termo sua missão. Mas não deixa de ser sintomática a circunstância de ela ver-se obrigada, já no primeiro ato de gestão, a abrir mão do concurso de uma colaboradora, de sua própria indicação, pessoa ao que tudo indica vinculada à aguerrida turma fundamentalista e que, já na primeira hora, revelou-se inablitada para o cargo.

Esse pessoal não brinca em serviço. É só lembrar das aprontações, indoutrodia,  dos “quase titulares” da Secretaria da Cultura e da Fundação Palmares, ambos os dois militantes de carteirinha do grupo...


Rogério Faria Tavares *



Essa gente, de Chico Buarque




Vencedor do respeitado Prêmio Camões de 2019, Chico Buarque será lembrado como um dos mais notáveis artistas brasileiros de todos os tempos. Sua densa e vasta produção como compositor inclui canções eternas como “Pedropedreiro”(1965), “A banda” (1966), Apesar de Você” (1970), “Construção” (1971) e “Cálice” (1973). São de sua lavra peças teatrais como “Roda Viva”(1968),“Calabar”(1973),“Gota D’água”( 1975), e “Ópera do Malandro”(1979), quando apresentou ao público a travesti Geni, um de seus tipos inesquecíveis.

Fundamental para entender a cultura brasileira da segunda metade do século vinte, o estudo de sua obra exige um olhar profundo e elegante, que seja capaz de alçar-se à altura em que se situa. Filho de Sérgio Buarque de Holanda, autor do clássico “Raízes do Brasil” e sobrinho de Aurélio Buarque de Holanda, filólogo e lexicógrafo inesquecível, que nos legou o famoso ‘Dicionário Aurélio’, Chico  herdou de sua linhagem uma aguda habilidade para compreender as estruturas sociais e políticas, uma inegável sofisticação vocabular e um absoluto  domínio de seu ofício. Seu trato com as palavras – como acontece com os grandes criadores – acaba por renovar a potência do idioma em que se comunica, confirmando a imensa capacidade de expressão da língua.

A dedicação à música e ao teatro, no entanto, não o impediu de também enveredar, com êxito, pelos caminhos da literatura.A estreia de Chico em livro se deu em 74, com a novela “Fazenda Modelo”. Depois, vieram os romances “Estorvo” (1991), “Benjamim”, (1995), “Budapeste”, (2003), “Leite Derramado” (2009), “O irmão alemão” (2014), e, agora, “Essa Gente”, que li em poucos dias, como se passou com os demais livros.

Sedutor, “Essa gente” conduz os leitores pelo universo de Manuel Duarte, um escritor às voltas com duas ex-mulheres, algumas namoradas, um filho pré-adolescente e problemas financeiros decorrentes de uma carreira literária em decadência. O pano de fundo é formado pelo bairro do Leblon e a paisagem urbana do Rio de Janeiro, em toda a sua complexidade. Não ficam de fora referências à violência (em suas diferentes formas e seus múltiplos agentes), à desigualdade social, à expansão do poder das igrejas e ao acirramento de ânimos que caracterizam o país hoje, dividido entre a aposta na civilização e o poder da barbárie. É antológica a cena em que o personagem Fúlvio Castello Branco, advogado de prestígio, espanca um mendigo encostado no muro do Jockey Clube, de onde é sócio: “Acerta-lhe um pontapé nos rins, e depois de um chute nas fuças deixa o homem estatelado e arquejante no meio da calçada. Mal o Fúlvio vira as costas, o índio velho rola devagar no chão e volta a se ajeitar com a bunda no muro do clube” (pp. 47- 48).

A narrativa não é contada de modo linear. Ela vai e volta no tempo. Não há apenas um narrador, mas vários, incluindo um que fala em terceira pessoa. Os textos são reunidos sob as datas de sua elaboração, quase todas de 2019, o que comprova o quanto o livro fala do Brasil contemporâneo. Vários deles são apresentados como se fossem cartas. Uma das reflexões principais do livro é justamente sobre o processo da escrita e as fronteiras, muitas vezes embaralhadas, que ela estabelece entre ficção e realidade.


*  Jornalista e Presidente da Academia Mineira de Letras



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Testemunha ocular da tormenta

Cesar Vanucci

“Sabemos que canalizações e tamponamentos
 são conceitos ultrapassados em política urbana.”
(Maria Caldas, Secretária de Política Urbana da PBH)

Fui testemunha ocular, ao vivo e no escuro de breu da noite, de um “tsunami” em miniatura. E olhem que eu estou distanciado, cá no pedaço de chão domiciliar, consideráveis léguas das ondas mais próximas do mar bravio! A amostra das águas em fúria, por horas a fio, foi aterrorizante, falar verdade. Conto como foi, “começando pelo comecim”, conforme se diz no saboroso dialeto capiau...

Naquela terça-feira, 27 de janeiro, cheguei em casa, largado o batente, mais cedo do que de costume. A antecipação de horário surpreendeu um conhecido que cruzou meu caminho na entrada do prédio: - “Uai! Você por aqui uma hora dessas? Aconteceu alguma coisa?” Não, não havia acontecido nada diferente, pelo menos até aquele preciso momento. Acabou mesmo acontecendo, só que depois. Tivesse chegado mais tarde teria sido impedido, como ocorreu com outros, de entrar no prédio. Por mais de dois dias ninguém entrou, ninguém saiu.

O edifício em que moro, doze andares, setenta e oito apartamentos, acha-se plantado no sopé da barragem Santa Lúcia, finalzinho da movimentadíssima avenida Prudente de Morais, praticamente num ponto de convergência de várias vias de acesso, com tráfego intenso, aos bairros Santo Antônio, São Bento, Lourdes e aglomerado conhecido por Morro do Papagaio.

De repente, não mais que de repente, precedido desses flashes descomunais que são os relâmpagos, em profusão nunca dantes vista, e de trovões que emitiam sons de artilharia pesada, irrompeu formidando aguaceiro. O que desabou das nuvens carregadas foram pingos d’água cortantes, em quantidade infinitamente superior aos previstos nos boletins meteorológicos. Deu pra perceber, logo de cara, não se tratar de uma chuva forte qualquer. Não era mesmo. Em curta fração de tempo, precipitada de diferentes pontos, de tudo quanto é lado, inclusive copiosamente esguichada das frestas rompidas dos canais de cimento armado subterrâneos das ruas, praças e avenidas, despencou avassaladora caudal. Garagens de prédios ficaram inundadas. Algumas moradias também. Veículos foram arrastados. Até trator. Camadas de asfalto foram revolvidas. Tampos de bueiros foram arremessados longe. Árvores foram partidas ao meio. De meu posto de observação, uma janela do terceiro andar, presenciei o deslocamento de incontável quantidade de carros, uns colidindo com os outros. Muitos deles achavam-se estacionados num habitualmente bucólico trecho da avenida, dotado de canteiros de árvores ao centro, contornado por encostas gramadas com passeios voltados para a avenida Arthur Bernardes e barragem Santa Lúcia. O verdadeiro rio de águas revoltas avistado lá embaixo arremetia tudo que boiava contra muros e portões. Despejava por onde passava lama e detritos de toda ordem. Quando a chuva cessou, transcorridas quase quatro tormentosas horas, e o “rio”, de certo modo, se aquietou, “improvisando” um “leito” para o escoamento da água represada nalguns trechos, demo-nos conta, tomados compreensivelmente de apreensões e temores, de nos encontrarmos “ilhados” em nosso “território doméstico”. Os estragos à volta deixaram todos chocados.

O isolamento forçado durou quase três dias em numerosas residências da área impactada. E, ao que se ficou sabendo, isso não foi registrado apenas na região centro-sul. Outros locais da capital mineira foram desafortunadamente atingidos, também, por inundações. Caso das áreas adjacentes ao Arrudas, onde ocorrem transtornos frequentes, produzidos por chuvas até de menor intensidade.

Retomando o relato pertinente ao que rolou na região centro-sul, onde parte das ocorrências ficou ao alcance de meu atônito olhar: o cenário ao redor, passada a tormenta, projetou-se assustador. Mercê de Deus, esse “incidente geológico” em específico, que deixou impressas na paisagem marcas de destruição contundentes, não registrou vítimas fatais, sabe-se lá por quais misericordiosos desígnios. O inverso sucedeu, doloridamente, enlutando a comunidade, noutros lugares e noutros momentos deste janeiro chuvoso que tanto castigo infligiu às Minas Gerais. Mas já os danos materiais, esses foram bem vultosos. De acordo com estimativas confiáveis, não menos de quinhentos veículos foram destruídos pela implacável avalancha líquida.

Em dias posteriores, o desfile de caminhões de reboque na avenida Prudente de Morais, por exemplo, mostrou-se ininterrupto. O transbordamento pelos lados da barragem Santa Lúcia gerou inesperada torrente nas ruas João Junqueira e Zoroastro Torres. Edificações e calçamento ficaram severamente danificados. Garagens alagadas, elevadores parados, fornecimento de gás interrompido, passeios obstruídos, grossas camadas de lama malcheirosa, tudo isso compôs o quadro dramático que este escriba contemplou.

Animo-me a anotar, sem vacilações, com atenção focada óbvia e estritamente na zona sul de Belo Horizonte, que a Prefeitura se houve com elogiável presteza no esforço de minimizar o desconforto dos moradores e dos que circulam pelos logradouros afetados. Montou uma operação de envergadura para acudir às emergências.
Incidente geológico, negligência e aquecimento

Cesar Vanucci

“Uma relação amigável de convivência
da engenharia ambiental com a natureza.”
(Recomendação do ambientalista Apolo Heringer Lisboa)

Na história mais que centenária de BH nunca jamais se viu coisa ligeiramente parecida. De um céu carrancudo despencou inopinadamente um aguaceiro que vou te contar... Amostrazinha diluviana, com certeza. Afortunadamente para o grande contingente de pessoas afetadas, a duração do “tsunami em miniatura” foi de “apenas” três “intermináveis” horas. Imaginar o que poderia ter advindo como consequência funesta de um temporal dessa envergadura, espichado no tempo, representa um esforço mental desagradável com feitio de sufocante pesadelo.

Fatores geológicos, totalmente alheios à vontade humana, concorreram, naturalmente, para o que aconteceu. Como asseverado pelas autoridades competentes, um chuvaréu dessas proporções é de molde a “bagunçar o coreto”, a produzir transtornos de monta em qualquer centro urbanizado, mesmo naqueles que souberam, ao longo dos anos, compatibilizar adequadamente, em favor do bem-estar social, seus projetos de desenvolvimento e expansão com a imperiosa necessidade de zelar pela preservação ambiental. Admitir a veracidade desse tipo de ponderação não significa, entretanto, de maneira nenhuma, que se possa olvidar ou rechaçar evidências clamorosas da desastrosa e condenável contribuição humana para que calamidades do gênero ocorram. E, pelo visto, em escala cada vez mais acentuada.

Pegando o exemplo de Belo Horizonte, dá para o cidadão comum perceber e sentir na própria pele, mesmo sem entender bulhufas de técnicas modernas de planejamento urbanístico, que a gestão dos cursos d’água existentes tem sido implacavelmente negligenciada. Constato, espantado, numa reportagem de Jéssica Almeida, Lara Alves e Letícia Fontes, em “O Tempo”, que no projeto de nossa querida Capital, onde córregos e rios foram tamponados por asfalto e cimento para dar lugar a ruas, praças e avenidas, as canalizações de cursos d’água já procedidas, chegam a 700 quilômetros, as de rios e córregos a 208 quilômetros, enquanto se estendem por 165 quilômetros os mananciais “enclausurados” em canais subterrâneos. O geógrafo Alessandro Borsagli, autor do livro “Rios invisíveis da metrópole mineira”, denuncia, no trabalho jornalístico, os efeitos danosos produzidos por conta dessa equivocada concepção de “urbanismo moderno” (modernoso talvez seja expressão mais apropriada). Diz ele: “Os cursos d’água, nesse novo planejamento rodoviarista, entraram em rota de colisão com a cidade.”

O professor Apolo Heringer Lisboa, a propósito do tema, sublinha que a chuva não carece ser criminalizada pelo que vem rolando. Ratifica opinião externada em outras oportunidades: Belo Horizonte vai acabar explodindo. A destruição vista agora nos logradouros, segundo ele, significa “uma grande energia de baixo pra cima, nas laterais, empurrando a terra e as estruturas, rachando tudo. E vai continuar se nada for feito”. Para Heringer Lisboa é preciso estabelecer, sem delongas, uma relação amigável de convivência da engenharia ambiental com a natureza. Isso aí...

Não são poucos, de outra parte, os especialistas – gente de elevada qualificação profissional e reconhecida sensibilidade social – que lançam a débito do aquecimento global, em boa parte, os “incidentes geológicos” que, inesperadamente, como sucedeu nestas nossas bandas, produzem mortes de inocentes e avolumados prejuízos patrimoniais. Fruto daninho da irresponsabilidade, da prepotência, da arrogância, da volúpia de estruturas políticas e econômicas, que grassam soltas em tantas paragens deste atormentado planeta azul, o aquecimento global é um dos fatores de risco que levam cientistas renomados a alertarem a sociedade humana para a circunstância alarmante de que, na atualidade, os ponteiros do célebre “relógio do juízo final” estão distanciados apenas 120 segundos do soar da trombeta apocalíptica. Assinale-se, de passagem, por oportuno, que a posição dos ponteiros, nesse monitoramento científico permanente das tensões universais, é, no momento, a mesma atingida à época da chamada “crise dos mísseis”  em Cuba, que quase gerou um conflito entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética.

Causa pasmo sem limites, à vista das sensatas observações dos cientistas, que o aquecimento global pareça ao olhar estrábico de numerosos e desatinados  talibanistas de indumentária ocidental, espalhados por aí, uma subversiva “invenção de moda”. Algo maquiavelicamente concebido por “cientistas e ambientalistas de araque”, mancomunados no “nefando propósito” de alvejar a ordem, a moral e os costumes... Seja acrescentado, para melhor conhecimento de causa, que a negação dos riscos enfrentados pela humanidade em decorrência do contínuo adelgaçamento da camada de ozônio que recobre a Terra faz parte de um processo cultural fundamentalista empenhado numa “revisão da história”. É fomentado por segmentos política e economicamente poderosos, que agregam vários adeptos da estapafúrdia teoria da terra plana. Ou seja, a teoria de que nosso planeta possua formato de um disco fixo no centro do universo, provavelmente sustentado nas extremidades nos dorsos de descomunais elefantes - como se concebia em círculos obscurantistas da era medieval. Em torno dele, presumivelmente também, giram as constelações estelares com seus séquitos de planetas, nebulosas, satélites, cometas e asteróides. Ufa!

Guido Bilharinho *

                                               DIALETO CAPIAU
Não bastou ao historiador Hildebrando Pontes pesquisar, conhecer e escrever sobre futebol, imprensa, fatos e bastidores da política uberabense. Não lhe bastou efetuar o hercúleo trabalho de medição, arrolamento e descrição minuciosa de todo o sistema fluvial de Uberaba e região, bem como de proceder à pesquisa, levantamento e ementário de toda a legislação municipal de Uberaba (leis, decretos, portarias e resoluções de 1892 a 1933).
Além disso, também pesquisou, estudou, analisou e discorreu sobre todos os demais aspectos e setores do município.

Contudo, embora enciclopédico e diversificado, tudo isso foi pouco para ele, curioso de todos os saberes. Seu interesse por tudo que é humano, uberabense e regional ultrapassou todos os limites e o fizeram perquirir, pesquisar, estudar e escrever até sobre assunto completamente alheio e estranho à sua formação científica e técnica de engenheiro agrônomo, egresso do lendário Instituto Zootécnico de Uberaba.

Faltava-lhe, ainda, estudar e escrever sobre o dialeto regional.

Faltava. A partir de 1932 não faltou mais. E para sempre. Pelo trabalho meticuloso, rigoroso e altamente filológico do Dialeto Capiau.

Esse ensaio - ora publicado no blog https://bibliografiasobreuberaba.blogspot.com/ em edição fac-similar do manuscrito vazado na ortografia da época - não só pela dificuldade de sua digitação, como também para permitir o acesso direto ao texto sem nenhuma intermediação que pudesse, por mínima que seja, alterar ou afetar suas meticulosas disposições, esteve até agora em lugar ignorado, desde quando Hildebrando, por volta do ano de seu término ou logo em seguida, enviou os originais ao escritor Coelho Neto.
Falecidos Coelho Neto em 1934 e posteriormente seu filho Paulo Coelho Neto, responsável pelo espólio intelectual e material de seu célebre pai, como localizá-los? Onde procurá-los?

Até que por informações correntes no circuito cultural, aventou-se a possibilidade desses originais estarem na Biblioteca Nacional. E estavam. E estão. E que, com a máxima boa vontade e diligência de autênticos servidores públicos, foram reproduzidos e remetidos a Uberaba.

O Dialeto Capiau, de Hildebrando Pontes, como se pode verificar no Sumário, espelho sincrético do texto, é obra de alta linhagem intelectual, cultural e técnica. Certamente, ninguém poderia fazer melhor e nem com tanta consciência e conhecimento do falar regional. Tanto que ninguém o fez. Só Hildebrando, sedento de todos os saberes. Por isso, o fez. Nenhum, mas nenhum mesmo, profissional da área (professor, filólogo, gramático, escritor) se abalançou a tal cometimento. Possivelmente nem ao menos dele cogitou. Hildebrando, porém, dele não só cogitou como o realizou. Ninguém faria melhor.

A partir desta edição, que o divulga e disponibiliza erga omnes, os estudos filológicos na área dialetal brasileira terão acesso a essa contribuição de capital importância, que os deverão influenciar e nortear de ora em diante.
* Guido Bilharinho é advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/








sexta-feira, 31 de janeiro de 2020


Depois da tempestade...

Cesar Vanucci

“Está certo tapar, com cimento e asfalto, todos os cursos
 d’água e outras dádivas da Natureza existentes numa cidade?”
(Domingos Justino Pinto, educador)

Diz o ditado popular, inspirado com toda certeza por esse impulso heróico da alma chamado esperança, que depois da tempestade vem a bonança... Oxalá assim sempre “sesse”, como saborosamente enunciado no linguajar roceiro! Acontece, entretanto, que depois de uma tempestade, de uma tormenta, de um chuvaréu como esse que, desapiedadamente, desabou sobre vasta região das Gerais, costuma vir, também, a desditosa tarefa de identificar e contar as vítimas inocentes e contabilizar os pesados danos.

A confiança que o ser humano carrega permanentemente, dentro da perspectiva de que situações melhores lhe estejam reservadas mais adiante, em sua trepidante caminhada, não o afasta da dor e sofrimento coletivos produzidos por tragédias próximas ou distantes ao seu olhar. Estamos, todos nós, na hora atual, muito comovidos. Solidários com as famílias e comunidades enlutadas.

Imaginamos, em singela maneira de avaliar as coisas do cotidiano, possuídos naturalmente de esperança, que existam recursos financeiros e tecnológicos mais que suficientes para proporcionar salvaguardas a patrícios nossos moradores das assim denominadas áreas de risco. Almejamos por providências derivadas da vontade política, da criatividade técnica e da sensibilidade comunitária que sejam capazes de garantir, a prazo rápido, projetos exequíveis, de sorte a impedir, na eventualidade de novo instante chuvoso fora dos padrões, a reprodução de tragédia como a que acaba de ocorrer.

O cidadão comum, obviamente desconhecedor dos critérios técnicos que orientam planejamentos urbanísticos e projetos de engenharia, encontra certa dificuldade em entender muitas ações administrativas governamentais. Entre elas, as que levam ao implacável represamento, em quase todas as cidades, de córregos, cursos d’água, outros referenciais da majestosa natureza, sem qualquer preocupação de avaliação prévia da conveniência de incorporá-los à paisagem em que são plantadas edificações e por onde circulam pessoas e veículos. Para um mundão de viventes, o problema das frequentes inundações em ruas, praças, bairros inteiros, em tempos chuvosos, é fruto indesejável de um afã equivocadamente modernoso de cobrir implacavelmente com cimento e asfalto quilométricos trechos por onde escoavam naturalmente cursos d’água brotados da dadivosa natureza. A impressão popular é de que as cidades seriam bem mais aprazíveis, caso tivessem sido contempladas, nos planejamentos urbanísticos, em diferentes circunstâncias, as possibilidades de aproveitamento, devidamente saneados, para desfrute, esses fluxos de d’água que hoje jorram nos subterrâneos das movimentadas vias de acesso de nossas metrópoles. A nota preta aplicada em represamentos, nem sempre necessários, teria sido empregada com maior utilidade na contenção de encostas perigosas nos morros mal providos de obras de infraestrutura.

As chuvas que chegaram impetuosas, ceifando vidas e devastando patrimônios, suscitam ainda outras observações. Seja louvada a solidariedade popular, sempre exuberante mercê de Deus, que adicionou, em instante aflitivo para as famílias desabrigadas, preciosa ajuda ao socorro prestado pelo Governo às vítimas. Seja enfaticamente mencionada a atuação do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil. Seus integrantes deixam evidenciado, como sempre, alta perícia profissional no trabalho executado em situações críticas.

Da lista extensa de dramas pessoais que comoveram a comunidade e que permanecerão gravados na retina de todos nós, permitimo-nos relembrar, como amostras tocantes, dois episódios. O primeiro deles diz respeito àquela família inteira que havia sido convencida a deixar a residência e se alojar num abrigo improvisado. Não se sabe por quais insondáveis motivos, o pessoal resolveu, inopinadamente, retornar ao local que acabara de evacuar. O deslizamento de terra soterrou-os. No outro episódio, o marido eufórico transmitiu à esposa haver encontrado uma nova residência para a família morar. Instantes depois o barraco desabou. Só ele se salvou.

Os desígnios superiores são mesmo imperscrutáveis.





sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Será o DNA um biocomputador?

Cesar Vanucci

“Conhecemos nadica de nada dos
prodígios que o ser humano carrega.”
(Antônio Luiz da Costa, educador)

Amigo fraternal, conceituado profissional na área médica, “sabedor” de meu interesse “por temas desse gênero”, encaminha-me sugestivo texto sobre uma pesquisa de vanguarda. São revelações instigantes acerca de insuspeitadas propriedades atribuídas ao DNA, capazes, em teoria, de alterar conceitos tradicionais vigentes nas metodologias empregadas na assistência à saúde.

Considerei oportuno compartilhar com o culto leitorado as informações passadas. Ei-las: “Cientistas revelam: DNA possui funções mediúnicas - telepatia, irradiação e contato interdimensional! “Nosso DNA é um biocomputador”, dizem cientistas russos.

Pesquisas científicas tentam explicar fenômenos como a clarividência, a intuição, atos espontâneos de cura e autocura e outros.Quando os cientistas começaram a desvendar o mundo da genética, compreenderam a utilidade de apenas 10% do nosso DNA.O restante (90%) foi considerado “DNA lixo”, ou seja: sem função alguma para o corpo humano.Porém, este fato foi motivo de questionamentos, pois alguns cientistas não acreditaram que o corpo físico traria algum elemento que não tivesse alguma utilidade. E foi assim que o biofísico russo Pjotr Garjajev e colegas promoveram pesquisas “de ponta”, com a finalidade de investigar os 90% do DNA não compreendido. Os resultados são fantásticos, atingindo aspectos antes considerados “esotéricos”.

O que as pesquisas estão revelando? O DNA tem capacidade telepática. É receptor e transmissor de informações além do tempo-espaço. Gera padrões que atuam no vácuo, produzindo os chamados “buracos de minhoca” magnetizados. São microscópicos, semelhantes aos “buracos de minhocas” percebidos no Universo. Sabe-se que “buracos de minhoca” são como pontes ou túneis de conexões entre áreas totalmente diferentes no universo, através das quais a informação é transmitida fora do espaço e do tempo. Isto significa que o DNA atrai informação e a passa para as células e para a consciência, função que os cientistas rotulam de “a internet do corpo físico”, mais avançada que a internet dos computadores.

A descoberta leva a crer que o DNA possui algo que se pode chamar de telepatia interespacial e interdimensional. Em outras palavras, o DNA está aberto a comunicações e mostra-se suscetível a elas. A recepção e transmissão de informações através do DNA explicam fenômenos como a clarividência, a intuição, atos espontâneos de cura e autocura e outros. Isso conduz à possibilidade da reprogramação do DNA através da mente e das palavras. O grupo descobriu também que o DNA possui uma linguagem própria, uma espécie de sintaxe gramatical, semelhante à gramática da linguagem humana. Seria assim certo concluir que o DNA é influenciável por palavras emitidas, pela mente e pela voz, confirmando a eficácia das técnicas de hipnose (ou auto hipnose) e de visualizações positivas.

Uma descoberta impressionante: adequando-nos às frequências da nossa linguagem verbal e das imagens geradas pelo pensamento, o DNA pode se reprogramar, aceitando uma nova ordem, uma nova regra, a partir da ideia transmitida. O DNA, no caso, recebe a informação das palavras e das imagens do pensamento e as transmite para todas as células e moléculas do corpo, que passam a ser comandadas segundo o novo padrão emitido. Os cientistas confessam-se capazes de reprogramar o DNA em organismos vivos, usando as frequências de ressonância corretas. Estão obtendo resultados positivos, especialmente na regeneração do DNA danificado. Utilizam para isso a Luz Laser codificada como a linguagem humana para transmitir informações saudáveis ao DNA. A técnica já é aplicada em alguns hospitais universitários europeus, com sucesso no tratamento de câncer de pele. O câncer é curado, sem cicatrizes remanescentes.

Nessa mesma linha de pesquisas, o cientista russo Vladimir Poponin colocou o DNA em um tubo e enviou feixes de Laser através dele. Quando o DNA foi removido do tubo, a Luz Laser continuou a espiralar, formando como que pequenos chacras e um novo campo magnético ao redor, maior e mais iluminado. Agiu como um cristal quando faz a refração da Luz. Conclusão: o DNA irradia a Luz que recebe. A constatação permitiu uma maior compreensão sobre os campos eletromagnéticos ao redor das pessoas (auras), assim como também o entendimento de que as irradiações emitidas por curadores e sensitivos acontecem segundo o mesmo padrão: receber e irradiar, aumentando e preenchendo com Luz o campo eletromagnético ao redor. As pesquisas estão ainda em fases iniciais e os cientistas acreditam que ainda chegarão a muitas outras coisas interessantes.

As conclusões estimulam o emprego das técnicas de afirmações positivas, aplicadas a pensamentos e imagens por ele geradas. As transmissões ao DNA e ao corpo alcançarão a saúde, o bem-estar e a harmonia. Segundo os pesquisadores as transmissões verbais e mentais podem ser melhoradas, por meio da comunicação positiva com o corpo e a reprogramação consequente do DNA.

As informações contidas neste texto são do livro “Vernetzte Intelligenz” von Grazyna Fosar und Franz Bludorf, ISBN 3930243237, resumidos e comentados por Baerbel.
(Fontes: http://animamundhy.com.br; http://marecinza.blogspot.com.br; http://bioterra.blogspot.pt; Mais um post by: Ufos Online)”

As estapafúrdias ideias do secretário defenestrado

Cesar Vancci

“É preciso espantar-se de tudo e não ter medo de nada!”
(Sandor Torok)

Mas, o que vem a ser isso mesmo, Santo Deus? Qual é mesmo a desse cara mandado embora da Secretaria Especial de Cultura? Onde já se viu!

A grotesca cena, pedantemente solene, ao vivo e em cores, de características psicodélicas, da “incorporação” de Joseph Goebbels, tendo ao fundo trilha sonora que relembra a tétrica marcha de inocentes rumo às câmaras de gás, deixou rastro de estupefação e indignação na alma popular. Para que se tornasse réplica próxima da imagem que se cogitou nostalgicamente recompor só ficou faltando o braço direito rigidamente estendido acompanhado de sonoro e caprichado brado de “Heil!”...

Que o cidadão defenestrado não reunia qualificações para a função, o mundo cultural inteiro estava calvo de saber. E isso independentemente dos posicionamentos divergentes que pontuam a atuação das diversificadas correntes que militam na área. À parte as turras, ocasionais ou constantes, de feição ideológica ou não, que costumam acontecer, todos unanimemente consideravam temerária a escolha feita. No peculiar linguajar das ruas, habitualmente enfático e gracejante, dizia-se que a inoportunidade da nomeação era coisa sabida até dos mundos vegetal e mineral...

Não era esta, entretanto, pelo jeito, a percepção que, nos escalões superiores, se tinha dos “predicados” do estranho personagem. Tanto que, pouquíssimo antes da drástica decisão em afastar o colaborador, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, não vacilou, instante sequer, em proferir, eufórico, as palavras abaixo reproduzidas: “Ao meu lado, o Roberto Alvim, o nosso secretário da Cultura. Depois de décadas, agora temos um secretário de Cultura de verdade. Que atende o interesse da população brasileira. População conservadora e cristã. Muito obrigado por ter aceito essa missão. Você sabia que não ia ser fácil, né?”

Manifestação em termos tão peremptórios levou o chefe do
Governo, tomado de surpresa diante da dicção aloprada do subordinado, até a relutar, por curto espaço de tempo, quanto à conveniência da exoneração. Não houve, contudo, como resistir às pressões. As reações de inconformismo pipocaram de todas as partes, inclusive de personalidades destacadas das hostes palacianas. O estapafúrdio procedimento do “quase secretário de verdade” alcançou repercussão estrondosamente negativa. Dentro e fora do país.

Os chefes dos demais Poderes da República expressaram-se com veemência, a propósito do vídeo postado por Alvim para anunciar o “Prêmio Nacional das Artes”. David Alcolumbre, presidente do Senado, de descendência judia: “É totalmente inadmissível, nos tempos atuais, termos representantes com esse tipo de pensamento”. Deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados: “O Secretário da Cultura ultrapassou todos os limites. É inaceitável”. Ministro, Dias Tofolli, presidente do Supremo Tribunal Federal: “É uma ofensa ao povo brasileiro, em especial à comunidade judaica.”

A Confederação Israelita do Brasil não deixou por menos: “Emular a visão do ministro da propaganda nazista de Hitler, Joseph Goebbels, é um sinal assustador” (...). Goebbels foi um dos principais líderes do regime nazista, que empregou a propaganda e a cultura para deturpar corações e mentes dos alemães e dos aliados nazistas a ponto de cometerem o holocausto, no extermínio de seis milhões de judeus na Europa, entre tantas outras vítimas.” O vigoroso repúdio à conduta do ex-secretário foi complementado em nota divulgada pela Presidência: “Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência. (...) “Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas.”

Ilusório supor seja o personagem em foco uma voz solitária no surreal contexto. Para chegar aonde chegou ele contou com o apoio de uma bem articulada falange fundamentalista que dispõe, inequivocamente, de acesso a engrenagens do poder político, acolhendo elementos que comungam das mesmas ideias anárquicas. Essa gente não pode ser subestimada. Se chance houver, outras aprontações, com certeira certeza, ocorrerão.

Aos democratas de todas as inclinações partidárias, que se sentem molestados diante de atos extremados, como o caso agora citado, praticados por adeptos das lateralidades ideológicas incendiárias, recomenda-se que fiquem de olho neles. É bom, ainda, não perder de vista conceitos e recomendações incisivos, prudentes, categóricos como os anotados na sequência. Alceu Amoroso Lima, o Tristão de Athayde: “A salvação do homem não vem do leste nem do oeste (nem da direita, nem da esquerda). Vem do Alto!” Sandor Torok, pensador austríaco: “É preciso espantar-se de tudo e não ter medo de nada”.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2020


Tricentenário da Capitania de Minas Gerais

Cesar Vanucci

“Uma opulenta programação!”
(Observação de pessoa presente à solenidade de abertura, no Instituto Histórico e Geográfico MG, das comemorações do Tricentenário da implantação da Capitania de Minas Gerais)

O Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, mais antiga instituição cultural do Estado, abriu com “chave de ouro” – como era de bom tom dizer-se em tempos de antigamente – a opulenta programação elaborada por sua direção visando a comemoração do tricentenário da Capitania de Minas Gerais, em assembleia realizada no dia 2 de dezembro do ano findo. Magistral exposição do senador Antônio Anastasia, integrante do quadro associativo do Instituto, acompanhada da apresentação do projeto das celebrações e da divulgação dos termos históricos do alvará de criação da Capitania, assinalou o concorrido evento, que foi também abrilhantado pela participação artística do quarteto de cordas da famosa Orquestra Sinfônica da Polícia Militar MG.

A fala de Anastasia foi aplaudida de pé. O expositor empolgou a todos com sua erudição e conhecimento de causa a respeito da temática histórica abordada. Revelou impecável domínio da tribuna. Brindou a plateia com um estilo de manifestação cultural do qual já vínhamos nos desabituando de ver nestes desconcertantes tempos de carências intelectuais e de fecundidade de ideias na vida pública brasileira.

Sobre o projeto das celebrações, que se estenderão até o final do ano em curso, discorreu a segunda vice-presidente, professora Márcia Maria Duarte dos Santos, coordenadora da Comissão Especial do Tricentenário da Capitania. Ficou evidenciado, em suas palavras, o propósito do Instituto Histórico e Geográfico, presidido por Luiz Carlos Abritta, de registrar da forma mais condigna possível a efeméride histórica. Uma alentada sequência de conferências, mesas-redondas, publicações especiais, encontros culturais, na Capital e cidades do interior, com parceria de outras organizações, ocupará o calendário das atividades praticamente todos os meses.

O secretário do Instituto, Adalberto Andrade Mateus, outro componente da Comissão Especial do Tricentenário da Capitania, explicou, por ocasião da assinatura do protocolo de intenções firmados entre os órgãos promotores da programação, no que consistirá a participação das instituições parceiras. O documento original do Alvará de criação da Capitania foi projetado na tela à hora em que Sérgio Parreiras Abritta fazia a leitura do texto histórico.

A Capitania de Minas Gerais foi criada em meio ao chamado ciclo do ouro, em 1720. Nasceu de uma cisão da capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Inicialmente, tomando por comparação o território do hoje Estado de Minas Gerais, a região desmembrada não abrangia a faixa correspondente ao chamado “Sertão da Farinha Podre” (Triângulo Mineiro, integrado em 1816) e a porção de terra situada à margem esquerda do Rio Sapucaí e do Rio Grande, integrada em 1764. A capital da Capitania era Vila Rica (atual Ouro Preto). Praticamente 100 anos depois, em 28 de fevereiro de 1821, a Capitania tornou-se província, tornada com a Proclamação da República o Estado de Minas Gerais.

Deparamo-nos, no “History”, com as informações abaixo anotadas relativas à implantação da Capitania. Por conta do ouro encontrado em seu território, na primeira metade do século XVIII, Minas Gerais era o centro econômico da colônia, com rápido crescimento populacional. Este fluxo migratório começou no final do século anterior, quando foi encontrado ouro na Serra do Sabarabuçu e nos ribeirões do Carmo e do Tripuí. Em 1696, foi fundado o arraial de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo, que, em 1711, se tornou a primeira vila de Minas Gerais (atual município de Mariana).  A descoberta do ouro também trouxe conflitos, como Guerra dos Emboabas (1707-1710) e a Revolta de Felipe dos Santos (1720).  No auge da exploração do ouro em Minas, 500 mil negros escravos foram inseridos na capitania para fazer o trabalho de extração e lavoura. Mais de 30% da população era formada pelos escravos. Os negros chamados "Minas", de Gana, eram os mais requisitados para os garimpos, pois já faziam este trabalho na África. Já os de Angola e Moçambique eram usados na lavoura. O declínio da produção aurífera começou a partir de 1750. Portugal precisou aumentar a arrecadação e elevou os impostos, o que causou a revolta popular que resultou na Inconfidência Mineira, em 1789.

O Senado Federal, por proposição do senador Anastasia, vai promover uma sessão especial dentro da programação do Instituto Histórico e Geográfico MG.



Semeando livro em louvor ao pai

Cesar Vanucci

“Quando estou lendo um livro tenho a impressão
de que ele está vivo, conversando comigo.”
(Swift)

Bendito seja, relembrando sugestivos dizeres de Castro Alves, aquele que semeia livro e manda o povo pensar! O livro dissemina ideias. Propaga esperança. Festeja a vida.  

De carinhoso intuito filial em louvar a memória do pai poeta nasceu um encantador livro de poemas: “Ciclo do amor e da vida”, de Lauro Fontoura. Está sendo reeditado por iniciativa de Paulo Roberto Alves, conceituado profissional na área médica, assistente da clínica urológica da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. No exercício da função profissional na importante instituição, Paulo Roberto sucedeu a Aldemir Brant Drumond e José Bolivar Drumond, este último antecedido no posto por ninguém mais, ninguém menos, do que Juscelino Kubitschek de Oliveira, médico urologista apontado, na veneração das ruas, como o maior estadista brasileiro, graças à sua incomparável gestão à frente da Presidência da República.

A respeito do saudoso autor do livro citado, afirmo com fervorosa convicção tratar-se de alguém provido de sabedoria incomum e invulgares qualificações como humanista, intelectual e jurista. Lauro Savastano Fontoura foi meu professor nos tempos, que já vão longe, do curso frequentado na Faculdade de Direito do Triângulo Mineiro, na Universidade de Uberaba. Os editores honraram-me com convite para inserir na obra vinda agora a lume – demonstração pujante do imenso talento de Fontoura – um texto sobre a vida e obra do autor. Concordaram, benevolentemente, com a sugestão que lhes passei de reproduzir uma narrativa radiofônica, por mim levada ao ar nos idos de 60, com foco em feitos e ditos do ilustre personagem. Naqueles tempos, ainda residindo em Uberaba, este escriba mantinha, na Rádio Difusora, um programa semanal, com boa audiência, intitulado “Uma vida, um exemplo!” Os originais de, aproximadamente, duas centenas de radiofonizações são conservados em arquivo pessoal. Retratam perfis e depoimentos de figuras que deixaram rastro cintilante na história de Uberaba e de outras cidades do Triângulo Mineiro. A íntegra do trabalho alusivo a Lauro Fontoura, em sua concepção original, guardando o ritmo peculiar da dicção radiofônica, estampada na publicação poética relançada, foi a maneira singela encontrada de atender à solicitação dos editores do livro. Solicitação – diga-se de passagem - que me proporcionou prazerosa emoção: reencontro com figura icônica da distante mocidade.

Na sequência, entrego ao culto leitorado, para infalível embevecimento, algumas reluzentes amostras da lírica social e romântica do esplêndido poeta Lauro Fontoura, extraídas do “Ciclo do amor e da vida”.

- “Religião. Não existe, a rigor, nem o Bem, nem Mal... / existe apenas, convencionalismo. / Um doutrinário sentimentalismo / veio desigualar o que era igual. / O humano instinto de selecionismo / criou uma apologética social. / É essa estreita noção de moralismo / que separa um mortal de outro mortal. / No jardim claro da meditação, / buscando o fruto puro da razão, / que é a verdade sem dogmas e artifício, / o homem, bem como a própria natureza, / não conhece fronteira de Beleza, / de Bem e Mal, nem de Virtude e Vício.”
- “Homo Sapiens. Mera aglutinação de princípios vitais, / que uns farrapos de ideal, transfigura e ilumina, / minh’alma é uma equação de sangue e albumina / e precipitações orgânicas fatais. / O amor, que ora me exalta, que ora me alucina, / é uma simples reação de elétrons especiais. / A consciência e a razão são funções cerebrais / que a cadeia nervosa impulsiona e origina. / Não vejo explicação para o espiritualismo: / - sou um produto de íons e cátions celulares, / sem força de vontade, sem substância anímica. / Bom e mau, sou capaz de crime e heroísmo, / consoante agitação dos centros medulares / que obedece a leis biológicas da química.”
- “A linda mentira. “– Nunca me hás de beijar!” Que maldosa candura, / que ingênua convicção, e que belo pudor!... / Um dia, hás de sentir a harmoniosa loucura; / um dia, hei de provar o divino licor. / O teu corpo nevado é um jordão de frescura, / tua boca de sangue, uma rosa de amor... / Um dia, hás de ficar mais formosa e mais pura, / constelada de um casto e angélico rubor. / “Nunca te hei de beijar!” que gloriosa surpresa! / a frase é velha; mesmo assim é muito linda... / Mas, para que fingir, para que disfarçar? / Só tenho, meu amor, a serena certeza / de que, mesmo beijando, hás de dizer-me ainda: / “- Nunca te hei de beijar! / nunca de hei de beijar!”

Na contracapa da obra, o jornalista Manoel Hygino dos Santos, da Academia Mineira de Letras, anota o significado da homenagem de Paulo Roberto ao pai, querido e ilustre, “em expressão de reconhecimento por conduzir a família pelas vias do bem servir ao próximo e à sociedade”.

Por tudo quanto posto, louvores a ambos. Pai e filho.


terça-feira, 7 de janeiro de 2020


Nebulosas conveniências

Cesar Vanucci

“A geopolítica é regida, muitas vezes,
por conveniências as mais espúrias.”
(Antônio Luiz da Costa, educador)

Para os que conservam os instrumentos de percepção pessoal em estado de alerta sobram sempre, nesta nossa trepidante andança pela pátria terrena, copiosas evidências de que as posições da mídia internacional são regidas por inextricáveis desígnios. Refletem nebulosas conveniências. É só por tento nos desdobramentos de certos acontecimentos momentosos. Fatos propagados de maneira estrondosa são, de súbito, sem mais essa nem aquela, envoltos em sepulcral silêncio. Atenção para alguns deles.

Comecemos pela situação da Venezuela do caudilho Nicolás Maduro. O que era transmitido, até outro dia, ao respeitável público, pode ser assim descrito. Meses e meses a fio, renderam manchetes informações sobre a crise humanitária venezuelana; sobre a reação popular aos desmandos do governo; a repressão aos protestos de rua por parte das forças de segurança; o garroteamento das liberdades públicas; a instituição do governo paralelo autoproclamado de Guaidó, congregando apoio formal de numerosos países; as alianças firmadas por Caracas com Moscou e Pequim, debaixo dos flamejantes protestos de Washington, e por aí vai. Alguma mudança radical de cenário parecia prestes a ocorrer. Só que, em efervescentes bastidores, engendradas por influência geopolítica econômica, presumíveis manobras abortivas detiveram o esperado parto da montanha... O papo emudeceu. E tudo ficou como está, pra ver como é que fica. Estranho pacas!

Outra situação assaz emblemática, dentro da mesma linha de raciocínio. Diz respeito a duas organizações sinistras: o Estado Islâmico e a Al-Qaeda. A última das organizações citadas tem base no Afeganistão. Foi liderada por Osama Bin Laden, sendo apontada como responsável pelo atentado às torres gêmeas. Oportuno recordar que a Al-Qaeda operava, no princípio, ancorada em poderosa ajuda, como força auxiliar combatente, ao lado dos Estados Unidos, nas lutas dos afegãos contra os invasores russos. Logo após a retirada das tropas russas da conflituosa região, os incondicionais aliados da Casa Branca viraram a casaca. Tornaram-se inimigos ferozes de seus parceiros. Deu no que deu. Com menor estridência, mas sempre com letais propósitos, a Al-Qaeda continua a semear terror nas bandas orientais do planeta. Tem-se por absolutamente certo que os dirigentes atuais sustentam entendimentos, na “moita”, como se diz no popular, com graduados funcionários norte-americanos com o objetivo de estabelecer um pacto de governança compartilhada para o Afeganistão.  O “acordo”, reaproximando “aliados” de outros tempos, implicaria na retirada da guarnição de doze mil militares dos Estados Unidos presentemente concentrados no território. Isso aí...

Já no que concerne ao EI (Estado Islâmico), os aspectos mais frisantes a considerar, bastante perturbadores, são os que se seguem. Cercados permanentemente, na terra, no mar e no ar, por forças de diferentes países – as mais bem equipadas do mundo -, entre elas militares estadunidenses e russos, os combatentes do fanatizado agrupamento, estimados em dezenas de milhares, nunca se deparam, em momento algum – atroz “enigma” –, com dificuldades de provisões, de qualquer ordem, na consecução dos atos terroristas executados. As regiões que ocupam são desprovidas de tudo. Mas eles dispõem, tempo todo – fornecidos por quem e como? –, de armamento sofisticado, de reservas de combustível para movimentação das viaturas, de produtos alimentícios, além de recursos financeiros para remuneração dos militantes. A circulação do dinheiro é assegurada, com inabalável certeza, por uma rede bancária, “invisível”, “clandestina”. Incrível imaginar possa essa rede bancária jamais ter sido identificada pela sofisticadíssima, arguta e bem articulada contra-inteligência dos países inimigos, declaradamente empenhados em “riscar do mapa” a execrável falange extremista.

E não é que, igualmente, o EI andou tomando “chá de sumiço” no noticiário! Pelo que se ouve dizer, numa ou noutra informação estampada, já agora em canto de página, o grupo não abdicou de seus cruéis propósitos. Prossegue ativo na escalada da violência contra quem discorde de suas tresloucadas concepções políticas e religiosas. Só que os atentados, ceifando vidas inocentes, estão sendo direcionados, de tempos para cá, em regiões consideravelmente distanciadas dos centros urbanos pertencentes às grandes potências. Soaria exagerada a suposição, inimaginável à luz do bom-senso, de que pintou no pedaço algum (outro) pacto tenebroso, concebido nos domínios lúgubres de inconfessáveis interesses geopolíticos? Como é de costume dizer-se por aí, perguntar não ofende, não é mesmo? E, por outro lado, nem sempre é preciso explicar tudo, o que a gente quer é só entender...

A SAGA LANDELL MOURA

ENCONTRO CULTURAL INTERACADÊMICO - 18 DE FEVEREIRO

C   O   N   V   I   T   E A Arcádia Minas Gerais, a Academia Feminina Mineira de Letras, a Academia Cordisburguense de Letras Guimarãe...