quinta-feira, 27 de julho de 2023

Os Moais de Rapa Nui

 




“... o halo mágico que envolve Rapa Nui.”

(J.J. Benitez, escritor)

 

Continuo a falar dos enigmas deste planeta azul. Com seus 165 quilômetros quadrados, situada a quase 4 mil quilômetros de Santiago do Chile, Rapa Nui – conhecida por Ilha de Páscoa -, possessão chilena, é um enigma que já rendeu estudos alentados, segundo recente avaliação, em mais de dois mil livros. A tentativa complicada de oferecer uma explicação lógica e racional para o que aconteceu, em tempos imemoriais, naqueles confins do mundo, tem mobilizado, ao longo dos anos, as atenções, a imaginação e a inteligência de um exército de arqueólogos, antropólogos, oceanógrafos, etnólogos, exploradores e aventureiros de formação a mais variada.

 

Apesar dessa avalancha bibliográfica, os segredos que rondam Rapa Nui, considerada pelos seus habitantes como o “umbigo do mundo”, permanecem intocáveis. Como os de tantos outros sítios arqueológicos espalhados por este planeta azul. As interpretações, de um modo geral, não são nada convincentes. As interrogações fundamentais continuam reclamando respostas. Os textos que se propõem a decifrar a descomunal charada revelam-se, via de regra, insatisfatórios, insuficientes e, até mesmo, simplórios. Isso acontece, de forma mais frisante, na hora em que pipocam os “esclarecimentos” concernentes aos supostos recursos técnicos que teriam sido empregados pelos antiquíssimos habitantes da ilha na construção e, depois, no deslocamento e fixação das colossais estátuas. A operação, como é sabido, envolveu esforços dir-se-á sobre-humanos dos responsáveis pela tarefa para vencer distâncias enormes, numa geografia acidentada, repleta de escarpas, ao longo de toda a ilha.

 

Não é nada fácil absorver a teoria de que os moais, numerosíssimos, teriam sido caprichosamente esculpidos com instrumentos toscos manipulados por um bando de silvícolas com noções primitivas de vida social e de conhecimento técnico. Fica difícil também conceber que, com os mesmíssimos rudimentares instrumentos, as mesmíssimas despreparadas criaturas hajam logrado extrair, de uma pedreira, as fatias gigantescas de rochas vulcânicas utilizadas nas portentosas esculturas. Não menos difícil é aceitar que, depois de toda essa extenuante empreitada, realizada sabe-se lá em qual espaço de tempo, medido por algumas dezenas de anos, e com quais insondáveis intuitos, os pascoanos de eras passadas hajam, complementarmente, conseguido transportar por quilômetros, na força bruta, com o auxílio presumível de cordas, os frutos de sua obsedante faina artística, afixando-os simetricamente em pontos estratégicos, alguns bastante elevados, ao redor da ilha. Os moais são peças inteiriças de quinze a vinte metros de comprimento. Pesam até 50 toneladas. Exigiriam muito muque do pessoal da ilha para serem  colocados nas posições em que foram achados pelos embasbacados colonizadores de Rapa Nui, por ocasião da descoberta do extraordinário sítio arqueológico.

 

Para esses problemas indecifráveis, as tradições orais dos habitantes de Páscoa, recebidas naturalmente com desdém pela ciência, apontadas como extravagante manifestação mitológica de agrupamentos indígenas dominados pela superstição, oferecem respostas desconcertantes. Respostas que se colocam, evidentemente, à deriva da compreensão do homem comum.

 

Os antigos habitantes de Rapa Nui seriam remanescentes de uma civilização avançada, que povoou o lugar em tempos desconhecidos. Seriam detentores de poderes excepcionais. “Estavam aptos” a produzir, com a força mental, algo conhecido como “mana”, uma energia, de acordo ainda com as lendas, capaz de deslocar objetos pesados a longa distância. Uma “explicação” a mais para um enigma que acumula infindáveis perguntas, para as quais não se conhece ainda resposta plausível.

 

 

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

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