sexta-feira, 5 de setembro de 2014


Eternamente Zélia

Cesar Vanucci*


“Posso afirmar que um dos seres humanos que mais me tocaram e me acresceram na vida, ensinando-me a servir despretensiosamente foi ela, Zélia de todos nós”. (Antônio Sores Dias, ex-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais).

O escritor Vicente Muzinga Oliveira reuniu, com arte e engenho, mais de uma centena de depoimentos sobre a vida e obra de Zélia Savala Rezende Brandão, enfeixando-os num livro precioso, sugestivamente intitulado “Eternamente Zélia”. A bela ilustração da capa ficou por conta da pintora Esthergilda Menicucci. As páginas da publicação narram com fotos e abundantes informações a trajetória da mentora do famoso Grupo Científico Ramatis. O lançamento do livro ocorreu numa concorrida festa litero-musical na Assembleia Legislativa de Minas Gerais no último dia 20 de agosto.
Texto de minha autoria – “Esta obreira de Deus de nome Zélia” – figura entre os depoimentos. Eis o que registrei.

Inserido sutilmente em nossa esfuziante aventura do cotidiano, existe um mundo fascinante, povoado de percepções transcendentes. Deste mundo fazem parte seres humanos muito especiais. Gente provida de dons singulares que atingiram patamar superior na escala da evolução espiritual. Vejo-os, de mim para comigo, como obreiros de Deus. Despertam onde atuam irradiante simpatia, sentimentos de apreço bastante carinhosos, revestidos de certo toque reverencial. Enxergam as pessoas e situações à sua volta com olhares de enternecido amor. Como são relativamente poucos, não fica assim tão difícil distingui-los em meio às multidões, por conta de suas ações criativas, suposições audaciosas e propostas de transmutação humana.

Honrado com o convite para juntar depoimento pessoal a um documentário sobre a doutora Zélia Savala Rezende Brandão, elaborado por grupo de amigos e admiradores de sua fecunda obra, não vacilo, um instante sequer, em reconhecer na história da personagem mencionada os sinais indicativos de um desses obreiros de Deus.

Agindo no território dos labores mágicos, deixando à mostra extraordinária sutileza de espírito e infinita delicadeza, dona Zélia percorre os caminhos que conduzem aos mistérios da mente, aos segredos das energias, na busca de sincronia entre os planos humano e espiritual da existência. É mentora do Grupo Cientifico Ramatis, organização espiritualista e assistencial que desenvolve programa de enorme alcance humanitário nos setores da ciência e da sociologia. Os estudos teóricos experimentais e práticos da parapsicologia ali realizados são voltados para a expansão da solidariedade social e do amor universal. Sob a clarividente liderança dessa médica e humanista, especialistas em medicinas alternativa e tradicional, muitos deles “seus filhos” por adoção afetiva, todos voluntários, entregam-se com dedicação a edificante trabalho coletivo em favor dos excluídos sociais. Conservam-se fiéis à sábia lição popular de que a serenidade de Deus está presente nas coisas que as pessoas realizam em conjunto. Asseguram suporte técnico e administrativo nas clínicas alopáticas, homeopáticas, psicológicas e de massoterapia; na farmácia bem sortida de recursos fitoterápicos, nas creches em que centenas de garotos desfrutam de uma condição social saudável. As massagens, aplicadas em volume considerável, proporcionam aos pacientes benéfica terapia energética. Todo esse portentoso complexo de serviços, desdobrados em diligências diuturnas, é complementado por ações permanentes de coleta e doações de bens de utilidade para encaminhamento a pessoas carentes. Valendo-se de núcleos operacionais externos, bastante ativos, o Grupo Ramatis estende ramificações a outras paragens brasileiras e do exterior.

À frente da grandiosa obra, no afã febricitante de semear benefícios à mancheia, dra. Zélia projeta a nobreza espiritual do Ramal. A expressão de soberana bondade e soberana sabedoria do Ramal, com sua concepção mágica da vida.

Possuidora de dinamismo dir-se-á místico, dra. Zélia utiliza as vibrações positivas para promover equilíbrio e harmonização na convivência comunitária.

Em sua ilimitada capacidade de doação ao próximo, cumprindo vocação pode-se dizer messiânica, abre portais que acessam conhecimentos transcendentes. Encoraja criaturas de boa vontade, sequiosas de saberes essenciais, a aprenderem explorar os territórios desconhecidos dentro e ao redor do homem, ajudando-as a desempenhar seu papel no palco da vida num mundo em efervescente transformação.

São copiosos os frutos colhidos ao longo de tão prodigiosa empreitada. Está lá no Evangelho: frutos fadados a permanecer.




Eleição e pesquisa

Cesar Vanucci*


Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”.
 (Do fraseado das ruas).



Trato aqui de eleição e de pesquisa eleitoral. Estou calvo de saber que, embora façam parte de um mesmo contexto, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Pesquisa é prognóstico. Aponta tendência de momento, sujeita a chuvas e trovoadas, algo que poderá vir a acontecer.  Eleição é ação consumada, fava já contada, inhambu no embornal, temperatura já definida. Pode ser que os números apurados numa e noutra situação sejam coincidentes. Mas também pode ser que não seja. Registros históricos falam disso.
Dou exemplo. Quando o Célio de Castro tornou-se Prefeito de Belo Horizonte, a discrepância entre as previsões de votos e os votos efetivamente depositados nas urnas foi atordoante. No dia da eleição, as manchetes trombeteavam que seu principal contendor estava com a vitória assegurada. Não estava. Célio levou a melhor praticamente em todas as urnas. Esse fato por si só, bem como episódios análogos transcorridos noutras ocasiões, não são de molde a desqualificar, jeito maneira, as pesquisas. Nem, tampouco, colocam sob suspeição o trabalho dos institutos que as promovem. As coletas de dados, ao que atestam especialistas da matéria, são concebidas com técnica profissional e cientifica consagrada. As observações registradas por muitos a respeito da circunstância de nunca terem sido consultados, nem de haverem conhecido alguém que tenha sido abordado para opinar não se revestem de significado maior quando se conserva sob mira a dimensão do universo potencialmente disponível para entrevistas.
As pesquisas integram, visto está, o jogo eleitoral. Projetam periodicamente inclinações de voto que permitem aos candidatos azeitarem as campanhas. Desempenham, por conseguinte, papel de razoável significação na vida democrática. Nas ditaduras, elas não passam de estrondosos blefes perpetrados pelos donos do poder. O Egito e a Síria, recém-saídos de “eleições”, são amostras elucidativas de como se desenvolve nos regimes despóticos o processo da consulta prévia aos eleitores. Na pátria dos “faraós fardados”, a pesquisa de boca de urna apontou quase 100% de preferência para o general que veio a ser “eleito”. O resultado não seria menos espantoso se o índice houvesse alcançado extravagantemente outro patamar. Digamos, 125%. Nos domínios de Bashar al Assad, em que vimos o “candidato opositor” recomendar enfaticamente, numa proclamação aos votantes na véspera do pleito, que apoiassem o tirano sírio, concorrente ao cargo pela enésima vez, o “boca de urna” foi um tiquinho mais comedido. A preferência pelo “eleito” roçou os 90%.
Retomando as pesquisas dentro do figurino democrático.  Há que se chamar atenção para a circunstancia de que os institutos empregam metodologias diferenciadas nas apurações dos dados, o que pode levar, algumas vezes, a índices desencontrados. Uma demonstração de ocorrências desse gênero é extraída de recentes consultas procedidas por três qualificados órgãos que atuam no ramo das pesquisas. Concernentemente a um mesmo item proposto a eleitores que ainda não haviam definido preferencia por candidatos, o Ibope, a Vox Populi, a Datafolha colheram, respectivamente, as respostas na sequência reproduzidas: 1) “ninguém, branco e nulo” – 17%, 7%, 4%; 2) “não sabe, não respondeu” – 39%, 67%, 46%. As divergências, então apontadas, comprovam a diversificação de critério, ajudando-nos a compreender porque pesquisa é pesquisa e eleição é eleição.


 Ditos ligeiros
Cesar Vanucci*

“Não troco meu “oxente” pelo “ok”
de ninguém”. (Ariano Suassuna)


·     A inteligência brasileira em pranto. “Partiram primeiro” (lembrando Camões) Ariano Suassuna, João Ubaldo, Rubem Alves. Um trio de bambas no ofício de fazer jorrar das palavras instantes de beleza e sabedoria. Na fecunda obra de cada qual se revelam presentes vestígios de aprofundada conexão do artista com o sentimento de mundo, além de transbordante e contaminante identificação com o sentimento nacional mais entranhado.


·     O cinquentenário da morte Ary Barroso e o centenário de nascimento de Dorival Caymmi estão sendo lembrados neste momento. Oportunidade esplêndida para que os apreciadores da boa música, daqui e de qualquer lugar do mundo, possam revisitar a fabulosa obra desses dois ícones da arte mais autentica e representativa da cultura nacional. Bastaria a “Aquarela do Brasil”, nosso segundo hino nacional, para garantir a Ary a condição de gênio. Mas o mineiro de Ubá, com inconfundível talento, deixou centenas de outras preciosidades. O baiano Dorival, que optou por morar em Minas alguns anos de sua criativa existência, é também outro patrício com marca reluzente na historia artística. “O que é que a baiana tem?” encabeça a lista interminável dos clássicos que deixou. Tratemos de reverenciá-los com carinho.


·     Sequestro do jovem soldado israelense foi o pretexto encontrado recentemente para a interrupção de uma das breves tréguas acertadas no conflito sem fim com o recomeço da destruição, a tiros de canhão e bombas despejadas de aviões, de casas, escolas, asilos, hospitais no gueto conhecido por Gaza. O governo estadunidense e a ONU, repercutindo denuncia dos dirigentes de Telavive, acusaram então os autores da alardeada abdução de crime hediondo, exigindo a libertação imediata da vítima. Só que, de repente, não mais do que de repente, descobriu-se que o militar desaparecido não havia sido sequestrado coisíssima nenhuma, em momento de trégua negociada. Lamentavelmente, havia perdido a vida preciosa em combate. E agora José? Como continuar dormindo com um bombardeio desses?

·     Não é necessário grande esforço para admitir que Dilma Rousseff tá com a razão. Diz ela: - “Há hoje, de forma deliberada um processo de criação de expectativas negativas, extremamente nocivas para o país, tal como aconteceu na Copa”. Falar verdade, isso não é nada bom para o Brasil.

·     Ouço dizer que o Clube Atlético Mineiro prepara o lançamento de um projeto de construção de um grande estádio em Belo Horizonte.  Com o majestoso Mineirão e a imponente arena do Horto será que faz algum sentido um empreendimento dessa envergadura? Na hipótese de que os recursos existam ou possam vir a ser levantados para uma empreitada dessas, por que não carreá-los para iniciativas que atendam melhor as necessidades da gloriosa agremiação e sirvam melhor o interesse futebolístico brasileiro?






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