sexta-feira, 26 de julho de 2019

Chico Xavier e a Data Limite

Cesar Vanucci

“Sugiro (...) que assistam (...), para tirar qualquer dúvida,
as duas edições históricas do programa Pinga-fogo (...)”
(Escritor Marco Antônio Petit, explicando o que
Chico Xavier quis dizer ao anunciar a chamada “Data Limite”)

Chico Xavier, sensitivo mundialmente famoso, venerado pelos espiritistas, respeitado e admirado por multidões de diferentes crenças e, até mesmo, por viventes que se dizem descrentes, fez em vida um vaticínio que ganhou ressonância enorme nos mais diversificados cenários, tanto no Brasil quanto no exterior. Pelo espaço de meio século, a contar da chegada do homem à lua, estaria sendo concedida, nos planos superiores da espiritualidade, uma moratória ao ser humano, tendo como foco de preocupação sua reconhecida inclinação bélica.

A moratória se aplicaria à perspectiva de a sociedade humana colocar empenho no sentido de evitar a hecatombe nuclear, várias vezes sinistramente acenada em gestos de insensatez tornados públicos por lideres universais desfalcados de consciência humanística. Vencido o prazo estipulado, sem que devastadoras armas atômicas viessem a ser empregadas nos conflitos amiúde promovidos pela insanidade do bípede implume que povoa o planeta, poderia ter início um novo e afortunado ciclo na história da civilização humana. Haveria como que uma aceleração no processo das conquistas tecnológicas capazes, potencialmente, de conduzirem este planeta azul a estágios expressivamente mais desenvolvidos no que concerne ao bem estar social.

O vaticínio formulado pelo extraordinário personagem deu origem ao que ficou sendo conhecido como “Data Limite”. A data limite aconteceu no dia 20 de julho de 2019, sábado passado.

O assunto tem rendido, compreensivelmente, no curso dos anos, milhares de comentários, numerosos livros, vídeos, entrevistas, palestras, simpósios, debates. Envolveu um mundão de gente, sobretudo ligada a estudos da instigante temática esotérica, interessada em interpretações corretas do verdadeiro sentido das revelações difundidas. O escritor Marco Antônio Petit, dileto amigo, desponta entre os autores qualificados das manifestações acerca da “Data Limite”. Escreveu livro a respeito, expendendo sobre a momentosa questão interessantes considerações, que tomo aqui a liberdade de reproduzir, nalguns trechos assaz sugestivos. Estão lançados na sequência.


“Existe uma crença por parte de muitas pessoas (...)de que Chico Xavier, o maior é mais reconhecido médium deste país, teria profetizado para o dia 20 de Julho de 2019 (a chamada Data Limite) "o fim do mundo", mediante uma guerra nuclear, ou a chegada definitiva dos extraterrestres. Isso é totalmente falso, pois o médium, nascido em Pedro Leopoldo (MG), nunca se expressou dessa forma, seja em seus livros, ou através de qualquer outra forma, incluindo suas manifestações públicas. Também é inverídico que Geraldo Lemos Neto, que conviveu de forma direta e íntima com Chico Xavier desde o ano de 1981, até a passagem do médium, tenha feito também qualquer referência desse tipo”

“Geraldinho, como era carinhosamente chamado pelo próprio médium, recebeu no ano de 1986 de uma forma muito especial durante uma de suas inúmeras conversas com Chico Xavier, na própria residência deste, onde se hospedava, todos os detalhes inerentes ao que hoje chamamos de Data Limite, tornando-se o "guardião" e principal divulgador do assunto (...)”.

“A Data Limite (...), em poucas palavras, conforme sempre foi descrita por Lemos Neto, tanto em seus livros, entrevistas, como em suas conferências, inclusive no exterior, marca o findar de 50 anos de uma espécie de moratória conseguida por interferência de Jesus, a partir da data que o Homem pisou pela primeira vez em outro corpo celeste, a Lua (20 de Julho de 1969) (...). Em uma reunião que visava deliberar sobre o destino da humanidade frente a todos os seus desmandos e loucuras, e que teria envolvido outros seres angelicais do sistema solar, foi solicitado por Cristo que seus emissários celestes se empenhassem para ajudar a humanidade a vencer os cinquenta anos seguintes sem se envolver em uma guerra de extermínio nuclear”.

 “Se chegássemos ao dia 20 de Julho sem esse acontecimento, que teria consequências desastrosas para nosso processo evolutivo, teria início um novo tempo, ou Era para a humanidade. Teríamos o merecimento e a aprovação daquelas entidades envolvidas na reunião de 20 de Julho de 1969. Chico Xavier explicou ainda em 1986, para Geraldinho, que estaríamos diante de avanços espantosos em todas as áreas, que incluiriam a cura de todas as doenças, e seria retirado o impedimento para a aproximação definitiva dos extraplanetários, que poderiam, inclusive, nos favorecer diretamente com a passagem de seus conhecimentos e novas tecnologias. Isso tudo, ressalto mais uma vez, dentro de um processo, aconteceria de forma progressiva se chegássemos sem uma guerra de extermínio até a chamada Data Limite, que não é, e nunca foi apresentada por Lemos Neto como a do dia, ou data para efetivação de nenhum desses acontecimentos, que se seguiriam em caso de nossa aprovação e merecimento”.

(...) “Sugiro a qualquer um dos amigos e amigas que estão lendo essa minha manifestação, que assistam, por exemplo, para tirar qualquer dúvida, as duas edições históricas do programa Pinga Fogo, que foram ao ar ao vivo pela extinta Rede Tupi de Televisão, no ano de 1971 (podem ser localizadas facilmente pelo Google). Nessas oportunidades, mediante as perguntas feitas por jornalistas e convidados, em diversos momentos, o médium falou de vários dos aspectos que mais tarde foram conversados e detalhados com Geraldo Lemos Neto. A questão da guerra de extermínio e da necessidade de ser evitada, e as implicações disso. Os aspectos ligados à Lua. Os 50 anos da moratória etc”.

Quem se interessar por conhecer, na integra, a manifestação de Petit deve acessar: https://marcoantoniopetit.blogspot.com/
Primazia dos valores culturais

Cesar Vanucci

“O saber liberta e mostra o caminho assertivo da evolução humana”.
(Maria Inês Chaves Andrade, escritora)

No apogeu do nazismo alemão, que se notabilizou, como sabido, por nefanda política de extermínio de teor racista, alvejando judeus e outras indefesas minorias, bem como pela demolidora negação de sagrados símbolos humanos, Hermann Goring proferiu uma frase que ressoou sinistra, conquanto absorvida com frenético júbilo pelos adeptos da suástica. Aqui está a frase de autoria do segundo mandatário na escala hierárquica do regime: “Quando ouço alguém falar em cultura, saco logo meu revólver”. Louis Pauwels, magnífico pensador de vanguarda, rebateu de pronto a aterradora exclamação. Numa “carta aberta às pessoas felizes” anotou: “Quando me falam em revólver, saco logo a minha cultura”. (“Quand on me parle de revolver, je sors ma culture”).

As manifestações reproduzidas são bem emblemáticas. Traduzem impactante diferencial na compreensão do sentido da aventura humana. A primeira escancara baixos e degradantes instintos.  A segunda se coloca na linha de valores que explicam a nossa própria razão de viver.

O embate entre concepções tão antagônicas pode ser detectado o tempo todo na caminhada da vida. É dai que advêm as estocadas amiúde desferidas à cultura em suas múltiplas modalidades de expressão, em épocas, circunstâncias e lugares os mais diversificados. O obscurantismo cultural, nutrido de mediocridade, distorcendo o entendimento das coisas, escudado em falso zelo moralista, fica sempre de tocaia. Vale-se de toda sorte de expedientes para criticar. Para promover análises precipitadas e injustas de fatos. Para condenar ações que não lhe saiam a gosto. Deixa sempre à vista vestígios de crassa ignorância diante de ofuscantes realizações reconhecidas pela inteligência e bom senso como essenciais na evolução civilizatória.

Resguardar os valores culturais, que derivam da consciência nacional e do sentimento do mundo, é dever imperioso imposto a todos os viventes, homens e mulheres de boa vontade que professam crenças alicerçadas no primado no espírito.

Essas considerações compuseram a ideia central do pronunciamento improvisado que fiz, dias atrás, na Casa de São Francisco, sede da Amulmig, ao ensejo de concorrida reunião conjunta promovida pela Ajeb – Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Coordenadoria Minas Gerais - e a Alacib/Mariana - Academia de Letras, Artes e Ciências do Brasil.

A programação do encontro abrangeu três fases distintas. Primeiramente, a acadêmica Andreia Donadon Leal, presidente da Alacib, e o professor José Luiz Fourreaux de Souza Junior fizeram uma exposição, bastante apreciada, sobre o tema “O Ex-Libris no Brasil: A arte esquecida”. Noutro momento ocorreu a posse de membros efetivos da mesma instituição. Mais adiante deu-se a posse de sócios efetivos e honorários da Ajeb-MG.

Estes os intelectuais empossados pela Alacib: Ana Maria Tourinho, Angela Guerra, Juçara Valverde e Dyandreia Valverde Portugal, todas com dinâmica atuação no Rio de Janeiro. A Ajeb/MG acolheu em seu quadro, como sócia efetiva, a escritora Maria da Cunha Lima Delboni e, como sócios honorários, as prosadoras e poetas Dyandreia Valverde Portugal, do Rio de Janeiro, e Andreia Donadon Leal, de Minas. Concedeu ainda diploma de Mérito Cultural a Juçara Regina Viegas Valverde.

No curso da magna sessão também usaram da palavra as escritoras Irislene Castelo Branco Morato, presidente da Ajeb/MG, Dyandreia Valverde Portugal, diretora cultural da Ajeb/Nacional, e a acadêmica Maria Inês Chaves Andrade, secretária geral da Amulmig.

Este escriba foi, inesperadamente, homenageado com diploma de sócio honorário da Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil, e com moção cultural de aplausos conferida pela Rede Mídia de Comunicação e Editora Sem Fronteiras, sob a alegação de “empenho em colaborar para a disseminação e o desenvolvimento da cultura brasileira em prol de uma sociedade mais justa”. Agradecendo, fiz questão de ressaltar a esplêndida atuação tanto da Ajeb quanto da Alacib, na defesa desassombrada da cultura, tão maltratada nos confusos tempos de hoje.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

                

                Mensagem do Escritor Jair  Barbosa da Costa

O escritor e acadêmico Jair Barbosa da Costa, coronel da Policia Militar 
de Minas Gerais, honrou-me com a mensagem abaixo reproduzida.


“O Blog de hojecaro Vanucci, confirma o polígrafo sui generis que sua pena, sábia e profunda, revela.
Reporto-me tão só a dois tópicos:
Ao tratar de futebol, contrário a muitos intelectuais, estimula o torcedor brasileiro a torcer pelo Brasil, não obstante - digamos - o mercenarismo destes dias falar mais alto. Tem-se a impressão de que o esporte ou sua crônica tomou-lhe a vida toda, tamanha a flama.
Fantástico e digno dos anais do Instituto Histórico e Geográfico de Minas e do Brasil é o conteúdo deste título - Maquiagem preconceituosa em que aborda nossa estupidez ao praticar (ou dissimular) preconceito  contra o negro de nossa terra e raiz étnica. Eta negro tão polivalente quanto nosso Vanucci que até parece ter um pé na África, tão grande o ardor refletido nessa página, de incalculável valia historiográfica e sociológica!
Por este contributo, os acadêmicos de hoje (de Letras e universidades) ficam conhecendo das origens, cultura, e contribuição cultural, lato sensu, que os expoentes negros nos emprestaram e pelos quais se perpetuaram.

Deus continue iluminando sua alma e mente dispostas a servir na construção e aperfeiçoamento de todo aquele que busca conhecer para ser. Fraternas saudações”.















sexta-feira, 19 de julho de 2019


Privatização não é panaceia

Cesar Vanucci

“As empresas são células vitais da economia”.
(Assim falava José Alencar)

É como falava o saudoso José Alencar Gomes da Silva, um baita fazedor de progresso. Um cidadão provido de aguda percepção social, inteligência privilegiada, notável capacidade empreendedora, que deixou sinais cintilantes na vida empresarial e na atividade pública. A pujança econômica - componente essencial do processo de evolução civilizatória – repousa no pressuposto basilar de uma cadeia de empresas prósperas. Não importam sejam elas (empresas) – células dinâmicas do labor humano – de gigantesco, grande, médio, pequeno, ou micro porte. Privadas, estatais, ou de economia mista, nacionais ou estrangeiras. O que conta mesmo é que se projetem prósperas, eficientes, proporcionem empregos e realizações sociais relevantes, assegurem a circulação da riqueza social, multipliquem benefícios comunitários à mancheia.

Fácil, bastante compreensível deduzir, a partir daí, que esse papo maroto de que uma empresa, pra ser de verdade competente, careça ser privatizada é pura balela. Falácia, não com segundas, mas com sextas intenções. Embromação marqueteira. Cortina de fumaça lançada com o fito de encobrir censuráveis maquinações.

Privatização de empresa não é, coisíssima alguma, condição fatalística para que os negócios públicos funcionem melhor. Funcionem a contento, se ajeitem nos conformes adequados aos superiores interesses da coletividade. É sempre recomendável conservar o desconfiômetro ligado à toda quando ocorra de pintarem no pedaço vozes tonitruantes apontando a privatização como dogma de fé a ser, religiosa e prontamente, adotado dentro de um alinhamento inspirado em concepções administrativas avançadas, universalmente acatadas. Isso não passa de engodo. “Conversa mole pra boi dormir”, como era de costume dizer-se em tempo de antanho...

Tais considerações chegam a propósito desse novo surto de privatizações a qualquer preço que assola o país, nesse perturbador instante de notória estagnação econômica com perversas consequências sociais. Os aparelhos de percepção pessoal do cidadão comum, atônito e, por conseguinte, desmotivado face à pororoca avassaladora de equívocos praticados, não é de hoje na gestão das coisas públicas, com reflexos pronunciados nas atividades produtivas, só fazem captar desestimulantes falas oficiais de desmobilizações, cortes, privatizações, o escambau. Tudo isso concorre deploravelmente para que a economia do país mais pródigo do mapa-mundi em potencialidades, em riquezas naturais, esteja operando em visível marcha à ré, desacorçoando investidores em potencial, expandindo a níveis insuportáveis o desemprego, arremessando multidões numa informalidade laboral sem perspectivas.

É o bom senso e as saudáveis práticas de gestão que reclamam. Estabelecer discussão prioritária, ampla, geral e irrestrita com a sociedade em torno da indispensável, urgente e inadiável retomada do crescimento econômico precisa ser objeto de cogitação. E isso antes, bem antes de se abrir qualquer debate a propósito da privatização de ativos públicos valiosos, providência que, obviamente, recomenda participação ativa, sem restrições, de todos os segmentos envolvidos na operação. A convocação das forças vivas nacionais para uma conjugação de esforços com o intento de fazer a economia crescer não pode ser indefinidamente procrastinada. Identificar em processos de privatizações a torto e a direito saídas para as crises que nos rodeiam não deixa de sinalizar desconcertante despreparo gerencial de quem se anime a formular tal tipo de proposta.

O passado é pródigo em lições sobre como decisões desse gênero são passiveis de suscitar estragos e encrencas difíceis, senão impossíveis, de serem sanadas. 


O sumiço das sandálias

 Cesar Vanucci


“Cadê minhas sandálias?”
(Brado angustiado de dona Lavínia, ao ver-se descalça na chegada à convenção)

A conversão de João Alameda fez história na crônica mundana da pacata cidade do recôncavo onde ele veio a radicar-se. Viajante comercial anos a fio na região, boa praça, cortês com as pessoas, vendedor experimentado, ele granjeou amizades sem conta em todas as rodas. Junto com isso, em função de constantes incursões noturnas pelos ambientes boêmios das praças frequentadas profissionalmente, adquiriu fama de mulherengo e de cervejeiro.

As pessoas mais chegadas a João Alameda passaram a perceber radicais mudanças no comportamento do moço quando seu namoro com Cidinha engatou, começando a sinalizar caminho que levava à pretoria e ao templo onde o pai da moça exercia, com reconhecido zelo apostolar, as funções de reverendo. A metamorfose foi recebida com inocultável júbilo pela comunidade de fiéis liderada pelo respeitado pastor José Luiz, mais conhecido por Zeca do Quirino, alcunha carinhosa tomada do sobrenome paterno. É tempo de revelar, a esta altura, que dona Lavínia, esposa de Zeca do Quirino, mulher de espírito forte, atitudes enérgicas, viu com muito gosto a união de João Alameda com a filha única, Cidinha. Teve, aliás, papel preponderante no convencimento do marido, que se mostrava a princípio relutante, quanto a aceitação do pedido de casamento formulado por Alameda seis meses depois do início do namoro. Escusado acrescentar que o pretendente à mão de Cidinha abriu o coração num papo reservoso com os futuros sogros, confessando-se regenerado das vivências boêmias do passado.

Dois anos transcorridos do ditoso enlace, pai de lindos gêmeos, fazendo sempre questão fechada em declarar-se homem temente a Deus, cônscio das responsabilidades maritais, João Alameda foi convidado pelo reverendo e patroa para acompanhá-los numa convenção de caráter religioso em Brasília. Não cabendo em si com a honrosa designação, ficou incumbido de dirigir o veículo do sogro. Já na capital, no dia da abertura do conclave, rodou, por horas, sozinho, fazendo contatos, mode que matar saudade, com pessoas conhecidas lá da terrinha. Na residência de casal amigo topou, inesperadamente, com Landinha, valorosa parceira de folguedos incandescentes de outros carnavais. Sobrou-lhe a tarefa de levar a moça, também de visita ao casal, ao apartamento, noutro bairro. Pra encurtar razões: no caminho, o diabo “atentou”. Alameda não teve como resistir aos encantos provocativos de Landinha. Carregou, na volta pro hotel, a preocupação de esconder a forte emoção de que se achava obviamente possuído. Aguentou-se firme nos arreios ao responder, esforçando-se por demonstrar naturalidade, perguntas acerca dos pormenores das visitas aos amigos.

Mais tarde, conduziu o grupo familiar, todo trajado a rigor, rumo à aguardada cerimônia. Na poltrona da frente do carro, ao seu lado, alojou-se dona Lavínia. O pastor Zeca do Quirino e Cidinha ocuparam o banco traseiro. Já próximos ao destino, Alameda deu-se conta de algo que o deixou transtornado. Avistou, de repente, não mais que de repente, um par de sandálias douradas soltas no chão, à frente da poltrona da sogra. Apavorado, sem conseguir entender direito, de momento, a razão da atitude descuidada e comprometedora de Landinha, “a estouvada de sempre”, desceu, em gesto automático, o vidro da porta ao lado do volante. Chamou, depois, quase aos berros, numa reação pra lá de estranha, a atenção dos passageiros para imenso painel de luzes multicoloridas da fachada de edifício à margem da pista. E, mais do que depressa, valendo-se da distração dos demais, apoderou-se das malditas sandálias, arremessando-as fora. A manobra passou, afortunadamente, desapercebida, embora a sogra comentasse, intrigada, não ter visto nada de extraordinário no painel apontado com descabido alvoroço pelo genro.

Alameda, coração aos saltos, procurava ainda refazer-se do susto ao chegar ao pátio de estacionamento do prédio da convenção. Os passageiros preparavam-se pra se juntar às centenas de convencionais que circulavam pelo pátio em direção do auditório, quando dona Lavínia soltou no ar um berro angustiado e assustador: - “Cadê minhas sandálias?” Um deus-nos-acuda! O carro foi vasculhado por inteiro, em meio a imprecações, invocações a forças protetoras divinas e copiosas lágrimas, mas nada das sandálias milagrosamente ressurgirem. O sumiço acabou virando mistério inescrutável. Alameda, a esposa e a sogra, dominados por forte tensão, deixando o reverendo, contrafeito, no local, tiveram que se bater em retirada, de retorno ao hotel e amargar horas insones, numa tremenda aflição.

Até hoje, ninguém conseguiu explicar como as sandálias da virtuosa cara-metade do pastor evaporaram no trajeto entre o hotel e o centro de convenção, naquela estranhíssima noite em Brasília. Entre os que vieram a saber da inusitada ocorrência, ninguém também teve a malícia de estabelecer nexo de causa e efeito entre o fato e o mal súbito, de natureza coronária, reclamando internamento, que acometeu horas depois o prestimoso João Alameda.



Marco Petit - Escritor, Ufólogo
DATA LIMITE - UM ALERTA MAIS DO QUE NECESSÁRIO!!!

Poucas semanas para um momento especial da história da Humanidade.
Vou tratar de dois aspectos que considero de vital importância em relação a esse tema, abordando agora mediante essa postagem o que já tenho feito em minhas últimas conferências, principalmente durante aquelas relacionadas ao lançamento de meu livro mais recente, a obra "UFOs, Data Limite e a Transição Planetária". Faço isso devido a minha noção de responsabilidade visando a preservação da verdade, frente uma tentativa em curso há anos, mas que, conforme se aproxima o dia 20 de Julho (2019), se torna mais evidente. Infelizmente a origem desse movimento pode ser encontrada dentro do próprio meio espírita brasileiro, e esta levando um número cada vez maior de pessoas a terem uma visão totalmente distorcida da realidade que envolve o assunto (Data Limite).
Existe uma crença por parte de muitas pessoas, conforme tenho sido testemunha, de que Chico Xavier, o maior é mais reconhecido médium desse país teria profetizado para o dia 20 de Julho de 2019 (a chamada Data Limite), "o fim do mundo" mediante uma guerra nuclear, ou a chegada definitiva dos extraterrestres. Isso é totalmente falso, pois o médium nascido em Pedro Leopoldo (MG), nunca se expressou dessa forma, seja em seus livros, ou através de qualquer outra forma, incluindo suas manifestações públicas. Também é inverídico que Geraldo Lemos Neto, que conviveu de forma direta e íntima com Chico Xavier desde o ano de 1981, até a passagem do médium, tenha feito também qualquer referência desse tipo.
Geraldinho, como era carinhosamente chamado pelo próprio médium, recebeu no ano de 1986 de uma forma muito especial durante uma de suas inúmeras conversar com Chico Xavier, na própria residência deste, onde se hospedava, todos os detalhes inerentes ao que hoje chamamos de Data Limite, se tornando o "guardião" e principal divulgador do assunto, algo que hoje parece incomodar alguns, que dentro de posturas longe de encarnarem o sentido maior da espiritualidade, que devia nortear suas vidas, principalmente pela posição que ocupam na área espírita, acabam colaborando para a desinformação sobre o assunto, mais preocupados que parecem estar em ocupar o imenso vácuo deixado com a partida de Chico Xavier, o que evidentemente não acontecerá, pois a noção de humildade deixada pelo médium esta longe de ser incorporada às suas vidas. Dentro desse contexto Lemos Neto acaba sendo o alvo, não só pelo que representa, mas ainda de maneira dissimulada, como uma forma de atingirem a própria memória de Chico Xavier.
A Data Limite, o dia 20 de Julho de 2019, em poucas palavras conforme sempre foi descrita por Lemos Neto, tanto em seus livros, entrevistas, como em suas conferências, inclusive no exterior, marca o findar de 50 anos de uma espécie de moratória conseguida por interferência de Jesus, a partir da data que o Homem pisou pela primeira vez em outro corpo celeste, a Lua (20 de Julho de 1969). Nessa oportunidade em uma reunião que visava deliberar sobre o destino da humanidade frente todos os seus desmandos e loucuras, e teria envolvido outros seres angelicais do sistema solar, foi ainda solicitado por Cristo, que seus emissários celestes se empenhassem para ajudar a humanidade a vencer os cinquenta anos seguintes sem se envolver em uma guerra de extermínio nuclear.
Se chegarmos ao próximo dia 20 de Julho sem esse acontecimento, que teria consequências desastrosas para nosso processo evolutivo, teria início um novo tempo, ou Era para a humanidade. Teríamos o merecimento e a aprovação daquelas entidades envolvidas na reunião de 20 de Julho de 1969. Chico Xavier explicou ainda em 1986 para Geraldinho, que estaríamos diante de avanços espantosos em todas as áreas, que incluiriam a cura de todas as doenças, e seria retirado o impedimento para a aproximação definitiva dos extraplanetários, que poderiam, inclusive, nos favorecer diretamente com a passagem de seus conhecimentos e novas tecnologias. Isso tudo, ressalto mais uma vez, dentro de um processo, aconteceria de forma progressiva se chegarmos sem uma guerra de extermínio até a chamada Data Limite, que não é, e nunca foi apresentada por Lemos Neto como a do dia, ou data para efetivação de nenhum desses acontecimentos, que se seguiriam em caso de nossa aprovação, e merecimento.
Apesar de tudo que consegui reunir, que já fazia parte de meu trabalho desenvolvido dentro de meus 40 anos de atuação pública dentro de diferentes áreas da Ufologia, e que tive ainda acesso por outras pesquisas realizadas ao longo da própria formatação de meu livro, que fundamentam em minha visão cada um dos detalhes recebidos por Geraldinho, em sua conversa no ano de 1986 com Chico Xavier, não estou aqui para defender a crença, ou aceitação na questão da Data Limite. O motivo dessa minha presente manifestação é o estabelecimento apenas da verdade sobre os aspectos que já ressaltei, que envolvem as reais declarações de Geraldo Lemos Neto, tendo como base Chico Xavier.
Pode parecer inacreditável, mas dentro de todo o processo que visa manipular a verdade em relação a esse assunto, tendo como objetivos, ou inspiração, os aspectos que já mencionei, as mesmas fontes questionam a própria história básica relacionada a Data Limite em seu relacionamento à pessoa de Chico Xavier, como se o médium nunca tivesse em suas declarações públicas feito referências ao assunto em foco.
Sugiro a qualquer um dos amigos e amigas que estão lendo essa minha manifestação, que assistam, por exemplo, para tirar qualquer dúvida, as duas edições históricas do programa Pinga Fogo, que foram ao ar ao vivo pela extinta Rede Tupi de Televisão, no ano de 1971 (podem ser localizadas facilmente pelo google). Nessas oportunidades, mediante as perguntas feitas por jornalistas e convidados, em diversos momentos, o médium falou de vários dos aspectos, que mais tarde foram conversados e detalhados com Geraldo Lemos Neto. A questão da guerra de extermínio e da necessidade de ser evitada, e as implicações disso. Os aspectos ligados à Lua. Os 50 anos da moratória, etc.
Como disse antes o motivo dessa postagem não é defender a realidade objetiva das questões ligadas a Data Limite. Para isso eu escrevi um livro onde manifesto a convicção que desenvolvi mediante meus estudos.
O silêncio frente tentativas de se manipular a verdade dentro da área Ufológica nunca fez parte de minha vida e não vejo motivo para não continuar agindo agora da mesma forma ao tratar desse assunto.

sexta-feira, 12 de julho de 2019


Promoção cultural e cívica

Cesar Vanucci

“Orgulho-me da condição de Companheiro Leão.”
(Daniel Antunes Junior, decano do movimento leonistico em Minas)

Os participantes da assembleia festiva promovida pelo Lions Clube, no ultimo dia 18 de junho no majestoso espaço cultural do Tribunal de Contas de Minas, viveram momentos de arrebatantes emoções. De substancioso e reluzente conteúdo cultural e cívico, a programação compreendeu três atos distintos.

O primeiro deles foi a posse solene da diretoria que irá reger no biênio 19-21 os destinos da Academia Mineira de Leonismo, braço cultural do movimento leonistico no Estado. Numa homenagem de saudade, a memória da insigne educadora Maria Jorge Abrão de Castro, ex-governadora do Lions e ex-presidente da Academia, foi ternamente reverenciada. Aconteceu também a entrega a Daniel Antunes Junior da “Medalha JK – Cultura, Desenvolvimento e Civismo”, anualmente conferida a personalidades de realçante presença na cena pública.

A acadêmica Maria das Graças Campos Amaral se encarregou da justa louvação à vida e obra de Maria Jorge, relatando episódios que documentam sua vitoriosa trajetória como empreendedora cultural e dirigente leonistica. A saudação a Daniel Antunes Junior esteve a cargo do acadêmico Paulo Duarte Pereira. O orador ressaltou a circunstância de o homenageado, quase centenário, ostentando vigor físico invejável, ser um festejado intelectual, com numerosos livros editados, membro de respeitáveis instituições acadêmicas, além de banqueiro e empresário rural bem sucedido. No Lions, é reconhecido como o decano do quadro social e do grupo de governadores distritais. Em sua operosa gestão, foi responsável pela implantação recorde de 23 novos clubes. Ao receber das mãos do acadêmico Doutor Viana, em nome da Academia Mineira de Leonismo, a medalha, colar e diploma alusivos à carinhosa manifestação de apreço, Antunes Junior confessou-se orgulhoso da condição de integrante do Clube de Serviços de maior envergadura e com a maior composição de associados do mundo.

Sucedendo Doutor Viana no posto, a acadêmica Maria das Graças Campos Amaral, ex-governadora do Distrito LC-4 (sediado em Belo Horizonte), foi investida na presidência da Academia. O dirigente que deixou o cargo e a presidente empossada referiram-se com entusiasmo, em seus aplaudidos pronunciamentos, aos bons trabalhos desenvolvidos pela Academia Mineira de Leonismo ao longo de sua trajetória de 22 anos. Tocou a este escriba dirigir saudação aos acadêmicos Viana e Graça. Focado nas frutíferas ações de ambos, registrei a afortunada circunstância de o Lions aglutinar em seus quadros elementos de reconhecida qualificação cultural, o que assegura gestões administrativas harmonizadas e sem quebra de continuidade nas iniciativas levada a cabo. Coube ao acadêmico Sóter do Espírito Santo Baracho a apresentação de um retrospecto das atividades do órgão. A “Invocação a Deus”, tradicional em eventos do gênero, ficou a cargo da acadêmica Vera Lucia Oliveira Bertu.  O acadêmico Vespasiano de Almeida Martins Neto atuou como Mestre de Cerimônia e a acadêmica Carmem Lucia Redoan incumbiu-se da citação do currículo da nova presidente. Graça Amaral dirige importante complexo educacional abrangendo ensinos fundamental, médio e universitário.

Ficou assim constituída a diretoria empossada: presidente: Maria das Graças Amaral Campos; presidente imediato: Doutor José Alves Viana; 1ª vice-presidente: Nancy Maura Couto Constantin; 2º vice-presidente: Vespasiano de Almeida Martins Neto;
secretária: Carmen Lúcia Camargos Redoan; tesoureira: Maria Celeste Martins; diretora social: Vera Lúcia de Oliveira Bertú; bibliotecária: Marilene Guzella Martins Lemos; vogais: Daniel Antunes Júnior, Marlene Luzia Viana, Sóter do Espírito Santo Baracho; 1º orador: Sebastião Braga; 2º orador: Cesar Vanucci.

Esteve presente à bela e concorrida festividade a governadora recentemente eleita do Distrito LC-4, Edite Bueri Nassif, destacada integrante do corpo de associados da Academia.



Maçãs podres

Cesar Vanucci

“Acredito que as pessoas se unirão algum dia,
num grande esforço coletivo, para retomar o mundo.”
(Michael Moore, jornalista e cineasta)

A expressão maçãs podres foi cunhada por ninguém nada mais, nada menos, do que George W. Bush. E de forma surpreendente, a se levar em conta suas notórias vinculações com grupos empresariais nas áreas armamentista e petrolífera. O presidente dos Estados Unidos classifica como “maçãs podres” algumas corporações que atuam por esse mundo afora em negócios vitais para o ser humano.

Já para os produtores do filme “Corporação”, o número de organizações enquadradas na conceituação de Bush (que mostra a cara nas cenas iniciais da película) não é nada restrito. É grande, enorme. O documentário, ganhador de 24 prêmios internacionais em festivais de cinema, é um arrasador libelo contra a hegemonia absoluta de importantes corporações transnacionais, detentoras do monopólio de produtos essenciais, na sociedade e vida das pessoas.

O filme diz, com todas as letras, erres e esses, que em vários momentos e em muitos lugares o poder de influência dessas organizações chega a sobrepujar a própria vontade política. Elas se movimentam com força avassaladora, impondo regras prejudiciais aos interesses da coletividade.

Enfeixando depoimentos de executivos, críticos, historiadores, ativistas, entre eles Michael Moore, Noam Chomsky, Naomi Klein e Vandana Shiva, a fita traz relatos assustadores. Sustenta, por exemplo, que o mundo enfrenta na atualidade uma “epidemia de câncer” provocada pelas adições químicas introduzidas em alta escala na alimentação. Denuncia que as doses maciças de hormônios para uso do gado, produzidos por empresas especializadas - com o fito, ao que se alega, de estabelecer melhor produtividade leiteira -, não apenas afetam os animais, como despejam nos alimentos  que ingerimos elementos químicos altamente nocivos. Mostra, com dados e números levantados por ambientalistas, que a ação de inúmeras corporações, inteiramente fora do controle político e social, é uma das causas mais relevantes do catastrófico aquecimento global. Reporta-se a aspectos chocantes da atuação corporativa em regiões subdesenvolvidas. Enumera-os: a utilização de mão-de-obra escrava; o emprego de mão-de-obra infantil em condições de degradação humana; a contribuição expressiva, com iniciativas e produtos indesejáveis, para as agressões ecológicas. A fita assinala também que o FDA – “Food and Drug Administration”, órgão americano equivalente à nossa Anvisa, tem-se mostrado complacente com relação a abusos inomináveis, praticados em larga amplitude pelo setor cuja fiscalização lhe está afeta. São revelados casos de produtos autorizados pelo órgão que vêm sendo interditados ao consumo, por autoridades sanitárias zelosas, em outros países. Entre eles, um vizinho bem próximo dos Estados Unidos, o Canadá.

“Corporação” chama a atenção da opinião pública mundial para outra aterrorizante perspectiva. Certas corporações acham-se empenhadas, na atualidade, em manobras de bastidores que objetivam estender a extremos inconcebíveis a legislação de patentes sobre seres vivos. Sobre a exploração da água. Sobre descobertas científicas a partir da decifração do código genético. O que se pretende, diabolicamente, com tal procedimento, é a outorga a grupos cartelizados de poderes inimagináveis em matéria de negócios, envolvendo gama imensurável de serviços e instrumentos criados para garantir a saúde, o conforto e o bem estar da sociedade. Esses grupos alimentam a perspectiva de se apoderarem, mercantilmente, de conquistas científicas que ofereçam à humanidade qualidade de vida melhor.

Mais uma revelação estonteante do filme: também nos Estados Unidos, à época de Franklin Delano Roosevelt, corporações poderosas tentaram aplicar, a exemplo do que andaram fazendo em outros países, sobretudo da América Latina, um golpe de Estado. O complô foi neutralizado, numa declaração pública, pelo general Butler, escolhido pelos conspiradores para liderar o movimento.

Tachado de “emocionante” e “destruidor” pelo “L.A Times”, “Corporação”, produzido por Mark Achbar, Jennifer Abbott e Joel Bakan, não pode deixar de ser visto por todos que se interessem em conhecer um pouco melhor questões relevantes, insuficientemente divulgadas pela mídia, da história de nossos tempos.

(Pronunciamento do Acadêmico Luiz Carlos Abritta, presidente emérito da Amulmig, em sessão plenária da entidade realizada no dia 9 de julho de 2019)
Luiz Carlos Abritta




HOSPITAL DA BALEIA - 75 ANOS


   "Da essência da beleza me alimento", escreveu Altino Caixeta, o genial e esquecido poeta de Patos de Minas. E Emily Dickinson, a maior poeta norte-americana do século XIX, ao lado de Walt Whitman, muito tempo antes, já havia observado que beleza e verdade são a mesma coisa.
   Beleza e verdade é o substrato da obra "Caminhos da esperança", de Maria Armanda Capelão e Raquel Vilela, livro que homenageia o Hospital da Baleia e tem a apresentação de Elizabeth Rennó, Presidente da Academia Mineira de Letras.
   Elizabeth tece, inicialmente, merecidas loas ao Coronel Benjamin Guimarães, fundador do Hospital, e acentua que "a misericórdia de seu fundador manifesta-se nesta instituição, em cada gesto, em cada apoio, em cada tratamento, por vezes doloroso, englobando a esperança e o alento que as bênçãos de Deus protegem e amparam."
   Logo a seguir, Elizabeth exalta o texto de autoria das escritoras Maria Armanda Capelão e Raquel Vilela "em homenagem aos 75 anos benfazejos do Hospital da Baleia, com o tecido da fraternidade e da generosidade". E termina com o magnífico poema sobre a Montanha Encurralada.
   Quero ressaltar aqui, também, as belíssimas fotos do livro, de Paula Seabra Resende Hermeto, Cyro José Soares e Jacqueline Nicácio Silveira.
   Procurei extrair dos textos de Maria Armanda e Raquel as pérolas literárias mais belas (a escolha é difícil), que deixo agora com vocês, para o encantamento geral.
                                       RAQUEL
"Para contemplar o Belo / é preciso uma eucaristia / com a natureza.
Onde foi sonho um dia / se fez história / ao romper da aurora.
Creio que nossa limitação frente às dores do mundo / pode se curar com a força do amor fraterno / de dividirmos o pão nosso de cada dia.
Sombras que aparecem / sem que tenhamos consciência / escrevem a nossa história."

                               MARIA ARMANDA
"Certo é que jamais / Alguém conseguirá realizar / seus desejos / seus sonhos ...
A realização do que se deseja / é caminhada pessoal.
Importa vestir Fé, / calçar paciência, / alimentar-se na oração e partir ...
Partir confiante / em cada passo dado / na meta desejada ao encontro do sonhado desejo, / que só você poderá realizar ...
Jamais desista de você / de sonhar projetos ... / Sorria e vá viver a vida, /
na certeza de que tudo passa / e nada acontece por acaso ...
Passado que volta a bailar / nas gotas de orvalho / que brotam dos olhos, /
que correm, abrindo caminhos / nas rugas da face / e pela fresta do momento / mostram que sentem / o pulsar da vida / no acalanto e na ternura
do abraço do ontem / com o agora ...

Obrigado Elizabeth, Raquel e Maria Armanda pelos minutos de ternura. Agora, entendi Mário Quintana, quando disse que basta um instante de poesia para nos dar a eternidade inteira.
Eu devo parar agora, a fim de que os meus olhos não se transmudem, por inteiro, numa sucursal do mar!

sexta-feira, 5 de julho de 2019

CONVITE AOS AMIGOS DO BLOG DO VANUCCI

Posse acadêmica na Amulmig
com lançamento de livro sobre JK

Cesar Vanucci

“Em Minas prevalece, eterno no tempo e no espaço,
o culto da liberdade,  transmitido de geração em geração”.
(Paulo Pinheiro Chagas, figura exponencial
na vida cultural e política brasileira)


Em imponente assembleia festiva, prestigiada por centenas de convidados, realizada no auditório da Associação Comercial de Minas, o economista Carlos Alberto Teixeira de Oliveira tomou posse de uma cadeira na Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais. No mesmo ato ocorreu o lançamento do livro de sua autoria “Juscelino Kubitschek, Profeta do Desenvolvimento – Exemplos e Lições ao Brasil do Século XXI”, publicação de 2500 páginas, em três tomos.

Na condição de presidente da Amulmig, saudei o novo acadêmico com as palavras na sequência reproduzidas.

“Saúdo, com todo respeito, o doutor Paulo Eduardo Rocha Brant vice-governador de Minas Gerais, um Estado em que prevalece, “eterno no tempo e no espaço, o culto da liberdade, transmitido de geração em geração, como um sonho sonhado à beira do fogo na singeleza dos serões domésticos”, conforme dizeres do grande e saudoso tribuno Paulo Pinheiro Chagas.

Prezado amigo Aguinaldo Diniz Filho, ilustre presidente da valorosa Associação Comercial e Empresarial de Minas, entidade que tem sido palco de memoráveis campanhas de colorido verde, amarelo, azul e branco, vale dizer, de feição saudavelmente nacionalista, em favor do desenvolvimento econômico e social da Nação brasileira.

Senhor Juscelino Brasiliano Roque, ilustre prefeito municipal de Diamantina, uma cidade de encantos mil; uma cidade que, não suficientemente satisfeita com essa condição, ainda se dá ao luxo e soberba de ser berço de Nonô, maior personagem da vida pública brasileira de todos os tempos.

Caríssimo amigo Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, cidadão que entende muitíssimo bem as coisas de seu tempo e de seu país e que emprega admiravelmente os dons pessoais de um invejável cabedal de conhecimentos em obstinada defesa das causas desenvolvimentistas.

Companheiras e companheiros acadêmicos da Amulmig, Academia Mineira de Letras, Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, Academia de Letras Guimarães Rosa, da Policia Militar, Arcádia, Academia de Letras do Triângulo Mineiro, Academia Mineira de Leonismo; companheiros jornalistas; companheiros de outras instituições culturais – uns e outros mensageiros da palavra social que em seus afazeres tanto se empenham, louvavelmente, na construção de um mundo melhor.
O espírito humano só funciona aberto.

Senhoras e senhores, O espírito humano é que nem o paraquedas! Só funciona aberto. Este magistral conceito de vida, proposto por Louis Pauwels e Jacques Bergier, ajusta-se como luva para exprimir o substancioso conteúdo desta festa. Festa de arrebatantes e recompensantes emoções. De evocações cívicas que se colocam em maviosa sincronia com o sentimento nacional.

Festa de exaltação da cultura, tão alvejada por ai nestes tempos confusos. Festa de reafirmação da perene supremacia da inteligência, da consciência social desperta no plano das ações mundanas. Festa que referenda a certeza de que os valores do espírito são indispensáveis, indescartáveis, nas conquistas essenciais reclamadas pela evolução civilizatória.

De uma posse acadêmica pode-se garantir tratar-se de ato com certo toque sacramental, derivado, naturalmente, do reconhecimento do primado da inteligência, impregnada de humanismo e espiritualidade, sobre tudo aquilo que o engenho humano é capaz de conceber.

A Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, apoderada de regozijo, afeição e simpatia, engalana-se toda para acolher condignamente seu mais novo associado nesta solene assembleia. Uma assembleia de feérico brilho pelo seu significativo enredo e pela presença sumamente honrosa de ilustres convidados.

O economista, empresário, escritor, professor, jornalista Carlos Alberto Teixeira de Oliveira é alguém que apreendeu, exemplarmente, gravando-a na mente, no coração, no pensamento, na palavra e na ação, a lição transmitida por Pauwels e Bergier. Conserva o espírito permanentemente receptivo aos sentimentos, clamores, exigências que brotam de variadas contingências atinentes à jornada da vida. Imprime fecundidade às ideias, cuidando de coordenar e executar iniciativas, trabalhos, movimentos voltados aos sagrados ideais da prosperidade comunitária e do bem-estar humano. O acompanhamento de sua cintilante trajetória na cena pública é revelador de seu ardor combativo em prol de causas edificantes.  Ardor- fácil de intuir -, nascido de uma apurada sensibilidade social e de uma percepção aguda dos fenômenos sociais e econômicos da história.

Carlos Alberto é nacionalmente reconhecido como detentor de opulenta bagagem de conhecimentos na área dos estudos econômicos de vanguarda. É um analista econômico louvado, pode-se dizer, em verso e prosa. Amigos e conhecidos identificam, em sua rica personalidade e em seu perfil de dinâmico empreendedor, o que pode ser classificado de “santa obsessão” com relação às formulações que engendra, ancoradas em sólidos conceitos doutrinários e bom-senso, quando reivindica das gestões públicas a adoção de políticas de desenvolvimento realmente eficazes para o país.

Retomada do crescimento econômico como saída para crises

Em pregação continua, no que fala e escreve, Carlos Alberto ganhou notoriedade por enfatizar a urgente, necessária e inadiável retomada do crescimento econômico como saída para as crises. Explica que essa é a maneira única, insubstituível, de fazer com que o Brasil consiga galgar degraus na escalada em direção aos patamares de progresso que lhe estão reservados, previstos numa vocação de grandeza antevista pela História e calcada nas potencialidades sem par das riquezas naturais que possuímos e virtualidades de nosso povo, criativo e generoso.

O currículo de Carlos Alberto é um “nunca acabar” de citações acerca de funções relevantes públicas e privadas, exercidas sempre com elevada competência. Secretário de Estado em mais de uma pasta, presidiu o BDMG e a Associação Brasileira de Instituições de Desenvolvimento. Esteve à frente do Sebrae, Indi, Fundação João Pinheiro, Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças, reitoria de universidade, antigos Bemge, Banco de Crédito Real e Banco Agrimisa. Participou de numerosos cursos de pós-graduação no país e no exterior. Entre as instituições financeiras em que trabalhou, figura o Safra Nacional Banco de Nova Iorque, do qual foi vice-presidente executivo. Preside na atualidade a Associação dos Economistas de Minas, o IBEF Nacional, e a MinasPart - Desenvolvimento Empresarial e Econômico Ltda, sendo ainda diretor geral da apreciada revista “Mercado Comum”. Acumulou em sua trajetória um sem número de títulos, condecorações e honrarias. É autor de vários livros, cabendo destaque a “JK 50 Anos de Progresso em 5 Anos de Governo” e “Economia com Todas as Letras e Números”.

Representando o município de Belo Horizonte na Municipalista, ele escolheu como patrono um personagem da maior envergadura cultural e política da história mineira: o saudoso Murilo Badaró, ex-deputado, ex-senador, ex-presidente da Academia Mineira de Letras, tribuno e escritor consagrado.

Magnífico livro sobre JK

Meus Senhores e Minhas Senhoras, “De todos nós, é o nome dele que vai durar mil anos. Ele estará na memória das gerações por que sua aventura vital foi extraordinária.” O autor desta frase é Afonso Arinos, figura de proa na vida intelectual e política brasileira no século passado. As grandiloquentes referências contemplam ninguém mais, ninguém menos que Juscelino Kubitschek de Oliveira, nome indelevelmente envolto na reverência e na saudade nos lares e ruas brasileiras. Sugestivo anotar que Afonso Arinos foi adversário político e crítico da obra do cidadão cuja memória, num gesto que o engrandece, fez questão de enaltecer com as palavras reproduzidas.

Rogo, agora, especial atenção da distinta plateia. Ponham tento todos nas circunstâncias afortunadas desta festa de exaltação da cultura e da inteligência e de elevada evocação cívica com a qual a Amulmig recepciona o cidadão Carlos Alberto Teixeira de Oliveira. Aqui, neste recinto, simultaneamente com a posse do nosso novo acadêmico, adepto fervoroso da doutrina desenvolvimentista do presidente que fez o Brasil avançar meio século em cinco anos de governo, está sendo oficialmente lançado um livro magnífico. Livro que nos brinda com preciosas informações sobre a vida e obra de um cidadão dotado de sabedoria incomum, de espírito aberto, que provou exuberantemente ser este “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”, como está na bela canção popular, possuidor de todas as condições necessárias para se transformar na maior potência deste planeta azul.

A publicação “Juscelino Kubitschek. Profeta do Desenvolvimento – Exemplos e Lições ao Brasil do Século XXI” oferece ao presidente da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais ensancha oportunosa para revelações que constituem motivo de orgulho muito grande para a instituição. A sede da Amulmig, além de Casa de São Francisco, é também conhecida por Casa de JK. E por mais de uma razão, permitam-nos a gabação. Primeira razão: JK fez parte do quadro de associados da Amulmig. Segunda razão: a sede da Municipalista, no alto das Mangabeiras, próximo à praça Israel Pinheiro, também conhecida por praça do Papa, quase no sopé da majestosa Serra do Curral, fica localizada em prédio que pertenceu a JK e que conserva nas paredes traços arquitetônicos desenhados por Oscar Niemeyer, companheiro de Nonô na epopeia de Brasília e em muitas outras vitoriosas empreitadas políticas e culturais.

O veto e a posse de JK na Amulmig

O ingresso de Juscelino na Amulmig envolve pormenores históricos que não podem deixar de ser aqui relatados. Aconteceu há meio século. Aprovada a indicação de seu nome, melhor dizendo, a aclamação de seu nome à conta de seus irrecusáveis méritos como estadista, gestor da coisa pública, tribuno, líder carismático, intelectual, cuidou-se de programar a sessão solene de posse. Foi aí, então, que a ira dos plantonistas do fervilhante obscurantismo cultural dominante na paisagem pátria se manifestou. Pessoas ligadas ao regime autoritário daqueles tempos de chumbo mandaram para a entidade um recado curto e grosso: JK não pode tomar posse. Interrompa-se já o processo, sob pena de severas represálias.

O presidente, fundador da Amulmig, respeitado poeta e escritor Alfredo Marques Viana de Gois, de saudosa lembrança, achava-se licenciado da função. Inteirado da arbitrária “decisão extra-acadêmica”, entendeu de reassumir imediatamente o posto. E enfrentou, galharda e desassombradamente, diante da descabida pressão exercida contra a dignidade do sodalício, a “ordem” insolente emanada de representantes do governo ditatorial. Ou seja, do regime de exceção dominante, que “jamais existiu”, a se levar em consideração ridícula teoria revisionista da história circulante por aí, nascida de uma concepção fundamentalista da vida. Viana de Gois fez questão de coordenar no capricho, nos moldes ritualísticos costumeiros, a festa de posse. JK foi envolvido em clima de consagração. E, tanto quanto se sabe, as prometidas represálias não aconteceram. É incomum, mas pode ocorrer, vez por outra, nos trevosos domínios do despotismo, de alguém embriagado pelo poder subitamente reencontrar-se, por ligeiros instantes, com sua humanidade e acabar sendo acometido de um impulso de pudor.

Foi assim, então, que JK, injustamente banido, transformado em pária político pelo ódio, perseguido por suas crenças democráticas, encontrou na Amulmig um espaço a mais pra expor ideias e ideais fecundos.

Presenteio agora a distinta plateia com algumas palavras de Juscelino na cerimônia em que se tornou membro da Amulmig:

“Estou certo de que quando os sinos bimbalharem o novo minuto do terceiro milênio a sociedade humana se regerá por leis melhores. Nem o capitalismo com suas injustiças e muito menos o comunismo, com as suas terríveis crueldades, satisfarão a humanidade no limiar dessa nova etapa do tempo. Profeta não sou. Médico já fui. Difícil fazer o prognóstico sobre o mundo de amanhã. A equação está montada. Deus há de ajudar para que do cadinho fervente que borbulha em todos os centros de cultura do mundo, surja uma fórmula que permita uma humanidade compreensível e sem ódios, e, sobretudo, livre”. Assim falou JK. As palavras, como pontuou o escritor Vicente Guimarães, o saudoso Vovô Felício, ao homenageá-lo em sua chegada a Amulmig, jorraram “vaporosas, ondulantes, coloridas como um bando de borboletas multicores.”

Amulmig, “Um relicário para guardar a glória de seus ilustres expoentes”

Senhores e Senhoras, a Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, guardiã serena de saberes acumulados foi apontada também na fala de seu mais fulgurante associado, JK, como “um relicário para guardar a glória de seus mais ilustres expoentes”. É isso, exatamente que a entidade se empenha em fazer na cerimônia desta noite.

Esta Casa, de tão ricas tradições de cultura, que na exaltação à inteligência celebra esfuziantemente a fascinante - posto que em não poucos momentos perturbadora - aventura humana; a Casa de Francisco de Assis, que fez da humildade um itinerário de vida; a Casa de JK, o líder, o estadista, que melhor soube interpretar o sentimento nacional, esta Casa abre as portas de par em par para receber seu mais novo associado. Seja muito bem vindo Carlos Alberto Teixeira de Oliveira. Você tem razão com sua história de vida: o espírito humano só funciona aberto!”

A SAGA LANDELL MOURA

  Nos tempos do rádio Cesar Vanucci   "Surpreendi-me noveleiro depois de aposentado. Não perdia um só capítulo de “O direito ...