quinta-feira, 24 de julho de 2014

Copa, outra vez
Cesar Vanucci*

“Os responsáveis estão bem longe das quatro linhas.”
 (Luiz Gonzaga Belluzo).

A Copa continua dando o que falar.

* O fiasco retumbante da seleção nas quatro linhas colocou a CBF com as “barbas de molho”. A cartolagem viu-se acionada pelo clamor das ruas a dar logo o pontapé inicial na partida decisiva correspondente à necessária e urgente reformulação do futebol brasileiro. Só que as primeiras jogadas anunciadas não têm sido nada de molde a desfazer o sobressalto instalado, desde os 7 a 1 fatídicos, no espírito dos torcedores. Os primeiros lances deixam entrevistos sérios riscos de gol contra. As indicações de nomes produzem a amarga sensação de estar pintando no pedaço mera troca de seis por meia dúzia. Paira no ar a desconfortável impressão de que se esteja fazendo alguma reforma para não se fazer reforma alguma.   


*O Ministério do Turismo liberou os resultados da pesquisa feita junto a correspondentes dos órgãos da mídia internacional a respeito da Copa realizada no Brasil. As avaliações recolhidas reduzem a subnitrato de pó de mico os prognósticos cataclísmicos intensamente propagados, antes do torneio, com certa repercussão no exterior, nos meios de comunicação nativos. A quase totalidade dos jornalistas consultados (98,6 por cento) reconheceu que tudo foi “muito bom” ou “bom”. Os itens concernentes aos serviços de infraestrutura do Brasil foram considerados de bom nível. Vejam só os índices de aprovação alinhados na sequencia: aeroportos, 88 por cento de aprovação; taxis, 87,7 por cento de aprovação; segurança publica, 81,8 por cento; limpeza urbana, 80,4 por cento; atrativos turísticos, 98,4 por cento de avaliações positivas; diversões noturnas, 96,2 por cento; facilidade para “vistos”, 93,2 por cento. Os entrevistados assinalaram ainda que a imagem do Brasil, com a Copa, melhorou 59,4 por cento e permaneceu a mesma 38,1 por cento. A “enquete” perguntou ainda aos profissionais de imprensa se recomendariam viagens ao Brasil. Noventa e sete por cento responderam positivamente. Os índices apurados nas questões da mobilidade urbana e da telefonia e acesso à internet foram menos expressivos. Respectivamente, 66,9 por cento e 52,1por cento. Os custos das atrações turísticas e transportes foram considerados adequados pela maioria. No tocante às tarifas e serviços de hospedagem, sete em cada dez entrevistados adotaram postura critica acentuada.


*A condição de jogador excepcional desfrutada pelo argentino Messi dispensaria perfeitamente a gratuidade da deferência que se lhe foi atribuída pela FIFA, ao considerá-lo “craque da Copa”. E que papo mais estapafúrdio é esse de o “craque da Copa” não entrar na “ seleção da Copa”? No duro da batatolina, o titulo de “craque da Copa” ficaria melhor nas mãos (ou seja, nos pés) do holandês Argen Roben.



*Sem essa de “crucificar” o atacante Fred, apontando-o como “bode expiatório” do fracasso acontecido no gramado, a exemplo do que foi feito, em 1950, de forma igualmente injusta, com Barbosa e Bigode. Os verdadeiros culpados são outros. Fico com o Luiz Gonzaga Belluzo quando registra em depoimento à “CartaCapital” esta frase: “Não adianta procurar os culpados entre os vinte três selecionados. Os responsáveis estão bem longe das quatro linhas.”


*Alguém do ramo publicitário bem que poderia medir o tempo despendido pelas estrelas do time canarinho, os membros da comissão técnica obviamente incluídos, nos preparativos e filmagens dos reclames publicitários em que, antes e durante a Copa, apareceram como charmosos “garotos propaganda”. Ha quem aposte na hipótese de que as horas consagradas a tão valioso mister aproximem-se do volume de horas dedicadas aos extenuantes treinamentos na Granja Comary.


*Entreouvido na fila do “busão” que faz o trajeto Centro-Calafate: - “Sinto um baita calafrio na espinha só de pensar, conforme alguns cronistas andam dizendo, que a maioria dos jogadores brasileiros desta Copa possa estar em nosso time nas Olimpíadas e Copa da Rússia”.

  
Vez do Leitor. A proposito do artigo “Tristeza e perplexidade” escreve-nos o leitor Wenceslau Teixeira Madeira: “Meu caro cronista, meu protesto segue abaixo. Protesto de um villanovense /brasileiro/eleitor/contribuinte/torcedor.
Pessoal, juro! Eu não acredito!/ Não achei nada bonito!/  Placar imenso de sete a um / Jamais vi em lugar algum. /  Tanta humilhação, tanto desgosto.
Protesto: Não voto mais e nem pago imposto!/ Wenceslau, seu 25.000.000º leitor.”





Quarta- feira, dia 23 de julho. João Ubaldo e Rubem Alves recebem Ariano Suassuna e o céu fica ainda mais estrelado. 



 





Dia da Indústria, 2014

                                                                   Cesar Vanucci*

“O passado é importante quando nos ensina a compreender o
 presente e a moldar o futuro” (Olavo Machado Junior, Presidente FIEMG)


Festa de arromba, por qualquer prisma seja o evento avaliado. A celebração do Dia da Indústria, tradicional no calendário da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), revestiu-se em 2014 da mesma pompa e brilho que a respeitada instituição costumeiramente empresta à promoção. Publico vibrante, altamente representativo, lotou o salão principal da Expominas, aplaudindo com entusiasmo os ilustres personagens agraciados com os honrosos títulos de “Industrial do Ano” e “Mérito Industrial”.
A posse da diretoria que regerá os destinos do Sistema Operacional da Indústria no  período administrativo vindouro, liderada pelo empresário Olavo Machado Junior, que deu provas pessoais exuberantes de seu poder empreendedor no primeiro mandato, foi ponto de destaque na programação. Um primoroso coquetel emoldurou o encontro destinado à confraternização dos dirigentes empossados, homenageados e convidados.
A assembleia solene foi também sublinhada por sugestiva sequência de pronunciamentos, com lúcidas abordagens de temas caros ao interesse nacional. A realidade politica e econômica mereceu analises por enfoques diferenciados, sobretudo nos pronunciamentos do industrial Olavo Machado Junior e do representante do Governo Federal, Ministro Mauro Borges, titular da pasta do Desenvolvimento. Isso proporcionou à atenta plateia a chance de se ver contemplada com um, pode-se dizer, respeitoso diálogo, contendo dados valiosos. Conquanto em vários pontos divergentes no tocante ao modo de se encarar o processo de desenvolvimento, as informações transmitidas, dentro de impecável figurino democrático, retrataram saudavelmente a preocupação dos setores privado e publico na cata de resultados adequados e eficazes para os problemas confrontados pela sociedade dos tempos de hoje. “O nosso partido é Minas. Queremos lideranças politicas comprometidas com Minas porque delas depende o resgate de uma politica econômica que efetivamente privilegie o crescimento e o fortalecimento da indústria”, foi o que acentuou Olavo Machado.  
A repousante atmosfera democrática dominante transportou-me, num amplo voo de imaginação, a momentos passados que deixaram marcante registro na historia dessas refulgentes comemorações.  Fixei-me, nas lembranças afloradas, de modo especial, nas festividades comemorativas do “Dia da Indústria” de 1971 e do “Dia da Indústria” de 1976.
Os acontecimentos vividos naquelas duas ocasiões, com toda certeza desconhecidos da grande maioria das pessoas, foram simplesmente eletrizantes, deixando imorredouras lições. Merecem ser recontados como singela contribuição histórica deste desajeitado escriba aos arquivos da grandiosa celebração.
Colocados, como será visto, frente ao que rolou na bela comemoração de agora e nas celebrações de outros anos do passado recente, posteriores ao período de obscurantismo ditatorial, são fatos que oferecem, como mensagem didática definitiva, amostra pujante do real significado da democracia no processo civilizatório. Deixam, pela mesma forma, projetada a agressão que os regimes de força costumam perpetrar, a torto e a direito, contra a cidadania e os direitos essenciais inerentes à dignidade humana.
Proponho-me recontar, na sequência, em dois artigos, os relatos dos sucessos transcorridos naquelas celebrações do “Dia da Indústria” de 1976 e do “Dia da Indústria” de 1971.


                     Mais de Suassuna:                  
Filme:  "O auto da compadecida" um dos seus grandes sucessos. 





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