domingo, 21 de maio de 2023

Mensagem do passado

 

  “Os vestígios estão aí. (...) Um desses incríveis e  misteriosos vestígios surgiu em um               deserto peruano (...) nos arredores de Ica.”  

 (J.J.Benitez, jornalista e   escritor espanhol)

 

Quem já andou por aquelas plagas, sabe do que estou falando. O Peru é um espanto. E Ica, lugar rodeado pelas areias brancas e pedregosas do deserto de Ocucaje, merece ser apontada como um espanto dentro do espanto maior. A região adquiriu notoriedade mundial com descobertas assombrosas que ficaram conhecidas como “as pedras gravadas de Ica”. Uma espécie de “biblioteca na pedra”, pode-se dizer.

 

A capacidade investigativa e a perseverança à toda prova de um professor chamado Javier Cabrera Darques, peruano de inquebrantável vontade, colocaram a humanidade inteirada de achado fantástico. Um achado que desafia a argúcia de pesquisadores experimentados e coloca em xeque teorias e teses científicas pacificamente assimiladas no conhecimento consolidado dos homens. Está claro que sobrou para o desassombrado professor uma carga bastante pesada de incompreensões e doestos, como decorrência dos arrojados conceitos que ousou estabelecer à volta das descobertas.

 

A explicação trazida para os milhares de seixos gravados, de tamanhos diferenciados, que Cabrera conseguiu resgatar, de datação antiquíssima, consideravelmente distante dos tempos conhecidos (há quem fale até em milhões de anos), é desnorteante. Tudo aquilo nada mais significaria senão uma espécie de documentação deixada por civilização tecnologicamente avançada, que pretendeu passar para os pósteros a essência de suas experiências de vida.

 

E aí, como é que ficam as coisas? As pedras estampam cenas inacreditáveis do ponto de vista científico. Registram realizações inteligentes produzidas por alguém que dominava saberes incomuns nas áreas da astronomia, da astronáutica, da medicina. Falam das relações desse “alguém” com o meio ambiente, com a terra que povoava, com sua fauna e flora. Divididas em séries, ou capítulos, as pedras gravadas de Ica, no Peru, estão recolhidas em dois museus. Um deles pertencente ao Estado. Outro, mais bem provido de peças, organizado pelo próprio professor Cabrera.

 

Ao contemplarem os enigmáticos registros, as pessoas experimentam emoções fortes, que vão do deslumbramento à perplexidade. As revelações mexem com a cabeça. Revolvem conceitos solidamente enraizados na mente coletiva. Deixam os observadores comovidos. Por mais espantoso que possa parecer, entre as informações assombrosas transmitidas nos seixos existem descrições pormenorizadas acerca de transplantes de órgãos; sobre o código genético; sobre espaçonaves utilizadas em deslocamentos pelo campo azul infinito do céu.

 

Como é que haveremos de nos comportar diante desse recado fabuloso, provavelmente deixado por uma civilização que tomou rumo ignorado, após passagem por este nosso planeta azul? Um dos “capítulos” do documentário das pedras gravadas de Ica alude a uma viagem cósmica de colossais proporções. Seres desconhecidos, à maneira de um êxodo, provocado talvez pela proximidade de grande cataclisma, “anunciam” sua partida com o destino de um ponto qualquer na constelação das Plêiades.

 

O professor Javier Cabrera Darquea, num livro precioso, intitulado “As mensagens gravadas de Ica”, considera que os seixos “explicam, racionalmente, muito mais do que, até o momento, a humanidade atual tem considerado enigmas e fantasias em torno da existência passada do homem.” Vale a pena ler o livro. Vale a pena visitar Ica.



 

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Titicaca e salto do jaguar

 

                                                                       *Cesar Vanucci

 

                                                                        “A quantidade de coisas que chama  a atenção  ajuda o bom senso na pista da explicação.”                                                          (Gotthold Ephraim Lessing, 1729-1781)

 

Vamos dar continuação à nossa incursão por sítios geográficos que representam, com seus marcos indecifráveis, o testemunho vivo do passado misterioso deste planeta azul.

 O lago Titicaca não é bem um lago. É mais uma porção de mar, de grandes proporções, que um colossal deslocamento dos elementos naturais em tempos imemoriais inseriu na acidentada geografia andina. A flora e fauna são típicas de água salgada. Pontilhado de ilhotas, o Titicaca abriga vestígios de civilizações desaparecidas. As famosas fortificações atribuídas aos incas aparecem em diversos pontos. O estilo arquitetônico é o mesmo observado em centenas de sítios arqueológicos dos altiplanos bolivianos e peruanos. Navios turísticos percorrem o trajeto entre um porto boliviano, próximo a La Paz, e o porto peruano de Copacabana, num período de oito horas. Tempo razoável para que se possa admirar o cenário soberbo de um recanto cravejado de lendas e enigmas.

Um dos enigmas, provavelmente o mais atordoante, relaciona-se com a denominação dada a esse mar suspenso. No idioma aymara, falado pelos nativos da região, “titicaca” significa “o salto do jaguar”. Anotou aí? Vamos em frente. Nos anos 60, satélites estadunidenses colheram, a grandes altitudes, imagens do misterioso lago. As fotos deixaram cientistas embasbacados. A configuração do Titicaca é inacreditavelmente, precisamente, a de um jaguar saltando. A indagação irrompe inevitável: explique quem puder, como é que o povo aymara teve acesso a revelação tão estonteante? De quais recursos tecnológicos se teriam valido os ancestrais de Evo Morales, aymara com muito orgulho conforme confessa, para estabelecer essa inconcebível conexão entre o desenho geográfico, captado do alto, e a realidade prosaica de uma cena retirada de seu cotidiano como caçadores?

 Perto do Titicaca existe um “museu antropológico” de priscas eras. Tiahaunaco, a uns 30 quilômetros de La Paz, é uma verdadeira maravilha arqueológica. Menos procurado do que outros sítios famosos dos Andes, como Machu Picchu e todo o conjunto fabuloso de fortificações das imediações de Cuzco (Peru), como Sacsuyaman, Pizac, Ollantaitambo, oferece grandiosidade equivalente a todos eles. No entender de reputados pesquisadores, a construção de Tiahaunaco se situa numa época que antecede em muito aos outros monumentos megalíticos bolivianos e peruanos. Acham até que as grandiosas edificações teriam surgido antes das pirâmides do Egito e do México.

 A fabulosa “porta do Sol”, com incríveis frisos e imagens, focalizada em numerosas obras dedicadas à arqueologia e ao estudo de fenômenos transcendentes, é uma das manifestações arquitetônicas impactantes do lugar. Das escavações emergiu também uma cidadela impressionante, menos conhecida. Com a dimensão de quarteirão urbano amplo, é constituída de pátios espaçosos e rodeada de colunatas. Na parte externa, esculpidas na rocha, aparecem incontáveis efígies com características anatômicas humanas. Entre uma efígie e outra há sempre uma diferenciação morfológica. Um rosto achatado ali, um nariz pontiagudo aqui, uma orelha abanada adiante, um terceiro olho na testa noutro desenho, tudo trabalhado com requinte artístico. Na interpretação de alguns arqueólogos, o que vem projetado é um culto de povos primitivos aos seus deuses... Já as lendas aymaras falam de coisa bem diferente. A cidadela seria uma espécie de museu antropológico. As imagens retratariam seres representativos de civilizações que, em tempos recuados da história, povoaram aquelas bandas misteriosas de nosso planeta.

 Tem mais: os monumentos de Tiahuanaco pertenceriam, por suas características, a um instante da arquitetura diverso de outros monumentos, nos Andes, atribuídos ao engenho e arte da decantada civilização inca.

 

                     Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Enigmas de um planeta azul

 



 

                     ·        Cesar Vanucci

 

“Creio que fazemos parte de alguma coisa.” (Charles Fort, autor do “Livro dos Danados”)

 

Os enigmas são muitos. Estão em todos os cantos. Fora e dentro deste planeta azul. Acompanham a trajetória humana desde o começo dos tempos. Sugerem que a história deva ser dividida em dois tempos distintos. Os tempos conhecidos e os tempos desconhecidos. Falam, sim, de civilizações anteriores à nossa. Atiçam a imaginação das pessoas, estimulando-as a refletirem um pouco mais sobre a origem, o destino, a vocação da espécie. Egito, México, China, Índia, Camboja, Peru, Guatemala, Bolívia, Tibete exibem, para embevecimento e perplexidade geral, vestígios extraordinários, indecifráveis, insólitos, inexplicáveis de realidades de vida que teriam sido deixadas pra traz, não se sabe bem por quem, nem quando.

 Vou falar, aqui, por etapas, de alguns desses enigmas. Algumas poucas informações colhidas na condição de repórter interessado em temas ligados ao chamado Realismo Fantástico. Fruto de leituras e de visitas a lugares marcados por lendas e mistérios, onde a gente costuma se deparar sempre com mais perguntas a fazer do que com respostas a dar. Isso, por sinal, conduz ao Milan Kundera, autor da “Insustentável leveza do ser”, um belo livro que teve o mérito de inspirar, há tempos, um belo filme. As perguntas sem resposta, lembra-nos o autor, fixam o limite preciso da capacidade humana para conseguir entender o que rola ao redor.

Conto, em seguida, uma historieta que poderia intitular de “O “Brazil” dos fenícios”. Convido todos para uma chegadinha até o fabuloso museu do Vaticano. Este museu é depositário de uma sabedoria que remonta ao fundo dos tempos. Pesquisadores de alta reputação sustentam, com fervorosa convicção, que a liberação, para estudos, da volumosa documentação ali reunida poderia levar estudiosos nos diversos campos da ciência a revelações estonteantes sobre a fascinante aventura humana. Revelações que, provavelmente, concorreriam para alterar, de modo visceral, muitos conceitos consolidados da história.

Na mapoteca do museu, o visitante dá de cara, em dado momento, com uma amostra expressiva – que nos toca mais de perto, aos brasileiros – das tais revelações instigantes que se imagina existirem em profusão nos preciosos guardados milenares da instituição. Trata-se de um mapa de, aproximadamente, dois metros de comprimento por metro e meio de largura. O mapa estampa, com absoluta nitidez, os contornos litorâneos brasileiros. Tudo muito preciso, a começar do desenho correspondente a essa maravilha ecológica conhecida em nossos tempos pela denominação de arquipélago de Fernando de Noronha. Só que tem uma coisa pra lá de desnorteante. O mapa é datado de 1506. Isso mesmo! Peraí, teria sido elaborado por ignotos e diligentes cartógrafos seis anos após a chegada das naus de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro? Mais um dado perturbador. O nome “Brazil” (com “z” mesmo) está registrado na peça. Mas como? Na época – não é o que se conta nos livros de história? - ninguém, entre os descobridores, cogitou de dar à imensa e dadivosa terra incorporada aos domínios portugueses tal denominação! Ao enigma junta-se outra inesperada informação. É extraída de um livro que relata coisas que teriam acontecido em tempos sem registros na história dos homens. Os fenícios percorreram com assiduidade, há milênios, estas nossas vastidões territoriais descobertas em 1500. Batizaram então as terras visitadas com o nome de “Brazil”. A expressão, em seu idioma, quer dizer “terra do minério de ferro”.


Mentiras Cartográficas

 



                                                                                           *Cesar Vanucci

 

                                                                                                           "O mapa mente!"

                                                                                                 (Eduardo Galeano, escritor uruguaio)

  Confesso, honestamente, que nunca, jamais, em tempo algum, passou-me de leve pelo bestunto a estapafúrdia ideia de que o mapa-múndi utilizado em consultas, desde os começos escolares, seja inexato, incorreto nas proporções, oferecendo uma noção falsa, superavaliada, da grandeza geográfica dos países do chamado primeiro mundo. Provocado pelo que conta a respeito Eduardo Galeano no livro "De pernas pro ar – a Escola do mundo ao avesso", resolvi conferir e acabei me certificando, arregalado de espanto, que a revelação, denúncia, ou o que quer que seja a informação transmitida pelo escritor uruguaio, está absolutamente certa. A linha do equador não atravessa, realmente, a metade do mapa-múndi, como aprendemos na escola. O rei da geografia, como diz Galeano, está nu. E não é que isso já havia sido constatado, na moita, debaixo de silêncio sepulcral, há mais de meio século, por um cientista alemão de nome Arno Peters?

 

Mas o mais adequado nas circunstâncias é deixar a palavra escorrer pela boca do próprio escritor: "O mapa-múndi que nos ensinaram dá dois terços para o norte e um terço para o sul. (...) A Europa é mais extensa do que a América Latina, embora, na verdade, a América Latina tenha o dobro da superfície da Europa. A Índia parece menor do que a Escandinávia, embora seja três vezes maior.

 

Os Estados Unidos e o Canadá, no mapa, ocupam mais espaço do que a África, embora correspondam apenas a duas terças partes do território africano.”

 

Adotando-se a mesma perspectiva da análise de Galeano, dá pra ver que a configuração do Brasil, detentor da quarta ou quinta maior extensão territorial entre os demais países, está igualmente desproporcional no atlas.

 

Isso posto, qual a razão dessa desconcertante distorção da geografia e da história, há tantos anos ignorada ou tolerada? Galeano não deixa por menos: "O mapa mente! A geografia tradicional rouba o espaço, assim como a economia imperial rouba a riqueza, a história oficial rouba a memória e a cultura formal rouba a palavra.". Ele está a falar de um processo espoliativo incessante que tem como alvo os países do hemisfério sul. Um processo, como sabido e notório, inclemente do ponto de vista econômico e social com relação ao chamado mundo subdesenvolvido, vez por outra apelidado de terceiro mundo, onde se costuma aplicar também a classificação de "emergentes", a critério dos "donos do planeta", a um que outro país provido de potencialidades impossíveis de passarem, o tempo todo, despercebidas aos olhares mundiais.

Essa cabulosa história do atlas mundial mutilado deixa-nos com aquela mesma sensação de insuportável desconforto trazida, tempos atrás, pela revelação de que alguns livros didáticos em escolas de ensino fundamental nos Estados Unidos mostram a Amazônia brasileira como região sob controle internacional. Uma coisa parece ter tudo a ver com a outra coisa. O inacreditável, imoral e ilegal redimensionamento cartográfico há que ser visto como um instrumento a mais de irradiação de mensagens subliminares insistentes com propósitos que deixam sob ameaça, em seus direitos, sua cultura, soberania e integridade, os países da banda de cá do equador. Essa a leitura a extrair dos fatos. Melhor dizendo, dos mapas.

 

jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Roswell e fábula do besouro

 


                                  

Os discos não existem, mas continuam voando” (Brigadeiro Guedes Muniz, num encontro de Oficiais- Generais, em novembro de 1954)

 

 Nos artigos precedentes acerca do célebre “Incidente em Roswell” um marco histórico na crônica ufológica mundial. Aludimos ao significativo testemunho do médico Marcel Jr, filho do oficial Jesse Marcel, da Inteligência da Força Aérea Americana, personagem central da extraordinária ocorrência. Como já explicado, o filho do militar, ainda garoto em julho de 1947, confirmou o espantoso achado, pelos militares, num rancho localizado no deserto do Novo México, próximo à Base Aérea de Roswell. O achado em questão eram destroços de uma nave tripulada por estranhos seres de origem supostamente extraterrestre. O oficial levou para casa, mostrando aos familiares, fragmentos do material encontrado, uma liga metálica diferente de tudo quanto à tecnologia humana é capaz de conceber. Os fragmentos ostentavam insígnias desconhecidas. Até a sua morte em 2013, Jesse Marcel Jr. que ingressou na Marinha Americana, logrando alcançar a patente de Coronel, sustentou, inclusive em livro, a versão de que seu pai viu-se forçado, pelos superiores hierárquicos, a desmentir o comunicado inicial emitido em julho de 1947, sobre o conteúdo verdadeiro do material recolhido no rancho.  John Marcel, neto de Jesse Marcel, foi outro membro da família que adquiriu notoriedade como divulgador da história verdadeira, sem retoques e sem ludíbrios do acontecido. Como já contamos anteriormente, gravamos a mais de 20 anos, uma entrevista com Jesse Marcel Jr, levando-a ao ar no antigo CBH (Canal Belo Horizonte) no programa “Realismo Fantástico” ( que acumulou quase 400 apresentações sobre temas na linha exotérica). No depoimento, ele coloca tudo “em pratos limpos”, desfazendo a farsa do “balão metrológico”.

 

As circunstâncias que rodeiam o episódio de Roswell  atestam gigantesco empenho de alguns círculos superiores da cúpula da governança mundial em ocultarem da opinião pública a história real dos “discos voadores”.  Em que pesem os tremendos embaraços e obstáculos criados para eclipsar casos ufológicos de autenticidade comprovada, revelam-se bem numerosas as vozes poderosas e qualificadas que se contrapõe a esse negocionismo persistente quanto ao que veem acontecendo em escala crescente mundo afora.   

 

 Ocupo-me na sequência, ainda deambulando pelas paragens utilizadas pelos Óvnis em suas insólitas aparições, da fábula do besouro, contada pelo Brigadeiro Guedes Muniz. Como salientado pratrazmente, o Brigadeiro num encontro na Escola Superior de Guerra, por ocasião de  momentosa palestra do então Coronel João Adil de Oliveira, Chefe do Estado-Maior da FABE, reforçou os argumentos em favor da existência dos artefatos aéreos de origem não terrestre. Esta, a fábula: Caso é que os melhores especialistas em aeronáutica no mundo inteiro foram convocados a participar de um encontro com o fito de estudar a complexidade do sistema de voo do besouro. Examinaram com afinco a forma aerodinâmica do inseto, considerada tremendamente errada; sua superfície alar, espantosamente deficiente; sua potência para decolagem, reconhecidamente impossível. Depois de infinitos cálculos e demonstrações científicas exaustivas, chegaram à inabalável conclusão de que o besouro não tem condições, definitivamente, de voar. Mas como não se interessasse pelo conclave, não se inteirasse de suas doutas conclusões e nem, tampouco, acompanhe as notícias dos Jornais, o besouro continuou a voar. Com os “discos”, segundo o Brigadeiro, acontece o mesmo. Eles não existem, mas continuam voando.

 

 Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Disco voador, assunto sério.


                                                                                             *Cesar Vanucci

 

“O problema dos discos-voadores merece ser tratado com seriedade.”

(Brigadeiro João Adil de Oliveira)

 

O dia 16 de janeiro de 1958 ficou gravado de forma memorável por centenas de oficiais e marinheiros da Força Naval brasileira que participavam de manobras no litoral capixaba, imediações da Ilha da Trindade. Por volta das 16 horas, as atenções de todos se voltaram estrepitosamente à contemplação de um desconcertante espetáculo aéreo. Gigantesco objeto, de formato discoidal, promovia espantosa coreografia diante de extasiada plateia, militares na quase totalidade. As evoluções do aparelho desafiavam todas as leis conhecidas da física. A nave, de aparência metálica, não lembrava em nada nenhum tipo de artefato aéreo concebido pelo engenho humano.

 No convés do navio capitânea, o “Almirante Saldanha”, um fotógrafo profissional civil, Almiro Barauna, dedicava-se a documentar os exercícios navais em curso. Assestando o foco da objetiva no estranho aparelho, bem visível a olho nu, obteve estupenda sequência fotográfica, que acabou merecendo registro na crônica ufológica mundial como um dos mais extraordinários documentários pertinentes à presença dos óvnis na atmosfera terrestre. Com a circunstância, sumamente positiva, de encontrar respaldo num testemunho ocular irrefutável, numérica e qualitativamente da maior respeitabilidade. As fotos chegaram logo aos jornais e agências noticiosas, alcançando impactante ressonância mundial. A autorização para que fossem liberadas partiu do próprio Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, um estadista de mente aberta e visão de futuro. Decisão de caráter vanguardeiro. O Brasil notabilizou-se como o primeiro país a exibir, com a chancela oficial do governo, uma documentação nítida e incontestável das aparições dos misteriosos “objetos voadores não identificados”, de suposta origem extraterrena.

 O “Incidente de Trindade” está registrado como instante de alta relevância da participação militar nas investigações ufológicas. Sabe-se, com certeza, que anos antes a Aeronáutica já vinha se dedicando a estudos pertinentes ao enigmático tema. Conservo em arquivo uma sonora comprovação desse trabalho: cópia integral de impressionante depoimento: a conferência proferida, em 2 de novembro de 1954, na Escola Superior de Guerra, para plateia constituída por centenas de oficiais graduados das três Armas, pelo coronel aviador João Adil de Oliveira, à época chefe do Serviço de Informações do Estado Maior da Aeronáutica. Esse oficial, mais tarde promovido a Brigadeiro, ganhou notoriedade nacional, na década de 50, por haver presidido a Comissão Militar de Inquérito que apurou o atentado da rua Toneleros, em que foi assassinado o Major Vaz e saiu baleado o jornalista Carlos Lacerda. O dramático episódio, como se recorda, detonou a grave crise política culminada com o suicídio do Presidente Getúlio Vargas.

 O expositor proclamou, sem vacilações, que “o problema dos “discos-voadores” polariza a atenção do mundo inteiro, é sério e merece ser tratado com seriedade”. Disse mais: “os governos das grandes potências se interessam pelo problema e o tratam com seriedade e reserva, dado seu interesse militar.” Enumerou, com abundantes pormenores, instigantes ocorrências ufológicas e convincentes depoimentos de cientistas, pesquisadores e contatados. Após a conferência, foram apresentadas “algumas testemunhas de casos comprovados pelas investigações da Aeronáutica”.

 No fecho do encontro na Escola Superior de Guerra, o Brigadeiro Guedes Muniz, então presidente da ADESG, fez uma observação ultra intrigante. Aludindo às compreensíveis dificuldades confrontadas por técnicos e engenheiros militares em arriscar pareceres acerca da viabilidade técnica e científica “desses vagabundos do espaço”, ele recorreu a uma fábula que tem o besouro como personagem, “oportunamente será lembrada aqui”.

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Não estamos sós

 



                                                                                    *Cesar Vanucci

“Universo, irmão mal conhecido.”

(Jean Wahl, poeta, citado por Paulo Rónai)

 

A peregrinação terrena é tecida de infindáveis interrogações. As perguntas espocam em número infinitamente superior às respostas. Num contexto desses, de proporções inimagináveis, a ciência é gota. Os fenômenos investigados, na longa espera da decifração, são um oceano. 

No instante em que um telescópio super poderoso em matéria de propriedades tecnológicas apropriadas pelo homem dá-nos conta da existência provável, num ponto distante de outra galáxia, de um corpo celeste que ostenta características atmosféricas assemelhadas às desta nossa ilhota solta no oceano cósmico, é perfeitamente natural se reacenda a sempre momentosa discussão em torno da existência de vida inteligente nas demais paragens do universo. Embora intuída pela grande maioria das pessoas, a tese da pluralidade de mundos habitados não é oficialmente admitida pela ciência ortodoxa.

 Hoje já não seria bem assim. Mesmo levando em conta o patrulhamento ostensivo no campo das ideias praticado por certas correntes fundamentalistas radicais. Mas tempo houve em que as pessoas de mente aberta, resguardando-se de ameaças, trancavam a sete cadeados suas crenças em tão “sacrílega” hipótese.

 Protegiam-se, com justificáveis temores, das consequências práticas de situações em que ideias “tão extravagantes” pudessem vir a cair nos ouvidos de zelosos guardiães dos conhecimentos científicos e religiosos dogmaticamente enfeixados.

A ortodoxia científica, mesclada de fanatice religiosa, fixava conceitos inamovíveis. Contestá-los representava risco a que ninguém queria, obviamente, se expor. As proclamações de um luminar qualquer, revestido de pompa e autoridade, tinham força de mandamento divino. Ái de quem ousasse contradizer, por exemplo, a afirmação de que lá no inatingível ponto em que as águas do mar (povoadas de terríveis monstros) e o horizonte se fundem ficava a borda de um precipício aterrorizante! Ou a assertiva de que o sol e os demais corpos celestiais do firmamento giravam em torno da Terra!

 Retomemos o papo sobre a descoberta nos confins galácticos do astro de configuração parecida com a Terra. Muitas especulações começam, agora, a ser feitas a respeito da possibilidade de se abrigarem ali espécies de vida como as que conhecemos aqui. A inviabilidade da coleta de respostas a curto ou a médio prazo,  considerados sobretudo os milhares de anos-luz que separam um planeta do outro, gera logicamente outras elucubrações. Vamos supor que o local favoreça o desenvolvimento de uma civilização com as mesmas peculiaridades. A evolução tecnológica alcançada se situaria num estágio superior ou inferior ao nosso? Adiante.

 Mantenhamos sob mira a transformação assombrosa que este nosso mundo velho de guerra experimentou nos últimos 50 anos. Avaliação do que poderia vir a acontecer, em matéria de mudanças, num ciclo evolutivo de mil ou 2 mil anos a mais, remete-nos, naturalmente, a projeções e perspectivas fantásticas. Não apenas tão fantásticas quanto a gente consiga imaginar. Mas muito mais fantásticas do que a gente jamais conseguirá imaginar.

A ciência alega não dispor ainda de elementos para proclamar a existência de vida inteligente fora do orbe terráqueo. Sob esse aspecto, os estrondosos avanços tecnológicos espaciais valeram pouco. Continuamos, praticamente, a propósito, no mesmo patamar informativo científico dos remotos momentos da censura ameaçadora que impedia a discussão aberta, transparente, do apaixonante tema. Isso, todavia, não impede que muita gente, consciente de sua cidadania cósmica, em diferentes cantos desta imensa pátria terrena, vagando solta em mares intermináveis pontilhados por sextilhões ou mais até de astros - entre eles o tal planeta que guarda similitude com o nosso -, aceite pacificamente a ideia de que não estamos sós no universo.

 

Jornalista (Cantonius1@yahoo.com.br)

Voltando ao incidente em Roswell

    

                                                         *Cesar Vanucci

 

“filho e neto sustentam que o Major Jesse Marcel foi obrigado a negar que o OVNI era alienígena” ( em entrevista ao Daily Mail)

 

Como explicado pratrazmente, a avalancha noticiosa suscitada pelo “Incidente em Roswell”, as controvérsias inesgotáveis produzidas pelo desconcertante evento, tornando-o marco histórico na crônica ufológica, contribuíram grandemente para que se robustecesse na crença popular a ideia de que não estamos sós no universo.

 Acompanhemos o raciocínio. A terra da qual somos povoadores, representa uma minúscula ilha perdida numa vastidão oceânica repleta de inexplicabilidades, como sugere Aldus Huxley.  Não é crível admitir que todo o resto do infindável universo, composto de trilhões de corpos celestiais esteja deserto de vida inteligente. Nem será preciso ver para crer, não é mesmo?

 Na opinião de pesquisadores conceituados, as coisas em Roswell se passaram exatamente como foi registrado na versão do primeiro momento. A Força Aérea Americana recolheu destroços de uma nave não terrestre operada por algum tipo de inteligência possuidora de conhecimento tecnológico mais avançado, comparativamente com o saber científico dominante em nosso planeta. A hipótese de que o artefato misterioso transportava seres de aparência humanoide de baixa estatura, um deles recolhido ainda com vida, é sustentada com convicção em numerosos setores que se debruçaram freneticamente na coleta de depoimentos testemunhais e outros tipos de provas. As mesmas fontes garantem que o caso Roswell não foi o único do gênero. Nos Estados Unidos mesmo, bem como na Inglaterra, Alemanha e Rússia, autoridades militares se defrontaram com episódios parecidos ocultando-os da opinião pública com fajutos argumentos e ridículas farsas.  Entre os estudiosos merecedores de respeito, ha quem assegure que contatos de grau mais avançado já teriam ocorrido entre representantes das grandes potências com supostos habitantes das distantes estrelas. Num determinado momento isso virá a ser objeto de uma revelação oficial que, certeiramente produzirá impactos difíceis de serem avaliados à primeira vista.

 Roswell aconteceu há 73 anos. De lá para cá os registros dos chamados incidentes ufológicos cresceram espantosamente. A famosa “Área 51”, apontada como centro de operações ultrassecretas ligado a temática ufológica, abrigaria, presumivelmente, tudo quanto, em matéria de informação, cientistas e militares americanos conseguiram reunir, mundo afora, acerca dos discos voadores. Mas, - é bom anotar - assim como sucedeu com a história do “disco voador” de Roswell, a Área 51 não seria nada além de uma ficção criada pela imaginação dos ufólogos, a nos basearmos no que insistem em propagar as autoridades governamentais americanas.

 Retomando o “incidente em Roswell” propriamente dito, tenho a dizer ao distinto leitor que,  há mais de duas décadas num seminário sobre ufologia que reuniu especialistas internacionais, bati um papo a respeito do assunto, com ninguém mais, ninguém menos, do que Jesse Marcel Jr., exatamente, filho do Major Jesse Marcel, responsável pela histórica revelação da nave alienígena encontrada no deserto do Novo México. No antigo CBH (canal de Belo Horizonte), que já não mais opera divulguei o depoimento do filho sobre a descoberta do pai. Ele confirmou a história, com por menores. Jesse Marcel Jr. E Jesse Marcel Neto, pelo que pude acompanhar, tornaram-se divulgadores respeitados da fascinante saga ufológica, ajudando-nos a aceitar a teoria de que não estamos sós no universo.

 Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Incidente em Roswell

                   


  

 *Cesar Vanucci 

“A Força Aérea Americana recolheu os destroços de uma nave alienígena” (Manchete de jornal de Roswell , em 8 julho de 1947)

 

O “incidente em Roswell” é marco histórico na crônica ufológica mundial. É citado, a bem dizer, em todas as narrativas escritas e orais que se ocupam de esclarecer, com riqueza de detalhes o desconcertante enigma dos assim chamados “discos-voadores”.


 Roswell, no Novo México, Estados Unidos é uma localidade que abrigava, por volta de 1947, a mais importante Base da Força Aérea estadunidense. Dessa base decolaram as “fortalezas voadoras” que lançaram as bombas atômicas que puseram fim, com a destruição de Hiroshima e Nagasaki, à Segunda Guerra Mundial. Como sabido, a tragédia atômica forçou a rendição japonesa em 1945.

 Em julho de 1947 algo inusitado aconteceu na zona rural de Roswell, atraindo desde então os olhares mundiais para esse ponto distante da geografia Norte Americana. Um Rancheiro local, cavalgando por áreas de sua propriedade com o intuito de avaliar prováveis estragos provocados por  uma tempestade na noite anterior, deparou-se com estranhos fragmentos de metal espalhados por larga faixa do terreno. A primeira impressão era de que um objeto aéreo de enorme proporção houvesse sofrido uma queda, despejando destroços em quantidade. Alertado sobre a ocorrência pelo rancheiro, o xerife comunicou-se imediatamente com as autoridades da Base Aérea. Designado pelo comandante da Base para as averiguações que se impunham o Major Jesse Marcel, chefe de relações públicas, seguiu imediatamente para o local do incidente. Horas depois, o jornal de Roswell e as agencias noticiosas divulgaram a espantosa notícia de que a Força Aérea havia recolhido, pela primeira vez, fragmentos de uma nave misteriosa de origem extraterrestre.

 Começou ali perdurando até os dias de hoje uma das histórias mais fascinantes do fabuloso acervo de registros ufológicos reunido por pesquisadores, cientistas e militares. Um acervo que comporta discussões intermináveis, desfile de informações inesgotáveis, controvérsias ruidosas que fazem dos relatos sobre contatos imediatos de todos os graus com os chamados “discos-voadores”  tema apaixonante sem igual.

Uma surpresa aguardava o público que se inteirou, maravilhado, dos impressionantes fatos. Os superiores hierárquicos do Major Marcel determinaram que a fantástica notícia fosse modificada. Não, a força aérea não havia capturado destroços de uma nave de outro mundo. Os artefatos recolhidos eram apenas restos de um balão metrológico, simples assim. A informação vinha acompanhada de um pedido de desculpas pelo “equivoco”.

 É claro que a versão não colou. Na verdade acabou aguçando ainda mais a curiosidade popular estimulando pesquisas mais aprofundadas sobre o fato, coleta de depoimentos com o objetivo de provar que a Força Aérea Americana, por razões estratégias, optou por encobrir a verdade.

 Roswell rendeu vasto material de leitura, documentários televisivos sem conta, filmes e livros. Hollywood relatou a amargura vivida pelo Major Jesse Marcel diante da situação vexatória a que foi submetido com o desmentido determinado por seus superiores.

 A intensificação das pesquisas conduziu estudiosos à certeza de que ocorreu realmente o apresamento de restos de uma nave alienígena com tripulantes carbonizados. E à convicção também de que Roswell não foi o único caso desse gênero ocorrido no mundo.

Falarei mais sobre Roswell na sequencia, relatando inclusive um depoimento que coli do médico Jesse Marcel Jr., filho do Major.

  Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)  


E os juros não caem...

                                                  


                          *
Cesar Vanucci

 

"As altas taxas de juros exacerbam problemas das desigualdades sociais.”

 (Joseph Stiglitz, Nobel de economia).

 

1). De nada adiantam ponderações sensatas das autoridades competentes, manifestações críticas bem embasadas do meio político, alertas de gente do ramo das finanças públicas, apelos de lideranças e entidades que representam o pensamento das forças produtivas da Nação. De nada adianta tudo isso.  Embriagados pelo ópio da autossuficiência, os tecnocratas do Copam mantêm-se irredutíveis em seu arquiconservadorismo em termos de doutrina econômica. Desagradando parcelas majoritárias da sociedade, mas agradando exultante minoria de rentistas, resolvem manter inalterada a taxa básica de juros vigente na praça, ameaçando até – vejam só o tamanho do despropósito! – aumenta-la em futuro próximo, nada obstante sejam elas, como sabido e notório, as mais elevadas do mundo inteiro, valendo o dobro da segunda da lista.

Participando indoutrodia de um encontro promovido pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o Nobel de economia Joseph Stiglitz, classificou os juros oficiais praticados no Brasil de insultantes. Não houve quem discordasse. O empresário Josué Christiano Gomes da Silva, Presidente da FIESP ao referir-se aos juros chamou-os de pornográficos. A expectativa dos diligentes classistas, empresários e técnicos reunidos no conclave era no sentido de que, nos dias vindouros, o Copom caísse na real afastando-se de sua concepção ortodoxa de modo a injetar, com o recuo da taxa Selic um alento na economia. Isso, deploravelmente, não aconteceu. O posicionamento do Copom deu toque de maior dramaticidade às palavras do já citado Nobel de economia, Joseph Stiglitz quando afiança que o juro no Brasil é uma pena de morte, sendo impressionante como o país consiga sobreviver a isso.  É dele também, por sinal, a sugestiva observação de que “um Banco Central independente e com mandato só para inflação não é o melhor arranjo para o bem estar do país como um todo. As altas taxas de juros exacerbam problemas das desigualdades sociais.”  

 

2) Auxilio – Gabinete. Acredite se quiser! A Câmara dos Deputados oferece ajuda no valor de 40 mil reais a cada deputado que assume o cargo, para que coloque nos trinques seu gabinete. Garante, também, auxilio de valor equivalente ao parlamentar que esteja deixando a função para que desmonte sua sala de tralho. Já para os parlamentares reeleitos a ajuda é em dobro, 80 mil reais, de modo que os beneficiários da generosa norma arrumem, desarrumem, façam ou refaçam a seu gosto, o “layout” das dependências que lhes sejam reservadas. Dá procês?

 

3) Serviço de Inteligência. Os Serviços de Inteligência da Polícia Federal, da policia paulista e do Ministério Publico de São Paulo souberam agir com elogiável presteza e eficiência ao abortarem, numa diligencia fulminante ocorrida em Campinas, um plano para sequestro e assassinato de personalidades de realce na vida pública, entre eles o Senador Sérgio Moro. O plano foi arquitetado por facção de alta periculosidade do crime organizado, em represália a decisões judiciais que dificultaram, nos últimos tempos, contatos de chefões mafiosos encarcerados com seus comparsas fora dos presídios. Um procurador do estado de São Paulo foi quem obteve, no curso de uma investigação, a informação que chamou a atenção policial para o complô. A opinião pública permanece na expectativa de esclarecimentos mais detalhados da bem sucedida operação dos órgãos de segurança.

 4) Declarações de Lula. Lula resolveu, inopinadamente, dar uma de Bolsonaro. Alvejou, gratuitamente, em termos grosseiros, os Juiz e atual senador Sergio Moro. Conseguiu desagradar meio mundo, irritando adversários, desapontando simpatizantes, incomodando correligionários.. Pegou mal pacas...

 

 

Jornalista( cantonius1@yahooo.com.br)

Sinto muito, muito mesmo!

 


 Cesar Vanucci *

As criaturas estão no caminho entre o Nada e o Tudo.

Encontram o que está acima de todos (...) pela via da oração.”

(Alceu Amoroso Lima)

 

Ouvi a oração, um bocado de tempo atrás, numa representação teatral. Anotei na memória velha de guerra as ideias básicas contidas no sugestivo recitativo. Resolvi aqui reproduzi-lo. Não tenho dúvida quanto à fidelidade aos conceitos. Mas, não consigo garantir o mesmo quanto à qualidade da reprodução. Peço a todos, por isso, que levem em conta a (boa) intenção.

 Estou falando de uma mensagem havaiana de cunho religioso. Lembra a arrebatante Oração de Francisco de Assis, na parte em que exorta as pessoas ao exercício do perdão. Perdão concebido, numa e noutra prece – claro está - dentro da perspectiva da humildade, “base e fundamento de todas as virtudes”, sem a qual “não há nenhuma virtude que o seja”, como atesta Cervantes.

 Por atravessarmos época pra lá de conturbada, carregada de tensões oriundas do ódio, intolerância, injustiça social,  propicias por tudo isso a reflexões acerca do sentido da aventura humana, considerei de oportunidade compartilhar essa oração com os amáveis leitores.

 O texto que dei conta de rememorar diz (mais ou menos) o que vem alinhado na sequência. Sinto muito, muito mesmo, por tudo aquilo que, partindo de mim, haja provocado, em qualquer época e qualquer lugar, sofrimento, decepção, frustração, ira, desalento, perturbação, contrariedade em pessoas de meu ambiente familiar; em pessoas de meu círculo afetivo; em pessoas de minhas ligações profissionais; em homens e mulheres, adultos e jovens, conhecidos ou desconhecidos, que cruzaram meus caminhos no curso desta caminhada pela pátria terrena. Sinto muito, sinceramente, por tudo aquilo que, em decorrência de atos ou palavras de minha autoria, possa ter dado causa a reações de pessoas de minha roda familiar, de minha esfera afetiva, nas minhas vinculações profissionais e comunitárias, que despertassem em mim rancor, tristeza, inconformismo, irritação, desejos de vingança. Rogo da Suprema Divindade que transmute todas essas emoções negativas em energias positivas. Energias que tenham o mérito de comunicar sensações de bem-estar e conforto a todos e que possam contribuir para a construção de relacionamentos humanos harmoniosos, fraternais e duradouros.

 Eu sinto muito por tudo isso. Peço, humildemente, perdão por todas as reações desagradáveis que, consciente ou inconscientemente, ajudei a fomentar na convivência com os semelhantes.

 Escancaro o coração à prática do amor, da fraternidade, da solidariedade e agradeço, reverentemente, por esta chance de poder lamentar, pedir perdão e exprimir o avassalador sentimento de mundo que me invade a alma.

 Não resisto, por último, à tentação de pedir a atenção dos leitores para algo que, certamente, não lhes passa desapercebido todas as vezes em que tomam conhecimento, como agora no caso desta oração do Havaí, de uma forma de diálogo com o Absoluto nascida de concepção cultural da vida diferenciada da nossa. No fundo, independentemente de tempo e lugar, o que dá pra perceber é que a linguagem é sempre igual. Os cânticos de louvor ao Altíssimo alcançam sempre o entendimento universal. Brotam dos mais generosos impulsos da alma humana. Revelam que os homens, não importam a etnia, o idioma, o lugar em que vivem, os hábitos, são na essência tremendamente parecidos.

 

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

 

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