sexta-feira, 8 de agosto de 2014

       
Convite aos amigos
Do “Blog do Vanucci

Todos vocês estão convidados para o ato de lançamento do livro “Eternamente Zélia”, do escritor Vicente Muzinga Oliveira, contendo depoimentos a respeito da bela trajetória de vida da médica, cientista e líder espiritual Zélia Savala Rezende Brandão, dirigente do conceituado “Grupo Científico Ramatis”.

O evento será realizado no dia 20 (vinte) de agosto, quarta-feira, a partir das 19 (dezenove) horas, no salão nobre da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais), Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho, Belo Horizonte.
Contamos com sua participação.







Negação da rica cultura hebraica

Cesar Vanucci*


“No horror que acontece em Gaza não há espaço para
 equidistância nem neutralidade.” (Javier Bardem, ator espanhol)



Nada a estranhar na revelação de que no próprio seio da valorosa comunidade judaica sejam bastante numerosas as vozes erguidas contra as ações sangrentas descomedidas praticadas pelas forças de ocupação no território palestino. Os extremistas radicais que governam Israel enfrentam, além da condenação da opinião publica internacional, veementes reações em sua própria comunidade pelas ações executadas.

A rica cultura humanística e espiritual hebraica legou à civilização lições magnificas de celebração da vida. E de respeito aos direitos fundamentais que conferem dignidade à aventura terrena. Os métodos exacerbados de violência empregados pelas bem equipadas forças militares – todos sabemos – encontram-se em completo desalinhamento com esse colossal patrimônio de ideias, força motriz da boa convivência social, construído por pensadores judeus eminentes. Figuras reverenciadas pelo seu trabalho em todas as áreas do conhecimento.

Por mais que a mídia internacional esteja a dificultar, incompreensivelmente à luz do bom senso, o acesso a informações acerca do inconformismo de significativos segmentos da comunidade judaica diante do caos instalado em Gaza, sabe-se com certeza que muita gente de peso, em Israel, tem assumido postura crítica com relação à belicosidade do governo. São cidadãos de diferentes tendências politicas. Clamam pela amplitude do diálogo. Apontam a mesa de negociações, com mediação da ONU e das grandes potências, como o único instrumento capaz de assegurar na região conflagrada a paz ardentemente almejada. O celebrado escritor Amós Oz e organizações como a “Peace Now” deixam claro nos posicionamentos formal indignação. Algum tempo atrás, outro indicador valioso das fortes divergências reinantes em Israel quanto ao massacre infligido à Palestina foi dado por combatentes militares de graduação elevada. Inesperadamente, eles se recusaram a participar de bombardeios contra a população civil. Por tal motivo foram destituídos de seus postos.

Esses setores esclarecidos sonham fervorosamente com uma nova ordem no relacionamento árabe-judeu. Mostram-se afinados com lideranças mundiais realmente engajadas em processo que seja capaz de instalar paz duradoura no conturbado território. Tal processo, para que se revele eficaz, terá que compreender, evidentemente, pra começo de conversa, a demolição do “muro da vergonha” que circunda a população palestina, impondo-lhe sofrimento e humilhação inenarráveis. Terá que assegurar o direito de retorno aos refugiados. E estabelecer fronteiras precisas. Garantir que esse bem vital, a água, chegue às torneiras palestinas. Demolir os afrontosos assentamentos de colonos. Definir com exatidão a situação jurídico-institucional de Jerusalém, capital espiritual do mundo, de preferencia tornando-a cidade internacional sob a égide da ONU. Terá que reconhecer também a legitimidade do Estado da Palestina, tanto quanto a legitimidade do Estado de Israel, absorvida com simpatia pela Comunidade das Nações, mesmo que negada, irracional e raivosamente, por alguns grupos extremistas incendiários do lado contendor.

A comoção gerada pelos acontecimentos na faixa de Gaza tem dado origem a manifestações de protesto em todos os cantos. Javier Bardem, ator espanhol, ganhador de Óscar, assinou mensagem largamente divulgada nas redes sociais, entre outras coisas afirmando o seguinte: “No horror que acontece em Gaza não há espaço para equidistância nem neutralidade. É uma guerra de ocupação e de extermínio contra um povo sem meios, confinado em um território mínimo, sem água, e onde hospitais, ambulâncias e crianças são alvos e suspeitas de terrorismo. Difícil de entender e impossível de justificar. (...) “Não entendo essa barbárie e os horríveis antecedentes vividos pelo povo judeu tornam-na ainda mais incompreensível. Só as alianças geopolíticas, essa máscara hipócrita dos negócios – como, por exemplo, a venda de armas - explicam a posição vergonhosa dos Estados Unidos, União Europeia e Espanha.” (...) “Tenho muita gente querida a meu redor que é judia. Ser judeu não é sinônimo de apoiar um massacre.” (...) “E ser palestino não é ser terrorista do Hamas.”(...) “Trabalho nos Estados Unidos, onde tenho amigos e conhecidos hebreus que rechaçam tais intervenções e políticas de agressão. Não se pode invocar autodefesa quando se assassina crianças - me diz um deles por telefone.” 



Esse nosso mundo cansado de guerra

Cesar Vanucci*


“As guerras abominadas pelas mães...”
 (Horácio, -65-8 a .C.).


Os “donos do mundo” precisam, urgentemente, rendendo-se à humildade e bom senso, reconhecer o insucesso fragoroso de sua atuação na busca da paz e da concórdia. A cada dia que passa tornam-se mais visíveis as consequências desastrosas de suas mal concebidas intervenções e malfeitorias insensatamente programadas. Estas intromissões se manifestam em litígios e desavenças que espocam aqui e ali, todos eles, pelo que se está vendo, contendo ameaças à causa sagrada da boa convivência humana.

A revisão de conduta nos processos geopolíticos empregados, nas ações diplomáticas encetadas pelas potências providas de poder decisório em questões de suma relevância faz-se imprescindível nesta hora de tantas conflagrações, para que se consiga, afinal de contas, evitar possam as tragédias em curso assumir amplitude ainda maior. “Parem com isso!” – brada o Papa Francisco, interpretando magistralmente genuíno anseio humano. A proclamação tem o claro sentido de uma convocação irrecusável à reflexão, ao diálogo, à abdicação de gestos e palavras arrogantes, ditados por desejos vorazes de mandonismo e hegemonia. Para onde quer que se lance o olhar angustiado naquelas regiões sacolejadas pelas explosões conflituosas descritas nas manchetes de cada dia, o que se contempla é ódio e intolerância soltos, atrocidades inimagináveis. Quadros de dantesco horror, que colocam em xeque a sinceridade do alardeado propósito humano de evolução.

O massacre de Gaza, as guerras civis na Síria, Líbia, Ucrânia, Nigéria, Afeganistão, Iraque, as tensões constantes na península coreana são alguns dos mais frisantes sinais dessa ordem de coisas abominável. As monstruosidades acumuladas são de tamanho porte que a gente chega até a encontrar dificuldade em avaliar corretamente o significado das palavras. Acaba perdendo a condição de medir e pesar, de pronto, o real sentido das posições dos protagonistas engajados nas tétricas manobras em andamento. Vejam, por exemplo, essa atordoante e recente proclamação da Al Qaeda. Aludindo aos militantes do grupo guerrilheiro que se apoderou de partes dos territórios sírio e iraquiano para implantar um “califado”, com todo o aparato fundamentalista retrógrado e obscurantista que isso possa comportar, os dirigentes da organização baseada no Afeganistão, célebre por suas concepções mórbidas e desusada ferocidade, anunciou para estupefação geral, não compactuar com as ações do novo grupo. E por qual razão? Por considerá-lo - minha Nova Senhora da Abadia d’Água Suja! - demasiadamente radical...

 Com tanta insânia espalhada por esse mundo de Deus em que o diabo continua, pelo visto, a fixar seus enclaves, os homens e mulheres de boa vontade de todos os lugares precisam manter acesa a esperança. Torcer para que, nalgum momento da trajetória por todos nós percorrida, um punhado de cabeças bem pensantes, comprometido com valores humanísticos e espirituais, aponte às grandes lideranças mundiais meios que possam inspirar ações diferentes. Procedimentos capazes de traçar fórmulas de entendimento que ponham cobro na espiral de violência dos tempos de hoje.


Não constituiria, por certo, exagero reivindicar dos dirigentes mundiais com maior poder de fogo econômico e bélico que se entregassem a uma serena e amadurecida reflexão, libertos de seus impulsos belicosos, dos vetos que apequenam a capacidade de negociação da ONU e dos demais integrantes da comunidade das Nações, de maneira a permitir a construção dos alicerces de uma paz verdadeira e perene. 

2 comentários:

Anônimo disse...

Querido amigo Cesar,
Perdoe o meu silencio. Mas, depois de ler o seu texto " Negação de rica cultura hebraica" não posso me dar ao luxo, de continuar silente. Com sua ousadia, você colocou em letras tudo o que o meu coração precisava escutar e falar. Somos assim, enquanto um está calado, o outro expressa.
Ademais, tenho que agradecer pelo fato de ter tido uma senhorinha como avó paterna, de origem judaica, que sofreu as agruras do tempo em que ser judeu era pecado e enfrentou a sociedade mineira, casando-se com um cristão novo. Certamente, foi uma das pessoas mais doces, que tive a honra de conviver até os seis anos de idade. E certamente, ela estaria muitíssimo triste com a situação promovida por alguns do poder.
Não se pode julgar um povo pelos seus governantes, fosse assim, na época da ditadura militar, em qual categoria estaríamos afinal?
É. Só posso repetir o “ave Cesar".
Saudades.

Gilberto Rezende disse...

O SEU ARTIGO É COMO DEVE A SER A VIDA. SERENA. PENA QUE O RADICALISMO RELIGIOSO DE MILÊNIOS TEM NO ÓDIO SEU ÚNICO OBJETIVO DE VIDA. ATÉ QUANDO? PARABÉNS.

A SAGA LANDELL MOURA

Falando de gripe comum                                                                 Cesar Vanucci “ (...) Daí ser a venda d...