sábado, 19 de julho de 2014

O futebol pede mudanças urgentes

Cesar Vanucci*

“O Brasil de Didi, Garrincha e Romário recebeu a Copa em casa,
 com um técnico ultrapassado e uma seleção sem força de ataque”.
 (Afonsinho, craque do passado)


O acachapante desempenho da seleção na Copa clama, naturalmente, por mudança de rumos. A destituição da comissão técnica, que se conduziu de forma tão desastrada, representa apenas o começo do começo das transmutações desejadas. Algo mais profundo e consistente carece ser adotado sem delongas.
Os especialistas em assuntos relacionados com o esporte das multidões precisam lançar logo na mesa das discussões as sugestões, postulações e conceitos que assegurem ao futebol brasileiro a chance de reencontrar suas origens e itinerário históricos.
Animo-me, como torcedor, arriscar alguns singelos palpites. Imagino que não deixarão de ser cogitados pelos entendidos no grande debate acerca da construção do novo modelo de atuação a ser adotado pelo futebol brasileiro daqui pra frente. Primeiro palpite. Nada, ao contrário do que tem sido aventado, de trazer técnico estrangeiro. Identifico em inúmeros craques do passado elementos com cabedal à altura para assumir o posto. Querem um bom nome? Zico, tá bem? Outro palpite: convocação para compor o escrete deverá contemplar apenas craques engajados em campeonatos nacionais. Assim é que se procedia noutros tempos. Com resultados positivos, tá? Se preciso, criem-se mecanismos de incentivo de maneira a reter por aqui os jogadores selecionados. Mas sem essa de recorrer-se a atletas que joguem no exterior. Alguns deles emitem, não raras vezes, sinais claros de desvinculação com o sentimento nacional. Muita gente questiona os critérios que norteiam o trabalho das ditas comissões técnicas diante da circunstância de que jogadores consagrados em nossas competições, como é o caso, para ficar num só exemplo, do Everton Ribeiro, do elenco do Cruzeiro, campeão nacional, considerado o “craque do ano”, serem solenemente ignorados nas convocações.
Modificação do calendário dos torneios, cuidados especiais com o futebol de base, incremento às competições escolares, eliminação radical da influência de patrocinadores e agenciadores de craques nas convocações e escalações, são outros itens relevantes a serem levados na devida conta pelos que futuramente venham a assumir a tarefa de colocar o futebol, alegria do povo brasileiro, nos devidos eixos.
Abrir logo o debate. A Copa América e as Olimpíadas estão à vista.

Vez do leitor. A respeito do artigo “Tristeza e perplexidade sem fim”, o engenheiro Guilherme Roscoe fez o comentário abaixo reproduzido. 
 Caro Cesar, após a interessante leitura de seus artigos, principalmente ao que se refere a nossa derrota na Copa, tomo a liberdade de expor minha visão sobre o fatídico jogo. 
Terça feira, 8 de julho 2014, semifinal da Copa do Mundo de Futebol.
Sem favoritos, esperava-se uma partida difícil. Mas, o que eu vi, você viu e todo mundo viu pela televisão, foi um massacre.
Inédito na amplitude do marcador, nesta fase, de todas as Copas. Passado o susto, a perplexidade e a forte emoção, vamos rever o que vimos.
Zaga brasileira improvisada, imposição da suspensão do capitão, por falta boba no jogo anterior. Até os 11 minutos, o jogo parecia equilibrado, até com alguns momentos de domínio brasileiro. Um passe impreciso no ataque, retomada e veloz contra-ataque dos alemães: o recurso foi desviar a bola para escanteio; daí o primeiro gol, bola a meia altura chutada de voleio por um adversário livre na área. Se o time já parecia excessivamente nervoso, aí se descontrolou de vez, os alemães fizeram mais quatro em pouco tempo, aproveitando os espaços no meio campo e na defesa brasileira. 
No segundo tempo, em função de substituições na equipe, houve um relativo equilíbrio e os alemães venceram esse tempo por 2 x 1.
Diferenças: brasileiros abusam de sua qualidade no drible e prendem demais a bola, por isso fica lento o jogo coletivo; vimos a seleção deles jogar com muita objetividade, passes precisos, deslocamentos constantes para receber os passes - assim o jogo fica rápido - o movimento da bola é que é rápido! 
As chances para finalizar foram aproveitadas com eficácia pelo time europeu: chutes firmes, com bom controle da direção e diretos, sem efeito. 
Em, pelo menos, três dos sete gols, me lembrei do Ochoa, goleiro do México - fiquei imaginando como seriam evitados. 
Após um desastre tendemos a buscar culpados; bobagem, somos todos culpados, inclusive a imprensa e parte da torcida: o fato do Brasil ter vencido cinco vezes em décadas não lhe garante superioridade, aí está o resultado da prepotência. Mas, se há culpados, dois não podem ser esquecidos: o 18 da Colômbia que tirou Neymar da equipe e o capitão que displicentemente se excluiu. Disse.”


 Da Copa às Olimpíadas
Cesar Vanucci*

“O mundo assistiu a uma boa organização
em um recanto civilizado.” (Mino Carta, jornalista)


Com medíocre atuação, exibindo futebol de várzea, a seleção canarinho perdeu a Copa que o Brasil soube ganhar com suprema maturidade e indiscutível competência. O vexame nas quatro linhas impediu que a euforia popular pela grande conquista alcançasse níveis ainda mais elevados. Mas o que resultou, como lição definitiva do torneio esportivo recém-findo, foi a certeza inquestionável de que o nosso país, ao contrário do que foi propagado, com enervante insistência, por uma minoria ruidosa de “ cartomantes do derrotismo”, provou outra vez suficiente capacitação para promover eventos de magnitude, de qualquer gênero e a qualquer momento, de forma impecável.
As coisas decepcionantemente, não funcionaram a contento no gramado, fazendo jus, obviamente, a criticas aprofundadas e reações de compreensível inconformismo. Já no tocante ao formidável complexo logístico montado para fazer desta a Copa das Copas, os resultados atingidos revelaram-se, sem qualquer exagero de fala, impecáveis.
Os dados que têm sido mostrados, somados às manifestações de observadores isentos e das multidões de turistas que circularam intensamente pelo território continental brasileiro, com destaque para os palcos dos jogos, são deveras reveladores. Retratam eficiência operacional nas ações desencadeadas pelos setores de serviços engajados na gigantesca empreitada. Transporte aéreo e rodoviário, hotelaria, sistema de mobilidade urbana, segurança pública, atendimento de urgência, tudo se encaixou harmoniosamente no enredo da Copa.
Colhi de pessoas de outros países referências altamente elogiosas ao tratamento dispensado nos aeroportos, incluídos aqueles (caso de Confins, por exemplo) com obras ainda não inteiramente concluídas. Outro frisante exemplo do bom trabalho executado por organizações brasileiras alvejadas impiedosamente por setores da mídia na antevéspera da Copa está configurado no desmantelamento, pela polícia, da quadrilha que, há décadas, sem ser importunada pela lei, promovia na clandestinidade, com bem provável conivência nos altos escalões da FIFA, ações fraudulentas no esquema de ingressos.
E o que não dizer da acolhida extremamente cordial, calorosa, incomparável quando confrontada com a de acontecimentos de relevo vividos noutros lugares do mundo, assegurada pela gente do povo às levas de visitantes estrangeiros?

A Nação provou exuberantemente seu poder criativo e capacidade empreendedora para envolver-se em iniciativas de repercussão planetária. Desmentiu categoricamente, uma vez mais, os plantonistas do pessimismo. Um pessoal de baixo astral que, aqui dentro e lá fora, arriscou agourentos prognósticos sobre o que “estaria” prestes a acontecer por ocasião das competições. Por não entenderem bulhufas de Brasil, fracassaram rotundamente nas sombrias profecias. Uma vez mais.
 É chegado o momento de se concentrar atenções nos preparativos das Olimpíadas de 2016. A experiência de agora foi de incalculável valia. Elevou a autoestima das ruas. Vamos tentar conservar acesa a esperança de que esse outro magno empreendimento, conjugando novamente energias positivas e esforços de todos os segmentos da nação, venha a se transformar também, como aconteceu na Copa, na Olimpíada das Olimpíadas.


Vez do leitor. A leitora Climêni Maria Serra confessa ser “torcedora do e pelo Brasil em qualquer circunstância” e sobre o artigo “Tristeza e perplexidade sem fim” registra: (...) “Esta Copa está emocionante. Ontem, derrota brasileira. Houve muito choro, decepção, frustração, com o sonho que se evaporou...O nosso querido Felipão assumiu a responsabilidade. O Neymar Jr., contundido no último jogo, e era nossa esperança, nem jogou. Minha reação diante disso tudo foi dar gargalhadas!
Isso é saudável: Rir das próprias desgraças. Chorar pode consolar, mas... enfim rir é o melhor remédio...”


SAUDADES DE RUBEM ALVES




"Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por 

fora e nem passeia por eles." 

Rubem Alves


O último pedido de Rubem Alves: 

suas cinzas colocadas hoje 

(19/07/2014)  num 

ipê amarelo, enquanto amigos 

leem Fernando Pessoa e Cecília 

Meirelles.




“Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos.
Só veem as belezas do mundo, aqueles que têm belezas 

dentro de si.” 


Rubem Alves





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