segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

A eternidade de JK

 

                                                                                                                           *Cesar Vanucci

“Não nasci para ter ódio, nem rancores, nasci para construir”

(Juscelino Kubitschek)

 

 

 Concluímos hoje a narrativa sobre a fascinante saga de JK. O Presidente do sorriso franco e aberto deixou-nos, como herança, obras grandiosas, definitivas, exemplos vitais, ideias que não morrem, inspirações para as lutas em favor das transformações que a sociedade brasileira ardentemente almeja.

As constantes homenagens de saudade à volta de sua lenda pessoal têm o significado de um julgamento consagrador. Sua figura sai aureolada da avaliação. Entre seus adversários, alguns poucos, mais moderados, têm os nomes associados, de certo modo, a um que outro momento na crônica das realizações brasileiras. Já os mais raivosos, quando eventualmente citados, ficam vinculados apenasmente a episódios marcados pela intolerância e insensatez. A história costuma não se revelar condescendente com a ignomínia.

JK é, no sentimento das ruas, símbolo de muita coisa. De progresso. De crescimento econômico, abundância de empregos, justiça social, diálogo e concórdia. De intransigência na defesa da soberania nacional. De projetos arrojados na construção humana. De democracia interpretada como instrumento insubstituível na atuação política. De altivez cívica e de nacionalismo autêntico. Por isso, suas ideias continuam sendo, ao mesmo tempo, a inspiração e o fanal de um Brasil que abomina a recessão, o desemprego; a intolerância; que exige fervoroso respeito no trato da coisa pública e que repudia as fórmulas discricionárias no exercício do poder.

Por essa razão, admitindo como legitimo o registro, do saudoso jornalista Carlos Chagas, segundo o qual “Já não se faz mais JK como antigamente”, a sociedade continua a procura de um novo Juscelino. De um líder com suas características.

Muitos compatriotas soltam, a partir daí, as rédeas da imaginação. Em postos de observação que lhes permitam descortinar a paisagem político/administrativa, esticam ao máximo os olhares perquiridores. De maneira a ampliar a capacidade visual, utilizam até binóculos potentes, daqueles que ajudem enxergar objetos em escuridão de breu. Com disposição, espírito bem aberto, sem prevenções quanto a pessoas ou correntes partidárias, entregam-se à tarefa de localizar, na amplidão do cenário contemplado, personagens providos de carisma, com potencial de liderança que exale luminosidade o bastante para aclarar caminhos. Abrir clareiras. Motivar multidões. Olhar (ou ouvir, como propõe o poeta) estrelas e dar rumo ao navio.

 O distinto patrício que nos honra com a leitura desta despretensiosa fala haverá de concordar conosco. Tá difícil pacas levar a cabo com sucesso a tarefa. Ou seja, encontrar alguém que lembre JK.

Fritjof Capra, físico e escritor austríaco que se tornou celebridade mundial com seu “Tao da Física”, cunhou esplêndido conceito na busca de novos rumos para uma humanidade confusa. O conceito encaixa-se magistralmente nesta hora de incertezas políticas. “Aquilo de que necessitamos numa perspectiva de grande amplitude, é um novo paradigma, uma nova visão da realidade; uma mudança fundamental dos nossos pensamentos, percepção e valores”.

 Essa dificuldade de identificar lideranças de vulto, mostra a necessidade de serem refeitas equivocadas práticas encampadas pelos agrupamentos partidários. Todos eles, de algum modo implicados, como se percebe, em atos que não condizem com os bons preceitos republicanos.

 As encrencas criadas clamam por mudanças essenciais. A saga JK é um fervedouro de ideias fecundas para se chegar à transmutação de processos que nos favoreçam galgar patamares superiores na conquista plena do bem-estar social.

 Encurtando razões: no jeito de ser e de fazer de JK, um soberbo contemporâneo do futuro, encontramos o paradigma ideal para as transformações tão desejadas.

 

*  Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

 

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