sexta-feira, 22 de agosto de 2014




Internet, prodígios e problemas


Cesar Vanucci*

“Abominável!” (Ministro Gilberto Carvalho, sintetizando o caso da adulteração dos perfis de jornalistas na Wikipédia).


Esse caso das adulterações nos perfis de jornalistas na Wikipédia não pode deixar de ser devidamente investigado. O autor da mesquinha ação, visivelmente executada com o intuito de desqualificar o trabalho profissional e a conduta social das vitimas, precisa ser identificado e punido. O que ocorreu, conforme irretocável definição do Ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, foi abominável.

Cuidemos de relembrar conceitos preciosos para ficarem bem gravados na memória. A liberdade é apanágio da democracia. A discordância no plano das ideias faz parte do jogo. Jogo que compreende regras éticas bem claras. Pode ser que os jornalistas alvejados sejam vistos na avaliação de uns e outros, por conta das analises feitas sobre questões econômicas e sociais palpitantes, como destacados interpretes do pessimismo deplorável que medra hoje em parte da mídia nativa. Mas isso não serve de molde, maneira alguma, para justificar qualquer torpeza clandestina de desfiguração publica de seus currículos. A lição de Voltaire permanece íntegra: “Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizer”.

O episodio remete-nos a um problema global danado de perturbador. A cada dia que passa, ficam mais evidenciados os riscos que todos corremos em função da utilização impropria, ao arrepio das leis, do bom senso, dos saudáveis ditames da convivência comunitária harmoniosa, desse prodigioso instrumento de comunicação chamado internet.

A internet foi criada dentro de uma concepção mágica da vida. Como forma de exalta-la em sua exuberância suprema. Símbolo maiúsculo deste nosso admirável mundo novo foi inventada para aproximar e não para subtrair. Para beneficiar e não prejudicar. Para louvar e não desmerecer. Em suma, para dignificar e não apequenar o ser humano. Mas acontece que figurinhas de baixo astral, de mal com a vida, malfeitores e espertalhões de todos os matizes e em todas as latitudes, trafegando na contramão da história, fazem de um tudo para deturpar a generosa proposta da internet. Procuram colocá-la a serviço de nebulosos e ignóbeis designíos.

São muitas as distorções detectadas sob as mais diferenciadas circunstancias, nesse capitulo da comunicação social massificada. Um sistema de comunicação de proporções tão assombrosas que voo algum de imaginação, o mais ousado possível, jamais teria conseguido concebê-lo em passado próximo de nós.  Um dos processos utilizados que mais condenações suscitam por parte da opinião pública é essa constante propagação de teorias conspiratórias na base da mais rematada esquizofrenia. Personagens exponenciais da cena pública são alvejados por aloprados em maquiavélicas maquinações. “Especialistas” permanentemente entocaiados à espera de chances para assacar infâmias contra a reputação de adversários. Algo, visto está, que provoca repugnância nas consciências bem formadas.

Diante de tudo quanto vem rolando no fascinante mundo da internet, a sociedade humana sente-se no direito de requisitar, agora, uma nova contribuição das mentes privilegiadas que a conceberam e se acham empenhadas em aperfeiçoá-la. O que se espera dessas mentes é que se lancem, com ardor, na descoberta urgente de soluções engenhosas capazes de conter desvarios e impedir o desvirtuamento dos nobres objetivos dessa tão fantástica conquista tecnológica.






Demência guerreira

Cesar Vanucci*


“Desconheço a guerra justa”. (Murilo Mendes)


Eis aqui um punhado de perguntas incômodas que pairam no ar, sem que ninguém com suficiente conhecimento de causa se dê ao trabalho de responder, de modo a manter informada a patuleia ignara.
Onde ficam mesmo localizadas as inesgotáveis fontes de suprimento do material bélico fornecido aos litigantes, não importando lado ou tendência, nessas guerras que, neste momento, transformam tantas regiões do planeta em palco de inenarráveis tragédias humanitárias? É possível, como tantas vezes sucedeu no passado, que um mesmo fabricante ou um mesmo mercador de armas atue como prestador de eficientes serviços tanto para um quanto para outro dos valentes contendores? Será que, algum dia, a desprestigiada ONU e as arrogantes grandes potências, com ajuda da comunidade das nações, não se disporão a estabelecer, consensualmente, ações que identifiquem essas fontes de suprimento bélico, desarticulando-as em favor da paz e da confraternidade humana? Paz e confraternidade da qual todo esse conjunto de lideranças se intitula pomposamente arauto?


·    A demência guerreira que campeia por aí, ceifando vidas preciosas e reduzindo a escombros patrimônios materiais formidáveis, remete-me a uma cena incrível de anos atrás na televisão. Com estes olhos que a terra algum dia vai comer (na dependência de minha estrita vontade, só daqui muito tempo ainda), acompanhei na telinha as ações iniciais do conflito Iraque - Irã no Golfo Pérsico. De um lado da absurda contenda, os raivosos aiatolás. Do outro lado, ninguém mais, ninguém menos do que Sadam Hussein, à época festejado aliado dos Estados Unidos, apontado pela mídia como leal e altivo sentinela da “democracia” naquele conturbado pedaço de mundo.
Foi assim que me dei conta, espantado, da existência em carne e osso de um fabricante de armamentos. Ele discorreu com enorme entusiasmo sobre seu rendoso negócio. Enalteceu, na maior cara de pau, com abundancia de detalhes, a eficácia de seus excelentes produtos, garantindo-se capacitado a atender satisfatoriamente as volumosas encomendas do ditador iraquiano. Envergando luzidio uniforme de campanha, o homem exibiu ufano, diante das câmeras, apetrechos variados de seu mortífero estoque, enriquecendo a narrativa com multicoloridas ilustrações. Empresário paulista, com jeitão de rematado panaca, babava de contentamento, que nem garoto de grupo tomando sorvete na hora do recreio, ao descrever os danos pesados que as engenhocas destrutivas de seu arsenal  iriam produzir nas fileiras dos inimigos. As imagens daquele paranoico depoimento jamais foram esquecidas por representarem símbolo patético da pequeneza humana diante da aventura da vida.


·    Situações iniludivelmente distintas. Não dão margem a confusões. As manifestações de protesto contra as ações ordenadas pelos radicais de Israel em Gaza são legitimas. Eventuais reações antissemitas que despontem na esteira dessas manifestações fazem por merecer total repúdio. A ONU, com razão, proclama que “o conflito de Gaza não pode servir de pretexto para o preconceito”. Essa justa e irretocável interpretação dos fatos conduz, naturalmente, as pessoas de bom senso, alinhadas com o ideal da paz, a reconhecerem que, desafortunadamente, face aos padecimentos que lhes têm sido infligidos, os palestinos vêm sendo vítimas, há muito, de inaceitável discriminação. Da constatação resulta a certeza de que o preconceito não poderá jamais, também, ser aceito como motivação para o conflito de Gaza.



·    A rede de tuneis construída, a partir das terras palestinas, para infiltração de terroristas com tarefas de levar a cabo nefandos atos em áreas israelenses foi apontada como fator motivador dos ataques a Gaza. Cabe aqui uma observação. A rede detectada era bastante extensa, assegurou-se em relatório oficial. Faltou uma explicação. Porque cargas d’água, então, o noticiário nosso de cada dia, tão focado nos acontecimentos do Oriente Médio, não se ocupou, hora alguma, em descrever os incidentes, na certa frequentes, relacionados com as sabotagens e perdas de vidas inocentes supostamente produzidas nessas tresloucadas incursões?










quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Currículo futebolístico ignorado
                                                          
                                   César Vanucci*

“Mas que cambada de pernetas!"
(Desabafo do técnico do juvenil do USC)

Ainda naturalmente tocado pelas impactantes emoções da Copa, mergulho fundo nas ternas reminiscências infanto-juvenis, para de lá voltar com singelo e breve relato pertinente ao meu sugestivo passado futebolístico, lastimavelmente ignorado em momentos de convocação.

Cinco minutos de jogo, e o juvenil da Merceana já havia enfiado, que nem viriam a fazer décadas depois os atacantes alemães na semifinal do Mineirão, duas bolas nas redes do Aníbal. Era o nosso goleiro, filho do presidente do clube, jornalista Souza Junior.  Ele se queixava, agora, aos berros, da parelha de beques. Os beques botavam a culpa na intermediária. A linha de médios, a voz do José Tomaz se destacando tanto quanto a altura passava a bola pra frente, isso é, dizia que a responsabilidade era nossa, dos atacantes, que não recuávamos para buscar jogo. O técnico, esse, pobre coitado, nada dizia. Esfregava a cabeça, mordia nervosamente o polegar, num silêncio constrangedor que era bem uma projeção da idéia que fazia do time sob o seu comando:

- Mas que cambada de pernetas!

O técnico deles, o Amargoso, babava de contentamento. Os olhos faiscavam na cara escura e redonda. E o time, mais experimentado, bem sortido de valores, esnobava. Punha o pessoal do juvenil do Uberaba Sport na roda, pra dançar o miudinho... O Renato e o Waldir, tão novos, mas já se identificando um pouco com o Marambaia, beque que deixou fama de durão no futebol de Uberaba, brecavam com rigor policialesco todas as nossas investidas. O ataque ainda não conseguia acertar um tiro a gol e já o placar chegava aos cinco a zero. Na frente, o Dorival Cicci judiava com a defesa. Uma finta aqui, outra finta ali, a entrega da bola ao companheiro, para recolhê-la, adiante, em fulminante tabelinha. A meta escancarada, com o arqueiro já batido, e, ao invés do toque fatal, o drible desnecessário, puro enfeite, o passe para o colega desmarcado que vinha atrás pedindo bola. A suprema humilhação.

Numa das vezes em que, num pique irresistível, Dorival partiu em direção ao gol, entendi de detê-lo. Entrei de corpo e alma. O danado do menino meteu a bola entre as minhas pernas e, sorriso zombeteiro e triunfante, numa paradinha desafiadora, ficou a esperar pela segunda investida. Entrei firme, com fúria de boi acuado por toureiro. E tornei a entrar bem. Ele simplesmente repetiu a manobra. Perdi o equilíbrio e despenquei no gramado. Olhei, desapontado, as arquibancadas. Pareceu-me ouvir a torcida gritando, compassadamente, “Olé... Olé... Olé”. Perdemos o jogo. Se a memória não tá a fim de trair, de onze a um. O juiz, benevolentemente, resolveu marcar pênalti a nosso favor. Na cobrança, o goleiro do inimigo ainda tocou o “esférico”, por pouco não detendo sua trajetória.

Mas não foi só o jogo que perdi naquele domingo, na preliminar de um jogo do USC. Junto, também se foi a secreta esperança de vir a ser algum dia lembrado para servir à seleção. E tudo por conta de alguns dribles secos que ecoaram em meu espirito como sentença inapelável para prematuro descalçar das chuteiras.


Pelo que, seja a praça devidamente notificada de que ao futebol brasileiro assiste o sagrado dever de cobrar do Dorival Cicci, do juvenil da Merceana, com juros e correção, uma divida nascida de sua imperdoável façanha de haver tolhido naquele domingo, inclementemente, para todo o sempre amém, uma promissora carreira de craque.




A brasileira Petrobrás

Cesar Vanucci*

“As dificuldades não podem ser pretexto para
 a demolição dos legítimos interesses brasileiros”.
(Professores Gilberto Bercovici e Walfrido Ward Júnior, da USP)


Intrigante demais da conta o tratamento costumeiramente dispensado, por parte da chamada grande mídia, a tudo quanto diga respeito à nossa Petrobrás. Denúncias acerca de supostos atos falhos, porventura cometidos nas esferas administrativas ou técnicas, geram sempre, com incomum rapidez, manchetes estridentes e comentários ácidos duradouros. “As dificuldades não podem ser pretexto para a demolição dos legítimos interesses brasileiros”, alertam num ensaio acadêmico os professores Gilberto Bercovici e Walfrido Ward Júnior, da Universidade de São Paulo, acrescentando que não podemos correr o risco de deslegitimar a mais importante empresa brasileira, “personificação do controle soberano de nossos recursos naturais”.
Mas se, ao contrário, as informações trazidas a lume encerrem conteúdo positivo, o que se depara, quase sempre, é com uma irrazoável parcimônia de palavras ao se contar a historia ao respeitável publico. Dias passados, tivemos a atenção despertada para mais uma amostra desse indesejável estado de coisas. Uma organização mundial tradicionalmente incumbida da avaliação periódica do desempenho das empresas no plano universal registrou (e não é a primeira vez que o faz) que a nossa estatal energética  assumiu o primeiro lugar disparado no ranking da América Latina. A auspiciosa revelação coincidiu com o anúncio de outra sequência de recordes alcançados na produção de petróleo, como já se vem tornando frequente na história da empresa. O que se conseguiu anotar em termos de repercussão midiática a respeito de tão expressivos feitos pode ser definido numa mera e simples palavra: desconcertante. No boletim noticioso de um importante canal tivemos frisante resumo da desimportância inexplicavelmente atribuída ao assunto. O texto dado à locutora para leitura desprezou solenemente o essencial para enfatizar lance secundário. Foi “explicado” ao telespectador, na oportunidade, que embora apontada como a maior empresa latino-americana, a Petrobrás ostenta valor de mercado inferior ao de anos atrás. Ignorou-se evidentemente, no desnorteante comunicado, dado relevante para melhor compreensão das coisas. Se ocorreu “desvalorização” patrimonial da principal empresa no ranking, esse fato não terá sido, certeiramente, isolado, restrito a apenas uma organização. As demais empresas da lista terão sido, fatalmente, afetadas pela conjuntura. Não é assim mesmo?

Situações como a que acaba de ser narrada recomendam reflexões. Sugerem reexames de procedimento por parte de setores influentes da mídia. Afigura-se sumamente desejado, em função do respeitável interesse nacional que ninguém com presença marcante na comunicação social, sinceramente integrado no esforço de construção da prosperidade econômica e social, perca de vista jamais, a qualquer tempo, uma óbvia constatação histórica. A constatação de que a Petrobrás, admirável conquista do povo brasileiro, é uma instituição detentora, com suas inciativas técnicas vanguardeiras, da admiração e respeito mundiais.   
      




Convite aos amigos
Do “Blog do Vanucci”

Todos vocês estão convidados para o ato de lançamento do livro “Eternamente Zélia”, do escritor Vicente Muzinga Oliveira, contendo depoimentos a respeito da bela trajetória de vida da médica, cientista e líder espiritual Zélia Savala Rezende Brandão, dirigente do conceituado “Grupo Científico Ramatis”.

O evento será realizado no dia 20 (vinte) de agosto, quarta-feira, a partir das 19 (dezenove) horas, no salão nobre da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais), Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho, Belo Horizonte.
Contamos com sua participação.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

       
Convite aos amigos
Do “Blog do Vanucci”

Todos vocês estão convidados para o ato de lançamento do livro “Eternamente Zélia”, do escritor Vicente Muzinga Oliveira, contendo depoimentos a respeito da bela trajetória de vida da médica, cientista e líder espiritual Zélia Savala Rezende Brandão, dirigente do conceituado “Grupo Científico Ramatis”.

O evento será realizado no dia 20 (vinte) de agosto, quarta-feira, a partir das 19 (dezenove) horas, no salão nobre da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais), Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho, Belo Horizonte.
Contamos com sua participação.







Negação da rica cultura hebraica

Cesar Vanucci*


“No horror que acontece em Gaza não há espaço para
 equidistância nem neutralidade.” (Javier Bardem, ator espanhol)



Nada a estranhar na revelação de que no próprio seio da valorosa comunidade judaica sejam bastante numerosas as vozes erguidas contra as ações sangrentas descomedidas praticadas pelas forças de ocupação no território palestino. Os extremistas radicais que governam Israel enfrentam, além da condenação da opinião publica internacional, veementes reações em sua própria comunidade pelas ações executadas.

A rica cultura humanística e espiritual hebraica legou à civilização lições magnificas de celebração da vida. E de respeito aos direitos fundamentais que conferem dignidade à aventura terrena. Os métodos exacerbados de violência empregados pelas bem equipadas forças militares – todos sabemos – encontram-se em completo desalinhamento com esse colossal patrimônio de ideias, força motriz da boa convivência social, construído por pensadores judeus eminentes. Figuras reverenciadas pelo seu trabalho em todas as áreas do conhecimento.

Por mais que a mídia internacional esteja a dificultar, incompreensivelmente à luz do bom senso, o acesso a informações acerca do inconformismo de significativos segmentos da comunidade judaica diante do caos instalado em Gaza, sabe-se com certeza que muita gente de peso, em Israel, tem assumido postura crítica com relação à belicosidade do governo. São cidadãos de diferentes tendências politicas. Clamam pela amplitude do diálogo. Apontam a mesa de negociações, com mediação da ONU e das grandes potências, como o único instrumento capaz de assegurar na região conflagrada a paz ardentemente almejada. O celebrado escritor Amós Oz e organizações como a “Peace Now” deixam claro nos posicionamentos formal indignação. Algum tempo atrás, outro indicador valioso das fortes divergências reinantes em Israel quanto ao massacre infligido à Palestina foi dado por combatentes militares de graduação elevada. Inesperadamente, eles se recusaram a participar de bombardeios contra a população civil. Por tal motivo foram destituídos de seus postos.

Esses setores esclarecidos sonham fervorosamente com uma nova ordem no relacionamento árabe-judeu. Mostram-se afinados com lideranças mundiais realmente engajadas em processo que seja capaz de instalar paz duradoura no conturbado território. Tal processo, para que se revele eficaz, terá que compreender, evidentemente, pra começo de conversa, a demolição do “muro da vergonha” que circunda a população palestina, impondo-lhe sofrimento e humilhação inenarráveis. Terá que assegurar o direito de retorno aos refugiados. E estabelecer fronteiras precisas. Garantir que esse bem vital, a água, chegue às torneiras palestinas. Demolir os afrontosos assentamentos de colonos. Definir com exatidão a situação jurídico-institucional de Jerusalém, capital espiritual do mundo, de preferencia tornando-a cidade internacional sob a égide da ONU. Terá que reconhecer também a legitimidade do Estado da Palestina, tanto quanto a legitimidade do Estado de Israel, absorvida com simpatia pela Comunidade das Nações, mesmo que negada, irracional e raivosamente, por alguns grupos extremistas incendiários do lado contendor.

A comoção gerada pelos acontecimentos na faixa de Gaza tem dado origem a manifestações de protesto em todos os cantos. Javier Bardem, ator espanhol, ganhador de Óscar, assinou mensagem largamente divulgada nas redes sociais, entre outras coisas afirmando o seguinte: “No horror que acontece em Gaza não há espaço para equidistância nem neutralidade. É uma guerra de ocupação e de extermínio contra um povo sem meios, confinado em um território mínimo, sem água, e onde hospitais, ambulâncias e crianças são alvos e suspeitas de terrorismo. Difícil de entender e impossível de justificar. (...) “Não entendo essa barbárie e os horríveis antecedentes vividos pelo povo judeu tornam-na ainda mais incompreensível. Só as alianças geopolíticas, essa máscara hipócrita dos negócios – como, por exemplo, a venda de armas - explicam a posição vergonhosa dos Estados Unidos, União Europeia e Espanha.” (...) “Tenho muita gente querida a meu redor que é judia. Ser judeu não é sinônimo de apoiar um massacre.” (...) “E ser palestino não é ser terrorista do Hamas.”(...) “Trabalho nos Estados Unidos, onde tenho amigos e conhecidos hebreus que rechaçam tais intervenções e políticas de agressão. Não se pode invocar autodefesa quando se assassina crianças - me diz um deles por telefone.” 



Esse nosso mundo cansado de guerra

Cesar Vanucci*


“As guerras abominadas pelas mães...”
 (Horácio, -65-8 a .C.).


Os “donos do mundo” precisam, urgentemente, rendendo-se à humildade e bom senso, reconhecer o insucesso fragoroso de sua atuação na busca da paz e da concórdia. A cada dia que passa tornam-se mais visíveis as consequências desastrosas de suas mal concebidas intervenções e malfeitorias insensatamente programadas. Estas intromissões se manifestam em litígios e desavenças que espocam aqui e ali, todos eles, pelo que se está vendo, contendo ameaças à causa sagrada da boa convivência humana.

A revisão de conduta nos processos geopolíticos empregados, nas ações diplomáticas encetadas pelas potências providas de poder decisório em questões de suma relevância faz-se imprescindível nesta hora de tantas conflagrações, para que se consiga, afinal de contas, evitar possam as tragédias em curso assumir amplitude ainda maior. “Parem com isso!” – brada o Papa Francisco, interpretando magistralmente genuíno anseio humano. A proclamação tem o claro sentido de uma convocação irrecusável à reflexão, ao diálogo, à abdicação de gestos e palavras arrogantes, ditados por desejos vorazes de mandonismo e hegemonia. Para onde quer que se lance o olhar angustiado naquelas regiões sacolejadas pelas explosões conflituosas descritas nas manchetes de cada dia, o que se contempla é ódio e intolerância soltos, atrocidades inimagináveis. Quadros de dantesco horror, que colocam em xeque a sinceridade do alardeado propósito humano de evolução.

O massacre de Gaza, as guerras civis na Síria, Líbia, Ucrânia, Nigéria, Afeganistão, Iraque, as tensões constantes na península coreana são alguns dos mais frisantes sinais dessa ordem de coisas abominável. As monstruosidades acumuladas são de tamanho porte que a gente chega até a encontrar dificuldade em avaliar corretamente o significado das palavras. Acaba perdendo a condição de medir e pesar, de pronto, o real sentido das posições dos protagonistas engajados nas tétricas manobras em andamento. Vejam, por exemplo, essa atordoante e recente proclamação da Al Qaeda. Aludindo aos militantes do grupo guerrilheiro que se apoderou de partes dos territórios sírio e iraquiano para implantar um “califado”, com todo o aparato fundamentalista retrógrado e obscurantista que isso possa comportar, os dirigentes da organização baseada no Afeganistão, célebre por suas concepções mórbidas e desusada ferocidade, anunciou para estupefação geral, não compactuar com as ações do novo grupo. E por qual razão? Por considerá-lo - minha Nova Senhora da Abadia d’Água Suja! - demasiadamente radical...

 Com tanta insânia espalhada por esse mundo de Deus em que o diabo continua, pelo visto, a fixar seus enclaves, os homens e mulheres de boa vontade de todos os lugares precisam manter acesa a esperança. Torcer para que, nalgum momento da trajetória por todos nós percorrida, um punhado de cabeças bem pensantes, comprometido com valores humanísticos e espirituais, aponte às grandes lideranças mundiais meios que possam inspirar ações diferentes. Procedimentos capazes de traçar fórmulas de entendimento que ponham cobro na espiral de violência dos tempos de hoje.


Não constituiria, por certo, exagero reivindicar dos dirigentes mundiais com maior poder de fogo econômico e bélico que se entregassem a uma serena e amadurecida reflexão, libertos de seus impulsos belicosos, dos vetos que apequenam a capacidade de negociação da ONU e dos demais integrantes da comunidade das Nações, de maneira a permitir a construção dos alicerces de uma paz verdadeira e perene. 

quinta-feira, 31 de julho de 2014


A estatura moral do Brasil

Cesar Vanucci*

“A tão sonhada paz na região depende de Israel, a parte mais forte e equipada do conflito”. (Celso Amorim, Ministro da Defesa do Brasil)

Os radicais que comandam na atualidade o Estado de Israel cometeram mais um estrondoso desatino. Este, apenas verbal. Sem perdas de vidas inocentes. Mas altamente revelador, outra vez, do animo belicoso e postura prepotente que entendem por bem (melhor dizendo, por mal) assumir nas inesgotáveis demandas de seu país com a tolerante comunidade das nações.

O Brasil não é um país irrelevante. Não é “anão diplomático”, conforme anotado na histérica descrição do porta-voz do grupo extremista. E, a seu turno, Israel não possui estatura moral para impor a quem quer que seja, muito menos ao Brasil, regras desabridas, ao inteiro arrepio das leis internacionais, como aprecia costumeiramente fazer. Exemplo frisante dessa conduta abominável se configura nos deslocamentos de suas ferozes divisões blindadas em territórios da Palestina. Na hora presente, provocando perplexidade e comoção planetária, essas divisões promovem uma luta desigual e iníqua, que recorda sob muitos aspectos os horrores praticados, no passado, pelo nazismo contra o heroico e indefeso povo hebreu.

Quando o Papa Francisco, do alto de sua cátedra, brada ao mundo “parem com isso!”, ele na verdade interpreta um anseio humano global. Fala de um sentimento que povoa as mentes e os corações de homens e mulheres de boa vontade em todos os quadrantes do mundo, independentemente de crenças e etnias diversificadas. Um tipo de gente, esmagadora maioria, que sonha com a implantação da paz e de fraternal convivência em todos os lugares, sobretudo num ponto do globo cheio de simbolismo sagrado, berço das mais poderosas e influentes correntes ideológicas da civilização. Como aceitar que justamente num lugar assim possa ocorrer uma explosão ensandecida como essa, produzida por radicalismos os mais desapiedados. A culpa no cartório pelos brutais acontecimentos deve ser atribuída, em cota proporcionalmente maior, a radicais israelitas, no confronto mantido com seus adversários, parte deles também radicais fanáticos. Mas o que está prioritariamente em jogo é a aspiração ardente das multidões palestinas de ter sua pátria. Tal como almejado e conquistado com inteira justiça e merecimento pelos judeus num passado não tão distante. Tal como já definido, há décadas, pela assembleia geral da ONU.  

O que a diplomacia brasileira expressou na critica à exacerbação imprimida ao conflito pelo contendor bélica, politica, tecnológica, economicamente mais poderoso, no caso  Israel, situa-se na mesma linha do pensamento pontifício. Parem já com isso! Interrompam o massacre! Tomem logo seus assentos na mesa de negociações.  Tracem em definitivo, com concessões se necessário, os limites dos territórios israelense e palestino. Aprendam a conviver. Mirem-se no exemplo aqui do Brasil. Um país de indiscutível grandeza cultural e politica, que não cultiva desafeições com nenhum de seus dez vizinhos territoriais. Um país onde as comunidades árabe e judia convivem em perfeita harmonia. Onde a pluralidade de ideias e as diferenças de costumes são satisfatoriamente respeitadas e onde, também, os fundamentalistas de todos os matizes são contidos em suas idiossincrasias e intolerâncias.

Veja bem o porta–voz dos radiais de Telavive se o Brasil dispõe ou não de condições para opinar a respeito do horror de Gaza, essa sucessão de incidentes atordoantes tão próximos da funesta lembrança do genocídio ocorrido no gueto de Varsóvia?

Já ia me esquecendo. Como o porta-voz também fez menção a um mero e inofensivo placar de simples contenda esportiva, em seu patético esforço de desqualificar o Brasil como Nação, que tal lembrar ainda do tétrico e dilacerante placar em vidas preciosas construído com o “eficiente” concurso das tropas de ocupação que, por terra, mar e ar, vêm se esmerando a reduzir a escombros – com gente dentro - asilos, escolas, hospitais, lares, na estreita faixa rodeada por muros e patrulhas militares reservada ao confinamento do povo palestino?  




Filme já visto

Cesar Vanucci*


“A instituição ganha mais dinheiro no Brasil do que ganha em qualquer 
outro país, inclusive na matriz, na Espanha.”
                  (ex–Presidente Lula, aludindo ao banco Santander).

O Santander extrapolou os limites. Dilma Rousseff classificou o ato de “inadmissível”. Foi demasiadamente branda na reação. A impertinência do grupo espanhol, que tem neste nosso país tropical, abençoado por Deus, um de seus núcleos operacionais mais dinâmicos e rendosos, se não o mais importante deles, roça as raias da imbecilidade sob o estrito ponto de vista empresarial. Representa ainda inocultável violência à ordem institucional política. Onde já se viu absurdidade desse tamanho? Uma organização estrangeira, extravasando arrogância, resolve de repente dirigir-se à clientela para exprimir tendenciosa orientação política! Resolve manifestar preferencia partidária com relação a uma campanha eleitoral de suma importância para o futuro de um país que lhe franqueou as portas para ocupação de espaço privilegiado no mundo de promissores negócios!

Ponho-me a matutar com os botões do pijama qual não seria o fragor, inclusive midiático (além de diplomático), da reação do governo da Espanha diante da inimaginável hipótese de que o Banco do Brasil, por exemplo, atuando no mercado daquele país, resolvesse sem mais essa nem aquela emitir juízo de valores sobre candidaturas numa campanha eleitoral em curso. O rebu que uma intromissão descabida como essa seria capaz de produzir, vou te contar!...

O Santander aprestou-se a protagonista da vez nas periódicas sortidas maquiavélicas deflagradas por forças estranhas à vida e ao sentimento nacional. Essas forças, às vezes mancomunadas com grupos nativos, mantêm-se sempre entocaiadas á espera de ensanchas oportunosas. Ávidas por botar pra fora estaparfúrdios “ensinamentos” sobre como nós, brasileiros, deveremos nos comportar na condução de nossos próprios destinos políticos.

Acode irresistivelmente à lembrança, nesta hora, aquela ridícula manifestação de 2002, feita por um gringo mundialmente reconhecido como mago da especulação financeira, George Soros. Ele falava, na ocasião, em nome do “mercado”. Ou seja, em nome desse ente ectoplásmico, evocado costumeiramente em momentos imprevistos, por conveniências clandestinas, ativas nos bastidores mundanos, para “opinar” a respeito de questões momentosas. Questões, naturalmente, que possam render algum ganho espúrio aos manipuladores de sempre das riquezas circulantes. E o que foi mesmo que o supracitado cara andou dizendo com repercussão encomendada na mídia e com a indisfarçável cumplicidade de manjados oportunistas na esfera política? Seguinte: “A vitória, nas eleições, de Luís Ignácio Lula da Silva e de seu companheiro José Alencar, outro Silva com marca legendária na historia, representaria o caos...” O papo do mega especulador não colou. A catastrófica profecia foi vista por todos como terrorismo econômico. O malogrado prognóstico soou como eco de pronunciamento impregnado de babaquice formulado anteriormente pelo então presidente da FIESP, Mario Amato. O mencionado prócer classista vociferava que um possível triunfo de Lula na disputa com Fernando Collor, seria capaz de desencadear–ora, veja, pois! - um fluxo incontrolável de brasileiros para Miami na busca de exílio. O grotesco episódio faz aflorar na lembrança deste desajeitado escriba uma outra intervenção descabida com sotaque estrangeiro. A exemplo da primeira, salpicada de preconceito. Outro empresário influente, de Minas Gerais, no exercício da presidência da Belgo Mineira, Hans Schaller, compareceu gratuitamente a publico para sublinhar que o então presidente da FIEMG, José Alencar, não traduziu o pensamento do empresariado brasileiro quando anunciou a disposição de votar no líder sindicalista na disputa com o “caçador de marajás”. O autor desse outro palpite infeliz ficou mudo e quedo que nem penedo depois de ter-lhe sido lembrado que, em razão da nacionalidade, ele não poderia votar no candidato de sua preferencia, a não ser que Collor pusesse concorrer a presidente em seu país natal.  



O filme projetado pelo Santander é o de sempre. Parece um bocado com aqueles lançamentos cinematográficos “inéditos” da televisão. Surge infalivelmente na tela do cinema político toda vez que o Brasil se prepara para votar. O elenco pode até mudar. O enredo, não! 





Grupos de ódio

Cesar Vanucci*


“Enquanto a cor da pele for mais importante que o
 brilho dos olhos, haverá guerra”. (Bob Marley)


Quem tem olhos pra enxergar e ouvidos para escutar que se esforce por captar o alarido sombrio do movimento racista escancaradamente empenhado em marcar presença em tudo quanto é frente. A virulência extremista parece haver encontrado em bolsões conturbados da vida contemporânea estímulos renovados para suas vociferações de ódio fraticida. Na Europa, principalmente na França, partidos ultraconservadores, que pregam abertamente a discriminação, ganharam em recentes prélios eleitorais espaço mais dilargado para atuação. O fundador da “Frente Nacional”, Jean-Marie Le Pen, eufórico com a meteórica ascensão da filha e atual líder da agremiação, Marine Le Pen, ao palco central da política, declarou, entre gargalhadas histéricas, aludindo numa entrevista ao ator e cantor judeu Patrik Bruel, essa atordoante imbecilidade: “Da próxima vez faremos uma fornada com eles!”
Nos Estados Unidos, o numero dos chamados “grupos de ódio”, que defendem a supremacia branca e “cristã”, alvejando não só negros e judeus, mas a tudo quanto “fuja” ao seu “padrão de nação” – imigrantes, latino-americanos, muçulmanos, gays e minorias étnicas – cresceu cerca de 56% desde 2000. Esses núcleos antissemitas hidrófobos chegam a 940 em todo país. Segundo a polícia federal estadunidense, 5.800 crimes motivados por ódio racial foram cometidos em 2012. Atrás dos delitos atuam a Ku Klux Klan, “skindeads”, neonazistas, o Partido dos Cavaleiros (The Knigths Party) e outros grupamentos especializados na disseminação do ódio. Os sinistros símbolos nazistas e da KKK são vistos em muitas das ocorrências criminosas.   

Cotas na pós-graduação. Uma valiosa informação acerca da (auspiciosa) expansão do projeto de democratização do ensino superior implantado pelo Ministério da Educação. Depois de bem sucedido esforço no capitulo das cotas raciais, a Universidade Federal de Brasília está partindo para adotar o mesmo regime de partilha nas matriculas em seus cursos de pós-graduação. A pioneira iniciativa, não divulgada com destaque, incompreensivelmente, pela grande mídia, acabará sendo introduzida, em breve, com certeza, nas demais instituições escolares.

Taxa de Juros. Analistas políticos mencionam com insistência, em especulações pré-eleitorais, o nome de Armínio Fraga, renomado técnico das fileiras da oposição para ocupar, numa eventual vitória eleitoral em outubro, posição de destaque na área econômica do governo. Isso acende a lembrança de que por volta de 1999, época em que o economista esteve à frente da politica econômica, a taxa de juros andou alcançando as altitudes himalaianas dos dois dígitos.  


Chico Buarque. Pelos seus 70 anos, Chico Buarque de Holanda está sendo festejado em prosa, verso e música. Muitíssimo justa a celebração. Não são tão numerosos assim os brasileiros providos de currículo tão cintilante. O autor de tantas melodias e letras inesquecíveis, definitivamente incorporadas ao rico reportório da criação artística brasileira, é alguém com lugar assegurado no time titular de nossos maiores compositores. É, por sinal, parceiro de vários deles. Esbanja talento em tudo que bota mão. Enveredando pelo teatro musical, construiu uma produção dramatúrgica admirável. Marcou presença na literatura com excelentes romances, que arrebataram prêmios e inspiraram filmes. Sua obra, impregnada de lirismo, de rico conteúdo social, estampa também discurso corajoso em favor dos direitos essenciais. E não nos esqueçamos de que Chico combateu na linha de frente nas lutas pela redemocratização. Alçou-se por tudo quanto realizou e continua realizando à invejável condição de personagem exponencial no cenário cultural brasileiro e latino-americano, com projeção internacional.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Copa, outra vez
Cesar Vanucci*

“Os responsáveis estão bem longe das quatro linhas.”
 (Luiz Gonzaga Belluzo).

A Copa continua dando o que falar.

* O fiasco retumbante da seleção nas quatro linhas colocou a CBF com as “barbas de molho”. A cartolagem viu-se acionada pelo clamor das ruas a dar logo o pontapé inicial na partida decisiva correspondente à necessária e urgente reformulação do futebol brasileiro. Só que as primeiras jogadas anunciadas não têm sido nada de molde a desfazer o sobressalto instalado, desde os 7 a 1 fatídicos, no espírito dos torcedores. Os primeiros lances deixam entrevistos sérios riscos de gol contra. As indicações de nomes produzem a amarga sensação de estar pintando no pedaço mera troca de seis por meia dúzia. Paira no ar a desconfortável impressão de que se esteja fazendo alguma reforma para não se fazer reforma alguma.   


*O Ministério do Turismo liberou os resultados da pesquisa feita junto a correspondentes dos órgãos da mídia internacional a respeito da Copa realizada no Brasil. As avaliações recolhidas reduzem a subnitrato de pó de mico os prognósticos cataclísmicos intensamente propagados, antes do torneio, com certa repercussão no exterior, nos meios de comunicação nativos. A quase totalidade dos jornalistas consultados (98,6 por cento) reconheceu que tudo foi “muito bom” ou “bom”. Os itens concernentes aos serviços de infraestrutura do Brasil foram considerados de bom nível. Vejam só os índices de aprovação alinhados na sequencia: aeroportos, 88 por cento de aprovação; taxis, 87,7 por cento de aprovação; segurança publica, 81,8 por cento; limpeza urbana, 80,4 por cento; atrativos turísticos, 98,4 por cento de avaliações positivas; diversões noturnas, 96,2 por cento; facilidade para “vistos”, 93,2 por cento. Os entrevistados assinalaram ainda que a imagem do Brasil, com a Copa, melhorou 59,4 por cento e permaneceu a mesma 38,1 por cento. A “enquete” perguntou ainda aos profissionais de imprensa se recomendariam viagens ao Brasil. Noventa e sete por cento responderam positivamente. Os índices apurados nas questões da mobilidade urbana e da telefonia e acesso à internet foram menos expressivos. Respectivamente, 66,9 por cento e 52,1por cento. Os custos das atrações turísticas e transportes foram considerados adequados pela maioria. No tocante às tarifas e serviços de hospedagem, sete em cada dez entrevistados adotaram postura critica acentuada.


*A condição de jogador excepcional desfrutada pelo argentino Messi dispensaria perfeitamente a gratuidade da deferência que se lhe foi atribuída pela FIFA, ao considerá-lo “craque da Copa”. E que papo mais estapafúrdio é esse de o “craque da Copa” não entrar na “ seleção da Copa”? No duro da batatolina, o titulo de “craque da Copa” ficaria melhor nas mãos (ou seja, nos pés) do holandês Argen Roben.



*Sem essa de “crucificar” o atacante Fred, apontando-o como “bode expiatório” do fracasso acontecido no gramado, a exemplo do que foi feito, em 1950, de forma igualmente injusta, com Barbosa e Bigode. Os verdadeiros culpados são outros. Fico com o Luiz Gonzaga Belluzo quando registra em depoimento à “CartaCapital” esta frase: “Não adianta procurar os culpados entre os vinte três selecionados. Os responsáveis estão bem longe das quatro linhas.”


*Alguém do ramo publicitário bem que poderia medir o tempo despendido pelas estrelas do time canarinho, os membros da comissão técnica obviamente incluídos, nos preparativos e filmagens dos reclames publicitários em que, antes e durante a Copa, apareceram como charmosos “garotos propaganda”. Ha quem aposte na hipótese de que as horas consagradas a tão valioso mister aproximem-se do volume de horas dedicadas aos extenuantes treinamentos na Granja Comary.


*Entreouvido na fila do “busão” que faz o trajeto Centro-Calafate: - “Sinto um baita calafrio na espinha só de pensar, conforme alguns cronistas andam dizendo, que a maioria dos jogadores brasileiros desta Copa possa estar em nosso time nas Olimpíadas e Copa da Rússia”.

  
Vez do Leitor. A proposito do artigo “Tristeza e perplexidade” escreve-nos o leitor Wenceslau Teixeira Madeira: “Meu caro cronista, meu protesto segue abaixo. Protesto de um villanovense /brasileiro/eleitor/contribuinte/torcedor.
Pessoal, juro! Eu não acredito!/ Não achei nada bonito!/  Placar imenso de sete a um / Jamais vi em lugar algum. /  Tanta humilhação, tanto desgosto.
Protesto: Não voto mais e nem pago imposto!/ Wenceslau, seu 25.000.000º leitor.”





Quarta- feira, dia 23 de julho. João Ubaldo e Rubem Alves recebem Ariano Suassuna e o céu fica ainda mais estrelado. 



 





Dia da Indústria, 2014

                                                                   Cesar Vanucci*

“O passado é importante quando nos ensina a compreender o
 presente e a moldar o futuro” (Olavo Machado Junior, Presidente FIEMG)


Festa de arromba, por qualquer prisma seja o evento avaliado. A celebração do Dia da Indústria, tradicional no calendário da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), revestiu-se em 2014 da mesma pompa e brilho que a respeitada instituição costumeiramente empresta à promoção. Publico vibrante, altamente representativo, lotou o salão principal da Expominas, aplaudindo com entusiasmo os ilustres personagens agraciados com os honrosos títulos de “Industrial do Ano” e “Mérito Industrial”.
A posse da diretoria que regerá os destinos do Sistema Operacional da Indústria no  período administrativo vindouro, liderada pelo empresário Olavo Machado Junior, que deu provas pessoais exuberantes de seu poder empreendedor no primeiro mandato, foi ponto de destaque na programação. Um primoroso coquetel emoldurou o encontro destinado à confraternização dos dirigentes empossados, homenageados e convidados.
A assembleia solene foi também sublinhada por sugestiva sequência de pronunciamentos, com lúcidas abordagens de temas caros ao interesse nacional. A realidade politica e econômica mereceu analises por enfoques diferenciados, sobretudo nos pronunciamentos do industrial Olavo Machado Junior e do representante do Governo Federal, Ministro Mauro Borges, titular da pasta do Desenvolvimento. Isso proporcionou à atenta plateia a chance de se ver contemplada com um, pode-se dizer, respeitoso diálogo, contendo dados valiosos. Conquanto em vários pontos divergentes no tocante ao modo de se encarar o processo de desenvolvimento, as informações transmitidas, dentro de impecável figurino democrático, retrataram saudavelmente a preocupação dos setores privado e publico na cata de resultados adequados e eficazes para os problemas confrontados pela sociedade dos tempos de hoje. “O nosso partido é Minas. Queremos lideranças politicas comprometidas com Minas porque delas depende o resgate de uma politica econômica que efetivamente privilegie o crescimento e o fortalecimento da indústria”, foi o que acentuou Olavo Machado.  
A repousante atmosfera democrática dominante transportou-me, num amplo voo de imaginação, a momentos passados que deixaram marcante registro na historia dessas refulgentes comemorações.  Fixei-me, nas lembranças afloradas, de modo especial, nas festividades comemorativas do “Dia da Indústria” de 1971 e do “Dia da Indústria” de 1976.
Os acontecimentos vividos naquelas duas ocasiões, com toda certeza desconhecidos da grande maioria das pessoas, foram simplesmente eletrizantes, deixando imorredouras lições. Merecem ser recontados como singela contribuição histórica deste desajeitado escriba aos arquivos da grandiosa celebração.
Colocados, como será visto, frente ao que rolou na bela comemoração de agora e nas celebrações de outros anos do passado recente, posteriores ao período de obscurantismo ditatorial, são fatos que oferecem, como mensagem didática definitiva, amostra pujante do real significado da democracia no processo civilizatório. Deixam, pela mesma forma, projetada a agressão que os regimes de força costumam perpetrar, a torto e a direito, contra a cidadania e os direitos essenciais inerentes à dignidade humana.
Proponho-me recontar, na sequência, em dois artigos, os relatos dos sucessos transcorridos naquelas celebrações do “Dia da Indústria” de 1976 e do “Dia da Indústria” de 1971.


                     Mais de Suassuna:                  
Filme:  "O auto da compadecida" um dos seus grandes sucessos. 





A SAGA LANDELL MOURA

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