sexta-feira, 10 de maio de 2019


Vale a pena ler de novo

Cesar Vanucci

“A repetição é a melhor retórica.”
(Napoleão Bonaparte)

Trecho do editorial “A reação vai sendo adiada”, “Diário do Comércio”, edição de 1º de maio: “Havia otimismo e esperança a partir das eleições do ano passado e conhecidos os resultados. Esperava-se renovação, conduzindo às reformas que, postergadas, levaram o País a uma situação limite. Chegamos ao mês de maio com sentimentos diferentes. Preocupa a incapacidade do Executivo de promover a necessária articulação política, base para avanços que não podem mais ser adiados. Preocupa a revisão, sempre para menor, das projeções de indicadores econômicos, apontando que a recuperação foi modesta até agora e dificilmente mudará de patamar, pelo menos não com a velocidade esperada e prometida. Preocupa a repetição, na esfera política, de movimentos sugerindo que não existe sequer a exata dimensão dos problemas que estão por ser enfrentados. O Brasil está regredindo e empobrecendo, fato que se percebe incontestável diante da mera observação dos números relativos ao comportamento da indústria. De acordo com os dados relativos ao exercício passado, a participação do setor na composição da renda nacional, o Produto Interno Bruto, foi de 11,3%, o pior resultado desde 1947 quando tais levantamentos tiveram início.” (...)

Trecho do comentário de Gaudêncio Torquato, DC de 30 de abril: “A constatação se escancara a todo o momento: o Brasil padece da síndrome do touro. Em vez de pensar com a cabeça e arremeter com o coração, faz exatamente o contrário. Querem ver? O presidente Bolsonaro ouve os impropérios contra militares em mais um vídeo de Olavo de Carvalho, insere-o em sua rede social, retira-o depois de 20 horas de exposição. Solta uma nota repudiando o libelo acusatório, mas exaltando a figura do guru dos Bolsonaros. O filho Carlos, pondo mais pólvora na fogueira, acaba compartilhando o vídeo com seus seguidores. Síndrome do touro. O governo, trôpego e à procura de um rumo, embala uma proposta para reformar a Previdência, encaminhando-a sem discussão prévia à Câmara dos Deputados. Por fragilidade de sua articulação política, o pacote ganha intensa discussão em uma comissão que deveria analisar apenas a questão da admissibilidade, não o mérito: é constitucional ou não? Os deputados de oposição procuram obstruir a sessão de aprovação da CCJ. A tensão entre Executivo e Legislativo se mostra por inteiro, sob a dúvida: quem efetivamente vai comandar os próximos passos na Comissão Especial e no Plenário? Síndrome do Touro.” (...)

No DC de 26 de abril, Aristóteles Atheniense publicou artigo intitulado “A censura imposta à imprensa pelo STF”, do qual reproduzimos o trecho abaixo: “A cúpula do Judiciário brasileiro conviveu na semana passada com um fato que, pela sua repercussão, mostrou que a sociedade repele toda e qualquer forma de censura aos meios de comunicação. Recentemente, o presidente do STF, ministro Dias Tóffoli, instituiu um órgão inusitado pelo qual a Corte tornou-se autora da denúncia responsável pela investigação, cabendo-lhe decidir fatos relacionados com a sindicância, determinando atos judiciais da inquirição, definindo, afinal, quem seria o culpado pelo fato delituoso apurado. A Procuradoria-Geral da República, quando muito, teria participação simbólica no expediente em curso. Assim, o Poder Judiciário, a quem compete a resolução dos conflitos e dos problemas sociais, converteu-se numa instituição poderosa, o que destoa tanto de sua finalidade, como de sua própria história.” (...)

Considerações sobre o momento brasileiro formuladas pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista ao jornalista Bruno Mateus, em “O Tempo”: “Ele (governo) não tem rumo, não se vê claramente para que lado vai. O governo é muito desconjuntado. Você tem a área econômica tentando apontar para um certo caminho e você tem algumas áreas descabeladas, com propostas que não têm concretude (...), e você tem um setor amplo ocupado por militares, que passaram a ser mais sensatos no jogo todo.” (...) “Acho que nós temos que dar um desconto nestes primeiros meses, mas, por enquanto, não vi nada que justificasse o entusiasmo da população.” (...) Na mesma entrevista, FHC faz uma avaliação da política econômica: “O que está acontecendo é algo difícil mesmo. Os dados mostram isso, dá um certo desalento na sociedade, e a sociedade está sempre com pressa, e sempre acha que o governo pode resolver, mas não está resolvendo. Embora eu tenha dito que temos que dar tempo ao tempo, a sociedade não sentiu nada de positivo no governo.” (...) “Mas era preciso haver uma animação da sociedade para os investimentos chegarem com mais energia. Animação quer dizer caminho, isso que todo mundo está esperando para ver para onde vamos. Enquanto se espera, o povo se desespera. O povo está sem emprego, com dificuldade na vida urbana. Estamos vendo o prestigio do governo se derreter.” (...)



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