quinta-feira, 2 de julho de 2026

Parceria contra o crime, sim! 4 de junho de 2026 •

Cooperação mútua, sim. Intervenção, não

Foto: Reprodução Unsplash

“Pretexto para intervenção é inaceitável” (Diplomata Celso Amorim)

Vamos lá, a classificação de “terroristas”, atribuída ao PCC e Comando Vermelho, ajusta-se como luvas em mãos de operador de aparelhos de alta precisão. O que as duas organizações criminosas, bem como agrupamentos similares – caso das chamadas milícias — promovem em ações mafiosas pode mesmo ser chamado de terrorismo urbano. Cruel e aterrador.

Se a recente decisão do Departamento de Estado dos EUA encerra o propósito de estruturar sistema mais rígido e eficiente, em estreita colaboração com as forças de segurança brasileiras, no sentido de combater e jugular essas engrenagens criminosas; se a prioridade no trabalho de repressão for mesmo voltada para identificar e deter membros dos grupos dos “fora da lei”, alguns deles homiziados em território estadunidense; se a disposição norte-americana abranger a recuperação dos volumosos recursos levados pelos malfeitores para paraísos fiscais e se os organismos de segurança do país irmão conseguirem interromper de vez o fluxo de armas fabricadas nos Estados Unidos e destinadas a facções que operam no Brasil; se assim for, a medida poderá ser saudada com clarins e fogos de artifícios por inaugurar uma nova e promissora era na segurança pública hemisférica.

Mas, agora, se no reverso das situações descritas, o objetivo for ampliar a esfera de influência dos EUA, por vias oblíquas, de modo a submeter ao alvedrio da Casa Branca questões momentosas da exclusiva competência do Poder Público brasileiro, aí, então, a coisa muda totalmente de figura. Nos setores mais clarividentes da vida pública brasileira acendeu-se um sinal de alerta. Despontou receio quanto à possibilidade da decisão anunciada favorecer atos que se contraponham ao interesse nacional, nas áreas econômica e institucional.


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