quinta-feira, 2 de julho de 2026

Caos e Poesia: Um senhor espetáculo musical!

Obra merece ser reverenciada

Foto: Denise dos Santos

“Arte é pura catarse”. (Carol Saletti – Dirigente da Escola e Espaço de Dança Casulo)

Já contei aqui.Volto a fazê-lo. Sou fissurado em espetáculo musical. No Teatro, no cinema e em palcos improvisados. Imagino que todo esse fascínio advenha da remota infância. Da participação ativa que tive, ao lado do saudoso mano Augusto Cesar Vanucci, em programações litero-musicais nas estações de rádio, escolas e outros recintos abertos a manifestações artísticas, nos bons tempos da meninice. Faço presente às recordações, a propósito, que Augusto Cesar, como diretor da Linha de Shows da Globo, tornou-se o primeiro brasileiro a ser agraciado com o “EMI Internacional” e o “Ondas Europeu”, em razão do “Arca de Noé”, estrondoso sucesso dos anos 90.

Ao longo dos anos, acostumei-me a assistir todas às grandes encenações musicais levadas efeito em teatros do Rio e outras capitais. Aplaudi com entusiasmo as performances da prodigiosa Bibi Ferreira em “Alô Dolly”, “My fair Lady”, “Bibi canta Piaf” e outras magnificas peças musicais. Permito-me anotar outra vez que meu irmão contracenou com Bibi em “Dolly” e foi protagonista central das comédias musicais ”Como vencer na vida sem fazer força”, “Vamos brincar de amor em Cabo Frio”, “Feitiço na Vila”, com Elizete Cardoso. Atuou também em “Louras e morenas”, com Agildo Ribeiro, Renata Fronzi e Mara Rúbia. Levou para a televisão, onde produziu extensa serie de musicais memoráveis, experiência adquirida no teatro e no cinema. Pertence-lhe o mérito de haver dirigido alguns dos melhores cartazes musicais já projetados na telinha. Criou e dirigiu o “Fantástico”.

Tenho assim por certo que na condição de espectador de centenas de espetáculos (sem contar filmes como“Sinfonia em Paris” e “Retratos da Vida” vistos repetidas vezes), não careço de credenciais para distinguir o que seja um bom espetáculo, um esplêndido espetáculo, um arrebatante espetáculo.

Anotem aí: estas exclamações ajustam-se como luva ao espetáculo “Caos e Poesia”, que presenciei, dias atrás, no Teatro do Sesi Minas. Elenco composto de 190 mulheres, de 35 a 90 anos de idade, alunas da Escola e Espaço de Dança Casulo, brindou plateias em sessões corridas superlotadas, num fim de semana, com representação de grandiloquente estilo. Os aplausos e os “bravos” vibrantes ouvidos ao final de cada um dos 4 atos e 19 arranjos coreográficos trazidos à cena, deixaram à mostra emocionante interação, raramente observadas noutros momentos, entre artistas e público. O magistral enredo, texto lírico contemplando incongruências da aventura humana, as sugestivas figurações coreográficas, o bailado de luzes, as marcações de palco, as eletrizantes partituras musicais – tudo isso remetendo ao talento e fecunda criatividade da idealizadora e produtora do espetáculo Carol Saletti – deixou gravado na memória dos que assistiram “Caos e Poesia” lembranças inesquecíveis, junto com um desejo de “quero mais”.

Riqueza na estratosfera, pobreza e fraternidade na sarjeta


Reflexões sobre riqueza e pobreza na era atual, inspiradas pelo marco do primeiro trilionário e suas implicações globais

Riqueza na estratosfera, pobreza e fraternidade na sarjeta

“A riqueza não é um fim em si mesma.” (Mayanna, poeta)

Na semana que passou, num mesmo noticiário, dois assuntos capturaram-me a atenção, provocando profunda reflexão sobre os rumos que conduzem a aventura humana.

O primeiro dava conta de um marco inédito na história. Elon Musk, controvertido magnata sul-africano radicado nos EUA, cuja trajetória confunde-se com a audácia tecnológica do nosso tempo, tornou-se o 1° trilionário de nossa Aldeia Global. Alcançou essa culminância everestiana impulsionado pelo sucesso estrondoso da abertura de capital de sua empresa SpaceX. Os cifrões elevam-se a 1,3 trilhão de dólares. A soma equivale a 3% do PIB da maior potência mundial e a 56% do que o Brasil, 10ª economia do mundo, produz em um ano. Essa dinheirama supera o PIB de 175 países, entre eles Taiwan, Irlanda, Suécia, Israel, Argentina e Singapura. A relação de nações com PIB inferior ao patrimônio de Musk contempla toda a América Latina (exceto Brasil e México), toda a África e boa parte da Europa. Seu triunfo não se restringe à conta bancária; reflete o ápice de uma jornada marcada pela ousadia de colonizar o espaço e revolucionar a matriz energética. Símbolo do engenho individual e da capacidade de transformar visões de vanguarda em riqueza.

O segundo registro flagra drama social clamoroso. Em Betim, Região Metropolitana de BH, em arremedos de moradia, refugiados da etnia Warao vivenciaram tragédia humanitária silenciosa. Camila, bebê de 1 ano e 4 meses, nascida em solo brasileiro, filha de indígenas vindos da sofrida Venezuela, teve sua existência ceifada por desnutrição grave. Sucumbiu à fome… Na Terra de Canaã, por assim dizer. Foi mais uma vítima da cruel diáspora que assola grupo de 70 famílias, abrangendo 250 pessoas. Todos vivendo em condições precárias, de favelização extrema, em área desprovida de qualquer vestígio sanitário. A desnutrição crônica alvejou também muitas outras crianças, levadas às pressas para atendimento hospitalar. A problemática cruel atinge de igual modo, adolescentes e adultos. A situação chegou a tal ponto que as autoridades se viram forçadas a decretar estado de emergência na área ocupada pelos Warao, de modo a assegurar um mínimo de cuidados para sua sobrevivência. O caso da bebê índia não é raro, nem isolado. A Unesco denuncia que mais de 1 milhão de crianças, Santo Deus, morrem de fome anualmente.

Escândalo ‘ecumênico’

  Banco Master amplia crise política em ano eleitoral

A cada capítulo, caso Master continua a chocar a sociedade brasileira
Escândalo ‘ecumênico’: Banco Master amplia crise política em ano eleitoral
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

“O roto e o esfarrapado abraçam-se no mesmo camburão” — Domingos Justino Pinto, educador.

Como “adivinhado” por muitos analistas políticos, o escândalo Master vem-se revelando multilateral e “ecumênico”. A “metralhadora giratória” dos mimos do banqueiro corrupto atingiu certeiramente alvos localizados nas mais diferentes e inimagináveis latitudes nos domínios públicos. A cada dia que passa, a sociedade, apoderada de espanto, é cientificada de “novidades” que desfazem a imagem de “bom mocismo” de pessoas tidas e havidas, até então, como cidadãos acima de qualquer suspeita…

A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal sob a relatoria do Ministro André Mendonça, do STF, vem oferecendo desdobramentos avassaladores. São vistos como verdadeiro terremoto político-financeiro, o maior já registrado na história republicana. A tese de que a criminosa engrenagem favoreceu indistintamente gregos, troianos, sumérios e astecas, todos espremidos no mesmo balaio, atuando de forma suprapartidária, vai-se confirmando bem explicitamente à medida que as investigações se aprofundam. Outro dia ainda, eram apontados, na legião de suspeitos, como beneficiários do esquema mafioso, os senadores oposicionistas Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, e Ciro Nogueira, líder do “Centrão”, ex-chefe da Casa Civil no governo Bolsonaro. Já agora, mais recentemente, o foco se volta, nas diligências policiais, para personagens da situação. As acusações recaem sobre o líder do governo no Senado, o ex-governador da Bahia Jaques Wagner. Anteriormente, como sabido, o elenco dos supostos implicados na maracutaia envolveu governadores do Rio de Janeiro e Distrito Federal (ambos da oposição), outros políticos destacados, magistrados da alta cúpula, funcionários do Banco Central e de outras agências oficiais, dirigentes de organização estatal e sabe-se lá mais quem…

Como não poderia deixar de ser, a incandescente questão do Banco Master vem frequentando, de maneira insistente, o debate político nessa fase pré-eleitoral. A troca de farpas entre adversários adquiriu enorme intensidade após as revelações das possíveis participações de políticos de diferentes bandeiras nas fraudes investigadas. Para observadores atentos das contendas retóricas — melhor dizendo, das trocas de desaforo —, soam um tanto quanto divertidas as argumentações dos dois lados. Afinal de contas, o que se observa é o roto atacando o esfarrapado.

Não existem êmulos de Nostradamus, bolas de cristal, cartomancia e jogo de búzios com poderes mágicos capazes de antecipar o que vem pela frente a mais em matéria de revelações chocantes. O que se sabe, com certeira convicção, é que a opinião pública quer que toda essa lambança seja colocada em pratos rigorosamente limpos, doa a quem doer…

Deu a louca outra vez

 


Novo tarifaço, ameaça ao Pix e regulamentação nas plataformas digitais são alguns do novos devaneios de Trump
Deu a louca outra vez
Foto: Jonathan Ernst / Reuters

“O Brasil não aceita esse tipo de tratamento” (Presidente Lula)

Deu a louca outra vez. O governo dos Estados Unidos resolveu, inesperadamente, aplicar um tarifaço a produtos brasileiros. A medida provocou compreensível espanto. As alegações são pueris, ridículas a não mais poder. Bordejam as franjas do surreal.
O Pix, o varejo da Rua 25 de Março (São Paulo) e a regulamentação das plataformas digitais são, entre outros itens, apontados como instrumentos desagregadores da economia global. Que coisa mais sem pé nem cabeça, santo Deus!

Cuidemos de resumir o que está rolando no pedaço. O Escritório Comercial dos EUA, órgão vinculado à Casa Branca, elaborou um fantasioso documento que gerou a celeuma que ora sacode os redutos políticos e empresariais. No documento, é proposta uma taxa de 37,5% sobre produtos da pauta de exportação brasileira.

O Pix — importante, inovadora e democrática conquista para transações negociais, concebida no governo Temer, implementada no governo Bolsonaro e incrementada no governo Lula — é descrito, pasmo dos pasmos!, como um sistema prejudicial aos “nobilitantes” interesses das operadoras de cartão de crédito estadunidenses. Melhor seria, admite descaradamente o Escritório, que essas operações, hoje monitoradas pelo Banco Central do Brasil, passassem a ser geridas pelas próprias empresas de crédito privadas. Noutras palavras: os Estados Unidos alvejam, insensatamente, uma supertecnologia puramente brasileira para proteger o lobby das bandeiras de cartão americanas.Tão aberrantes quanto revelam-se também as outras justificativas alinhadas para condenar as práticas brasileiras no comércio internacional. A agressividade da investida norte-americana ganha contornos ainda mais graves ao tentar mascarar o puro interesse protecionista sob uma demagógica roupagem humanitária. Para além da tarifa já mencionada, Washington anuncia a disposição de emplacar outra taxa, de caráter “punitivo”, de 12%, argumentando que nosso país incorre em falha na fiscalização do trabalho, permitindo violações dos direitos trabalhistas. Lançar mão de afirmação dessa natureza entra em colisão frontal com o rigoroso sistema de auditoria laboral vigente no país. Trata-se de cínico pretexto.

As entidades representativas das classes empresariais já articulam uma enérgica reação jurídica e diplomática contra a ameaça das sobretaxas. O governo brasileiro estuda acionar imediatamente os painéis de arbitragem da Organização Mundial do Comércio . Contudo, o estrago reputacional e o clima de forte incerteza gerados por esse delírio burocrático e ideológico vindo do Norte já cobram seu preço imediato no câmbio e nas bolsas de valores. As reações deixam evidenciado que o País não aceitará ver sua soberania molestada pela arrogância e prepotência externa

Parceria contra o crime, sim! 4 de junho de 2026 •

Cooperação mútua, sim. Intervenção, não

Foto: Reprodução Unsplash

“Pretexto para intervenção é inaceitável” (Diplomata Celso Amorim)

Vamos lá, a classificação de “terroristas”, atribuída ao PCC e Comando Vermelho, ajusta-se como luvas em mãos de operador de aparelhos de alta precisão. O que as duas organizações criminosas, bem como agrupamentos similares – caso das chamadas milícias — promovem em ações mafiosas pode mesmo ser chamado de terrorismo urbano. Cruel e aterrador.

Se a recente decisão do Departamento de Estado dos EUA encerra o propósito de estruturar sistema mais rígido e eficiente, em estreita colaboração com as forças de segurança brasileiras, no sentido de combater e jugular essas engrenagens criminosas; se a prioridade no trabalho de repressão for mesmo voltada para identificar e deter membros dos grupos dos “fora da lei”, alguns deles homiziados em território estadunidense; se a disposição norte-americana abranger a recuperação dos volumosos recursos levados pelos malfeitores para paraísos fiscais e se os organismos de segurança do país irmão conseguirem interromper de vez o fluxo de armas fabricadas nos Estados Unidos e destinadas a facções que operam no Brasil; se assim for, a medida poderá ser saudada com clarins e fogos de artifícios por inaugurar uma nova e promissora era na segurança pública hemisférica.

Mas, agora, se no reverso das situações descritas, o objetivo for ampliar a esfera de influência dos EUA, por vias oblíquas, de modo a submeter ao alvedrio da Casa Branca questões momentosas da exclusiva competência do Poder Público brasileiro, aí, então, a coisa muda totalmente de figura. Nos setores mais clarividentes da vida pública brasileira acendeu-se um sinal de alerta. Despontou receio quanto à possibilidade da decisão anunciada favorecer atos que se contraponham ao interesse nacional, nas áreas econômica e institucional.


A SAGA LANDELL MOURA

Caos e Poesia: Um senhor espetáculo musical!

Obra merece ser reverenciada Foto: Denise dos Santos “Arte é pura catarse”.  (Carol Saletti – Dirigente da Escola e Espaço de Dança Casulo) ...