sexta-feira, 5 de setembro de 2014


Eternamente Zélia

Cesar Vanucci*


“Posso afirmar que um dos seres humanos que mais me tocaram e me acresceram na vida, ensinando-me a servir despretensiosamente foi ela, Zélia de todos nós”. (Antônio Sores Dias, ex-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais).

O escritor Vicente Muzinga Oliveira reuniu, com arte e engenho, mais de uma centena de depoimentos sobre a vida e obra de Zélia Savala Rezende Brandão, enfeixando-os num livro precioso, sugestivamente intitulado “Eternamente Zélia”. A bela ilustração da capa ficou por conta da pintora Esthergilda Menicucci. As páginas da publicação narram com fotos e abundantes informações a trajetória da mentora do famoso Grupo Científico Ramatis. O lançamento do livro ocorreu numa concorrida festa litero-musical na Assembleia Legislativa de Minas Gerais no último dia 20 de agosto.
Texto de minha autoria – “Esta obreira de Deus de nome Zélia” – figura entre os depoimentos. Eis o que registrei.

Inserido sutilmente em nossa esfuziante aventura do cotidiano, existe um mundo fascinante, povoado de percepções transcendentes. Deste mundo fazem parte seres humanos muito especiais. Gente provida de dons singulares que atingiram patamar superior na escala da evolução espiritual. Vejo-os, de mim para comigo, como obreiros de Deus. Despertam onde atuam irradiante simpatia, sentimentos de apreço bastante carinhosos, revestidos de certo toque reverencial. Enxergam as pessoas e situações à sua volta com olhares de enternecido amor. Como são relativamente poucos, não fica assim tão difícil distingui-los em meio às multidões, por conta de suas ações criativas, suposições audaciosas e propostas de transmutação humana.

Honrado com o convite para juntar depoimento pessoal a um documentário sobre a doutora Zélia Savala Rezende Brandão, elaborado por grupo de amigos e admiradores de sua fecunda obra, não vacilo, um instante sequer, em reconhecer na história da personagem mencionada os sinais indicativos de um desses obreiros de Deus.

Agindo no território dos labores mágicos, deixando à mostra extraordinária sutileza de espírito e infinita delicadeza, dona Zélia percorre os caminhos que conduzem aos mistérios da mente, aos segredos das energias, na busca de sincronia entre os planos humano e espiritual da existência. É mentora do Grupo Cientifico Ramatis, organização espiritualista e assistencial que desenvolve programa de enorme alcance humanitário nos setores da ciência e da sociologia. Os estudos teóricos experimentais e práticos da parapsicologia ali realizados são voltados para a expansão da solidariedade social e do amor universal. Sob a clarividente liderança dessa médica e humanista, especialistas em medicinas alternativa e tradicional, muitos deles “seus filhos” por adoção afetiva, todos voluntários, entregam-se com dedicação a edificante trabalho coletivo em favor dos excluídos sociais. Conservam-se fiéis à sábia lição popular de que a serenidade de Deus está presente nas coisas que as pessoas realizam em conjunto. Asseguram suporte técnico e administrativo nas clínicas alopáticas, homeopáticas, psicológicas e de massoterapia; na farmácia bem sortida de recursos fitoterápicos, nas creches em que centenas de garotos desfrutam de uma condição social saudável. As massagens, aplicadas em volume considerável, proporcionam aos pacientes benéfica terapia energética. Todo esse portentoso complexo de serviços, desdobrados em diligências diuturnas, é complementado por ações permanentes de coleta e doações de bens de utilidade para encaminhamento a pessoas carentes. Valendo-se de núcleos operacionais externos, bastante ativos, o Grupo Ramatis estende ramificações a outras paragens brasileiras e do exterior.

À frente da grandiosa obra, no afã febricitante de semear benefícios à mancheia, dra. Zélia projeta a nobreza espiritual do Ramal. A expressão de soberana bondade e soberana sabedoria do Ramal, com sua concepção mágica da vida.

Possuidora de dinamismo dir-se-á místico, dra. Zélia utiliza as vibrações positivas para promover equilíbrio e harmonização na convivência comunitária.

Em sua ilimitada capacidade de doação ao próximo, cumprindo vocação pode-se dizer messiânica, abre portais que acessam conhecimentos transcendentes. Encoraja criaturas de boa vontade, sequiosas de saberes essenciais, a aprenderem explorar os territórios desconhecidos dentro e ao redor do homem, ajudando-as a desempenhar seu papel no palco da vida num mundo em efervescente transformação.

São copiosos os frutos colhidos ao longo de tão prodigiosa empreitada. Está lá no Evangelho: frutos fadados a permanecer.




Eleição e pesquisa

Cesar Vanucci*


Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”.
 (Do fraseado das ruas).



Trato aqui de eleição e de pesquisa eleitoral. Estou calvo de saber que, embora façam parte de um mesmo contexto, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Pesquisa é prognóstico. Aponta tendência de momento, sujeita a chuvas e trovoadas, algo que poderá vir a acontecer.  Eleição é ação consumada, fava já contada, inhambu no embornal, temperatura já definida. Pode ser que os números apurados numa e noutra situação sejam coincidentes. Mas também pode ser que não seja. Registros históricos falam disso.
Dou exemplo. Quando o Célio de Castro tornou-se Prefeito de Belo Horizonte, a discrepância entre as previsões de votos e os votos efetivamente depositados nas urnas foi atordoante. No dia da eleição, as manchetes trombeteavam que seu principal contendor estava com a vitória assegurada. Não estava. Célio levou a melhor praticamente em todas as urnas. Esse fato por si só, bem como episódios análogos transcorridos noutras ocasiões, não são de molde a desqualificar, jeito maneira, as pesquisas. Nem, tampouco, colocam sob suspeição o trabalho dos institutos que as promovem. As coletas de dados, ao que atestam especialistas da matéria, são concebidas com técnica profissional e cientifica consagrada. As observações registradas por muitos a respeito da circunstância de nunca terem sido consultados, nem de haverem conhecido alguém que tenha sido abordado para opinar não se revestem de significado maior quando se conserva sob mira a dimensão do universo potencialmente disponível para entrevistas.
As pesquisas integram, visto está, o jogo eleitoral. Projetam periodicamente inclinações de voto que permitem aos candidatos azeitarem as campanhas. Desempenham, por conseguinte, papel de razoável significação na vida democrática. Nas ditaduras, elas não passam de estrondosos blefes perpetrados pelos donos do poder. O Egito e a Síria, recém-saídos de “eleições”, são amostras elucidativas de como se desenvolve nos regimes despóticos o processo da consulta prévia aos eleitores. Na pátria dos “faraós fardados”, a pesquisa de boca de urna apontou quase 100% de preferência para o general que veio a ser “eleito”. O resultado não seria menos espantoso se o índice houvesse alcançado extravagantemente outro patamar. Digamos, 125%. Nos domínios de Bashar al Assad, em que vimos o “candidato opositor” recomendar enfaticamente, numa proclamação aos votantes na véspera do pleito, que apoiassem o tirano sírio, concorrente ao cargo pela enésima vez, o “boca de urna” foi um tiquinho mais comedido. A preferência pelo “eleito” roçou os 90%.
Retomando as pesquisas dentro do figurino democrático.  Há que se chamar atenção para a circunstancia de que os institutos empregam metodologias diferenciadas nas apurações dos dados, o que pode levar, algumas vezes, a índices desencontrados. Uma demonstração de ocorrências desse gênero é extraída de recentes consultas procedidas por três qualificados órgãos que atuam no ramo das pesquisas. Concernentemente a um mesmo item proposto a eleitores que ainda não haviam definido preferencia por candidatos, o Ibope, a Vox Populi, a Datafolha colheram, respectivamente, as respostas na sequência reproduzidas: 1) “ninguém, branco e nulo” – 17%, 7%, 4%; 2) “não sabe, não respondeu” – 39%, 67%, 46%. As divergências, então apontadas, comprovam a diversificação de critério, ajudando-nos a compreender porque pesquisa é pesquisa e eleição é eleição.


 Ditos ligeiros
Cesar Vanucci*

“Não troco meu “oxente” pelo “ok”
de ninguém”. (Ariano Suassuna)


·     A inteligência brasileira em pranto. “Partiram primeiro” (lembrando Camões) Ariano Suassuna, João Ubaldo, Rubem Alves. Um trio de bambas no ofício de fazer jorrar das palavras instantes de beleza e sabedoria. Na fecunda obra de cada qual se revelam presentes vestígios de aprofundada conexão do artista com o sentimento de mundo, além de transbordante e contaminante identificação com o sentimento nacional mais entranhado.


·     O cinquentenário da morte Ary Barroso e o centenário de nascimento de Dorival Caymmi estão sendo lembrados neste momento. Oportunidade esplêndida para que os apreciadores da boa música, daqui e de qualquer lugar do mundo, possam revisitar a fabulosa obra desses dois ícones da arte mais autentica e representativa da cultura nacional. Bastaria a “Aquarela do Brasil”, nosso segundo hino nacional, para garantir a Ary a condição de gênio. Mas o mineiro de Ubá, com inconfundível talento, deixou centenas de outras preciosidades. O baiano Dorival, que optou por morar em Minas alguns anos de sua criativa existência, é também outro patrício com marca reluzente na historia artística. “O que é que a baiana tem?” encabeça a lista interminável dos clássicos que deixou. Tratemos de reverenciá-los com carinho.


·     Sequestro do jovem soldado israelense foi o pretexto encontrado recentemente para a interrupção de uma das breves tréguas acertadas no conflito sem fim com o recomeço da destruição, a tiros de canhão e bombas despejadas de aviões, de casas, escolas, asilos, hospitais no gueto conhecido por Gaza. O governo estadunidense e a ONU, repercutindo denuncia dos dirigentes de Telavive, acusaram então os autores da alardeada abdução de crime hediondo, exigindo a libertação imediata da vítima. Só que, de repente, não mais do que de repente, descobriu-se que o militar desaparecido não havia sido sequestrado coisíssima nenhuma, em momento de trégua negociada. Lamentavelmente, havia perdido a vida preciosa em combate. E agora José? Como continuar dormindo com um bombardeio desses?

·     Não é necessário grande esforço para admitir que Dilma Rousseff tá com a razão. Diz ela: - “Há hoje, de forma deliberada um processo de criação de expectativas negativas, extremamente nocivas para o país, tal como aconteceu na Copa”. Falar verdade, isso não é nada bom para o Brasil.

·     Ouço dizer que o Clube Atlético Mineiro prepara o lançamento de um projeto de construção de um grande estádio em Belo Horizonte.  Com o majestoso Mineirão e a imponente arena do Horto será que faz algum sentido um empreendimento dessa envergadura? Na hipótese de que os recursos existam ou possam vir a ser levantados para uma empreitada dessas, por que não carreá-los para iniciativas que atendam melhor as necessidades da gloriosa agremiação e sirvam melhor o interesse futebolístico brasileiro?






segunda-feira, 1 de setembro de 2014


Bolsa, Seleção, Clubes

Cesar Vanucci*

“As “razões” da Bolsa são puro “non sense””.
(Domingos Justino, educador)


A tchurma responsável pelo jogo especulativo da Bolsa de Valores é composta de galhofeiros de marca. Vive gozando a cara da patuleia ignara, entre um ganho polpudo e outro mais polpudo em suas nebulosas operações. Operações - saliente-se de passagem - ininteligíveis à compreensão dos meros mortais. As “explicações” fornecidas sobre as “razões” das “quedas” e “altas” dos papeis, objeto de manipulações diuturnas, são prova cabal do que se está falando. Pego aqui, ao acaso, o registro da rodada de negócios de um dia qualquer. O “recuo” nas pontuações foi “provocado” por tensões da insolúvel encrenca ucraniana e por algumas frases extraídas do discurso de um cara qualquer do Banco Central dos Estados Unidos. Quem se desse ao trabalho de acompanhar os capítulos dessa “comédia” perpétua de embromações poderia perfeitamente defrontar-se com o anúncio de “outros fatores” como “justificativa” da “queda” do índice da Bolsa no mesmíssimo dia. Por exemplo: uma invasão urbana de bichos silvestres escorraçados por incêndio florestal na Nova Guiné, ou a demora num eventual acordo de não beligerância entre tribos de esquimós no Alasca. É de lascar. Mas é assim que funciona, pra gaudio da tchurma.
O “non sense” das coisas vividas na Bolsa foi mostrado de forma magistralmente bem humorada num filme antológico do inigualável Peter Sellers, intitulado “Muito além do jardim”, dirigido por Hal Ashby.

Convocação frustrante. A primeira convocação de Dunga foi pra lá de frustrante. Que historia mais desenxabida essa aí da inclusão na lista de jogadores comprometidos até a medula com o vexame do 7 a 1? Façam-me o favor. O argumento de que esses jogadores adicionam experiência ao grupo é por demais fajuto. Não convence o mais ingênuo e crédulo torcedor. A expectativa geral à volta do anúncio referente às recentes convocações centrava-se numa mudança ousada. Numa proposta remoçante. Esperava-se fossem chamados atletas exclusivamente ligados a torneios brasileiros. O desejo de quase todo mundo era de que a assim chamada “legião estrangeira” fosse devidamente escanteada. Se o critério dominante nas aspirações das torcidas tivesse prevalecido daria perfeitamente bem para que fosse testado um punhado de jogadores promissores. Atletas mais identificados com a realidade sócio-cultural-esportiva brasileira. Com foco nos times mineiros, poderiam ter sido lembrados, além de Everton Ribeiro, Diego Tardelli e Ricardo Goulart, os goleiros Vitor e Fábio, iniludivelmente os melhores na posição, e o zagueiro Dedé. (E isso aí sem cogitar da hipótese de que o treinador poderia também, por óbvios motivos, ter saído do futebol mineiro. É só por tento no que anda aprontando o Marcelo de Oliveira). Só não enxerga mesmo quem não quer. Com base unicamente em craques escolhidos nos campeonatos em curso no país, um treinador realmente capacitado, mente aberta, esmerando-se na preparação técnica e física dos elementos recrutados, encontra ao seu dispor recursos plenos para montar pelo menos dois escretes em condições mais favoráveis de representar-nos nas competições do que aquela seleção de araque constituída  de deslumbrados “garotos-propaganda de tevê”, comandados por técnicos ultrapassados, que protagonizou o maior fiasco de todos os tempos da crônica esportiva nacional.


Marca registrada da cartolagem. A Lei de Responsabilidade Fiscal, defendida pelo Bom Senso Futebol Clube e por um bocado de gente interessada na evolução dos métodos operacionais do futebol brasileiro, precisa sair logo das cogitações generosas para virar realidade. A colossal dívida contraída pelos clubes, em sua inaceitável sonegação fiscal, representa dado assaz revelador da urgência que a adoção da medida tanto reclama. Pelo noticiário esportivo de cada dia inteiramo-nos, incessantemente, que a estroinice é marca registrada da cartolagem na gestão dos negócios do futebol.




  Filme de pavor

Cesar Vanucci *

"Comparados com os filmes de agora, os filmes de  pavor de outrora provocam bocejos e tédio nos meninos do pré-escolar."
(Josefina Cantidio, professora )

Vasculhando as ladeiras da memória, deparo-me com as imagens de um filme visto quando tinha entre 9 e 10 anos de idade, no cine Royal, em Uberaba. Consegui driblar, naquele dia, a implacável vigilância do comissário de menores. Vetado para menores de 14 anos, o filme tinha por título "O Polvo". Animo-me a toma-lo como o primeiro momento de pavor de que tive real consciência.

A ação se passava numa ilhota perdida na imensidão oceânica. Havia um farol operado por duas pessoas. O bicho que dava título à fita era de tamanho descomunal. Ameaçava, tetricamente, com seus gigantescos tentáculos, os moradores da ilha. Fiquei um bom tempo assombrado com aquelas cenas arrepiantes. Imagino que, concebido artesanalmente, em branco e preto, utilizando parcos recursos cenográficos e efeitos especiais paupérrimos condizentes com a tecnologia da época, o celuloide não conseguiria arrancar hoje, de uma criança da mesma idade, nada além de um bocejo e olhar de enfado.

O mundo mudou e o cinema com ele mudou também. As crianças de agora são bombardeadas diuturnamente por diferentes versões de terror, brotadas menos da ficção e muito mais de uma realidade cruel, que permite sejam os horizontes infantis na convivência social incessantemente alargados. O pavor para elas, como para os adultos, deixou de ser esporádico. Não carece ser alimentado apenas pela fantasia literária. Adquiriu múltiplas facetas. Sofisticou-se, se é que assim se pode dizer. Passou a ocupar espaço permanente na aventura cotidiana. Povoa as ruas. É trazido bruscamente pra dentro dos lares. Banalizou-se, sem deixar, contudo, de produzir impactos nunca vistos em extensão e intensidade em qualquer outro período da história.

Das guerras de antigamente – como as de agora e as de sempre, abomináveis – ouvia-se falar coisas arrepiantes. Mas já os aspectos chocantes dos entreveros belicosos destes nossos dias, incomparáveis em ferocidade e destruição, costumam ser vistos quase que ao mesmo tempo e hora em que ocorrem. E isso por conta de sistemas tecnológicos avançadíssimos, direcionados a campos de batalha ao invés de serem destinados a espaços onde as pessoas de boa vontade se esforçam por construir o bem estar humano.

As cenas de tortura de prisioneiros no Iraque, na Síria, na Líbia, na Somália, no Afeganistão e noutras paragens conturbadas, as notícias sobre crueldades aplicadas pelos russos na Chechênia, por militares americanos aos reclusos em Guantánamo - alguns deles, como já ficou documentado, detidos por engano no Afeganistão -, os carros e os homens bombas que executam ensandecidas tarefas em tantos lugares, os massacres em Gaza, a guerra fraticida na Síria são sinais do pavor interminável dessa beligerância envolvendo países, etnias e crenças radicais que a insânia humana se esmera em espalhar.

Agreguem-se a elas as cenas dos corpos estraçalhados pelas ações terroristas, os edifícios destruídos com gente dentro nas rotineiras retaliações a terroristas e presumíveis colaboradores, as informações e imagens sobre sequestros, fome, pandemias que grassam em regiões miseráveis e alguns filmes modernos de pavor e ter-se-á configurado o quadro de horrores da hora presente. É um quadro composto de lances de tal perversidade que acaba fazendo de uma nova projeção de "O Polvo", aqui e agora, certeiramente, uma distração inocente, inofensiva, sem recomendação de censura para guris entre a fase da desamamentação e o pré-escolar. Tá danado.


sexta-feira, 22 de agosto de 2014




Internet, prodígios e problemas


Cesar Vanucci*

“Abominável!” (Ministro Gilberto Carvalho, sintetizando o caso da adulteração dos perfis de jornalistas na Wikipédia).


Esse caso das adulterações nos perfis de jornalistas na Wikipédia não pode deixar de ser devidamente investigado. O autor da mesquinha ação, visivelmente executada com o intuito de desqualificar o trabalho profissional e a conduta social das vitimas, precisa ser identificado e punido. O que ocorreu, conforme irretocável definição do Ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, foi abominável.

Cuidemos de relembrar conceitos preciosos para ficarem bem gravados na memória. A liberdade é apanágio da democracia. A discordância no plano das ideias faz parte do jogo. Jogo que compreende regras éticas bem claras. Pode ser que os jornalistas alvejados sejam vistos na avaliação de uns e outros, por conta das analises feitas sobre questões econômicas e sociais palpitantes, como destacados interpretes do pessimismo deplorável que medra hoje em parte da mídia nativa. Mas isso não serve de molde, maneira alguma, para justificar qualquer torpeza clandestina de desfiguração publica de seus currículos. A lição de Voltaire permanece íntegra: “Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizer”.

O episodio remete-nos a um problema global danado de perturbador. A cada dia que passa, ficam mais evidenciados os riscos que todos corremos em função da utilização impropria, ao arrepio das leis, do bom senso, dos saudáveis ditames da convivência comunitária harmoniosa, desse prodigioso instrumento de comunicação chamado internet.

A internet foi criada dentro de uma concepção mágica da vida. Como forma de exalta-la em sua exuberância suprema. Símbolo maiúsculo deste nosso admirável mundo novo foi inventada para aproximar e não para subtrair. Para beneficiar e não prejudicar. Para louvar e não desmerecer. Em suma, para dignificar e não apequenar o ser humano. Mas acontece que figurinhas de baixo astral, de mal com a vida, malfeitores e espertalhões de todos os matizes e em todas as latitudes, trafegando na contramão da história, fazem de um tudo para deturpar a generosa proposta da internet. Procuram colocá-la a serviço de nebulosos e ignóbeis designíos.

São muitas as distorções detectadas sob as mais diferenciadas circunstancias, nesse capitulo da comunicação social massificada. Um sistema de comunicação de proporções tão assombrosas que voo algum de imaginação, o mais ousado possível, jamais teria conseguido concebê-lo em passado próximo de nós.  Um dos processos utilizados que mais condenações suscitam por parte da opinião pública é essa constante propagação de teorias conspiratórias na base da mais rematada esquizofrenia. Personagens exponenciais da cena pública são alvejados por aloprados em maquiavélicas maquinações. “Especialistas” permanentemente entocaiados à espera de chances para assacar infâmias contra a reputação de adversários. Algo, visto está, que provoca repugnância nas consciências bem formadas.

Diante de tudo quanto vem rolando no fascinante mundo da internet, a sociedade humana sente-se no direito de requisitar, agora, uma nova contribuição das mentes privilegiadas que a conceberam e se acham empenhadas em aperfeiçoá-la. O que se espera dessas mentes é que se lancem, com ardor, na descoberta urgente de soluções engenhosas capazes de conter desvarios e impedir o desvirtuamento dos nobres objetivos dessa tão fantástica conquista tecnológica.






Demência guerreira

Cesar Vanucci*


“Desconheço a guerra justa”. (Murilo Mendes)


Eis aqui um punhado de perguntas incômodas que pairam no ar, sem que ninguém com suficiente conhecimento de causa se dê ao trabalho de responder, de modo a manter informada a patuleia ignara.
Onde ficam mesmo localizadas as inesgotáveis fontes de suprimento do material bélico fornecido aos litigantes, não importando lado ou tendência, nessas guerras que, neste momento, transformam tantas regiões do planeta em palco de inenarráveis tragédias humanitárias? É possível, como tantas vezes sucedeu no passado, que um mesmo fabricante ou um mesmo mercador de armas atue como prestador de eficientes serviços tanto para um quanto para outro dos valentes contendores? Será que, algum dia, a desprestigiada ONU e as arrogantes grandes potências, com ajuda da comunidade das nações, não se disporão a estabelecer, consensualmente, ações que identifiquem essas fontes de suprimento bélico, desarticulando-as em favor da paz e da confraternidade humana? Paz e confraternidade da qual todo esse conjunto de lideranças se intitula pomposamente arauto?


·    A demência guerreira que campeia por aí, ceifando vidas preciosas e reduzindo a escombros patrimônios materiais formidáveis, remete-me a uma cena incrível de anos atrás na televisão. Com estes olhos que a terra algum dia vai comer (na dependência de minha estrita vontade, só daqui muito tempo ainda), acompanhei na telinha as ações iniciais do conflito Iraque - Irã no Golfo Pérsico. De um lado da absurda contenda, os raivosos aiatolás. Do outro lado, ninguém mais, ninguém menos do que Sadam Hussein, à época festejado aliado dos Estados Unidos, apontado pela mídia como leal e altivo sentinela da “democracia” naquele conturbado pedaço de mundo.
Foi assim que me dei conta, espantado, da existência em carne e osso de um fabricante de armamentos. Ele discorreu com enorme entusiasmo sobre seu rendoso negócio. Enalteceu, na maior cara de pau, com abundancia de detalhes, a eficácia de seus excelentes produtos, garantindo-se capacitado a atender satisfatoriamente as volumosas encomendas do ditador iraquiano. Envergando luzidio uniforme de campanha, o homem exibiu ufano, diante das câmeras, apetrechos variados de seu mortífero estoque, enriquecendo a narrativa com multicoloridas ilustrações. Empresário paulista, com jeitão de rematado panaca, babava de contentamento, que nem garoto de grupo tomando sorvete na hora do recreio, ao descrever os danos pesados que as engenhocas destrutivas de seu arsenal  iriam produzir nas fileiras dos inimigos. As imagens daquele paranoico depoimento jamais foram esquecidas por representarem símbolo patético da pequeneza humana diante da aventura da vida.


·    Situações iniludivelmente distintas. Não dão margem a confusões. As manifestações de protesto contra as ações ordenadas pelos radicais de Israel em Gaza são legitimas. Eventuais reações antissemitas que despontem na esteira dessas manifestações fazem por merecer total repúdio. A ONU, com razão, proclama que “o conflito de Gaza não pode servir de pretexto para o preconceito”. Essa justa e irretocável interpretação dos fatos conduz, naturalmente, as pessoas de bom senso, alinhadas com o ideal da paz, a reconhecerem que, desafortunadamente, face aos padecimentos que lhes têm sido infligidos, os palestinos vêm sendo vítimas, há muito, de inaceitável discriminação. Da constatação resulta a certeza de que o preconceito não poderá jamais, também, ser aceito como motivação para o conflito de Gaza.



·    A rede de tuneis construída, a partir das terras palestinas, para infiltração de terroristas com tarefas de levar a cabo nefandos atos em áreas israelenses foi apontada como fator motivador dos ataques a Gaza. Cabe aqui uma observação. A rede detectada era bastante extensa, assegurou-se em relatório oficial. Faltou uma explicação. Porque cargas d’água, então, o noticiário nosso de cada dia, tão focado nos acontecimentos do Oriente Médio, não se ocupou, hora alguma, em descrever os incidentes, na certa frequentes, relacionados com as sabotagens e perdas de vidas inocentes supostamente produzidas nessas tresloucadas incursões?










quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Currículo futebolístico ignorado
                                                          
                                   César Vanucci*

“Mas que cambada de pernetas!"
(Desabafo do técnico do juvenil do USC)

Ainda naturalmente tocado pelas impactantes emoções da Copa, mergulho fundo nas ternas reminiscências infanto-juvenis, para de lá voltar com singelo e breve relato pertinente ao meu sugestivo passado futebolístico, lastimavelmente ignorado em momentos de convocação.

Cinco minutos de jogo, e o juvenil da Merceana já havia enfiado, que nem viriam a fazer décadas depois os atacantes alemães na semifinal do Mineirão, duas bolas nas redes do Aníbal. Era o nosso goleiro, filho do presidente do clube, jornalista Souza Junior.  Ele se queixava, agora, aos berros, da parelha de beques. Os beques botavam a culpa na intermediária. A linha de médios, a voz do José Tomaz se destacando tanto quanto a altura passava a bola pra frente, isso é, dizia que a responsabilidade era nossa, dos atacantes, que não recuávamos para buscar jogo. O técnico, esse, pobre coitado, nada dizia. Esfregava a cabeça, mordia nervosamente o polegar, num silêncio constrangedor que era bem uma projeção da idéia que fazia do time sob o seu comando:

- Mas que cambada de pernetas!

O técnico deles, o Amargoso, babava de contentamento. Os olhos faiscavam na cara escura e redonda. E o time, mais experimentado, bem sortido de valores, esnobava. Punha o pessoal do juvenil do Uberaba Sport na roda, pra dançar o miudinho... O Renato e o Waldir, tão novos, mas já se identificando um pouco com o Marambaia, beque que deixou fama de durão no futebol de Uberaba, brecavam com rigor policialesco todas as nossas investidas. O ataque ainda não conseguia acertar um tiro a gol e já o placar chegava aos cinco a zero. Na frente, o Dorival Cicci judiava com a defesa. Uma finta aqui, outra finta ali, a entrega da bola ao companheiro, para recolhê-la, adiante, em fulminante tabelinha. A meta escancarada, com o arqueiro já batido, e, ao invés do toque fatal, o drible desnecessário, puro enfeite, o passe para o colega desmarcado que vinha atrás pedindo bola. A suprema humilhação.

Numa das vezes em que, num pique irresistível, Dorival partiu em direção ao gol, entendi de detê-lo. Entrei de corpo e alma. O danado do menino meteu a bola entre as minhas pernas e, sorriso zombeteiro e triunfante, numa paradinha desafiadora, ficou a esperar pela segunda investida. Entrei firme, com fúria de boi acuado por toureiro. E tornei a entrar bem. Ele simplesmente repetiu a manobra. Perdi o equilíbrio e despenquei no gramado. Olhei, desapontado, as arquibancadas. Pareceu-me ouvir a torcida gritando, compassadamente, “Olé... Olé... Olé”. Perdemos o jogo. Se a memória não tá a fim de trair, de onze a um. O juiz, benevolentemente, resolveu marcar pênalti a nosso favor. Na cobrança, o goleiro do inimigo ainda tocou o “esférico”, por pouco não detendo sua trajetória.

Mas não foi só o jogo que perdi naquele domingo, na preliminar de um jogo do USC. Junto, também se foi a secreta esperança de vir a ser algum dia lembrado para servir à seleção. E tudo por conta de alguns dribles secos que ecoaram em meu espirito como sentença inapelável para prematuro descalçar das chuteiras.


Pelo que, seja a praça devidamente notificada de que ao futebol brasileiro assiste o sagrado dever de cobrar do Dorival Cicci, do juvenil da Merceana, com juros e correção, uma divida nascida de sua imperdoável façanha de haver tolhido naquele domingo, inclementemente, para todo o sempre amém, uma promissora carreira de craque.




A brasileira Petrobrás

Cesar Vanucci*

“As dificuldades não podem ser pretexto para
 a demolição dos legítimos interesses brasileiros”.
(Professores Gilberto Bercovici e Walfrido Ward Júnior, da USP)


Intrigante demais da conta o tratamento costumeiramente dispensado, por parte da chamada grande mídia, a tudo quanto diga respeito à nossa Petrobrás. Denúncias acerca de supostos atos falhos, porventura cometidos nas esferas administrativas ou técnicas, geram sempre, com incomum rapidez, manchetes estridentes e comentários ácidos duradouros. “As dificuldades não podem ser pretexto para a demolição dos legítimos interesses brasileiros”, alertam num ensaio acadêmico os professores Gilberto Bercovici e Walfrido Ward Júnior, da Universidade de São Paulo, acrescentando que não podemos correr o risco de deslegitimar a mais importante empresa brasileira, “personificação do controle soberano de nossos recursos naturais”.
Mas se, ao contrário, as informações trazidas a lume encerrem conteúdo positivo, o que se depara, quase sempre, é com uma irrazoável parcimônia de palavras ao se contar a historia ao respeitável publico. Dias passados, tivemos a atenção despertada para mais uma amostra desse indesejável estado de coisas. Uma organização mundial tradicionalmente incumbida da avaliação periódica do desempenho das empresas no plano universal registrou (e não é a primeira vez que o faz) que a nossa estatal energética  assumiu o primeiro lugar disparado no ranking da América Latina. A auspiciosa revelação coincidiu com o anúncio de outra sequência de recordes alcançados na produção de petróleo, como já se vem tornando frequente na história da empresa. O que se conseguiu anotar em termos de repercussão midiática a respeito de tão expressivos feitos pode ser definido numa mera e simples palavra: desconcertante. No boletim noticioso de um importante canal tivemos frisante resumo da desimportância inexplicavelmente atribuída ao assunto. O texto dado à locutora para leitura desprezou solenemente o essencial para enfatizar lance secundário. Foi “explicado” ao telespectador, na oportunidade, que embora apontada como a maior empresa latino-americana, a Petrobrás ostenta valor de mercado inferior ao de anos atrás. Ignorou-se evidentemente, no desnorteante comunicado, dado relevante para melhor compreensão das coisas. Se ocorreu “desvalorização” patrimonial da principal empresa no ranking, esse fato não terá sido, certeiramente, isolado, restrito a apenas uma organização. As demais empresas da lista terão sido, fatalmente, afetadas pela conjuntura. Não é assim mesmo?

Situações como a que acaba de ser narrada recomendam reflexões. Sugerem reexames de procedimento por parte de setores influentes da mídia. Afigura-se sumamente desejado, em função do respeitável interesse nacional que ninguém com presença marcante na comunicação social, sinceramente integrado no esforço de construção da prosperidade econômica e social, perca de vista jamais, a qualquer tempo, uma óbvia constatação histórica. A constatação de que a Petrobrás, admirável conquista do povo brasileiro, é uma instituição detentora, com suas inciativas técnicas vanguardeiras, da admiração e respeito mundiais.   
      




Convite aos amigos
Do “Blog do Vanucci

Todos vocês estão convidados para o ato de lançamento do livro “Eternamente Zélia”, do escritor Vicente Muzinga Oliveira, contendo depoimentos a respeito da bela trajetória de vida da médica, cientista e líder espiritual Zélia Savala Rezende Brandão, dirigente do conceituado “Grupo Científico Ramatis”.

O evento será realizado no dia 20 (vinte) de agosto, quarta-feira, a partir das 19 (dezenove) horas, no salão nobre da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais), Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho, Belo Horizonte.
Contamos com sua participação.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

       
Convite aos amigos
Do “Blog do Vanucci

Todos vocês estão convidados para o ato de lançamento do livro “Eternamente Zélia”, do escritor Vicente Muzinga Oliveira, contendo depoimentos a respeito da bela trajetória de vida da médica, cientista e líder espiritual Zélia Savala Rezende Brandão, dirigente do conceituado “Grupo Científico Ramatis”.

O evento será realizado no dia 20 (vinte) de agosto, quarta-feira, a partir das 19 (dezenove) horas, no salão nobre da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais), Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho, Belo Horizonte.
Contamos com sua participação.







Negação da rica cultura hebraica

Cesar Vanucci*


“No horror que acontece em Gaza não há espaço para
 equidistância nem neutralidade.” (Javier Bardem, ator espanhol)



Nada a estranhar na revelação de que no próprio seio da valorosa comunidade judaica sejam bastante numerosas as vozes erguidas contra as ações sangrentas descomedidas praticadas pelas forças de ocupação no território palestino. Os extremistas radicais que governam Israel enfrentam, além da condenação da opinião publica internacional, veementes reações em sua própria comunidade pelas ações executadas.

A rica cultura humanística e espiritual hebraica legou à civilização lições magnificas de celebração da vida. E de respeito aos direitos fundamentais que conferem dignidade à aventura terrena. Os métodos exacerbados de violência empregados pelas bem equipadas forças militares – todos sabemos – encontram-se em completo desalinhamento com esse colossal patrimônio de ideias, força motriz da boa convivência social, construído por pensadores judeus eminentes. Figuras reverenciadas pelo seu trabalho em todas as áreas do conhecimento.

Por mais que a mídia internacional esteja a dificultar, incompreensivelmente à luz do bom senso, o acesso a informações acerca do inconformismo de significativos segmentos da comunidade judaica diante do caos instalado em Gaza, sabe-se com certeza que muita gente de peso, em Israel, tem assumido postura crítica com relação à belicosidade do governo. São cidadãos de diferentes tendências politicas. Clamam pela amplitude do diálogo. Apontam a mesa de negociações, com mediação da ONU e das grandes potências, como o único instrumento capaz de assegurar na região conflagrada a paz ardentemente almejada. O celebrado escritor Amós Oz e organizações como a “Peace Now” deixam claro nos posicionamentos formal indignação. Algum tempo atrás, outro indicador valioso das fortes divergências reinantes em Israel quanto ao massacre infligido à Palestina foi dado por combatentes militares de graduação elevada. Inesperadamente, eles se recusaram a participar de bombardeios contra a população civil. Por tal motivo foram destituídos de seus postos.

Esses setores esclarecidos sonham fervorosamente com uma nova ordem no relacionamento árabe-judeu. Mostram-se afinados com lideranças mundiais realmente engajadas em processo que seja capaz de instalar paz duradoura no conturbado território. Tal processo, para que se revele eficaz, terá que compreender, evidentemente, pra começo de conversa, a demolição do “muro da vergonha” que circunda a população palestina, impondo-lhe sofrimento e humilhação inenarráveis. Terá que assegurar o direito de retorno aos refugiados. E estabelecer fronteiras precisas. Garantir que esse bem vital, a água, chegue às torneiras palestinas. Demolir os afrontosos assentamentos de colonos. Definir com exatidão a situação jurídico-institucional de Jerusalém, capital espiritual do mundo, de preferencia tornando-a cidade internacional sob a égide da ONU. Terá que reconhecer também a legitimidade do Estado da Palestina, tanto quanto a legitimidade do Estado de Israel, absorvida com simpatia pela Comunidade das Nações, mesmo que negada, irracional e raivosamente, por alguns grupos extremistas incendiários do lado contendor.

A comoção gerada pelos acontecimentos na faixa de Gaza tem dado origem a manifestações de protesto em todos os cantos. Javier Bardem, ator espanhol, ganhador de Óscar, assinou mensagem largamente divulgada nas redes sociais, entre outras coisas afirmando o seguinte: “No horror que acontece em Gaza não há espaço para equidistância nem neutralidade. É uma guerra de ocupação e de extermínio contra um povo sem meios, confinado em um território mínimo, sem água, e onde hospitais, ambulâncias e crianças são alvos e suspeitas de terrorismo. Difícil de entender e impossível de justificar. (...) “Não entendo essa barbárie e os horríveis antecedentes vividos pelo povo judeu tornam-na ainda mais incompreensível. Só as alianças geopolíticas, essa máscara hipócrita dos negócios – como, por exemplo, a venda de armas - explicam a posição vergonhosa dos Estados Unidos, União Europeia e Espanha.” (...) “Tenho muita gente querida a meu redor que é judia. Ser judeu não é sinônimo de apoiar um massacre.” (...) “E ser palestino não é ser terrorista do Hamas.”(...) “Trabalho nos Estados Unidos, onde tenho amigos e conhecidos hebreus que rechaçam tais intervenções e políticas de agressão. Não se pode invocar autodefesa quando se assassina crianças - me diz um deles por telefone.” 



Esse nosso mundo cansado de guerra

Cesar Vanucci*


“As guerras abominadas pelas mães...”
 (Horácio, -65-8 a .C.).


Os “donos do mundo” precisam, urgentemente, rendendo-se à humildade e bom senso, reconhecer o insucesso fragoroso de sua atuação na busca da paz e da concórdia. A cada dia que passa tornam-se mais visíveis as consequências desastrosas de suas mal concebidas intervenções e malfeitorias insensatamente programadas. Estas intromissões se manifestam em litígios e desavenças que espocam aqui e ali, todos eles, pelo que se está vendo, contendo ameaças à causa sagrada da boa convivência humana.

A revisão de conduta nos processos geopolíticos empregados, nas ações diplomáticas encetadas pelas potências providas de poder decisório em questões de suma relevância faz-se imprescindível nesta hora de tantas conflagrações, para que se consiga, afinal de contas, evitar possam as tragédias em curso assumir amplitude ainda maior. “Parem com isso!” – brada o Papa Francisco, interpretando magistralmente genuíno anseio humano. A proclamação tem o claro sentido de uma convocação irrecusável à reflexão, ao diálogo, à abdicação de gestos e palavras arrogantes, ditados por desejos vorazes de mandonismo e hegemonia. Para onde quer que se lance o olhar angustiado naquelas regiões sacolejadas pelas explosões conflituosas descritas nas manchetes de cada dia, o que se contempla é ódio e intolerância soltos, atrocidades inimagináveis. Quadros de dantesco horror, que colocam em xeque a sinceridade do alardeado propósito humano de evolução.

O massacre de Gaza, as guerras civis na Síria, Líbia, Ucrânia, Nigéria, Afeganistão, Iraque, as tensões constantes na península coreana são alguns dos mais frisantes sinais dessa ordem de coisas abominável. As monstruosidades acumuladas são de tamanho porte que a gente chega até a encontrar dificuldade em avaliar corretamente o significado das palavras. Acaba perdendo a condição de medir e pesar, de pronto, o real sentido das posições dos protagonistas engajados nas tétricas manobras em andamento. Vejam, por exemplo, essa atordoante e recente proclamação da Al Qaeda. Aludindo aos militantes do grupo guerrilheiro que se apoderou de partes dos territórios sírio e iraquiano para implantar um “califado”, com todo o aparato fundamentalista retrógrado e obscurantista que isso possa comportar, os dirigentes da organização baseada no Afeganistão, célebre por suas concepções mórbidas e desusada ferocidade, anunciou para estupefação geral, não compactuar com as ações do novo grupo. E por qual razão? Por considerá-lo - minha Nova Senhora da Abadia d’Água Suja! - demasiadamente radical...

 Com tanta insânia espalhada por esse mundo de Deus em que o diabo continua, pelo visto, a fixar seus enclaves, os homens e mulheres de boa vontade de todos os lugares precisam manter acesa a esperança. Torcer para que, nalgum momento da trajetória por todos nós percorrida, um punhado de cabeças bem pensantes, comprometido com valores humanísticos e espirituais, aponte às grandes lideranças mundiais meios que possam inspirar ações diferentes. Procedimentos capazes de traçar fórmulas de entendimento que ponham cobro na espiral de violência dos tempos de hoje.


Não constituiria, por certo, exagero reivindicar dos dirigentes mundiais com maior poder de fogo econômico e bélico que se entregassem a uma serena e amadurecida reflexão, libertos de seus impulsos belicosos, dos vetos que apequenam a capacidade de negociação da ONU e dos demais integrantes da comunidade das Nações, de maneira a permitir a construção dos alicerces de uma paz verdadeira e perene. 

A SAGA LANDELL MOURA

Javier Milei, o trapalhão

  Presidente argentino resolveu agredir intempestivamente o presidente da República e o STF em solo brasileiro 1 de agosto de 2026 • Google ...