sábado, 1 de outubro de 2022

Ucrânia, impasse amedrontador

Ucrânia, impasse amedrontador

                                                                    *Cesar Vanucci

 

“Invoco o principio da autodeterminação dos povos para meu país”                                        (Volodymyr Zelensky, Presidente ucraniano).

 

 Este nosso mundo velho de guerra sem porteira vai de mal a pior. O conflito na Ucrânia é amostra contundente desse estado de coisas perturbador.  A insânia belicista que levou as tropas russas a se apoderarem de uma fatia considerável do território vizinho acena, em curto prazo, com perspectivas que podem se tornar de repente catastróficas.

 O façanhudo Vladimir Putin mantém o mundo em sobressalto com ameaças aterrorizantes. Depois de anunciar a convocação de 300 mil reservistas como reforço para as frentes de batalha, trombeteou, com a arrogância que lhe é peculiar, que a Rússia está pronta para utilizar armas nucleares na defesa das posições conquistadas. A estes anúncios estapafúrdios seguiu-se outro comunicado desconcertante. As populações das regiões sob controle dos invasores estão sendo convocadas a participar de “referendos” sobre a anexação dos lugares em que vivem à “pátria mãe”, ou seja, a Rússia imperial. Não é muito difícil prever os resultados da “consulta”. Esta a “lógica” da situação maquiavelicamente engendrada: com “maciça adesão popular” à ideia da anexação os territórios ocupados colocam-se sob jurisdição de Moscou. Qualquer tentativa ucraniana, ou de prováveis aliados, de recuperá-los será vista como agressão a Rússia. O revide será com emprego de armamento nuclear.

 O representante do kremlin no Conselho de Segurança da ONU deixou claro esse raciocínio perverso. A respeito do surreal plebiscito, já em curso, é interessante dizer que o questionário a ser preenchido pelos votantes é no idioma Russo e que o monitoramento do processo é feito, “obviamente, com lisura e isenção”, por comitês russos. Palavra de ordem nos veículos de comunicação, fachas e cartazes em profusão fazem conclamações desse gênero: “A Rússia é o futuro”! “Estamos unidos por uma história de 1.000 anos”; “Durante séculos, fomos parte do mesmo grande país. A desintegração do Estado foi um enorme desastre político. É hora de restaurar a justiça histórica.” Não constituirá surpresa alguma se a apuração apontar, “150% de aprovação”...

 A descomunal farsa vem sendo objeto da condenação universal.

 Dias atrás, o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, fez na Assembleia Geral das Nações Unidas, escudado no principio da autodeterminação dos povos,  um apelo dramático no sentido de que a soberania da Ucrânia venha a ser restaurada. A permissão para que usasse a tribuna por meio de vídeo conferencia foi assegurada pela grande maioria dos países membros da instituição. Algumas poucas representações opuseram-se a sua manifestação. Outras poucas, incluído, inexplicavelmente o Brasil, se abstiveram. Em fala comovente ele reportou-se às atrocidades da guerra, à destruição das cidades, ao drama dos refugiados, à resistência heroica aos invasores, pedindo a punição da Rússia pelos atos praticados. Usando também a tribuna da ONU, o Presidente dos EUA, Joe Biden, criticou, com veemência, a atitude de Putin, lembrando que numa guerra nuclear não há lugar para vencedores. Afirmou textualmente: Se as nações podem perseguir suas ambições imperiais sem consequências, então pomos em risco tudo o que essa instituição (ONU) representa." Segundo ele, a guerra acontece para "extinguir o direito da Ucrânia de existir.” Analistas de política internacional admitem que os posicionamentos inflexíveis hoje dominantes a começar pela prepotência dos russos, geram impasses, à primeira vista, intransponíveis. Isso dificulta saídas diplomáticas para contenda, aumentando os temores de que um descuido qualquer nas ações desencadeadas pelas partes possa acender o apavorante “alerta vermelho”.

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)


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