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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019


“Percepção” entrou no ar

Cesar Vanucci

“O espírito humano é que nem o paraquedas, só funciona aberto.”
(Louis Pauwells e Jacques Bergier, em “O Despertar dos Mágicos”)

Já está no ar “Percepção”. Trata-se de um programa lançado no YouTube, produzido e apresentado por este amigo de vocês. No sentido de tocar de forma razoável a empreitada, este desajeitado escriba resolveu deixar correrem soltas as rédeas da imaginação, na pretensão de colher alguma resposta para interrogações suscetíveis de despertarem inquietude intelectual. A proposta encaixa-se na linha do chamado “Realismo Fantástico”. Tal denominação, por sinal, deu título a um programa que mantivemos no extinto CBH, por quase uma década, com mais de trezentas edições. O CBH (Canal de Belo Horizonte), muita gente deve se lembrar, constituiu empreendimento produzido com idealismo e ânimo desbravador pelo Sérgio Adaide, dentro do louvável propósito de fazer televisão com cara mineira. Foi muito bom, enquanto durou.

 A expressão Realismo Fantástico foi cunhada por dois pensadores de escol: Louis Pauwells e Jacques Bergier. Vem anotada no extraordinário “O Despertar dos Mágicos”. Um livro que, ainda nos dias de hoje, mais de meio século transcorrido desde a primeira edição, continua provocando fascínio nos leitores. Sobretudo em leitores ávidos por revelações que garantam acesso a conhecimentos mais aprofundados dos infindáveis enigmas que rondam a trajetória do ser humano pela pátria terrena.

Tudo quanto dito acima serve para esclarecer ao internauta interessado em acompanhar as narrativas inseridas em “Percepção” que ele irá se defrontar, toda semana, com historietas instigantes. Historietas que abarcam aquilo que pode ser catalogado sob o rótulo geral de “temática transcendente”. Casos e causos intrigantes, informações e depoimentos acerca de acontecimentos singulares (pode-se dizer mesmo insólitos, por vezes) compõem a programação à disposição no YouTube. Nesta primeira temporada de “Percepção” já foram produzidos 52 episódios. De meados de dezembro, até agora em janeiro, dez capítulos foram colocados no ar. Em “Predições fantásticas” narrou-se, com abundância de pormenores, como se deu o vaticínio, muitos meses antes, do passamento de personagem ilustre da história brasileira. E, também, do vaticínio, com prazo de 24 horas, sobre fantástica aparição ufológica nas adjacências da residência de figura famosa na televisão. Em “Uma recomendação de Chico Xavier” há o relato da ajuda essencial e totalmente inesperada proporcionada a uma grande instituição com fins humanitários, à volta, então, com problemas de sobrevivência. Credenciada porta-voz do esoterismo, conhecida por exemplar conduta profissional, a jornalista Ana Elizabeth Diniz, titular há muitos anos de uma página semanal em “O Tempo” dedicada a assuntos  esotéricos, comentou em entrevista seu edificante trabalho. O engenheiro e construtor Pedro Serra, autor de livro (recente) sobre óvnis apontado como esplêndida fonte de consulta pertinente ao desconcertante fenômeno, fez parte também do elenco de entrevistados.

A propósito de incríveis contatos extrassensoriais, Heloisa Maria Altavilla, educadora com respeitada atuação na área da orientação espiritual, foi também entrevistada. A admirada vidente e taróloga Marilena Simões compareceu ao programa com declarações sobre suas ricas vivências.

Nos programas subsequentes, nesta primeira temporada em curso de “Percepção”, o internauta estabelecerá contato ainda com depoimentos e verá imagens impressionantes, procedentes de estudos, pesquisas e ações promovidos por grupo altamente qualificado, com invejável acervo de informações acumuladas em largo tempo de exaustivas investigações. Desse grupo selecionado, pessoas de conceito inquestionável, fazem parte, entre outros, Albert Edward, Cláudio Carone, Cristiani Ferraz, Durga Shakti, Heros Campos Jardim, Jacques França, Marco Antônio Maldonado, Marli Medeiros, Raimundo Lopes, Zélia Savala Brandão.

“Percepção” projeta, naturalmente, uma postura pessoal diante da vida de alguém que se reconhece um simples repórter. Nada além. E que, por essa razão, revela-se consciente de não saber senão muito poucas coisas. O trabalho realizado sob tal premissa toma como ponto de partida o fecundo conceito, da lavra dos pensadores franceses citados pratrazmente, de que “o espírito humano é que nem o paraquedas, só funciona aberto.”

E por derradeiro aqui fica mais essa anotação: o programa conta com a inestimável colaboração de Carlos Luiz Conzi, na produção e edição, e o valioso apoio da Pousada Kokopelli, de Lavras Novas.


Sem essa de mexer em time vitorioso

Cesar Vanucci

“Esfaquear o Sistema S é um duro golpe!”
(Flavio Roscoe, presidente da Fiemg)

A ignorância ativa, denunciando autossuficiência derivada de pretensa superioridade intelectual, é de molde a produzir malefícios sem conta, por vezes irreparáveis. Agora, o já não saber o que se ignora configura circunstância capaz de atenuar, de algum modo, eventuais culpabilidades por atos irrefletidos, sempre passíveis de reconsideração. Quer nos parecer que esse embalo inicial do super Ministro da Economia, Paulo Guedes, e assessores, acenando com proposta de intervenção nas atividades do chamado “Sistema S”, encaixa-se na última alternativa pontuada. Ponho-me a imaginar que o anúncio feito a respeito da momentosa questão decorra de um inequívoco desconhecimento da real extensão dos fecundos benefícios proporcionados pelas instituições vinculadas a esse respeitável e firmemente consolidado complexo educacional e de serviços sociais.

Dos SS brasileiros pode-se garantir, sem a mais tênue sombra de exagero, que são everestiana referência na paisagem do labor e da criatividade humana voltados para o ideal do bem-estar social. Fazem parte de um conjunto invejável – que os há, mercê de Deus, em numerosas áreas de atuação legitimamente brasileiras – de empreendimentos altamente bem sucedidos. Empreendimentos – repita-se – nascidos do engenho e capacidade de nossa gente, que constituem esplêndida contribuição ao esforço global em favor do desenvolvimento.

Numa narrativa repleta de vigor, lúcida avaliação dos fatos, transbordante em matéria de argumentos convincentes, o presidente do Sistema Fiemg, empresário Flávio Roscoe, ocupou dias atrás este mesmo acolhedor espaço de ideias para abordagem magistral do papel dos SS na cena comunitária. Seu pronunciamento convida à reflexão. Deixa claro o quão justo é o desassossego que se apoderou do meio empresarial e da incalculável multidão de usuários favorecidos pelos programas dos SS, diante da ameaça que sobrepaira as entidades de desmantelamento significativo de suas estruturas. “O Sistema S acaba de se transformar em alvo de ameaças que colocam em risco a sua própria existência”, alerta Roscoe, lamentando que, em nome da necessidade da redução da carga tributária, o Ministro Paulo Guedes utilize a tribuna para dizer que é “preciso enfiar a faca no Sistema S”. Desenvolvendo sensato raciocínio, o dirigente acentua que o Ministro poderá contar com o apoio do setor produtivo nacional em iniciativas que busquem a recolocação do país na direção do crescimento sustentado, mas deixa frisado que “meter a faca no Sistema S” não se insere, jeito maneira, no rol das desejáveis providências administrativas e técnicas. Projeta, ao mesmo tempo, nas considerações alinhadas, um exuberante quadro demonstrativo das exitosas ações levadas a cabo, país afora, pelos SS.

A eloquência dos números e dados estampados explica a razão pela qual o Sistema S, composto pelo Sesi, Senai, Senac, Sest, Senat, Sesccop, Senar e Sebrae, desfruta, do Oiapoque ao Chuí, graças à  excelência dos serviços prestados, do mais elevado conceito na apreciação da sociedade. Pesquisa recentemente divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mencionada por Roscoe, dá conta da existência, praticamente, de uma unanimidade nacional em torno do que é executado pelas referidas instituições nas faixas da educação básica, educação profissional, saúde e segurança do trabalho, cultura, esporte, lazer e qualidade de vida do trabalhador.

A pergunta que não quer calar, desde que veio a público a açodada manifestação no sentido de mexida nas operações dos SS, é uma só, conforme pertinente registro do presidente da Fiemg.  Por que cargas d’água, a partir do propósito da louvável redução tributária, ganhou corpo essa imprudente disposição, destituída de bom-senso, de se desestabilizar os SS? Mesmo admitindo que muitos não saibam ainda o que se ignora, a estes mesmo, sobretudo, se recomenda cautela e prudência, pausa para reavaliações, de forma a que possam se inteirar melhor daquilo que realmente rola, não é de hoje, nos excelentes programas executados pelo Sistema S. Procedendo assim, não estarão incorrendo no risco de alvejar, clamorosa e irremediavelmente, projetos exemplares que dizem respeito à qualidade de vida do operário, inovação e desenvolvimento de tecnologia nos segmentos produtivos.

Resumo da ópera: sem essa de mexer em time que está ganhando todas. Muitas vezes, de goleada.





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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019


Em defesa dos SS  

Cesar Vanucci

 “A contribuição das empresas é importante porque garante o funcionamento de entidades que deram certo e contribuem para o bem-estar social.”
(José Alencar Gomes da Silva, de saudosa memória, à época presidente da Fiemg)

Percorrendo as ladeiras da memória, certifico-me de que há mais de duas décadas, em 1995, deflagrou-se nos bastidores governamentais uma articulação com o propósito de alterar a configuração do chamado “Sistema S”. A ideia aventada era estatizá-lo, algo que soava tremendamente incoerente numa hora em que se fazia manifesta na ação oficial a intenção de promover descontrolada privatização de ativos públicos, ainda hoje bastante criticada. Em defesa dos SS, publiquei uma série de artigos contendo respeitáveis conceitos ajustados às circunstâncias específicas daquela ocasião.
As considerações estampadas conservam ainda, de certo modo, num que outro ponto, sabor de atualidade neste momento em que a atuação das mencionadas instituições volta a frequentar, se bem que em contexto diferenciado, a agenda de debates. Eis o que então registrei.

As aparências enganam, como ensina a antiga prudência. Por isso, vou desovando logo saborosa historieta que frequenta com habitualidade e efeito garantido os encontros de sensibilização gerencial. O cidadão ia à toda na estrada. Numa curva bem fechada, quase vira manchete vistosa de página policial, ao cruzar com veículo que vinha um tanto desgovernado. Na passagem, gesticulante, alto falante gutural ao máximo volume, o outro motorista, uma mulher (“Não falei?”- pensou o nosso personagem, machismo todo aflorado), já com o controle da máquina retomado, deixou cair: - Cavalo! Cavalo!...  Não teve a menor dúvida. Sapecou incontinenti a resposta engatilhada para esses entreveros de trânsito: - Vaca! Vaca!...  Segundos depois, o carro rodopiava no asfalto, por culpa de uma tropa de cavalos atravessando a pista.

Moral da história: a palavra pode se aprestar a interpretações enganosas. Pelo que, tendo em vista o título deste comentário, nada de confusões pro meu lado. Sem essa de tentar lobrigar chifre em cabeça de cavalo. A defesa veemente assumida não é a dos notórios SS que ocupam espaço sinistro nos registros da história. Os SS de minha incondicional admiração nada têm em comum com os responsáveis pelo hediondo expurgo racista do apogeu do nazismo, tempo marcado pela destruição de apreciáveis valores humanos e espirituais. Muito antes, pelo contrário. Eficientes agentes da construção humana e espiritual, estes SS de minha apaixonada defesa compõem registro edificante da história brasileira. Os SS de que falo, evocativos de tanta coisa positiva realizada e de tantas iniciativas boas por fazer, atendem pelas sonoras e simpáticas denominações de SESI, SESC, SENAC, SENAI.

Querem acabar com eles. São inimigos dissimulados, ostensivos. Entregam-se, obsedantemente, a esse propósito demolidor. O objetivo é perseguido com implacável obstinação. O carro-chefe das tropas de assalto empenhadas na inglória missão está agora representado pela proposta de eliminação da contribuição compulsória dos encargos sociais nas folhas de pagamento, ao pretexto ridículo de que os pouco por cento reservados a tão nobres intuitos sobrecarregam os custos empresariais. Atrás disso se escondem argumentos inconsistentes oriundos de desconhecimento de causa, oportunismo, estreiteza intelectual para descobrir o óbvio. Parte-se, assim, para a negação sistemática da filosofia social embutida na programação das entidades. Para a não aceitação de sua condição de instrumento eficaz na promoção comunitária. Para a ideia de jerico, acolhida de modo embevecido nalguns ambientes, de transformar as instituições em meros departamentos burocráticos de um Ministério qualquer, como novas e defeituosas versões da LBA.

O que se pretende é a mudança de regra no jogo em andamento, onde os atletas se deslocam em campo em estado de graça, proporcionando com arte e criatividade espetáculo deslumbrante, ao agrado de numerosa e exigente torcida. Vê se pode! Mexer na regra é distorcer o resultado. Cabe à opinião pública identificar nos adeptos dessas esdrúxulas teses pessoas descompromissadas com o sentido social da vida. Gente que coloca à deriva das preocupações, como indissociáveis das ações econômicas, as cogitações sociais.

Pelo teor da ofensiva, percebe-se que é intenso o empenho em acabar com a obra que vem dando certo desde o começo. Obra que pode ser apontada como modelo de atuação. Produto exportável em condições de arrebatar tantos certificados ISO criados nos foros internacionais de qualidade.

Nossos SS nasceram de inspirada combinação do zelo oficial com a sensibilidade empresarial e aspiração laboral. Funcionam em moldes eficientes, sendo sustentados por recursos provindos das empresas, células dinâmicas do desenvolvimento. Para que o projeto nascido dessa poderosa conjugação de vontades se consolidasse muito concorreu a lucidez revelada por uma legião admirável de líderes. Empresários evoluídos, contemporâneos do futuro, souberam captar a envolvente mensagem social inserida no bojo das velozes transformações deste tempo. Assumiram, com saudável disposição, o comando dos SS, encaixando-os nos esquemas operacionais das entidades representativas das categorias econômicas. Acertaram em cheio. Souberam definir arrojadas linhas de ação social e educacional para o trabalho levado a efeito.

São nomes que fazem parte do panteão da história do desenvolvimento.  Reverenciá-los é preciso. Roberto Simonsen, Euvaldo Lodi, Morvan Figueiredo, Américo Giannetti, entre outros, souberam tornar melhores as relações entre o capital e o trabalho. Deixaram valiosa contribuição à causa da paz social.


A SAGA LANDELL MOURA

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