quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

As ameaças do aquecimento global

 

                                                                    *Cesar Vanucci

 “ Atentar para os sinais é preciso” ( Anna Mayã, poeta)

 

Aquecimento global, efeito estufa, mudança climática, adelgaçamento da camada de ozônio, degelo nas calotas polares, abalos sísmicos, elevação do nível das águas oceânicas. Tudo isto e muitas outras ocorrências na linha dos desastres naturais rondam assustadoramente este nosso maltratado planeta azul. A ciência atenta aos sinais, aos recados frequentes da mãe Natureza, emite alertas, brada por decisões que carecem sere adotadas no âmbito de competência das lideranças políticas mundiais, no sentido de impedir o caos pressentindo para  tempos vindouros na marcha humana.

O negacionismo científico, cuja origem está enraizada no fundamentalismo religioso e político, desdenha as sensatas advertências. Elas não passariam, segundo azuretadas “teorias da conspiração”, de maquiavélico conluio de cientistas, ambientalistas, mídia, e determinados consórcios ideológicos, econômicos e religiosos empenhados na subjugação da sociedade...

Forçoso reconhecer, toda via, que o “negacionismo cientifico” não representa o único obstáculo contraposto ao atingimento das metas fixadas pelas sucessivas “cúpulas do clima” que reúnem periodicamente a quase totalidade dos países membros da ONU.  Dá pra Perceber nitidamente, no acompanhamento das medidas pactuadas nos encontros, que as boas intenções frustradas são em maior numero que as ações realmente efetivadas. O agravamento constante da situação climática é prova indiscutível  de que a questão do aquecimento global, apesar dos incrementados debates suscitados não é confrontada com o rigor e disposição reclamados.

A recente COP no Egito aprovou, outra vez mais, proposta de destinação aos países de menor capacidade econômica de recursos obtidos por força de doações das nações mais desenvolvidas, que são, justamente, as responsáveis pelo maior volume de gases poluentes lançados na atmosfera. O valor da anunciada ajuda, como já aconteceu anteriormente, deverá ser fixado mais adiante. Quer dizer: por enquanto nada do dinheiro necessário para providências solenemente reconhecidas como impostergáveis. Tudo acaba permanecendo como está, pra ver como é que fica...

Enquanto as discussões em torno da preocupante situação climática se processam nesse ritmo morno, longe do ideal, no tocante a definições cruciais, a ciência chama a atenção do mundo para novas alarmantes perspectivas. O derretimento das calotas nos Polos Norte e Sul pode provocar, além de terríveis inundações, nas zonas costeiras dos diversos continentes, a liberação de agentes patológicos, hoje em estado de hibernação nas camadas de gelo, com potencialidade para disseminação de pandemias.

A natureza nos criva o tempo todo com recados sobre o que anda rolando no planeta em razão do comportamento predatório do bicho homem. Atentar para os sinais é preciso, como não?

Êta mundo velho de guerra sem porteira!

 

1) Vacina. Ouço de um médico infectologista uma observação danada de intrigante.  Assinalando que, a reduzida facção dos chamados “negacionistas científicos”, hoje empenhada em desacreditar a prática vacinal, pertence, de modo geral, às classes mais abastadas, ele indaga num tom um tanto zombeteiro, como essa gente se arranja, nas costumeiras excursões ao exterior com o cartão das vacinas obrigatórias nos postos aduaneiros?

 

2)  Figurino Democrático . O Vice-eleito Geraldo Alckmin e esposa foram recebidos, no Palácio Jaburu pelo atual vice Hamilton Mourão e esposa, de forma Cortez e fidalga. Inteiraram-se de informações relevantes acerca do funcionamento da residência oficial destinada à Vice-Presidência da Republica. Tudo dentro do melhor figurino democrático

 

Por falar em teto de gastos...

 


*Cesar Vanucci

      “PEC da transição é para atender aos excluídos sociais” (Geraldo Alckmin, vice-presidente)

O tema “teto de gastos” vem frequentando com assiduidade os debates políticos. Líderes partidários, jornalistas, técnicos em economia e administração pública dele se ocupam incessantemente. O noticiário nosso de cada dia, as tribunas,  entrevistas e  comentários documentam o elevado grau de interesse que o assunto desperta, sobretudo, nas confabulações que se processam com vistas à transição do poder.

Do muito que se ouve, na boca de especialistas dessa matéria, tem-se por certo que o teto de gastos faz parte de programação orçamentária correta que, respeite os cânones jurídicos e econômicos. Mas, como se diz na tagarelice das ruas, a teoria costuma ser  diferente na pratica. Tanto isso é verdade que fica difícil apontar algum governante que não haja valendo-se de artifícios aceitos como legítimos, extrapolado o teto em seu período gestor. O caso do atual mandatário da nação revela-se, a propósito, bem frisante. No exercício de 2020, por circunstâncias variadas – o combate à COVID, não pode deixar de ser mencionado -, o extravasamento dos limites orçamentários foi da ordem bastante superior ao valor pretendido com a chamada PEC da Transição.  

Tudo faz crer já haver sido estabelecido, na hora presente, como fruto das negociações alusivas à troca de governo, certo consenso quanto à necessidade de se conciliar as regras orçamentárias com demandas sociais imperiosas. Como se sabe, são medidas que não podem ser descartadas nem postergadas. Precisam produzir efeitos a partir de 1° de janeiro, quando se inicia o quatriênio administrativo. Da inteligência, inventividade dos responsáveis pelos planos de ação aguarda-se esperançosamente, surjam dispositivos legais que atendam às emergências sociais detectadas.

A vontade política, claramente expressa, somada ao nível de conhecimento  técnico e administrativo dos personagens envolvidos nas conversações que precedem o mandato vindouro, assegura certeiramente que haverá uma  âncora fiscal eficaz de suporte às inadiáveis medidas a serem adotadas em favor dos despossuídos sociais. Pelo que vem sendo divulgado, os entendimentos nas áreas de  gestão administrativa e de procedimentos parlamentares, tanto na Câmara dos Deputados, quanto no Senado, vêm se processando de forma satisfatória. Isso remete a impressão de que tudo será equalizado em tempo adequado para que não ocorra solução de continuidade no Auxilio Emergencial destinado às camadas menos favorecidas, inclusive com o beneficio adicional da parcela anunciada para menores de 6 anos.

Não resistimos à tentação na continuidade das considerações alinhadas, de avaliar também a questão de gastos públicos sob outro enfoque. Lendo e ouvindo tanta coisa a respeito de teto de gastos sentimo-nos intrigados por não conseguir lobrigar, em momento algum, palavrinha mínima que seja sobre a ultrapassagem do “teto” estipulado pela Constituição para remunerações nos serviços públicos. Todos os brasileiros, sem excluir até mesmo os aborígines das tribos amazônicas, ainda não contatadas pelos sertanistas da FUNAI, estamos calvos de saber que somam milhares os cidadãos que nos diferentes escalões dos Poderes fazem jus, impropriamente,  no final do mês a holerites bem acima do limite fixado em lei. Trata-se – como não? - de situação clara e insofismável de extrapolação de “teto de gastos”. Vez por outra, o assunto vem à tona, suscitando algum alvoroço e motivando falas de figuras graduadas na gestão dos negócios públicos sobre providencias que pretendem tomar no sentido de ajustar as folhas de pagamento aos ditames constitucionais. Mas, sem que qualquer discussão ou diálogo mais aprofundado seja efetivado, a momentosa questão acaba caindo no sorvedouro das intenções frustradas.

 

                                                    Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

Ojeriza à democracia

 

                                                                                             *Cesar Vanucci

“A democracia rechaça o radicalismo” (Antonio Luiz da Costa)           

 

A antiga sabedoria proclama que há um limite para tudo. Os atos cotidianos da convivência comunitária são regidos, obviamente, por essa lógica.

 Essa fuzarca promovida por bando de fanáticos de catadura irremediavelmente antidemocrática já foi longe demais. Extrapolou os limites da tolerância. A opinião publica mostra-se, mais que constrangida, indignada com essa sequência de desatinos praticada por militantes políticos desorientados com ojeriza à democracia.

A lista de sandices é extensa, memorizemos algumas delas. Os incidentes são de molde a causar desassossego e prejuízos de toda ordem à sociedade. Ex-parlamentar raivoso, entrincheirado em sua mansão recebe a bala, arremessando granadas, de seu arsenal doméstico, em agentes da Policia Federal encarregados de escolta-lo até a cadeia por delitos contra a democracia. Na festa da Padroeira, em Aparecida do Norte, na Basílica, desordeiros promovem comício, perturbando multidão de fieis e apupando, histericamente, o Arcebispo durante a homilia em ato sagrado. O Prelado discorria sobre o magno problema da fome que ronda muitos lares e explicava que “Pátria amada não é Pátria armada”. Parlamentar desvairada acompanhada de guarda-costas, ambos de armas em punho perseguem um suposto adversário político em via pública movimentadíssima na principal cidade do país por mera discordância de opinião. Um tsunami de “fake news” congestiona as redes com o escancarado propósito de tumultuar as eleições. O conteúdo das mensagens é, em muitos casos, tão escalafobético que passa a impressão de que seus autores são foragidos da ala de pacientes irrecuperáveis de hospício medieval. Assim que divulgados os resultados das eleições - festa cívica memorável, organizada impecavelmente pelo TSE e que contou com a participação ordeira e entusiástica de milhões de eleitores -, minoria de agitadores, insuflada por extremistas de “colarinho branco”, empregando, pode se dizer táticas terroristas, resolve promover inaceitáveis bloqueios de rodovias, gerando cenas que vão do grotesco, passando pelo patético até crueldades inimagináveis. Nos obsis criados a circulação de pessoas e veículos, ambulâncias não conseguem chegar ao seu destino, atendimentos de emergências a enfermos em estado critico sofrem atraso irreparável, viagens são interrompidas, cargas perecíveis se deterioraram no meio do caminho, assim por diante. Faixas e vozes coléricas pregam, acintosamente, a derrubada do arcabouço democrático, exortam à  quebra da disciplina institucional, agridem os direitos fundamentais, incentivam a violência. As encenações lembraram manifestações dos “camisas pardas” do nazismo. Nesses bolsões de desordem, financiados, ao que se sabe, por alguns radicais endinheirados, que pagam a “inocentes uteis” as horas roubadas ao seu labor de subsistência, vicejam também, por mais incrível que seja, manifestações despropositadas acerca de fraudes na apuração de votos. Partido político derrotado no pleito presidencial, afrontando a respeitabilidade da Justiça eleitoral e pareceres emitidos por órgãos de fiscalização e auditoria de idoneidade acima de qualquer suspeita ousou de má fé comprovada, valendo-se de argumentos jurídicos fajutos, insinuar burla nas apurações.  A desonrosa tentativa de “bagunçar o coreto” eleitoral foi repelida com altivez pelo TSE, que aplicou pena exemplar aos autores da pérfida manobra. Manobra que, por sinal, causou profundo mal estar junto até mesmo aos candidatos eleitos pela própria legenda, por obvias razões.

Há limite para tudo. A maioria que trabalha em favor da construção da construção humana almeja paz e tranquilidade. Recusa-se a dormir com barulheira desprovida de sentido.

 

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

A eternidade de JK

 

                                                                                                                           *Cesar Vanucci

“Não nasci para ter ódio, nem rancores, nasci para construir”

(Juscelino Kubitschek)

 

 

 Concluímos hoje a narrativa sobre a fascinante saga de JK. O Presidente do sorriso franco e aberto deixou-nos, como herança, obras grandiosas, definitivas, exemplos vitais, ideias que não morrem, inspirações para as lutas em favor das transformações que a sociedade brasileira ardentemente almeja.

As constantes homenagens de saudade à volta de sua lenda pessoal têm o significado de um julgamento consagrador. Sua figura sai aureolada da avaliação. Entre seus adversários, alguns poucos, mais moderados, têm os nomes associados, de certo modo, a um que outro momento na crônica das realizações brasileiras. Já os mais raivosos, quando eventualmente citados, ficam vinculados apenasmente a episódios marcados pela intolerância e insensatez. A história costuma não se revelar condescendente com a ignomínia.

JK é, no sentimento das ruas, símbolo de muita coisa. De progresso. De crescimento econômico, abundância de empregos, justiça social, diálogo e concórdia. De intransigência na defesa da soberania nacional. De projetos arrojados na construção humana. De democracia interpretada como instrumento insubstituível na atuação política. De altivez cívica e de nacionalismo autêntico. Por isso, suas ideias continuam sendo, ao mesmo tempo, a inspiração e o fanal de um Brasil que abomina a recessão, o desemprego; a intolerância; que exige fervoroso respeito no trato da coisa pública e que repudia as fórmulas discricionárias no exercício do poder.

Por essa razão, admitindo como legitimo o registro, do saudoso jornalista Carlos Chagas, segundo o qual “Já não se faz mais JK como antigamente”, a sociedade continua a procura de um novo Juscelino. De um líder com suas características.

Muitos compatriotas soltam, a partir daí, as rédeas da imaginação. Em postos de observação que lhes permitam descortinar a paisagem político/administrativa, esticam ao máximo os olhares perquiridores. De maneira a ampliar a capacidade visual, utilizam até binóculos potentes, daqueles que ajudem enxergar objetos em escuridão de breu. Com disposição, espírito bem aberto, sem prevenções quanto a pessoas ou correntes partidárias, entregam-se à tarefa de localizar, na amplidão do cenário contemplado, personagens providos de carisma, com potencial de liderança que exale luminosidade o bastante para aclarar caminhos. Abrir clareiras. Motivar multidões. Olhar (ou ouvir, como propõe o poeta) estrelas e dar rumo ao navio.

 O distinto patrício que nos honra com a leitura desta despretensiosa fala haverá de concordar conosco. Tá difícil pacas levar a cabo com sucesso a tarefa. Ou seja, encontrar alguém que lembre JK.

Fritjof Capra, físico e escritor austríaco que se tornou celebridade mundial com seu “Tao da Física”, cunhou esplêndido conceito na busca de novos rumos para uma humanidade confusa. O conceito encaixa-se magistralmente nesta hora de incertezas políticas. “Aquilo de que necessitamos numa perspectiva de grande amplitude, é um novo paradigma, uma nova visão da realidade; uma mudança fundamental dos nossos pensamentos, percepção e valores”.

 Essa dificuldade de identificar lideranças de vulto, mostra a necessidade de serem refeitas equivocadas práticas encampadas pelos agrupamentos partidários. Todos eles, de algum modo implicados, como se percebe, em atos que não condizem com os bons preceitos republicanos.

 As encrencas criadas clamam por mudanças essenciais. A saga JK é um fervedouro de ideias fecundas para se chegar à transmutação de processos que nos favoreçam galgar patamares superiores na conquista plena do bem-estar social.

 Encurtando razões: no jeito de ser e de fazer de JK, um soberbo contemporâneo do futuro, encontramos o paradigma ideal para as transformações tão desejadas.

 

*  Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

 

sábado, 26 de novembro de 2022

Só mesmo Nonô!

 Cesar Vanucci*

                                                “Sua aventura vital foi extraordinária!”

                                                                (Afonso Arinos,)

 

No fecundo período de governança de JK a nação passou a crer em sua força. As atividades produtivas expandiram. A democracia fortaleceu-se. Os investidores apareceram. Nas tratativas internacionais passamos a ser olhados com maior respeito. Os latino-americanos acompanhavam esperançosos os exemplos promissores do país irmão de fala portuguesa.

Costuma-se alardear que somos um povo desmemoriado. Sei não. O caso de JK desmonta a tese. Em qualquer lugar deste país, a citação de seu nome suscita emoções fortes. Está associada com a ideia desenvolvimento, nacionalismo, promoção humana, com o Brasil de nossos melhores sonhos. JK encarnou o verdadeiro espírito brasileiro, a genuína alma nacional, o sentimento solidário e generoso que povoa as ruas, e até mesmo as qualidades e os defeitos de nossa gente.

 Por esse motivo, a confiança popular em seu trabalho era total. Ele tinha visão completa da grandeza do Brasil. O Brasil era para ele como o mar. Contemplando-o em sua imensidão e beleza, não se pode apenas falar dos enjoos das travessias de curta duração.

O carisma ofuscante de JK, sua arrebatadora capacidade de criar e seu verbo convincente incomodavam. E como! Manchetes estridentes referiam-se a Brasília, dia sim, outro também, como o maior escândalo da história. A expressão “mar de lama” era empregada para definir o magnífico empreendimento. Dizia-se, irresponsavelmente que o presidente, entre outras “vantagens”, recebera dos empreiteiros, como “propina”, suntuoso duplex na sofisticada Vieira Souto. Inimigos poderosos acusavam-no e vários de seus leais colaboradores como grandes responsáveis por atos de corrupção sem precedentes.   Valeram-se de toda sorte de artimanhas para, num momento trevoso, década de sessenta, cortar-lhe a palavra, tolher-lhe os movimentos. Cassaram-lhe os direitos de cidadania. Exilaram-no. Mas não conseguiram arranhar no conceito populares sua impávida imagem.

 Proponho ao caro leitor um exercício de imaginação. Suponhamos que JK estivesse ainda entre nós. Com o vigor de seu espírito criativo, adornado por inabalável crença democrática, ele estaria participando destacadamente dos debates das grandes questões que galvanizam as atenções da sociedade. Estaria condenando os equívocos das políticas econômicas desprovidas de sentido social. Estaria, seguramente, criticando o negacionismo cientifico. Estaria denunciando o racismo, os preconceitos insuflados pelo fundamentalismo político e religioso. Estaria combatendo pra valer as desigualdades sociais,  estabelecendo políticas que apagassem do mapa brasileiro as nódoas aviltantes da fome e da pobreza extrema. Estaria convocando todos compatriotas, em clima de harmonia, para febricitante arrancada desenvolvimentista. O brasileiro JK estaria, nesta hora, esforçando-se por manter incólume a identidade do Brasil, a imagem autêntica de um Brasil bem brasileiro.

 Delfim Neto, ministro influente nos governos militares, registrou, pouco tempo atrás, que o Brasil se tornou país tristonho, cabisbaixo. É verdade. Com JK, com alguém sintonizado com as ideias e seu estilo gerencial, o Brasil seria, fatalmente, um país alegre, em perfeitas condições de empregar suas imensas potencialidades na superação dos desafios conjunturais, escalando, com firme decisão, as ladeiras do desenvolvimento econômico social antevisto em seu destino.

 No fecho da narrativa de hoje, recorro a uma historinha emblemática: O escritor Cláudio Bojunga, no excelente livro “JK, o artista do impossível”, relata episódio de sabor todo especial, aludindo à primeira visita de dona Júlia Kubitschek a Brasília.  Da janela do hotel, empolgada com os contornos da metrópole erguida em tempo recorde no descomunal vazio do Planalto Central, numa proeza incomparável na história contemporânea, ela exclamou: “Só mesmo Nonô pra fazer tudo isso!” Esse Nonô!

A saga JK tem sequencia.

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

Relembrar JK faz bem ao espírito

 Cesar Vanucci

Juscelino substituiu o vício da dor pela pedagogia do prazer.” (Cacá Diegues, cineasta)

 

 Damos continuidade à série de comentários sobre a vida e obra do saudoso Jk, ao ensejo do transcurso dos 120 anos de seu nascimento. Na Presidência e, depois, na dolorida jornada do exílio, Nonô estabeleceu ligações com personalidades de todos os continentes. Nas palestras realizadas no exterior nunca deixou de proferir palavra otimista a respeito da pátria.

O carismático Nonô foi sempre generoso e conciliador. Converteu em amigos inimigos rancorosos. O caso mais famoso envolve Carlos Lacerda, que veio a ser seu companheiro na “Frente Ampla”, uma tentativa das lideranças de expressão, banidas do jogo político pela ditadura de 64, de devolverem a democracia ao Brasil. Estas palavras, retrato perfeito, sem retoque, de JK, pertencem a Lacerda: “Esse homem de paz era um combatente. Porque era um verdadeiro renovador, era também generoso. No horror à vingança, à mesquinharia, à mediocridade, fundou sua atitude diante da vida”.

 Faz bem ao espírito e ao coração relembrar JK. Recordar os tempos em que ele gerenciava os negócios públicos em nosso país. Tempos bastante diferentes dos de hoje. O Brasil tem andado triste. De tempos a essa parte não tem conseguido retomar por ausência de iniciativas e projetos, o almejado desenvolvimento econômico com seus benfazejos desdobramentos sociais a que faz por merecer. Na era jusceliniana, havia esperança, alegria, otimismo. Em todos os cantos eram avistados canteiros de obras anunciando o progresso, trazendo empregos à mancheia.

 Outro episodio que marca bem a personalidade invulgar de JK é descrito por seu biografo Claudio Bojunga. Foi quando Foster Dulles, expoente da chamada “linha dura” veio ao Brasil. O Secretário de Estado americano tinha dificuldades para entender os latinos e direcionava obsessivamente seu trabalho no combate ao “comunismo ateu”. Nos encontros com Juscelino Dulles já havia proposto nove fórmulas, todas recusadas pelo Presidente, para uma declaração conjunta. Insistia num documento que utilizasse surrados jargões da “guerra fria”. JK considerou as ponderações fora de propósito. O documento, insistia, deveria conter essencialmente um compromisso com o desenvolvimento e a prosperidade social. A nota final não incluiu as propostas do Secretário. JK reagiu ainda à arrogância de Dulles, que queria assinar a declaração, mesmo sendo funcionário de escalão inferior, juntamente com o Presidente do Brasil. A conduta altiva não desestimulou Dulles de reconhecer que “o Presidente do Brasil trata o desenvolvimento com a fé dos místicos.”

Desfrutando de enorme simpatia popular, JK foi pressionado politicamente a promover reforma constitucional que lhe garantisse novo mandato. Desfez, de forma categórica, a possibilidade.

Sua eleição para outros mandatos era tida como líquida e certa. Os acontecimentos posteriores, retirando o Brasil dos trilhos da democracia, alvejaram-no inclementemente. Teve o mandato cassado quando representava Goiás no Senado. O último discurso como parlamentar é uma obra prima de afirmação democrática e de crença nos valores nacionais. Injuriaram-no, impuseram-lhe humilhações. Fizeram de um tudo para calar-lhe a voz, numa tentativa de diminuir a importância de seu incomparável papel no teatro da história. Tudo embalde. “De todos nós, é o nome dele que vai durar mil anos. Juscelino estará na memória das gerações porque sua aventura vital foi extraordinária!” Palavras de um adversário em tempos idos, Afonso Arinos.

 Quando JK morreu, num acidente que suscitou muitos questionamentos, a Nação inteira parou para dar adeus ao seu filho dileto, estadista de escol, um cara bom de voto e bom de obras. “Deus pegou um século e pôs a maior parte dele no colo do Nonô de Diamantina”, registrou, liricamente, o jornalista David Nasser.

 

                                                               Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

domingo, 20 de novembro de 2022

A fascinante saga de JK

                                                                                                                               Cesar Vanucci *

                                          JK:procura-se outro.”(Refrão diamantinense )

 

 O Brasil reverencia os 120 anos de nascimento de JK. Nada a dizer sobre o grande estadista que já não tenha sido dito. Não importa, pois como diz o ditado, a melhor retórica é a repetição. Voltemos, então numa pequena série de comentários a falar da vida e obra do brasileiro ilustre que, na Presidência, fez o país avançar 50 anos em 5.

 Bastaria Brasília para imortalizá-lo. Mas ele foi muito além. Suas utopias contemplavam insuspeitadas latitudes na geografia demarcada pela ação político-administrativa convencional. Impulsionado por fervor dir-se-á místico e muita ousadia criadora, JK foi um redescobridor do Brasil. “Alegre como uma janela aberta”, apoderado da paixão “de servir e de ser útil”, exprimindo virtudes e defeitos de sua gente, como anotou meu saudoso padrinho Paulo Pinheiro Chagas, excepcional tribuno e escritor, num magistral ensaio sobre o cintilante itinerário de Juscelino na vida pública. Ele, Kubitschek, encarnou, como nenhum outro personagem de realce na cena política conseguiu fazer, o verdadeiro sentimento nacional.

 Sua aventura vital foi extraordinária. Os próprios adversários, em retratação histórica de conduta política antagônica circunstancial, se viram obrigados, nalgum trecho do tempo, a reconhecê-lo. Combatido implacavelmente por minoria raivosa, escorada nas ações por mídia predominantemente hostil, alvejado na dignidade pessoal, cassado, preso, banido da pátria a que soube servir com incomum destemor cívico e espírito democrático, o Nonô de Diamantina legou aos compatriotas um patrimônio imensurável de realizações e de ideias fecundas. Fonte inesgotável de inspiração nas lutas empreendidas pela sociedade brasileira na tentativa de invadir o futuro e conquistar patamares mais elevados em matéria de bem-estar social e econômico.

 A primeira imagem que trago gravada de JK é a de sua presença em Uberaba, como candidato ao Governo de Minas. Gabriel Passos, brilhante opositor, seu concunhado, havia passado por lá, dias antes, deixando vigorosa impressão. No comício de JK aconteceu algo eletrizante. Um prenúncio daquilo que aprenderíamos a ver como marca registrada inconfundível dos tempos de euforia cívica que se abeiravam de nós, brasileiros.

 O comício teve todos os ingredientes de empolgante festa do gênero. Faixas, banda, rojões, palavras de ordem ditadas pelo alto-falante. Entre uma e outra execução musical – marchas trepidantes, culminando com o indefectível Oh! Minas Gerais –, os oradores procuravam aquecer o público com tiradas retumbantes, na tentativa de suplantar o bom desempenho anterior do palanque adversário. Esmeravam-se na preparação da entrada triunfal em cena da estrela do evento.

 Pintou o grande instante. O locutor, a voz empostada, anunciou para Uberaba e para todo o Triângulo Mineiro, pelas possantes ondas da emissora local, “a palavra do futuro governador do Estado de Minas Gerais, excelentíssimo senhor doutor Juscelino Kubitschek de Oliveira!”

 O que aconteceu na continuação não dá para contar em todos os detalhes. A cidade assistiu, emocionada, ao mais eletrizante espetáculo político de seus, então, quase cem anos de emancipação política. As palavras jorravam com a impetuosidade de uma catarata, lavando a alma das pessoas, tocando os brios da cidadania, povoando de esperanças e sonhos animadoras perspectivas de trabalho, inundando de entusiasmo redivivo adormecidas crenças no amanhã do país. Todos se comportavam como parceiros orgulhosos na arregimentação das forças vivas da Nação para a aventura diferente em termos de progresso e desenvolvimento que estava sendo proposta por aquele quase desconhecido. Nos semblantes, sorrisos e olhares cúmplices, a sensação deleitosa da descoberta fascinante de uma nova e carismática liderança.

O resto da história, conto na sequencia

 

A pregação desenvolvimentista de JK

                                                                                                                          Cesar Vanucci *

             “Ele pensava nos cem anos seguintes.”(Carlos Murilo Felício dos Santos, primo de JK)

 

 Interrompemos a narrativa sobre o comício de JK em Uberaba, anotando a extraordinária repercussão alcançada pela sua fala eletrizante, culta, rica em vibração democrática.  No Largo da Matriz, cada qual na multidão se sentia mais gente, mais capaz e confiante. Então, o Brasil era ou podia ser tudo aquilo e a gente, bestamente, não sabia nadica de nada a respeito? Instante de pura magia. Ressalte-se que aquele clima de saudável e benfazejo entusiasmo acabaria, adiante, por envolver o Brasil do Oiapoque ao Chuí. O magnetismo do orador traçava impecável itinerário de trabalho, encharcado de humanismo e poderoso aceno social. E o toque lírico da palavra convincente! As tais borboletas que ele sabia como ninguém introduzir nos textos de conteúdo mais áspero. Corações e mentes iam sendo conquistados para a causa do redescobrimento do Brasil.

 O momento culminante da concentração política em Uberaba ocorreu por conta de um incrível lance retórico, acolhido em atmosfera de delírio, própria de conquista de Copa do Mundo. Tantos anos passados, as palavras acodem-me ainda com exatidão. Assim falou JK. Abre aspas. “Ao sobrevoar hoje esta maravilhosa cidade, lembrei-me de Chicago.” Fecha aspas.

 O comício acabou ali. Não deu pra segurar. Uma meia dúzia de uns três ou quatro mais ousados escalou pela frente o palanque, balançando-lhe a estrutura. Juscelino refez-se da surpresa inicial e caiu na gargalhada ao ser arrancado pra fora e carregado em triunfo diante do aturdimento dos companheiros. A cidade viveu carnaval temporão, tão ou mais animado do que o convencional.

 Exagero retórico (e bota exagero nisso) à parte, o que acabou ficando mesmo guardado na memória e no coração das pessoas, não evidentemente por causa da frase de efeito, mas por conta do contexto otimista do pronunciamento, é que estava despontando, no espaço político, um cidadão com papo novo sobre a realidade brasileira. Um homem que acreditava de verdade (e passava essa crença adiante) nas potencialidades de seu país e nas virtualidades de seu povo. Um político que não embarcava na cantilena derrotista de tantos outros que se acostumaram a enxergar os defeitos brasileiros com descomunais lentes de aumento e a denotar arrepiante conformismo com a ideia errônea, disseminada em muitos setores, de que o cidadão aqui nascido, antes de tudo, é um fraco. Um tipo apático, condenado inexoravelmente a destino desprovido de grandeza, à submissão eterna, sem perdão, a decisões de gente mais sábia, viventes de fala arrevesada d’além-mar.

 JK representava um sopro nacionalista renovador. Vinha mostrar a existência, sim, de uma luz no final do túnel. Como aconteceu em Uberaba e se repetiu em milhares de outros comícios, Brasil afora, transmitia a todos a inabalável certeza de que a obscuridade nos caminhos - passageira, circunstancial - era fruto de uma visão retrógrada do mundo e das pessoas. E não resultado de adversidades fatalísticas inapeláveis. O criador de Brasília proclamava, com convicção, ser preciso passar do discurso para a ação. Convidava os bem-intencionados a abandonarem o excesso academicista que costuma condenar as propostas sociais a um imobilismo teórico. Pedia às lideranças que deixassem de lado fórmulas estereotipadas, chavões inócuos, com que se procurava retratar, comumente, em tantos lugares, a realidade nacional, e arregaçassem as mangas de verdade, botando pra fazer. Todo mundo era chamado, na convocação daquele líder de irradiante simpatia, a ajudar a fazer o futuro com engenho e com trabalho. Muito trabalho.

 Em suma, os brasileiros se deram conta, de repente, que o cenário morno, acomodado, estava sendo revolvido por pregação revolucionária, cristalinamente democrática, inspirada em vibrantes propósitos de promoção social.

Mais JK pela frente.

JK, maior governante de seu tempo.

                                                                                                                   *Cesar Vanucci

 

                                                      “Ele fez o brasileiro acreditar no Brasil!”(David Nasser)

   JK: procura-se outro. Como dizem eufóricos e saudosos os conterrâneos de Nono, grande estadista brasileiro, em cantorias que enchem de encanto as ladeiras de Diamantina, o Brasil sente saudades de JK. Anda à procura de alguém que percorra, na vida publica trajetória que lembre o construtor de Brasília, maior governante de seu tempo no cenário mundial, com as obras desenvolvimentistas que introduziu na geografia de seu país. Ele foi o um autentico “contemporâneo do futuro”. Seu olhar perscutante devassou promissores horizontes inatingíveis na visão estreita dos que o combatiam de forma ferina e injusta, conforme o mostruário da história, nos chamados “anos de chumbo” .

 A lucidez do cidadão Juscelino Kubitschek de Oliveira expunha com clarividência que uma sociedade verdadeiramente livre não pode deixar de ajudar os muitos que são pobres, até porque, não sendo assim, jamais conseguirá salvar os poucos que são ricos. O recado continha a pureza da água de regato de montanha, intocada pela poluição. A voz poderosa do líder ecoava por todos os quadrantes. Fora do desenvolvimento econômico global, que aproveite a todos como patrimônio comum da sociedade, não há salvação para ninguém. E o desenvolvimento é filho dileto do trabalho, da educação, da mobilização das virtudes humanas e capacidade criativa do povo. E mais: o objetivo do desenvolvimento é sempre social.

Quando Brasília foi anunciada e começou a ser construída, naquele estilo JK que encantaria o mundo, adversários rancorosos, atônitos com a nova ordem gerencial instalada na vida do país, perderam, de vez, como se dizia em tempos de antigamente, as estribeiras. Malsucedidos nas tentativas de impedir a posse de JK, de desalojá-lo do poder pela força, partiram para grosseiras e maledicentes violências verbais, diariamente difundidas.  A fúria adversária atingiu , em dados momento,  níveis tais de paroxismo que a sensação experimentada era de que o Brasil iria mesmo acabar. Tribunas e jornais deram curso a afirmações tão insanas e disparatadas que a gente se surpreende até no direito, tantos anos transcorridos, numa análise amadurecida e serena dos fatos, de supor que certos opositores foram recrutados na ala mais isolada e de maior risco de alguma clínica psiquiátrica de pacientes irrecuperáveis. Recorda-me o dito vociferante de alguém importante, o escritor Gustavo Corção, bradando do alto de embriagadora autossuficiência a disposição de beber, gota por gota, toda a água que viesse a jorrar no terreno sáfaro onde vinha sendo implantado o lago artificial. Outro cidadão, jornalista Carlos Lacerda, com sobrecarga de rancor no coração, acusou Juscelino, inopinadamente, pela morte num acidente de helicóptero do então governador fluminense Roberto Silveira, lançando mão de argumento inacreditável. O Presidente adotara, desde os tempos de governador de Minas, o “hábito irresponsável” de utilizar helicópteros nas incursões administrativas. Silveira resolveu imitá-lo, “num gesto de macaquice”. Conclusão lógica: o culpado da morte do governador que costumava andar de helicóptero tinha de ser “justamente ele”, Juscelino. Dá procês?

Sandices do gênero eram disparadas continuamente. Duas quarteladas (Aragarças e Jacareacanga) foram orquestradas no começo de sua gestão com o fito de desalojá-lo do poder. A consciência cívica nacional cuidou de rapidamente desbaratá-las. A volumosa quantidade de embaraços e obstáculos antepostos à sua trajetória não foi suficiente para deter a marcha das ideias, a conquista do Planalto Central, a interiorização do desenvolvimento, a industrialização acelerada da fecunda ação juscelinista.

Fica claro que a narrativa sobre JK vai ter continuidade.

 


domingo, 13 de novembro de 2022

Realidade paralela

 

                                                                                 *Cesar Vanucci

 

                   “O espírito humano é que nem o paraquedas, só funciona aberto”.

                                           ( Louis Pauwels e Jacques Bergier)     

                                                                        

1) Liberdade de expressão e “fake news”. Como se diz no descontraído tagarelar das ruas, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Aí de quem não consegue distinguir situações tão contrapostas! Torna-se vulnerável a sérios distúrbios psíquicos, compondo à sua volta aquilo que especialistas em ciências sociais chamam de “realidade paralela”. Algo de extrema toxidade para si mesmo e para pessoas de sua convivência familiar, profissional e social. A “realidade paralela” produz delirantes reações, roçando a paranoia. Provoca estragos consideráveis nos relacionamentos.

A democracia encontra na liberdade de expressão suporte essencial. O espírito humano como asseveram Louis Pauwels e Jacques Bergier , autores do magnífico livro “O despertar dos mágicos”, é que nem o paraquedas, só funciona aberto.  Em suas manifestações os seres humanos traduzem crenças e sentimentos pessoais merecedores de respeito nas atividades mundanas, mesmo que deles se possa discordar frontalmente. O contraditório, as diferenças são parte indissociável do jogo da vida. O dialogo, feito às vezes, de opiniões divergentes é caminho indesviável na busca de soluções para problemas que dizem respeito ao bem comum.

Já as “fakes news” constituem uma contrafação da liberdade de expressão, por mais que pescadores de águas turvas procurem, em momentos de efervescência política, confundir incautos a respeito. Não passam de despudorada falsidade com fitos delituosos. Carecem ser combatidas com todo o rigor da lei. Na verdade, esse combate vem se fazendo dificultoso por força da capilaridade complexa da chamada mídia eletrônica. A propagação de mentiras, ás vês letais, nas redes sociais tem sido motivo de preocupação mundial e isso como tudo faz crer levará a uma inevitável regulamentação do processo, de modo a despoja-lo de seu autograu de nocividade.

 Resumo da ópera: quando nas jurisdições competentes, caso por exemplo do Tribunal Superior Eleitoral, uma ordem seja emanada para a retirada de circulação de contas das redes atentatórias à dignidade de cidadãos e instituições, a liberdade de expressão não está sendo cerceada. O que está sendo impedido é uma pratica criminosa, por mais que esbravejem em contrário alguns desvairados militantes políticos.  

 

2) Sandices sem conta. Em são Paulo, no hospital, estava tudo devidamente preparado para tão aguardada intervenção cirúrgica. O transplante programado representava para o paciente, familiares e corpo clinico um instante redentor. Por culpa de fanáticos militantes políticos, responsáveis por bloqueio rodoviário criminoso, o órgão (coração) não pode ser transportado em tempo hábil de Goiânia até a capital paulista. Quanta perversidade, santo Deus!

Em cidade catarinense, um grupo de arruaceiros participante da interdição de estradas hostilizou o Ministro Luis Roberto Barroso, do STF. Foram identificados, dentre eles, indivíduos flagrados noutros distúrbios a reproduzirem, braços erguidos, a saudação dos “camisas pardas hitleristas”.

 Cena grotesca capitada, durante o bloqueio rodoviário em Caruaru, Pernambuco. Um caminhoneiro contrario a descabido protesto, acelerou o veiculo. Um dos manifestantes, na tentativa de detê-lo agarrou-se ao capô sendo conduzido na desconcertante posição por um pedaço de tempo.

 Convocando parceiros para acompanha-lo em ações delituosas numa rodovia do Paraná um arruaceiro médico sugeriu  que fossem usados como “escudo humano”   mulheres, idosos e crianças, inclusive de colo, de maneira a inibir agentes da lei  encarregados de manter a ordem.

 

                                                                  Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

Reeleição, financiadores, ufanismo, “encantamento”

 

                                                                      *Cesar Vanucci

                          “As pessoas não morrem, ficam encantadas.” (Guimarães Rosa)

1) A reeleição para cargos públicos executivos parece estar com os dias contados. Pessoas familiarizadas com as engrenagens políticas, jornalistas que cobrem as atividades parlamentares e das agremiações partidárias entre elas, dão conta de  reações contrárias ao dispositivo do código eleitoral que faculta candidaturas de exercestes de cargos executivos a mandatos sucessivos. Essas reações ganharam maior volume depois das eleições. O despudorado uso da máquina Estatal na concessão de benesses pré-eleitorais, cumulativamente com a mobilização das estruturas de serviços oficiais na campanha gerou compreensíveis descontentamentos e protestos. É verdade que esse desrespeito às regras, ocasionando desequilíbrio de forças entre os candidatos na disputa de votos, não ocorreu apenas agora. Mas, com toda certeza os registros detectados, na competição finda foram bem mais explícitos do que em outros momentos. Na hipótese de que, por quaisquer conveniências oportunísticas, o dispositivo da reeleição seja mantido, tem-se como certo que os candidatos se verão obrigados a se licenciarem dos cargos em que se acham empoderados algum tempo antes da eleição.

 

2) Quem são eles? A opinião publica mostra-se ansiosa por saber os nomes dos patrocinadores que, na clandestinidade, dos grupelhos de ativistas fanatizados que deslocaram seus caminhões das rodovias para locais estratégicos em alguns centros urbanos, em demonstrações antidemocráticas rechaçadas pela consciência cívica da Nação. Quem, nos bastidores, garante a remuneração das horas roubadas ao trabalho profissional dos perturbadores da ordem, garantindo-lhes todo o suporte logístico para suas inaceitáveis “proezas”? Fatalmente, nas redes sociais serão encontrados indícios veementes, pistas claras dos delinquentes de casaca que conspiram contra os interesses superiores de um país ávido, como expresso nas urnas, por retomar seu protagonismo nas veredas da harmonia comunitária e da sustentabilidade desenvolvimentista. Procuradores-gerais da Justiça em diversos Estados da Federação deram conhecimento, ao Tribunal Superior Eleitoral que as manifestações antidemocráticas em questão vêm sendo custeadas por indivíduos ligados a negócios rendosos e escusos.

 

3) .Sobejas razões acodem à gente brasileira para se ufanar de seu modelar sistema eleitoral, no planeta inteiro alvo de admiração e louvores. A democracia brasileira é a única a promover, com absoluto sucesso, votação e apuração dos votos no mesmo dia, com distanciamento entre um e outro procedimento de poucas horas. A lisura e transparência do processo, idealizado e conduzido impecavelmente pelo Tribunal Superior Eleitoral e TREs foram atestadas, mais uma vez, no Pleito que apontou os novos dirigentes do país. O tribunal de Contas da União, o Ministério da Defesa, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Organização dos Estados Americanos e outros órgãos de auditoria e fiscalização envolvidos no acompanhamento das competições eletivas emitiram pareceres comprobatórios da confiabilidade rigorosa do método de captação e apuração de votos.

 

4) A cena cultural brasileira viu-se desfalcada, num mesmo dia, de duas figuras exponenciais. O “encantamento”, como diria Guimarães Rosa, da soberba cantora foi acompanhado pelo “encantamento” de um magnífico divulgador de nossas coisas culturais de raiz. O nome dela: Gal Costa. O nome dele: Rolando Boldrin. Gal foi uma das grandes interpretes de seu tempo, mesmo visualizando-a no contesto mundial. Ganhou muito realce também pela atuação vanguardeira em posições assumidas, por meio de gestos e palavras em favor de causas ligadas à emancipação feminina. Boldrin, dedicou seu talento a propagação dos valores do Brasil rico em colorido humano das bandas do sertão, com suas cantigas dolentes e seu tagarelar saboroso.

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

domingo, 6 de novembro de 2022

Recortes pós-eleição

 


                                                                                                  *Cesar Vanucci

“Ninguém sabe Minas”(Carlos Drummond de Andrade)

1) O resultado da eleição presidencial deste ano tornou mais arraigada a crença dominante no meio político de que um candidato só consegue alcançar a presidência do país se obtiver vitória nas urnas em Minas Gerais. Contando, no 2 ° turno, com o apoio entusiástico do governador Romeu Zema, que havia declarado neutralidade na disputa do 1° turno, a campanha de Bolsonaro esperava reverter a vantagem alcançada pelo adversário por aqui . Afinal de contas, Zema reelegera-se com larga margem de votos já na primeira rodada da competição e se comprometeu a montar maciço apoio com arregimentação da maioria dos prefeitos. O esforço despendido resultou em alguma redução de sufrágios para o candidato da “Frente Ampla”, mas não foi de molde a garantir o almejado trinfo blsonarista. Oportuno, anotar, a propósito, circunstancia que passou um tanto despercebida no noticiário sobre a campanha eleitoral. O atual vice-governador Paulo Brant, ao contrario de Zema, hipotecou solidariedade a Lula. Considerado Estado-Sintaxe do Brasil, Minas Gerais guarda segredos de esfinge, desconcertando analistas que se propõe em decifra-los. Carlos Drummond de Andrade disse, de certa feita, o seguinte: “ Ninguém sabe Minas. Só o mineiro sabe, mas não conta.” Isso aí...

 

 2) A indicação feita pelo Presidente  Lula de seu Vice Geraldo Alckmin para coordenar a equipe de transição de governo é reveladora do  propósito do Presidente eleito em compor um ministério com base nas forças políticas da chamada “ Frente Ampla”. As especulações alusivas à escolha dos titulares das pastas ministeriais contemplam, da parte de diferentes observadores invariavelmente, a possibilidade da escolha de Simone Tebet para um dos cargos disponíveis. A Senadora, sem sombra de dúvida, é estrela em ascensão continua no firmamento político, desde memorável participação na CPI da COVID . O grupo de transição acha-se empenhado na tarefa de equacionar uma questão vital: Encaixar no fluxo das despesas orçamentárias do exercício fiscal de 2023 recursos que cubram os dispêndios com bolsa família, salário mínimo, merenda escolar, farmácia popular, vacinas entre outros benefícios sociais. No plano orçamentário elaborado pelo atual governo nada consta a respeito desses itens bem como de outras situações essenciais para que a economia volte a girar.

 

3) Designando o Ministro Ciro Nogueira, Chefe da Casa Civil, para coordenar o grupo do atual governo no processo de transição administrativa e recepcionando o Vice eleito Geraldo Alckmin, o Presidente Jair Messias Bolsonaro ajudou a distencionar o ambiente político nesta, de certo modo conturbada, fase pós eleitoral. A opinião pública vê com alívio as articulações processadas, convencida da necessidade de que a paz e a harmonia prevaleçam de maneira a permitir o andamento normal das atividades comunitárias. A eleição apontou o rumo a seguir. Acatar o resultado é prova de bom senso, discernimento e maturidade democrática. A consciência cívica nacional e o exercício da cidadania repelem, com firmeza, as ações desagregadoras de grupelhos antidemocráticos que imaginam possa, como já se disse, ganhar eleição em cabine de caminhão e não em cabine de votação.

 

4) A sociedade brasileira coloca-se na expectativa de que sejam devidamente identificados e punidos com vigor da lei os autores dos atentados  perpetrados contra a democracia assim que anunciados os resultados do 2° turno. A orquestração dos atos ilegais ficou claramente evidenciada. O aparato logístico para que os perturbadores da ordem agissem estava montado desde a noite de domingo. As multas arbitradas para caminhoneiros que desafiaram a democracia não bastam. É imprescindível enquadrar também os autores atrás da boleia da criminosa operação.

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

Acontecências dos dias seguintes

 


                                                                                    *Cesar Vanucci

 

“O mundo estava com saudade do Brasil” (Celso Amorim)

 

1) Andaram dizendo que o mundo sentia saudades do Brasil. De nosso protagonismo nas mesas dos debates internacionais em torno de questões essenciais vinculadas à construção humana. Nem uma hora havia se passado do resultado do pleito e um verdadeiro “tsunami” de felicitações, mensagens de apoio, solidariedade, de convites para encontros importantes, provindos de todos os cantos do planeta congestionou as vias de comunicação do local onde se encontravam o Presidente e Vice-Presidente eleitos. O ex-chanceler Celso Amorim lembrou que, em 60 anos na diplomacia, nunca viu nada tão retumbante. Adicionem-se a isso o aplauso unanime dos órgãos internacionais que acompanharam, como qualificados observadores, a lisura da grande festa cívica do dia 30. Temos aí configurada outra exuberante demonstração do nível de maturidade democrática atingido, afortunadamente, pelo nosso país.

 

2) A secretária entra no gabinete, espavorida, interrompendo o papo do prócer político governista com assessores, para coloca-lo a par do bloqueio nas rodovias.

- “Sabe, chefe, eles colocaram caminhões atravessados nas pistas, impedindo o ir e vir das pessoas, entrega de alimentos nos supermercados, medicamentos nas farmácias, oxigênio nos hospitais. Não estão deixando passar ambulâncias com pacientes de hemodiálise e grávidas na hora de dar a luz...”

Uma voz de trovão:

- “Eu sabia que ia acontecer! Já tinha avisado a turma. Esses nossos satânicos inimigos sempre agem assim, traiçoeiramente, são uns baderneiros, desordeiros, vândalos, extremistas de uma figa.”

A secretaria achou por bem intervir.

-“ Pera aí chefe, o pessoal da bagunça  é do nosso time!”

 O prócer pigarreou, redarguindo triunfante. – “ Dona Matilde, a senhora deveria ter explicado isso logo de cara. A coisa assim muda de figura. Os nossos baderneiros, desordeiros, vândalos, satanistas , extremistas de uma figa são gente do bem, lutam por causas nobres.

O prócer nada mais disse, nem foi perguntado.

 

3) Minoria de ativistas fanatizados vem tentando com repulsivas manobras, bagunçar o coreto democrático, contrapondo-se a voz dos lares e das ruas. À ação terrorista de Roberto Jefferson e arruaças inacreditáveis na porta da Basílica de Aparecida se juntaram outros incidentes chocantes. Entre eles: a cena de filme policial de terceira categoria da Parlamentar de arma em punho acompanhada de guarda-costas armado correndo atrás um jornalista com quem se desentendeu.  Aconteceram também: a denuncia sem fundamento sobre inserções a menos de propagandas em uma dúzia  de estações de rádio, uma delas, por sinal, pertencente a familiares do denunciante; o atentado antidemocrático, economicamente muito lesivo aos interesses da sociedade, representado pelos bloqueios rodoviários; as aglomerações de grupos enfezados pedindo a derrubada das instituições, e fazendo, como se viu em imagens de Santa Catarina, a sinistra saudação dos  “camisas pardas” nazistas.

Essas pessoas carecem de entender que nas democracias eleição se define em cabine de votação, não em cabine de caminhão.

 

4) Mesmo tendo sido derrotado por Lula no páreo presidencial, Jair Bolsonaro conseguiu amealhar  patrimônio político de respeitável proporção. Afinal de contas, recebeu 58 milhões de votos, e correligionários seus conquistaram vários cargos executivos nos Estados e muitas cadeiras na Câmara e Senado. Segundo suas próprias palavras, “a direita surgiu de verdade”. Ele pode liderar, de forma duradoura, oposição confiável, desde que se disponha a fazer o jogo democrático dentro das “quatro linhas constitucionais”, sem atitudes ambíguas, pronunciamentos tardios e desconexos ,  negacionismo científico e impulsos raivosos.

 

                                                                      Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

A SAGA LANDELL MOURA

Onda extremista mundial.

                                                                                      *Cesar Vanucci     “Democracia não é o paraíso, ma...