sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Celebração magna do Lions

Cesar Vanucci *

“Paixão contagiante, o futebol é a alegria do povo.”
(Neuza Ribeiro Viana na “Invocação a Deus” do dia 8 de outubro,
 no ato de abertura da Semana Mundial do Serviço Leonistico)

O futebol como fator de integração cultural foi o tema escolhido pelo Lions Clube para as celebrações deste ano da “Semana Mundial do Serviço Leonistico”. Promovidos pela Governadoria e Clubes do Distrito LC-4 e pela Academia Mineira de Leonismo, os eventos se desdobraram entre os dias 8 e 15 de outubro passado. Com expressiva participação popular, os dois atos mais significativos da comemoração foram realizados no Espaço Cultural do Tribunal de Contas de Minas Gerais (dia 8) e no Teatro do Sesiminas (dia 15).

Duas palestras marcaram o primeiro desses atos. O jornalista Milton Naves, narrador esportivo da Rádio Itatiaia, fez um vibrante apanhado de suas experiências profissionais na cobertura das Copas Mundiais de Futebol a que compareceu. O cineasta Geraldo Veloso discorreu sobre o entrelaçamento da arte cinematográfica com a arte futebolística, numa fala de rica erudição.

Na mesma ocasião, foi aberta linda mostra de artes plásticas da pintora e escultora Mariza Guerra, versando a temática da celebração. Houve também a apresentação ao público de um projeto elaborado pelo Lions relativo à construção de moradias populares com o emprego de garrafas pet, de acordo com modelo de edificação na linha da sustentabilidade testado com êxito no Rio Grande do Norte. O projeto será implantado em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte. O Coral dos Servidores do Tribunal de Contas, regido pelo Maestro Cleude William. respondeu pela parte artística do evento. A Invocação a Deus da cerimônia foi feita por Neuza Ribeiro Viana.

No dia 15, no Teatro do Sesiminas, o Lions entregou troféus a personagens de realce na história futebolística brasileira. As homenagens contemplaram clubes e outras instituições ligadas a essa modalidade esportiva, craques, árbitros, cronistas, médicos, dirigentes, voluntários que comandam projeto de inclusão social na várzea, indicados pelas lideranças leonisticas incumbidas da elaboração do programa da “Semana”. Os homenageados, em número de 30, foram agraciados com o “Troféu Lions”. A Academia Mineira de Leonismo conferiu a tradicional “Medalha JK - Cultura, Desenvolvimento e Civismo” ao jornalista Emanuel Soares Carneiro, diretor-presidente da Rede Itatiaia de Rádio. A acadêmica Marilene Guzella Martins Lemos encarregou-se da Invocação a Deus. Como Mestres de Cerimônia atuaram o jornalista Neymar Fernandes e a acadêmica Nancy Maura Couto Konstantin.

A magnífica parte artística da celebração esteve a cargo da famosa Companhia de Dança do Sesiminas, comandada pela renomada coreógrafa Cristina Helena, com o concurso da Orquestra de Câmera do Sesi, regida pelo Maestro Marcos Antônio Maia Drumond. O espetáculo intitulado “Meu Brasil brasileiro”, composto de melodias de Carlos Gomes, Vila Lobos, Ary Barroso, Tom Jobim, Luiz Gonzaga, entre outros compositores, arrancou aplausos entusiásticos do público que lotou as dependências do majestoso teatro. O governador do LC-4, José Leroy Silva, recepcionou os convidados, figuras de projeção na vida política, econômica e cultural. Na condição de presidente da Academia Mineira de Leonismo e de presidente da Comissão Organizadora da “Semana”, este escriba saudou os convidados e fundamentou a escolha do tema adotado pelo Lions como reflexão sobre a realidade brasileira ao ensejo da magna celebração anual do movimento leonistico. Em comentário vindouro serão reproduzidas neste espaço as palavras proferidas na referida assembléia.

Para o brilhantismo da celebração deste ano, o Lions contou com decisiva ajuda da Assembléia Legislativa de Minas, Sistema Federação das Indústrias, Secretaria de Estado de Esportes e da Juventude, Tribunal de Contas de Minas Gerais, Rede Itatiaia de Rádio, Associação Mineira de Cronistas Esportivos e Associação de Garantia ao Atleta Profissional de Minas Gerais.


Percepção altruísta da vida

 “... os países devem se enfrentar apenas nas quadras de esporte.”
(Acadêmica Marilene Guzella, na Invocação a Deus
da celebração do “Dia Mundial do Serviço Leonístico”)

Como prometido, reproduzo abaixo os dizeres do pronunciamento que fiz, em nome do Lions Clube, por ocasião da celebração, em 15 de outubro passado, do “Dia Mundial do Serviço Leonistico.”

Nossos homenageados de hoje compõem grupo categorizado de desportistas com folhas de serviços expressivos na implantação e sustentação da mística do futebol. São, de um lado, personagens que deixaram impressas nos gramados, em imagens imorredouras, as pegadas de seu invulgar talento e habilidade. São, de outro lado, personagens que atuam nos efervescentes bastidores dos espetáculos. Integram as variegadas e complexas estruturas do apoio logístico, técnico e administrativo do futebol, assegurando suporte aos atletas para que possam encantar-nos com a magia de sua arte generosa. São, também, figuras que se esmeram, no mister profissional, em projetar de forma colorida e vibrante, produzindo salutar contaminação emocional, a beleza coreográfica incomparável do esporte das multidões.  São ainda criaturas que, à custa de elogiável abnegação, se valem do fascínio que o futebol exerce no espírito popular, para atrair em atividades educativas e desportivas adolescentes e crianças em condição de vulnerabilidade, de maneira a proporcionar-lhes chances de inclusão social. Somos gratos a todos esses homenageados pelo que realizaram e continuam fazendo em favor da construção humana.

O Futebol é mesmo alegria do povo! Mais do que isso até!

Percorrendo as veredas da memória, vejo-me, garoto do interior, ginasiano, rodeado de familiares e colegas, diante do enorme aparelho de rádio que guarnecia a sala de jantar na residência de vovó Carlota. Esta aí, uma santa criatura! Em seu perfil humano encaixavam-se admiravelmente aqueles dizeres poéticos de Manuel Bandeira narrando a chegada ao céu de uma mulher especial, feição meiga, atitudes nobres, vida singela. São Pedro, o próprio, cuida de recepcioná-la. Ela pede, humildemente, licença pra entrar. São Pedro reage com doçura paternal:
- Sem essa, mulher, vê lá se você precisa de licença pra entrar aqui!

A voz rouquenha do espiquer Antônio Cordeiro, espalhava-se pela sala naquela tarde de 16 de julho do ano da graça de 1950. O narrador esportivo da famosa Rádio Nacional descrevia os emocionantes lances da partida decisiva entre o Brasil e o Uruguai no Maracanã superlotado. Aguardávamos, todos nós, o final do jogo pra fim de comemorar. A festança vinha sendo aguardada há dias.

O título, pelo andar da carruagem, eram favas contadas. O Brasil dependia apenas de um empate. E o gol do ponteiro Friaça já havia deixado a seleção em confortável vantagem. Foi aí, então, que veio o gol de empate do ponta direita uruguaio Gighia. Um gol que, falar verdade, não chegou, no primeiro momento, a preocupar os torcedores. Mas um tiquinho de tempo adiante, de repente, não mais que de repente, já ai de forma atordoante, o marcador voltou a ser alterado, graças a uma jogada do mesmíssimo endiabrado Gighia. À medida em que, a partir dali, os ponteiros do relógio avançavam, o desespero começou a ganhar contorno nas mentes e corações. Quando o juiz trilou o apito final, o mundo veio abaixo. Um verdadeiro tsunami psicológico! O Maracanã ficou mudo e quedo que nem penedo. O silêncio de tumba etrusca que se abateu sobre o País inteiro era ensurdecedor. Os comentaristas da Nacional trataram de por fim, alguns aos soluços, à transmissão. A sala de jantar de dona Carlota tornou-se um reflexo melancólico do estado de espírito geral. Clima de chororô. A doce matriarca, muito ao seu feitio, procurava consolar-nos. O tom embargado de voz, somado ao semblante vincado de amargura, desmentiam frontalmente a certeza que se esforçava por repassar nas palavras: “Vamos ser racionais. Um jogo de futebol é apenas um jogo de futebol, não passa apenas de um jogo de futebol.” Vovó Carlota, – aprendi, dolorosamente, naquele fatídico 16 de julho, estava redondamente equivocada. Um jogo de futebol nunca foi e nunca será, na realidade brasileira, apenas um jogo de futebol.

A história desse esporte popular, democrático como nenhum outro, documenta isso exuberantemente. Em 58, na Suécia: em 62, no Chile; em 70, no México; em 94, nos Estados Unidos; em 2002, na Coréia do Sul e Japão, para falar de outros instantes futebolísticos marcantes, o chororô já foi bem diferente do de 1950.  Houve, sim, lágrimas convulsivas, soluços angustiados e arritmias cardíacas em profusão, mas o conteúdo das reações, já ai, era alegre, feérico, extasiante.

Isso ai, minha gente! A crônica futebolística dá conta, constantemente de que um jogo de futebol, do ponto de vista dos brasileiros de todas as classes, profissões, etnias e crenças, não é apenas, simplesmente, um jogo de futebol. É uma interpretação única, singular, sem comparações com o que costuma rolar noutras paragens deste planeta azul, do jeito de ser, criativo, imaginoso, contagiante, conciliador do povo. No caso, do nosso povo brasileiro. O futebol, ato esportivo repleto de significados antropológicos, é uma expressão lídima da alma das ruas.
É uma afirmação robusta da integração nacional, de nossa identidade cultural. Um soberbo agente de confraternidade.

É eclosão de sentimentos genuinamente brasileiros. Revela o povo em pleno esforço de criatividade. Um povo que deixa à mostra, nessa pujante modalidade de manifestação cultural, suas grandes qualidades, até mesmo seus defeitos, suas virtualidades, sua percepção atilada e altruísta da aventura humana. Palavra de leão!


Invocação a Deus
  
“A serenidade de Deus está presente
nas coisas que fazemos juntos.”
(Provérbio popular)

A “Invocação a Deus” abre todas as assembléias promovidas pelo Lions Clube. Trata-se de uma mensagem de fundo espiritual e humanístico onde são traduzidos os sentimentos que embalam as ações do movimento leonistico no sentido da construção humana.

Na celebração deste ano, vivida festivamente agora em outubro, da “Semana Mundial do Serviço Leonistico”, a acadêmica Marilene Guzella Martins Lemos e a Companheira Leão Neuza Ribeiro Viana brindaram o público com magistrais “Invocações” nas duas principais assembléias constantes da programação.

Pelos edificantes conceitos emitidos, ambas as manifestações merecem ser conhecidas por parte de um número mais elevado de pessoas. Daí a razão de havermos optado pela reprodução dos textos lidos neste espaço.

Assim falou Marilene: “Quando invocamos a presença de Deus para abençoar esta cerimônia, ponto alto da Semana Mundial do Serviço Lonístico, que neste ano usa o lema “Futebol, Alegria do Povo”, podemos sentir orgulho. Os dois principais times mineiros estão lá no alto.
Muitas vezes nos chamaram de “País do Carnaval e País do Futebol”.
Somos isso, isso e muito mais, caminhamos bem no desenvolvimento de vários setores, mas, se carnaval e futebol encontraram no Brasil a pátria ideal é porque seu povo, fruto de um maravilhoso caldeamento de etnias, mantém, apesar de todos os percalços, uma inigualável alegria de viver.
Preferimos o apito das escolas de samba aos apitos de sirenes e fumaça dos fogos de artifício a fumaça de bombas.
Peçamos a Deus: Que no próximo ano, quando acolhermos os jogadores para a Copa do Mundo, possamos divulgar a mensagem de que os países devem se enfrentar apenas nas quadras de esporte e que as supremacias se limitem ao resultado de um placar.
Que os tratados de paz sejam as trocas de camisas e a derrota represente apenas a frustração de ver outros levantarem o caneco.
Que os feridos dessa guerra se curem com mercúrio nas esfoliações.
Que os custos da derrota sejam investimentos em formação de atletas e os rancores e retaliações se traduzam em preparação para o certame seguinte.
Agradecemos, Senhor, e que assim seja!”

Assim falou Neuza: “Agradecemos, Senhor, pela grandiosidade e magia deste encontro, pelo seu significado, pela nobreza do serviço leonístico e pela profunda solidariedade que envolve os propósitos de nossos caminhos.
Senhor Deus, abra sobre nós o brilho de sua luz; abra sobre nós o manto de sua segurança, da perseverança, do perdão e do aconchego. Que possamos aprender a orar pedindo um coração aberto e disposto a servi. Que possamos nos render à direção do Espírito ao lidar com o nosso próximo, com as circunstâncias e com as decisões que tomamos no decorrer de nosso trabalho em Lions. Que nossa presença evoque esperança, que nossas mãos tenham o dom de realizar boas obras, de acolher, de afagar o desvalido, e assim doando serviços, ganharmos vida.
Senhor, que a comemoração da Semana Mundial do Serviço Leonístico seja a celebração do servir, a celebração de companheiros fortes, unidos e imantados na lei maior do amor.
Abençoe nossa Governadoria, os Clubes do Distrito LC-4 e nossa Academia Mineira de Leonismo. Abençoe ricamente os homenageados deste magno evento, alcançando todos aqueles da direção e da atividade desta paixão contagiante: “Futebol, alegria do povo”. Faça com que essa magnífica energia abrace a vida e seja sempre para a construção do bem, da paz e da concórdia.
Enfim, Senhor, permaneça na justiça e na fé com os que, de coração puro, invocam o seu santo nome. Assim seja!”


Nenhum comentário:

A SAGA LANDELL MOURA

  Vidas pretas importam   Cesar Vanucci   “A questão racial precisa ser tratada em todos os domínios, da Justiça à Tecnologia”. (Jorge...