segunda-feira, 3 de abril de 2023

E os juros não caem...

                                                  


                          *
Cesar Vanucci

 

"As altas taxas de juros exacerbam problemas das desigualdades sociais.”

 (Joseph Stiglitz, Nobel de economia).

 

1). De nada adiantam ponderações sensatas das autoridades competentes, manifestações críticas bem embasadas do meio político, alertas de gente do ramo das finanças públicas, apelos de lideranças e entidades que representam o pensamento das forças produtivas da Nação. De nada adianta tudo isso.  Embriagados pelo ópio da autossuficiência, os tecnocratas do Copam mantêm-se irredutíveis em seu arquiconservadorismo em termos de doutrina econômica. Desagradando parcelas majoritárias da sociedade, mas agradando exultante minoria de rentistas, resolvem manter inalterada a taxa básica de juros vigente na praça, ameaçando até – vejam só o tamanho do despropósito! – aumenta-la em futuro próximo, nada obstante sejam elas, como sabido e notório, as mais elevadas do mundo inteiro, valendo o dobro da segunda da lista.

Participando indoutrodia de um encontro promovido pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o Nobel de economia Joseph Stiglitz, classificou os juros oficiais praticados no Brasil de insultantes. Não houve quem discordasse. O empresário Josué Christiano Gomes da Silva, Presidente da FIESP ao referir-se aos juros chamou-os de pornográficos. A expectativa dos diligentes classistas, empresários e técnicos reunidos no conclave era no sentido de que, nos dias vindouros, o Copom caísse na real afastando-se de sua concepção ortodoxa de modo a injetar, com o recuo da taxa Selic um alento na economia. Isso, deploravelmente, não aconteceu. O posicionamento do Copom deu toque de maior dramaticidade às palavras do já citado Nobel de economia, Joseph Stiglitz quando afiança que o juro no Brasil é uma pena de morte, sendo impressionante como o país consiga sobreviver a isso.  É dele também, por sinal, a sugestiva observação de que “um Banco Central independente e com mandato só para inflação não é o melhor arranjo para o bem estar do país como um todo. As altas taxas de juros exacerbam problemas das desigualdades sociais.”  

 

2) Auxilio – Gabinete. Acredite se quiser! A Câmara dos Deputados oferece ajuda no valor de 40 mil reais a cada deputado que assume o cargo, para que coloque nos trinques seu gabinete. Garante, também, auxilio de valor equivalente ao parlamentar que esteja deixando a função para que desmonte sua sala de tralho. Já para os parlamentares reeleitos a ajuda é em dobro, 80 mil reais, de modo que os beneficiários da generosa norma arrumem, desarrumem, façam ou refaçam a seu gosto, o “layout” das dependências que lhes sejam reservadas. Dá procês?

 

3) Serviço de Inteligência. Os Serviços de Inteligência da Polícia Federal, da policia paulista e do Ministério Publico de São Paulo souberam agir com elogiável presteza e eficiência ao abortarem, numa diligencia fulminante ocorrida em Campinas, um plano para sequestro e assassinato de personalidades de realce na vida pública, entre eles o Senador Sérgio Moro. O plano foi arquitetado por facção de alta periculosidade do crime organizado, em represália a decisões judiciais que dificultaram, nos últimos tempos, contatos de chefões mafiosos encarcerados com seus comparsas fora dos presídios. Um procurador do estado de São Paulo foi quem obteve, no curso de uma investigação, a informação que chamou a atenção policial para o complô. A opinião pública permanece na expectativa de esclarecimentos mais detalhados da bem sucedida operação dos órgãos de segurança.

 4) Declarações de Lula. Lula resolveu, inopinadamente, dar uma de Bolsonaro. Alvejou, gratuitamente, em termos grosseiros, os Juiz e atual senador Sergio Moro. Conseguiu desagradar meio mundo, irritando adversários, desapontando simpatizantes, incomodando correligionários.. Pegou mal pacas...

 

 

Jornalista( cantonius1@yahooo.com.br)

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