sexta-feira, 30 de agosto de 2013

“Sob mil olhares”, um cântico à vida

Cesar Vanucci *

“A razão como roteiro, com o vento da paixão.”
(Pope)

Ao assumir recentemente a Cadeira nº 33 da respeitável Academia de Letras do Triângulo Mineiro, a escritora, professora e promotora cultural Arahilda Gomes Alves lançou um novo livro de crônicas intitulado “Sob mil olhares”, apontando-o como “retratos de uma estrada percorrida, necessidade de partilha, no aprendizado mútuo.” Honrado com o convite para prefaciar a obra, anotei com as ‘palavras abaixo reproduzidas as minhas impressões.

Conheço Arahilda de muitos carnavais já efusivamente comemorados. Nossa identificação, no desfrute partilhado de crenças humanísticas arraigadas, não conhece as limitações de tempo, espaço e distância. Um caso típico de amizade instituída desde sempre, com força de permanência.

Percorrendo as alamedas da memória, revejo Arahilda em instantes marcantes de sua trajetória. A garotinha espoleta, que exercitava a voz no programa infantil da E-5. A adolescente graciosa atulhada de sonhos. A mulher feita, cabeça boa, sensibilidade social aflorada, têmpera forte, vida tocada dentro do conceito poético de Pope: a razão como roteiro, com o vento da paixão.

As pessoas que com ela convivem, na rotina familiar, na esfera profissional, na atividade comunitária estão em condições de atestar, com base em copiosos exemplos práticos, o jeito saudavelmente apaixonado com que ela se lança nas causas abraçadas, notadamente as que consultam os sagrados interesses sociais e culturais.

Do aconchego amorável de seu lar, tempos da meninice, lá na João Pinheiro, rua pacata de uma Uberaba sem a efervescência dos dias atuais, sobrevivem belas lembranças. O pai Alaor e dona Adelaide, a mãe, a prodigalizarem atenções e carinho à prole de cinco filhos, passando-lhes a lição de que a aventura humana bem que vale a pena. Todos eles, Alaíde, Airton, Adelmo, Arahilda, Alaorzinho, de saudosa memória, assimilaram bem o ensinamento. Projetaram-no em suas vidas. (Peço permissão para abrir aqui parênteses mode render minha homenagem de saudade ao Alaor José, companheiro de lida jornalística que “partiu primeiro” no ano passado. Leal e talentoso, tocou a vocação com idealismo e desassombro. Arrostou, como outros de nosso grupo, as incompreensões de setores refratários às idéias de mudanças. Mas deixou as digitais impressas nos lugares por onde passou, na terra natal e longe dela, dando contribuição como cidadão para a construção de um mundo melhor. Fecho parênteses).

Na terna convivência familiar, recebendo estímulos para o exercício das coisas do espírito, Arahilda despertou cedo para a vida cultural e artística. A música, a literatura, as promoções culturais ocuparam lugar especial em seu roteiro pessoal. Sem se afastar dos afazeres domésticos, dona de casa e mãe de família dedicada, encontrou tempo para marcar posição na sociedade como educadora e propagadora da boa arte. Seus livros são um desdobramento natural, como mostra esse cântico de vida intitulado “Sob mil olhares”, da alma da autora. Uma criatura que conserva olhos bem abertos para as cenas objetivas do mundo exterior, mas que não perde o lirismo romântico de que se acha impregnada por inteiro. Decorre daí a graciosidade nos conceitos e palavras que perpassam as crônicas alinhadas. Delicados e meigos textos, com fulgores de forma e exuberância de sentimentos. Suas essas percepções da vida: “A vida, estabelece duetos em melodias sonoramente ecoantes transformados em coro de vozes na apologia de um mundo melhor.” “Meditei sobre o ipê, que em poucos meses perdera sua glória. Percebi que os homens são como aquele ipê amarelo da minha rua. Hoje, estufam o peito, orgulhosos, mas se esquecem de que a vaidade se desvanece ante a efemeridade das coisas!”

São narrativas reveladoras também, a partir de observações verazes, do conhecimento que tem dos costumes sociais, da psicologia popular. São páginas, no frigir dos ovos, entusiásticas e festivas, com toques genuínos daquilo que de melhor uma figura humana tão rica quanto a Arahilda mostra-se apta a oferecer aos que põem gosto em boa prosa, calcada em vivências de forte conteúdo humano.

Alegria do povo


“Muito do instinto, da alma e do espírito do povo se põe como em
retrato psicossocial nos flagrantes dos espetáculos futebolísticos.”
(João Lyra Filho, sociólogo)

“Futebol, alegria do povo” será o tema da “Semana Mundial do Serviço Leonistico”, tradicional celebração da Governadoria e Clubes do Distrito LC-4 e da Academia Mineira de Leonismo, este ano em sua 18ªedição.

A promoção, prevista para o mês de outubro vindouro, conta com o apoio da Rede Itatiaia de Rádio, Sistema Fiemg, Assembléia Legislativa de Minas Gerais e Tribunal de Contas de Minas.

No último dia 22 de agosto, no Círculo Militar de Belo Horizonte, a coordenação do grande evento anunciou em ato cultural bastante concorrido a programação a ser cumprida entre os dias 8 e 15 de outubro. O governador do Lions, José Leroy Silva, presidiu a assembléia, recepcionando, entre outros ilustres convidados, o vice-presidente da Assembléia Legislativa, deputado Adelmo Carneiro Leão, o conselheiro do Tribunal de Contas, dr. Viana, o ex-diretor internacional do Lions, Sebastião Braga, além do diretor presidente da Rede Itatiaia de Rádio, jornalista Emanuel Carneiro, que brindou o público com uma exposição rica em informações a respeito dos impactos sociais e econômicos da Copa Mundial de Futebol de 2014. O “Cafeinne Trio” abrilhantou o evento com requintadas interpretações da música popular brasileira, francesa e estadunidense. O Lions homenageará na “Semana” figuras exponenciais do futebol cuja trajetória de vida esteja ligada às Copas Mundiais.

Ao desincumbir-me da tarefa de apresentar aos presentes, no referido ato, as linhas gerais da programação a ser cumprida na “Semana”, fiz as considerações que entrego neste momento à apreciação dos leitores.

O futebol, a mais ecumênica das práticas esportivas, tem raízes fincadas na alma humana. Está presente em todas as culturas, independentemente das diferenciações étnicas, linguísticas, religiosas e comportamentais.

Puxo da memória para trazer dos confins do mundo sugestiva ilustração. Estava em visita ao Tibet. Nas altitudes himalaianas de respiração ofegante, tive em Lhasa a atenção despertada para as “peladas” de rua, entusiasticamente disputadas até por monges com seus hábitos encarnados e sandálias de couro cru.

Deflui daquelas cenas, típicas de ambientes fissurados em futebol, a razão de algo que muito me havia intrigado na televisão local: a sequência interminável de imagens de disputas futebolísticas de tudo quanto é lugar. Percebi que o prepotente invasor chinês prevalecia-se, massiva e astuciosamente, do interesse popular tibetano pelo futebol para deslocar os olhares da população subjugada daqueles acontecimentos relevantes no mundo exterior que fossem capazes de agravar o óbvio estado de tensão política vigente no belo país do topo do mundo.

Uma tarde, no Potala, a mais imponente e sagrada das edificações de Lhasa, ao deixar os aposentos pessoais que serviram no passado ao Dalai Lama desterrado, fui instado a colocar minha assinatura com outros dados num livro sob a guarda de um impassível monge, com estatura e compleição física de atleta de voleibol. Ao identificar minha condição de brasileiro, o monge entreabriu os lábios, esboçou sorriso meio cúmplice, largando no ar, de forma bem pausada, emblemática expressão: Ro-má-riô! A cena rendeu risada.

Paixão universal, o futebol ganhou aqui, por estas nossas bandas, condimentos muito especiais, nascidos das características singulares da conduta humana e comportamento social de nossa gente. Essa modalidade esportiva tomou entre nós formato de incomparável coreografia. Haverá, por acaso, alguém que se atreva a negar que aquela lindeza de gol do Everton Ribeiro, do Cruzeiro, no jogo de quarta-feira (21 de agosto) com o Flamengo, no Mineirão, não mereça ser visto como um lance arrebatante de dança no estilo que consagrou artistas do naipe de Fred Astaire e Gene Kelly?

Essas e outras coisas pedem de sociólogos e antropólogos substanciosas interpretações. Esclarecimentos que nos capacitem a entender melhor os motivos pelos quais desfrutamos hoje a invejável condição de sermos universalmente reconhecidos como o País do futebol, como a Pátria das chuteiras, celeiro inesgotável de craques para os gramados do mundo.

Futebol no Brasil, que nem carnaval e samba, há que ser visto, pois, como poderoso instrumento de celebração permanente da vida. É o povo em plena efervescência criadora.

Entregues ao conhecimento de todos estas observações, colocamo-nos agora na expectativa de que o movimento leonistico de Minas dê de si o melhor no sentido de fazer da celebração da “Semana”, neste ano da graça de 2013, um acontecimento reluzente. Uma festa cívico-cultural que venha exprimir satisfatoriamente uma das facetas culturais mais representativas da inteligência, talento e jeito de ser, único e inigualável, da brava gente brasileira.



sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Descomunal maracutaia

 Cesar Vanucci *

 “Não houve propriamente uma disputa
 licitatória, mas uma atividade de consorciamento.”
(Parecer do Tribunal de Contas de São Paulo sobre o “escândalo no metrô”)

“O escândalo no metrô”, nome pelo qual ficou conhecida a descomunal maracutaia que atravessou três administrações do governo tucano paulista, já tende, a esta altura, à medida que as investigações avançam e a opinião pública vai se inteirando das proporções da baita corrupção praticada, a ofuscar o famoso “mensalão” julgado pelo STF.

Evidências esmagadoras, trazidas a lume inicialmente pela “IstoÉ” e “Carta Capital”, depois, a princípio com alguma relutância, compartilhadas por outros órgãos da grande mídia, dão conta de que no maior Estado da Federação montou-se um esquema de fraude e achaques que carreou somas fabulosas para contas bancárias em paraísos fiscais de muitos cidadãos “acima de qualquer suspeita”.

 A operação criminosa decorreu de um conluio entre políticos ligados à administração pública paulista, de um lado, e, de outro lado, executivos de empresas multinacionais articuladas em cartel. Por uma série de circunstâncias, a alta direção de uma das empresas sentiu-se compelida a tornar do conhecimento público todo um sofisticado esquema de fraudes envolvendo propinas e superfaturamento em contratos firmados no setor de transportes sobre trilhos.

Apenas em seis dos contratos firmados pelo cartel o superfaturamento detectado alcançou cifra próxima de meio bilhão de reais. A documentação relativa ao escândalo, obtida aqui e no exterior, já está em poder do Ministério da Justiça. Os sobrepreços apurados foram em média de 30 por cento. O destino final dos valores correspondentes às comissões atribuídas aos “parceiros” das firmas contratadas para os serviços foi, em todos os casos, a cúpula das estatais do governo bandeirante engajadas nas negociações de implantação das linhas do metrô e políticos ligados à administração pessedebista.

A denúncia a respeito do escândalo deixa claro que o superfaturamento nos contratos de serviços e ofertas de produtos às estatais paulistanas, Metrô e Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), supera longe os índices médios calculados internacionalmente em razão da prática desse crime. Estimativas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE – costumam apontar, por exemplo, segundo a “IstoÉ”, que a formação de cartéis pode resultar, via de regra, em prejuízos da ordem de 10 a 20 por cento aos cofres públicos. No caso dos 16 contratos firmados em São Paulo, a combinação de preços e direcionamentos mafiosos promovidos pelo esquema descoberto levou a um espantoso rombo de 30 por cento.

Agravando tremendamente a situação, embora o considerável esforço das autoridades bandeirantes em ocultar o fato, uma ocorrência caracterizada como “queima de arquivo” chegou também recentemente ao conhecimento da opinião pública interessada no deslindamento da escabrosa história. Imenso galpão localizado em Itu, onde ficavam armazenados valiosos arquivos (coincidentemente de três décadas) do metrô foi reduzido inteiramente a cinzas, em 2012. Homens encapuzados e armados, depois de renderem os vigias, espalharam gasolina e atearam fogo no imóvel. Nada sobrou. De acordo com laudo policial, o incêndio não teria passado de um ato de vandalismo sem qualquer motivação. Ocorre, entretanto, que a papelada destruída era composta de cópias de contratos, pareceres técnicos, cópias de processos de tramitação, propostas, empenhos, relatórios de acompanhamento dos serviços correspondentes ao metrô executados de 1968 até 2009. O incidente ganhou especial relevância com as investigações em andamento, reveladoras, como já salientado, de fabulosa maracutaia ocorrida no sistema de transporte sobre rodas. Escândalo gerador de um propinoduto milionário, que está dando o que falar na imprensa, no ambiente político e nas esferas judicial e policial.
 

A carta do caloteiro

 
“Os outros credores ficam para o mês seguinte...”
(Do autor da carta do caloteiro)

 A “Era da Informação” aí está e a Internet é o seu arauto. Frequentado por frenéticas multidões, o fascinante sistema tenta saciar a infinita sede de conhecimento do ser humano. Abre para todos as comportas de um registro geral de colossais proporções, onde se acha alinhada toda sorte de assuntos possíveis, imagináveis. E, falar verdade, para muitos outros assuntos impossíveis e inimagináveis.

A face jocosa dos textos disponíveis alimenta intercâmbio bastante intenso na rede de usuários. São casos engraçados. Frases espirituosas. Observações irônicas e críticas mordazes. É a gozação inteligente. Tudo merece difusão em ritmo vertiginoso, nessa navegação desenvolta, de um sítio para outro, nas ondas da Internet, em que se acham entusiasticamente engajados milhões de internautas.

Não é de causar surpresa, por conseguinte, que volta e meia caia-nos nas mãos, via correio eletrônico, uma historieta bem humorada, recolhida por alguém em lugar incerto e não sabido. Da maioria das historietas não se fica conhecendo sequer o autor. O que não impede, absolutamente, sejam elas objeto de intensa divulgação. Como acontece, aliás, também, no caso de escritos de autores de nossa especial predileção.

A “Carta do caloteiro”, entregue neste momento à apreciação dos leitores, foi extraída de um desses www.com.br da vida. No preâmbulo faz-se questão de sublinhar tratar-se de correspondência engraçada publicada na “Folha” e atribuída a um tremendo cara de pau. Teria sido encaminhada a várias lojas credoras. Uma coisa é certa: qualquer que seja o ângulo pelo qual se pretenda analisar o texto, ele não deixa de ser um eloquente sinal dos tempos.
 
“Prezados Senhores,
Esta é a oitava carta jurídica de cobrança que recebo.  Sei que não estou em dia com meus pagamentos. Acontece que eu estou devendo também em outras lojas e todas esperam que eu lhes pague.

Contudo, meus rendimentos mensais só permitem que eu pague duas prestações no fim de cada mês. As outras, ficam para o mês seguinte. Estou ciente de que não sou injusto, daquele tipo que prefere pagar esta ou aquela empresa em detrimento das demais. Ocorre o seguinte: todo mês, quando recebo meu salário, escrevo os nomes dos credores em pequenos pedaços de papel, que enrolo e coloco numa caixinha. Depois, olhando para o outro lado, retiro dois papéis, que são os dois “sortudos” que irão receber o meu rico dinheirinho. Os outros, paciência. Ficam para o mês seguinte. Afirmo aos senhores, com certeza, que sua empresa vem constando todos os meses da minha caixinha. Se não os paguei ainda, é porque os senhores estão com pouca sorte.

Finalmente, faço uma advertência: se os senhores continuarem com essa mania de me enviar cartas de cobrança ameaçadoras e insolentes, como a última que recebi, serei obrigado a excluir o nome de Vossas Senhorias dos meus sorteios mensais. Sem mais, obrigado.”

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

 
 
 
 
 

E se?...

 
CesarVanucci *

 “Sonhar com olhos despertos faz parte da vida.”
(Domingos Justino, educador)

E se o Governo abrisse mão da idéia do trem-bala e resolvesse realocar os 50 bilhões de reais, previstos inicialmente para a obra, noutros projetos do ponto de vista social mais prementes, o transporte coletivo dos grandes centros urbanos, por exemplo?

 E se os altos escalões administrativos colocassem todo empenho (possível e impossível) no sentido de articular negociações com o poderoso sistema financeiro, persuadindo-o a participar com uma quota expressiva de seus extraordinários e sempre crescentes lucros em favor dos projetos sociais que interessam à causa do desenvolvimento e do bem estar de nossa gente?

E se fossem criados, por meio de tratativas inteligentemente conduzidas, mecanismos capazes de suscitar o repatriamento dos volumosos recursos que milhares de brasileiros, por razões as mais variadas, aplicaram no estrangeiro, nos chamados paraísos fiscais, de forma a que essa dinheirama ociosa toda seja incorporada, com ganhos naturalmente para os investidores, em projetos que favoreçam nossos avanços econômicos e sociais?

E se, também, os poderes públicos nos diversos níveis se dispusessem, munidos de um plano de trabalho amadurecido e concatenado, a convocar empresas e contribuintes individuais inscritos na dívida pública para um acerto geral que pudesse carrear recursos substanciais aos programas de crescimento da Nação?

E se, ainda, o Governo Federal resolvesse reunir os governos estaduais endividados com a União para uma renegociação dos débitos acumulados, liberando verbas substanciais, hoje empregadas praticamente no oneroso custeio da dívida, em projetos nas áreas da saúde, educação e segurança pública?

E se a Nação, numa ampla conjugação de vontades de suas lideranças, optasse pela implantação de um programa social de vanguarda, coerente com esses tempos de mudanças, que estimulasse a participação no esforço de desenvolvimento das regiões mais desassistidas do interior brasileiro, da mão-de-obra técnica oriunda das Universidades? Algo assim parecido com o “Projeto Rondon”, de caráter obrigatório como foi o “Tiro de Guerra” aos 18 anos, de idos tempos, e que instituísse, ao término dos cursos, condições para o deslocamento dos profissionais diplomados, com remuneração garantida e por tempo determinado, para cidades e locais reconhecidamente carentes de recursos humanos em setores vitais?

E se o currículo do ensino médio brasileiro fosse reorganizado no sentido de preparar adequadamente os educandos para ingressarem de pronto no mundo do trabalho, caso não se sintam aptos a seguir carreiras do ensino superior?

E se dos planos governamentais prioritários fizesse parte, com o concurso da iniciativa privada, o incremento dos sistemas ferroviários e de navegação fluvial, de maneira a criar novas e importantes alternativas para o deslocamento de passageiros e a circulação de bens e mercadorias?

E se, na esfera da atuação política, fosse cogitada, de repente, uma redução de Ministérios e de cargos parlamentares no Congresso, Assembleias e Câmaras de Vereadores?

E se o Judiciário, o Legislativo e o Executivo ordenassem aos setores burocráticos sob seu controle a rígida observância da Lei da Transparência, com realce para a divulgação, sem tergiversações e engodos, das remunerações dos servidores em todos os níveis, definindo, ao mesmo tempo, procedimentos que corrijam ou amenizem, com bom senso e respeito a direitos adquiridos, as distorções salariais existentes e que evitem a reprodução de abusos ao arrepio da legislação que estabeleceu os tetos salariais para o serviço público?

E se tudo isso viesse a acontecer, como fruto da vontade política e sensibilidade social de nossas lideranças, será que as coisas não passariam a funcionar mais a contento na vida nacional?


 Lembranças da heroína


 “É vedada a presença de menores de
14 anos em fitas em série projetadas nos cinemas."
(Portaria do Juizado de Menores nos idos de 1940)

E a Jean Rogers?

Que notícia, você aí que é cinemaníaco – conhecendo de cor e salteado a biografia dos “astros e estrelas que não estão no firmamento, mas nas telas do cinema”, como lembrava o velho letreiro do Cine Vera Cruz, em Uberaba – tem para me dar da Jean Rogers?

Era a heroína das fitas em série de Flash Gordon, menos conhecido do respeitável público pelo nome de Buster Crable, campeão olímpico de natação. Sua presença loura, trescalando meiguice, ornamentava as aventuras espetaculares do corajoso precursor dos cosmonautas, em sua incessante luta contra o perverso Imperador Ming. E povoou os melhores sonhos de meninice de muita gente boa pelaí. Jean foi para uma multidão de adolescentes a namoradinha inacessível das estrelas, a referência erótica máxima de um outro mundo repleto de fantasia e encantamento.

Na véspera de emocionante capítulo do seriado, o Juiz de Menores entendeu de endurecer o jogo. Menor de 14 anos não entrava. Nem acompanhado. E agora José? Ele tava com apenas 12 anos. Mas ficar sem ver a Jean Rogers, ah, isso não iria ficar mesmo... O jeito era arranjar um expediente para burlar a implacável vigilância do comissário. Bolou plano genial. Com a ajuda da serviçal doméstica, introduziu no sapato, na forma exata da palmilha, pedaços de jornal. Calculava, inocentemente, que assim poderia espichar alguns centímetros. Na porta do cinema, na ponta dos pés, trêmulo, o receio estampado na carinha, ouviu a temida interpelação:

E o garoto aí, quantos anos?
É... hum... 14. Isso mesmo: 14 anos...
Cadê o documento?
Ficou em casa...
Então, não entra. Sem documento não entra. Outro aí...

Ficou de fora. Uma inveja louca dos que conseguiam entrar. Uma raiva crescente do comissário. Aquele “coisa”, tão implacável, insensível, intolerante. Teve um pensamento de vingança com relação ao Juiz: “Ele há de morrer com a boca cheia de formiga!...” Rechaçando o mau pensamento, implorou a interferência sobrenatural para que a porta do cinema se abrisse. As lágrimas a bailarem pelos olhinhos buliçosos. Não adiantou olhar súplice. Nem resmungos. Nem choro, nem vela. Ficou sem ver a Jean Rogers até o fim do seriado. O último seriado do Flash Gordon da infância.

Tempos depois, anunciaram um filme policial com Jean Rogers no papel principal. Uma mulher de vida desregrada. História cheia de violência. No finalzinho, uma tentativa de suicídio. Coisa muito diferente daquilo que aprendera a admirar na heroína. Comentou:

Um blefe muito grande a Jean Rogers de fora das fitas em série!

Mais tarde, já adulto, num sábado de despreocupação na Cinelândia paulista, localizada entre a Ipiranga e a avenida São João, olhando o cartaz de um “poeira”, viu anunciado o seriado de Flash Gordon. Resolveu entrar. Achou tudo muito estranho. Sentiu-se deslocado. Assim como um ancião de noventa anos num festival de roque pauleira. Saiu antes do final. No espírito, uma melancolia nascida da constatação de que certas alegrias e emoções infantis são mesmo irrecuperáveis.



sexta-feira, 9 de agosto de 2013


As armas britânicas

Cesar Vanucci *

 “Shakespeare tem razão: os hipócritas esforçam-se
por parecer santos quando mais encarnam o diabo.”
(Antônio Luiz da Costa, professor)

 Por favor, alguém melhor informado das coisas que rolam nos bastidores geo-politicos-econômicos saberia explicar, aqui, pra este desajeitado e desinformado escriba, o desconcertante enunciado dessas duas informações, constantes do noticiário nosso de cada dia?

A primeira informação diz que a Inglaterra, ao lado de outros países, condena com veemência, nos mesmos termos adotados pelos Estados Unidos, a ação de extermínio das minorias opositoras desencadeada pelo ditador da Síria, Bahar Assad. Expressa repulsa pelos métodos empregados na ação governamental de Damasco no conflito que ensanguenta o país.

A segunda informação diz que uma comissão do Parlamento inglês trouxe a público a revelação de que o país fornece, em caráter regular, no cumprimento de contratos de vultosos valores, armas de destruição ao execrado regime sírio. Não deixa de ser irônico anotar que o relatório parlamentar em questão veio a público um dia depois de o chanceler inglês William Hague anunciar solenemente que a Grã-Bretanha enviaria material de proteção contra armas químicas para os rebeldes sírios, em meio a denúncias de uso de gás sarin por parte das forças de Assad.

É bem elucidativo também acrescer à informação que a venda de armas britânicas, segundo a mesma insuspeita fonte, não contempla apenas a Síria, mas um punhado de outros paises volta e meia criticados pela Inglaterra nos fóruns internacionais por conduta lesiva aos direitos humanos. Caso, por exemplo, para citar mais um incrível exemplo, do Irã dos raivosos aiatolás.

A flagrante contradição existente entre a retórica diplomática e a rendosa prática comercial efetiva adotada pelos ingleses (será que só por eles?) nos penumbrosos bastidores geo-politicos-econômicos suscita a lembrança de episódios estarrecedores, indicativos da hipocrisia e insensatez humanas e do poderio incontrolável da indústria de material bélico. Durante a 1ª Grande Guerra Mundial (1914-1918), as fábricas de armas, tanto de um lado quanto do outro lado da contenda, atenderam, solícita e indistintamente, no curso da carnificina, a encomendas de um e de outro lado, sem que fossem molestadas por quem quer que seja nesse seu “desprendido afã” de servir eficientemente à clientela. Colocaram-se num patamar superior, “escrupulosamente isentas” de acordo com seu tétrico “código de ética”, para servir a tempo e a hora as partes, “distanciando-se” das litigâncias bélicas que fizeram de milhões de criaturas verdadeiras “buchas de canhão”. Projéteis fabricados pelos aliados alvejaram pracinhas que nas trincheiras defendiam a “honra” e a “dignidade” de seus países. Projéteis saídos de fábricas alemãs foram também utilizados para dizimar vidas de jovens das fileiras germânicas. Tudo em nome dos “nobres ideais” que uns e outros sustentavam como justificativa para participação no confronto bélico.

 Ponho-me a imaginar que histórias como essa (e muitas outras parecidas) da venda de armas inglesas concorrem bastante para que, a cada dia mais intensamente, multidões saiam de seu comodismo bovino secular para exprimir nas ruas justo e esbravejante  inconformismo com as regras comportamentais hipócritas impostas pela arrogância e prepotência humanas.

 
Um fiapo no torrão

 
“Afinal de contas, só existe uma raça: a humanidade.”
(George Moore)
 
O racismo, já disse noutra ocasião, é como a grama tiririca. A gente imagina que possa extirpá-la. Pega da enxada e tenta arrancá-la do solo com raiz e tudo. De nada adianta. “Um fiapo escondido no torrão faz a peste vicejar”, como é dito num verso da saborosa poesia sertaneja, de autoria de um êmulo do grande Catulo da Paixão Cearense, cujo nome a memória velha de guerra não conseguiu guardar.

E viceja mesmo pra valer! Os exemplos a considerar são bem atuais. O senador Roberto Calderoli, ocupante de pasta ministerial no governo italiano, filiado a um partido ultraconservador, a Liga do Norte, responde presentemente a uma ação judicial, movida por promotores de Bergamo, por afirmações públicas injuriosas à sua colega de Ministério, Cecile Kyengea, “negra como as profundezas d’África” (pra lembrar verso do grande poeta negro estadunidense Langston Hughes). Cecile, oftalmologista, nascida no Congo, cidadã italiana, foi comparada a um orangotango. Tornou-se alvo de comentários de odor racista desde sua designação para o Ministério da Integração, em abril. O comentário do Ministro Calderoli suscitou outras repulsivas manifestações de intolerância. Uma colega sua de partido, Dolores Valandro, insultou a Ministra em registros espalhados pelas redes sociais, afirmando que ela merecia ser estuprada. Nesse caso específico, a agressora foi condenada pela Justiça de Pádua por incitar a violência sexual, pegando 13 meses de prisão com direito a sursis e ficando proibida de exercer por três anos qualquer cargo público. O caso de Cecile desencadeou aceso debate sobre o racismo na Itália, deixando visível que a intolerância racial no país, um polo de convergência de imigrantes africanos, é uma questão revestida da maior gravidade.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, com intermináveis marchas, vigílias, passeatas, entrevistas inflamadas, militantes dos direitos civis, tendo a participação ativa da comunidade negra, promovem nas ruas ruidosas manifestações anti-racistas, motivadas pela absolvição, numa cidade da Flórida, do assassino de um jovem negro de 17 anos. O jovem em questão, Traycon Martin, caminhava despreocupadamente pela rua. Vestia um gorro. ”Um negro com gorro” pareceu ao olhar de George Zimmerman, 28 anos, caucasiano, segurança voluntário do bairro, um indivíduo suspeito. Foi o quanto bastou para a abordagem truculenta e o disparo mortal. O assassino não chegou nem a ser detido. Só veio a responder por processo criminal por força de forte pressão popular que acabou ganhando dimensão nacional. Escudou-se numa legislação anacrônica, vigente na Flórida, a chamada “Stand your ground”, que ampara, com base em simples suspeita, o emprego de arma de fogo como defesa, por alguém que se sinta ameaçado. A lei, apoiada pelos fabricantes de armas, deixa a critério de quem faça as abordagens de pessoas suspeitas a conveniência de puxar ou não o gatilho. Zimmerman contou com o apoio irrestrito de grupos racistas para obter absolvição tranquila no Júri.

A sentença ecoou com força de bofetada na cara da opinião pública esclarecida. Detonou movimento popular que se alastrou pelo país adentro e que volta a expor ao mundo as chagas odiosas da discriminação racial que amplos setores da sociedade norte-americana cultivam.

O movimento forçou o Departamento de Justiça a reabrir as investigações a respeito do assassinato, a um só tempo que trouxe à tona volumosa carga de fatos indicativos de que os conflitos raciais no país ainda estão longe de se extinguirem. Uma amostra significativa disso, bem recente, foi dada pela Suprema Corte, ao tornar sem efeito a Lei do Direito ao Voto, promulgada em 1965, que determinava investigação ampla do Congresso a respeito de regras eleitorais notoriamente hostis à população afro. Em certas regiões do sul do país, está bem documentado, existe uma manobra política sorrateira contínua de obstrução do voto dos negros. Milhares de representantes da comunidade negra, por meio de artifícios variados, são impedidos de comparecer às urnas nas eleições.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Meu caro Francisco

Cesar Vanucci *

“Que cada um sinta a necessidade de dar à humanidade
 os valores éticos de que a humanidade necessita.”
(Papa Francisco)

 Devo confessar, de cara, que o tom coloquial destas maltraçadas, em substituição à etiqueta emplumada tradicional, inspira-se da recomendação reiterada que você passou, na Jornada Mundial da Juventude, para homens e mulheres empenhados na construção de um mundo melhor, para que valorizem sempre em suas ações o contato humano fraterno.

Senti firmeza, baita firmeza, em sua fala. Dei-me conta, de repente, apoderado de santa alegria, de uma situação extremamente valiosa. O surgimento em cena de uma liderança com legitimidade universal, providencialmente escalada por desígnios superiores nas esferas transcendentes, para fazer ecoar nos céus do mundo neste instante uma mensagem renovada de fé e esperança nos destinos do ser humano.

Você disse, na Jornada, com todas as letras, pontos e vírgulas, coisas que no recôndito da alma todas as pessoas reconhecem verdadeiras, mas que acabam, por um montão de razões indesculpáveis e jogo de conveniências mundanas, relegadas a plano secundário nas propostas de edificação humana.

Tanto quanto suas palavras, seus gestos de afeição fraternal, profusamente registrados pelas câmaras ao longo dos percursos percorridos no papamovel em ruas cariocas, revelaram-se extremamente inspiradores. Tomo um deles como símbolo especial dessa aproximação com o outro apontado por você como essencial à convivência saudável. Alguém não identificado, no meio da incalculável multidão, passou-lhe às mãos uma cuia de chimarrão. Você sorriu, levou confiantemente a bomba da cuia aos lábios, sorveu uma porção do líquido e devolveu, com o veículo em movimento, o recipiente ao desconhecido ofertante. Foi de arrepiar. Naquele preciso momento, deu pra perceber tudo aquilo que você, pouco tempo depois, em comovente depoimento, transmitiu: “... antes de viajar, fui ver o papamovel que seria trazido para cá. Era cercado de vidros. Se você vai estar com alguém a quem ama, amigos, e quer se comunicar, você não vai fazer essa visita dentro de uma caixa de vidro. Não. (...)E no automóvel, quando ando pela rua, baixo o vidro, para poder estender a mão, cumprimentar as pessoas. Quer dizer, ou tudo ou nada. Ou a gente faz a viagem como deve ser feita, com comunicação humana, ou não se faz. Comunicação pela metade não faz bem.”

Palavras de invulgar sabedoria. Sua comunicação singela, direta, franca, atinge o âmago das questões. Oferece respostas magistrais às inquietações humanas. Você nos trouxe, Chico, com irradiante simpatia e carisma arrebatante, a chance de podermos repensar, dentro de conceitos (segundo suas próprias palavras) revolucionários – no sentido de transformações sociais positivas, consentâneas com a dignidade humana –, os aspectos amargos das estruturas de vida complexas da civilização atual.

Estruturas abaladas pela corrupção de diferentes feitios e espalhada por tudo quanto é canto, que gera tanto inconformismo e clamores por representar traço de ligação com a injustiça social que campeia por aí agora. Engrenagens impregnadas, como você diz, da idolatria do dinheiro, do protagonismo do dinheiro, que estabelece “uma política mundial economicista, sem qualquer controle ético, um economicismo autossuficiente que vai arrumando os grupos sociais de acordo com sua conveniência.” Estruturas, como ainda diz você, que criaram o “drama desse humanismo desumano que estamos vivendo”, que descarta jovens e idosos, que leva à banalização da violência e à “globalização da indiferença” e que nos lança no rosto, como uma bofetada, a catástrofe de doentes que não têm acesso a tratamento, de homens e mulheres que se tornam mendigos e que sucumbem aos rigores climáticos, de crianças que não têm condição de se educarem. Estruturas, enfim, que fazem questão de ignorar tudo isso como fato relevante, mas que tratam, aí sim, como “grande catástrofe” a oscilação de 3 ou 4 pontos nas bolsas de algumas capitais do mundo financeiro.

Papa Francisco, mesmo que os donos do mundo venham botar pra fora alguma insatisfação com o que você diz, fique certo de que seu recado está sendo absorvido. Mentes e corações esperançosos, a cada hora em maior número, se fixam obsedantemente na idéia construtiva de se “estimular uma cultura ecumênica do encontro (...) no mundo todo.” De tal modo “que cada um sinta a necessidade de dar à humanidade os valores éticos de que a humanidade necessita.”


 O craque Djalma

 “Conselho de Djalma aos jovens: disciplina, disciplina.”
(João Eurípedes Sabino, presidente do
Fórum permanente dos Articulistas de Uberaba)

Em 2012 passei uma tarde inteira papeando com Djalma Santos, na residência do craque, em Uberaba. Fui levado até ele por um amigo comum, o jornalista Luiz Gonzaga de Oliveira. Toquei as peças da inesgotável coleção de troféus espalhada pelos vários cômodos da casa, ouvindo do próprio atleta relatos interessantíssimos acerca da origem de várias delas. Nada na residência acolhedora denotava vestígios de ostentação típicos das vivendas dos astros do futebol moderno, nem todos com folha de serviços prestados ao nível de Djalma.

No curso da conversa, o olhar umedecido pela emoção, Santos falou do trabalho executado na várzea durante longo espaço de tempo, com sua escolinha de futebol, pela qual passaram mais de dois mil garotos. Lamentou muito que a iniciativa, responsável pela inclusão social de grande contingente de menores, houvesse sido interrompida por falta de apoio governamental.

A irradiante simpatia do maior lateral da história do futebol, como aconteceu com tantos amigos e conhecidos que com ele conviveram em seus 30 anos de presença marcante na vida de Uberaba, conquistou-me para sempre. A brandura da fala, a simplicidade gestual, a sabedoria adquirida nos embates da vida encantaram-me. Ajudaram-me a entender o porquê de um atleta com currículo tão reluzente haver se tornado uma referencia mundial, não apenas por conta da arte exibida nas competições, mas também por ostentar a condição inédita e invejável de nunca haver sido expulso de um jogo, em qualquer fase da carreira.

Djalma contou-me que boa parte das promessas feitas aos campeões mundiais por governantes e dirigentes políticos jamais foram cumpridas. Citou, como exemplo, o caso da aposentadoria aos tricampeões, anotando que Lula, num contato recente, havia manifestado a disposição de resolver o assunto, mas nada, até aquele momento, havia acontecido de positivo.

Li nos jornais, pouco depois da prosa daquela tarde inesquecível, que as aposentadorias prometidas há tantos anos haviam sido finalmente concedidas.

A imagem de Djalma vai ficar gravada pra sempre nos gramados da memória.


- Um provável “descuido” dos programadores de filmes dos canais de televisão, que rotineiramente projetam fitas abaixo da critica (sem contar as repetições enganosamente rotuladas de “lançamentos inéditos”), surpreendeu o telespectador refestelado na poltrona diante da telinha, domingo desses, com uma sequência interessantíssima de atrações cinematográficas.
“Nunca aos domingos”, dirigido por Jules Dassin, uma comedia saborosa com tons dramáticos, que traz no papel central a excelente atriz grega Melina Mercouri, que chegou ocupar a função de Ministra da Cultura em seu país, abriu a série. “Deus da carnificina” veio a seguir. Trata-se de uma comédia de costumes que apresenta interpretações excepcionais de Jodie Foster, Michael Longstreet, Kate Winslet e Christoph Waltz. As tomadas de cena ficam concentradas no interior de um apartamento, mas o enredo, composto de magistrais diálogos, é de tal forma absorvente que a gente nem percebe. Robert de Niro, como personagem principal fez da outra película exibida, “Entrando numa fria”, um espetáculo divertidíssimo. No papel de um agente aposentado da CIA, não consegue desvencilhar-se do vezo de espionar a vida dos outros, fixando-se obsessivamente na figura do futuro genro. As situações hilárias da história rendem boas gargalhadas.


A SAGA LANDELL MOURA

    Racismo, praga daninha Cesar Vanucci “Detesto futebol. Detesto ainda mais porque as pessoas  estorvam e inundam as avenidas para faz...