quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

A Fala do Presidente

 


 

*Cesar Vanucci

“O Presidente Lula saiu do ponto.”

(Senador Jacques Wagner, líder governamental no Senado)

 

 

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou o que não devia e escutou o que não precisava ouvir.  Extrapolou, como se diz no jargão diplomático, a linha vermelha. A comparação da virulenta contraofensiva israelense em Gaza com a horrenda história do Holocausto foi infeliz em demasia.  As atrocidades nazistas alvejando prioritariamente a comunidade judia e envolvendo outros grupos não encontram paralelo na história dos crimes cometidos contra pessoas e patrimônios em nenhum outro momento da idade moderna, que é pontilhada, como sabido, por atentados frequentes à dignidade humana.

Ato incontinente à retórica desastrada, a reação oficial do Governo de Netanyahu foi bastante veemente, enveredando, todavia, por tom descomedido dentro dos padrões diplomáticos que regem as relações entre países que preservam histórica convivência fraternal. O Ministro da defesa de Israel, Yoav Gallant, depois de considerar Lula “persona non grata”, exigindo que se retratasse, mandou chamar o Embaixador brasileiro em  Telavive para reunião no “Museu do Holocausto”, com o fito de aplicar-lhe uma repreensão pública sob os holofotes midiáticos. O “pito” foi dado em hebraico, com voz alterada e sem tradutor por perto, algo pra lá de surreal. Ao Itamaraty não restou alternativa que não a de trazer de volta o Embaixador brasileiro Frederico Meyer , e convocar o Embaixador de Israel em brasília, Daniel Zonshine para encontro reservado, sem presença de jornalistas, com  o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afim de registrar o desconforto causado com o tratamento dispensado ao nosso país na momentosa questão. Não satisfeito com as atitudes já tomadas, o Chanceler Yoav,  resolveu escalar uma oitava a mais no protesto, abrindo nova frente de críticas ao Presidente do Brasil pelas redes sociais, o que está sendo considerado por observadores qualificados em política internacional comportamento inteiramente fora do compasso diplomático e que só se apresta a acirrar ânimos e ampliar discórdias.

A impressão, aventada por jornalistas, de que o Governo Netanyahu esteja empenhado em utilizar a imprópria fala de Lula, proferida na Etiópia, como instrumento de propaganda política, na tentativa de melhorar sua desgastada imagem nos planos interno e externo, parece de algum modo, corroborada por episódios bastante emblemáticos. O Presidente da Turquia, Erdogan Turkey fez pronunciamentos em dezembro e janeiro extremamente hostis à conduta das Forças Armadas de Israel em Gaza, falando em “Holocausto” e “genocídio” e comparando o Primeiro Ministro de Israel com “Fuehrer”, e “Hitler”. Telavive protestou, mas não desfechou contra o governante de Ancara e seu país a artilharia pesada verbal agora observada. De outra parte, a expressão “genocídio”, alusiva à tragédia de Gaza, foi também empregada pelo Governo da África do Sul ao propor a condenação de Israel e seus dirigentes por “crimes de guerra” na Corte Internacional de Justiça de Hia. Pela mesma forma, a reação de Israel ficou adstrita aos protocolos tradicionais da política diplomática.

A opinião pública brasileira acompanha com notório desagrado o desdobramento do caso em tela.  Ancorada nas boas relações que o Brasil mantém com o Israel desde sua criação, em 1948, quando a presidência da ONU era ocupada por Oswaldo Aranha, aguarda confiante, que as escaramuças antidiplomáticas cessem o quanto antes.  Sejam substituídas pelo tom respeitoso e fraternal que a competente diplomacia brasileira consegue imprimir, como reconhecido universalmente, a todas as ações em que se vê envolvida.

Enquanto isso em Gaza...

                                                 Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

A Fuga de Mossoró

                                 "(...)bela viola,..."


Cesar Vanucci

“Não afeta, em hipótese nenhuma a segurança das cinco unidades prisionais Federais. É um problema localizado a ser superado.” (Ministro Ricardo Lewandowski .)

 

Estupefação geral. Tudo muito surreal. Dois detentos de alta periculosidade escapuliram da penitenciaria de “segurança máxima” de Mossoró, Rio Grande do Norte, praticamente pela “porta da frente”. Por mais incrível que possa parecer, conseguiram abrir buraco entre parede e teto das celas em que se achavam recolhidos no setor mais restritivo da unidade. Munidos de um alicate (?!), fizeram um furo na cerca de alambrado do prédio, depois de circularem livremente pelos corredores e pátios, ganhando assim a liberdade. A ousada proeza se desenrolou diante de câmeras, guaritas de vigilância, mas o alarme de fuga só veio a ser acionado muito tempo depois da evasão.

 Até aqui as penitenciárias ditas de “segurança máxima” eram apontadas como fortificações inalcançáveis pelo “crime organizado” de dentro pra fora ou de fora pra dentro. Não são mais. As facções ganharam mais um round de uma série de rounds a serem ainda disputados nos combates travados com a Segurança Pública. A sensação de desconforto experimentada pela comunidade, em face de mais essa inverossímel ocorrência, clama por avaliação mais aprofundada da conjuntura carcerária. As pessoas se perguntam, boquiabertas, como é possível num presídio de “segurança máxima”, presos isolados na ala destinada a abrigar indivíduos mais violentos possam fugir sem quaisquer atropelos, interceptações, de forma tão desembaraçada.

 A gente se pergunta, também, como é possível aprovar-se projeto arquitetônico de penitenciária com o teto devassável. Outra estranheza a anotar: a ação dos delinquentes, em seu esforço de se sobreporem a eventuais obstáculos, deveria produzir ruídos que logicamente não passariam despercebidos a uma vigilância atenta. Fica muito difícil aceitar a tese de que a fuga não tenha sido fruto de conluio envolvendo outros participantes.

Dolorosa constatação: não há mais limites para atuação das organizações criminosas. As cadeias pertencentes a outros sistemas, que não o complexo federal, já haviam sido, de algum modo, atingidas pelo poder corrosivo e nefasto dessas ativas e perigosas quadrilhas. O noticiário nosso de cada dia proporciona relatos frequentes acerca dessa ação sorrateira sumamente danosa. Os registros falam de rebeliões, recrutamento de apenados para integrarem as facções, articulações referentes ao Tráfico externo de Drogas, “rede clandestina de celulares” operando a pleno vapor com o fito de ditar comandos para comparsas e aplicar golpes contra cidadãos incautos no sossego dos lares. Ainda agora mesmo, tomamos ciência da fuga, numa cadeia regional superlotada do Piauí, perto de Mossoró, de 17 presos de uma só vez.

A fuga de Mossoró forçou o Governo a montar uma mega operação, sem precedentes na crônica policial brasileira, com vistas à captura dos fugitivos. É provável que os resultados desejados já hajam sido alcançados à hora em que este comentário estiver sendo lido. O Ministério da Justiça tornou conhecidas inúmeras medidas tomadas com propósito de rever protocolos vigentes no sistema prisional. Anunciou, ao mesmo tempo, obras de reforço na segurança das edificações.  

 Tudo quanto exposto leva-nos a concluir que se faz urgente e inadiável  uma reflexão amadurecida e a tomada de decisões vigorosas nesse perturbador capitulo da Segurança Pública em nosso país. Governo, Justiça, Congresso e setores responsáveis pelas políticas de segurança precisam dialogar mais intensamente sobre as estratégias a serem implementadas no enfrentamento, de modo eficaz, das ofensivas do crime organizado, no centro hoje, das preocupações mais angustiantes da sociedade brasileira.

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Hora da verdade.

 



*Cesar Vanucci

“As investigações abordam especificamente  fatos relacionados a tentativa de Golpe de Estado e de Abolição violenta do Estado Democrático de Direito”.(Alexandre de Moraes, Presidente do TSE)

 




Liberou geral, como se diz na pinturesca linguagem das ruas. A hora da verdade soou como proclamado nas investigações que acabam de ser trazidas a público. As apurações da Policia Federal que vinham sendo conduzidas dentro de cadencia moderada, posto que firme e consistente, assumiram configuração mais ampla e decisiva. As arrasadoras provas levantadas deram claridade solar ao tenebroso enredo golpista, apontando praticamente todo o elenco da trama, de autores a atores e coadjuvantes.

Junção da elucidativa e explosiva “delação premiada” do ajudante de ordens do ex-presidente Bolsonaro com os elementos contidos nos atos baderneiros, atentado a bomba, depredações de patrimônios públicos e símbolos cívicos, obstruções em rodovias, invasões de repartições, agrupamentos com palavras de ordem subversivas, ameaças violentas a pessoas, de viva voz e pela internet, reuniões clandestinas e manifestações insultuosas à dignidade nacional tornou possível se compusesse retrato de corpo inteiro da manobra antidemocrática arquitetada nos gabinetes do governo desalojado do poder em eleições livres e de lisura incontestável.

Os documentos, os diálogos, as mensagens de celular e de e-mails, os vídeos (gravados pelos próprios envolvidos, em momentos de embriagante autoconfiança), além de longa série de depoimentos contundentes que integram a robusta peça acusatória elaborada pela PF são simplesmente estarrecedores. Não comportam dúvidas quanto à participação dos personagens indiciados na conspiração que pretendeu mergulhar nosso país nas trevas da ditadura.

As alegações que colocam em dúvida a legitimidade das ações promovidas pelas autoridades competentes não resistem a qualquer tipo de análise crítica.  Dizer, por exemplo, que se trata de “perseguição política” é demonstrar primitivismo intelectual desconcertante que só se explica por paixão cega.

Chamou muito a atenção nas revelações transmitidas pelos Federais o tratamento altamente desrespeitoso, insultuoso, descambando mesmo para o mais baixo calão, que alguns investigados dispensaram, nos bate-papos conspiratórios, a ilustres personagens da esfera Militar que se recusaram a aderir à felizmente malograda intentona. Num dos registros gravados, aparece um dos envolvidos na trama recomendando atitudes que  “infernizem” a vida de um chefe Militar e de seus familiares, algo sem dúvida, assustador...

Fica claro, a essa altura dos acontecimentos, que muitas coisas graves ainda existem para ser contadas.  O que já veio á tona é apenas parte da Operação “Tempus Veritatis”, segundo admitem fontes ligadas às diligencias em curso.

A opinião publica, a um só tempo que abomina toda a situação investigada regozija-se com o exemplar comportamento das Instituições diante dos fatos narrados, um reflexo admirável do sentimento Democrático Nacional.

 

 Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

“Jabuti”, Percepção, Regulação

 

                                                                                                              *Cesar Vanucci

 "Jabuti não sobe em árvore...” 

                                     (Ulysses Guimarães)

 

1) “Jabuti”- a expressão “jabuti” é empregada, com frequência, no noticiário nosso de cada dia, para designar inclusões indevidas com fitos eleitoreiros em projetos, decretos, atos normativos apreciados nas esferas governamentais e parlamentares. Trata-se de enxerto nascido de manha política. “Contrabando” que inclui pautas sem nenhum vínculo lógico com a proposta inicial levando assuntos geralmente controversos, de forma escamoteada, à aprovação. Poucas pessoas conhecem da origem do termo. Pelo que se sabe, Ulysses Guimarães, o lendário personagem das “diretas já”, foi quem trouxe o “jabuti” como jargão para o vocabulário político. Ele dizia assim: “Jabuti não sobe em árvore, a não ser por enchente, ou por mão de gente".

2) Percepção - Na percepção da opinião pública, os votos monocráticos do Ministro Dias Toffoli, do Supremo, suspendendo o pagamento de multas referentes a duas grandes corporações empresariais que firmaram acordos de leniência com a Justiça, carecem de fundamentação mais consistente. Na verdade os valores devidos ao Erário pelas empresas em questão são muito vultosos para serem excluídos assim, sem mais nem menos, da receita pública, com uma simples canetada de um magistrado. O entendimento de influentes setores jurídicos e políticos são de que uma decisão desse peso, gerando uma cadeia de consequências na vida pública e empresarial, não poderá jamais ser tomada sem a manifestação do plenário da Alta Corte. Informação vinda a lume afiança que a liberação dos recursos sublinhada poderá causar efeitos negativos até mesmo no sistema da previdência privada. As preocupações nascidas do ato monocrático levaram a Procuradoria Geral da República a interpor recurso a ser analisado pelo colegiado do STF. Espera-se que numa avaliação mais aprofundada do momentoso assunto surjam esclarecimentos e definições que respondam melhor às dúvidas, questionamentos e incertezas provocados pelo episódio em foco.

3) Regulação - Números promissores: 35 países já regulamentaram, até aqui, o emprego no cotidiano da sociedade humana das chamadas plataformas digitais e, por extensão da Inteligência Artificial. As resistências negacionista à providencial regulação foram pulverizadas pelo sentimento comunitário, pela vontade firme e resoluta das lideranças lúcidas e gente do povo. De nada valeram os argumentos falaciosos levantados, entre eles a ridícula tese de que a medida conspira contra a liberdade de expressão. A circunstância de que alguns poucos países da relação sejam regidos pelo autoritarismo em nada invalida o significado humanístico, cívico, jurídico e democrático que a regulação carrega em seu bojo. A comunicação humana é pautada, na vivência democrática plena, pela liberdade da palavra escrita e falada. Isso assegura ao cidadão o direito de expor livremente suas ideias, seus conceitos de vida, suas crenças, seus costumes, sua cultura. Nenhum desses valores pode servir de pretexto para reações agressivas de quem partilhe de visões de mundo diferenciadas. Mas, fica claro que o processo saudável de disseminação desse conjunto de valores não pode ser de molde a agredir, a violentar, a molestar pessoas e grupos com direitos idênticos aos nossos que rezem por cartilha ideológica diversa. A democracia tem regras, fixa limites para poder garantir de forma ampla, geral e irrestrita a liberdade e o respeito à dignidade humana. Não é “terra de ninguém”, onde fanáticos extremistas, talebanistas de toda a espécie, analfabetos políticos possam praticar, a seu bel prazer, toda sorte de felonias e maledicências. O exemplo dado por dezenas de países do bloco democrático, estabelecendo a regulamentação da internet, é pra ser seguido já pelo nosso país.

 

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Núcleo de espionagem


                                                                                            *Cesar Vanucci

“Organização criminosa infiltrada na ABIN.”(Alexandre de Moraes, Presidente do STE)

 

 Mais essa agora! Uma ABIN paralela, Santo Deus! Um serviço de informações clandestino enxertado dentro de um órgão oficial incumbido de prestar assessoria à Presidência da Republica com o objetivo de orientar estratégias do Estado em magnas questões no plano interno e no cenário internacional. Foi montado, no governo passado para fazer espionagem a granel atingindo milhares de cidadãos considerados, na maniqueísta avaliação dos detentores então do poder, “hostis” aos interesses palacianos. O inacreditável e sórdido monitoramento alvejou, segundo a diligente Policia Federal, elementos da cúpula política, ministros, governadores, magistrados, congressistas, jornalistas e também representantes do Ministério Público engajados em investigações contra milicianos cariocas, com realce para o intrincado “caso Marielle”. A paranoica empreitada não poupou nem mesmo aliados...

À medida que avançam as apurações, a perplexidade da opinião pública se agiganta, com as pessoas comuns indagando até onde essa história maluca irá chegar. O inimaginável está acontecendo. A PF levantou indícios de que o sistema paralelo de coleta ilícita de informações continuou mesmo depois das eleições e da posse. Os articuladores do mafioso esquema não  haviam interrompido até recentemente as operações. Utilizando aparelhos de alta sofisticação tecnológica, pertencentes ao acervo da ABIN, aparelhos esses deslocados sorrateiramente para residências e escritórios, valendo-se ainda, provavelmente de informações passadas sub-repticiamente por algum funcionário inidôneo, deram sequência aos rastreamentos das pessoas sob mira.

O levantamento de dados concernentes à história da chamada “ABIN Paralela” conduziu os investigadores a uma revelação valiosa. Em entrevista dada a um canal de televisão, em programa de grande audiência, o ex-ministro Gustavo Bebianno, já falecido, que pertenceu ao grupo mais próximo a Jair Bolsonaro, do qual acabou se afastando depois de forte desentendimento, contou que o ex-presidente falou-lhe, em dada ocasião, no começo do governo, de sua intenção de estruturar a tal “ABIN Paralela”, ele, Bebianno, e o General Santa Cruz, que também veio a deixar o governo por incompatibilidade, manifestaram sua discordância e apreensão à hipótese trazida por Bolsonaro.

Pelo que se está vendo, a crônica política brasileira tende a reservar capítulo bem alentado para descrever a penca de malfeitos produzidos no ciclo de governamental findo em 31 de dezembro de 2023.

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

Radicalismo versus radicalismo

                          


                               
          *Cesar Vanucci

“O consenso sobre a guerra está se desgastando rapidamente.”

(Reuven Hazan, cientista político da Universidade Hebraica, de Jerusalém)

 



O radicalismo extremado de Benjamin Netanyahu, Primeiro Ministro do Estado de Israel, conseguiu a impensável façanha de provocar manifestação crítica uníssona de incondicionais aliados à sua maneira arrogante de conduzir a crise política e militar no Oriente Médio.

 Antes, ele já se recusava, obstinadamente, a acolher os apelos, provindos de todas as partes, por um cessar fogo humanitário. Fez questão fechada de ignorar os clamores de organismos internacionais como ONU, OMS, Cruz Vermelha, Médicos sem Fronteiras, sobre os rumos apavorantes que o conflito estava assumindo. Conflito esse desencadeado por atentado no território israelita cometido pela organização terrorista Hamas, objeto de condenação generalizada pela comunidade das nações. A justificável contraofensiva foi fulminante, sem toda via, alcançar até aqui os resultados almejados entre os quais avulta prioritariamente a libertação na totalidade dos indefesos reféns. Acontece que as ações bélicas alvejaram impiedosamente os habitantes do densamente povoado território de Gaza. Uma gente bastante maltratada por dramáticas contingências de vida, e que na  maioria nenhuma participação teve na nefanda sortida terrorista.

Dificuldades intransponíveis vêm se antepondo ao desejo alargado da ONU e centenas de países em se estabelecer uma trégua nessa guerra cruel, de modo a que o sofrimento das pessoas não diretamente envolvidas na, sanguinolenta refrega, seja atenuado. As vítimas fatais, crianças na maioria, já ultrapassaram a casa dos 20 mil, o numero de feridos alcança cifras alarmantes. Milhões de pessoas sem teto, sem lugar seguro pra ficar, carecem desesperadamente de assistência médica e de meios mínimos de subsistência, as pressões internacionais, reforçadas agora por parcelas significativas da própria comunidade israelita, esbarram na inflexibilidade do Primeiro Ministro, que insiste na tese de não deter a marcha bélica até que todos os terroristas sejam eliminados. É o radicalismo enfrentando o radicalismo.

Em seu posicionamento, que preocupa visivelmente as nações amigas, Netanyahu já chegou ao extremo exagero de afirmar que seu país não aceita, definitivamente, a criação do Estado da Palestina, previsto em resolução da ONU aprovado no distante ano de 1948. Seja mencionada, como outra demonstração radical, uma declaração enfática atribuída a um integrante do Ministério israelita, de que não existem inocentes em Gaza e que a melhor maneira de se resolver a questão é lançar uma bomba atômica no território. Para alguns observadores, a declaração foi interpretada como revelação de que Israel, como se suspeita, possua armamento nuclear em seu arsenal.

Muito dolorosa essa conjuntura vivida numa região tão rica em simbologia humana e espiritual. Uma região reconhecida como sendo o espaço territorial mais sagrado do planeta por três influentes correntes ideológicas que representam parte colossal do sentimento religioso da humanidade.

 Prestes a completar 4 meses, esta guerra sem quartel ensanguenta e tenciona o Oriente  Médio e  enche de comoção o planeta inteiro. Não há como vislumbrar no horizonte, em tempo próximo, - desairosamente para a nossa evolução civilizatória - perspectiva de uma paz, se quer temporária, que permita conversações e procedimentos humanitários e que assegure socorro mínimo às multidões desamparadas de Gaza, incluídos aí os cidadãos capturados pelos comandos terroristas.

Que Deus ilumine as mentes e corações das lideranças mundiais e dos “senhores da guerra” no sentido de que se desvencilhem das trevas do ódio sectário e mergulhem resolutos, em claridade que favoreça a construção do diálogo e, adiante, de uma paz duradoura.

                              

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

Flagrantes do momento político

 



                                                                                   *Cesar Vanucci

 

“O equilíbrio das contas públicas ajuda a impulsionar o desenvolvimento econômico e social.” (Domingos Justino Pinto, educador).

  

1)Regulação já - O Presidente do TSE, Alexandre de Moraes, deu voz à preocupação que anda fustigando mentes e corações fervorosos sintonizados com o ideal democrático. Dele as palavras na sequência: “As recentes inovações em tecnologia da informação e acesso universal às redes sociais, com o agigantamento das plataformas, amplificado em especial com o uso de Inteligência Artificial, potencializaram a desinformação premeditada e fraudulenta com a amplificação dos discursos de ódio e antidemocrático”. Corretíssimo o conceito. Dá até calafrio na espinha imaginar do que não serão capazes os milicianos digitais, de todos os matizes, que colocam a serviço do ódio e intolerância o arsenal tecnológico da internet mesclado com a IA.  A regulamentação urgente dessas fabulosas invenções não comporta discordâncias sibilinas, tergiversações e manobras protelatórias. Assim recomenda o empenho continuo das pessoas de boa vontade em prol do fortalecimento democrático.

2) “Casamento de interesse” – a sabedoria antiga prescreve que “casamento de interesse” nunca dá certo. A ambição do cônjuge é sempre desmedida. Extrapola os limites toleráveis. A convivência torna-se insustentável. De desavença em desavença, de ressentimento em ressentimento, a relação acaba dando em separação, às vezes litigiosa. A situação descrita aplica-se aos “enlaces” na política. É só por tento no que anda rolando na união do Planalto com o “centrão”. Por maiores que sejam as concessões aos eternos “governistas” da militância política mencionada, por mais ministérios que sejam confiados aos adesistas da 25° hora, por mais que se esfalfem os Ministros da Fazenda e do Planejamento no sentido de descobrir fórmulas capazes de satisfazer o apetite voraz do “cônjuge”, a sensação que prevalece nos contatos entre as partes é de que há sempre um saldo devedor a ser quitado. Até quando essa aliança amarrada por barbante resistirá aos trancos e solavancos na caminhada em curso?  

3) Emendas parlamentares – fundo eleitoral quintuplicado (5 bilhões). Emendas parlamentares impositivas, de valores avultados, que podem ser aplicações à margem dos programas de obras elaborados pela administração pública e que, além de tudo, desequilibram orçamento.  Congresso e Governo precisam acertar os ponteiros, encontrando por meio do dialogo uma forma de entendimento sobre execução orçamentária, atentos ao compromisso de déficit zero. A circunstância de ser este mais ano eleitoral, com as disputas por Prefeituras e Câmaras Municipais, não pode constituir motivo para se bagunçar o coreto orçamentário. O equilíbrio das contas públicas é parte indissociável da arrancada desenvolvimentista. O Brasil precisa dela.


                                    Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

A SAGA LANDELL MOURA

A Fala do Presidente

    *Cesar Vanucci “O Presidente Lula saiu do ponto.” (Senador Jacques Wagner, líder governamental no Senado)     O Presidente L...