segunda-feira, 8 de maio de 2023

Enigmas de um planeta azul

 



 

                     ·        Cesar Vanucci

 

“Creio que fazemos parte de alguma coisa.” (Charles Fort, autor do “Livro dos Danados”)

 

Os enigmas são muitos. Estão em todos os cantos. Fora e dentro deste planeta azul. Acompanham a trajetória humana desde o começo dos tempos. Sugerem que a história deva ser dividida em dois tempos distintos. Os tempos conhecidos e os tempos desconhecidos. Falam, sim, de civilizações anteriores à nossa. Atiçam a imaginação das pessoas, estimulando-as a refletirem um pouco mais sobre a origem, o destino, a vocação da espécie. Egito, México, China, Índia, Camboja, Peru, Guatemala, Bolívia, Tibete exibem, para embevecimento e perplexidade geral, vestígios extraordinários, indecifráveis, insólitos, inexplicáveis de realidades de vida que teriam sido deixadas pra traz, não se sabe bem por quem, nem quando.

 Vou falar, aqui, por etapas, de alguns desses enigmas. Algumas poucas informações colhidas na condição de repórter interessado em temas ligados ao chamado Realismo Fantástico. Fruto de leituras e de visitas a lugares marcados por lendas e mistérios, onde a gente costuma se deparar sempre com mais perguntas a fazer do que com respostas a dar. Isso, por sinal, conduz ao Milan Kundera, autor da “Insustentável leveza do ser”, um belo livro que teve o mérito de inspirar, há tempos, um belo filme. As perguntas sem resposta, lembra-nos o autor, fixam o limite preciso da capacidade humana para conseguir entender o que rola ao redor.

Conto, em seguida, uma historieta que poderia intitular de “O “Brazil” dos fenícios”. Convido todos para uma chegadinha até o fabuloso museu do Vaticano. Este museu é depositário de uma sabedoria que remonta ao fundo dos tempos. Pesquisadores de alta reputação sustentam, com fervorosa convicção, que a liberação, para estudos, da volumosa documentação ali reunida poderia levar estudiosos nos diversos campos da ciência a revelações estonteantes sobre a fascinante aventura humana. Revelações que, provavelmente, concorreriam para alterar, de modo visceral, muitos conceitos consolidados da história.

Na mapoteca do museu, o visitante dá de cara, em dado momento, com uma amostra expressiva – que nos toca mais de perto, aos brasileiros – das tais revelações instigantes que se imagina existirem em profusão nos preciosos guardados milenares da instituição. Trata-se de um mapa de, aproximadamente, dois metros de comprimento por metro e meio de largura. O mapa estampa, com absoluta nitidez, os contornos litorâneos brasileiros. Tudo muito preciso, a começar do desenho correspondente a essa maravilha ecológica conhecida em nossos tempos pela denominação de arquipélago de Fernando de Noronha. Só que tem uma coisa pra lá de desnorteante. O mapa é datado de 1506. Isso mesmo! Peraí, teria sido elaborado por ignotos e diligentes cartógrafos seis anos após a chegada das naus de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro? Mais um dado perturbador. O nome “Brazil” (com “z” mesmo) está registrado na peça. Mas como? Na época – não é o que se conta nos livros de história? - ninguém, entre os descobridores, cogitou de dar à imensa e dadivosa terra incorporada aos domínios portugueses tal denominação! Ao enigma junta-se outra inesperada informação. É extraída de um livro que relata coisas que teriam acontecido em tempos sem registros na história dos homens. Os fenícios percorreram com assiduidade, há milênios, estas nossas vastidões territoriais descobertas em 1500. Batizaram então as terras visitadas com o nome de “Brazil”. A expressão, em seu idioma, quer dizer “terra do minério de ferro”.


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