sexta-feira, 29 de novembro de 2019



UMA TOCANTE HOMENAGEM FILIAL

No percurso de passamento do pai querido, olhar apaixonado da filha Maria Inês Chaves de Andrade, secretária da Amulmig.

08.11 - Data de falecimento

A história tem vida própria, eu sei. E soube disto no exato momento em que o entendimento em mim se sedimentou porque sou só erosão. Aprendera a ter fé. Pois, muito antes de saber do Pai soube de chamá-lo assim, porque criança sabe muito antes de mais nada e ninguém que Ele está ali. Então, de repente, o Pai chama o pai e o abrupto é a gente dizer para a criança interior da gente que eles, afinal, não são os mesmos. Logo para ela que aprendera que  Ele era imortal. Quem? Pai não morre nunca, ensinou-lhe o pai, é eterno. Sorte a minha, pensava a menina pensamento de criança, sem entender direito embora Direito fosse entender depois, porque quando ela cresceu e virou mulher, ele já era mesmo imortal e ela esqueceu de os distinguir.  Ser filha de Deus nunca foi fácil, como agora Ele quer que eu entenda, definitivamente, que ele não é Ele. Então, entendi que dói muito quando deus morre. Agora, tudo que aprendi com ele sobre Ele reverberou em mim, em tom grave, tão agudo seja o instante em que a fé purga de tanta convicção. Deus e meu deus se convergiram para que a integridade dialetizasse e imagem e semelhança perfizessem um ser humano ante quem me prostro reverente. Prof. Doutor Aloízio Gonzaga de Andrade Araújo, a  história  tem vida própria, pai, a que o Pai diz que é seu epílogo aqui por agora e a gente nem sugeriu instante. Mas, é que esta criança interior que é minha, esta que levada nunca se deixa levada pelo que não quer, tem uma fé inarredável na divindade do ser humano porque passei toda uma vida, convivendo com a sua humanidade, pai, e continuarei acreditando em si na perpetuidade dessa sua essência tanta a pressinta recendente em toda sua família humana de Pai Nosso.  Muito obrigada, então, papai, por toda dádiva de tê-lo sempre presente. Dia do meu aniversário/2019.

9.11 - Primeiro dia seguinte aos seguintes dias sem primado

Enluto


Estar de luto...  A falta dele é substantivo que verbaliza demanda de mim, tão primeira pessoa seja nesta hora, não havendo ninguém que me acompanhe sofrida, mesmo que me aperceba doutros sofrimentos em meu entorno por conta dele também.

Eu luto e meu luto. Minha alma é breu e luz, possa vestir preto enquanto busque a Deus, adeus não tenha aprendido a dar sem Ele – vá com Deus, fique ainda, seja a única companhia possível porque toda solidariedade, de repente, é nada se tudo é ausência e só.
Por isso, solidão, tão sólida seja a partida, esfarelando-se a integridade da menina até então. Toda solidez foi desmoralizada ante a grandeza da lacuna dele que me precipitou ao solo. Sofrimento solo é isso. Experiência singular de precipício, escalavrada a alma, lavrada mesmo às escâncaras tão exposta às intempéries e destemperos fique.
Ela perdeu o pai e o Pai a acolhe para que a mulher chegue inteira para o enfrentamento da dor da menina. Inesinha de tanta fé está febril porque só nela reconhece o amálgama dos destinos na tessitura dos desígnios de Deus.


Possa escutar-me, ouço-me no limite de toda solidariedade que me disponha a acolher, receba todos os beijos, e abraços, e afetos que me deem. Mas o silêncio remanesce histérico e de braços abertos me crucifico em cada um como tenha sido em você. E só o Cristo em mim reconhece o propósito da história dos homens.

Meu sujeito na primeira pessoa que sou conjuga em mim sentimento e solidão e eu luto.
Ensimesma-se toda pessoa e sei que luto, também: minha mãe, luto; seus amigos, luto; todos os filhos, luto e seus irmãos com os meus, luto.
O imperativo se imputa imperador - impera a dor acima de tudo porque luto eu e a mim me impondo lutar tão inarredável seja o enlutar - o eu de cada um e o luto em si lutado.
Como estou, meu amado?!
Pois, em luto...

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