sexta-feira, 28 de maio de 2021

 




No final do século XX, uma maior migração de pessoas, facilidade de disseminação do conhecimento (principalmente pela internet), ampliação do comércio mundial e de movimentos de capital somaram-se à reunificação alemã (com a queda do muro de Berlim iniciada em 1989) e à dissolução da União Soviética (1991). Esse conjunto assinalou o fracasso do comunismo, o fim da “guerra fria” e a adoção generalizada da “Globalização” da economia: o império do capitalismo, livre da alteridade que até então existira. Alguém poderia imaginar que a imagem acima _ com a qual, aos poucos, vamos nos habituando _ retrate alguma “falha” do capitalismo; mas, não é uma falha: as grandes desigualdades sociais acontecem exatamente quando o capitalismo está funcionando bem. O “Liberalismo” explica que a culpa da pobreza é do pobre, não da sociedade. Não importa se não há trabalho para mais de 20 milhões de brasileiros em idade produtiva. No entanto, precisamos pensar numa ética pluralista a ser incluída no capitalismo para diminuir as desigualdades. Afinal, foi o mestre Jesus que ensinou: “ama teu próximo como a ti mesmo” e “trata os outros como gostarias de ser tratado”. Se algo não mudar e crianças como essa sobreviverem, daqui a 10 ou 15 anos ter-se-ão tornado parte de um grupo de semianalfabetos, desempregados e, provavelmente, estarão envolvidas em crimes. Você se define como uma “pessoa de bem” (se “de direita” ou “de esquerda”, tanto faz!); mas, se você já não se emociona ao ver crianças dormindo no chão das ruas e acha que o Estado não precisa criar “oportunidades iguais” de acesso à educação, ao trabalho, à segurança, à saúde e a uma vida digna para essas crianças, então, desculpe. É possível que você não seja a “pessoa de bem” que afirma ser. É mais provável que esteja apenas se habituando a ser uma pessoa má. Muito má! As palavras de Thomas Morus, criticando o rei Henrique VIII, permanecem válidas no Brasil de hoje: "Abandonais milhões de crianças aos estragos de uma educação viciosa e imoral. A corrupção emurchece, à vossa vista, essas jovens plantas que poderiam florescer para a virtude, e vós as matais quando, tornadas homens, cometem os crimes que germinavam, desde o berço, em suas almas. E, no entanto, que é que fabricais? Ladrões, para ter o prazer de enforca-los." (Thomas Morus, 1478-1535, em “A Utopia”)

*coronel da reserva e presidente da Academia de Letras João Guimarães Rosa da Polícia Militar de Minas Gerais. 



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