sexta-feira, 27 de abril de 2012

A atuação da Presidenta


Cesar Vanucci *

“O Brasil nunca foi tão importante
para os Estados Unidos como agora.”
(Revista inglesa “Economist”)

Dizia-se, com inocultável timbre de machismo medieval, que ela não estava preparada jeito maneira a assumir o cargo. Dizia-se, botando-se ferocidade e má fé nas palavras, que ela iria comprometer irremediavelmente a imagem brasileira no exterior. Dizia-se que, caso viesse a ser eleita, em “instante de inadvertência” de um “eleitorado evidentemente despreparado”, passaríamos, todos nós, pelo vexame de ver, algum dia, o mais proeminente detentor de cargo público do País ter o ingresso vetado noutros países, à vista de seu passado rebelde. Ou seja, da posição corajosa adotada no combate ao regime ditatorial. Dizia-se tudo isso e muitas outras parvoíces mais, em boa parte das vezes com a utilização de linguajar altamente injurioso.

Os manjados autores dessas ofensas, propaladas à mancheia na mídia e redes sociais, acirrados por paixão ideológica desvairada, andaram baixando mais recentemente o tom dos doestos. Mas não se deram ainda por achados. Parecem não haver se convencido de que sua catilinária irrefletida não encontra eco no sentimento popular.

Fingem não saber que a Presidenta vem acumulando, mês após mês, desde que botou os pés no Alvorada, índices de popularidade nunca dantes alcançados, a tempo qualquer, por qualquer outro governante brasileiro. Nem mesmo JK. Nem mesmo Lula. Fazem ouvidos moucos às manifestações internacionais contínuas de aplausos que Dilma vem atraindo, mesmo quando, prevalecendo-se da prerrogativa democrática da crítica, denuncia em foros internacionais decisões prejudiciais ao nosso e aos demais países do rol dos emergentes, tomadas por governantes das nações desenvolvidas desejosos de imporem suas conveniências geo-político-econômicas ao resto do mundo. Na recente visita da Presidenta aos Estados Unidos, o Presidente Barack Obama fez questão fechada em expressar, mais uma vez, que a grande Nação sob seu comando vem enxergando o Brasil, neste momento, como parceiro vital. Confessou-se disposto a imprimir à parceria magnitude de tal ordem que nenhum observador mais atento aos acontecimentos mundiais se aventuraria, algum tempo atrás, a prognosticar.

E o que não dizer dos acertos da Presidenta nas empreitadas domésticas? O crescimento vertiginoso dos índices de popularidade encontra explicação - é certo como dois e dois somam quatro – em seu enfrentamento altivo e desassombrado às pressões descabidas de alguns incômodos aliados. Um bando minoritário de anarquistas fisiológicos que laborando em censurável equívoco – pra empregar, ta na cara, uma palavra bem amena –, vislumbra no exercício da nobre arte da política um mero e mesquinho jogo de “toma lá, dá cá”. Alijados de postos relevantes, recorrem a chantagens explícitas, quebrando a cara diante da resistência granítica da chefe do governo às suas desatinadas ambições. Fica claro para a opinião pública, que está a acompanhar com simpatia os procedimentos da Presidenta nesse tumultuado relacionamento com seus presumidos aliados, uma coisa relevante. Essa gente de apetite desmedido por cargos mostra-se potencialmente capacitada a infligir danos à administração tanto quanto alguns adversários, tresloucadamente empenhados em denegrir, a qualquer custo, valendo-se de perversos processos, a imagem de Dilma.

Uns e outros, aliados incômodos e inimigos tresloucados, estão sujeitos, a curto prazo, a experimentarem frustração ou amargor ainda maiores com relação à personagem sob o foco de sua inconsequente zanga. A Presidenta acaba de tomar uma decisão com impacto de uma revolução pacífica. Uma decisão que chega em boa hora, guardando rigorosa sintonia com os anseios da Nação. O anúncio da medida reaviva a lembrança de José Alencar. Muitos põem-se a imaginar que, lá nas latitudes espirituais em que se encontra, o nosso saudoso Vice recebeu com largo sorriso no semblante a informação relativa ao ato de Dilma ordenando, em termos peremptórios, a redução pra valer dos juros nas operações do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. E, depois, recomendando, reiterando com vigor, que o exemplo das instituições oficiais seja acompanhado, sem maiores delongas, pela rede bancária privada.

Se tudo, como os fatos promissoramente sugerem, correr nos devidos trinques, a população brasileira em todos os níveis será extremamente favorecida. Uma nova política de juros, civilizada, humanizada, abre na verdade caminhos descortinadores ao bem estar comunitário, ao desenvolvimento econômico, influenciando uma melhor e mais equitativa partilha da riqueza. Cria estímulos renovados aos empreendedores, para que expandam as fontes de produção e de produtividade, abrindo mais postos de trabalho em favor da prosperidade social.
Resumindo a história.
Entre o que alguns diziam e alguns poucos continuam dizendo de Dilma e o que a grande maioria dos brasileiros pensa da Presidenta estabeleceu-se uma distância abissal. A realidade aponta, na personagem enfocada, alguém sinceramente engajada no esforço de conduzir o Brasil rumo ao seu indesviável destino de grandeza.



Flagrantes humanos emblemáticos

“A cirurgia tende a acabar.”
(Paulo Niemeyer Filho, neurocirurgião)

As grandes revistas brasileiras seguem a tradição de estampar, logo nas primeiras páginas de cada edição, entrevistas com personagens famosos. Os depoimentos enfeixados representam, não poucas vezes, a parte mais interessante do conjunto de informações veiculadas.

Extraio da “IstoÉ”, edições recentes (nºs 2206, 22 de fevereiro, e 2208, 7 de março), duas manifestações sobre temas momentosos, que exprimem, cada qual a seu jeito, posicionamentos humanos emblemáticos diante do jogo da vida. Projetam formas diferentes, antagônicas, pode-se dizer mesmo conflitantes, de se contemplar a aventura humana.

Num dos depoimentos, um cientista brasileiro, embalado em crenças humanísticas, esquadrinha com olhar esperançoso o futuro da medicina. Considerado um dos melhores neurocirurgiões do mundo, Paulo Niemeyer Filho afiança que o tratamento médico vai ser daqui a pouco todo baseado na genética. Explica, convicto, que “a cirurgia tende a acabar”. Acrescenta não “fazer sentido abrir a cabeça, o tórax de um doente.” Explica que “dois fatores serão decisivos.” “Os estudos das células-tronco (células que se transformam em tecidos do organismo) levarão a um conhecimento enorme da biologia molecular. E isso possibilitará o surgimento de novos tratamentos para doenças como o câncer. A medicina do futuro vai ser baseada na genética, na biologia nuclear. Outra novidade é que a cirurgia de obesidade será no campo neurológico.” Esclarece que “a neuromodelação, também chamada de Estimulação Cerebral Profunda”, é uma técnica nova, já vem sendo aplicada nos Estados Unidos e na China, “assemelhando-se a um marcapasso cardíaco”. Niemeyer revela também que esse método começa a ser estudado no tratamento da obesidade. “Muitos obesos – salienta – têm doenças compulsivas nas quais a comida é apenas um fator da compulsão.” “Com a estimulação, feita no núcleo cerebral relacionado à recompensa que a comida proporciona, o individuo tem a sensação do prazer que a comida lhe dá, sem necessidade de comer.” Outra revelação animadora trazida pelo cientista: “O mesmo procedimento será feito para o usuário de drogas.”

No outro depoimento pinçado, Chris Kyle, atirador de elite, apontado como o melhor nessa especialidade da história da Marinha dos Estados Unidos, confessa, sem hesitações na voz e sem denotar o menor arrependimento, que “matei 255 pessoas que mereciam morrer.” Alegando que seus mortíferos disparos alvejaram somente pessoas que faziam atos de violência contra seus compatriotas, diz sentir-se “plenamente justificado, não me arrependo de nada”. Kyle, que sonhava ser caubói, antes de tornar-se soldado, integrou um agrupamento de comandos da Marinha. Pela contabilidade do Pentágono, nas ações bélicas de que participou, matou 160 pessoas. Num livro que lançou e que vem batendo recordes de vendas nas livrarias estadunidenses, ele contesta com veemência os números oficiais. Foram, sustenta, orgulhoso de seus feitos, 255 mortos. O atirador exímio assevera acreditar na Bíblia “e, nela, Deus diz “não matarás” no sentido de assassinar alguém.” Mas, anota com convicção, “na justiça de Deus, isso não cabe às pessoas que estão em guerra.” Pelo que conclui: “Não me arrependo de nada. Aquelas pessoas mereceram morrer. Os únicos remorsos que tenho são por aqueles companheiros que não consegui salvar. É deles que sempre me lembro.”

É como sublinhei no início do papo. Os dois depoimentos falam de instantes bem distintos da história escrita pela humanidade de nosso tempo. Material para largas reflexões.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)


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