sábado, 7 de maio de 2022

 Pesquisas, articulações e eleições

 

Cesar Vanucci

 

“Política é uma arte cheia de surpresas e sutilezas”.

(Antônio Luiz da Costa, educador)

 

Como diz o outro, uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. Pesquisa eleitoral é uma coisa. Eleição, outra coisa. As pesquisas sobre intenção de votos refletem tendência de um momento determinado, estando sujeitas, por força de variadas contingências, a serem alteradas no curso de uma caminhada pré-eleitoral. As eleições, traduzindo decisão amadurecida representa a palavra final, a vontade popular suprema e o processo político de escolha dos governantes. Os resultados das pesquisas, em boa (talvez a maior) parte das vezes podem exprimir números que acabam sendo confirmados nas urnas eletrônicas. Mas acontece, também, conforme as circunstâncias, essa confirmação não ocorrer. Um exemplo eloquente do que acaba de ser dito aconteceu no pleito que resultou na eleição, anos atrás, de Célio de Castro à Prefeitura de Belo Horizonte. Até o dia da votação as pesquisas apontavam como inevitável sua derrota. Mas ele acabou triunfando em todas as seções eleitorais.

 

Na atualidade, todos os institutos empenhados em consultas sobre as preferências dos eleitores com relação ao pleito de outubro vindouro apontam a possibilidade de Luiz Ignácio Lula da Silva retornar à presidência do Brasil, em disputa polarizada com o atual mandatário Jair Messias Bolsonaro. Nessas consultas por amostragem, as perspectivas de êxito do candidato petista contemplam sempre 1º e 2º turnos. Na realidade, o quadro de candidatos ainda não está totalmente definido. Um conjunto de agremiações partidárias, envolvendo entre outras o PMDB e o PSDB, promove articulações em torno da hipótese de lançamento de uma candidatura comum que possa constituir, segundo admitem esses núcleos políticos, uma terceira via capaz de enfrentar a polarização à vista entre Lula e Bolsonaro. E existe ainda, correndo, como se diz, por fora, classificado nas pesquisas em terceiro lugar o candidato do PDT, ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes. Como se vê, em meio às pesquisas em curso há muita confabulação, articulação, negociação rolando no espaço político, não se pode perder de vista que política é um jogo astucioso repleto de manobras desconcertantes, sutilezas e surpresas. Os sinais são de que há ainda um bom volume de água escorrendo por debaixo da ponte. Esperar pra ver no que vai dar tudo isso.

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