sexta-feira, 18 de maio de 2012

CONVITE ESPECIAL AOS AMIGOS DO BLOG DO VANUCCI



Holerite pra lá de avantajado


Cesar Vanucci *

“Graves violações aos princípios da moralidade administrativa.”
(Desembargador Ivan Sartori, presidente do TJ de São Paulo)


É o que se pode chamar, como já disse alguém, de holerite turbinado. Em um único mês, novembro de 2008, o desembargador Roberto Antonio Vallin Bellochi, à época na presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo, recebeu R$ 723.474,93 entre salário e desembolsos extraordinários relativos a férias e licenças-prêmio. Por conta de estipêndios atrasados, ele recebeu R$ 349.876,74, acrescidos do “fator de atualização monetária”, beneficio a mais incidente sobre vantagens concedidas à toga. Esses dados constam de planilha expedida pela Diretoria da Folha de Pagamento da Magistratura (DFM). Bellochi, que ocupa o primeiro lugar na extensa lista dos contracheques milionários da magistratura, presidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo entre 2008 e 2009. Entre 2007 e 2008 foi contemplado com a bagatela de R$ 1.44 milhão, com base apenas na rubrica “excepcionais”. Em 2009, ele bateu o recorde em recebimentos: R$ 1.63 milhão, com vencimentos de R$ 896.8 mil e extras de R$ 738.4 mil. As fantásticas vantagens salariais por ele percebidas eram por ele próprio dadivosamente outorgadas. Da trajetória singular desse impoluto marajá do serviço público sabe-se ainda que, em fevereiro de 2009, seu holerite registrava a importância de R$ 136.476,35, ou seja cinco vezes mais que o limite definido como teto salarial pelas leis brasileiras. Mas nesse mesmo mês, o travesso personagem, por vontade própria, à margem pelo visto de qualquer controle fiscal, abiscoitou outros R$ 120 mil, a titulo de “pagamento excepcional”. Bota excepcional nisso.
Todas essas estarrecedoras informações são parte de relatório que vem sendo examinado pelo Conselho Superior da Magistratura. Bellochi não é o único magistrado flagrado em “extravagâncias salariais” no exercício da função gerencial exercida. Outros colegas seus da magistratura paulista estão sendo também investigados, à vista de haverem sido aquinhoados com “gratificações identificadas como graves violações aos princípios constitucionais da isonomia, da impessoalidade e da moralidade administrativa”, como sublinha o desembargador Ivan Sartori, atual presidente do TJ de São Paulo.
Todas essas informações, extraídas de reportagem do jornalista Fausto Macedo, publicada em “O Estado de São Paulo”, reforçam a importância enorme de que se vem revestindo a saneadora ação que a desassombrada ministra Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justiça, desenvolve com outros companheiros do órgão no sentido de refrear não poucos abusos gritantes e de estabelecer política de intransigente transparência nas contas de alguns organismos judiciais brasileiros.
Acolhida, de um lado, com aplausos e solidariedade integrais por parte da opinião publica, essa ação tem encontrado, de outro lado, desoladoramente, por conta de certos setores de visão corporativista, escancaradas e inaceitáveis restrições.


Revitalização da Savassi


“Essa obra tá muito espichada.”
(Desabafo de lojista da Savassi, falando da revitalização da área)


A revitalização da Savassi que fui ver, não vi. Falar verdade, levando-se em conta o tempo gasto na obra (em fase de conclusão há um tempão), o volume de recursos aplicados, os transtornos e prejuízos causados ao comércio e prestadores de serviços da região, embalados a principio pelas propostas sedutoras apresentadas pela Prefeitura, o oba oba da marquetagem descomedida, esperava deparar-me com coisa de nível infinitamente superior. O resultado da requalificação urbanística procedida lembra emblematicamente parto da montanha. Um senhor estrondo, acompanhado de estalido seco com uma figura de proporção liliputiana a esgueirar-se pela fresta da rocha.


Descaminhos do nosso futebol


“Sou atleticana desde garotinha. Foi a primeira vez
 que fiquei com sono numa partida de meu clube.”
(Dona Izaltina, 92 anos, comentando o jogo Atlético e Tupi)

Fixo-me nas cenas da pavorosa partida entre Atlético e Tupi, na rodada derradeira do primeiro turno do campeonato mineiro, pra sublinhar, outra vez mais, meu tremendo desaponto, como cidadão e torcedor, com os descaminhos que vêm sendo trilhados melancolicamente pelo futebol mineiro. O enervante cotejo sinalizou magistralmente a mediocridade que se apoderou desse espaço esportivo, tão caro ao sentimento popular.
Os apreciadores dessa modalidade esportiva, ou seja, todo mundo, precisamos fazer uma avaliação aprofundada sobre o que anda rolando, na área futebolística, nestes nossos pagos das Gerais. O frustrante desempenho dos clubes pode ser debitado, em parte, está certo, ao gerenciamento insatisfatório que os rege, mas não deixa de ser reflexo, também, de outros fatores negativos, complacentemente absorvidos pelas lideranças esportivas. A forma atabalhoada que orientou todo o planejamento das obras de reforma dos estádios da Pampulha e do Horto foi algo terrível. A idéia de jerico da torcida única foi também de lascar. O esquema de transmissão de jogos, atendendo às conveniências mercadológicas da televisão, negando ao público acesso às imagens dos clássicos regionais pelo fato de as partidas serem disputadas em Sete Lagoas, agride o bom senso. Violenta direito do torcedor. Essa sequência de atos falhos clama por reflexão e mudança de rumos. Já.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

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