domingo, 13 de novembro de 2022

Realidade paralela

 

                                                                                 *Cesar Vanucci

 

                   “O espírito humano é que nem o paraquedas, só funciona aberto”.

                                           ( Louis Pauwels e Jacques Bergier)     

                                                                        

1) Liberdade de expressão e “fake news”. Como se diz no descontraído tagarelar das ruas, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Aí de quem não consegue distinguir situações tão contrapostas! Torna-se vulnerável a sérios distúrbios psíquicos, compondo à sua volta aquilo que especialistas em ciências sociais chamam de “realidade paralela”. Algo de extrema toxidade para si mesmo e para pessoas de sua convivência familiar, profissional e social. A “realidade paralela” produz delirantes reações, roçando a paranoia. Provoca estragos consideráveis nos relacionamentos.

A democracia encontra na liberdade de expressão suporte essencial. O espírito humano como asseveram Louis Pauwels e Jacques Bergier , autores do magnífico livro “O despertar dos mágicos”, é que nem o paraquedas, só funciona aberto.  Em suas manifestações os seres humanos traduzem crenças e sentimentos pessoais merecedores de respeito nas atividades mundanas, mesmo que deles se possa discordar frontalmente. O contraditório, as diferenças são parte indissociável do jogo da vida. O dialogo, feito às vezes, de opiniões divergentes é caminho indesviável na busca de soluções para problemas que dizem respeito ao bem comum.

Já as “fakes news” constituem uma contrafação da liberdade de expressão, por mais que pescadores de águas turvas procurem, em momentos de efervescência política, confundir incautos a respeito. Não passam de despudorada falsidade com fitos delituosos. Carecem ser combatidas com todo o rigor da lei. Na verdade, esse combate vem se fazendo dificultoso por força da capilaridade complexa da chamada mídia eletrônica. A propagação de mentiras, ás vês letais, nas redes sociais tem sido motivo de preocupação mundial e isso como tudo faz crer levará a uma inevitável regulamentação do processo, de modo a despoja-lo de seu autograu de nocividade.

 Resumo da ópera: quando nas jurisdições competentes, caso por exemplo do Tribunal Superior Eleitoral, uma ordem seja emanada para a retirada de circulação de contas das redes atentatórias à dignidade de cidadãos e instituições, a liberdade de expressão não está sendo cerceada. O que está sendo impedido é uma pratica criminosa, por mais que esbravejem em contrário alguns desvairados militantes políticos.  

 

2) Sandices sem conta. Em são Paulo, no hospital, estava tudo devidamente preparado para tão aguardada intervenção cirúrgica. O transplante programado representava para o paciente, familiares e corpo clinico um instante redentor. Por culpa de fanáticos militantes políticos, responsáveis por bloqueio rodoviário criminoso, o órgão (coração) não pode ser transportado em tempo hábil de Goiânia até a capital paulista. Quanta perversidade, santo Deus!

Em cidade catarinense, um grupo de arruaceiros participante da interdição de estradas hostilizou o Ministro Luis Roberto Barroso, do STF. Foram identificados, dentre eles, indivíduos flagrados noutros distúrbios a reproduzirem, braços erguidos, a saudação dos “camisas pardas hitleristas”.

 Cena grotesca capitada, durante o bloqueio rodoviário em Caruaru, Pernambuco. Um caminhoneiro contrario a descabido protesto, acelerou o veiculo. Um dos manifestantes, na tentativa de detê-lo agarrou-se ao capô sendo conduzido na desconcertante posição por um pedaço de tempo.

 Convocando parceiros para acompanha-lo em ações delituosas numa rodovia do Paraná um arruaceiro médico sugeriu  que fossem usados como “escudo humano”   mulheres, idosos e crianças, inclusive de colo, de maneira a inibir agentes da lei  encarregados de manter a ordem.

 

                                                                  Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

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